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weder Luz (28/12)
Bom dia Rodrigo , sou Junqueira vilela . nas mortes da fazenda Bella Cruz...
Socorro fernandes (27/12)
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Clenilca Alves da Silva cleo (25/12)
Bom Natal gente ,feliz ano novo ,muita correria ,depois escrevo melhor t...
Júnior Parque Aventuras (25/12)
Parabéns pelo projeto, pela viagem e por terem começado pelo PETAR! rs ...
Gládis Klein (23/12)
Olá Ana, muito bonitas as fotos e interessante o teu diário. Saberias m...
As cores da catedral de San Miguel de Allende, no México
Antes um Pueblo Mágico, hoje Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco, San Miguel de Allende é uma das mais belas cidades coloniais no México central. Fundada em 1.542 pelo monge franciscano Frei Juan de San Miguel, recebeu um novo endereço assim que fontes de água termal foram descobertas pelos astutos cachorros do Frei San Miguel.
Templo de San Francisco, em San Miguel de Allende, no México
Anos mais tarde teve um papel importante na Guerra da Independência mexicana, sendo a terra natal de um dos líderes da independência, Ignácio de Allende. Allende foi capturado no período da guerra quando marchava aos EUA para buscar armas, foi fuzilado e decapitado. A sua cabeça foi exposta na Alhóndiga de Granaditas, uma das praças centrais de Guanajuato, a capital do estado. Em 1826 o povoado de San Miguel foi elevado à cidade, que em sua homenagem aderiu ao nome do herói local, tornando-se San Miguel de Allende.
Caminhando em praça de San Miguel de Allende, no México
Nos idos de 1900 a cidade foi sendo abandonada e quase se transformou em um pueblo fantasmo, porém já em 1926 foi declarada monumento histórico nacional, devido ao seu valor histórico de origem colonial. A arquitetura Barroca-Neoclássica foi redescoberta por artistas de outras partes do mundo, que se mudaram e começaram movimentos culturais, formando dois dos mais conhecidos institutos de arte do país, o Instituto Allende e a Escuella de Bellas Artes.
Igreja da 3a ordem, em San Miguel de Allende, no México
Pátio do nosso hotel, um antigo convento em San Miguel de Allende, no México
Assim, após a Segunda Guerra Mundial, a charmosa cidade de San Miguel de Allende se tornou um refúgio para soldados americanos fora de serviço, que viam na cidade mexicana uma ótima opção de vida, clima ameno, águas termais e atividades educacionais ligadas ao Instituto Allende. Hoje grande parte da população da cidade é formada por expatriados americanos, canadenses, europeus, o que traz para cidade um ar mais cosmopolita, restaurantes para todos os gostos e bolsos, galerias de arte e um ar sempre festivo.
Venda de bonecas nas ruas de San Miguel de Allende, no México
Sobre as festas da cidade, “Todas las semanas del año San Miguel tenemos fiestas, nos gusta mucho las fiestas!” me contou Dona Maria, na sua lavanderia. Segundo ela a mais bonita acontece durante o último final de semana de setembro e comemora o dia do padroeiro da cidade, San Miguel Arcángel. Todas as ruas ficam enfeitadas, todas as igrejas e os santos recebem roupas especiais feitas a mão pelas artesãs da cidade, que a cada ano se superam na beleza e criatividade. Deve ser uma festa linda!
Fogos de artifício em noite de festa em San Miguel de Allende, no México
A igreja parece se indendiar, mas são apenas fogos de artifício em noite de festa em San Miguel de Allende, no México
Nós tivemos a sorte de chegar à cidade exatamente na semana de festividades de aniversário de Ignácio Allende, com direito a parada militar, bandas marciais com escolares de todas as idades, festas e queimas de fogos. A demonstração do poder militar em um país tão assolado pela guerra do narcotráfico é até tocante, mas o sentimento era de pura alegria e orgulho.
Desfile militar em dia de festas em San Miguel de Allende, no México
Soldados desfilam fortemente armados em veículo militar em dia de festa na cidade de San Miguel de Allende, no México
As crianças com seus uniformes para ocasiões de festa, tocando maravilhosamente nas bandas marciais eram um show a parte! A praça estava toda decorada com estátuas e faixas para o herói da cidade.
Dia de festas e desfiles em San Miguel de Allende, no México
Dia de festas e desfiles em San Miguel de Allende, no México
Assim, nos deixamos levar pelas festas e histórias, sem um guia na mão e pontos certos para as próximas fotografias, sem muitos planos e roteiros.
Rua colorida do centro histórico de San Miguel de Allende, no México
Para mim, a melhor forma de conhecer uma cidade é assim, caminhando, sentindo, conversando com seus moradores e nos deixando levar pelo seu próprio ritmo. Principalmente se é uma cidade pequena, onde o principal atrativo é a cidade em si, sua arquitetura e o seu povo. San Miguel é uma cidade que nos permite fazer isso, afinal em uma viagem tão longa, é importante nos deixarmos simplesmente viver.
O público aompanha interessado a queima de fogos de artifício em noite de festa na cidade de San Miguel de Allende, no México
Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto
Dizem que no domingo Deus descansou, não é verdade? Então nós também temos direito! Ontem ficamos o dia inteiro em casa para descansar, trabalhar nos blogs, organizar as coisas para botar o pé na estrada. Nosso amigo e chef de cozinha (que achou que se veria livre de nós ontem), nos preparou um almoço delicioso e preparou uma seleção com dezenas de músicas novas para a nossa biblioteca “on the road”. À noite nos fizemos companhia na sala vip de cinema onde fomos assistir “A Dama de Ferro” com a Merl Stryp. Ela arrasa e o roteiro me fez sair de lá fã da pessoa Margaret Thatcher, da pessoa, não da política.
Um belo lago na viagem entre Cidade do México e Morelia, no México
Saímos do DF com aquela sensação de que voltaremos. Agora nesta viagem é pouco provável, mas quem sabe... ainda temos muita estrada pela frente. Próxima parada: Morélia.
Caminhando na praça da Catedral de Morelia, no México
Morélia é uma cidade histórica, fundada em 1541 que se tornou Patrimônio Histórico da Humanidade em 450 anos mais tarde. Sua arquitetura espanhola e a imponente Catedral ladeada por uma praça com coreto, a Plaza de Armas, são algumas de suas principais atrações. O Palácio de Governo e uma grande fachada de arcos e prédios históricos ao seu lado, hoje abrigam lojas, restaurantes e charmosos hotéis.
Restaurantes com mesas na calçada em praça de Morelia, no México
O Jardín de Rosas, a duas quadras da Plaza de Armas, é um dos lugares mais agradáveis para sentar, tomar uma cervejinha e apenas deixar o tempo passar. Almoçamos tardiamente observando os jovens universitários e artistas que rodavam por ali.
Artista de rua em Morelia, no México
As arcadas da vizinha Casa del Clavijero servem se sala de aula para os alunos da escola de artes e marcam o caminho para o indulgente Mercado de Dulces da cidade: um corredor com bugigangas, catrinas e doces de todos os tipos, cores e tamanhos.
Visita ao famoso Mercado de Doces e Artesanatos de Morelia, no México
Segunda-feira, então todos os museus estavam fechados, o que ajudou a me sentir menos culpada pela falta de disposição para me encerrar em seus museus em um dia de céu tão azul. Uma rápida passada pelo verde Bosque Cuauhtemóc é obrigatória para ver de perto a construção do magnífico Aqueducto, construído entre 1785 a 1788 para melhorar o abastecimento de água da cidade. São 253 arcos que beiram o parque na avenida de mesmo nome.
Uma das grandes atrações de Morelia, no México: o centenário Aqueduto
A noite fria não nos impediu de caminhar pelo centro histórico para vermos a cidade de um novo ângulo. A iluminação noturna da catedral é belíssima e o Jardim de Rosas igualmente agradável, ainda que encerre suas atividades cedo no primeiro dia da semana. Uma parada estratégica no estado de Michoacán para começarmos a entrar no ritmo de estrada novamente. Amanhã já seguimos viagem para outra jóia colonial mexicana, a cidade de Guanajuato.
Pausa para descanço em praça de Morelia, no México
Caminhando para a Vila Hippie em Arembepe - BA
Arembepe, localizada no litoral norte baiano, é uma praia cercada por arrecifes que formam uma paisagem especial, junto ao mar verde e quente tão peculiar à região. A cidadezinha guarda também um dos únicos remansos hippies que permanece até hoje com as características originais do movimento. Casas de taipa e sítios à beira mar e à beira do rio, a Vila Hippie de Arembepe possui um restaurante e um centro de cultura hippie para os visitantes, com muitos artesanatos desenvolvidos pela comunidade. Um lugar que ficou parado no tempo, onde aquela vida idílica ainda parece possível.
Choupana na Vila Hippie em Arembepe - BA
A vila hippie é vizinha de uma base do Projeto TAMAR, já que a praia foi escolhida pelas tartarugas como ponto de desova e reprodução. Agora estamos na época de desova, contamos pelo menos uns 20 ninhos sinalizados pelo Tamar para proteção e pesquisa.
Ponto de desova de Tartarugas em Arembepe - BA
A vila de pescadores de Arembepe já possui uma vida mais movimentada, fica 1 km antes de chegar ao Tamar e oferece restaurantes deliciosos de frutos do mar, dentre eles o Mar Aberto, considerado por muitos o melhor restaurante de frutos do mar de Salvador.
Piscina natural em Arembepe - BA
Saímos cedo de Salvador, passamos pela praia de Itapoã e seguimos direto para Arembepe, conhecendo também um outro lado da cidade de Salvador, que não pára de crescer. Chegamos na hora do almoço, hora certa para provar o delicioso Bobó de Camarão do Mar Aberto. Em poucos minutos o restaurante estava lotado de pessoas, principalmente executivos das indústrias próximas que levam seus parceiros e clientes para impressionar e melhorar as relações comerciais à base da bela culinária baiana e algumas caipirinhas à beira mar.
Maravilhoso Bobó de Camarão no restaurante Mar Aberto, em Arembepe - BA
Uma caminhada até a vila hippie, que até então tínhamos a informação que seria há 3km da vila de pescadores. Eu estava preguiçosa que só, depois de um bobó de camarão daqueles, mas Rodrigo me convenceu a caminhar para fazer a digestão, e eu pensei, ok, são só uns 6 km. Nós caminhamos, caminhamos, caminhamos e caminhamos mais um pouco pela praia, na areia fofa e praia inclinada, deliciosa para andar. Passamos pelo Projeto Tamar e Rodrigo não quis entrar, já que iremos até a Praia do Forte. Passamos também por umas casas de taipa, sinalizei ao Rodrigo que deveria ser a vila hippie, mas ele que supostamente já conhecia disse que não era lá. Acreditei e seguimos andando até encontrarmos um grupo de pessoas que nos sinalizou que a vila seria ainda mais a frente, próximo a um trapiche. Eu já não agüentava mais andar, quando chegamos lá e descobrimos que estávamos em Emissário, há 6km da vila de Arembepe! Eu queria matar o Rodrigo, teimoso, que não acreditou em mim! Andamos 12km para chegar a um lugar que estava a apenas 1km! Ok, caminhar faz bem, é só o que quero pensar...
Explorando a Vila Hippe em Arembepe - BA
Chegando à vila tivemos o privilégio de ver uma roda de capoeira com batismos de vários alunos, cada um recebendo seu cordão azul e amarelo. O professor era exigente, para entregar o cordão ele derrubou umas 2 meninas acelerando o passo, sem esquivar as duas levaram um belo pé na orelha, literalmente! Mas logo depois levantaram e estavam lá na roda, jogando novamente. Bravíssimas!
Roda de Capoeira em Arembepe - BA
Acabamos chegando a Salvador mais tarde do que planejamos e não conseguimos ver o final da tarde em Itapoã e nem comer o acarajé dito o melhor da cidade. Corremos para casa tomar banho para encontrarmos Monica e Yasmin. Fomos conhecer a Marina Bahia, um lugar delicioso que possui vários restaurantes à beira da baía. Jantamos na pizzaria Fiona, em homenagem à nossa princesa ogra companheira de estrada. Tivemos uma noite deliciosa e super agradável com nossas anfitriãs e ainda esticamos para um bailinho de carnaval no Tom do Sabor, onde encontramos Lívia e seus amigos. Marchinhas antigas de carnaval embalaram a noite, divertidíssima, enquanto trocávamos experiências de viagem com Lívia e Luana, duas viajantes apaixonadas. Voltamos para casa 4h30 da manhã já com o sol nascendo, valeu a pena e o Ro acompanhou firme e forte, afinal vir à Salvador e não pular “carnaval” é quase como se não tivéssemos passado por aqui.
Night no Tom do Sabor, em Rio Vermelho, Salvador - BA
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
No nosso caminho para Chiquilá passamos por um pequeno povoado, Solferino. Curiosamente aquele lugar perdido no estado do Yucatán tinha ares diferentes, uma praça principal mais ajeitadinha que outras vilas do mesmo porte, projetos de arte infantil espalhados pelos muros da cidade e uma placa que não sairia da nossa cabeça: El Árbol Centenário.
Venerável árvore que já era grande des a época em que a civilização maya floescia na península do yucatán (em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México)
No carnaval de Holbox eu conheci uma figura super curiosa, uma artista plástica croata que viajou o mundo com uma mochila nas costas no final da década de 70 e inicio de 80 e que a 13 anos decidiu morar aqui no México. Vera se apaixonou por esta árvore e decidiu que iria viver ali, embaixo dela.
Indo conhecer a "árvore sagrada dos mayas", em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
No retorno passamos novamente por esta placa e desta vez decidimos parar. A árvore centenária de Solferino é uma Ceiba, a árvore sagrada dos mayas. Com mais de 500 anos de idade esta Ceiba é uma das poucas que restou em toda a península, devido a grande exploração de madeira levada à exaustão tanto pelos mayas, quanto pelos colonizadores. A Ceiba tem um significado muito especial para os mayas, que acreditam que ela é um portal para o inframundo, uma forma de se comunicar com seus ancestrais. A Ceiba é um únicos seres vivos que está presente em todos os níveis do universo espiritual maya. Seus troncos e seus galhos seriam os pilares de sustentação do Mundo Superior e seus 13 níveis. Suas profundas raízes a sua ligação com os 9 níveis do Inframundo ou Mundo Inferior, o mundo aquático do Deus Chac, deus maya da chuva, e lugar onde todos iremos depois de morrer. Dentro das cavernas os mayas acreditavam que as estalactites eram as raízes das ceibas, que dão suporte ao mundo onde nós vivemos e fazem parte do seu universo místico durante as cerimonias e rituais.
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Coleção de flores no terreno da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Esta Ceiba em particular tem uma história super curiosa, uma lenda que Don Garcia garante ser uma historia real, contada e vivida pelo seu avô. A árvore na época era bem menor e em certa ocasião viu passar por ali uma cobra imensa, com 8 metros de comprimento e grossa como um pé de mamão adulto. Seu avô e seu tio teriam corrido e com um espeto de ferro e arpoado a cobra contra a Ceiba, que ao passar dos anos cresceu aprisionando a cobra e o arpão de ferro. Hoje ainda podemos ver as cicatrizes do acontecido, verdade ou não sabemos agora, como nasce uma lenda.
A Fiona descansa tranquilamente sobre a quase milenar árvore do tempo dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Don Garcia é o herdeiro destas terras, apaixonado por plantas e pela vida ele foi um dos responsáveis pela preservação deste belo exemplar da árvore sagrada. "Ao invés de cortá-lo para vender e nunca mais receber nada por ela, resolvi preservá-la para mostrar a todo mundo, e transformei o meu terreno em um jardim botânico". A simplicidade e a sabedoria de Don Garcia são cativantes. Hoje escolas e turistas vêm de toda a região para conhecer sua ceiba sagrada e o ajudam com doações a manter o seu pequeno jardim botânico. Percorremos o jardim com ele que nos mostrava, orgulhoso, todas as orquídeas e plantas que ele cultiva.
O dono do terreno onde está a árvore sagrada dos mayas e a coleção de orquídeas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Depois da visita fomos à casa de sua vizinha, Vera. Ela nos recebeu em sua casa-atelier como sempre com muitas histórias para contar e acabou nos convencendo a tomar uma rota diferente no nosso caminho para Mérida, o caminho das salinas.
Casa e ateliê da artista plástica europeia que veio morar embaixo da árvore sagrada dos mayas, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Visita à amiga artista que mora sob a sombra da quase milenar árvore maya, em Chiquila, costa norte do Yucatán, no México
Lá fomos nós, ziguezagueando pelo norte da península, passando de pueblito em pueblito, vendo as mulheres mayas em seus trajes típicos, saias coloridas e blusas rendadas, ocupadas com os seus afazeres diários. Cozinhar o milho, ralar e preparar as tortillas, lavar as roupas, carregar a água e cuidar das crianças, carregando as menores em seus sacos nas costas ou bem encaixados em uma rede presa no cocoruco da cabeça, mestres do equilíbrio.
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
Continuamos pela rala floresta do Quintana Roo, passamos às margens da reserva do Rio Lagarto, até chegar ao mar. Aqui sim a água já esta mais barrenta, não pelo golfo, mas pelo desague do rio lagarto a poucos quilômetros dali. O vento forte nos mostra que estamos no caminho certo, dali em diante entramos em outra parte da história importante para a civilização Maya: as salinas.
O agitado mar do Golfo do México, no litoral norte do Yucatán, no México
A região norte da península é repleta de lagoas e manguezais, onde a água salgada seca rapidamente e se acumula, formando cristais de diferentes cores. O vermelho das salinas faz um lindo contraste com o azul do céu e nos recorda que estas águas são ricas em vitaminas e alimentos para algumas espécies. É nesta água extremamente salgada que vivem alguns crustáceos que são o alimento preferido dos flamingos, pássaros imponentes comumente vistos na região.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
O sal era um bem muito empregado pelos antigos mayas, não apenas na sua culinária e na preservação dos alimentos, mas principalmente na sua economia. Ele foi utilizado como moeda nos seus mercados e nos negócios feitos no corredor marítimo até Belize e Guatemala, aceito por todas as cidades-estados no mundo Maya.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
Próximos a Progresso encontramos um mirante turístico para avistamento das salinas e dos flamingos, mas não tivemos a sorte de encontrá-los. Progreso é uma das cidades litorâneas mais turísticas nas proximidades de Mérida, com seus balneários, ruínas, cenotes e grutas.
Salinas e região de flamingos no litoral norte do Yucatán, no México
É sempre interessante como uma mera mudança de estradas pode enriquecer uma viagem. Um roteiro que nos levou pelo antigo e pelo atual mundo maya, viajando por suas árvores sagradas, salinas e histórias. E você, prefere o caminho mais rápido ou o mais bonito?
Bela paisagem na Dalton Highway, no norte do Alaska
Ontem cruzamos a linha do Círculo Polar Ártico e aí poderíamos fazer aquela linha, “Chegamos ao objetivo norte da expedição”. O problema é que chegando lá descobrimos que existia um mundo inteiro pela frente! Primeiro este mundo continuava até Coldfoot, o melhor lugar para ver a aurora boreal e único lugar para pernoitarmos. Lá em Coldfoot, conversando com os Caminhoneiros do Gelo descobrimos que as paisagens mais ao norte eram ainda mais bonitas e que a Brooks Range, o Atigun Pass e a “real tundra” estava a apenas 200km ao norte dali!
Antigo posto de correios da simpática Wiseman, cidade 100 milhas ao norte do Círculo Polar Ártico, no Alaska
Como viremos tão longe e não iremos até lá? Pois é, assim é que você entende como os caras dão a volta ao mundo! Daqui estamos também a apenas alguns passos da Ásia e da Rússia! Por que não colocar o barco em um navio e ir ao Japão, Rússia, Mongólia e adiante? Já viemos tão longe!!! Pois é, meus amigos, familiares, irmãs, pai e mãe... Confesso a vocês que tive esta vontade! Mas, sabem como é, dinheiro não cresce em árvore e filhos também não... Então seguiremos nossos planos, com uma esticadinha até o Galbraith Lake e lá daremos a tão esperada meia volta.
Chegamos pertinho da Ásia e da Rússia na Dalton Highway, no norte do Alaska. Que vontade de continuar...
Depois de tanto tempo, de volta às montanhas nevadas, dessa vez na Brooks Range, no norte do Alaska
Ouvimos falar que aqui para o norte encontraríamos a tundra, que logo as árvores sumiriam e tudo o que veríamos seria uma terra imensa, montanhas ao fundo, alguns lagos e o oleoduto acompanhando a Dalton Highway. Subimos, subimos, subimos e subimos mais um pouquinho e ainda víamos árvores... Como assim? A tal da “spruce” um tipo de conífera das florestas boreais que tem entre 20 e 60m e vive em condições extremas de até - 60°C, vento e pouca água. Poucos quilômetros antes
A "Revolution Tower", um dos marcos arquitetônicos da Cidade do Panamá, capital do país
Após um dia chuvoso, de bastante trabalho, ontem demos uma escapadinha para o cinema do Multicentro. O filme que estava disponível no cinema era “Colombiana”, escrito por Luc Besson e Robert Mark Kamen. O filme se passa entre a periferia de Bogotá e Nova Iorque, usando como pano de fundo a história dos quartéis de drogas colombianos. Filme de ação com Zoe Saldana, gatona que já fez Missão Impossível e outros nessa linha. Ótimo entretenimento!
Fechamos as nossas malas para seguir viagem, nosso destino são as montanhas do norte do Panamá, na cidade de Boquete. Cruzamos a ponte das Américas, que une os continentes que o homem separou, passando sobre o Canal do Panamá.
A famosa Ponte das Américas, sobre o Canal do Panamá
As estradas aqui no Panamá estão sendo um suspiro aliviado entre as suas irmãs colombianas e com as que estão por vir na América Central. Asfaltadas, grande parte duplicadas em auto-pistas daquelas que pagamos os pedágios com gosto.
Exibir mapa ampliado
A única taxa que não gostamos de pagar são aquelas gentilmente solicitadas por alguns policiais, que estão espalhados por toda a rodovia.
Fiona tem "problemas" na estrada, perto de Santiago, no Panamá
Atravessamos do centro ao norte do país em umas 6 horas, deixando para trás dois parques nacionais e uma a comarca dos índios Ngöbe Buglé, personagens que passam a ser comuns nessa região. As mulheres usam vestidos longos e coloridos com detalhes de patchwork nas mangas, lindo!
Estamos mesmo na América central!!! (apesar da placa, ainda estamos no Panamá)
Chegando às montanhas de Boquete, fomos recepcionados por um belo arco-íris. Que seja o prenúncio de um lindo dia de caminhadas e explorações na região! Amém.
O gigantesco arcoíris marca exatamente aonde está a cidade de Boquete, no Panamá
8h da manhã e todos estão prontos para pegar os 8km de estrada até o Parque Nacional de Agulhas Negras. O Tadeu passou na pousada nos encontrar e lá fomos nós. Chegando à portaria do parque já encontramos umas 4 vans com trocentos adolescentes. Isso por que ontem o Ro tinha feito um auê na discussão que surgiu no jantar sobre acessibilidade em trilhas. “Ser ou não ser (acessível)? Eis a questão.” O fato é que achamos que estaríamos sozinhos no parque, aí chegamos lá e encontramos essa galera! Como se não bastasse ainda estava rolando um exercício dos cadetes de primeiro ano da AMAN, Academia Militar das Agulhas Negras. Caraca, isso que é exclusividade!
Exército praticando no Parque de Itatiaia - RJ
Foi muito legal ver no caminho os cadetes fazendo os exercícios de técnicas verticais, descendo de rapel como se estivessem andando para baixo na pedra, com mochila e fuzil! Aquelas loucuras que só eles fazem! A galerinha seguiu para outro pico, o Prateleiras. Nós? Ufa... O susto foi só até o abrigo Rebouças, dali seguimos sozinhos para o Agulhas Negras.
A trilha no começo é tranqüila, a aproximação é feita passando por charcos e trilhas no meio de capins e bambuzinhos que formam uma paisagem única.
Ponte cruzando charco no caminho para Agulhas Negras - RJ
Vegetação no alto das Agulhas Negras - RJ
Quando chegamos à rocha é que o bicho pega. São várias lajes de pedra que formam rampas com uma inclinação de uns 45°, até mais em alguns casos. No finalzinho subimos por um desmoronado de pedras que dá acesso ao cume.
Último esforço para se chegar ao livro no topo das Agulhas Negras - RJ
Lá em cima passamos por um estreito que canaliza todo o vento que quer “atravessar” a montanha, a famosa geladeira. Consegui subir tudo sem precisar de corda para segurança, até em um pequeno trecho de escalada. Mas quem disse que eu desço? Hahaha!
Descendo Agulhas Negras - RJ
Lá no cume a vista é fantástica, a sensação de chegar lá em cima é sensacional! Ver o mundo do alto dos seus 2792m, cidades, montanhas e aquele mar de nuvens, toda a serra da Mantiqueira e os picos mais próximos. O Pico do Papagaio, que havíamos feito lá no Matutu, o Prateleiras, vizinho ali do parque e até a Pedra da Mina, nossa próxima empreitada.
No topo das Agulhas Negras - RJ
No topo das Agulhas Negras - RJ
Lá de cima já conseguimos ver até que o tempo pros lados da Pedra da Mina estava fechando, muito vento, totalmente nublado. Será que conseguiremos ter as condições certas para subir? Bem, amanhã veremos.
Vista do topo de Agulhas Negras - RJ
Acima do mar de nuvens, em Agulhas Negras - RJ
Muitas fotos depois chegou a hora da verdade! Eu nunca sei dizer o que é pior para mim... a subida por que eu não tenho força suficiente nas pernas para acelerar, ou a descida, que meus joelhos sofrem como o quê. E ainda dei para ter vertigem de uns tempos para cá! To achando que o problema é de DNA mesmo (Data de Nascimento Antiga). Descemos tranquilos, com a ajuda do Ro nas partes mais expostas e cordas em dois pontos mais críticos, afinal, não tenho por que arriscar.
Descendo Agulhas Negras - RJ
Ah! Vocês perceberam que eu estava com uma jaqueta diferente, do tipo “mamãe não me perca na neblina”? Pois é, é a minha querida jaqueta do Jamboree da Holanda! Eu não a usava há pelo menos uns 10 anos! Mas todas essas coisas de escoteiros, a Pousada dos Lobos e tal, me deixaram emotiva, fiquei com saudades. Subir o Agulhas Negras era um plano desde o tempo que fui escoteira, então essa foi uma homenagem, uma forma de relembrar aquela época.
No alto de Agulhas Negras - RJ
É pessoal, antes que eu chore de emoção é bom eu ir logo... Ainda hoje vamos para Passa Quatro, rumo à Pedra da Mina.
Grupo no alto de Agulhas Negras - RJ
Réplica do foguete Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Apenas em meados do século XX que a Guiana foi designada um departamento francês, quando se tornou o Centro Espacial Europeu. Assim vários engenheiros, técnicos e cientistas de todas as partes começaram a popular Korou, que hoje abriga em torno de 20 mil pessoas e é a cidade que mais cresce na Guiana. Korou em si não possui muitos atrativos, sua arquitetura colonial francesa e ausência de edifícios maiores que 3 andares faz com que pareça uma maquete, embora bem organizada é também uma das mais pobres do país. Localizada há 60 km da capital Cayenne, fica às margens do Rio Kourou, de onde partem os barcos para a Îles du Salut.
A Ana e o Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Nós fomos direto para o Centro Espacial para uma visita às 15h. Esta deve ser agendada com antecedência, é muito concorrida. Antes do tour guiado visitamos o museu espacial, que faz uma boa explanação da origem do universo e do histórico da corrida espacial mundial.
Visitando o museu do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
O centro de lançamento é considerado um dos mais bem localizados no mundo, dentre os 16 existentes. Responsável por colocar em órbita mais de 50% dos satélites comerciais nos últimos 20 anos, o Projeto Ariane está comemorando o 200° lançamento, no pátio do museu há uma exposição de fotos profissionais e amadoras com este tema.
Lançamento do Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Ariane é um foguete lançador descartável construído pela empreiteira EADS Space Transportation sob a supervisão da Agência Espacial Européia. Hoje está em uso o foguete Ariane 5 que teve seu primeiro lançamento em 1997 e está preparado para transportar até 3 satélites dependendo do tamanho e orbita do objeto. Seu último lançamento foi em 16 de fevereiro e o próximo será em 29 de março, uma pena não estarmos aqui nesta data, deve ser emocionante ver de perto esta cena.
A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
O Rodrigo é aficionado pelo tema, acessa quase todos os dias os sites da NASA e o space.com para saber as novidades do universo, descobertas e evolução nos programas espaciais de todo o mundo. A palestra sobre o centro espacial é dada no auditório da sala de controle, idêntica às dos filmes hollywoodianos, só a contagem que é um pouquinho diferente: “dix, neuf, huit, sept, six, cinq, quatre, trois, deux, un! VRRRUUUUUM!” Depois de 50 minutos os foguetes e satélites estão em órbita e todos saem comemorar o sucesso do lançamento, brindando com uma champagne francesa, é claro!
Bandeira francesa tremula no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Vale a pena a visita ao Centro Espacial em Korou, um ótimo programa para mais um dia chuvoso da na nossa viagem.
A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa
Sol e sombras no mar de Jericoacoara - CE
Ontem , depois de uma pizza rápida e tardia saímos dar uma voltinha no centrinho ver o agito noturno. Uma noite animada, ruas lotadas de “ralizeiros”, prato cheio para as solteiras de plantão. O corredor das barracas de caipirinha é convidativo, eu tive que provar, capiroska de umbu-cajá e siriguela deliciosas!
O "corredor das caipirinhas" em Jericoacoara - CE
Hoje já acordei meio baqueada, difícil acreditar que fosse das bebidas alcoólicas, já que não abusei, mas algo não estava certo. Bem, vamos caminhar, o tempo está meio incerto, porém não podemos ficar aqui sentados esperando que a chuva caia. Saímos conhecer o lado pedregoso de Jeri, onde fica um dos seus principais cartões postais, a Pedra Furada.
Praia em Jericoacoara - CE
A trilha por si só já é uma atração, belíssima encosta dos serrotes virada para o mar faz uma vista deslumbrante, mesmo com as arrepiantes nuvens negras que passam ao largo deixando uma esperança de que o sol triunfe! Um jardim de cactos com o mar, um verde-prateado incomum, resultado da refração da luz do céu de chuva. Tudo ao redor queria se mostrar especial, até um lagarto verdíssimo exibido, que parou quando viu que eu estava fotografando e ficou posando para os cliques.
Calango esverdeado em Jericoacoara - CE
Chegamos à Pedra Furada, formação rochosa que se destaca em meio à paisagem não só pelo grande furo, como também pela coloração avermelhada da rocha. Praia de tombo, meio chata para banho, muitas pedras e ondas altas no raso. Logo fiz amizade com a Gigi, lindona que veio firme e forte pela trilha nos ombros do pai e chegou junto conosco, toda simpática.
A famosa Pedra Furada, em Jericoacoara - CE
Nova amiguinha da Ana, em Jericoacoara - CE
Fiquei ali curtindo a paisagem, lendo um livro, enquanto o Ro subiu uma pirambeira para tirar fotos. Não demorou muito a chuva chegou e todos logo tentaram se abrigar nas pedras ao redor. Enquanto havia vento funcionou, quando o vento parou a chuva não perdoou, pelo menos conseguimos salvar os eletrônicos de serem molhados.
Pequena praia da Pedra Furada, em Jericoacoara - CE
Uns 20 minutos depois, a chuva baixou e conseguimos continuar caminhando, vimos a Pedra do Frade e fomos até a praia do Preá, longa faixa de areia com 9km de extensão. Voltamos pelos pastos montanha acima, vi o farol e prosseguimos pela estrada com vista para as dunas e a vila de Jericoacoara.
No alto do Morro do farol, em Jericoacoara - CE
Foi um dia delicioso de caminhadas, mas eu só conseguia pensar em chegar logo na pousada. Aquele mau estar infelizmente não havia passado, pelo contrário, só estava piorando. Estranho é foi que eu e o Ro comemos as mesmas coisas e ele não ficou mal... melhor para ele.
Voltando para Jericoacoara - CE
Saímos comer um crepe gostoso no final da tarde e marcamos um jantar mais tarde para comemorar o aniversário da nossa querida Dona Helen. No caminho presenciamos uma das rodas de capoeira mais profissionais que já vi na vida! Eu sempre gosto de assistir às rodas e logo percebi que esta tinha algo diferente. Na apresentação dos participantes vimos que eram mestres de diferentes escolas da região, do Preá a Tatajuba. Mestres se desafiando e até deixando suas diferenças aparecerem na jinga que deixaram o mestre, que liderava a roda, aperreado. Ele precisou dar um basta nas provocações para a arte e a dança continuar sem virar luta. A quem estava de fora, sem entender muito, só posso dizer que foi emocionante!
A tradicional roda de capoeira no fim de tarde de Jericoacoara - CE
Na pousada, no horário que deveria ser de trabalho, eu capotei, em prol de um bem maior: ver se o corpo conseguiria se recuperar do baque “pirirístico.” 3 horas de sono mais tarde, me senti mais disposta e saímos jantar. Uma massa leve e um brinde com um delicioso Maipo Cabernet Sauvignon, aos 77 anos de minha sogra querida, um exemplo de força e vivacidade!
Celebrando o aniversário da Ixa, em Jericoacoara - CE
Até que eu nem tava com uma cara tão mal, né? Pois é, noite de sábado ainda mais agitada em Jeri, Forró “For All”, DJ recém chegado da Europa para uma festinha na ponta da praia, além das barracas de caipirinha, festa de encerramento do rally no Sky e bares com samba e mpb. Quem diria e eu vou ter que ficar de fora dos embalos do sábado à noite. Amanhã veremos se valeu à pena.
O colossal Denali, maior montanha da América do Norte, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Adoraria que isso fosse verdade. Eu que nunca imaginei ser uma montanhista de verdade, quero dizer, uma alpinista de altas montanhas, comecei a mudar a minha opinião em duas diferentes situações: a primeira foi quando meu cunhado e meu primo voltaram do Equador depois de uma temporada de escalada no Cotopaxi e no Chimborazo. As fotos eram simplesmente lindas, um mundo que eu ainda não conhecia, branco, mágico. Na hora pensei: “um dia eu tenho que fazer isso.” A segunda vez foi quando o primo, Haroldo, esteve no alto do Denali e novamente compartilhou as fotos da expedição. A pergunta que sempre me perturbava era: será que eu sou capaz? Bem, eu acredito que se alguém quer muito alguma coisa, com foco e muita disciplina ela pode conseguir, só depende dela tomar a decisão.
Avião sobrevoando o Denali National Park, no Alaska
Durante a viagem tive a minha primeira experiência acima dos 5 mil metros no Atacama, Chile e o primeiro pico no El Misti (5.897m), no Perú. Não posso comparar com o Denali, mas posso dizer que já tenho uma milionésima ideia de como a coisa funciona. Além do preparo físico, aclimatação, o mais difícil é conseguir controlar o lado psicológico, as restrições, o sofrimento pela baixa temperatura, dedos dos pés, mãos e nariz congelando e o cansaço quase instransponível. Do outro lado uma vontade irracional de chegar, desistir não é uma opção, leve o tempo que levar, o cume é o meu único objetivo. Acho que melhores equipamentos e estrutura teriam me ajudado a encarar tudo de forma mais fácil, caminhar montanha acima pensando que vai perder um (ou mais) dedo(s), não é nada agradável. Mas, no meu caso, José, nosso guia teve um papel importantíssimo, pois teve a paciência de me esperar e seguir comigo até o cume. Outros ficaram para trás, dos 8 integrantes eu fui a quarta e última a chegar no alto do El Místi.
Sobrevoando montanha nevada no Denali National Park, no Alaska
Bem, já que não podemos chegar ao cume do Denali, pelo menos não ainda, encontramos um jeito de chegarmos mais perto desta gigante. Desde que começamos a viagem este era um dos pequenos luxos que havíamos programado. Sobrevoar o Denali é uma forma do Rodrigo, meu amado montanhista, se sentir mais perto da montanha. Quando passamos pela Nicarágua conhecemos um piloto de aviões que operava estes voos e ele nos falou: “Não deixem de fazer este sobrevoo, se vocês querem ter uma ideia da grandiosidade do Alasca, a única maneira é pelos ares.”
Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska
O vôo panorâmico do Denali National Park tem várias rotas, escolhemos a que culminava em um looping entre os 12 e 14 mil pés ao redor do Mount McKinley. Este é um tour muito comum, várias empresas oferecem saindo de bases próximas à vila de Denali ou da cidade de Talkeetna, na fronteira sul do parque. Voar de Talkeetna é mais rápido e talvez um pouco mais barato, mas os tipos de aeronave mudam e um dia poderá fazer toda a diferença no clima sobre a montanha. O tempo estava mudando, o dia ensolarado de ontem já deu espaço para um dia mais nublado e incerto hoje. Em Denali encontramos uma agência que negociou e agendou o voo com a Denali Air em uma das aeronaves mais seguras e modernas da região, e o melhor, para hoje. A companhia só cancelaria o tour se o tempo fechasse completamente e não houvesse condição alguma para voar.
Sobrevoando montanhas do Denali National Park, no Alaska
16h30 decolamos e o espetáculo começou! Sobrevoamos o parque, suas montanhas mais baixas já estão cobertas por neve, uma novidade para o final desta temporada. Normalmente a neve só cai e fica depois de outubro. Voamos paralelos a Alasca Range, cruzamos os vales e ganhamos altitude rapidamente. Logo estamos ao lado de picos nevados, cristas de montanhas que parecem virgens e intocadas. Entre as montanhas, os imensos rios de gelo, glaciares fascinantes que escorrem vagarosamente esculpindo vales e dando nova forma ao relevo.
A gigantesca geleira que nasce entre os dois picos do Denali, no Denali National Park, no Alaska
No avião, durante voo sobre o Denali National Park, no Alaska
Durante o voo vamos escutando um áudio com uma trilha sonora épica, uma narração de cada trecho da viagem e parte de sua história. Aproximados 30 minutos de voo e finalmente avistamos o Denali, “the high one”, ainda acima das nossas cabeças. Entre as nuvens conseguimos ver os dois picos, o North Peak a 19,470 pés (5.934m) e o South Peak a 20.320 pés (6.193m). Damos a volta pela South Buttrees e logo estamos sobrevoando o famoso Amphitheater, local onde começa o árduo trabalho dos montanhistas. Até lá, eles chegam de avião e fazem um emocionante pouso no glaciar. Com mais 80 ou 100 dólares por passageiro as companhias podem adicionar ao pacote o pouso no mesmo local.
Muitas montanhas nevadas ao redor do Denali, durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
O gelo retorcido dos glaciares visto do alto é um espetáculo à parte, difícil tirar os olhos e os dedos afoitos dos botões da máquina fotográfica. Damos outra volta e nos aproximamos agora da parede sudoeste da montanha, uma das mais perigosas e com altíssimo índice de avalanches.
Uma das muitas geleiras que descem do Denali, no Denali National Park, no Alaska
O retorno foi pelo norte da Alasca Range, sobrevoando o Muldrow Glacier, um dos maiores glaciares do parque nacional, seus rios e lagoas de águas azuis ciano. Nas montanhas próximas conseguimos ainda avistar um urso solitário em busca de alguma pobre dall sheep. As dall sheeps por sua vez, estavam bem espertas, do outro lado do vale, ainda mais elevadas em sua montanha. Estas sim são montanhistas por natureza, sem equipamento e medo algum sobem saltitantes para salvar-se dos seus predadores.
Avistando cabras montesas do avião durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Um urso é visto durante sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
Até o pouso, próximo ao Rio Nenana, foi espetacular em um dia com muitas paisagens memoráveis. As nuvens podem ter atrapalhado um pouco a visão dos picos, ao mesmo tempo são elas que dão perspectiva para o cenário. Bom mesmo deve ser virar piloto e poder voar em todas as condições, dias ensolarados, nublados, nevados ou sobre as montanhas verdes e amareladas nos dias de outono. Mudamos a perspectiva e vemos que ainda temos todo um mundo novo para conhecer.
Sobrevoando vale no Denali National Park, no Alaska
O bimotor que nos levou para um sobrevoo do Denali National Park, no Alaska
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