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CESAR SILVA (11/09)
Saudades, muitas sasudades de tudo e de todos. Ao ver essas fotos me cora...
Joy (06/09)
Olá! Estou indo para La Paz (BCS) e de lá ir para os EUA dirigindo cruz...
Sandra (05/09)
Boa Noite Adorei as dicas, estamos indo em dez/2013 p/LA/SF/LV Ficaremos...
julie (05/09)
Fabiane Teixeira (04/09)
Olá!!!! Primeiro, queria dizer que adoro o blog de vcs... curto muito tb...
Flamingos se alimentam nas águas vermelhas da Laguna Colorada, no sudoeste da Bolívia
O Parque Nacional da Fauna Andina Eduardo Abaroa, já na Bolívia, geralmente é conhecido pelos turistas de São Pedro do Atacama apenas como o caminho mais bonito para o Salar de Uyuni.
A Laguna Verde, a primeira de muitas lagoas altiplânicas na rota para a Laguna Colorada e o Salar de Uyuni, na Bolívia
O parque criado em 1973, foi ampliado em 1981, depois do naufrágio de um acordo territorial em que a Bolívia cederia este território ao Chile em troca da região de Arica, sua tão sonhada saída para o Oceano Pacífico. O acordo estava prestes a ser fechado quando o Perú entrou nas negociações e acabou inviabilizando-o. A água das lagoas seria utilizada para a mineração de cobre chilena, esgotando e poluindo as lagoas de degelo e mananciais que fazem desta região uma das mais importantes áreas para os milhares de flamingos, vicuñas e vizcachas que vivem neste parque.
Lhamas parecem flutuar no céu, ao lado da Laguna Colorada, na Bolívia
O parque possui aproximadamente 715 mil hectares de superfície, entre uma cordilheira vulcânica e uma serra, com altitude média de 4 mil metros e temperatura média de 2°C, podendo chegar à -30°C! A fauna que se adaptou a estas condições extremas portanto é muito especial e conta com diversas espécies que correm risco de extinção, como os flamingos (chileno, andino e James), as vicuñas e outras aves como el suri e La soca cornuda. Também são encontradas as llamas, vizcachas (um tipo de roedor como o coelho) e uma tímida variedade de vegetação. As principais atrações são as lagoas cercadas por vulcões e montanhas nevadas e a observação dos glamorosos flamingos.
Gelo retorcido da Laguna Blanca, no caminho para a Laguna Colorada, no sudoeste da Bolívia
O primeiro dia de viagem começou pelo extremo sul do parque, logo após cruzar a fronteira do Chile com a Bolívia que tem acesso pela mesma estrada do Paso de Jama. Seguiam conosco o nosso guia Cristóbal e, de carona, sua amiga Krasna chilena de origem croata.
Muito bem acompanhado,entrando na Bolívia a caminho da Laguna Colorada
A primeira parada é no mirante da Laguna Verde, com mais de 17km2 de superfície, ela é dividida em duas, sendo a primeira metade conhecida como Laguna Blanca. Com suas águas congeladas não fica difícil entender por que recebeu este apelido. Ao fundo vemos as costas do Vulcão Licancabur, nosso companheiro de horizonte em São Pedro do Atacama.
O magnífico cenário no caminho para a Laguna Colorada, na Bolívia
As estradas são de terra e alguns trechos não muito bem conservados, o que leva aos motoristas mais experientes a abrirem novos caminhos fugindo dos buracos e da neve acumulada. Assim, existem diversos caminhos e todos eventualmente irão nos levar ao mesmo lugar. Portanto se resolverem se aventurar no parque, vale a pena esmiuçar um mapa, tentar se atualizar sobre os novos caminhos e talvez tentar seguir os carros turísticos. Nem sempre os “choferes” bolivianos gostam de compartilhar estas informações, afinal este é o seu ganha pão, mas com sorte pode ser que encontrem algum mais descolado. Nós tínhamos pouco tempo e por isso decidimos tentar fazer o roteiro completo em 2 dias. Assim, contratamos Cristóbal, que já conhecia o caminho e as manhas dos refúgios onde ficaríamos abrigados.
Jipes levam turistas para a Laguna Colorada, na Bolívia
Nossa segunda parada foi em um pequeno complexo de águas termais. O frio e o vento desafiam os mais corajosos a entrar na pequena piscina que águas calientes perto dos 40°C! A paisagem dos arredores também é recompensadora! Eu estava em dúvida se entraria, mas todo este ambiente, somados ao fato de que o refúgio não teria banho quente, não deixaram dúvida de que seria uma oportunidade única! Rsrs!
Maravilhosa piscina de águas quentes a quase 4.500 metros de altitude e temperatura externa próxima do 0 graus, no caminho para a Laguna Colorada, na Bolívia
Continuamos o nosso roteiro rumo à principal atração do dia, a Laguna Colorada! Passamos por uma região com pequenos geisers e atividades térmicas de origem vulcânica, conhecida como o Sol de Mañana e seguimos adiante! Ainda tínhamos que fazer um pequeno desvio para chegar à Aduana onde tiraríamos a nossa permissão para entrar com a Fiona na Bolívia. Estávamos ansiosos para chegar cedo, ver a Laguna Colorada ainda com luz e para conseguirmos uma boa vaga no refúgio para a noite gelada.
Uma das mais altas aduanas do mundo!
O espetáculo da Laguna Colorada já começa ao longe. Sua coloração avermelhada se destaca na paisagem predominantemente marrom. A cor vermelha acontece devido à alga surirella, rica em betacaroteno e dieta do crustáceo Artemia Salina. Esta por sua vez é a principal fonte alimentar dos pássaros da região, tornando-se responsável pela coloração avermelhada nas plumas dos flamingos. A natureza é mesmo perfeita!
Chegando à fantástica Laguna Colorada, no sudoeste da Bolívia
Depois de muito bem instalados, eu e o Rodrigo fomos até as margens da lagoa, observar os flamingos, que muito bem adaptados e se sentindo acolhidos na sua casa, nem se incomodam com a presença dos turistas. Todo e qualquer ângulo é perfeito e o resto de sol no final da tarde deixa as cores ainda mais intensas!
Flamingos se alimentam nas águas vermelhas da Laguna Colorada, no sudoeste da Bolívia
Retornamos ao nosso abrigo, Refúgio La Cordilleira, um hotel 5 estrelas comparado com os outros abrigos, segundo os nossos amigos. Lá interagimos com o pessoal dos tours que também estavam hospedados, brasileiros, espanhóis e até um casal de alemães que está cruzando de Uyuni para São Pedro de bicicleta!
A Laguna Verde semi-congelada, no caminho para a Laguna Colorada, na Bolívia
Eles dormiram as duas primeiras noites em barracas, com seus sacos de dormir para -30°C, um equipamento de segurança importantíssimo nessas condições. O sol se pôs e a temperatura despencou! Na preparação do jantar me lembrei que o nosso fogareiro não é adequado para altitude... o pouco oxigênio deixa a chama quase inexistente e a velocidade de fervura ridícula. Sorte que depois do jantar da tropa toda, conseguimos emprestar o fogão industrial do refúgio e fazer o nosso macarrão quentinho.
Pessoas se reúnem ao lado do fogareiro do nosso refúgio na Laguna Colorada, no sudoeste da Bolívia
Já com as luzes do refúgio apagadas, brindamos à esta noite inesquecível com um vinho chileno, vendo a lua cheia iluminar a Laguna Colorada.
Maravilhada com a beleza da Laguna Colorada, na Bolívia
Ciudad Bolívar, na beira do rio Orinoco, Venezuela. Ao fundo, a grande ponte que atravessa o rio
Bolívar é um nome comumente visto pelas ruas, placas e na história da República Boliviariana da Venezuela. O nome de um estado, o nome de uma cidade e o nome de um ideal, o herói Simón Bolívar lutou pela independência dos países sul-americanos do norte, enquanto San Martín vinha desde a Argentina consolidando esta posição nos países do sul. Seu ideal ainda é o principal combustível para a revolução socialista que iniciou Hugo Chávez, se colocando ao lado do mártir da independência como o novo herói da nação, que sonha com um país livre e independente dos domínios europeus e americanos. Fotos-montagens de Bolívar e Chávez lado a lado, estão por todas as praças do país e hoje, finalmente, chegamos ao principal quartel general deste líder latino-americano, Ciudad Bolívar.
Praça no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela
Fundada em 1764, Santo Tomás de la Guayana de Angostura, está nas margens do principal rio do país, o Rio Orinoco. O importante porto se tornou o quartel militar de Simón Bolívar logo depois de sua chegada em 1817. Foi daqui, da antiga Angostura, que partiram as forças de Bolívar unidas à Legionários Britânicos para a batalha que libertaria a Colômbia. Foi também aqui, na Casa do Congresso em 1819, que nasceu a República da Gran Colômbia, que compreendia Venezuela, Colômbia e Equador. Em 1846 a cidade foi renomeada em homenagem ao herói nacional e passou a chamar-se Ciudad Bolívar.
Casarão histórico em Ciudad Bolívar, na Venezuela
Hoje a cidade é a capital do maior estado venezuelano, o Estado Bolívar, e junto à Ciudad Guayana é uma das principais cidades da região. Seu charmoso centro histórico é sempre um deleite aos turistas vindos de qualquer canto do país, ruas tranquilas e bem coloridas que se destacam perante a selva de pedras de Caracas ou as desorganizadas zonas urbanas comuns ao redor do país.
Arquitetura colorida em Ciudad Bolívar, na Venezuela
Rua no centro histórico de Ciudad Bolívar, na Venezuela
O Paseo Orinoco é um calçadão que margeia o rio, lotado de lojinhas e restaurantes, que há alguns anos atrás ainda tinha um certo charme para os turistas. Hoje a decadência já é clara, encontrar uma panificadora para o café da manhã já foi uma vitória e infelizmente resta pouco para defende-lo a não ser a beleza natural do rio.
Com o nosso amigo e carona colombiano, o Jorge, em Ciudad Bolívar, na Venezuela
Já estivemos aqui na nossa viagem de 2007, vindos da Gran Sabana após o trekking do Monte Roraima e 18 horas de ônibus desde Santa Elena de Uairén. Hoje a nossa chegada foi mais confortável, mas não menos cansativa. Saímos do Hato El Cedral as 6h da manhã e cruzamos a cidade de San Fernando de Apure, há 2 horas de Mantecal e seguimos rumo ao Amazonas mais duas horas, passando pelo Parque Nacional Cinaruco-Capanaparo. Uma região de pântanos, rios e florestas belíssimos!
Com o sol nascendo, deixamos os llanos rumo à Ciudad Bolívar, mais de 1.000 km adiante
Cruzando um importante afluente do rio Orinoco, na região de Pueto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia
Finalmente chegamos à Cidade de Puerto Paez, quase na fronteira com a Colômbia, e encontramos um dos poucos lugares onde podemos cruzar o grande Rio Orinoco. Na balsa conhecemos Jorge, um jovem colombiano que trabalha aqui com seus primos durante as suas férias da universidade. Jorge esperava o ônibus que o levaria à Ciudad Guayana e que sairia apenas às 4 horas da tarde.
Balsa para cruzar o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, na Venezuela
de balsa, cruzando o rio Orinoco, na região de Puerto Ayacucho, fronteira de Venezuela e Colômbia
Daqui ele seguiu conosco, trazendo uma visão bem interessante de quem está viajando por todo o país e vendo tudo o que está acontecendo na economia, na política, no comércio e no dia-a-dia da já nem tão nova República Boliviariana da Venezuela. Manipulação de resultados e eleitores fantasmas são só a parte bonita do que se escuta pelas ruas do país. A falta de suprimentos e itens de primeira necessidade serão o estopim de uma revolução popular que já não poderá ocultar e se enganar de que este governo está a defender os interesses da população mais pobre.
A bela paisagem da estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela
Reencontro com rios amazônicos, na estrada entre Puerto Ayacucho e Ciudad Bolívar, na Venezuela
Foram muitos quilômetros e umas 8 horas de conversa entre Puerto Paez e Ciudad Bolivar. Chegamos a tempo de comer um prato-feito no restaurante em frente à Pousada Don Carlos, onde nos hospedamos no centro histórico. No dia seguinte aproveitamos para rever a cidade, o Paseo Orinoco e o Mirador Angostura antes de nos despedirmos de Jorge. À tarde passeamos pela Plaza Bolívar e toda a Zona Colonial totalmente reformada com suas casas coloridas na campanha para a cidade sediar os Jogos Panamericanos de 2019. Pena que a reforma é apenas de fachada, literalmente, pois das várias casas do centro que eram restaurantes e pousadas, poucas continuam em funcionamento nos dias de hoje.
Um simpático morador de Ciudad Bolívar, na Venezuela
Rua central de Ciudad Bolívar, na Venezuela, com o rio Orinoco ao fundo
Aproveitamos o dia também para fazer a troca de filtro e óleo da Fiona, que ganhou uma garibada geral enquanto nós organizávamos o nosso tour para um dos pontos altos da nossa passagem pela Venezuela, o Salto Angel! Este é o único trecho do nosso roteiro de 2007 que decidimos repetir nesta viagem. Importante dizer, que se tivéssemos tempo repetiríamos tudo! Voltamos 6 anos depois não apenas pela aventura ou beleza do Parque Nacional Canaima, mas por ter ficado entalado na nossa garganta uma visão parcial, quase nula, da maior cachoeira do mundo! Pois então vamos tentar a sorte novamente, o lugar é tão incrível que vale o investimento e todo o esforço!
Na orla do rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela
A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Refúgio dos bostonianios nos finais de semana, feriados prolongados ou porque não, looongas e maravilhosas férias de verão, o Cape Cod fica há apenas 115km da cidade de Boston. 115 km que podem demorar mais de 3 horas de trânsito, diga-se de passagem, ir para Cape Cod nessa época do ano, é quase como viajar para o litoral norte de São Paulo em um feriadão, engarrafamento na certa!
Aula de surf em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Cape Cod é uma península com 100km de extensão no litoral atlântico dos Estados Unidos, na costa do estado de Massachusetts. Seu formato de um braço em posição de muque, cria a grande Cape Cod Bay e mais de 60km de praia na parte voltada para o Atlântico. Nesta área está localizado o Cape Cod National Seashore, área de preservação litorânea que abriga uma infinidade de ecossistemas marinhos, terrestres, de água doce e estuários.
Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Sua origem geológica também data do período glacial. O cabo foi formado pelo acúmulo de material trazido pelas geleiras. Com a retração dos glaciares blocos de gelo vieram enroscados em meio aos entulhos de rochas, terra e areia, formando hoje os lagos de água doce.
Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Uma paisagem em contínua alteração, o movimento das marés e dos bancos de areia formaram quilômetros de praias, planícies alagadas, dunas, mangues, lagos e pântanos que abrigam uma rara flora e fauna. A natureza em suas mais diferentes faces e formas em uma faixa de terra tão estreita, impressionante!
caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
A escolha da sua base vai depender do seu roteiro e prioridades. As principais cidades são Falmouth, ao sul da península, Chatham no cotovelo, e Provincetown no extremo norte do cabo, mas em toda a região podem ser encontrados hotéis, pousadas e inns para todos os gostos.
Exibir mapa ampliado
Esta é uma das regiões mais disputadas no verão, então não é fácil encontrar opções baratas de hospedagens, mesmo os motéis mais sem personalidade custarão em torno de 100 dólares a diária. Nós escolhemos a cidade de Falmouth, já que o plano era passar um dia explorando o parque nacional e outro na ilha próxima de Martha Vineyard. Para explorar toda a península ter um carro é essencial, dadas as distâncias no parque (ver mapa).
Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
O nosso dia começou com uma estradinha básica de Falmouth até o Centro de Visitantes do Cape Cod National Seashore. Lá conseguimos mapas e informações, além de uma bela vista para a Salt Pond Bay e ao longe a Nauset Island.
Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Nos últimos 10 dias, nadamos em lagos, fizemos trilhas em vales e montanhas, passeamos em cidades e até de barco atrás de baleias e puffins. Então a escolha de hoje não estava muito difícil com os mais de 30°C, céu azul e sol escaldante! A decisão unânime, por três votos à zero foi PRAIA!!!
A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Fomos direto para a Marconi Beach, uma das mais famosas praias, não apenas por sua beleza natural, mas principalmente por sua história. Guglielmo Marconi foi um engenheiro elétrico italiano que através de seus estudos e trabalho veio parar nos Estados Unidos. Sua obcessão era a transmissão de dados sem a necessidade de um cabo. Com 16 anos ele transmitiu seu primeiro sinal wireless em uma mensagem telegráfica no jardim da casa de seu pai. As distâncias foram aumentando, assim como o seu sonho: enviar um telegrama transoceânico. Este sonho se realizou aqui em 18 de janeiro de 1903, quando ele enviou uma mensagem instantânea do então presidente dos Estados Unidos, T. Roosevelt para o Rei Edward VII da Inglaterra. Sim, Marconi é o pai da comunicação sem fio!
Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Em sua homenagem passamos o dia na praia batizada com o seu nome, caminhando, nadando e brincando com a Bebel nas piscinas formadas na maré baixa. Obrigada Marconi!
Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
O final do dia foi de estrada de retorno a Falmouth, com um pequeno desvio para conhecer a charmosa cidade de Chatham. Demos um alow para um bando de leões marinhos que se retiravam para o alto mar e tivemos um delicioso jantar em uma das tavernas mais badaladas da cidade. Dia perfeito para recarregar as energias e relaxar ao melhor estilo primavera-verão.
Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
Quem vem com mais tempo, a dica é pegar uma bicicleta e se aventurar pela Cape Cod Rail Trail, explorar a região de Wellfleet e suas lindas vistas da baía e ainda passar uns dois dias no norte da península, descobrindo as trilhas e respirando um pouco da cultura e do ar mais alternativo de Provincetown. Amanhã embarcamos para o destino dos ricos e famosos para conhecer um pouco mais da história de Cape Cod.
Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos
O belo cenário da cordilheira dos Apalaches ao longo da Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
A Blue Ridge Parkway é considerada a melhor road trip na costa leste dos Estados Unidos. Sua história começou em 1935, justamente após a grande depressão, com um objetivo principal: o primeiro era interligar o Great Smoky Mountains National Park e o Shenandoah National Park, oferecendo mais uma opção de turismo aos viajantes intrépidos da época.
Muitos motociclistas na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
O projeto fez parte do plano para empregar as vítimas da Crise de 1929, mais um dos esforços feitos pelo governo unindo o útil ao agradável. Eles recrutavam jovens de famílias pobres, treinavam, davam alimentação, abrigo e um trabalho que pagava em torno de 25 dólares por mês, sendo que o jovem era obrigado a enviar à família 20 dólares. Era a famosa “win-win situation”, estes que jovens construíram estradas e grande parte das trilhas e infraestruturas dos principais parques nacionais por um salário ridículo, mas que ninguém pagaria na época. Eles saiam de lá bem alimentados, fortes e treinados militarmente, prontos para a próxima guerra, além de ajudarem às suas famílias na época negra da grande depressão.
As montanhas azuis no horizonte dão o nome à Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
A Parkway, ou estrada-parque, como chamamos no Brasil, terminou de ser construída em 1983 e além de conectar os dois parques pode ser considerada uma série de parques em si só. Com dezenas de atrações ao longo dos seus 755km sobre a Blue Ridge, um trecho dos Montes Apalaches, é a unidade que mais recebe visitantes dentro do sistema de Parques Nacionais Americano.
A Blue Ridge Parkway, sempre na crista dos Apalaches, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Para os amantes de natureza não tem uma época específica, o ideal seria poder conhecê-la no seu auge em cada estação do ano! No início do verão, com incontáveis tonalidades de verde, como vimos agora, ou na primavera quando as flores estão se abrindo, borboletas e passarinhos enlouquecidos com tantos cheiros e cores ou no inverno, quando a paisagem fica branca e dourada dos raios de sol que batem nos galhos desfolhados. Atenção que a Blue Ridge não possui manutenção no inverno, dependendo da quantidade de neve ela pode estar intransitável.
Vista do Apalaches na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Ainda assim, uma das épocas favoritas para o turismo na Blue Ridge Parkway é no outono, segunda quinzena de outubro, quando as maple trees estão explodindo em degrades de vermelho, laranja, amarelo e marrom, variando conforme a altitude e latitude ao longo do parque.
Roteiro de 2 dias (e meio) – Primeira Parte
No Mount Mitchel, ponto mais alto da Blue Ridge Parkway e dos Apalaches, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Começamos o nosso roteiro pela Blue Ridge em Asheville, ao norte do Great Smoky Mountains National Park, já que o tempo chuvoso estava deixando o parque “smoky” demais para explorações.
Exibir mapa ampliado
Mesmo ao norte o início da viagem foi com muita neblina e quase nenhuma vista dos primeiros mirantes. Uma parada rápida no Craggy Gardens e infelizmente não podíamos ver 50m a frente. Seguimos para o Mount Mitchell State Park, o ponto mais alto do país ao leste do Rio Mississipi. O acesso é fácil, chegamos de carro até quase o topo, o tempo começou a melhorar e conseguimos ter uma linda vista sobre as nuvens e até fazer uma trilha de 30 minutos pela floresta úmida de coníferas.
Fazendo uma trilha pela mata na região da Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
A parada para o almoço foi em Little Swizterland, com uma vista linda para as montanhas. Continuamos até o Crabtree Meadows e Crabtree Falls, onde há uma área de camping e uma trilha para uma cascata (sem área para banho) de uma hora ida e volta.
Uma das muitas cachoeiras ao longo da Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Quem vem com tempo pode escolher dormir na vila de Little Switzerland ou mais adiante na cidade de Boone, ambas com várias opções de hotéis, dos rústicos-chiques aos mais sofisticados. Boone é uma cidade grande, se você quer uma cidadezinha menor e mais charmosa Blowing Rock é o lugar! Encantadora e muito animada, Blowing Rock é uma cidade de gente feliz! Chegamos e logo entramos em uma festa local onde uma banda tocava clássicos do rock e famílias inteiras, jovens, crianças e seus avós dançavam e se divertiam em um grande gramado, tipo piquenique de fim de tarde.
Banda de folk anima festa ao ar livre em Blowing Rock, na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Festa no fim de tarde da pequena cidade de Blowing Rock, na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Onde ficar:
Cansada da impessoalidade dos hotéis pasteurizados de rede, decidimos buscar algo que nos fizesse entrar no clima desta viagem. Lá encontramos o lugar perfeito! Crippens Bed & Breakfast tem quartos charmosos e aconchegantes e super bem localizados. Sem dúvida é uma das melhores, senão a melhor, opção de hospedagem na parte sul da Blue Ridge.
Em frente ao noso aconchegante hotel em Blowing Rock, na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Tivemos sorte de encontrar Jimmy em casa, o dono da pousada e organizador de competições gastronômicas em todo o estado de North Carolina, ele tem um dos melhores restaurantes da região! Super anfitrião, me apresentou um vinho produzido na North Carolina delicioso! A região está se desenvolvendo na produção de uvas e vinhos, várias vinícolas estão nos arredores da Parkway. Raylen Category 5, como os furacões! Um assemblage na linha do bordeax, delicioso! O café da manhã típico americano, com ovos, bacon fechou a nossa experiência americana com chave de ouro.
O café da manhã no nosso delicioso hotel em Blowing Rock, na Blue Ridge Parkway, na Carolina do Norte - Estados Unidos
Coral negro na ponta do mastro do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Mergulhar novamente sem meu dupla amado é quase uma missão impossível. Ele está bem, mas ainda não pode abusar da saúde, principalmente dos ouvidos (ou orelhas? Rsrs). Então hoje nos dividimos novamente, e lá fui eu logo cedo para o mergulho.
Corneta do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Briefing básico na chegada ao dive center e logo já estávamos no caminhão a caminho do porto. Aqui o esquema é um pouco diferente, ao invés de saírem para dois mergulhos pela manhã e estenderem para o dar tarde, são dois horários distintos, um tanque por saída. O mergulho da manhã saiu as 9h para o naufrágio Charlie Brown.
O grande mastro submerso do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Um navio italiano que foi colocado à venda por um dólar após chegar à Trinidad (se não me engano). Ele foi ofertado justamente para ser afundado em algum local como recife artificial. Statia foi a mais rápida a fechar a proposta! Em 2005 Marieke, sócia-fundadora da Scubaqua e Marco, instrutor, estavam na ilha e participaram de toda a preparação para o afundamento do navio.
As grandes hélices do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Deve ser muito bacana mesmo participar de um projeto como este, retirar tudo o que não pode ser afundado, limpar qualquer resquício de óleo, combustível ou materiais poluentes e finalmente colocar o navio a pique! E o melhor! Sabendo que ele estará lá apenas e exclusivamente para o seu bel prazer! rsrsrs!
Mergulhando no naufrágio artificial Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
O naufrágio está está deitado lateralmente a 31m de profundidade. Com a estrutura intacta, já possui algumas formações coralíneas, principalmente no mastro e hastes tubulares. As duas hélices são a grande atração, lindas e inteirinhas. A penetração é permitida, porém com o grupo certo de mergulhadores, que infelizmente não era o meu caso, um grupo muito misto de básicos e avançados, eles preferem não abusar.
Parte interna do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
Meu dupla foi um francês, Patrick, também estava fotografando e tinha um consumo de ar bem próximo ao meu, o que facilitou muito a nossa vida, acabamos sendo os últimos a subir. Sua esposa também é mergulhadora, mas menos experiente preferiu ter como dupla o próprio Marco, nosso dive master.
Uma barracuda "cabeçuda" no naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
O final do mergulho foi acompanhado por 4 barracudas, duas imensas! Uma delas parecia ser super cabeçuda, dentes imensos, mas super tranquila. Ficou ali posando para fotos um tempão. Quando comentei com o pessoal eles comentaram que suspeitam que ela esteja doente, pois é o corpo que está mais magro que o normal (daí a impressão do cabeção, rsrs). Lindo naufrágio! Valeu muito à pena!
Corais tomam conta da estrutura do naufrágio Charlie Brown, na costa de Statia - Caribe
No nosso intervalo de superfície voltamos à base da operadora, almoçamos e logo me integrei em um grupo de mergulhadores holandeses, vindos da cidade de Den Bosch na Holanda. Eles vieram para encontrar sua amiga mergulhadora e sócia da Scubaqua, Marieke. Todos muito divertidos, já estavam mergulhando há quase 10 dias ali, então me deram umas boas dicas dos melhores pontos, etc. Numa ida ao banheiro olhem só quem eu encontrei? Uma iguana delicatíssima, espécie encontrada apenas em Saba e Statia! Estava passeando por ali, tentando chegar à árvore com uns frutinhos verdes pelo jeito muito apetitosos. Ela tinha mais de um metro, contando a longa cauda e devia ser mais anciã já que conseguiu se manter calma e tranquila com as 4 fotógrafas ao seu redor. Rsrs!
A Iguana Delicatissima, encontrada apenas nas ilhas de Saba e de Statia - Caribe
13h30, voltamos ao caminhão, ao barco e ao mergulho! Agora uma travessia do ponto conhecido como The Ledges para o Hangover Reef. Um mergulho multi-nível variando entre 19 e 12m.
Mini Peixe-vaca, no Hangover Reef, na costa de Statia - Caribe
O primeiro conjunto de corais possui uma pequena parede de uns 2m em formato de ferradura e base de pedras vulcânicas forrada de corais e esponjas. Fica até difícil escolher em que buraco procurar por lagostas ou caranguejos, já que os esconderijos, cores e vida marinha são abundantes.
Peixe-Anjo, no Hangover Reef, na costa de Statia - Caribe
O segundo, como o próprio nome já diz, tem uma formação de uma pequena gruta natural por um longo trecho junto da areia. Muita vida micro coralínea, lagartas, camarões, caranguejos e peixes de todas as espécies, linguado, garoupa, moréias e outros. Na travessia eu achei curioso a intensa troca de termas, 3 ou 4 vezes entrando e saindo de águas quentinhas a águas “gélidas”, entre 25,5° e 28,5°C.
Moréia negra defende o seu espaço no Hangover Reef, na costa de Statia - Caribe
O final de tarde na Scubaqua vira o maior happy hour, todos se reúnem para completar seus logbooks, tomando uma cervejinha. Eu esperava que o Rodrigo aparecesse, pois havíamos deixado essa possibilidade aberta, mas infelizmente ele não foi. Minha carona era uma das última a ir embora, pois precisava organizar as coisas e fechar o dive center. Ingrid, uma das sócias fundadoras, me levou até a nossa pousada.
Fim de mergulho no porto de Oranjestad, em Statia - Caribe
Lá estava o Ro, descansando do dia de caminhadas, pois aproveitou o sol e foi explorar a praia de areias escuras do lado “Atlântico” da ilha, Zeelandia. Foram várias trilhas, picos e uma vista para a Venus Bay. Afinal, mais alguns sinais da melhora do meu lindo.
Costa entrecortada de Sint Statius - Caribe
O grupo de holandeses já vai embora amanhã, então passamos em um restaurante para a grande despedida. Chegamos atrasados, pois estávamos trabalhando, e eles já estavam indo embora. Acabei me unindo a eles para uma cervejinha rápida de despedida em um barzinho na cidade baixa. Dia intenso, novos amigos e lindos pontos de mergulho em Statia nos mostram que esta ilha ainda tem muito a ser explorada!
Porto de Oranjestad, na costa de Statia - Caribe
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
Acordamos em Seward ainda com muita chuva. Nosso plano inicial era ir a Valdez, também no litoral chuvoso e os “flood and wind warnings” ainda estavam vermelhos. É, aparentemente esse mau tempo veio para ficar, mas ainda assim decidimos ir e enfrentar a estrada, afinal eu não queria passar o meu aniversário em uma cidade alagada e devastada por tufões!
Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska
Pegamos a estrada em direção a Anchorage, sempre em contato com os nossos amigos Kombianos, que acompanhavam na rádio e televisão os avisos e pareciam estar preocupados com os dois doidos aqui enfrentando a ventania. A chuva e o vento continuaram forte, mas foi no Belluga Point, já a poucos quilômetros de Anchorage, que sentimos o vento aumentar. Paramos com a esperança de ainda encontrar alguma belluga, mas aparentemente elas não somos só nós que nos incomodamos com vento e mar agitado.
Enfrentando e se divertindo com ventos de mais de 100 km/h, na estrada para Anchorage, de volta da Península do Kenai, no sul do Alaska
A curiosidade de sentir a força e o poder do vento veio primeiro no louco do Rodrigo. Ele saiu do carro num vento e frio desgraçado, só de camiseta e deixou o vento sustentar todo o seu peso. Corria contra o vento e voltava planando, se divertindo e entretendo os outros motoristas que paravam por ali. Depois das fotos me enchi de coragem e saí, enfrentando a água e o vento, até que um tufão mais forte me pegou forte e levou por uns poucos metros. Foi um bom susto! Eu corri para o carro e fim da brincadeira!
Enfrentando e se divertindo com ventos de mais de 100 km/h, na estrada para Anchorage, de volta da Península do Kenai, no sul do Alaska
Em Anchorage paramos por uma hora para reencontrar Meli e Jorge, tomamos um chá no Starbucks trocando mais experiências sobre as nossas viagens e entendendo melhor os planos para o futuro próximo. Quem sabe conseguimos nos encontrar na estrada! Para nós que estamos na estrada a muito tempo, detalhes como voltar a uma mesma cidade e reencontrar pessoas conhecidas se tornam estranhamente prazerosos. É a sensação de um lugar comum que não temos há muito tempo, a falsa sensação de estar em casa.
A Fiona reencontra a aventureira Lunita, em Anchorage, maior cidade do Alaska
Nos despedimos de Anchorage sem muita esperança do tempo melhorar e acabamos decidindo cancelar a nossa ida a Valdez e seguimos para o norte, direto para a pequena cidade de Tok. Já passamos por aqui quando chegamos ao Alaska, foi a nossa primeira parada no centro de visitantes, mais uma vez já nos sentimos quase locais! Hehehe.
Reencontro com os amigos viajantes colombianos, Jorge e Meli, em Anchorage, maior cidade do Alaska
Dirigimos todo o dia, passando por novas paisagens belíssimas, geleiras, rios e áreas naturais da região de Vasilia que certamente mereceriam mais pelo menos 3 dias ou uma semana para serem exploradas.
Uma colossal e fantástica geleira parece invadir o vale, no caminho entre Anchorage e Tok, no Alaska
Já era noite e o céu estava estrelado! Nos hospedamos no primeiro motel que encontramos na beira da estrada e ficamos de olho no céu, a previsão da aurora era boa, 5/10! Já que não pudemos conhecer vários dos parques nacionais no Kenai, viemos para cá com a esperança de encontrarmos uma boa aurora! As condições estavam aí, só faltava aquela pitada de sorte para termos uma bem sobre as nossas cabeças!
Nossa mais bela Aurora Boreal, nos céus de Tok, no Alaska
Acabava de virar meia-noite e nós já comemorávamos o meu aniversário, 31 anos! De repente olhamos para o alto e vemos as luzes verdes começando a iluminar o céu. Pegamos a Fiona e saímos da cidade, qualquer luz pode diminuir a nossa capacidade de enxergar a aurora. A íris se acostuma ao escuro e a aurora fica ainda mais clara e brilhante. Rodamos uns 20km e as luzes pareciam não querer nos deixar! Finalmente chegamos a um recuo da estrada, entrada de uma terra indígena, logo após a balança de carga de caminhões. Olhamos para o céu e lá estava ela, bela e formosa. Ela não parecia muito diferente do que já havíamos visto em Coldfoot e em Denali, mas estava mais prolongada e formava arcos completos a 90° da linha do horizonte, cruzando o céu de leste a oeste. Era um formato curioso, enfim, “vivendo e aprendendo sobre as auroras”, pensamos.
Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska
De repente, apontei o canto esquerdo do arco para o Rodrigo, as luzes estavam começando a ficar mais fortes, saímos da Fiona e o espetáculo de luzes começou! Uma explosão de cores, verde, azul, vermelha, branca e roxa, todas as cores formando espirais e cones que caíam dos céus dançando como uma cortina de luzes ao vento.
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
A imagem era tão inacreditável, que ríamos, gritávamos e chorávamos de emoção, todos os sentimentos ao mesmo tempo! Ali já nos demos conta de quão único era o momento que estávamos vivendo, quão raro e esplêndido era aquele evento celeste, que na mesma intensidade durou não mais do que 5 minutos e aos poucos diminuiu e se esvaneceu, voltando a ser a aurora que nós já conhecíamos. Hoje nos demos conta que a aurora que vimos não era a verdadeira auroral boreal! O céu se iluminou tanto quando em imenso show de fogos de artifícios, mas trilhões de vezes mais bonito! Tanto na dança, quanto na velocidade, quanto nas cores e na intensidade, só imagine que a luz e o clarão da tal aurora, não é como a luz do sol, e sim como a luz dos fogos... A noite fica clara e nós, embaixo, embasbacados.
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
Fugimos da chuva com um objetivo, a aurora, mas não imaginamos que seríamos recompensados a esta altura! Esse foi sem dúvida o maior presente de aniversário que eu nunca havia pensado que um dia iria receber na minha vida! Uma aurora boreal animal, na beira da estrada na periferia de Tok, a 1 hora da manhã!?! Isso não tem preço!!!
Um verdadeiro show de luzes e cores na nossa mais linda Aurora Boreal nessa passagem pelo Alaska, em Tok
32° ano, seja bem vindo! Prometo que será bem vivido!
Um verdadeiro show cósmico, na Aurora Boreal na noite sem lua em Tok, no Alaska
Caminhando até a Barra do Ribeira, em Iguape-SP
Um dos espetáculos mais bonitos da natureza é o desaguar do rio no mar. Esse encontro de águas pode ser tão especial que em alguns lugares tem até nome, como a pororoca, o encontro das águas dos rios amazônicos com o mar. Hoje o nosso programa era justamente ir até a barra do Rio Ribeira, como comentei ontem, o mesmo rio que corre por toda a região do PETAR. Fica a 4km da vila, aqui na Juréia Sul, portanto sugeri ao Rodrigo retomarmos o nosso treino de corrida para chegarmos até lá. Caraca! Foram uns 50 dias que fiquei sem treinar e já perdi o fôlego? Espero que seja só o efeito da areia fofa e vento contra! Rsrsrs!
Pegando um bronze na Barra do Ribeira em Iguape-SP
Chegando lá tomamos um belo banho de rio olhando para a margem oposta, onde tentamos chegar com a Fiona e não conseguimos. Várias casas imensas ali, ameaçadas pela correnteza e altas do rio e do mar, uma delas aparentemente fora abandonada recentemente, pois a parede lateral já estava no chão. Cada dia que passa fica mais claro que quando não respeitamos o meio ambiente, ele acaba mostrando as conseqüências de forma natural, literalmente.
Nadando na Foz do Rio Ribeira em Iguape-SP
Voltando da barra almoçamos e fomos trabalhar. Consegui produzir mais 2 vídeos para o site, a produção está acelerada! Acabamos decidindo passar a noite por aqui. Aparentemente a internet tinha voltado a funcionar e queríamos aproveitar ao máximo, já que internet rápida é coisa rara por estas bandas. No final, infelizmente, era só fogo de palha, não funcionou mais. Amanhã cedo sairemos cedo rumo à vizinha do norte, próxima à Peruíbe, a Juréia do Norte.
Homem e seu cachorro se divertem na praia da Barra do Ribeira em Iguape=SP
Celebração do aniversário do Marco Aurélio, em Palmas - TO (foto de Marco Aurélio Jacob)
Estávamos ansiosos pela nossa chegada a Palmas. Não apenas para conhecer a mais nova capital do Brasil, mas porque hoje, depois de quase 6 meses, iríamos reencontrar velhos amigos! Não era qualquer amigo e também não era um dia qualquer, hoje foi o aniversário do Marco Aurélio! Amigo dos tempos de faculdade, Marco é um grande curioso pelo mundo viajante, fotógrafo, apaixonado por cinema e o principal, um empreendedor. A última vez que tínhamos nos visto, inclusive, havia sido no restaurante que ele tinha em Curitiba, onde fizemos a nossa despedida dos 1000dias.
Lendo o livro "No Coração do Brasil", na casa do Marco Aurélio, em Palmas - TO (foto de Marco Aurélio Jacob)
Marco, junto de sua mulher Carol, e filhos Léo e Arthur, resolveu sair do frio de Curitiba e vir empreender no Tocantins. Estão em uma casa deliciosa, aproveitando cada minuto desse finzinho de inverno, quando os dias quentes terminam com agradáveis noites frescas e enluaradas.
Carol já se adaptou, não quer voltar a viver no frio. Arthur nunca mais teve as “ites” respiratórias que quase todas as crianças de Curitiba sofrem, pelo frio e umidade. Léo já está adaptado na escola, os amigos têm umas gírias diferentes, em vez de falar “piá” falam “moço”, para todos, até para os velhos! Rsrsrs! Chamam pernilongo de muriçoca, a cidade é dividida por quadras e as ruas são números.
Esse meu amigo, além de tudo, é um ótimo chefe de cozinha e para comemorar os seus 30 anos preparou um jantar ma-ra-vi-lho-so! Entrada: brusqueta caprese com manjericão do pé, além do Bourbon, sem gelo para os rapazes, eu tive que apelar ao gelinho de coco. (hummm, que chique!). Prato principal: Risoto de Funghi Secchi, acompanhando um vinho tinto, não antes de um champagne para o brinde! O aniversário é dele e nós que ganhamos presente! Eu não via a hora de uma comidinha diferente de arroz com feijão e frango caipira, que delícia!
Comemoração do aniversário do Marco Aurélio em sua casa, em Palmas - TO
Para fechar com chave de ouro a Carol fez um bolo de cenoura com cobertura de brigadeiro de comer ajoelhado! Meu Deus, noite perfeita! As saudades eram tantas, que ficamos até quase 3 horas da manhã colocando o papo em dia, nos atualizando das viagens e amigos que ficaram em Curitiba. Nem vou despedir muito, pois amanhã tem mais!
Refresco delicioso na Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO
O Jalapão é conhecido como um dos mais exóticos destinos turísticos do Brasil, atraindo aventureiros e eco-turistas de todas as partes do país. Conhecido como deserto do Jalapão, eu imaginava que seria realmente um mini Saara, quilômetros de areias, temperaturas elevadas durante o dia, frias durante a noite e falta de água e adivinhem? É claro que eu estava errada.
Vegetação de cerrado ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
A denominação de deserto deve-se à região possuir a menor densidade populacional do país. A infra-estrutura ainda é precária, o celular e a internet só chegaram no ano passado e os supermercados possuem o básico do básico, quando tem. É, ontem nós pudemos perceber... mais de 70km sem encontrar uma casa, não combina com o Brasil.
Crianças nos observam na comunidade da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
A cidade mais conhecida como base no Jalapão é a cidade de Mateiros, para onde nos dirigimos hoje, mas não antes de conhecer uma última atração da região de São Félix. Na estrada dali para Mateiros passamos pela Comunidade do Prata, as casinhas de adobe que vimos ontem ao chegar do Maranhão. O rio de mesmo nome banha a região e lá fica uma das cachoeiras que queremos visitar. A Cachoeira do Prata possui um grande volume de água, não é muito fácil entrar embaixo dela, mas apenas 5 minutos de caminhada rio acima você chega à uma área usada como praia pelo pessoal aqui da comunidade.
A Cachoeira do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Quem nos acompanhou até aqui foi o Paulino, nascido e criado aqui na região veio nos contando das suas andanças entre o Tocantins e a Bahia, trabalhando nas fazendas de soja e milho. Ele conhece parte do caminho que fizemos ontem e hoje nos salvou de cair em alguns atoleiros de lama no caminho para a cachoeira.
Sempre-Vivas ao lado do Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
No Rio da Prata aproveitamos mais uma valiosa dica do Luis, subimos o rio pela trilha que vai margeando e descemos fazendo uma flutuação com as nossas máscaras de mergulho. O rio tem uma coloração amarelada, mas ainda assim as águas tem uma boa visibilidade e pudemos ver suas plantas, pedras, troncos e alguns peixes.
Nadando no rio da Prata, na região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Confesso que fiquei com medo de cruzar com uma sucuri por ali, elas adoram esses riachos com buritizais, mas para nossa sorte (ou azar) não apareceu nenhuma. Rio delicioso, um oásis no meio deste cerrado deserto.
Rio da Prata, região de São Félix do Tocantins, no Jalapão - TO
Nossa próxima parada foi a Cachoeira do Formiga, esta mais próxima à Mateiros. Uma água completamente transparente, com um poço delicioso e um turbilhão de bolhas perfeito para uma hidromassagem.
A linda Cachoeira do Formiga, região de Mateiros, no Jalapão - TO
De máscara de mergulho ficamos brincando com as bolhas no turbilhão, vendo os peixinhos que habitam este aquário natural e nos divertindo feito duas crianças, completamente sozinhos neste pequeno paraíso. O lugar é muito mágico, eu não conseguia ir embora de jeito nenhum! A temperatura perfeita e o cenário ideal para explorar cada bolha, sem medo de ser feliz!
Nadando no poço de águas transparentes da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO
Dali seguimos em direção a Mateiros, direto para a lanchonete Oásis. Comemos um misto quente, nosso almoço preferido ultimamente. Ficamos na Pousada dos Buritis e a noite fomos para a Pizzaria do Carioca, além de muito gostosa o Dázio, dono da pizzaria foi super simpático e ficou curioso com a nossa viagem. Amanhã seguiremos descobrindo as maravilhas do Jalapão, o Deserto das Águas.
Peixes brincam no turbilhão da Cachoeira do Formiga, na região de Mateiros, no Jalapão - TO
Delicioso mergulho no Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
O nordeste dos Estados Unidos, região conhecida como Nova Inglaterra, é mais famosa por sua costa histórica, belas praias e deliciosas lagostas. Durante o verão as Green Mountains e sua irmã do leste, as White Mountains, ficam meio de escanteio, quando as estações de esqui fecham por falta do elemento fundamental para sua atividade: a neve.
Passeio nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
O que muitos esquecem é que quando a neve vai embora, ela deixa para trás uma nova Nova Inglaterra, tão bonita e especial quanto a sua branca e gelada paisagem. Montanhas verdes, rios cristalinos formados pelo degelo e alimentados por fontes de águas minerais, trilhas sequinhas e a oportunidade de encontrar a vida selvagem que não precisa mais se esconder do frio.
Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
A área oferece oportunidades para montanhismo, escalada em rocha, caminhadas, caiaque, rafting e uma infinidade de atividades para os amantes da natureza. Tudo isso, é claro, com a praticidade e a infraestrutura peculiar aos parques e florestas nacionais americanas: estacionamentos, mirantes, trilhas sinalizadas com vários níveis de dificuldade e acessibilidade garantida para todos.
Viajando pelas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Trilha para a cachoeira Sabbaday, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Nós utilizamos como base a pequena vila de Woodstock, vizinha à cidade de Lincoln, já no estado de New Hampshire. Ficamos hospedados no Wilderness Inn, que além de muito confortável e um café da manhã divino, tem como principal diferencial o atendimento personalizado dos donos, viajantes inveterados! Rosana nos ajudou a montar um roteiro, forneceu mapas e deu as melhores dicas de toda a área e acabamos decidindo estender a nossa estadia por mais uma noite para poder explorar melhor a região.
Nosso roteiro nas White Mountains
O dia começa com um pit stop no posto mais próximo para abastecer o carro e preparar a nossa cesta de piquenique, já que dentro da floresta não se encontram postos e restaurantes. Entramos na floresta nacional pela Kancamagus Highway, uma estrada cênica com vários mirantes, vistas fantásticas das montanhas e informações interessantes sobre a história geológica destas terras.
Rio de águas claras e geladas nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Estes montes já foram cobertos por mais de 1 km de gelo, há mais de 15 mil anos, na última glaciação. O degelo formou os “notchs”, vales estreitos que hoje concentram as principais atrações da Floresta Nacional das Montanhas Brancas. Antes de nos embrenharmos nos vales queríamos ter uma visão mais ampla da região e fizemos um pequeno detour para o famoso Mount Washington, o ponto mais alto do nordeste dos Estados Unidos, com 1.917m de altitude.
A bela paisagem durante a subida do Mount Washington, ponto mais alto das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Há várias formas de chegar ao topo do Mount Washington, trem é a mais cara e talvez a mais divertida delas. A nossa escolha normalmente seria a forma mais tradicional, a pé. Há várias rotas e geralmente a mais bonita é a mais difícil. Hoje, porém, acabamos optando por conhecer outra das atrações do parque: a Mt. Washington Drive Road. Um parque privado, criado em 1861 pelo visionário proprietário dessas terras, é a atração turística (construída pelo homem) mais antiga dos Estados Unidos.
Fiona nos leva pelas estradas das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Trem leva turistas ao topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
O Mt. Washington possui um observatório climático completo e se orgulha de quebrar os records de piores condições climáticas do mundo! No seu cume já foram registrados ventos de 372km/h, em uma tempestade em abril de 1934. Para ler os relatos completos da aventura do homem que viu, mediu e sobreviveu a esta tempestade para contar a história, é só clicar aqui.
A caminho do topo do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Muito vento, gift shops e fotos depois, seguimos em direção ao Crawford Notch, lugar que poderíamos ficar pelo menos uns 2 dias explorando suas trilhas e diferentes paisagens. O plano inicial era fazer uma trilha de 4 km, mas para isso o dia precisaria ter começado 3 horas mais cedo.
Experimentando fantasia de alce na lojinha do Mount Washington, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
No topo do Mount Washington e das White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Fizemos uma rápida parada em Bretton Woods, local onde foi assinado o histórico acordo que remodelou toda a economia mundial, criando o FMI, o Banco Mundial e estabelecendo o dólar como a moeda mundial de comércio.
Hotel onde se realizou a famosa conferência de Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Local onde foram definidas as novas diretrizes do mundo capitalista, um marco importantíssimo e bem lembrado pelo meu amado marido economista. Detalhe: o Acordo de Bretton-Woods foi assinado em julho de 1944, no mês seguinte da Invasão da Normandia, o famoso “Dia D”, já no final da Segunda Guerra Mundial.
Visitando Bretton Woods, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Terminamos a loop road passando pelo Franconia Notch, onde fizemos uma trilha rápida pelo Basin, para começar a acostumar nossa sobrinha linda às atividades esportivas na natureza. Ela é meio preguiçosa, mas com jeitinho conseguimos tirá-la do conforto da Fiona e colocá-la em movimento.
The Basin, lembrança da última era glacial nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
No caminho para casa ainda faríamos uma última parada, a mais esperada do dia para nossa querida sobrinha, o Mirror Lake! Toda a preguiça que a Bebel tem para caminhar simplesmente desaparece quando o assunto é água! Nossa linda sereia não demorou um segundo para entrar na água do Mirror Lake, parada obrigatória para fechar o dia de viagem em New Hampshire.
Mirror Lake, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Vamos embora sem ter encontrado nenhum alce, animal comum nessa região, mas difícil de ser avistado durante os dias quentes. Ficamos sem o alce, mas tivemos a sorte de ver um urso preto, lindo! A sorte foi apenas a de estarmos passando em frente ao pequeno circo da cidade na hora de descanso do pobre coitado. Ele estava fora de sua jaula, na área de playground, mas com uma cara meio aburrida.
Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Um urso negro usado em apresentações em Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
Um dia é pouco para explorar tudo o que a White Mountains National Forest têm a oferecer. Em um dia completo conseguimos ter um bom overview, mas se você tiver um final de semana ou até um feriado prolongado de 4 ou 5 dias, sem dúvida não faltarão atividades. Seja no verão ou no inverno, trekking ou skiing, a beleza natural da região não irá decepcionar.
Ponte refletida em lago cristalino, nas White Mountains, região de Lincoln, em New Hampshire - Estados Unidos
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