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Trutas e Fumaça

Brasil, Espírito Santo, Ibitirama

Tecnotruta, em Ibitirama - ES

Tecnotruta, em Ibitirama - ES


Depois da ressaca eleitoral, acordamos na tranqüila cidade de Ibitirama e resolvemos explorar a região. A sua principal atividade é a agropecuária, sendo uma região forte na produção do café. Chegando na cidade descobrimos que além do café a cidade se destaca também pela produção de trutas, pois lá existe a maior criação de trutas em cativeiro do Brasil! No seu pico de produção chegou a registrar em torno de 7 toneladas de trutas por mês! O Tecnotruta fica há 18km de Ibitirama no distrito de Santa Marta, além de um pesque e pague eles possuem também um restaurante que tem como prato principal, adivinhem o que? Deliciosas trutas! O restaurante abre a semana toda, nós é que tivemos azar mesmo, pois a cozinheira estava doente e não foi trabalhar hoje.

Tanque de trutas na Tecnotruta, em Ibitirama - ES

Tanque de trutas na Tecnotruta, em Ibitirama - ES


Do trutário seguimos novamente em direção à Ibitirama para conhecer o Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça. Ela possui em torno de 80m de altura e logo visualizamos da estrada parque que dá acesso á portaria do parque. As trilhas estão muito bem marcadas e são de fácil acesso, não tomando mais de 5 minutos para se chegar ao pé da cachoeira. Neste período ela está com um volume menor de água e a chuva recente deixou as suas águas, normalmente límpidas, um pouco mais escuras.

Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES

Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES


Nosso próximo destino é o Pico da Bandeira, que fica aqui mesmo no município de Ibitirama, porém a trilha por aqui é mais longa e segundo informações que conseguimos, ela ainda não está bem demarcada. Por isso seguimos por estradas de terra contornando o Parque Nacional para chegar à portaria que fica na cidade de Alto Caparaó, em linha reta ficaria há apenas 24km de Ibitirama, exatamente do outro lado da montanha, mas de carro são 100km. No caminho fomos conhecendo a região que possui diversas cachoeiras e poços para banho. Paramos para um lanche na graciosa cidade de Penha. É pequenininha, mas possui uma infra turística bem razoável, além de pousadas, lanchonetes tem até um espaço holístico de alimentação natural e meditação, uma graça!

Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES

Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES


Mais um pouco e chegamos à cidade de Pedra Bonita, em um dos mapas que recebemos vimos que aqui havia também uma portaria do Parque do Alto Caparaó, parque que abriga o Pico da Bandeira. Resolvemos ir até lá para nos informar e entender qual era a diferença entre esta portaria e a que se encontra na cidade de Alto Caparaó. Wellington e Ricardo, funcionários do parque e do ICMBio nos atenderam e foram super atenciosos, nos explicaram as trilhas e acabaram nos convencendo a subir por aqui. Já havíamos ouvido falar que a trilha aqui pelo ES era mais íngreme, porém com vistas muito mais bonitas. Conseguimos chegar de carro mais perto do pico e caminhar apenas 2,3km, além de explorar outras cachoeiras, coisas que não encontramos no lado mineiro. O Rodrigo já subiu pelo Alto Caparaó duas vezes, mas eu não conheço o outro lado. Sendo assim optamos por realizar a travessia, subimos pela portaria capixaba e descemos pela portaria mineira, assim fica mais democrático para todos. Vamos nos preparar, pois amanhã teremos em torno de 15km pela frente, boa noite!

Fiona na Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES

Fiona na Cachoeira da Fumaça, parque estadual em Ibitirama - ES

Brasil, Espírito Santo, Ibitirama, cachoeira, Cachoeira da Fumaça, Pedra Bonita, Santa Marta

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PARNAMAR Noronha

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha

Pontinha, durante a Caminhada do Atalaia, em Fernando de Noronha - PE

Pontinha, durante a Caminhada do Atalaia, em Fernando de Noronha - PE


No Projeto TAMAR assistimos uma palestra sobre Noronha, super interessante. Hoje Noronha é dividido em duas áreas pelo ICM Bio, a APA, Área de Proteção Ambiental, onde ficam localizadas as vilas e o porto, pode-se pescar e são exercidas atividades comerciais. A outra área é o PARNAMAR - Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, nesta o controle é muito mais rígido, não se pode pescar, caçar ou mesmo haver quaisquer tipos de construções.

Barco de mergulho em Fernando de Noronha - PE

Barco de mergulho em Fernando de Noronha - PE


100% das crianças da ilha estão nas escolas, motivo de orgulho para os moradores. São em torno de 700 crianças que cursam o Ensino Fundamental e Médio e destes alguns seguem até a Universidade pelo EAD, ainda morando na ilha. A população de Noronha hoje é em torno de 4 mil pessoas, sendo que destes 1000 são turistas. São 80 mil turistas por ano visitando a ilha e por isso o trabalho de educação ambiental realizado pelo TAMAR é de extrema importância, já imaginaram o impacto que todo este povo poderia causar?

Praia do Sancho vista de cima, em Fernando de Noronha - PE

Praia do Sancho vista de cima, em Fernando de Noronha - PE


Conversando com moradores, soubemos que este Parque Nacional foi privatizado em um leilão recentemente, e será administrado pela mesma empresa que administra o Parque das Cataratas do Iguaçú. Eles devem investir em estradas, trilhas e infra-estrutura turística e irão cobrar uma taxa de 60,00 por pessoa para entrar na ilha, além da Taxa de Proteção Ambiental que já pagamos hoje.

Prédio da administração municipal em Fernando de Noronha - PE

Prédio da administração municipal em Fernando de Noronha - PE


Essa questão é super controversa, alguns defendem e outros, principalmente os nativos e moradores da ilha, receiam esta nova administração. Esperamos que seja feita com parcimônia, pois não é apenas um parque que está em jogo, mas sim a vida de várias famílias.

Os Dois Irmãos na Praia da Cacimba, em Fernando de Noronha - PE

Os Dois Irmãos na Praia da Cacimba, em Fernando de Noronha - PE

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha, PARNAMAR Noronha, Praia, Praia do Sancho, Tamar

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Monte Pascoal dos Pataxó

Brasil, Bahia, Itamaraju (P.N Monte Pascoal)

Artesanato indígena no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Artesanato indígena no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


O Parque Nacional do Monte Pascoal foi tomado no ano de 1999 pelos índios Pataxós, que vinham da aldeia da Boca da Mata, área próxima à parte baixa do parque. Os índios reivindicaram o parque e uma área de fazenda para formar uma nova aldeia. Hoje o parque é gerenciado pelo Ibama, Funai e pela tribo Pataxó responsável pela recepção e por guiar os turistas nas suas trilhas.

Entrada do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Entrada do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


Quem nos guiou foi Timiniá, uma pataxó de 31 anos, casada e com 4 filhos que vivem ali na aldeia. Está localizada onde era uma antiga fazenda, onde produzem legumes, verduras e raízes para subsistência e para venda nas feiras próximas. Com este dinheiro eles podem comprar roupas e alimentos para a família.

Nossa guia índia, a Timiniá, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Nossa guia índia, a Timiniá, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


No início da trilha logo passamos pela praça da resistência e por um monumento em homenagem a todas as tribos e etnias indígenas existentes no país. Ali, na comemoração dos 500 anos do Brasil, foi realizado um encontro que reuniu índios de todos os estados brasileiros. Seguimos pirambeira acima e Timiniá mostrou ao Rodrigo quem realmente entende de subir montanhas! Ela subiu tranqüila com a sua hawaiana amarela e o Rodrigo no seu encalço. Eu, pra variar, fiquei um pouco para trás. A trilha normalmente leva 1h30, conseguimos fazer a subida em 1h e mesmo assim Timiniá dizia estar acostumada a ir mais devagar quando tem jokanas, mulheres, e kitokis,crianças, nos grupos que guia.

A Praça da Resistência, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

A Praça da Resistência, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


1700m de trilha em uma pirambeira bem inclinada que nos leva dos 100m até os 535m de altura do Monte Pascoal. Ele fica um tanto quanto afastado do mar, eu sempre imaginei que era mais próximo à praia, pois segundo relatos foi o primeiro ponto a ser avistado pelas caravelas portuguesas. Este parque, junto ao PN do Descobrimento, guarda o pouco que restou da Mata Atlântica na costa brasileira.

Orquídeas no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Orquídeas no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


Lá do alto podemos avistar de alguns mirantes a área do parque e a quantidade imensa de terras devastadas, hoje fazendas, que ficam no seu entorno. Conseguimos ver também o mar, belíssimo! Voltado para o continente enxergamos o Morro do Pescoço, com uma formação rochosa bem característica que lhe rendeu este nome.

Morro do Pescoço, visto do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Morro do Pescoço, visto do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


Durante a trilha conversamos com Timiniá que foi nos ensinando um pouco da história do parque, da tribo, significados das palavras em pataxó e dos nomes de deus filhos. Coração, raiz, pedra brilhante... O único nome que não conseguimos saber o significado foi o dela própria, que por tradição guarda segredo do significado que pode ser revelado apenas a indígenas. Eu tentei convencê-la que também tenho índio na família e que sou casada com um, “praticamente” índio, moreno e olhos mais puxados pelo menos ele tem! Rsrsrs! Na volta, Timiniá percebe que desta vez é o cakuçú (homem), que está mais devagar e falou, “Afinal, jokana, para baixo todo o santo ajuda, né?”. Assim ela nos lembrou novamente como tudo começou, missões jesuítas já pregavam desde cedo por estas terras, hoje os índios são católicos e em algumas aldeias a religião evangélica é a que domina.

Monte Pascoal e portaria do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Monte Pascoal e portaria do P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA


É, mais uma vez esse Brasilzão nos ensinando na prática um pouco da nossa história.

Com a Timiniá, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Com a Timiniá, no P.N do Monte Pascoal, próximo à Itamaraju - BA

Brasil, Bahia, Itamaraju (P.N Monte Pascoal), índios, Montanha, Monte Pascoal, parque nacional, pataxó, Trekking, trilha

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Cânion Guartelá

Brasil, Paraná, Castro, Tibagi

Canyon formado pelo rio Iapó, um dos maiores do mundo, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Canyon formado pelo rio Iapó, um dos maiores do mundo, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


O Cânion Guartelá formado pelo Rio Iapó fica entre as cidades de Castro e Tibagi. Possui 32 km de extensão e por isso é considerado o 6° maior cânion do mundo, sendo que os outros 5 primeiros são medidos por outras grandezas, profundidade, etc.

Riacho de águas geladas no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Riacho de águas geladas no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


A história do seu nome vem dos tropeiros paulistas que vieram colonizar a região, fazendo extração de madeira, ouro e diamantes. Quando eles chegaram por aqui tiveram grande resistência dos índios tupi-guarani que habitavam a região, passando por pequenas batalhas e mortes dos silvícolas que tentavam defender seu território. A partir daí desenvolveram códigos para se comunicar, e certa vez um dos fazendeiros disse ao vizinho “Guarda-te lá que aqui bem fico”. A expressão evoluiu, encurtou e daí surgiu a nomenclatura de duas regiões destas redondezas, o “Guartelá” e o “Bem Fico”.

Admirando o mesmo visual que os índios já admiravam há 10 mil anos! (na Lapa Poinciano, P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR)

Admirando o mesmo visual que os índios já admiravam há 10 mil anos! (na Lapa Poinciano, P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR)


Um Parque Estadual formado para preservação de toda a extensão do cânion, seus campos rupestres que misturam as matas atlânticas, nas várzeas do rio, cerrado nas partes mais altas e inclusive a caatinga. Esta distinta cobertura vegetal e de rochas areníticas, inclusive com presença de formações coralíneas, comprova a evolução geológica deste terreno, que antes foi mar, depois se torno um deserto gelado e hoje possui o clima sub-tropical.

Antigas formações de coral no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Antigas formações de coral no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


A minha história com o cânion é antiga, a primeira vez que estive aqui eu estava com 12 anos. Foram algumas atividades escoteiras, acampamentos, escaladas, banhos de cachoeira e afins. A estrutura e as regras do parque se modificaram completamente, antes podíamos ir e vir por tudo. Hoje as trilhas são controladas e tem a obrigatoriedade de acompanhamento de guias. Antes chegávamos de carro às margens dos panelões, hidromassagem natural deliciosa, apenas suportável no verão, já que as águas são proibitivamente frias!

Os famosos panelões do P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Os famosos panelões do P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


A última vez que estive aqui, já faz 10 anos, vim passar o dia e fiz a trilha da Pedra Ume, hoje aberta apenas para pesquisadores. São 18km em uma área menos explorada que nos levam à uma fenda linda e à caverna onde são encontradas as pedras umes, usadas para curtume de couro, etc. É maravilhoso! Hoje achamos que faríamos esta trilha, hoje conhecida como trilha completa. Infelizmente ela não é tão completa assim, mas ainda assim nos levou paisagens sensacionais!

P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


Caminhamos pelo cerrado com vistas lindas do cânion, atravessamos a pedra do gavião e chegamos à Lapa do Ponciano, onde encontramos pinturas rupestres que datam de 10 a 12 mil anos! Acredita-se que as tribos que viviam por aqui sinalizavam nestas lapas os locais dos seus abrigos e a direção para onde estavam seguindo, além de cenas e animais encontrados por eles nas redondezas.

Pinturas rupestres na Lapa Poinciano, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Pinturas rupestres na Lapa Poinciano, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


Gilberto foi o nosso guia, junto das monitoras da Eco Ação. Sua família chegou na região à muitos anos, fez parte da história da colonização da região e ele é um dos principais conhecedores do parque e das fazendas que estão no entorno. Foi ótimo nas explicações, dados histórico, principalmente por sua paixão pelo cânion.

Aulas de geografia e geologia durante passeio no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Aulas de geografia e geologia durante passeio no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


Aqui acontece um dos raftings mais radicais do Brasil, são 14 horas descendo o rio de bote, durante quase metade do percurso em corredeiras de nível 4 e depois da cachoeira de 6m que vemos do mirante o rafting se torna nível 6! Gilberto nos contou histórias que só nos deixaram ainda mais loucos para voltar no verão, época mais indicada para a realização desta atividade.

O turbulento rio Iapó, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

O turbulento rio Iapó, no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


Terminamos o passeio na trilha básica, voltando ao mirante da Cachoeira da Ponte de Pedra, fechada para banho, fotos, etc, onde eu cansei de tomar banho e brincar. É sempre uma delícia voltar ao cânion, lembrar da infância e estar em um lugar tão espetacular que está tão pertinho de casa. Belezas do Paraná que muitos curitibanos e paranaenses nem sabem que existe!

Belíssimo visual do canyon no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR

Belíssimo visual do canyon no P.E do Guartelá, região de Tibagi - PR


Pegamos nosso rumo para a cidade de Castro, onde passaremos esta noite. Uma cidade super gracinha, casas coloniais antigas bem preservadas no centro, festa junina, frio do sul e céu de brigadeiro! Passamos mais um dia dos 1000, depois de tanto Brasil, aqui no Meu Paraná!

Prédios antigos e araucárias, cenário de Castro - PR

Prédios antigos e araucárias, cenário de Castro - PR

Brasil, Paraná, Castro, Tibagi, Cânion Guartelá, Parque Estadual, Parques e Reservas, pinturas rupestres

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Lagoa Verde

Brasil, Maranhão, Atins

Chegando à linda Lagoa Verde, em meio às dunas dos Lençóis Maranhenses - MA

Chegando à linda Lagoa Verde, em meio às dunas dos Lençóis Maranhenses - MA


Banho de piscina para acordar e logo o carro com o guia estava nos esperando para o passeio à Lagoa Verde. O Rodrigo havia conseguido uma negociação justamente por ter encontrado mais dois casais para se unirem ao grupo e estes quando chegaram ao Rancho do Buna e quiseram conhecê-lo. Acabaram todos deixando a pousada em que estavam e se mudaram para lá.

Vento cria curiosas linhas nas dunas na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Vento cria curiosas linhas nas dunas na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Partimos para o passeio, nós, Mel e Eduardo ainda um pouco ressacados da noite anterior e os nossos novos vizinhos de rancho. Mônica e Jackson, cariocas que vivem em São Paulo e Jame e Mariana, ele inglês e ela brasileira, que vivem em Londres. Aos poucos o grupo foi se entrosando e trocando informações. Jame é britânico e foi criado na África do Sul, tem um gosto por viagem e aventura parecido com o nosso, então logo já queria saber tudo sobre os 1000dias, roteiros e etc. Mariana é outra menina com uma história sensacional! Foi para Londres com 20 anos, lutadora, apostou em um sonho de fazer sua vida no exterior, passando todas as dificuldades imagináveis e hoje, formada em finanças, tem uma filhinha com Jame e trabalha em uma grande companhia na capital inglesa.

Grupo caminha por entre dunas da região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Grupo caminha por entre dunas da região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


É maravilhoso socializar com pessoas tão diferentes em um só lugar, dentro de uma Toyota no meio dos Lençóis Maranhenses. No caminho paramos no restaurante da Luzia e já fizemos nossos pedidos, a contra-gosto dos nossos guias, que queriam nos levar no Antônio, restaurante vizinho do irmão de Luzia. Nada contra Antônio, mas tuuuudo a favor dos camarões maravilhosos de sua irmã!

Almoço de despedida no restaurante da Luzia, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Almoço de despedida no restaurante da Luzia, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Seguimos para o nosso destino, a Lagoa Verde fica entre as dunas e lagoas há uns 18km de Atins, parte do trecho de carro e o outra parte vencida depois de uma hora de caminhada. Vamos entremeando as dunas, conversando e admirando a magnífica paisagem, ainda seca já que o período de chuvas está um pouco atrasado. Uma duna antes de chegarmos à Lagoa Verde, presenciamos a cena de um cabritinho recém nascido perdido, berrando ensandecidamente para encontrar a sua mãe. Ficamos todos apreensivos, tentando levá-lo ao seu encontro, mas logo a mãe apareceu! O encontro dos dois foi emocionante!

Cabra recém nascida corre para a sua mãe, perto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Cabra recém nascida corre para a sua mãe, perto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Cruzamos mais esta duna e entendemos exatamente o sentido de um oásis no deserto. A Lagoa Verde estava lá, imensa e cheia, é uma lagoa perene, ou seja, ela pode até variar de profundidade, mas nunca irá secar. Nadamos cruzando a lagoa de lado a lado, é impressionante como esta paisagem engana nas distâncias. Quanto mais nadávamos, mais distante parecia o nosso objetivo.

Banho refrescante na Lagoa Verde, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Banho refrescante na Lagoa Verde, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Outra curiosidade é que esta lagoa possui uns pequenos peixinhos que ficam nos beliscando. Como eles vieram parar aqui? Ao que tudo indica eles submergem dos lençóis freáticos! Eu nunca tinha ouvido falar nisso, mas mesmo as lagoas que secam no verão têm peixes, segundo nosso guia.

Chegando à linda Lagoa Verde, em meio às dunas dos Lençóis Maranhenses - MA

Chegando à linda Lagoa Verde, em meio às dunas dos Lençóis Maranhenses - MA


A andança de volta tinha mais um incentivo, que era logo chegar ao oásis da Luzia para comer aquele camarão grelhado divino! Ela organizou um banquete para todos nós, salada, arroz, pirão, feijão e muuuuito camarão! Desta vez já havíamos pedido para o Zé, seu marido, deixar o coco bem geladinho à nossa espera. A rede para a siesta e a cocadinha deram um toque especial à nossa inesquecível experiência gastronômica no Atins.

Recolhendo lixo na trilha da Lagoa Verde, perto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Recolhendo lixo na trilha da Lagoa Verde, perto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA


Amanhã vamos embora, então já estávamos em clima de despedida desse lugar tão especial. Descemos antes da pousada para fazer uma caminhada pelo igarapé, acompanhados do Jame e da Mari, fomos até o rancho por uma trilha alternativa. Passamos o fim da tarde na piscina conversando e socializando até os dedos da mão ficarem enrugados. Alguns empolgados com a possibilidade de investir em terrenos aqui, outros trocando experiências de viagem, eu aproveitando para treinar um pouco meu inglês com Jame e o Rodrigo aproveitando para dormir. Depois de um dia de muitas atividades e socializações, uma noite tranquila no Rancho do Buna nos aguarda. Boa noite.

Caminhando por igarapé em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Caminhando por igarapé em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA

Brasil, Maranhão, Atins, Camarão da Luzia, igarapé, Lagoa Verde, lagoas, Lençóis Maranhenses, parque nacional

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Sucre

Bolívia, Sucre

Mirante ao lado da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia

Mirante ao lado da Igreja de La Recoleta, em Sucre - Bolívia


Sucre, primeira capital da Bolívia, perdeu seu posto para La Paz quando esta se tornou um ponto estratégico para o escoamento da produção do minério extraído em Oruro e Potosí. Ainda é a capital constitucional, porém La Paz é que abriga de fato todo o poder político do país. Fundada em 1538, a cidade trocou de nome algumas vezes, La Plata, Chuquisaca, Simón Bolívar até chegar à homenagem final ao primeiro presidente eleito pelo congresso, o General Antonio José de Sucre.

Homenagem ao grande nome da independência da américa espanhola, em Sucre - Bolívia

Homenagem ao grande nome da independência da américa espanhola, em Sucre - Bolívia


Nos idos de 1824, Sucre lutou ao lado de Simón Bolivar na Guerra pela Independência do Perú, do qual a Bolívia ainda fazia parte. Um ano mais tarde no Alto Perú foi proclamada a República da Bolívia. O primeiro presidente aclamado pelo congresso foi Simón Bolívar, que estava distante do país. Assim sendo Sucre assumiu o comando da nova república em dezembro de 1825 até o abril de 1828. Toda esta história nos foi contada em detalhes no Museu da Independência, por um guia muito esclarecido e apaixonado pela história do seu país. (Entrada: 15 bolivianos - 2,2 dólares aprox.).

Simon Bolivar entre todas as bandeiras da história da Bolívia, na Casa de La Libertad, em Sucre - Bolívia

Simon Bolivar entre todas as bandeiras da história da Bolívia, na Casa de La Libertad, em Sucre - Bolívia


Conhecida como “A cidade branca”, Sucre possui como lei a pintura das casas e prédios do centro histórico todos os anos, de branco, obviamente. Atingida por uma grande peste nos idos de antigamente, acreditava-se que as paredes caiadas diminuíam a disseminação da doença. O que antes era uma necessidade pela limpeza e higiene, hoje se tornou um marco arquitetônico da cidade.

Entrada do museu eclesiástico, em Sucre - Bolívia

Entrada do museu eclesiástico, em Sucre - Bolívia


A visita ao Mercado Municipal, independente da cidade, é sempre obrigatória. Ali vemos a cara do país, trabalhadores e consumidores, além de toda a qualidade de artesanatos, frutas, verduras, legumes, cereais, carnes e comidas típicas. Confesso que a área de restaurantes e lanchonetes não nos apeteceu muito o estômago, muitas carnes, embutidos e frituras, mas a apresentação de dança de um maluco borracho até que foi engraçada.

Abundância de frutas no mercado em Sucre - Bolívia

Abundância de frutas no mercado em Sucre - Bolívia


Outro lugar bacana de conhecer é a Casa de Cultura, pertinho da praça principal. Está acontecendo esta semana uma amostra de cinema e artes com a temática “Direitos Humanos”. Um concurso fotográfico foi lançado pelo Departamento de Imigrações da Espanha em parceria com o Governo Boliviano, mostrando a realidade e a ilusão dos processos migratórios. A exposição mostrou os trabalhos premiados, a maioria abordando a decisão das mulheres migrarem do campo para a cidade, ou mesmo da cidade para outros países, em busca de melhores condições para a sua família.

Exposição fotográfica em Sucre - Bolívia

Exposição fotográfica em Sucre - Bolívia


Nessa mesma onda, fomos ao Teatro 3 de Fevereiro para assistir ao média metragem de produção espanhola “Diversidad”. Ele fala sobre a cidade de Nova Iorque como principal receptora de imigrantes de todo o mundo, como essas diferentes culturas e religiões convivem. Bacana, mas eu esperava algo mais “latino”, aí ficamos para assistir a segunda sessão, filme documentário peruano “Operación El Diablo”.

Cholas descansam no mercado em Sucre - Bolívia

Cholas descansam no mercado em Sucre - Bolívia


O filme documentou toda a luta dos campesinos peruanos para salvar uma montanha, sua água e o seu estilo de vida, que estavam prestes a ser destruídos por uma mineradora americana. Um padre foi elegido como mediador entre a comunidade campesina e os órgãos governamentais que liberavam a exploração do monte. Esta luta teve vários desdobramentos e inclusive se iniciou uma perseguição, com requintes do serviço de inteligência militar e espionagem, aos chefes campesinos e a todos os que lutaram ao seu lado. Descobre-se que uma prática terrível havia sido implementada pelas empresas de segurança contratadas por estas mineradoras, que torturaram e até mataram vários dos ambientalistas.

Exposição fotográfica em Sucre - Bolívia

Exposição fotográfica em Sucre - Bolívia


Aqui conhecemos uma Bolívia melhor e mais desenvolvida. São muitos museus, casas culturais, universidades e claramente gente politizada e formadora de opinião. Além de capital constitucional, Sucre é o berço da história e da cultura boliviana.

Iluminação noturna da bela igreja de São Francisco, em Sucre - Bolívia

Iluminação noturna da bela igreja de São Francisco, em Sucre - Bolívia

Bolívia, Sucre,

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FLONA Tapajós

Brasil, Pará, Santarém, Alter do Chão

Gigante entre as gigantes, pé de Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Gigante entre as gigantes, pé de Samaúma na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


A Floresta Nacional do Tapajós é uma unidade de conservação criada em 1974 com o objetivo principal de preservar os recursos naturais encontrados nesta região, sejam eles minerais, animais ou vegetais. A FLONA Tapajós possui 554 mil hectares de Floresta Amazônica e fica localizado entre o Rio Tapajós e a BR 163, famosa Cuiabá- Santarém. Além do trabalho de preservação o ICM-Bio estimula pesquisas científicas sobre este bioma e desenvolve um trabalho de manejo sustentável da floresta junto às populações tradicionais da área de reserva.

Placa indicativa da trilha na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Placa indicativa da trilha na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


As maiorias destas comunidades localizam-se às margens do Rio Tapajós, tendo acesso por barco ou estrada. As mais procuradas para visitação são as comunidades ao norte do parque, São Domingos, Maguari e Jamaraquá, que já possuem serviço de guias locais. A reserva foi aberta à visitação já como parte do plano de desenvolvimento sustentável da comunidade, que abriu trilhas para suas principais atrações e treinou mateiros locais para a recepção dos turistas.

Portaria da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Portaria da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Nós fomos conhecer a comunidade de São Domingos. O Seu Luiz é o coordenador do projeto de visitação desta vila, porém estava em outra atividade. A partir do contato com o guarda-parque na sede do ICM-Bio, pagamos a taxa de 5 reais por pessoa e contatou o Seu Chico, nosso guia.

Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Instruções para queimadas na área da FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Seu Chico conhece muito bem a mata, participou da abertura do planejamento e abertura da trilha. Disse que levaram em torno de 10 dias para abrir a trilha que possui 14km de extensão, passa por duas áreas distintas de floresta e diversas árvores centenárias e gigantescas.

Caminhando na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Caminhando na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


A primeira hora de caminhada é pela parte baixa e de solo mais arenoso. Ali encontramos muitas seringueiras e a vegetação típica da floresta úmida, porém em tamanhos menores. Como o solo possui menos nutrientes a própria matéria orgânica gerada pela floresta é que a mantém viva. Esta região é habitada pela população ribeirinha há anos, parte desta área já é de floresta secundária mesclada com árvores plantadas para o extrativismo. As seringueiras que vimos aqui foram plantadas pelo tio de Chico há mais de 80 anos, quando era criança. Ele, seus filhos e netos sobrevivem da extração do látex das mesmas árvores, incrível!

Seringueira com cicatrizes, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Seringueira com cicatrizes, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


A partir da segunda hora de caminhada chegamos à floresta primária, solo riquíssimo e embora seja menos densa, suas árvores são imensas e frondosas. A primeira gigante que vemos é uma árvore de piquiá, madeira boa para movelaria , além de possuir um óleo bom para massagem e queimaduras.

Guarúba, uma das gigantes da floresta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Guarúba, uma das gigantes da floresta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Continuamos andando, tentando absorver o máximo de conhecimento possível que o Chico tem a nos passar. Ele nos contou sobre o inventário de madeira que está fazendo para a cooperativa de movelaria da comunidade. Foram mais de 2 mil árvores inventariadas com o acompanhamento de um técnico do ICM-Bio, para que sejam retiradas 80, sendo em torno de 5 unidades por ano. Eles definem quais podem ser retiradas, madeiras de lei como cedro e ipê, quantas de cada qualidade e em que período. Um belo trabalho.

Guariúba, enorme árvore na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Guariúba, enorme árvore na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Seguimos maravilhados pela trilha, vimos a Carapanaúba, árvore de onde se extrai o remédio da malária, Guaruba, outra das árvores gigantes, com mais de 50m de altura. Ainda assim ela não chega aos pés do Tauarí, árvore de raízes imensas e aqui encontramos 5 delas, uma ao lado da outra, e elas estão se unindo, formando uma única parede de madeira.

Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Dois pés de Tauarí fundidos, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


A trilha é circular, começa atrás da sede da portaria da FLONA e termina atrás da igreja da vila. O ponto central da trilha é a principal atração, descoberta apenas 6 meses depois que a trilha estava em uso, uma Samaúma gigante, com 50m de altura e raízes colossais. Ao lado dela fica uma cabana de palha de coco coruá, usada no período de seca para excursões que dormem uma noite no meio da floresta.

Gigantesco tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Gigantesco tronco de Samaúma, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


A partir daí, 7 km se foram e 7 km ainda estão por vir. Vimos ainda guariúbas, árvore de raízes vermelhas, cedros, apuís abraçadeiras e muitos babaçus. Demos a grande sorte de encontrar com um bando de bugios gritadores fazendo um barulho ensurdecedor. Estávamos ao lado deles, mas estavam muito no alto nas árvores, não conseguimos avistá-los. Para fechar a experiência amazônica faltavam apenas duas coisas, um temporal dentro da floresta úmida e uma cobra. O primeiro não demorou a começar, foi mais de uma hora embaixo de chuva. Para fechar uma caninana, cobra não venenosa, daquele tipo constritora, que esmaga suas presas. Ela tinha uns 3 metros e estava bem no meio da trilha, morta. Confesso que deu um alívio, mas foi bacana vê-la de pertinho.

Uma Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Uma Caninana de quase três metros, morta, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


Chegamos na igreja, a chuva tinha acabado de se dissipar. Caminhamos pela principal rua da comunidade até o carro e logo nos avisaram de um bicho preguiça que estava com seu filhote ali por perto. O Seu Luiz fez questão de nos receber na sua casa, revisar os nomes das árvores que conhecemos com Chiquinho, saber se havíamos gostado e sido bem recebidos. Nos deu um panfleto da Flona e nos vendeu o artesanato que está desenvolvendo com sementes, palhas e plantas da floresta. Além de nos mostrar o couro da sucuri de 6 m que ele encontrou por ali.

Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Couro de sucuri de cinco metros, na casa do Seu Luiz, na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA


É a Floresta Amazônica às margens do Rio Tapajós. Não encontramos apenas as espécies nativas, como pudemos conhecer de perto a cultura desta comunidade, quase tão nativa quanto a floresta.

Couro de sucuri na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Couro de sucuri na FLONA, comunidade de São Domingo, região de Alter do Chão - PA

Brasil, Pará, Santarém, Alter do Chão, FLONA, Floresta Nacional, Rio Amazonas, Rio Tapajós, Tapajós

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Capital Arqueológica

Chile, San Pedro de Atacama

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile


As civilizações pré-colombianas também fazem parte da história do Deserto do Atacama. Não por acaso São Pedro também é conhecida como a capital arqueológica do Chile. Nas suas proximidades existem diversos sítios arqueológicos, como a Pukará de Quitor, as pinturas rupestres de Rio Grande e as ruínas da Aldeia de Tulor.

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile


A apenas 10km da cidade de São Pedro, a Aldeia de Tulor tem uma idade estimada de 3 mil anos e chegou a abrigar 200 pessoas. A pequena vila ficava às margens do rio São Pedro, que com o passar dos anos mudou o seu curso e hoje corre, quase imperceptível, mais próximo da cidade de São Pedro do Atacama.

Antigos vulcões vistos do deserto do Atacama - Chile

Antigos vulcões vistos do deserto do Atacama - Chile


A principal atividade deste povo era a criação de llamas, a agricultura e o artesanato. O formato da aldeia é um tanto quanto curioso. Casas de planta arredondada e telhados abobadados feitas de argila, pilares de madeira e telhados de palha. As casas são germinadas, unidas por pequenos corredores, o que nos dá uma impressão de colméia, quando olhamos de cima.

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Reconstrução de moradia Tulor, no deserto do Atacama - Chile


A vila foi coberta pela areia e suas ruínas foram encontradas pelo Padre Le Paige, jesuíta responsável pela paróquia de São Pedro nos idos de 1955. Aqui ele realizou um profundo estudo arqueológico e com o apoio da Universidad Católica del Norte, hoje é mantido um museu que tem seu nome como homenagem. Nas escavações foram encontradas cerâmicas, tecidos, roupas e metais preciosos que mostram a evolução do povo atacameño e como as culturas Tiawanaku, Inca e espanhola influenciaram a sua cultura.

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile

Ruínas Tulor, no deserto do Atacama - Chile


O único porém é que fomos até lá pensando que encontraríamos um sítio maior e mais completo. As imagens que vimos eram muito curiosas, mas ao final a visita pode ser um pouco frustrante, pois faltam informações e a entrada acaba ficando cara (5 mil pesos = 10 dólares) pelo que entrega.

Chile, San Pedro de Atacama,

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Entre presidenciáveis e tubarões

Brasil, São Paulo, São Sebastião

Hoje acordei curiosamente animada. Dormi pouco e mal, mas tive um sonho impressionante! Estes sonhos, que mais parecem filmes, acontecem com alguma frequência e o Rodrigo é o único que os escuta, logo cedo, se divertindo com a minha criatividade noturna. Já venho pensando em postá-los no blog, afinal, fazem parte das minhas viagens nestes 1000dias. Já digo antecipadamente que se alguém um dia se interessar em produzir um curta ou longa metragem, poderemos fazer uma ótima parceria, mas vou querer os direitos autorais! Rsrsrs.

Esta noite o sonho começou com um casamento super alternativo. A parte do casamento ficou meio confusa e logo foi seguido por um episódio surreal em que eu conversava com tubarões-baleia, tentando entender porque um deles havia encalhado em uma praia. Enquanto eu batia papo com o tubarão-baleia o Ro estava se divertindo preso nas patas de um caranguejo gigante. Eis que um filhote de tubarão-baleira aparece na praia, perdido, coitado, mas não demorou muito para uma onda de uns 20m de altura feita pela furiosa mãe tubarão-baleia acabar com a nossa brincadeira.

Eu já ia embora quando de repente uma pedra mega repelente começou a fazer um imenso buraco no fundo do mar e formou um redemoinho de água. A água estava sendo sugada pela terra, como num ralo de pia e não tínhamos o que fazer. Tudo culpa dos japoneses que criaram esta pedra em uma experiência nuclear, sem saber as conseqüências. Preocupada eu corri até a cidade para avisar as pessoas do desastre natural que iria acontecer, aí encontrei Dilma Roussef iniciando uma caminhada pela cidade. Ela estava com uma criança no colo e uma assessora ao seu lado. Comecei a conversar com ela, perguntando sobre seus planos de governo, etc. Queria entender se ela realmente achava que algum dos canditatos iria fazer algo diferente pelo país, afinal todos devem ter o mesmo objetivo ao governar o país. Foi aí que falei: “eu não estava lá vivenciando a situação, pode até ser que na época isso fizesse algum sentido, mas todos sabem do seu radicalismo, a ponto de ter empunhado armas para defender seus ideais durante a ditadura militar. Como podemos ter certeza de que você não terá este mesmo radicalismo no governo do Brasil? Agora você demonstra outra postura, será apenas uma máscara ou você conseguirá manter este seu discurso e diplomacia durante o governo? Ela logo se defendeu, dizendo que o Serra posa de santinho, mas que também tem um histórico que o condena. Ela ainda completou: “sim, precisei vestir esta máscara para governar o Brasil, pois é assim que as coisas funcionam hoje.” Ela foi muito atenciosa e sincera na conversa comigo, fiquei até bem impressionada! Porém ficou claro que ela irá usar do seu pulso firme para fazer o quiser e bem entender. Logo depois tive que sair, o Serra me viu falando com a Dilma e não gostou nada, uma vez que eu estava trabalhando no comitê dele. O segui e fomos conversando sobre agenda e logo ele parou para conversar sobre educação com jovens darks. Minutos depois ele já estava em sua sala conversando com o seu consultor e assessor para o assunto educação. Eu a esta altura já estava procurando a Marina para conversar, afinal era uma ótima oportunidade para ter informação e contato com os nossos presidenciáveis.

De repente, vejo a luz entrar pela janela e o despertador toca. Eu não queria acordar! Queria continuar sonhando, ainda não terminei de falar com a Marina e preciso destruir a pedra repelente! O mais maluco é que neste momento, antes de acordar, eu realizei que era tudo um sonho e que o mais importante seria lembrá-lo para depois contar a vocês.

Brasil, São Paulo, São Sebastião, sonho

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BR-319 - Igapó-Açú ao KM 500

Brasil, Amazonas, Igapó-Açu, Humaitá

Brincando com borboletas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Brincando com borboletas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


2º Dia – Igapó-Açú ao KM 500 – 250 km
Madrugamos na Pousada da Dona Mocinha. Os motociclistas Saré, Manga, Verô e Augusto já estavam devidamente equipados para subir em suas motos e atravessar a balsa rumo a Manaus no seu último dia de viagem. Tomamos um café da manhã gostoso à beira do Igapó-Açú com os olhos grudados no rio, os botos costumam aparecer pela manhã, mas ainda estava muito cedo para eles.

Despedida dos motociclistas aventureiros no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia

Despedida dos motociclistas aventureiros no Igapó-Açu, na BR-319, rodovia que liga Manaus, no Amazonas, à Porto Velho, em Rondônia


Um dia longo estava pela frente, nosso plano? Temos que dirigir 250 km por um dos piores trechos de estrada, do Km 250 ao Km 500. No caminho nossa única certeza eram as torres da Embratel a cada 30 km, muita mata e uma longa jornada pela frente.

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita


O que até aqui havia sido uma estrada de terra, com trechos de asfalto erosionado pela água e pelo tempo, agora se tornava uma picada. A BR-319 se estreitou e a mata passou a arranhar aflitivamente o metal da carroceria da Fiona. Por alguns quilômetros ela se tornou mais e mais estreita, dando a impressão que a qualquer momento já não teríamos por onde passar.

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita

Aos poucos, a BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho, vai ficando mais e mais estreita


Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Nos acompanhavam do alto bandos de pássaros livres e com uma pista de vôo imensa pela frente. Não deviam entender a nossa cara de “onde estamos nos metendo?”, pois além de conhecerem toda aquela região como a palma da mão, eles tinham também uma bela vista aérea da nossa situação. Nos embrenhamos em meio à Floresta Amazônica, araras azuis, tucanos, borboletas e torres da Embratel nos mostravam de tempos em tempos que estávamos no caminho certo.

Um lindo casal de araras coloridas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Um lindo casal de araras coloridas na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Enorme revoada de pássaros na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Enorme revoada de pássaros na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


De repente a estrada se alarga novamente e a cena repetitiva de árvores e torres, fios e buracos, pedaços quebrados de asfalto sumindo e reaparecendo, se tornava uma sinfonia monótona para os nossos olhos. A cada rio a esperança de que a pontes de madeira estivesse lá, inteiras e firmes para nos abrir passagem. Impossível não imaginar os rios altos levando as pontes embora e isolando essas comunidades. Seja para o barco ou seja para o carro, o litro do diesel chega a custar 20 reais durante o período de cheia nessa região! Ultrajante! Assim é claro que o povo vai precisar sobreviver com o que pode encontrar aqui na floresta, madeira e caça, acima da linha d´água.

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Atravessando uma das centenas de pontes da BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Voltamos à estrada e já quase 200 quilômetros depois começamos a perceber que algo mudava na paisagem. A floresta dá lugar a pastos, tocos queimados de árvores e os limites da fronteira agrícola-pecuária do oeste do estado do Amazonas começavam a dar as caras. Finalmente passamos a “Fazenda dos Catarino”, um ponto de referência que tínhamos. Polacos andando em tratores, homens, civilização! É a área mais devastada que cruzamos até agora... Amazonia, essa paisagem não lhe pertence...

A cada trinta e poucos quilômetros, uma torre da Embratel dá o sinal de civilização na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

A cada trinta e poucos quilômetros, uma torre da Embratel dá o sinal de civilização na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Cada vez mais gado na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Cada vez mais gado na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Os últimos 50 quilômetros foram infindáveis. Cansados e quase sem luz decidimos parar na torre da Embratel do KM 500. O portão grande estava fechado a cadeado, mas nós pudemos passar por uma abertura no aramado que a cercava, enquanto a Fiona teve que dormir do lado de fora.

Preparando acampamento em torre da Embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Preparando acampamento em torre da Embratel na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Fizemos o nosso jantar com o restinho da luz, armamos a rede do Rodrigo na varanda da casinha e eu decidi dormir no chão, pois desde que saímos do barco vindos de Tefé estou com a minha rinite atacada. Sem dúvida a rinite começou por que passei 3 dias na rede nova e empregnada de pó. Enfim, coloquei meu colchonete no chão, entrei no meu saco de dormir fininho e munida de lanternas passei a noite sem dormir e respirar direito em plena floresta amazônica. Uma coisa aprendi, NUNCA durma no chão na Amazônia, os índios não o fazem, os ribeirinhos tampouco, sabedoria empírica de quem convive e sabe muito bem que em terra de aranhas, besouros, formigas carnívoras e cobras peçonhentas o chão é o último lugar para deitar tranquilo. Eu nem havia pensado nisso, mas meu subconsciente sim! Acordei a cada 10 minutos preocupada com as aranhas e cobras que eu via nos meus sonhos subindo ou se aproximando de mim.

Minha rede já está estendida na casinha da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Minha rede já está estendida na casinha da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho


Dias depois ainda descobri que exatamente nesta área foram registradas avistagens e um ataque de onça nos últimos meses! Por isso o KM 500 da BR-319 é conhecido carinhosamente pelos locais como “Toca da Onça”. É minha gente, ainda bem que essa não era a minha vez!

Céu completamente strelado na nossa noite na torre da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Céu completamente strelado na nossa noite na torre da Embratel, na BR-319, a rodovia que liga Manaus à Porto Velho

Brasil, Amazonas, Igapó-Açu, Humaitá, BR 319, Catarino, Estrada, Km 500, off road, Pior estrada do Brasil, Toca da Onça

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