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Praia Areia Preta, em Iriri - ES
Um dia de trânsito pela BR 101 entre Búzios e Iriri, trânsito mais lento do que imaginávamos. Pouco menos de 360km e 5 horas nos separavam do nosso sétimo estado brasileiro. Aos poucos vamos ficando mais distantes de casa e nos sentindo cada vez mais livres. Este nosso período na região sudeste foi e ainda está sendo ótimo, mas é também um pouco angustiante. Quando planejamos a viagem de 1000dias por toda América, pensamos em cada passo, cada país, cada cultura e criamos a expectativa de estarmos à frente sempre, mais longe, mais distantes, mais embrenhados nas veias do continente americano.
Placa receptiva na fronteira do Espírito Santo
Chegando a Iriri já começamos a sentir o calor do nordeste. Nos instalamos na Pousada Recanto da Pedra, na praia da Costa Azul e almoçamos à beira mar. Mesmo com o tempo um pouco nublado o mormaço nos animou a dar uma bela caminhada pela praia da Areia Preta, Costa Azul e a Praia dos Namorados, todas muito próximas umas às outras, com areias avermelhadas e águas tranqüilas.
A pequena praia Costa Azul, em Iriri - ES
Trabalhamos no site e na nossa programação da semana. Entramos novamente em contato com a operadora de mergulho em Guarapari, ansiosos para saber se conseguiremos mergulhar amanhã. O mar estava muito agitado e a visibilidade esta semana estava horrorosa, mas o vento está começando a diminuir e a água está começando a limpar, amanhã vamos mergulhar!
Falando no telefone na praia Areia Preta, em Iriri - ES
Um final de tarde super gostoso na Praia da Costa Azul, uma corridinha na praia e um banho de mar já no escuro nos lembram como é bom nos sentirmos livres. Estamos nos aproximando do final desta etapa, finalizando a região sudeste e em algumas semanas iniciaremos uma das regiões mais belas do Brasil, o nordeste! Antes disso ainda temos Dunas de Itaúnas e o aniversário de um certo companheiro de viagem.
Cruzando um rio Tietê já bem mais limpo, no interior de São Paulo, próximo à Jaú
Chegar a uma nova cidade e reencontrar a família é sempre muito bom. Pena que invariavelmente isso está acompanhado de uma despedida. Tomamos café da manhã juntos, curtimos um pouco o solzinho da manhã enquanto nos atualizávamos sobre o Campeonato de Tênis que João e Antônio iam jogar hoje a tarde em Araraquara.
Com o Gêra e o Antônio em São Carlos - SP
A minha família é de lá, fiquei com uma vontade imensa de ir assisti-los, prolongar o tempo com eles e aproveitar para ver os lugares da minha infância. A praça, a sorveteria Kawakami, a rua onde minha vó morava, quem sabe até visitar uma tia-avó, tia Luiza, que não vejo há tantos anos. O Rodrigo, no entanto, estava irredutível. Não quis nem pensar no assunto, temos que seguir viagem.
Exibir mapa ampliado
Fui embora meio emburrada, mas pegamos a estrada em direção ao Paraná. Nosso destino era Tibagi. Uma cidadezinha histórica às margens do rio do mesmo nome. A região possui alguns minérios e a sesmaria se formou em torno da extração de madeira, ouro e diamantes. A cidade é pequena e é utilizada como base para a exploração do Cânion Guartelá, o sexto maior cânion do mundo em extensão.
Com os sobrinhos João Pedro e Antônio, em São Carlos - SP
Saímos as 13h, passando por Jaú, Bauru, Ourinhos até cruzarmos a fronteira do meu querido Paraná. Chegamos em torno das 19h e tivemos a surpresa de encontrar a Pousada Formigas lotada e cobrando 350 reais no último quarto sem ar quente! Surreal... Sorte que o Hotel Itagy tinha vagas e preços mais palatáveis. Um frio de 8°C e sensação térmica ainda menor nos impediu de explorar mais a cidade durante a noite. Comemoramos o dia dos namorados no restaurante do hotel mesmo, com direito a um delicioso vinho para aquecer a noite. Amanhã vamos explorar o cânion e descobrir as belezas paranaenses.
A praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Puerto Escondido está localizado na costa do Pacífico, no estado mexicano de Oaxaca. Chegamos no início da tarde e nos hospedamos na Playa Zicatela, onde está a maior parte do agito, hotéis e restaurantes. Encontramos muitos italianos morando por aqui, abrindo seus negócios, como em todo este trecho da costa mexicana.
Cactus no mirante da praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Seu nome origina de uma antiga história de piratas. Andrés Drake, irmão do famoso pirata Francis Drake, aportou nesta baía deserta para um período de descanso longe das autoridades. Sem mais nada de interessante para fazer na vida e se aproveitando do seu status de pirata, algumas semanas antes, ele e sua tripulação raptaram uma índia mixteca de uma vila próxima.
Almoço de peixe e camarão em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Foi ali, nesta baía deserta, que a índia conseguiu escapar do navio e nadar até a costa, escondendo-se na densa floresta ao longo da praia. Os piratas a procuraram diversas vezes, porém nunca puderam encontrá-la, passando a chamar o local de “Baía de La Escondida”. Com o passar dos anos o nome foi mudando, passando por Puerto La Escondida e finalmente Puerto Escondido.
A famosa "mão na rocha", na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Durante muito tempo a baía foi inabitada, por dificuldades como água potável, etc. Uma vila começou a se desenvolver formalmente apenas nos anos 30 do século passado e nos anos 70 possuía apenas 400 habitantes. Hoje a cidade já possui em torno de 20 mil habitantes e se tornou o principal destino turístico na costa de Oaxaca.
Fim de tarde bem gostoso na praia de Zicatela, em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Calçadão, estacionamentos e palmeiras ao longo da avenida principal mostram que o desenvolvimento chegou para ficar. Restaurantes imensos na beira da praia oferecem cadeiras e guarda-sóis e alguns bares noturnos que garantem uma boa salsa. O centro da cidade fica há uns 20 ou 30 minutos de caminhada, ocupando o morro que está no canto direito da praia. A praia do centro é exatamente o pequeno porto natural que era utilizado pelos piratas, dividido por uma bela formação rochosa da praia de Zicatela.
A concorrida praia central de Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Na nossa corrida habitual, infelizmente não tivemos muito tempo para explorar seus arredores. Caminhamos ao longo da praia até o mirante entre a Zicatela e a Praia do Centro e aproveitamos para dar um clássico tchibum de final de tarde. Uma amiga de uma amiga de uma amiga que já morou aqui e conheci pelo facebook (só podia ser coisa de internet!) já tinha nos dado a dica: o pôr-do-sol de Puerto é maravilhoso, não percam! Quem nos acompanha aqui sempre sabe, este é um dos espetáculos naturais mais bacanas e já vimos muuuuitos pores-do-sol, mas este é realmente magnífico! Pudemos ver até a última unha de sol baixar direto na água, em um vermelho intenso radiante e sem uma nuvem no horizonte para atrapalhar. Valeu a dica Chiara!
Visitando Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Outra dica da Chiara foi o almoço na Cantina Vasco, com um saudável prato de dourado “a la plancha” com esses pequenos camarões aí, óh. Um deleite!
Almoço de peixe e camarão em Puerto Escondido, na costa de Oaxaca, no litoral Pacífico do México
Fechamos a noite com uma boa salsa com o pé na areia e várias caipirinhas a “la mexicana”, com rum no lugar da cachaça. Não é aquela Brastemp, mas já ajuda a matar um pouco as saudades de casa.
Eu sempre achei sensacional essa história de fontes termais. Lembro quando a Juliane, minha irmã, viajou para o Chile e em uma noite estrelada tomou banho em águas termais no alto da cordilheira. Eu imaginava aquela montanha, rios de água quente e piscinas naturais de pedra. Foi uma noite mágica para ela que ficou muito clara em minha memória, quase como se eu tivesse participado. No entanto o mais próximo que eu havia chegado disso foram os banhos termais em Pamukale, na Turquia. Um córrego quente e com muito cálcio, super disputado durante o dia, fechado a noite. Pois é, nem tão mágico assim.
Piscina movimentada do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Hoje cedo no café da manhã do nosso hotel tivemos uma bela surpresa, encontramos o Besouro e família, sua esposa Sandreli, Caíque e o pequeno Luca. O Besouro é colega do Rodrigo dos tempos de Unicamp e está aqui a caminho do casamento que temos em Goiânia amanhã. Não por acaso, todos nós temos hoje a mesma programação: passar o dia no Hot Park dentro do Mega Resort Pousada do Rio Quente.
Com a Sandreli (esposa do Besouro), o Caique e o Lucca, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Eu já sabia que não iria encontrar o mesmo cenário chileno dos sonhos. Nas fotos víamos as piscinas, rios, tobogãs, praia artificial com ondas, etc. Mas em algum lugar ali existe a nascente, um rio mais natural que achei que poderíamos conhecer. Que nada! As nascentes ficam fechadas apenas para hóspedes e o rio já foi totalmente domesticado. O resort estava lotado, filas e mais filas para cada atração, professor de axé na beira da piscina, praia lotada, foi impossível encontrar um lugar que tivesse silêncio e um pouco de tranqüilidade. Talvez fora da alta temporada seja um pouco melhor, mas nas férias escolares no inverno?
Concorrida aula de hidroginástica na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Doce ilusão. É nesta época que os pacotões turísticos do tipo CVC fazem mais sucesso. Para nós foi um choque, sair de São João Batista e cair naquela muvuca, ver o povo enlouquecido, música alta, tudo dominado! Nós não tivemos opção a não ser entrar no clima, encontrar uma cadeira na praia e até dar uma dançadinha ao som da dupla sertaneja que estava “animando” a tarde. Ainda bem que insistimos até o final para vermos aquele lugar mais vazio, fica bem mais aprazível, não acham?
Fim de tarde, aproveitando a piscina vazia do Hot Park, na Pousada do Rio Quente, perto de Caldas Novas em Goiás
Estes 1000dias são realmente uma caixinha de surpresas! Vamos dos programas mais roots, natureza e tal, até a Pousada do Rio Quente, afinal, tudo isso faz parte da América que queremos tanto explorar.
El Tunco, litoral de El Salvador
O melhor brownie do mundo! Um presente de natal um tanto quanto estranho, mas foi assim que resolvi chamá-lo, afinal não é sempre que me permito um bolo de chocolate no meu café da manhã. A propósito, eu AMO bolo de chocolate e brownies são os mais fáceis de encontrarmos por aí, mas nenhum durante estes quase 600 dias foi tão maravilhoso quanto este!
Praia de El Tunco, litoral de El Salvador
Acordamos com o calor, havia acabado a luz do povoado. Sem ar e sem ventilador, nos restou levantar todos suados e dar um tchibum na piscina. O Rodrigo voltou direto para a cama, meio ressacado da noite de ontem. Eu tomei um solzinho na piscina, fui até a praia, tirei umas fotos e voltei ao quarto, junto com a luz e o ar condicionado. Aproveitei o tempo para colocar as coisas em dia e fazer companhia ao maridão capotado.
Nosso hotel La Guitarra, em El Tunco, litoral de El Salvador
A praia aqui não é muito user friendly, o mar é muito forte e as milhares de pedras roladas na beira vão e voltam com a maré, dificultando caminhadas pela praia e até mesmo um mergulho no mar. A areia negra é uma beleza diferente, mas fica muito quente com o sol e além das pedras, muitos galhos e troncos deixam a estreita faixa de areia menos convidativa para deitar e curtir a praia. Assim, a maioria das pessoas se instala em um dos bares de frente para o mar, arriscando algumas entradas bem no rasinho, de preferência pela manhã, quando a maré está baixa.
Domingão, praia cheia em El Tunco, litoral de El Salvador
As rochas imensas formam uma paisagem lindíssima, o rio ao lado tem um cheiro de mangue não muito agradável e a piscina da pousada acaba mais uma vez parecendo a opção mais aconchegante para nos refrescarmos nesse dia de natal. Fizemos um brunch super saudável de no café ao lado, granola, iogurte, pão integral e frutas. Hummm!
Almoço saldável de Natal, em El Tunco, litoral de El Salvador
Eu estava sempre imaginando que naquele mesmo momento todos os meus tios e primos estavam reunidos na casa da Tia Made. Todos os natais, no dia 25, reunimos as três gerações da família que não pára de crescer. São 11 primos na família Costa, 9 na Sech, 3 na Petchel, mais nós 3 da B. Silveira, quase todos casados e com pelo menos 2 filhos, façam as contas! É uma delícia, aquela primaiada toda reunida, em uma das únicas datas que quase todos comparecem. Aí vai uma foto da reunião deste ano, e olhe que estava faltando bastante gente!
Reunião natalina da pequena família da Ana, em Curitiba, no Paraná
Enquanto meu pai, minha irmã mais nova Dani, marido e filha nos representavam lá, minha irmã do meio, Juliane e minha mãe estavam em St. Albans, perto de Londres, comemorando com a família do seu namorado. Infelizmente não conseguimos falar com ninguém pelo skype, cada um seguia nas suas festas, funções e fusos-horários, mas sem dúvida estavam todos conectados em espírito.
À noite jantamos uma pizza gostosa, batemos um papo com o Stephen, sueco divertidíssimo que conhecemos ontem na ceia de natal e fomos para o show de Latin Jazz maravilhoso no bar do La Guitarra. Jazz de altíssima qualidade, de frente para a praia, à luz das estrelas e com uma bela taça de vinho na mão. Hohoho, Feliz Natal!
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
San Antonio é uma cidade de origem espanhola que foi fundada em 1691 por um grupo de exploradores. Eles vinham reforçar a presença da Coroa Espanhola no Texas perante a vizinha francesa Louisiana. Viviam ali os indígenas Payaya, que logo entraram no esquema da época, sendo catequizados pelos padres franciscanos, que às margens do rio fundaram uma missão e a nomearam San Antonio em homenagem ao santo do dia. San Antonio cresceu e se tornou o maior povoado da capital espanhola e mais tarde do território mexicano, a Província de Tejas.
Praça central de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Álamo, antiga Missão San Antonio - no início do século XIX a missão foi transformada em um forte militar e passou a chamar-se Álamo, tornando-se uma prisão durante a Guerra de Independência Mexicana e mais tarde abrigou o primeiro hospital da cidade.
Chegando ao Alamo, em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mais tarde, já em meados do século XIX, que os ânimos se aqueceram e o Texas se proclamou independente do México. O General Santa Ana liderando um exército mexicano invadiu o Texas e sob fogo pesado, derrotou os texanos que se reuniam no forte do Álamo. Esta batalha é relembrada até os dias de hoje, pois os bravos soldados texanos lutaram até a morte, sem desistir de seu ideal, mais tarde logrado, independência do território mexicano.
O Alamo, local da mais famosa batalha para a independênica do Texas, em San Antonio, no sul do estado, nos Estados Unidos
Hoje o Álamo foi restaurado e se tornou um museu que conta em detalhes da sua história e batalhas que ocorreram ali, relembrando a vida e a história daqueles que viveram por se protegerem dentro de seus muros, e daqueles que morreram defendendo o ideal americano.
O pátio interno do Alamo, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A poucas quadras dali encontramos o San Antonio Riverwalk, um passeio de pedestres construído ao longo de 4 quilômetros do Rio San Antonio no centro histórico da cidade. O rio era um problema para a cidade, que já havia passado por diversas enchentes relâmpagos e inclusive perdido 50 vidas em uma catástrofe em setembro de 1921. Depois disso vários planos para controle de enchentes e canalização do rio aconteceram, mas não sem o protesto dos conservacionistas da época que salvaram o rio de ser canalizado, sepultado e apartado da vida da comunidade.
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Foi apenas em 1938 que um projeto audacioso surgiu, o projeto de embelezamento do Rio San Antonio, que além de sistemas para o controle de enchentes propunha o Passeio del Rio um nível abaixo do nível da rua. Foram anos para que os planos passassem a ações e só em 1946 o projeto arquitetônico e comercial começaria a ganhar força e o apoio da população. Neste ano foi aberto o primeiro dos restaurantes do passeio, o Casa Rio, seguido mais tarde pelo hotel Hilton e em 1981 pelo Hyatt.
Turistas passeiam de barco pelo River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O charmoso passeio interliga o Álamo ao Rivercenter Mall e continua em forma de “U”, seguindo uma grande curva do rio, passando pela La Villita, centro de artesanatos e arte e outras atrações da cidade e uma infinidade de restaurantes. Tudo é comemorado nos bares e nas calçadas do Riverwalk: aniversários, nascimentos, casamentos (encontramos os noivos apavorando no pub irlandês!) e até os 4 NBA´s que ganharam o San Antonio Spurs, time de basquete da cidade que desfilou em um barco no rio depois das suas vitórias.
Distrito histórico de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Se você quer ver movimento e o passeio ainda mais vivo e decorado, dois grandes momentos festivos para visitá-lo são durante a Fiesta de San Antonio, na primavera, com barcos floridos flutuantes e durante o mês de dezembro, quando a decoração de luzes de natal o torna ainda mais especial.
Teatro ao ar livre na River Walk, arquibancada de um lado e o palco do outro lado do rio (em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos)
A cidade ainda conta com uma mão cheia de atrativos, mas o maior deles é justamente se deixar embalar pela graça e pela alegria e vivacidade das ruas de San Antonio e fluir o dia ao lado das águas do Rio San Antonio. Passamos um dia inteiro e duas noites na cidade e seguimos rumo ao sul, seguindo pela rota das missões de San Antonio. Decidimos parar em ao menos uma delas, a Missão San José.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Dentro de um parque histórico nacional, a Missão San José é conhecida como “A Rainha das Missões”, por ser a maior delas já quase totalmente restaurada. A missão foi construída em 1720 por padres franciscanos que vieram a catequizar os indígenas Coahuiltecanos. A missão funcionava como uma vila, que reunia a comunidade indígena ao redor dos ensinamentos dos hábitos, línguas, costumes e crenças dos seus novos colonizadores.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Segundo historiadores os indígenas buscavam a missão como um lugar de refúgio, paz e abundância, pois aqui aprendiam novos ofícios como ferreiros, sapateiros e artesãos, cultivavam os alimentos e aprendiam a relacionar os seus deuses aos novos ensinamentos católicos. Muito deste sincretismo pode ser visto na fachada da igreja, esculpida e trabalhada por artistas indígenas que incluíram elementos do seu dia a dia ao lado dos santos católicos. Estima-se que aqui viveram ao menos 350 indígenas, que passaram a ser donos das terras em 1794. A atividade missionária se acabou oficialmente no ano de 1824 e, abandonada, o espaço se tornou casa para soldados, mendigos e bandidos. Apenas em 1930 e missão foi restaurada e se tornou parte do San Antonio Missions National Historical Park.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A visita guiada pela park ranger é bem interessante e dura em torno de 45 minutos, dando detalhes de como seria a vida na missão, sua construção e história. Uma curiosidade, dizem que foi nos moinhos desta missão que teriam nascido as primeiras tortilhas de farinhas da história, unindo o recém-chegado trigo à antiga receita da massa de milho utilizada pelos indígenas.
A "janela do Rosario", na Mission san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Guia leva grupo para conhecer a Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
As missões foram mesmo uma arma poderosa utilizada pelos espanhóis na colonização e no aculturamento dos povos indígenas latino-americanos, desde a argentina, passando pelo Brasil, Paraguai e chegando até aqui, nos Estados Unidos! O lugar é lindo e transmite uma grande paz e serenidade, um dos passeios obrigatórios aqui em San Antonio!
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Outra dica, se você está vindo de Austin para San Antonio, reserve um tempinho para uma parada nos Outlets de San Marcos que estão no caminho. São dois outlets um em frente ao outro, um mais baratex com marcas básicas e outro Premium Outlet só com marcas bacanas. Nos dois você encontra bons preços e uma paradinha por lá não vai fazer mal a ninguém. Rs!
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Nós passamos pela Levis para refazer o estoque de calça jeans antes de sairmos do país, afinal depois de 3 anos elas já estavam bem batidas e carcomidas.
Cartaz explicativo na loja da Levi's, em Outlet da região de Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Nossa próxima parada foi a cidade de Laredo, já na fronteira com o México. Chegamos ao fim da nossa rota pelos Estados Unidos, com um aprendizado incrível sobre a sua história, suas belezas naturais e principalmente toda a sua geografia! Foram 9 meses percorrendo a América do Norte, quase 7 deles só nos Estados Unidos, totalmente fora do que havia sido planejado. Eu sempre fui crítica e inclusive tinha certo preconceito em relação aos turistas que se dedicam única e exclusivamente a conhecer os Estados Unidos, principalmente aos que não saem do eixo Miami-Orlando-Nova Iorque de compras e parques da Disney.
River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Hoje tenho uma visão melhor do país e vejo que o potencial turístico dos Estados Unidos é totalmente desperdiçado pela maioria dos brasileiros, que seguem repetindo suas viagens pelas grandes cidades e deixam de conhecer o que o país tem de mais rico e interessante, seus parques nacionais, paisagens únicas e melhor, tudo com muita infraestrutura e informação, fácil para todos os tipos de viajantes, até aos menos aventureiros. Hoje, depois de passar por 41 dos 50 estados americanos, digo com a boca cheia que conheço os Estados Unidos e de peito aberto, que me tornei fã desta terra, seus desertos e montanhas, florestas e cidades. Espero que a nossa viagem e os nossos posts os encoraje a viajar mais e conhecer melhor este imenso e diverso país.Valeu Tio Sam, I´ll be back!
Lagoas começam a aparecer entre as dunas nos Lençóis Maranhenses - MA
Vocês têm que comer o camarão da Luzia! Esta foi uma das frases mais ouvidas quando falamos que iríamos ficar em Atins, nos Lençóis Maranhenses. Este restaurante fica no Canto de Atins, há uns 8 km da vila onde estávamos hospedados.
Bela paisagem vista do alto da duna em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Ontem mesmo conhecemos um casal que havia acabado de chegar direto de São Paulo, Eduardo e Mel, além de super parceiros, uma ótima para tentarmos barganhar os preços dos passeios, que chegam a ser proibitivos. 50 reais por pessoa em uma Toyota para andar 25km é demais! Por isso decidimos sair andando para a Luzia e depois tentar encontrar alguma alternativa mais barata para conhecer a outra grande atração da região, a Lagoa Verde.
Com o Edu e a Mel, em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Eduardo e Mel se conheceram há 3 anos na Praia do Espelho, ela morou sozinha desde os 11 anos quando trabalhava como modelo. Depois passou por uma fase hippie, morando em comunidades alternativas e hoje estuda design em São Paulo. Uma experiência de vida e tanto para uma garota de apenas 23 anos! Eduardo é um empresário paulista super empreendedor na área de turismo. Tudo o que você perguntar ele já teve ou fez! É daqueles idealistas corajosos e apaixonados pelo seu trabalho. Eles tiraram alguns dias para conhecer os Lençóis, vindos da loucura de São Paulo e aterrissando aqui nesta calmaria de Atins, loucos para fazer um intensivão de natureza aqui nesse lugar maravilhoso.
Cruzando a Ponta do Mangue em direção ao Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Intensivão é com a gente mesmo! Logo toparam se unir à nossa caminhada e se entregar aos quilômetros de praias, lagoas, pântanos e dunas. Foi uma sintonia muito bacana! Exploramos, conhecemos e viramos aquele Atins do avesso até avistar ao longe a cabana da Luzia, nosso objetivo do dia. Falamos de tudo, mercado, negócios, turismo, roteiros, viagens, espiritualidade e tudo mais o que possam imaginar.
Caminhando sobre as dunas em direção ao Restaurante da Luzia, no Canto do Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Depois dos 8km de caminhada, chegar ao restaurante da Luzia é quase como chegar a um oásis. Água de coco tirada do pé, redes à disposição e o principal, a Luzia, querida e atenciosa nos recebendo de braços abertos. Enquanto Luzia preparava os nossos pratos, sugeriu que fôssemos conhecer o Poço das Pedras, a 50 minutos de caminhada dali. Estávamos muito curiosos, pois todos nos avisaram, “vocês vão comer o melhor camarão de suas vidas!” Mesmo não sendo dos nossos pratos preferidos, não tivemos dúvida e já pedimos um tira-gosto para agüentar a caminhada. Camarão grelhado, também conhecido como churrasco de camarão. CARACA, o prato é SENSACIONAL! A casca do camarão descola da carne com muita facilidade, o ponto da grelha é o segredo, deixando o camarão defumado, com aquele gostinho de churrasco. O tempero é divino, mas a Luzia não revela para ninguém nem sob tortura.
Lagoas começam a aparecer entre as dunas nos Lençóis Maranhenses - MA
Caminhamos com o Cláudio, nosso guia local que nos levou ao Poço das Pedras. Uma caminhada tranquila pelas dunas e atravessando uma área verde e a comunidade de Ponta do Mangue, às margens de um pequeno rio perene. Aos poucos vamos chegando a um lugar de areias brancas e bem fininhas, onde a água da chuva forma lagoas de águas cristalinas e um pequeno poço azul. O Poço das Pedras deve ter uns 6 m de diâmetro e 1,5m de profundidade, não mais que isso, mas é totalmente convidativo depois do calor da caminhada. A lagoa ao lado está com uns 30 cm de água, mas ficará ainda mais cheia depois do período chuvoso.
Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Voltamos à Luzia, já cheios de más intenções. O Zé nos recebeu um a cerveja geladinha e Luzia com os pratos escolhidos: Peixe ao Molho de Camarão, Camarão ao Molho e Strogonoff de Camarão, além dos acompanhamentos e o fabuloso pirão! Pense em um pirão gostoso. É este! Eu não gosto de pirão Luzia! Mas o seu eu comi de me lambuzar! É simplesmente sensacional!
O famoso Restaurante da Luzia, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Eu tinha uma missão além de comer este camarão, era a de ter a cara de pau de perguntar à Luzia sobre “os homens da sua vida”, tópico indicado pelo Haroldo que garantiu diversão na certa! Nem precisei chegar às vias de fato, Luzia, além de ótima cozinheira, é uma mulher de personalidade forte e uma história de vida que daria um filme de Walter Sales para competir com Central do Brasil. Hoje, com 41 anos, trabalho é a prioridade número um da sua vida, depois vêm as suas filhas, mãe, marido e lá por último o sexo. Totalmente compreensível, tendo em vista sua história. Ela fala o que pensa, está a frente do seu negócio em cada detalhe. As conchinhas da parede foram colocadas uma a uma por ela, além dos artesanatos de palha, conchas e búzios maravilhosos que produz.
Refrescando-se no delicioso Poço das Pedras, região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Há 11 anos atrás estava andando pelo Canto do Atins quando viu um casal de franceses perdido, sem uma base para atendê-los, e foi aí que teve a brilhante ideia de criar um posto de passagem para os aventureiros dos Lençóis. Restaurante, bar e até pouso oferece a todos os viajantes que passam por ali. Já conheceu diversos artistas, “a Fernandinha (a Torres), é uma querida!” A que ela se identifica mesmo é a Maitê Proença, pois sabe o que ela sofreu. O sonho de sua vida? Fazer faculdade de direito. Ela acha que não conseguiria mais. Eu? Tenho certeza que sim.
Com a Luzia em seu restaurante, no Canto de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Depois desta aula perseverança acompanhada com os melhores camarões que já comi na minha vida, tínhamos que voltar. Já estava escurecendo e ainda tínhamos 8km para chegar à nossa pousada. Caminhamos pelas dunas apontando as várias chuvas que nos rodeavam e uma delas estava na nossa direção. Não demorou muito para tomarmos uma chuva daquelas, de canivete! Sem ter para onde correr ou aonde se esconder, a opção é abrir os braços e gritar, soltar os bichos, sentir intensamente e fechar com chave de ouro o intensivão da natureza. Fechar? Que nada, mal sabíamos o que nos aguardava!
Cerveja merecida com a Mel e o Edu,, depois da longa caminhada na região de Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Chegamos à vila e fizemos nosso primeiro pit stop no Del Mar, para uma cervejinha. Andamos até a Pousada dos Irmãos, para procurar algum guia que nos levasse à Lagoa Verde por um preço razoável. Eu, Eduardo e Mel paramos no Bar do Seu Chico, enquanto o Rodrigo seguiu na missão. Enquanto esperávamos o Ro, por que não provar a cachacinha e a Tiquira? Cachaça de uva, abacaxi e outros ingredientes secretos do Seu Chico, deliciosa, parece o suco dos ursinhos gummie! Já a Tiquira, whisky maranhense produzido da mandioca, é desgraçado de forte! Cerveja vai, cachaça vem, o Ro chegou e já entrou no embalo. Logo Mariana e Luca, nossos amigos “italianos” do barco de ontem chegaram também. Logo o povo local se empolgou com os turistas doidos e nos levaram para o bar do Vovô do Violão. O vovô de velho não tem nada, mas assim se auto-intitula o compositor do Atins. As músicas são sensacionais, falam das coisas que se passam ao seu redor e canta a vida tranquila de Atins. Ainda finaliza com “telegrama”, música do mais conhecido compositor maranhense, Zeca Baleiro, levando a galera ao delírio! Dá-lhe vovô! Parada obrigatória na “agitada” night de Atins.
O Vovô do Violão mostra sua arte em Atins, nos Lençóis Maranhenses - MA
Como sempre tem alguém mais responsável na turma, Rodrigo e Mel tiveram que arrastar eu e o Edu (respectivamente, rsrsrs) para a nossa pousada. Fechamos o loooongo dia com um banho de piscina e muita risada no Rancho do Buna. Esse dia não acabava nunca, do jeitinho que eu gosto!
A linda paisagem na viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
Mompós é uma ilha em meio a uma espécie de pantanal colombiano. O Rio Magdalena e o inverno chuvoso deixam a paisagem ainda mais bucólica e a viagem ainda mais especial.
Curtindo a viagem de ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
As estradas parecem ter sido construídas sob aterramentos, pontes estão sendo construídas e reconstruídas o tempo todo, já que as cheias já levaram algumas delas. A balsa que cruza do Rio Magdalena possui apenas três horários, 7h, 13h e 17h.
Exibir mapa ampliado
Chegamos lá eram umas 11h30 e vimos a balsa parada, a fila crescendo e não entendemos muito a lógica. Eles preferem esperar o horário, colocar quem cabe na balsa e se sobrar, fazer uma segunda viagem depois. Detalhe: a viagem dura uma hora.
Um ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
O calor insuportável faz as barraquinhas de beira de estrada serem o melhor refúgio do sol e do calor. Cervejinha, aguinha, almoço e com sorte, uma brisa soprada direto do Magdalena. Os rapazes da região tiram um bom dinheiro lavando os carros e caminhões na fila de espera. Nós aproveitamos para limpar todo o nosso cabo do guincho que estava pura lama, depois do resgate que fizemos ontem pela manhã.
No ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
Todos ficam curiosos com esse carro brasileiro, com mapas e logo ficamos amigos dos caminhoneiros, conversando sobre estradas, política e caminhos na América Latina. Um deles contava o inferno que era a vida deles antes do Uribe. Este trecho aqui era impossível, tinham que pegar a balsa das 13h e seguir viagem. Se atrasassem para a das 17h era certeza que as FARCs iriam saquear-los se não do outro lado do rio, quando chegassem em Carmen de Bolívar. Enquanto contava a história das FARCs, a cada 10 palavras, 11 eram, por que estes “hijos de puta”, blábláblá, “hijos de puta”, “hijos de puta”, blábláblá, “hijos de puta”! Me perdoem este espanhol, mas o que para mim na hora pareceu engraçado, deve ter sido realmente um pesadelo por muitos anos para esses caminhoneiros.
Fila para o ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
O pior é que se eles resolvessem parar, o país inteiro parava. Se tem um povo que pode instalar o caos nestes países sul-americanos, inclusive no Brasil, são os caminhoneiros... já imaginaram se eles entram em greve? Deus me livre!
Revoada de garças vista do ferry sobre o Rio Magdalena, em Mompós - Colômbia
Chegamos em Cartagena já estava escuro. Pegamos um horário de pico no trânsito, uma desgraça. A entrada por essa rota passa por uma periferia infindável e o nosso GPS meio perdido sempre gosta de nos colocar em uns becos tentando encontrar o caminho mais curto. A cidade está em obras, novas canaletas de expresso, seguindo o projeto de Bogotá, que segue o de Curitiba. Finalmente chegamos em Getsemaní, bairro turístico próximo do centro histórico. Todos os hostals que haviam nos indicado estavam lotados e a vizinhança estava bem movimentada neste bairro popular de ruas estreitas. Depois de quase 40 minutos finalmente encontramos o nosso cantinho, um hotel na Calle Larga, estacionamento próximo, ar condicionado e piscina. Perfeito! Só faltou avisarem que o banho era ruim e frio, mas nada que não possamos conviver. Enfim, chegamos à Cartagena!
Exibir mapa ampliado
Mergulhando em cenotes na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto divulgação, de Luis Leal)
Toda a Península do Yucatán foi formada basicamente sob o mar, corais e sedimentos marinhos que passaram por inúmeras fases de crescimento em um mar de águas quentes e ricas em vida marinha, e outras inúmeras fases emersas em uma rígida era glacial. A movimentação de placas e outras forças geológicas formaram assim uma imensa planície de rocha calcária, rocha hiper solúvel, cavando sistemas imensos de cavernas e rios subterrâneos na região que hoje conhecemos como Península do Yucatán.
Gran Cenotel, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Vale lembrar que a região possui outro acidente geográfico famoso, uma imensa depressão de terra ao norte de Mérida, na região de Progresso, formada pela queda do gigantesco meteoro que extinguiu os dinossauros. Ao olho nu não se pode notar, pois depois de milhões e milhões de anos ela já foi coberta por outras camadas de sedimentos. Os satélites, porém, a perceberam por sobre ela existir uma leve variação na ação da gravidade, já que a massa compactada pelo impacto é maior. Há quem diga que alguns dos cenotes na região foram abertos pelos estilhaços deste gigantesco meteoro, mas a teoria mais aceita e correta é que estas grandes aberturas, grutas ou cavernas que dão acesso aos sistemas subterrâneos inundados do Yucatán, foram formados pela dissolução e/ou colapsos nos pontos mais frágeis da rocha.
O magnífico cenote Pet Cementery, cheio de formações, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
A colorida vegetação da parte iluminada do Cenote Car Wash, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Há milhares de anos os “dzonots” (cenotes no maya yucateco) intrigam e causam curiosidade nos mayas que habitavam a região. Fonte de água límpida e refrescante em uma região quente e seca, muitas vezes os cenotes eram utilizados para rituais em homenagem ao Deus Chaac, Deus da Água. Em Chichén Itzá esqueletos e artefatos ritualísticos foram encontrados no Cenote Sagrado.
Final de mergulho, saindo do Cenote Dos Ojos, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Depois de uma rápida passagem pela praia e as Ruínas de Tulum com a Valéria, demos uma volta pelas ilhas da costa de Quintana Roo e pelas Ruínas da Ruta Puuc, no estado de Yucatán, retornamos a Tulum com um objetivo: explorar os cenotes e cavernas da região.
Final de mergulho, saindo do Cenote Dos Ojos, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Antes mesmo de sairmos do Brasil nós nos preparamos com longos treinamentos de mergulho técnico e mergulho em caverna, apenas para este momento. Este era um sonho antigo que eu tinha e quando contei ao Rodrigo ele foi o primeiro a incentivar e mais, resolveu me presentear o curso de mergulho em caverna.
Nosso inesquecível mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Saímos do Brasil com o segundo nível de treinamento nesta área dos mergulhos técnicos, a certificação conhecida como Intro to Cave. Mergulhamos na Mina da Passagem (Mariana, MG), nas cavernas da Flórida e finalmente chegamos ao grande objetivo, os cenotes mexicanos. Aqui, porém, os buracos são literalmente “mais embaixo”. A complexidade da navegação por estes túneis é imensa e uma das grandes causas de morte de mergulhadores treinados e experientes.
Mergulhando em total escuridão no Cenote Dos Ojos, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Assim, resolvemos não apenas mergulhar, mas aproveitar a oportunidade para unir o útil ao agradável e subirmos mais um nível de certificação. São várias as escolas e operadoras de mergulho técnico na região, nós escolhemos a Dos Ojos Dive Center, indicada por outros mergulhadores que conhecemos aqui no México. O Luis está na região há mais de 15 anos e conhece estes cenotes como a palma da mão.
Aluno e professor de mergulho em cavernas, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Além disso, nos passou muita segurança e conseguiu montar um esquema bem bacana para nos atender. Durante uma semana tivemos aulas práticas dentro e fora d´água, aulas teóricas e muita conversa sobre os casos de acidentes acontecidos nas mesmas cavernas que nós íamos mergulhar. Ele organizou uma programação de treinamentos com mais de 300 horas de mergulhos nos cenotes e fechamos o nosso curso IANTD Full Cave. O Luis foi ótimo, teve uma super paciência revisando conceitos teóricos já meio esquecidos pelos viajantes aqui e soube aproveitar ao máximo o nosso potencial e tempo para sairmos dali seguros do que estávamos fazendo.
O Luis descarrega os tanques no cenote Car Wash, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
1° DIA - CENOTE DOS OJOS (20/02)
O belo cenote Dos Ojos, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
O Sistema Dos Ojos é um dos mais longos sistemas de cavernas no mundo, com mais de 82 quilômetros, 28 diferentes cenotes (entradas) e o túnel mais mais profundo já explorado, a 119,1 metros, no Pit, um dos principais cenotes deste sistema. O seu nome se refere à sua entrada principal, formada pela união de dois cenotes que se assemelham a dois olhos (dos ojos, em espanhol). Foi aqui, na sua entrada principal, que começamos a nossa semana de mergulhos nos cenotes mexicanos.
Tanques cheios para os nossos mergulhos no cenote Dos Ojos, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
O Luis queria nos conhecer melhor embaixo d´água e neste primeiro dia nos levou ao Cenote Dos Ojos, fazendo um primeiro mergulho pela área de cavern da Barbie Line, dando tempo para nos acostumarmos novamente com a dupla nas costas, ajustando bem o equipamento, trim e flutuabilidade. O segundo mergulho já foi dentro da área de cave na Imax Line, que ganhou este nome após ser cenário de um filme Imax. Eu fui liderando o mergulho que durou em torno de 80 minutos de pura emoção, vendo as belíssimas formações, estalactites e estalagmites em uma água completamente transparente, acompanhados de pequenos peixes que pegam carona na luz dos mergulhadores para caçar os pobres camarões e outros peixes cegos que vivem dentro das cavernas. E eu achando que eles eram curiosos e aventureiros! =/
Entrando no Cenote Dos Ojos, em Tulum, no Yucatán, sul do México
2° DIA – CENOTE LA PONDEROSA ou JARDÍN DEL EDÉN (21/02)
Cenote Jardin del Eden, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
La Ponderosa é um cenote famoso por ter participado de uma novela mexicana que lhe rendeu este nome. Recentemente, porém a família evangélica que é dona do terreno resolveu rebatizá-lo chamando-o de Jardín del Edén. Um cenote de águas verdes, cheias de plantas aquáticas e peixes é um lugar famoso entre os turistas para passar o dia nadando e se divertindo. Um cenote sem formações e espeleotemas e por isso é o escolhido pelas escolas como local de treinamento de alto impacto para os cursos de mergulho em caverna.
Placa de avisos no Cenote Jardin del Eden, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Antes de entrar na água fizemos os land drills, treinamento onde remontamos as linhas guias que encontramos dentro da caverna e treinamos as nossas marcações de navegação. Carretel principal, secundário, jumps e gaps, cookies e setas (ARC – Arrow, Rope, Cookie), tudo volta a ficar vivo na nossa memória, assim como as novas regras de navegação que aprendemos.
Colocando a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Desta vez Rodrigo foi liderando o mergulho, amarrando o carretel principal na River Run Line, dois jumps conectando-nos à Circuit Line e um último jump à uma restrição. Fomos abrindo caminho em um mundo submarino subterrâneo, que mesmo sem formações, era impressionante. O sistema aqui deve ter sido sempre inundado e foi sendo dissolvido pela ação do ácido carbônico (vindo do CO2) e dissolvendo o granito. As paredes, tetos e pisos brancos pareciam um queijo suíço todo esburacado, a superfície lunar embaixo da terra. Nós fomos até os 14m de profundidade e foi quando descemos aos 12 metros que cruzamos a nossa primeira haloclina, onde a água doce e a água salgada se encontram. Como estamos próximos ao oceano, quando passamos a mergulhar abaixo do nível do mar a água salgada predomina. A mistura das duas é quase como óleo e água, a água fica turva e quase perdemos a visibilidade até cruzá-la e seguirmos pela água mais salgada e quentinha abaixo dos 12m.
Início de curso de mergulho em cavernas com o Luis, no Cenote Dos Ojos, em Tulum, no Yucatán, sul do México
No caminho de volta tivemos uma surpresa quando Luis apagou nossas luzes e tivemos que sair da caverna no escuro! Saímos bem, o que significa que o Rodrigo fez as marcações corretas na entrada. O segundo mergulho foi para recolhermos as linhas que ficaram lá dentro. Só para vocês terem uma ideia, o primeiro mergulho durou em torno e 79’, enquanto o segundo, bem iluminado e já com as linhas colocadas, durou 57’.
3° DIA – AKTUN HA ou CAR WASH (22/02)
Mergulhando em cenotes na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto divulgação, de Luis Leal)
O Cenote Aktun Há, ou Car Wash tem este nome, pois ele era realmente um “lavador de carros” até pouco tempo atrás. Localizado bem próximo da estrada que liga Tulum a Cobá, o Car Wash foi desativado e liberado apenas para nadadores, mergulhadores e o lindo crocodilo que o chama de lar. Suas águas azuis esverdeadas são repletas de vegetação de um lado, folhas vermelhas e verdes que tem um efeito super bonito embaixo d´água.
Um pequeno jacaré mora no cenote Car Wash, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Parte aberta do Cenote Car Wash, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Fizemos um mergulho no túnel up stream, passando por um cenote conhecido como “Luke´s Hope” e fazendo um jump “secreto” para a “Habitación de las Lagrimas”. Os nomes são sempre interessantes e tem uma história por trás. Não sei em detalhes, mas Luke´s Hope foi algum caso de um mergulhador (o Luke) que se perdeu e conseguiu se salvar pois encontrou este cenote no caminho. Já o salão, dizem ter ganho este nome tamanha a sua beleza! O primeiro mergulhador/explorador que a encontrou ficou tão surpreso com a quantidade de espeleotemas que teria em seus olhos lágrimas de emoção!
Placa de advertência no cenote Car Wash, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Desta vez eu fui novamente liderando o mergulho e, mal sabia eu, tinha uma pegadinha desde o início. Treinamentos são ótimos para isso, nos fazer aprender com o próprio erro. Bem, adivinhem, o Luis nos passou o planejamento do mergulho: linha principal, passamos pelo cenote, fazemos um jump à esquerda, passamos pelo salão das lágrimas e se der tempo ainda seguimos até o próximo “T”. Lá fui eu para o que depois fui conhecer como um “Mission Dive”, um problema para mergulhadores de caverna, que não podem se perder na pressa de chegar em algum lugar e deixar de prestar atenção nos detalhes, na respiração, consumo de ar, etc. Enfim, nós não tivemos nenhum problema maior, só foi um mergulho demasiado rápido, inclusive na parte mais bonita do mergulho. Lição aprendida!
Esforço para sair da água carregando tanques duplos no Cenote Car Wash, em Tulum, no Yucatán, sul do México
4° DIA – PIT (Sistema Dos Ojos) e PET CEMENTERY (Sistema Sac Actún, 23/02)
Mergulhando em meio aos raios de luz que penetram no Cenote The Pit, em Tulum, no Yucatán, sul do México
Nosso quarto dia foi de descanso nos treinamentos, mas não nos mergulhos! O Luis já tinha outro compromisso fora de Tulum, e nós queríamos muito fazer alguns mergulhos de cavern para tirar algumas fotos bonitas. Então preparamos tudo com o pessoal da Scuba Tulum, parceira da Dos Ojos e fomos com Edwin conhecer dois dos cenotes mais impressionantes da região: o Pit e o Pet. Gostamos tanto de lá que voltamos dias mais tarde para fazer apneia e testar o nosso fôlego. Confira o post aqui.
5° DIA – GRAN CENOTE (25/02)
É preciso estar atento aos sinais na linha guia no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Finalmente chegou o grande dia! O dia em que seremos testados e finalmente avaliados para receber (ou não) a certificação de Full Cave. Mergulho em caverna é uma atividade séria e perigosa e os instrutores sabem da responsabilidade que tem em mãos, certificando um mergulhador que se não estiver preparado pode colocar a sua vida e a do seu parceiro em risco. Nós acordamos concentrados, não apenas pelo teste, mas por saber que a esta altura já deveríamos ter todas as habilidades e novos conhecimentos absorvidos bem compreendidos e como parte do nosso modus operandi.
Início de mergulho no Cenote Pet Cementery, em Tulum, no Yucatán, sul do México
O Grand Cenote é um dos sistemas mais complexos da região, interligado com outros cenotes, linhas principais e circuitos. Alguns dos acidentes que estudamos durante esta semana se passaram neste lugar, o que nos deixa mais tensos, mas também mais alertas. Grande parte das regras de sinalização que havíamos aprendido no nosso primeiro curso, Intro to Cave, aqui no México simplesmente não podem ser aplicadas, portanto as setas a cada 50 metros sinalizando a saída e com as distâncias marcadas como vimos nos sistemas da Flórida, não existem aqui, até por que podem complicar ao invés de facilitar.
O incrível cenário do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
O planejamento do mergulho basicamente era, dentro da nossa regra de terços, um tempo máximo de 120´, ou seja, 60´para entrar e 60´para sair. Porém havia aqui um detalhe importante, nós queríamos fazer um circuito, o que significa que se não completássemos o Cuzan Nah Loop antes dos 60’, teríamos que voltar e fechar o mergulho sem o loop. Importante lembrar que neste mergulho o Luis seria o mergulhador “fantasma”, apenas nos acompanhando, avaliando cada passo e gentilmente registrando todo o mergulho com a sua câmera sub.
No último dia, o Luis mergulha conosco com seu equipamento de fotografia, em Tulum, no Yucatán, sul do México
O incrível mergulho de quase um quilômetro pelo Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Eu lideraria o mergulho e tinha em mente tudo o que havíamos aprendido e revisado nos dias anteriores. Não acelerar e entrar em um “mission dive”, manter o passo, o trim, a flutuabilidade e o consumo de ar perfeitos, pois novamente se atingimos o nosso terço antes de fechar o circuito planejado, retornaríamos. A preocupação que me acompanhava no caminho ao cenote desapareceu assim que entramos na água.
Recolhendo a corda no final de mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Passagem mais estreita do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Fizemos a revisão do planejamento, calculamos os tempos, terços e revisamos o nosso caminho: começamos o mergulho na linha de cavern do Gran Cenote, fizemos um primeiro salto à direita, um gap do Cenote Hotul e logo outro salto à direita na linha do Cuzan Nah Loop, que possui outro pequeno cenote próximo. Fomos tranquilos na nossa pernada de sapo, aproveitando cada minuto e cada cenário.
Fazendo a amarra inicial do mergulho no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Mergulhando pelas galerias do Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
O Grand Cenote é repleto de estalactites e estalagmites, belíssimo! As formações na área do loop são ainda mais impressionantes! Quando estávamos chegando ao nosso terço, que curiosamente estava alinhado com o tempo limite que colocamos para o mergulho, avistamos a luz natural do pequeno cenote que marcava o começo do loop! Timing perfeito! Começamos a recolher as linhas e nossos marcadores (flechas e cookies), retornando pelo gap e novamente o salto, de volta à entrada do Gran Cenote.
Chegando à zona de cavern no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Gran Cenote, em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Como sempre após o mergulho vamos à nossa avaliação pós-mergulho e revisando todos os passos eu cheguei a conclusão de que tudo havia acontecido exatamente como deveria ser, tudo correu como planejado, sem nenhum erro, nenhum porém. O Luis, que cumprindo o seu papel normalmente é mais crítico e detalhista para nos ensinar, revisou sem correções e contra as suas regras, nos elogiou, felizmente surpreendido com a nossa performance! Sensacional!!! Não restava dúvidas que nós, agora, somos capazes e temos o conhecimento para explorar, em segurança, este imenso mundo subaquático e subterrâneo que forma grande parte do nosso planeta. Um privilégio para poucos malucos! Rsrs!
Fazendo a amarra de um jump no Gran Cenote, na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto de Luis Leal)
Nesta mesma noite nos encontramos no Bistrô francês de Tulum para uma conversa final, revisão de alguns temas da prova teórica e já recebemos as nossas novas credenciais! Wohooo! Full Cave Divers! \o/
Final de curso de mergulho em Tulum, na costa caribenha do Yucatán, no México
Fechamos assim a nossa deliciosa rotina de aprendizagem e mergulho em Tulum. Aulas e mergulhos todos os dias das 9 às 16h, hora em que voltávamos para o nosso apartamentinho no Hotel Nadet e ainda tínhamos um tempo para ler as apostilas, descansar um pouco, recarregar as baterias (nossas e das lanternas de mergulho) e então ir para a sala de aula, para as aulas teóricas. Há muito tempo não tínhamos uma rotina em um só lugar e mesmo que em diferentes cenotes, a atividade era basicamente a mesma. Ainda que fosse uma rotina demandante e cansativa, o desgaste era bem diferente que estar na estrada, em diferentes hotéis e lugares todos os dias. Adoramos esta parada em Tulum, realizamos um sonho e saímos de lá com a impressão que foi pouco tempo. Agora sim teremos que voltar (urgentemente!) para colocar todo este conhecimento em prática, explorando e descobrindo este imenso mundo subterrâneo e submerso do Yucatán.
Mergulhando em cenotes na região de Tulum, no Yucatán, sul do México (foto divulgação, de Luis Leal)
Praia alagadiça na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Circundar a ilha de Lençóis não é uma tarefa difícil, basta ter um pouco de disposição, pois o resto a ilha faz por você. As paisagens da Ilha de Lençóis são fantásticas, mesmo com dias nublados. As manhãs tem sido chuvosas neste período de inverno, então aproveitamos a tranqüilidade do nosso quarto, telhado e paredes de babaçu para trabalhar enquanto chove e saímos explorar mais perto do meio-dia, quando temos uma brecha de tempo seco.
Trabalhando no quarto da pousada na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Saímos caminhando pelas dunas altas, margeando o canal até chegar à área de manguezal. Beiramos o mangue e subimos as dunas até vermos o mar. O cenário de dunas é maravilhoso, mesmo para olhos acostumados, já que estamos vindo de tantos lençóis. Lá do alto avistamos uma lagoa e uma vastidão de areia impressionante! Todo o litoral muda com as marés, mas nunca havíamos presenciado uma mudança tão marcante. Ainda não entendemos bem como funciona a maré aqui na linha do equador, deve haver alguma explicação científica para isso, pois aqui as marés são muito grandes! A ilha deve praticamente triplicar de tamanho em marés baixas, principalmente se é lua cheia.
AS dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Descemos as dunas para esta praia imensa, ladeamos a lagoa de água salgada e fomos explorando o terreno a cada passo que dávamos. Soubemos que no Maranhão são encontrados os únicos pontos de areia movediça no Brasil e ontem passamos por ela. É uma sensação engraçadíssima, ela parece uma gelatina, literalmente, e afunda rapidamente. Pode até haver alguma mais perigosa, como as dos filmes, mas aqui elas são praticamente inofensivas. É só não deixar atolar até o pescoço que você consegue sair. Caminhamos atentos, impressionados com a imensidão que uma pequena ilha nas reentrâncias maranhenses pode ter.
Explorando as dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
A praia é completamente deserta, mas mesmo nos lugares mais distantes sempre vemos indícios da ocupação humana, seja uma garrafa de vidro na duna, sejam inúmeras redes de pescadores fixadas à beira mar, só aguardando a maré subir para entrarem em ação.
A enorme praia na maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
Continuamos caminhando, a maré ainda está baixando e cada vez ficamos mais distantes do nosso destino. Comecei a cortar pelo meio do areal, pois circundar toda aquela planície descoberta pela água começava a se tornar um desafio muito grande para pés descalços. Nossa referência eram os cata-ventos, geradores eólicos da vila. Até agora só vimos pegadas, não cruzamos nenhuma alma viva, nem mesmo pescadores. A tranqüilidade é tão grande que quando demos por conta, já estávamos novamente no canal.
Caminhando na praia na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
A maré começou a subir rapidamente, seguimos andando em direção a vila pelo “mar de dentro” e mal sabia eu que a pior parte estava por vir. Chegamos a um igapó de mangue, para cruzá-lo não tínhamos escolha, tínhamos que enfiar o pé na lama. O Rodrigo foi e atolou até o joelho, praticamente. Foram pouco mais de 50m de muita lama nojenta. Era daquela mais desgraçada de mangue, com coisas duras que você fica pensando se são caranguejos ou tocos de madeira, argh! Afundei até metade da coxa, desesperada, enquanto o Rodrigo desdenhava da minha agonia com aquele sorriso sacana na cara. Não sei se a minha raiva maior era da lama ou dele, de estar rindo da minha cara. Enfim, passamos e sobrevivemos.
Cabras na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
A esta altura tudo o que eu queria era um banho e o almoço delicioso da Marluce. A noite ainda guardava mais uma social com os nossos pequenos amigos, lá no bar do Matias. A Micaela e o Micael vieram nos encontrar, dançamos e brincamos bastante, enquanto o Ro socializava com o Sebastião, pescador “borracho” do dia. Fomos para a pousada mais uma vez, depois de deixar os gêmeos na casa de Doza, sua mãe, dar um alô o Seu Mário e depois de ouvir a comemoração da galera quando o gerador de luz foi acionado. Tranquilos, pois sabemos que ainda teremos mais um dia nesta parte do paraíso aqui na terra.
Praia na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA
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