1
arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha
Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela
Formações no salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Temos uma certa fixação por cavernas. Secas ou molhadas das mais diversas origens e com as mais variadas formações, cavernas são um ambiente tão diferente do resto do mundo. Um lugar onde não há luz e muitas vezes sim, ainda há vida. Um lugar onde quase nenhum ser humano ainda pisou e que nos faz sentir mais exploradores, mais aventureiros.
Chegando ao Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Aqui nos Estados Unidos já estivemos no maior sistema de cavernas do mundo, a Mamooth Caves. Uma caverna imensa, com mais de 627 km explorados, a maioria deles sem nenhum espeleotema, mas com muita história. Aqui no Novo México já estávamos de olho há bastante tempo em um tal parque nacional próximo à fronteira com o Texas, o Carlsbad Caverns. Foi, na realidade, super curioso, pois o grande parque nacional desta região entre o Novo México e o Texas, conhecido e procurado por todos, é o Big Bend, com paisagens do Deserto de Chihuahuan, cânions de granito esculpidos pelo Rio Grande na fronteira com o México e os Estados Unidos. Nós, talvez por já termos visto outros cânions e desertos pelo país, fomos atraídos pelo menor e curioso parque das cavernas.
Formações no salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
O mundo subterrâneo, intocado e cheio de aventuras aqui nos Estados Unidos já é bem mais “civilizado”. Um elevador leva os 400 mil turistas que visitam as cavernas todos os anos, 228m abaixo da terra, passando por uma cafeteria, banheiros e toda uma área de espera, com piso de concreto e iluminação artificial. O ambiente natural foi totalmente modificado, é quase (totalmente) chocante. Por outro lado o acesso a todos os turistas é facilitado, às pessoas com necessidades especiais, terceira idade e aos menos aventureiros, não importa, a caverna é um ambiente totalmente controlado e seguro para todos.
O civilizado salão de entrada da caverna no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
A iluminação artística feita no seu interior nos dá melhor noção da sua grandeza. A Big Room, principal área de visitação da Carlsbad Caverns, possui uma extensão de 1.220 metros 191 metros de largura e 78 metros de altura! Estas dimensões a colocam no ranking como a terceira maior câmara subterrânea da América do Norte e sétima do mundo!
O belíssimo e enorme salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
O seu tamanho é impressionante, mas o que nos faz perder a noção da vida e da hora é a imensa quantidade de formações que a caverna possui. Estalactites e estalagmites, colunas, cortinas, travertinos, pérolas e o que mais imaginarmos pode ser encontradas nas paredes, piso e teto desta caverna. A iluminação nos direciona para as formações mais bonitas, sendo um deleite apenas observar a obra natural maior da natureza, sem se preocupar em ler placas, ver detalhes geológicos ou nem mesmo a história que se passou dentro dela.
O belíssimo e enorme salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Iluminação do salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Detalhe de uma das mais belas colunas da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Ali a artista maior é a água, que desce lentamente pelos poros da rocha calcária e esculpe há milhares de ano cada um dos espeleotemas que adorna a Big Room. Quando entramos em uma caverna é que nos damos conta da loucura que é a crosta terrestre. Um queijo suíço todo perfurado abaixo de nós, alguns desses “buracos” nós encontramos uma entrada, um acesso, outros deles existem lá, calados e isolados, e nós simplesmente não temos ideia. Será que existe alguma outra vida lá? Micróbios levados pela água, bactérias, micro-organismos que vivem em ambientes totalmente hostis... só Deus sabe.
Turistas caminham pelo salão principal da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Durante a tarde voltamos aos subterrâneos da Carlsbad Cave para visitar o seu piso inferior, que só pode ser visitado em um tour especial, acompanhado por duas simpáticas rangers em um grupo de 10 a 15 pessoas.
Turistas ficam maravilhados com a formação de pérolas no solo da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Neste tour temos um pouco mais a sensação de exploradores, sem luzes e sem concretos, apenas algumas tábuas e pontes de proteção que preservam alguns dos ambientes mais frágeis da caverna. Seguimos vários degraus abaixo, passando por corredores e salões maravilhosos, incluindo um imenso berçário de pérolas de rocha, um dos mais impressionantes que eu já encontrei nestas andanças pela América.
Formações de pérolas no solo da parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
No alto o raso cânion e seus desertos nos fazem pensar como em uma paisagem tão árida foi possível um dia correr um rio caudaloso, que além de esculpir o cânion, foi capaz de construir galerias subterrâneas tão imensas. É espantoso imaginarmos que sob estas terras existem ainda 117 cavernas fechadas ao público, como a Lechuguilla Cave, uma das mais decoradas de todas elas, com flores de aragonita e cristais raríssimos.
Lechuguilla Cave, aberta apenas para felizardos pesquisadores, no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
O parque também é cenário para um dos eventos mais incríveis do planeta: a migração em massa dos morcegos mexicanos (Mexican Free-tailed bats), que deixam a caverna no final do dia em busca de insetos. A melhor época para vê-los é entre os meses de Julho e Agosto, mas a temporada se estende de Abril até Outubro, chegando a reunir grupos de mais de 700 mil morcegos em uma única revoada.
O solo desértico do Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
O Carlsbad Caverns ainda é um parque a ser explorado, espero que com o tempo e novas pesquisas outras cavernas sejam abertas a visitação e possamos nos unir aos espeleólogos para explorar mais profundamente este vasto e desconhecido mundo subterrâneo.
Visitando a caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos
Na orla do rio Amazonas, em Macapá - AP
Um dia planejado para viagem à Oiapoque, acabou virando um dia de revisão de planejamentos. Ainda sem retorno do consulado francês e com vários afazeres para o site e organização do carro, acabamos decidindo dar tempo ao tempo para ver se as coisas se revolviam. Tiramos o dia para nos empenhar em encerrar as pendências e dedicá-lo a novas pesquisas e planejamento. A etapa caribenha da viagem é a preocupação do momento, já que não iremos deixar o carro em Georgetown, na Guiana Inglesa, qual pode ser o nosso novo hub para os vôos às ilhas do Caribe Sul, onde teremos segurança para estacionar a Fiona?
Observando a orla em Macapá - AP
República Dominicana, Barbados, Sait Marteen e Saint Martin, Saba, St Kits and Neves, Anguila, St Bartholomeu, Antigua e Barbuda... enfim, vários países minúsculos no Caribe que tem que se encaixar em nosso bolso e nosso tempo. Tudo isso parecia resolvido partindo de Georgetown, mas a nossa segurança e a da Fiona estão em primeiro lugar. O Rodrigo estudou como novo hub o Suriname, Colômbia e até Barbados e Trinidad e Tobago, como ilhas maiores e estrategicamente posicionadas. Já temos novas opções de vôo, mas nenhuma delas ainda parece a solução ideal. Com tudo isso em mente, resolvemos sair para arejar, para um almoço tardio lá na orla do Rio Amazonas.
Kite surfing no Rio Amazonas, em Macapá - AP
Finalmente provamos o tal tucunaré na manteiga, frito inteiro, com cabeça, rabo, espinha e tudo. É gostoso, mas acho que esses peixes de rios, mais fibrosos, podem ter um jeito mais favorável de preparo, que amaciem a carne. Olhando o Rio Amazonas não consigo parar de pensar no que conversei com o taxista ontem, indo para a concessionária buscar a Fiona. Passamos por um canal que parecia ter “coisas” boiando nele. Perguntei se os esgotos aqui eram tratados e ele disse que não, que eram todos jogados sem tratamento direto nos canais e este no Rio Amazonas! Não é possível! Estamos falando de uma capital brasileira às margens do maior rio do mundo e um dos mais importantes rios brasileiros! Tudo bem, a quantidade de água é imensa e a água acaba no mar, mas são os dejetos de 350 mil pessoas no Rio Amazonas! Sem falar que deve ser a mesma água que é utilizada para o abastecimento da cidade e para corajosos banhistas. O nosso taxista confessou, “o canal é um fedor desgraçado!” e quando perguntei se as pessoas tomavam banho no rio principal, ele disse que sim, muitas pessoas, mas ele não se atreve. Se alguém tiver uma informação mais apurada sobre o tratamento de esgoto em Macapá e a qualidade de água do Amazonas, por favor, acalme meu coração e comente aqui, pois estou prestes a perder a esperança na humanidade.
Kite surfing no Rio Amazonas, em Macapá - AP
Hoje tivemos a prova, vários kite surfers estavam lá praticando um dos esportes mais difundidos dos tempos, até por que onde tiver vento e uma poça d´água eles conseguem se divertir!
Polícia Militar aproveira a "maré baixa" do Rio Amazonhas para treinamento de cadetes, em Macapá - AP
Um batalhão da Polícia Federal em treinamento, passou correndo e cantando tche-tchecolê! O Ro não entendeu nada, mas eu conhecia a música da época do escoteiro, boas lembranças de um tempo que ajudaram a formar a minha personalidade e o gosto pela aventura. Eles aproveitaram a maré baixa do Amazonas para treinar técnicas de rolamento e etc, nas margens barrentas do Amazonas. Chegaram limpinhos e saíram assim. Fazer o que? São ossos do ofício!
Cadetes da PM correm pelas ruas de Macapá - AP
Deixamos tudo pronto, reorganização da bagagem no carro, internet em dia para nos despedimos da nossa última capital do país pelos próximos 30, quiçá 60 dias! Amanhã temos uma longa viagem pela frente, vamos cruzar os dedos para dar tudo certo!
Belo fim de tarde na orla em Macapá - AP
A Ana espera no táxi enquanto eu percorro os meandros da burocracia panamenha para tentar retirar a Fiona do porto, em Colón
Chegando a Colón nos despedimos dos nossos amigos Andy, Alex e Ben que seguiram direto para Cidade do Panamá. A cidade feia e suja não impressiona... É exatamente como todos a haviam descrito. Um panamenho nos avisou: “Sabe o Rio de Janeiro? Pega só a parte ruim, esta é Colón.”
Colón, no Panamá, em tempos de celebraçao da independência do país
Nos aventuramos pelas ruas de uma das cidades mais violentas das Américas, até chegar ao nosso hotel. Casas caindo aos pedaços, lixo, bueiros entupidos e ruas inundadas em quaisquer dez minutos de chuva. Becos escuros, crianças desnudas no meio da imundice e do descaso. A cidade que já foi uma “Tacinha de Ouro” nos tempos da administração americana do Canal do Panamá, hoje parece ter sido completamente abandonada pelo poder público. “Olha, acho que era até melhor quando os americanos estavam aqui”, nos disse Júlio, o taxista. Preocupados com a malária e outras doenças, as bases militares norte-americanas asfaltaram, sanearam, combateram os mosquitos e faziam a limpeza e manutenção das cidades ao longo do canal.
Típico ônibus urbano em Colón, no Panamá
O povo passa fome ao mesmo tempo em que vê o porto cada vez mais movimentado, o canal em ampliação e os ricos recursos nacionalizados se esvaindo nas mãos e bolsos dos políticos. Nada é reinvestido para o povo, nada garante que tenham as condições mínimas de saúde e moradia. A falta de emprego e esperança traz consigo o aumento da criminalidade. É um círculo vicioso que parece não ter fim...
Uma das entradas da gigantesca Zona Livre de Colón, no Panamá
A Zona Franca de Colón foi a primeira no mundo e é uma das principais atividades econômicas da cidade. Chato é que fecha aos sábados, domingos e feriados... vai entender! Acaba que nem dá ânimo de entrar ou ficar um dia a mais na cidade para comprar. Os navios aportam ali, as hordas de turistas entram, compram e seguem viagem. Nós chegamos com outra missão, retirar a Fiona do Porto de Manzanillo, mas essa é uma outra história.
A cidade de Colón (Panamá) faz justa homenagem a um de seus mais ilustres filhos
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Tivemos sorte de chegar em um dia importante no calendário deste povo, que comemorava o final de um ciclo e início de um novo ano. Na praça central de Humahuaca encontramos vários grupos fazendo oferendas à Pachamama. O Rodrigo curioso foi ver e me falou, aquele pessoal ali está fazendo alguma coisa parecida com macumba. Eu que adoooro tudo isso foi logo ver o que estava acontecendo.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Pachamama, na crença andina, é a mãe terra. A divindade responsável por tudo que existe na vida. Ela é muito protetora e fiel mas também cobra de vingativa quando se sente desrespeitada. Acredita-se que Pachamama tem uma presença sobrenatural nesta região e todos os anos no início do mês de agosto é feita uma cerimônia onde as pessoas oferecem seu respeito, amor, dignidade e agradecimento à mãe terra, pedindo por proteção, saúde e tempos melhores para o seu povo e sua família.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
A cerimônia é preparada com antecedência e faz oferendas diretamente à mãe terra. Na praça principal de Humahuaca foi cavado um buraco na terra, onde a divindade recebe diretamente as oferendas. Todos podem participar, fazendo uma fila e sempre em duplas. Dentre as oferendas estão cigarros de tabaco, um chá com diversas ervas, folhas de coca, planta sagrada dos povos ancestrais andinos, álcool, elemento da saúde. O papel picado, a cerveja, vinho são oferecidos como símbolo da alegria.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Sempre me senti atraída por estes conhecimentos e crenças da cultura andina. Os xamãs possuem uma visão mais ampla do mundo e da natureza. Uma visão de integração entre nós, seres humanos, e a mãe terra. Lembro quando tinha 14 anos, participei de um congresso holístico e vi uma palestra de um xamã onde ele explicava em linhas gerais, fazendo um paralelo entre o nosso corpo e a terra. O solo é como os nossos músculos, nos dá a base e a força, os rios são como as nossas veias, limpam e purificam, as árvores os nossos pulmões... Assim, quando poluímos os rios, a terra fica doente, nosso sangue está doente... Está tudo interligado.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Não tive dúvida, entrei na fila para participar da cerimônia. Minha dupla foi um argentino, artista muito espiritualizado que também estuda o xamanismo. Nós nos ajoelhamos em frente ao poço das oferendas, pedimos permissão à Pachamama, jogando folhas de coca, para lhe entregarmos nossas oferendas. Enquanto vamos derramando os diferentes tipos de bebida, vinho, cerveja, álcool, etc, pedimos perdão, fazemos nossas preces e pedidos e agradecemos à proteção da mãe terra. Durante toda a cerimônia é feita uma defumação com uma planta, que alguns dizem ser alucinógena. Ao final brindamos e bebemos algumas bebidas licorosas que eles nos dão em copinhos e recebemos os confetes da alegria na nossa cabeça.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
É uma cerimônia forte e muito simbólica. Saí dali com uma ótima sensação de bem estar, não só pelo incenso e pelas bebidas, mas sem dúvida por toda a energia positiva da natureza canalizada naquele ato. Começamos um novo ano reenergizados para os próximos 550 dias de estrada, de paz com a vida e em sintonia com a mãe terra, Pachamama.
Mais informações sobre a cerimônia podem ser encontradas neste link: http://www.tilcarajujuy.com.ar/general/calendario/pachamama/pachamama1.htm
O incrível Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Uma geral na Fiona, tirei parte do atraso dos posts (culpa da crise alérgica) e seguimos viagem para Riachão. Ainda demos uma assuntada com Wilmar e Isabel e descobrimos que eles estão fechando com o ICM-Bio um planejamento turístico para uma trilha de três dias cruzando todo o Parque Nacional da Chapada das Mesas! Desse jeito vamos ter que voltar. No fim, a facilidade de acesso para as cachoeiras e outras atrações da região, foi uma mão na roda para mim nessa fase meio bichada.
Montanha em formato de mesa, próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Pegamos estrada para Riachão, outra cidade da Chapada das Mesas com atrativos imperdíveis. Há apenas 80km de Carolina, a cidadezinha me pareceu bem organizada e tranquila. Paramos rapidamente para comprar algumas coisas, mas aqui a dica é seguir direto para o Poço Azul, 30km adiante. Eles possuem uma boa estrutura de pousada, restaurante, além de serem a porta de entrada para as principais cachoeiras da região, como a Santa Bárbara e o próprio Poço Azul. Reservamos o quarto, pegamos dicas do caminho para o Encanto Azul e tocamos direto para lá. São mais 6km de estrada de pura areia. A Fiona passou, mas carros menores teriam dificuldade e precisariam enfrentar este trecho a pé. Uma descida íngreme de uns 20 minutos, nos leva até o fundo de um vale, entre paredões de pedra e a vegetação de cerrado.
O riacho que nasce no Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Eu estava com saudades disso, Amazônia é legal, mas como é bom um clima seco, vegetação mais baixa, horizontes e vistas a perder de vista. Ah! Trilha sem guia também é uma delícia.
Admirando a região de cerrado próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Chegamos ao rio e continuamos subindo em direção à sua nascente, o próprio Encanto Azul.
Chegando ao Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Um lago de águas cristalinas, vindas direto do lençol freático e que por incrível que pareça não é fria! O poço possui uns 7m de profundidade, mas na sua lateral já encontramos a boca de uma caverna submersa.
As águas incrivelmente transparentes do Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Aquele escuro me desperta sentimentos conflitantes, ao mesmo tempo que morro de vontade de me equipar e entrar lá como mergulhadora de cavernas, sem equipamento algum, me mete medo. Não consigo nem colocar a minha cabeça para dentro, como se fosse sair dali algum animal, o monstro do Lago Ness! Hahaha! Vai entender, é uma incógnita!
Explorando o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Curtindo o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
O Encanto Azul se parece com as nascentes do mesmo tipo que encontramos na Chapada Diamantina, Gruta Azul ou o Poço Azul, mas com a vantagem de não ter ainda nenhuma ação tolhedora do ICM-Bio para restringir ou até proibir o banho no local. Também não tem uma portaria de entrada, escadas, iluminação artificial e nem nada, ele está lá como veio ao mundo, puro e fabuloso. É simplesmente espetacular! Só nós dois e as centenas de morcegos na fenda seca da caverna.
Nadando no Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Voltamos à luz do dia encantados com o lugar, trocamos o azul pelo dourado do pôr-do-sol no cerrado. Sem mais para o momento, nos recolhemos aos nossos aposentos depois de uma comidinha caseira e uma lua crescente, quase cheia, só não mais cheia que a paz que estamos sentindo.
Pôr-do-sol no cerrado, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Aproximando-se do lago Yojoa, região central de Honduras
Depois de ter passado pelas famosas Bay Islands, no Mar do Caribe e em uma das ruínas mayas mais incríveis da America Central, era vez de visitarmos um destino alternativo em terras hondurenhas.
A região rural e montanhosa de Gracias, em Honduras
Nós saímos de Copan Ruínas em direção ao lago por um caminho alternativo, cruzando cidades interioranas e vendo o mundo passar pela janela, gente vivendo e sobrevivendo do campo, da venda, da terra e do sol. As estradas de Honduras são um exercício de paciência, esburacadas, mal sinalizadas e sem muitas regras de tráfego, ou se elas existem o povo não sabe cumpri-las.
Uma típica rua de Gracias, em Honduras, a antiga capital da América Central
Chegamos à pequena cidade colonial de Gracias e tivemos um fim de tarde super agradável na varanda do nosso hostel. Tomamos uma Salva Vidas (cerveja local) com vista para as montanhas e os charmosos telhados alaranjados feitos na época da colônia espanhola. A cidade é pequena e simpática, mas sem grandes atrativos. Para quem tiver tempo, nos seus arredores existem alguns mirantes, rios e cachoeiras a serem explorados.
Gracias, um pedaço de Minas Gerais no coração de Honduras
No dia seguinte continuamos para o Lago Yojoa que está localizado a meio caminho, entre as duas principais cidades do país, San Pedro Sula e a capital Tegucigalpa. Rodeado por montanhas e uma floresta tropical úmida, o Lago Yojoa é o paraíso para birdwatchers e hikers de plantão.
Plantação de café e banana no meio da mata, na Finca Paraíso, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
Escolhemos a área de Los Naranjos, próxima a um pequeno sítio arqueológico, cachoeiras e com alguma infraestrutura turística. Nossos amigos da Round House haviam indicado a D&D Brewery que além de produzir boas cervejas artesanais, aluga cabanas em meio a um pequeno bosque. À noite ainda provamos uma de suas cervejas exclusivas de damasco e outra de chocolate, muito saborosas. O estoque de pale ales e stouts havia sido completamente exaurido na Semana Santa que acabava de passar. Chegamos lá no final da tarde e já não havia um quarto disponível, então ficamos hospedados em um hotel vizinho, a Finca Paraíso.
lago Yojoa, região central de Honduras
Influenciada pelo último lago que havíamos conhecido em Flores, na Guatemala, eu estava esperando que os hotéis ficassem na beira do lago, para nadarmos, andarmos de caiaque, etc. Infelizmente eu estava enganada, o lago é raso, com muitas plantas e difícil acesso, sendo usado mais para passeios de barco e pesca.
Lago Yojoa, região central de Honduras
As atividades ao redor do lago são caminhadas com guias para avistamento de pássaros, trekkings pela cloud forest e até o pico Santa Bárbara, com sorte, com boas vistas do lago. Isso não era exatamente o que estávamos procurando, então aproveitamos as atividades que a própria finca oferecia, trilha para o mirante do Índio Desnudo e até o Poço Azul, lugares sagrados para os indígenas que viviam nesta região.
No meio da mata, um pequeno lago azul que foi um centro cerimonial do povo Lenca (na Finca Paraíso, perto do lago Yojoa, região central de Honduras)
Caminhada pela mata da Finca Paraíso, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
Caminhamos pela nossa vizinhança, brincando com os cachorros, vendo as crianças voltar da escola em seus tradicionais uniformes e assuntando com a apoiadora master do time de futebol da vila, a tia lavadeira que tinha os uniformes de todo o time estendidos em seu varal.
A simpática senhora que lavou toda a roupa de um time de futebol, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
Toda a roupa de um time de futebol seca no varal de uma casa no meio do campo, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
Fizemos um brunch na D&D Brewery com direito a hashbrown, ovos e blueberry pancake, delicioso! Escrevemos sob a trilha sonora natural das centenas de pássaros que vivem e se alimentam nas árvores frutíferas da finca e para refrescar tomamos coragem e demos um tchibum no Rio Blanco, também conhecido como Río Frío, e que numa versão realista deveria chamar-se Río Helado!
Estrada rural na região do lago Yojoa, em Honduras
Delicioso e refrescante banho de rio na Finca Paraíso, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
Belíssimas flores durante caminhada pela Finca Paraíso, perto do lago Yojoa, região central de Honduras
O tempo urge, temos prazos para chegar novamente ao próximo continente. Sem lago para nadar e nem mais delongas decidimos seguir caminho, com uma parada em um dos restaurantes às margens do lago na estrada para Tegucigalpa. Almoçamos com a bela vista do lago, das montanhas, dos bois pastando e das aves voando tranquilas sobre as águas do Yojoa. Ao nosso lado uma família menonita que assistia aos Jogos de Inverno ao som de uma bachata, a música sertaneja da América espanhola.
Pier avança até a borda do lago Yojoa, região central de Honduras
Tegucigalpa me surpreendeu negativamente, pois eu esperava encontrar pelo menos um canto da cidade que fosse mais interessante. O centro é como todo centro, prédios mais antigos, ruas bem movimentadas e uma igreja na praça central. Os bairros são desorganizados, mal urbanizados e mal saneados, muita sujeira, muitos fios, muitas casas enjambradas e nenhum charme.
Trânsito e milhões de fios nas ruas de Tegucigalpa, a capital de Honduras
Grafite nas ruas de Tegucigalpa, a capital de Honduras
Não conhecemos o Sector Hotelero da cidade, que seria mais caro, mais maquiado e menos real. Fomos direto para a Colônia Palmira, um bairro classe média, cortado pela Avenida Morazán que reúne prédios comerciais, centros médicos e uma infinidade de redes americanas de fast food. Acho que precisaríamos de mais tempo para encontrar os recantos e riquezas de Tegucigalpa.
Visão de Tegucigalpa, a capital de Honduras
Assim sendo, o nosso hostel foi o melhor refúgio que poderíamos encontrar nessa selva de pedras. Uma casa colonial bem confortável, os donos muito atenciosos e um café da manhã típico muito gostoso. Lingüiça, banana, feijão refrito (tipo tutu), um prato de leite com sucrilhos e suco de laranja natural. Bem energético, ótimo para aguentarmos as próximas horas de estrada e fronteira a caminho da Nicarágua.
Nosso simpático B&B em Tegucigalpa, a capital de Honduras
Café da manhã típico, em nosso B&B em Tegucigalpa, a capital de Honduras
Três dias, três lugares completamente diferentes, da histórica Gracias, passando pelo interior de Yojoa e chegando à metrópole suburbana de Tegucigalpa. Uma boa colcha de retalhos que somadas às mais turísticas Bay Islands e Copán, nos ajudaram a formar uma ideia mais clara de Honduras. Fechamos nossa passagem por aqui com uma nova visão do país, um lugar de gente muito receptiva e amável, terras férteis, montanhas, parques nacionais, cidades históricas e muita riqueza cultural, mas que ainda tem muito a se desenvolver, muitos ranços políticos a acertar e um clima pesado no ar para dissipar, depende para onde você olhe e o que queria enfocar. E você, qual Honduras vai querer conhecer?
Lago Yojoa, região central de Honduras
A praça central da bela Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Hoje saímos de San Marcos em direção a segunda maior cidade da Guatemala, que possui em torno de 150 mil habitantes: Quetzaltenango! O nome é tão difícil que até os habitantes, fluentes em maia e K´iqche´, decidiram apelidar-la “Xela”, encurtamento do nome indígena Xelajú.
Friozinho gostoso em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Xela está a 2.335m de altitude e tem um clima parecido com o de Curitiba. Frio de manhã, morno pelas 10h, 12h30 é aquele calor de rachar, 16h volta a ficar morno e no final da tarde começa a gelar. Xela estava tranquila, domingão, dia de ruas vazias, alguns turistas passeando por aí e de reunir os amigos na Praça Centro America, praça principal da cidade. Comemos um sanduíche no agitado Tejún, bar que fica na Pasaje Enriquez, entre a 12 e a 13ª Avenida.
Muita vida cultural em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
A maioria dos turistas que vemos por aqui são estudantes de espanhol, que vem para cá passar uma temporada de 1, 3 ou 6 meses estudando a língua e absorvendo a cultura local. Por isso também a cidade tem um clima bem festivo e vários barzinhos alternativos. Ainda assim a cidade conserva a sua identidade e características guatemaltecas, sem se perder nos “internacionalismos” que sempre aparecem com o turismo.
Monumento em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Há um fato histórico sobre a cidade que merece destaque. No início do século passado houve um movimento de 6 estados guatemaltecos para a criação de um novo país e Xela estava na liderança deste processo. Essa era a região mais rica do país, devido à imigração européia que existia, para terem uma idéia, o primeiro banco do país nasceu aqui. Essa região era abandonada pelo poder central da Guatemala e chegou a haver uma luta entre os separatistas e o governo, com derramamento de sangue e morte. A partir daí o governo viu que a coisa era séria e resolveu direcionar recursos para saúde, estradas e infra-estrutura, acalmando os ânimos dos “revoltosos”.
Arquitetura pomposa em Quetzaltenago, mais conhecida como Xela, na Guatemala
Nos arredores de Xela está o principal motivo de estarmos aqui, o vulcão Tajumulco, ponto mais alto da América Central e amanhã, é para lá que nós vamos!
Tem algumas pessoas que aparecem na nossa vida que são realmente especiais, peças raras! Um casal de amigos a quem me refiro são os ontem apenas citados Rafa e Laura. Laurinha, minha pequena grande amiga da época de faculdade, fizemos muitas festas, trabalhos, TCC e banca juntas... E lá se vão 10 anos! No caminho ela conheceu a sua cara metade, que não poderia ser menos figura, Rafael, economista, pangaré viajado e por coincidência irmão da Roberta, amiga da turma da facul.
Com os padrinhos Rafa e Laura na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Ótimos companheiros de viagem têm gostos muito parecidos com os nossos: de Atami à Fernando de Noronha, mergulhando, remando e caminhando pelas trilhas afora. Infelizmente não conseguimos convencê-los a nos acompanhar também os 1000dias, então combinamos que em alguns pontos estratégicos eles irão nos encontrar. Maresias foi um destes pontos selecionados e como não podem ficar sem agitar, tinham uma galera de amigos aqui em Paúba, praia vizinha. Isso somado ao fato de que havia uma nuvem estacionada sobre Maresias, lá fomos nós, para o Eldorado, em busca do sol e do calor humano dessa galera.
Socializando em gostoso fim de tarde na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Pausa para agradecer o acolhimento que recebemos do Zé, Carlinha e toda a galera. É uma delícia encontrarmos lugares assim, onde nos sentimos em casa enquanto estamos nesta longa estrada.
Com o Zé, cozinheiro de mão cheia, em sua casa na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Todo mundo muito bem alimentado, na casa do Zé e família na Praia de Paúba em São Sebastião - SP
Os padinhos estão juntos há mais ou menos 5 anos e por isso acompanharam desde o início a minha história com o Rodrigo. Na integração com a turma adorei um momento quando a Laura, sempre pró-ativa, se antecipou em responder a pergunta que nos fizeram de como nos conhecemos:
“Fazíamos aula de espanhol lá em casa naquela época: eu, minha mãe, Ana e o Rafa, com uma professora muito engraçada, a Gricel. A gente só falava besteira na aula, besteiras em espanhol, e a Ana chegava da aula de natação suspirando pelo “piscinaman”, o carinha da natação que ela estava de olho. Dali a pouco já estava toda empolgada, por que o piscinaman tinha convidado ela para jantar...”
Hoje eles moram em São Paulo, em 2008/09 me tornei vizinha deles, e claro, me receberam de braços e portas abertos, quando pra lá me mudei de mala e cuia. Teste de resistência para o amor do piscinaman, pensei eu, se o namoro resistir à distância é ele mesmo. Eu voltei à Curitiba, casei e a amizade é que já provou sua resistência à distância e aos surtos workaholics das duas publicitárias de plantão.
Este texto é a minha singela homenagem aos nossos padrinhos pelos 10 anos que se passaram desde que a primeira sementinha desta grande amizade foi plantada (no algodão, hein Rafa!), lá no nosso campus-fazenda no antigo Mossunguê.
Final de tarde na praia de Paúba em São Sebastião - SP
Passeando pela orla de Mazatlán, no México
Acordamos hoje com um café da manhã delicioso nos esperando na Plaza Machado. Eram quilos de frutas, tortillas, queijo de rancho, pães doces e tudo o que você imaginar! Pensem em um café da manhã farto! Tudo servido pelo Ernesto, dono do Hotel Machado, que quis garantir que nós teríamos o melhor café da manhã do mundo!
Um dos melhores desayunos da viagem, na Plaza Machado em Mazatlán, no México
Ontem pegamos mais 3 horas de estrada para o norte rumo à cidade de Mazatlán, na costa Pacífica. Chegamos a tempo de um final de tarde na Zona Dourada, região turística e mais moderna da cidade, dominada por expats americanos. Imensos hotéis da década de 80 dão um ar meio decadente para a região, que sofreu um baque no turismo depois da crise de 2007-2009.
Início da noite em praia de Mazatlán, no México
No mesmo período o centro histórico, antes abandonado pelo turismo, começava a renascer. Novos hotéis charmosos, atividades culturais e pequenos restaurantes atraíram uma nova vida para a região.
A charmosa arquitetura do centro histórico de Mazatlán, no México
Os principais consumidores de toda esta infra-estrutura são os mais de 7 mil aposentados americanos, só na cidade de Mazatlán! Eles alugam apartamentos por temporada, geralmente no período de inverno, que é mais barato e com a temperatura mais agradável e quando eles fogem do frio nos EUA. O Centro Cultural Angela Peralta os garante uma vida cultural bem ativa, com apresentações de teatro e cinema, além de uma interação com a juventude local, no mesmo espaço tem uma forte presença nas aulas de música, dança, canto, cinema e artes em geral oferecidas pela prefeitura. Angela Peralta foi uma cantora de ópera mexicana muito famosa que morreu de febre amarela, após aportar na cidade, hospedada no hotel que hoje foi transformado no centro cultural que leva seu nome.
A charmosa arquitetura do centro histórico de Mazatlán, no México
Um tour pelo centro antigo da cidade deve começar pela histórica Playa Olas Altas, na parte sul da cidade. Seu malecón tem esculturas marcantes com o tema marinho e a curiosa estátua de um veado, em referência ao significado da palavra “Mazatlán”, que em Nahuatl quer dizer “o lugar dos veados”. Caminhamos pelas ruas estreitas, ladeadas por edifícios coloniais bem conservados e descobrimos vários restaurantes e barzinhos noturnos bem convidativos.
Passeando pela orla de Mazatlán, no México
Um passeio rápido pela Plaza de Armas e a Catedral e logo chegamos ao mercado municipal, que sempre vale uma olhada, embora este não tenha nada de extraordinário. Fechamos o circuito chegando novamente no centro gastronômico da cidade, a Plaza Machado. Petiscamos uns rápidos bocadillos acompanhados de uma boa Pacífico, cerveja produzida desde 1900 pelos colonizadores alemães que chegaram ao norte mexicano em meados do século XIX.
Catedral de Mazatlán, no México
Estávamos ali, tranquilos, discutindo nosso roteiro e próximos afazeres, quando fomos surpreendidos por um casal de americanos que chamaram o Rodrigo pelo nome. “Are you Rodrigo?”, e ele sem entender nada respondeu que sim. Rick e Joan viram o site na Fiona, ficaram curiosos e entraram lá para conferir! Professores aposentados viajaram o mundo dando aulas de inglês e hoje vivem 6 meses aqui em Mazatlán e 6 meses em Boston, sempre escapando para visitar seus filhos que vivem no Texas. Eles, depois seguidos por um grande grupo da melhor idade, estavam passando pela praça para o Centro Cultural para assistir um filme documentário sobre a Janis Joplin. Uma boa forma de encontrarem novos velhos amigos e relembrarem os bons tempos!
Tranquilidade na delicioza Plaza Machado, no centro histórico de Mazatlán, no México
O sol quente e a praia ainda nos convidavam para um mergulho no nosso Oceano Pacífico. Preparamos-nos, fomos até a praia Olas Altas, mas o vento frio do final de tarde nos pegou de surpresa e dificultou um pouco a nossa vida.
O sol se esconde atrás do Pacífico na praia central de Mazatlán, no México
Vimos tranquilos o pôr-do-sol e retornamos à Plaza Machado onde reencontramos Rick e Joan, que nos convidaram para tomar um vinho e contar-lhes as nossas aventuras. Levaram-nos ao Boemia Bar, onde logo estava começando uma Jam Section de Jazz animal! Estava tão bacana que emendamos o jantar enquanto trocamos experiências e nos divertimos com cada instrumento novo que se apresentava a tocar.
Excelente show de jazz em bar-restaurante na Plaza Machado, no centro de Mazatlán, no México
Agora alguns de vocês podem estar se perguntando: como vocês foram descobrir este lugar!?! Não foi por sua nada charmosa Zona Dourada ou por sua rica infra-estrutura para a terceira idade. O Porto de Mazatlán é um dos principais pontos de acesso à Baja Califórnia. Amanhã pegaremos o ferry para a cidade de La Paz na Baja Califórnia Sur! Melhor ainda foi descobrirmos um lugar de tamanho bom gosto ao lado de uma zona portuária! Se for esse o seu roteiro, não deixe de conhecer la Vieja Mazatlán.
Com o simpático casal americano (Ricardo e Joan) em bar-restaurante na Plaza Machado, em Mazatlán, no México
A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
O sol demorou a baixar, quanto mais ao norte, mais tarde ele irá se por nesta época do ano. Nove e meia da noite e alguns raios solares ainda estavam no horizonte. Nosso alojamento quentinho era um convite à preguiça, o cansaço dos últimos 3.400 quilômetros queriam nos afastar do nosso principal objetivo, esperar lá fora pela Aurora Boreal.
A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
O céu estava estrelado, a lua começava a despontar no céu, a temperatura estava abaixo do ponto de congelamento, -4°C, -6°C. Não poderia esperar nada diferente disso, estamos no Alasca! Tínhamos apenas que torcer para o céu continuar estrelado e com a atividade solar elevada. A previsão ontem dizia que a aurora estaria entre 4 ou 5/10, o que é ótimo. Quanto mais alto este índice, mais ela se amplia e pode ser vista até em Anchorage.
um inesquecível show de luzes da Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
Tomamos um banho bem quentinho, vesti todas as roupas possíveis, peguei meu saco-de-dormir no carro, queijos e um bom vinho na mão. O kit aurora boreal estava pronto para sentarmos lá fora e esperarmos. Nos disseram que a melhor hora era entre meia-noite e duas horas da manhã, mas ela pode acontecer a qualquer momento e algo me dizia para ir logo para fora. Fui, sem kit, sem máquina nem tripé, só dar uma conferida e quando saio pela porta vejo aquela nebulosa verde crescendo no céu, uma torre vertical com formatos arredondados. Fabulosa! Simplesmente mágica! Corri para dentro, chamei o Rodrigo, peguei a câmera e o tripé e sem sentir frio algum fiquei assistindo a esse espetáculo natural.
A Aurora Boreal faz desenhos nos céus de em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
A aurora é um evento físico que acontece quando partículas solares são capturadas pelo campo magnético e atraídas para os polos da terra. Quando elas entram na atmosfera se chocam com as moléculas de nitrogênio e oxigênio e este choque resulta em uma descarga luminosa. Estas luzes podem ser verdes, vermelhas, azuis, roxas e brancas. Na maioria das vezes o verde é a cor predominante e apenas com uma atividade muito elevada as outras cores irão se manifestar. Ficamos lá fora por mais de uma hora, a aurora dançava do norte ao sul, leste a oeste por todo o céu! Às vezes ela se esvaía, diminuía por um tempo e quando menos esperávamos voltava a dar surtos mais fortes e pintava o céu de verde novamente. Um espetáculo indescritível que só presenciando ao vivo e a cores, é possível compreender.
Expedição 1000dias e a Aurora Boreal, em Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
Ainda teremos chance de ver a aurora na noite de amanhã, depois de uma viagem à Brooks Range e às tundras do norte. A aurora é viciante, depois de vermos uma vez não podemos esperar para encontrá-la novamente em mais uma noite acima do Círculo Polar Ártico.
A fantástica Aurora Boreal nos céus de Coldfoot, 95 km ao norte do Círculo Polar, na Dalton Highway, no Alaska
Blog da Ana
Blog da Rodrigo
Vídeos
Esportes
Soy Loco
A Viagem
Parceiros
Contato
2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)

.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)




.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)





.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)