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SHUFFLE Há 1 ano: Rio Grande Do Norte Há 2 anos: Rio Grande Do Norte

Citadelle e San Souci

Haiti, Cap-Haitien, Citadelle

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Um grande palácio que rivalizou, em grandeza e requintes, o Palácio de Versailles e a maior fortaleza do Caribe! Alguma vez você imaginou que poderia encontrar tudo isso aqui, no Haiti?

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti


Sim, eles existem e nós fomos lá conferir. O Palácio de San-Souci e a Citadelle Laferrière são monumentos à loucura e mania de grandeza de um dos libertadores do país, Henri Christophe. Isso em nenhum momento lhes tira a grandeza e a genialidade arquitetônica de ambos, pelo contrário, a loucura somada à beleza cênica dos seus arredores as fazem ainda mais obrigatórias em qualquer roteiro pelo país.

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti


Após ter lutado pela libertação do Haiti dos domínios franceses e de romper com seus colegas e líderes revolucionários, Christophe decidiu se tornar Rei do “Reino do Haiti”, no norte do país. A excentricidade do maluco não parou por aí, ele queria também se equiparar aos seus algozes franceses em título, poder e símbolos de riqueza e afundou todos os recursos que já não possuía na construção do seu castelo San-Souci e na maior fortaleza do Caribe.

Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


O Castelo de San-Souci foi construído entre os anos de 1810 e 1813 e era a residência oficial do Rei Christophe, sua esposa Marie-Louise e suas duas filhas. Era o maior e mais impressionante dos 9 castelos e diversas residências reais, muitos dizem que nos seus tempos áureos ele seria o equivalente caribenho do Palácio de Versalles. Em outubro de 1820 Christophe se suicidou no castelo e 10 dias depois seu filho foi assassinado por revolucionários. Vinte e dois anos mais tarde, um grande terremoto se abateu na região e deixou o castelo em ruínas e este nunca mais foi reformado.

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


A pouco mais de 8 km montanha acima está a Citadelle Laferrière, construída entre 1805 e 1820 para defender o Haiti de invasões francesas que nunca ocorreram. Ela possui a maior coleção de armas de artilharia do século XVIII, dentre eles 365 canhões dos mais diversos calibres e suas respectivas bolas de ferro.

Galeria cheia de canhões na Citadelle, no norte do Haiti

Galeria cheia de canhões na Citadelle, no norte do Haiti


Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti

Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti


Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti

Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti


A maior fortaleza do Caribe, e uma das maiores da América, tem 10 mil metros quadrados, 40 metros de altura e empregou mais de 20 mil trabalhadores na sua construção. A Citadelle é mamutesca e realmente impressiona pela massividade de sua estrutura, são andares e mais andares construídos no topo do Bonnet a L´Eveque, uma montanha a 970m sobre o nível do mar, com vistas maravilhosas da região.

Placa informativa com o mapa da Citadelle, no norte do Haiti

Placa informativa com o mapa da Citadelle, no norte do Haiti


A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti

A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti


Do castelo à Citadelle pegamos um moto-táxi (episódio detalhado abaixo), e o último quilometro deve ser feito a pé ou à cavalo. A caminhada é linda, com vistas sensacionais das montanhas, da baía de Cap-Haitien e o litoral norte do Haiti. Dizem que em dias claros se pode ver até Cuba, mas tenho minhas dúvidas.

Observando a vista do alto da Citadelle, no norte do Haiti

Observando a vista do alto da Citadelle, no norte do Haiti


Observando a vista através das janelas da Citadelle, no norte do Haiti

Observando a vista através das janelas da Citadelle, no norte do Haiti


Decidimos retornar à Milot a pé, passando pelas vilazinhas de montanha, vendo mais de perto como esse povo vive, conversando com locais e aproveitando as belíssimas vistas. A decida é dura e exige bons joelhos, no final os meus já estavam pedindo água! Mas foi um belo exercício e uma ótima forma de nos envolvermos mais com a cultura e a paisagem da região.

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti


O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti


Desde 1982 as ruínas de San-Souci foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. São os lugares com maior potencial turístico no Haiti. O governo sabe disso e já começou a preparar a estrutura turística, colocando placas informativas, construindo instalações com centro de informações, lojas de artesanatos e banheiros na base de acesso à fortaleza.

Futuro centro de apoio aos turistas, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Futuro centro de apoio aos turistas, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Tudo isso é parte de um plano maior para disseminar o turismo que já existe no litoral norte, trazendo os turistas de cruzeiro de Labadie, praia privada da Royal Caribbean, em day tours para cá. Ajudará a comunidade e será uma grande aventura para estes turistas que, quando aportam nesta praia, muitas vezes nem sabem que estão no Haiti.

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti



Como chegar lá? Ou, Uma aventura nos taptaps entre Cap-Haitien a Milot.


Muita gente usa cavalos para chegar até a Citadelle, no norte do Haiti

Muita gente usa cavalos para chegar até a Citadelle, no norte do Haiti


O Castelo de San-Souci está localizado à margem da pequena e simpática cidade de Milot, a pouco mais de meia hora da capital du nord, Cap-Haitien. Milot pode ser acessada de taptap, moto-táxi ou táxi desde Cap-Haitien. Aluguel de carro no Haiti é caríssimo, algo em torno de 150 dólares. Um taxi que te levaria e ficaria a disposição cobraria algo parecido, pouco mais de 100 dólares, assim as opções que nos restavam seriam duas moto-táxis ou o popular taptap.

Um taptap nas ruas de Cabaret, cidade ao norte de Port-au-Prince, no Haiti

Um taptap nas ruas de Cabaret, cidade ao norte de Port-au-Prince, no Haiti


O taptap é um transporte “público” basicamente descrito como lotação. Entram todos nas caçambas das caminhonetes mais coloridas que já vimos, onde uma boa caixa de som não pode faltar! No taptap ouvimos kompa, reggae e até Michel Teló! Difícil é avisar o motorista para baixar o som ensurdecedor, já que não falamos creole. Com sorte alguns dos 20 outros passageiros entulhados ao nosso lado também estavam ficando surdos e resolveram esse problema por nós.

Deixando Cap-Haitien, já no Taptap cheio, seguindo em direção â Citadelle, no norte do Haiti

Deixando Cap-Haitien, já no Taptap cheio, seguindo em direção â Citadelle, no norte do Haiti


O taptap sai da Pont Neuf em Cap-Haitien, que está há uns 5 minutos de moto-táxi (200 gourds) do Boulevard onde está o seu hotel. Só entrar no taptap já é uma aventura, pois os motoristas te disputam a tapa, tentando organizar a fila dos carros de saída dentro do posto de gasolina ao lado da ponte. Uma vez lá dentro, vamos baldeando e aproveitando a experiência sociológica ao máximo, com os olhares curiosos de todos os haitianos para os estrangeiros branquelos dentro do taptap, cena rara.

Em Cap-Haitien, aguardando o Taptap encher para seguir em direção à Citadelle, no norte do Haiti

Em Cap-Haitien, aguardando o Taptap encher para seguir em direção à Citadelle, no norte do Haiti


27 quilômetros e várias paradas depois, chegamos à cidade de Milot. O ponto final está a apenas 3 quadras do Castelo de San-Souci. Ali mesmo, ao lado da placa, embaixo da árvore do lado do alambrado, você paga o ingresso válido para o palácio e para a Citadelle. Hoje nós dispensamos acompanhamento de guias (quem nos acompanha sabe que essa é uma briga antiga, o Rodrigo odeia, eu gosto, e tentamos revezar para não dar briga), mas foi difícil fazer os meninos guias da região largarem do nosso pé, afinal eles precisam e muito de qualquer dinheiro. Enfim, quando o Rodrigo decide que não quer, não tem pena, não tem choro e nem vela... nem para mim, nem para o guia.

Ainda tentando me livrar de um insistente guia, na Citadelle, no norte do Haiti

Ainda tentando me livrar de um insistente guia, na Citadelle, no norte do Haiti


Chegando ao palácio Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Chegando ao palácio Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Para ir à Citadelle precisávamos pegar uma moto-táxi para cada um (200 gourds – 4,5 dólares), mas não sem ter que lidar com uma batalha dos motociclistas. Todos queriam e precisavam trabalhar e enquanto nós estávamos tentando visitar o palácio, eles discutiam entre eles e nos exigiam uma definição. Uns 15 carinhas nos encurralaram numa placa, com os ânimos exaltados e disseram “vocês terão que escolher quem vai levá-los!”. Momento tenso. Chamaram o diretor de turismo e armaram uma reunião, nos dizendo, “conversem com o diretor!”

Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti

Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti


Era uma cena surreal, sinceramente, só não mandei todos “passear” por que vi que ali valeria a lei do mais forte. Enfim, fomos conversar com o diretor, que por sinal havíamos acabado de conhecer no taptap vindo a Milot. Ele trabalha para o Ministério de Turismo e tem, dentre as suas diversas atividades, a função de organizar a comunidade local para receber os turistas. Era o único que tinha alguma moral com a galera, discutindo em creole, francês e intermediando conosco em inglês, quem, afinal, iria nos levar montanha acima.

Motorista da moto que levou a Ana até os pés da Citadelle, no norte do Haiti

Motorista da moto que levou a Ana até os pés da Citadelle, no norte do Haiti


Já sabemos, mas com uma cena assim é que fica claro como 4 dólares fazem toda a diferença na vida desse povo. Foi um momento estressante para quem quer apenas aproveitar aquele cenário incrível nas montanhas haitianas, mas logo passou e estávamos nas garupas dos motociclistas que primeiro haviam nos abordado, educadamente, antes de entrarmos no castelo. O diretor nos seguiu em seu carrinho de golf, para acompanhar os primeiros turistas independentes que ele via chegar ali, bem curioso e atencioso.

Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti

Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti


Retornamos à Cap-Haitien em um taptap que pegamos no centro da cidade, logo após termos feito um lanche rápido no restaurante do único hotel-pousada que vimos em Milot. No taptap conhecemos uma menina que, curiosa, nos perguntou de onde éramos e o que fazíamos ali. O Rodrigo se comunicou com ela em francês, eu entendendo quase tudo, mas precisando do marido para traduzir as minhas perguntas e respostas.

Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti

Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti


Eis que ela nos pergunta: “Por que vocês não falam creole?” Bem... como explicar... nós falamos português, espanhol, inglês e até o francês (no caso do Rodrigo), mas creole não foi assim, uma prioridade, pois só podemos fala-lo aqui. E ela genuinamente intrigada e sem entender direito, começou a tentar me explicar algumas frases como:
Non mwen se Ana”, “Mwen swiv brezilyen” e a expressão “Bon Bagay”, que quer dizer “gente boa”, bastante utilizada pelos militares brasileiros, por sinal. Para a leiga aqui tudo me pareceu muito com o francês, mas meio tupiniquim “Mim nome é Ana”, mais simples e curto que o francês, quem sabe até mais fácil. Gostei! Se vier morar aqui sem dúvida terei que aprender! Rs!

A popular expressão em creolle que quer dizer 'boa gente', em Cap-Haitien, no norte do Haiti

A popular expressão em creolle que quer dizer "boa gente", em Cap-Haitien, no norte do Haiti


O final do dia foi no bar encima do mercado no Boulevard, com vista para o mar e uma boa prestigie gelada, com uma sensação boa de missão cumprida. Um dia lindo, cheio de explorações e interações no interior do Haiti, descobrindo cada vez mais o quanto esse país tem a nos oferecer e que mesmo com tantas dificuldades, descobrir o quão sorridente e gentil seu povo é. Hey, aqui entre nós, tenho um segredo para contar a vocês, acho que estou apaixonada pelo Haiti!

No interior de uma das torres da Citadelle, no norte do Haiti

No interior de uma das torres da Citadelle, no norte do Haiti

Haiti, Cap-Haitien, Citadelle, Citadelle, Creole, Milot, Palácio, Transporte

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Punta Cana

República Dominicana, Punta Cana

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Chegamos ao paraíso dos pacotes turísticos caribenhos, Punta Cana! Longas praias de águas claras, areias branquinhas e dezenas de hotéis all inclusive, para todos os gostos e bolsos.

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A praia em frente ao nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


As praias de Punta Cana tem águas azuis-esverdeadas, afinal estamos no Mar do Caribe. Mas depois de passarmos por todas as ilhas (sim, foram todas) sinto em contar-lhes que o Caribe tem milhares de praias mais bonitas do que esta. A principal diferença começa pela cor da água que é azul-esverdeada, mas é quase opaca, pois como são praias longas e mais desprotegidas acabam tendo maior influência de marés e do vento. Talvez por isso Isla Saona seja tão procurada, mas este tour à ilha não está incluído no pacote. (Quer ver uma ilha caribenha mesmo? Adicione uns 100 dólares por pessoa). O segundo motivo é que aqui em Punta Cana, dentro ou mesmo fora dos hotéis, você não encontrará nada da cultura caribenha. O passo relaxado, os sotaques, a culinária, a música, nada aqui é original, esse mundo da fantasia onde até pedras cantam nos jardins do hotel, poderia ser aqui, no Brasil ou no sudeste asiático e você nem notaria a diferença.

Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Aproveitando as piscinas do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Nos caminhos do hotel, muitas caixas de som disfarçadas de pedra (em Punta Cana, no litoral da República Dominicana)

Nos caminhos do hotel, muitas caixas de som disfarçadas de pedra (em Punta Cana, no litoral da República Dominicana)


Pois é, e a nossa curiosidade não conseguiu nos deixar de fora desta, afinal queríamos entender por que este é um dos destinos caribenhos preferidos, não apenas dos brasileiros, mas de russos, chineses, norte-americanos e um punhado de europeus. Os preços sem dúvida são convidativos, mas será que eles correspondem às suas expectativas? Pois além do gosto ser relativo, as expectativas de cada um é que irão dizer se você irá gostar ou não deste paraíso artificial. Eu confesso a vocês, foi aí que eu pequei. Eu tinha uma grande expectativa sobre Punta Cana, pois mesmo que não seja muito a nossa praia essa coisa de resort, aqui poderíamos, pelo menos, descansar e trabalhar muito nos nossos blogs. Foi o que fizemos, mas não sem passar alguma raiva de ter me metido nessa.

Praia em frente ao hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Praia em frente ao hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Vou direto ao ponto: eu não suporto serviços padronizados e mal feitos. Cheguei à conclusão que resort para mim só se for 4 ou 5 estrelas. Minha única experiência de resort antes dessa foi no Ibero Star na Praia do Forte, onde fui de esposa em um evento que o Rodrigo foi convidado. Eu nem sei quantas estrelas tem, mas o que estou analisando são pura e simplesmente os serviços prestados pelo hotel. Lá tivemos acesso aos restaurantes à la carte, bebidas de boa qualidade e um atendimento impecável. Dessa forma não houve nada que pudéssemos reclamar e nem saímos do hotel nos 3 dias que ficamos por lá.

Turistas se divertem em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Turistas se divertem em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


Aqui o que faltou para mim foi informação, eu pesquisei em vários blogs de viagem, li e reli todas as descrições do trip-advisor e dos próprios sites dos hotéis e no final me senti enganada. Faltou uma informação de alguém que pudesse me dizer: Barcelo Dominican Beach é o mais básico de todos os resorts. Ponto, ou nós já iríamos para lá com essa expectativa ou nós gastaríamos um pouco mais e escolheríamos algo melhor. Mas sentir-se enganado, ou pior, ver que você estava “mal informada” é o fim da picada!

Piscina principal do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Piscina principal do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


A praia em frente ao hotel era uma farofa só, o buffet ok, várias vezes bem desfalcado e pedir reposição era quase um crime. Os atendentes olhavam com uma cara como quem diz “Ihh minha filha, já acabou.” Pior do que o serviço de má qualidade é ver que as pessoas que te atendem não estão felizes... (com algumas raras exceções).

Restaurante de buffet do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Restaurante de buffet do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


A regra de agendamento dos restaurantes foi outro ponto de tensão. Chegamos no hotel perto das 17h e descobrimos que só poderíamos fazer as reservas até o meio-dia. São 6 restaurantes, um brasileiro, um italiano, um mexicano, um japonês, um espanhol e um de frutos do mar. No segundo dia as 8 da manhã eu estava lá para agendar e não havia nenhuma vaga, pois a agenda não é apenas pela manhã, mas sim um dia antes! Quer dizer que das nossas 3 noites, apenas uma poderia ser em um restaurante à la carte, que a propósito foi um churrasco brasileiro fake que me deixou passando mal no dia seguinte. Nos bares as bebidas eram todas as “da casa”, sabe Deus o que tinha lá dentro. Tomamos rezando para sobreviver no dia seguinte, afinal, só bebendo para se divertir aqui.

Nosso bar predileto no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Nosso bar predileto no hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


As primeiras 24 horas foram de adaptação, passada a revolta e ajustada às regras (mesmo não concordando com várias delas), finalmente relaxei. Pegamos uma piscininha, tomei um banho de mar e até fiz uma aulinha de hidroginástica! É bein, se tem uma coisa que aprendi nessa viagem é que o ser humano se adapta a tudo!

Jardim do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Jardim do nosso hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


O final de tarde era sempre no bar da piscina principal, o único que ficava aberto até as 18h, e por isso também o mais animado. Na primeira tarde no bar fizemos amizade com um grupo de jovens equatorianos em graduação do colegial (hoje conhecido como ensino médio) e um bando de porto-riquenhos bêbados e sem vergonhas. Também conhecemos um dominicano super querido, treinador do time juvenil nacional de vôlei e uma russa corajosa, que veio para cá sem falar uma palavra de inglês e nem de espanhol. Depois de muitas mímicas até que conseguimos alguma interação, mas foi mais tarde no buffet, com a ajuda do ipad e um tradutor, que a conversa fluiu melhor. No segundo dia conhecemos na piscina um grupo do exército argentino que está trabalhando no Haiti, eles aproveitaram a semana de folga para sair da loucura do trabalho na área de Gonäive (bem barra pesada) para descansar sem se preocupar com nada aqui no all inclusive de Punta Cana. Como eles encontramos alguns brasileiros da Missão Haitiana, que antes de voltar para casa conseguiram aproveitar para pegar uma prainha.

Bar da piscina do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana

Bar da piscina do hotel em Punta Cana, no litoral da República Dominicana


É minha gente, no final até que tudo acabou bem. Como diria um antigo conhecido meu: pobrete mas alegrete! Ou ainda “Nóis ganha pouco mas se diverte.” No nosso caso, que não ganhamos nada, prefiro continuar com a nossa vida de viajantes alternativos e selecionando bem os restaurantes e pousadas aonde vou gastar cada centavo do nosso escasso dinheirinho.

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana

A bela praia de Punta Cana, no litoral da República Dominicana

República Dominicana, Punta Cana, Caribe, Dominican Beach, Praia, Resorts

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Asheville e o Folk!

Estados Unidos, North Carolina, Asheville

A bela igreja metodista de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

A bela igreja metodista de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


Apelidada “Land of the sky” ou “Terra do céu”, Asheville é uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes no estado americano de North Carolina. Situada estrategicamente entre o famoso Great Smoky Mountains National Park e o Shennandoah National Park, seus arredores já foram cenário para filmes como “O Último dos Moicanos” e até hoje atrai artistas, músicos e pessoas apaixonadas pela natureza, o que a torna um lugar alternativo e bem cosmopolita.

A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


Asheville figura em uma ampla lista de rankings, citando apenas alguns deles como uma das "25 Melhores Destinos de Artes da América" (Revista AmericanStyle), "A nova “freak capital”dos EUA" pela revista Rolling Stone, "Nova Meca New Age" (CBS News) e em 2007, Asheville foi nomeada uma das sete principais lugares para se viver nos EUA pelo Ranking de cidades da Frommer.

Caminhando pelo centro histórico de  Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

Caminhando pelo centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


Nós chegamos em um dia de chuva e cinzento, mas as suas ruas, bares e restaurantes estão sempre cheios e divertidos com pessoas de todas as tribos e idades. Paramos no delicioso Salsa´s Mexican Caribbean Restaurant, restaurante que mistura o melhor das duas cozinhas, mexicana e caribenha, sempre com uma exposição interessante de artistas contemporâneos da região e um público bem antenado.

Restaurante em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

Restaurante em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


A comida é divina e muito criativa, além de ter uma boa relação custo x benefício. Nada melhor que uma boa cerveja artesanal para acompanhar uma delícia apimentada dessas. Eu provei a Pale Ale da High Lander Brewing Company, saborosa e no ponto certo para não brigar com o sabor da comida. Ótima sugestão do nosso simpático garçom.

Deliciosa e apimentada comida mexicana requintada, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

Deliciosa e apimentada comida mexicana requintada, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


Uma das milhares de cervejas artesanais americanas, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

Uma das milhares de cervejas artesanais americanas, em Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


A arquitetura da cidade vai do art decó ao neogótico em seus edifícios históricos, igrejas e monumentos. A chuva deu um intervalo e conseguimos andar nas ruas arborizadas, sempre cruzando um músico mambembe tocando sob uma marquise na sua viagem particular.

A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos

A pomposa arquitetura do centro histórico de Asheville, na Carolina do Norte, Estados Unidos


À noite, não poderíamos perder a chance de ouvir uma legítima Jam Section de cordas, em uma das principais representantes da Folk Music Americana. Fomos ao mais indicado bar em Downtonw Asheville, o Jacskon Pub. Cada músico traz o seu instrumento de corda como o violino, violão, contrabaixo e o indispensável banjo! Os músicos estavam se divertindo aos montes, solos alucinados cada vez mais acelerados faziam o público ir ao delírio! Mais tarde uma banda de jovens tomou o palco e fez uma apresentação maravilhosa, essa sim era profissional! É sempre bacana ver jovens se interessando, revivendo e aprimorando tradições.

Balada com jam session com muita música Folk, em Asheville, na Carolina do Norte - EUA

Balada com jam session com muita música Folk, em Asheville, na Carolina do Norte - EUA


Asheville é o nosso ponto de partida para conhecermos a região dos Apalaches e da Blue Ridge Parkway, a road trip mais famosa no leste dos Estados Unidos.

Estados Unidos, North Carolina, Asheville, Gastronomia, Música

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Vento a favor

Brasil, Paraná, Superagui, Barra do Ararapira

Travessia de volta da Praia Deserta

Travessia de volta da Praia Deserta



Hoje acordamos cedo e fomos atravessar a barra, nadar do Paraná a São Paulo. Estou realmente me sentindo uma pessoa saudável! 30km de pedal ontem, travessia da barra contra a corrente hoje e mais 30km de praia para retornar à Superagui hoje. Assim me dou até ao direito de comer mais... hummm delicioso o café da manhã que comemos hoje. Pão caseiro, margarina becel sabor manteiga e queijo... juro, parece até exagero, mas o pão que a Edna fez é sensacional!

Bem, hora de nos despedir do primeiro lugar que temos certeza que não voltaremos pelos próximos 1000dias. Fomos acolhidos muito bem aqui pelo Seu Rubens e sua família. Deixamos o nosso primeiro adesivo colado na sua prateleira e até gravamos um depoimento para a nossa coluna Soy Loco por Ti América, onde queremos mostrar por que cada um é apaixonado pelo lugar onde vive. Foi realmente especial. Depois de repormos todas as energias e feitas as despedidas, hora de retornar.

Realmente tudo muda quando o vento está a favor e pior que só damos valor a isso quando pegamos aquele vento contra. Não é uma metáfora não! Hoje voltamos da Barra do Ararapira para a vila de pescadores de Superagui, onde pegamos as nossas coisas para ir à Ilha do Mel. Eram novamente os mesmos 30km da ida, só que agora com o vento contra. É aquele vento gostoso contra o seu rosto que vários filmes e romances falam, mas que na prática e numa distância dessas faz uma diferença danada! Haja perna! Eu não via a hora de chegar, tentei de tudo para aliviar a dor, ouvi música, mudei de posição, mas não dava, para piorar um pouco minha bicicleta começou a rodar em falso e aí quando funcionou eu não podia parar, vai que não anda mais!? É claro que andou, que deu tudo certo e que o Rodrigo acha que é tudo drama meu. Só espero que amanhã eu ainda tenha pernas para dar a volta à Ilha, ou o drama vai ter que me carregar.

Travessia de volta da Praia Deserta

Travessia de volta da Praia Deserta

Barra da Lagoa, na Praia Deserta

Barra da Lagoa, na Praia Deserta

Barra da Lagoa, na Praia Deserta

Barra da Lagoa, na Praia Deserta

Brasil, Paraná, Superagui, Barra do Ararapira, Praia

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Aqui começa o Brasil!

Brasil, Amapá, Oiapoque

Monumento que marca o início do Brasil, em Oiapoque - AP

Monumento que marca o início do Brasil, em Oiapoque - AP


Oiapoque é uma cidade portuária e fronteiriça, caótica e um tanto quanto desorganizada. O mote da cidade é “Aqui começa o Brasil” e os guianeses e franceses ainda se aventuram até lá para conhecer o Brasil. Não deixa de ser um pedacinho do Brasil, mas a imagem que eles terão será a mesma que a maioria dos brasileiros tem do Paraguai, que se resume à Ciudad del Este.

Nosso hotel em Oiapoque - AP

Nosso hotel em Oiapoque - AP


Às margens do Rio Oiapoque, rio riquíssimo em peixes, um dos principais acontecimentos na cidade giram em torno da ponte que está sendo construída para ligar o Brasil à Guiana Francesa. A Guiana é um estado francês, com todos os benefícios e malefícios que isso pode acarretar. Um dos grandes problemas é o mesmo que um país rico e desenvolvido teria na fronteira com qualquer outro país subdesenvolvido e pobre como o Brasil, a imigração ilegal em massa. Alguns estereótipos já devem ser bem conhecidos da PAF (Policie Aux Frontiere) como os garimpeiros, brasileiros que vão tentar ganhar a vida nos garimpos franceses e mulheres aqui da região norte e nordeste que vão tentar entrar no país para trabalhar e se legalizar casando com algum cidadão. Estes devem ser os mais comuns, mas não os únicos, afinal todos tem direito de lutar por uma vida melhor. Em Oiapoque mesmo vemos que esta preocupação do Governo Francês procede, pois quase todos possuem irmãos, tios, primos, morando na Guiana Francesa. Quando perguntamos o porquê, todos dizem que ali, do outro lado do rio, eles possuem condições melhores de vida e trabalho do que no Brasil. Além disso, todos sabemos que quando legalizados todos podem receber inclusive o auxílio do governo como um bom seguro desemprego. Engraçado que os brasileiros no sul dificilmente pensam na Guiana Francesa como um escape para a Europa, mas aqui nas vizinhanças isso fica mais óbvio.

A ponte que está sendo construída para ligar o Brasil e a Guiana Francesa, em Oiapoque - AP

A ponte que está sendo construída para ligar o Brasil e a Guiana Francesa, em Oiapoque - AP


Não é preciso dizer que o mundo, os problemas e as soluções sempre mudam de perspectiva conforme o histórico de vida, educação e cultura de cada pessoa. Então a sensação que tenho aqui em Oiapoque é que este fato faz toda a diferença. Todas as pessoas que conversamos nos disseram ser impossível cruzarmos o carro para a Guiana Francesa. Brasileiros que vivem na fronteira, outros que vivem em Cayenne ou em St Georges sempre vêem este trânsito com maior dificuldade. Há mais tempo brasileiros não precisavam de visto, agora precisam retirá-lo em São Paulo, Brasília ou em Macapá, onde foi formado um consulado honorário apenas para cidadãos amapaenses, justamente para não incentivar a ilegalidade. Brasileiros viajantes e aventureiros como nós não são tão comuns por estas bandas, alguns são tão aventureiros que nem se informam, batem na Guiana e voltam no mesmo dia, com o visto negado. Realmente a nossa situação era especial, viajando de carro, além do visto do Ro, a nossa preocupação era entrar com o carro legalmente no país. O povo por aqui nos dizia que nunca tinham visto alguém conseguir passar, nos deram exemplos como o grupo de jipeiros que tentou e não conseguiu e que a ponte estava sendo construída apenas para o benefício dos franceses, pois brasileiro mesmo nunca poderia cruzar de carro para lá. É claro que isso nos deixou preocupados, mais ansiosos, mas não desistimos, seguimos com os trâmites normais, crentes que conseguiríamos. Nos órgãos oficiais, receita e polícia federal ninguém nos disse ser impossível, mas ninguém havia informação ou histórico de situação parecida.

Viagem de voadeira entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Viagem de voadeira entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


Fomos à Receita Federal, fizemos o documento de exportação provisória do veículo, agendamos horário com a balsa para a travessia. A balsa está alocada para travessia de materiais para a construção da ponte e é liberada as 11h e as 16h (horário de almoço e troca de turno dos operários) para transportes “extras”. O custo é de 200 euros ou 500 reais, por isso não arriscamos passar direto com o carro, fomos até St Georges, nos informamos com a PAF e a Aduana Francesa para não gastarmos a travessia de ida e volta (400 euros!) em vão.

A densa floresta da Guiana Francesa vista de Oiapoque - AP

A densa floresta da Guiana Francesa vista de Oiapoque - AP


Depois de uma correria desenfreada desde as 7h30 da manhã (mais detalhada no post do Rodrigo), nós finalmente atravessamos, com a Fiona, para a Guiana Francesa. As 16h, abaixo de uma chuva torrencial, embarcamos a Fiona na única balsa autorizada a levar mercadorias pelo Rio Oiapoque à Guiana Francesa. O Rodrigo estava tenso, pra variar, ele não consegue relaxar, adora ficar procurando preocupações para ocupar sua mente. Será que o carro vai entrar? Será que o visto vai ser dado mesmo? Tudo isso depois de ter falado com os oficiais da aduana e da PAF. Eu estava tranquila, fiquei emocionada durante a travessia. Tão feliz que não estava nem aí para chuva, tempo, horário, afinal estamos cruzando a nossa primeira fronteira!

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa


A aduana basicamente não queria nem saber da nossa existência, perguntou se tínhamos seguro internacional e sem ver documentos, acreditou em nossa palavra. A PAF já tinha o email do Cônsul Francês de Macapá autorizando a liberação do visto para o Rodrigo, então o visto que também poderia ser um problema, já estava resolvido. No final ficamos preocupados à toa, aparentemente por estarmos envolvidos em comentários de pessoas que já devem possuir uma relação mais conturbada com o país.

O GPS, meio perdido, mostra a fronteira do Brasil, na nossa viagem de balsa para a Guiana Francesa

O GPS, meio perdido, mostra a fronteira do Brasil, na nossa viagem de balsa para a Guiana Francesa


O único imprevisto que surgiu, este completamente inesperado, foi que eu, como cidadã italiana, precisaria de visto para o Suriname. Os policiais franceses nos advertiram, gentilmente, que eu não poderia entrar na Guiana Francesa com o passaporte italiano e depois no Suriname com o passaporte brasileiro, pois eles precisam saber do histórico de viagem no mesmo passaporte. O que ficou claro ali é que não existe um procedimento padrão entre as polícias fronteiriças para dupla cidadania, eu poderia conseguir entrar com o passaporte brasileiro no Suriname sem problema algum, como eles poderiam me barrar e fazer voltar à Cayenne para pedir um visto como italiana. Enfim, para minimizarmos este problema fomos convencidos pelo Major francês fazer o visto da Guiana no meu passaporte brasileiro, assim o histórico ficaria todo lá. Foi aí que descobrimos a maior comida de bola que eu já dei em uma viagem: meu passaporte brasileiro está vencido! É um absurdo, revisei este passaporte milhares de vezes e não notei esse “pequeno” detalhe! Acho que o Ro procurou tanto preocupações que acabei criando uma! Rsrsrs! Quando voltamos do Caribe, no início do ano passado, estávamos tão empolgados em começar a viagem de carro que acabei esquecendo. Depois foram 300 dias de estrada apenas pelo Brasil, sem nem precisar pensar em passaporte, realmente passou batido. Sim, não há o que falar... Já viajei para mais de 25 países e nunca dei uma gafe dessas, mas sempre tem uma primeira vez.

A Ana filma um pouco da nossa travessia do Brasil para a Guiana Francesa

A Ana filma um pouco da nossa travessia do Brasil para a Guiana Francesa


Enfim, entrei com o passaporte italiano e lá em Cayenne terei que aplicar para um visto surinamês, exigido para cidadãos europeus. O visto não deve ser o grande problema, mas estamos em meio a um feriado nacional no Brasil e na Guiana Francesa, o carnaval. A esta altura já eram 18h da tarde e a viagem para Cayenne dura em torno de 3 horas. Depois de um dia cheio como este acabamos decidindo dormir na simpática cidade de St Georges e recuperar as energias para viajarmos amanhã durante o dia.

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Nossa travessia de balsa entre Oiapoque, no Brasil e Saint Georges, na Guiana Francesa

Brasil, Amapá, Oiapoque, fronteira, St Georges

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Brasil no Haiti

Haiti, Port-au-Prince

Veículos do batalhão de engenharia do Brasil, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Veículos do batalhão de engenharia do Brasil, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


As Nações Unidas estiveram presentes no Haiti com diferentes missões de 1993 a 2000. Porém foi justamente no intervalo de saída da ONU, entre 2001 e 2004 que o país passou por sua mais recente crise política. Em 2001 foi eleito o presidente Jean-Bertrand Aristide, com menos de 10% da população indo as urnas. A oposição não aceitou o resultado e a partir daí um novo conflito começava.

As bandeiras da ONU, do Brasil e do Haiti tremulam na base da ONU em Port-au-Prince, capital do país

As bandeiras da ONU, do Brasil e do Haiti tremulam na base da ONU em Port-au-Prince, capital do país


O descontentamento com o governo foi se alastrando e nos anos seguintes o povo revoltado se armou para tirar o presidente do poder. As principais cidades do país estavam tomadas pelas forças revolucionárias e Aristide não teve outra opção senão sair do país. O ano era 2004, o Haiti acabava de sair de uma guerra civil. A revolução foi vitoriosa, mas encontrou um país à beira de um colapso econômico, político e social. O caos estava instalado e o novo governo provisório já não tinha mais como assegurar a ordem.

Aviso para quem deixa a base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Aviso para quem deixa a base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


O país pediu ajuda para a ONU que prontamente atendeu, entrando primeiramente com tropas americanas e elegendo o Brasil para comandar a nova missão de paz. O exército brasileiro foi muito bem recebido pelos haitianos, que mais do que ordens e regras, necessitavam de ajuda. Nosso jeito latino e caloroso de estender a mão, cuidar, tocar, e participar das soluções de problemas foi o grande diferencial para que o povo haitiano aceitasse estrangeiros na organização e reconstrução do seu país.

Monumenro aos militares brasileiros mortos no terremoto de 2010, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Monumenro aos militares brasileiros mortos no terremoto de 2010, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


A MINUSTAH – Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti – tem como principais objetivos estabilizar o país, desarmar os grupos de rebeldes e guerrilheiros, promover eleições livres e informadas e formar o desenvolvimento institucional e econômico no Haiti. Os primeiros anos sem dúvida foram os mais complexos, mas hoje com os ânimos mais calmos o principal trabalho das tropas das Nações Unidas são de segurança, dando suporte para a criação de uma nova guarda e polícia nacional, ajudando na construção da infraestrutura básica e na reorganização do país.

Chegando á base da Minustah em Port-au-Prince, no Haiti

Chegando á base da Minustah em Port-au-Prince, no Haiti


Tudo parecia estar indo bem, quando um desastre natural viria trazer novamente a tragédia e o caos para esse povo: o grande terremoto de 12 de janeiro de 2010. As tropas brasileiras sentiram o tremor desde o Campos Charlie. O Major Renato nos conta que ouviu um estrondo e sentiu o chão tremer “Pensei que era uma explosão no paiol e cheguei a me jogar no chão” nos conta enquanto caminhamos pelas ruas da base brasileira. Logo, quando olhou para trás percebeu que todos os contêineres do acampamento estavam fora do lugar, ele viu a imensa nuvem de fumaça subindo e vindo da direção do centro da cidade, foi quando finalmente se deu conta que havia ocorrido um terremoto.

Monumenro aos militares brasileiros mortos no terremoto de 2010, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Monumenro aos militares brasileiros mortos no terremoto de 2010, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


A missão que estava começando um período de transição para ser retirada do país, reafirmou seu compromisso de ajudar o Haiti e foi renovado o contrato para a permanência da MINUSTAH até que se estabilizasse a situação. O Major Renato está em sua segunda missão no Haiti, é um dos poucos oficiais brasileiros que está no país que realmente vivenciou o drama que se seguiu ao terremoto.

O Major Renato nos recebe na base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti

O Major Renato nos recebe na base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti


Dentro do Campo Charlie está montada uma verdadeira cidade que atende a todos os integrantes de diferentes países. Na nossa visita fomos à sede onde está baseada a tropa do BRAENGCOY – Companhia de Engenharia de Força de Paz. São prédios permanentes e algumas áreas provisórias com estrutura completa que reúnem as salas de comando, reunião e escritórios que organizam todos os trabalhos de engenharia que as Nações Unidas estão envolvidas.

Veículos do batalhão de engenharia do Brasil, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Veículos do batalhão de engenharia do Brasil, na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


Todos os soldados brasileiros que participam da missão são voluntários e ficam alocados por 6 meses. A área de moradias é formada por dezenas de contêineres adaptados para quartos onde dormem até 4 pessoas. O campo possui a sua própria estação de tratamento de água, ambulatório e uma grande área de estacionamento com todo o maquinário utilizado nas obras. Todo este maquinário foi muito útil após o terremoto e hoje continua sendo essencial para as obras de terraplanagem e pavimentação de estradas, perfuração de poços artesianos e as mais diversas obras necessárias no país. A companhia também participa de ações sociais de distribuição de água e doações em comunidades carentes.

Conteiners em que moram os militares brasileiros na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti

Conteiners em que moram os militares brasileiros na base da ONU em Port-au-Prince, no Haiti


Sempre fui curiosa para entender como funcionaria o dia a dia do exército, principalmente em uma missão como esta. O que eu percebo é que em geral nós, civis, não temos muita ideia do leque de atuação do exército no nosso país. Pensamos, o Brasil nunca entra em guerra, por que precisamos de tanto investimento nas forças militares? Bem, é sempre bom estar prevenido, mas ainda assim é importante sabermos que todos eles possuem um papel fundamental, não apenas na segurança e defesa das fronteiras como inclusive no desenvolvimento de infraestrutura do país. Rodovias, abertura de estradas, preparação do terreno e fundação para grandes obras no meio da floresta Amazônica ou onde seja, não seriam viáveis não tivesse “uma mãozinha” do exército. Resumindo, eles fazem o trabalho duro, depois as construtoras licitadas chegam e levantam as paredes.

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti


Conhecemos alguns dos integrantes do Batalhão de Engenharia do Exército quando eles estavam no seu dia de folga em uma praia na baía de Port-au-Prince. Vendo a minha curiosidade e interesse em conhecer a missão e um pouco do dia-a-dia deles aqui no Haiti, nos convidaram a visitar a sede. O Sub-Comandante Spetch que trabalha na área de comunicação do BRAENGCOY conseguiu a autorização do comandante, agendou a visita e mesmo em meio à uma inspeção da ONU, a equipe se desdobrou para atender-nos. Fomos recebidos pelo Sargento Josenilson e logo pelo Major Renato, que percorreu todo o campo conosco, explicando como funciona, quais as funções e qual era a organização do campo onde vivem os contingentes brasileiros.

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti


O Brasil tem mais de 2 mil soldados no Haiti e agora a missão de estabilização entra novamente em um período de transição, começando a diminuir as tropas. Foi um grande privilégio poder visitar e conhecer de perto o trabalho desse pessoal aqui, um orgulho para o povo brasileiro. Em um país com o histórico do Haiti, chego a achar que este é um programa quase obrigatório no roteiro. Hey comandante! Já pensou se a moda pega?

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti

Visita à base brasileira em Port-au-Prince, no Haiti

Haiti, Port-au-Prince, BRAENGCOY, Exército, MINUSTAH, Missão Brasileira no Haiti

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Dive in Bermuda

Bermuda, Hamilton

Posando para fotos no deck de navio afundado no litoral sul de Bermuda

Posando para fotos no deck de navio afundado no litoral sul de Bermuda


Uma ilha isolada no meio do Oceano Atlântico nas bordas de uma cratera vulcânica submarina criada no mesmo processo que formou a cadeia montanhosa que cruza o centro do Oceano Atlântico de norte a sul. Águas azuis turquesa, cristalinas e algumas das melhores histórias de naufrágios e desaparecimentos de aviões e navios do mundo. Alguém duvida que Bermuda seria um ótimo lugar para mergulhar? Pois é, eu sou a viciada no universo sub e encanei que queria mergulhar lá. O Rodrigo estava meio preguiçoso, agora, querem aventura mais incrível do que mergulhar no Triângulo das Bermudas?!

O belo mar do litoral sul de Bermuda

O belo mar do litoral sul de Bermuda


Logo no primeiro dia entrei em contato com as operadoras de mergulho da ilha que me informaram que fazem saídas todos os dias que o vento permite. Perdemos o primeiro dia de mergulho, mas de hoje não iria passar! Equipamentos em mãos e um táxi direto para Somerset Bridge e logo estávamos prontos para descobrir as belezas submarinas de Bermudas.

Felizes, voltando de mergulhos no litoral sul de Bermuda

Felizes, voltando de mergulhos no litoral sul de Bermuda


Naufrágios são uma de nossas paixões e sabemos que existem vários naufrágios do final dos anos 1800s ao redor da ilha e é claro, eu queria visitar algum deles! Colocamos uma pressão mas os pontos de mergulho são escolhidos pelo capitão, que adora tirar um sarro da cara dos turistas que quase sempre fazem a mesma pergunta: os naufrágios têm alguma coisa a ver com a lenda do Triângulos das Bermudas? Podem rir da minha cara, mas essa porcaria de lenda não surgiu à toa e se estou aqui eu tinha que perguntar!

Canyon de coral no litoral sul de Bermuda

Canyon de coral no litoral sul de Bermuda


Fato é que eles nos olham com uma cara de “claro que não sua besta!” e dizem que não existe nenhum fundamento para essas histórias fantasiosas. Enfim, os naufrágios que vamos ver aqui foram afundados propositalmente para os mergulhos recreacionais.

Imaginando-se no Titanic, em pequeno barco afundado no litoral sul de Bermuda

Imaginando-se no Titanic, em pequeno barco afundado no litoral sul de Bermuda


Navegamos para a costa sul da ilha direto para os dois dos principais naufrágios da ilha: o Forceful e o King. Os dois barcos rebocadores foram afundados por um time de mergulhadores locais em 2008. Forceful tem 75 pés (22,8m aprox.) e está a 20m de profundidade em pé ao lado de uma parede de corais. O King, também um rebocador (tugboat), tem 55 pés (aprox. 16,7m) e está deitado de lado em meio à um cânion coralíneo.

Um dos muitos barcos afundados no litoral sul de Bermuda

Um dos muitos barcos afundados no litoral sul de Bermuda


Na cabine de comando de um barco afundado no litoral sul de Bermuda

Na cabine de comando de um barco afundado no litoral sul de Bermuda


Descemos com o grupo até a base de areia, passando pela hélice de 5 pás, exploramos a cabine do capitão, ótimo lugar para tirar uma foto e entramos em todas as salas e buracos que encontramos. Os naufrágios servem como recifes artificiais, mas como são recentes ainda não encontramos muitos corais ou peixes.

Explorando barco afundado no litoral sul de Bermuda

Explorando barco afundado no litoral sul de Bermuda


Depois do Forceful seguimos as instruções do dive master e fomos até o King sozinhos e tivemos todo o naufrágio para nós. Eles podem ser naufrágios “artificiais” mas ninguém me tira o prazer de saber que estamos mergulhando no Triângulo das Bermudas! Rs!

Aproximando-se de mais um barco afundado no litoral sul de Bermuda

Aproximando-se de mais um barco afundado no litoral sul de Bermuda


Lap top na cabina de barco afundado no litoral sul de Bermuda. será que ainda funciona?

Lap top na cabina de barco afundado no litoral sul de Bermuda. será que ainda funciona?


O segundo mergulho foi nos recifes apelidados de Three Sisters. Os 3 recifes que afloram na superfície têm uma formação parecida com Pedras Secas em Noronha. Muitos canions, arcos e cavernas com peixes de todos os tipos se escondendo nas pequenas grutas que se formam. Os corais berudenses são estranhos, tem uma cobertura esverdeada e sem muitas cores, mas a paisagem é muito bacana para um mergulho longo e tranquilo.

Atravessando túnel de coral no litoral sul de Bermuda

Atravessando túnel de coral no litoral sul de Bermuda


Mergulhando bem próximo à superfície e às ondas, no litoral sul de Bermuda

Mergulhando bem próximo à superfície e às ondas, no litoral sul de Bermuda


Eu adoraria continuar mergulhando e descobrindo os naufrágios mais antigos nos arredores de Bermudas, mas ainda tínhamos muito para descobrir em cima d´água. Aproveitamos que já estávamos a meio caminho e seguimos de ônibus, carregando roupas e equipamentos de mergulho, até o Westend Dockyard. Pegamos o ônibus na estrada principal, sem tokens, mas com o valor exato da passagem, como manda a regra. O que ainda não sabíamos é que eles só aceitam moedas, nada de notas! Quase não pudemos entrar, mas no final o cobrador se compadeceu dos turistas desavisados e nos deixou subir mesmo assim! =)

Dockyards, na ponta oeste de Bermuda

Dockyards, na ponta oeste de Bermuda


O Royal Naval Dockyard foi construído no começo do século XIX e foi a maior base naval britânica fora do Reino Unido. Desde a guerra de 1812 entre os EUA e a Inglaterra, até a Segunda Guerra Mundial esta foi uma base importantíssima para a defesa do Atlântico Oeste, conhecido como Gibraltar do Oeste.

Antigo forte inglês em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda

Antigo forte inglês em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda


Navios-cruzeiro aportados em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda

Navios-cruzeiro aportados em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda


Hoje a grande fortaleza é o novo terminal de cruzeiros na ponta oeste da ilha. O Dockyard possui restaurantes, lojas de artesanatos, praia particular com aluguel de jet-skis e equipamentos para snorkel e caiaque. A estrutura é imensa e muito bem organizada, então aproveitamos para provar uma cerveja artesanal local e ainda pegamos uma prainha do outro lado da muralha.

Turistas nadam em praia artificial em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda

Turistas nadam em praia artificial em Dockyards, na ponta oeste de Bermuda


No final da tarde cortamos caminho e voltamos para Hamilton no último ferry boat que cruza direto do Dock para a capital e logo fizemos amizade com duas bermudenses super divertidas que nos deram ótimas dicas da ilha. Afinal, quer conhecer a verdadeira Bermuda, pergunte aos locais!

Novas amigas no ferry entre Dockyards e Hamilton, em Bermuda

Novas amigas no ferry entre Dockyards e Hamilton, em Bermuda


Quem quiser ver de perto os naufrágios, dá uma olhadinha nesse vídeo que encontrei.

Bermuda, Hamilton, Forceful, Mergulho, Naufrágio, Royal Naval Dockyard

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Los Volcanes de Antigua

Guatemala, Antigua

Descendo do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Descendo do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Nas proximidades de Antigua estão quatro vulcões: el Volcán de Água, Fuego, Acatenango e o Pacaya. O Vulcão de Água (3.766m) está inativo e é o mais próximo da cidade, porém de mais difícil acesso. Curiosamente este vulcão, mesmo inativo, é um dos que mais provoca desastres na região. De tempos em tempos sua cratera colapsa derramando toda a água que se acumula dentro dela, destruindo vilas inteiras com a gigantesca massa de água! Dá para entender de onde surgiu o seu nome.

A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

A grandiosa paisagem com duas encostas vulcânicas observadas do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


O Volcán de Fuego (3.763m) é um dos vulcões mais ativos da América Central. "Chi'gag", seu nome em cakchiquel, significa "onde está o fogo", nos vilarejos próximos pode-se ver o vermelho da lava em noites sem nebulosidade. Os registros de suas violentas erupções datam desde 1524, quando o conquistador espanhol Pedro de Alvarado, pode vê-lo em atividade. Sua última erupção foi em 2010, um dia depois de uma terrível tormenta tropical Ágatha, que fez o Volcán de Água lavar os povoados das suas encostas. Neste episódio 152 pessoas morreram e 100 ficaram desaparecidas com a passagem do Agatha em toda a Guatemala.

Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Restos da última erupção do vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Unido ao Volcán de Fuego está o Acatenango (3.976m), um estratovulcão com dois picos, a união dos dois é conhecida como La Horqueta. Embora ligado ao de Fuego, este é um vulcão inativo, se tornando o melhor mirante da cratera sempre ativa do seu irmão Fuego. Este é o trekking preferido dos aventureiros que vão até Antigua, normalmente feito em dois dias, pois nas noites estreladas é quando melhor se vê a lava e pequenas erupções.

Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Caminhando em meio à fantasmagórica paisagem vulcânica no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Nosso primeiro plano era fazer este trekking, mas infelizmente o tempo não estava ajudando e não adiantaria de nada subir e ficar a ver nuvens. Então decidimos ir ao maior competidor do Fuego, no quesito “vulcão mais ativo da América Central”. Pacaya está a 47km de Antigua e entrou em atividade há milhares de anos. Depois de quase um século adormecido, voltou a atividade em 1965 e desde então não parou mais. É o vulcão mais indicado para aqueles que querem ver atividade vulcânica, lava, fumaça, calor. A sua última erupção foi em maio de 2010 e matou um jornalista e um jovem, além de 3 crianças desaparecidas.

Passando por fendas criadas por um rio de lava no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Passando por fendas criadas por um rio de lava no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


O tempo estava péssimo, subimos com muita nebulosidade, chuva e vento. Biron (leia-se Bairon), um jovem super astuto que trabalha no estacionamento que usamos em Antigua, nos acompanhou até lá e foi contando todas as histórias dos desastres acontecidos na região. Chegando lá, tivemos que contratar um guia local (150 quetzales = uns 25 dólares), obrigatoriedades do parque. Esperneamos, mas essa obrigatoriedade começou desde o último incidente. Biron 2 (sim, o guia local também chama “Bairon”), nos contou como foi o dia da erupção.

Com o Byron, que nos acompanhou até o vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Com o Byron, que nos acompanhou até o vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


A caminhada começa por um morro vizinho, conhecido como Cerro Chino. Biron estava lá, com familiares, olhando o vulcão, tirando fotos com a lava que escorria tranquilamente por sua canaleta. Eis que ouviram a primeira explosão e, experientes, não pensaram duas vezes, desceram correndo as ladeiras, usando todos os atalhos possíveis. Ao lado deles estava a equipe de televisão que fazia uma reportagem sobre o vulcão. Eles avisaram a equipe para descer imediatamente, porém eles decidiram descer até onde estava o carro, no terreno da antena da emissora. Chegando lá, o carro havia pegado fogo e ali mesmo o repórter foi atingido por uma pedra incandescente e morreu na hora. O cinegrafista conseguiu escapar. Nós ainda vimos a cruz colocada no local onde o repórter foi encontrado... Literalmente, uma fatalidade.

Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Início da caminhada no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala


Desde então o Pacaya se acalmou e para a infelicidade dos dois viajantes aqui, toda a lava já secou e restaram apenas dois resquícios da sua atividade, um buraquinho quente, onde o povo gosta de derreter um marshmellow ou assar uma salsicha e uma linda caverna. A gruta, além de nos proteger um pouco da ventania e da chuva, ainda recebe um pouco de calor do rio de lava que corre ali por perto.

Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!

Esquentando-se numa das fontes de calor no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala. Sinal de que a lava ainda está ali perto!


O trekking valeu a pena, nos exercitamos e conhecemos mais um pouco da cultura e da história da Guatemala. Fato curioso foi que descobri que meu tio esteve aqui em 1986, um ano antes de uma grande erupção com coluna de cinzas que chegou a 8km de altura. Anos depois quem passou por aqui foi a minha irmã, quando participou do Jamboree Panamericano de 1997 e 98 foi outro ano de grande atividade, quando o vulcão lançou cinzas sobre a capital, fechando o aeroporto por 3 dias. Será que teremos uma nova erupção do Pacaya no ano que vem, para manter a tradição? Ficaremos atentos.

Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Caldeira de lava com pouco mais de um ano de idade, no vulcão Pacaya, próximo à Antigua, na Guatemala

Guatemala, Antigua, Fuego, Pacaya, Trekking, vulcão

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Provo Disneyland

Turks e Caicos, Providenciale - Provo

Ana, feliz da vida com o sol e a praia em Provo - Turks e Caicos

Ana, feliz da vida com o sol e a praia em Provo - Turks e Caicos


"I´m a barbie girl, in a barbie world..." Hoje eu lembrei muito desta música... o mundo aqui em Turks and Caicos parece de mentira, tudo muito desenhado, planejado. Uma paulista amiga minha, sempre falava que se sentia assim em Curitiba, cidade planejada, quase uma maquete, não tanto quanto Brasília, mas exemplo de urbanismo para o mundo. Eu sempre a achei exagerada, até por que Curitiba tem muita alma, coisas para ver, conhecer, história, etc. Mas colocando em perspectiva, agora eu a entendo... as escalas e proporções são diferentes, é claro,mas eu entendo o que ela queria dizer. Um lugar todo desenhado, com resorts beirando a praia que tem a sua frente um mar esmeralda maravilhoso e a terceira maior barrerias de corais do mundo! Realmente parece uma Disney no Caribe. A cidade não tem uma história facilmente identificável, casas antigas e comércio, não tem alma! Tudo foi construido pensando no turismo, um turismo de muito luxo e bom gosto. A única crítica que tenho é que as pessoas que gostam deste tipo de turismo deixam de ver o que é mais importante e mais enriquecedor: a cultura local. Chegamos em TCIs há 2 dias, mas não conseguimos encontrar ainda a verdadeira cultura do país. Tudo bem, não é muito tempo, talvez não o suficiente, mas definitivamente é revoltante ver como toda a cultura de um povo e um país é sufocada pelo turismo ou até modismo internacional... a dita globalização. Aqui, numa ilha no Caribe, distante de tudo e onde imaginei que veríamos as coisas como elas são, estamos vivendo em um grande shopping center. Há quem goste deste tipo de turismo, não os julgo e não os culpo, pois sem dúvida é um lugar para descansar na beira da praia, comer o seu prato predileto em restaurantes bacanérrimos, sem ter que se expor a nenhuma mudança cultural. A grande maioria dos turistas são americanos ou britânicos, então eles encontram tudo o que têm em casa, mas com sol constante e um mar transparente.

Praia de Grace Bay - Provo - Turks e Caicos

Praia de Grace Bay - Provo - Turks e Caicos


Nós também gostamos do mar transparente, então fomos mergulhar, ver tartarugas, tubarões e aquários. Aqui a água é mais quente, portanto muito mais confortável. No barco da Turtle Cove Divers estava o Duwe, cão marinheiro muito figura que latia muito sempre que cada mergulhador ia para a água. Depois almoçamos no Tiki Huts, ali na marina, e seguimos para Grace Bay, o "shopping center". Passamos por resorts e mais resorts e vimos mais um pôr-do-sol memorável no Bay Bistrô.

Pôr-do-Sol em Grace Bay - Provo - Turks e Caicos

Pôr-do-Sol em Grace Bay - Provo - Turks e Caicos


Dali seguimos para o Côco Bistrô, o restaurante em meio a uma floresta de palmeiras que nos tinha sido indicado pelo casal de americanos que conhecemos ontem. Um vinho e os pratos deliciosos! A torta de côco, especialidade da casa então, maravilhosa!

Brinde à Beth em 21/04

Brinde à Beth em 21/04


Voltamos para o hotel ansiosos para o dia de amanhã. Quem sabe conseguiremos logo conhecer realmente este país, ou descobrir que aqui existe uma verdadeira Disneyland.

Turks e Caicos, Providenciale - Provo, Grace Bay, Mergulho, Praia

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Highlanders Pernambucanas

Brasil, Pernambuco, Triunfo, Serra Talhada, Gravatá

O pub Highlander em Gravatá - PE

O pub Highlander em Gravatá - PE


Quem diria que em Pernambuco encontraríamos montanhas, vales verdes, lagos e até um friozinho gostoso? Pois é, como sempre o nordeste vem nos surpreendendo! Ontem, depois do Vale dos Dinossauros, pegamos uma estrada que cortava a Paraíba até a fronteira com Pernambuco, chegando à cidade de Triunfo. Chegamos tarde, pois viemos por um trecho da estrada de terra, à noite e com chuva! Mas não éramos os únicos (ou mais) doidos, no caminho fomos ajudados e ajudamos um casal que estava indo até Maraíra. Nós pedíamos informações sobre o caminho, que eles conheciam bem, mas eles estavam neste mesmo cenário e ainda por cima de moto! Doidos mesmo, no caminho a moto derrapou em uma valeta na terra e a Galega, que estava na garupa, caiu e acabou se machucando um pouquinho. Dali ela veio de carona conosco até a cidade. Ela ainda nos contou que aquela estrada ali é perigosa à noite não por todos estes motivos acima, mas por que tem muitos assaltos. Que beleza!

Hotel em Triunfo - PE

Hotel em Triunfo - PE


O fato é que chegamos bem e logo nos instalamos no belo hotel do SESC-Triunfo. O Hotel mudou a paisagem da cidade, instalando-se no alto das montanhas e colocando um teleférico que o liga ao centro. Pena que não tivemos muito tempo para aproveitá-lo, jantamos, dormimos e no dia seguinte já seguimos viagem para o leste, em direção à Recife.

Teleférico em Triunfo - PE

Teleférico em Triunfo - PE


No caminho paramos para conhecer a cidade onde “naisceu” o famoso cangaceiro Lampião. Serra Talhada fica próxima à Triunfo, no pé da serra. Uma cidade “quenti, ma quenti”, que o povo não faz cerimônia não para fechar o museu na hora do almoço e estender até umas 14h30... Assim ficamos sem conhecer o Museu do Cangaço, demos com a cara na porta e os burros n´água, ou melhor, no sertão.

Lampião e Maria Bonita em museu de Serra Talhada - PE

Lampião e Maria Bonita em museu de Serra Talhada - PE


Amanhã temos o vôo marcado para Noronha, portanto decidimos que iríamos dormir próximo à cidade de Recife, em outra cidade serrana, Gravatá. Eu estava receosa, queria passar reto e dormir logo em Recife, pois tínhamos alguns afazeres na capital, como ir ao salão, alinhar e balancear a Fiona e ainda deixar uma de nossas câmeras fotográficas na assistência técnica. O Rodrigo relutou e fez questão de ficar em Gravatá, cidade base para vários hotéis-fazenda nas montanhas.

Praça em Serra Talhada - PE

Praça em Serra Talhada - PE


Não demorou muito para eu estar agradecendo a ele a escolha, ficamos em um belíssimo hotel, chamado Highlander. Conhecemos o dono, um homem muito viajado e interessantíssimo! Uma das histórias que ele nos contou foi como escolheu o nome deste hotel e, embora esteja em “terras altas” no estado de Pernambuco, o motivo é outro. Dentro do Hotel se encontra um pub inglês original, trazido de navio em um contêiner com todas as bolachas de Guinnes, bancos e até a máquina registradora com design exclusivo feito pela Tiffany! Como ela existem apenas 100 no mundo! O pub era o Highlander, local que ele adorava freqüentar em Recife e que logo teve a oportunidade de comprar, primeiro para a sua casa e depois colocado no seu hotel. A história é muito mais interessante se contada direto pelo Fonseca, sem dúvida alguma!

Caixa Registradora do pub Highlander, no nosso hotel em Gravatá - PE

Caixa Registradora do pub Highlander, no nosso hotel em Gravatá - PE


Além de ótima companhia, ele também nos deu muita sorte, pois quando planejávamos que ele deixaria a Sony na assistência técnica em Recife para nós, vimos que ela havia, DO NADA, voltado a funcionar! Sensacional!

Com o Cláudio Fonseca, o simpaticíssimo proprietário do Hotel Highlander, em Gravatá - PE

Com o Cláudio Fonseca, o simpaticíssimo proprietário do Hotel Highlander, em Gravatá - PE


Nessa correria toda, nem demorou a lembrarmos que hoje estávamos completando 1 ano e 7 meses de casamento, data memorável e que deve ser comemorada! Comemos um delicioso foundue de queijo e tomamos um vinho chileno em nossa homenagem! Logo a neblina subiu e fechou a vista da serra. Friozinho gostoso das highlanders pernambucanas, ótimo para uma boa noite de sono.

Brasil, Pernambuco, Triunfo, Serra Talhada, Gravatá,

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