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Lendas Nicaraguenses

Nicarágua, León

Museus de Lendas e Tradições, em antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.

Museus de Lendas e Tradições, em antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.


Hoje cedo fomos ao Museu de Histórias y Leyendas. Dona Carmen, a idealizadora, artista e executora de quase todas as peças em exposição. Ela faleceu há apenas 1 mês e seus filhos herdaram o museu e a tarefa de manter o seu sonho, de manter a história e crenças do seu povo e de construir um espaço de atividades para pessoas da terceira idade. Há pouco tempo o museu saiu de sua casa para o local atual, antiga prisão, construída em 1921. Por esta prisão passaram centenas de presos políticos que foram torturados e mortos durante a Era Somoza.

O museu reúne em cada uma das antigas celas, estátuas e imagens que representam lendas nicaragüenses. A história como a de La Llorona, que suas lágrimas teriam formado o Lago de Manágua, a lenda da bruxa que transformava as pessoas mal quistas em porcos ou da índia que se apaixonou por um espanhol e foi separada de seu amor.

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.

Visita à antiga prisão somozista em León, na Nicarágua.


Conhecemos também La Gigantona, representação de uma mulher espanhola, e o boneco que representa o nicaragüense, pequeno e cabeçudo, sinal de inteligência dos nativos. Nos meses de dezembro os nicas e as gigantonas saem às ruas bailando ao som de tambores e no dia 7 de dezembro é quando acontece a grande reunião de Las Gigantonas, quando um júri elege a mais bonita e hermosa de todas elas.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.

Personagens legendárias em museu de León, na Nicarágua.


Uma cena que está terminando de ser montada, super curiosa, é a de um índio que teria morrido lutando por sua liberdade contra os espanhóis, porém sua alma ficou vagando em uma carroça pelas ruas de León como “um espanto”. Depois da meia-noite se alguém estivesse na rua e visse a sua carruagem, teria sua alma levada, virando um fantasma também.

Dona Carmen fez um trabalho muito bonito e que ficou ainda mais especial sendo abrigado em, um lugar histórico que estava abandonado e retornou à vida, guardando a memória dos tempos de luta contra a ditadura.

Nicarágua, León, história, Lendas

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Parque Nacional Marinho Cabo Pulmo

México, Cabo Pulmo

Peixe se esconde no coral em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Peixe se esconde no coral em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


O Parque Nacional Cabo Pulmo é uma das principais Reservas Marinha do Mar de Cortês. Localizado no estado mexicano da Baja Califórnia Sur, está em torno de duas horas e meia de carro ao sul da cidade de La Paz, na região de Los Cabos.

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México


Batizado por Jacques Cousteau como “O Aquário do Mundo”, o Mar de Cortês (ou Cortez em espanhol), é uma parte do Oceano Pacífico separada pela Baja Califórnia, formando o Golfo da Califórnia. Esta região é riquíssima em vida marinha e abriga mais de 40% das espécies de mamíferos marinhos existentes em todo o planeta.

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


A área do parque é pouco habitada e esperemos que continue assim. Porém um mega-empreendimento hoteleiro de um grupo espanhol está prometendo mudar essa realidade. Eles querem construir um total de 30 mil quartos exatamente aqui, ao lado do parque nacional. Grupos ativistas levantaram a bandeira da preservação e, unidos à comunidade local, estão lutando para frear a construção deste empreendimento. A construção por si só já traz um grande impacto ambiental em um ecossistema tão frágil como este, em uma área semi-árida onde a água doce é um recurso escasso. Imaginem então as hordas de turistas que irão lotar as praias e as toneladas de lixo e esgoto gerados por eles? Alguns lugares no mundo tem que ficar de fora da onda do desenvolvimento econômico e esta sem dúvida é uma delas. Por quê?

Muitos peixes em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Dentre vários motivos ilustres, aqui está o maior deles: o Cabo Pulmo abriga o último arrecife vivo do Mar de Cortês. O parque marinho é habitat para centenas de espécies marinhas como golfinhos, baleias, arraias e peixes como o marlín, o peixe galo, dourado, mero, a garoupa, a cabrilla, o pargo, entre outros. São mais de 226 espécies de peixes de recife, além das 11 espécies coralíneas, dentre as 14 encontradas no golfo.

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Praia em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Nós viemos até aqui para conferir e colocar no nosso currículo o nosso primeiro mergulho no Mar de Cortês! Esta é uma das melhores épocas para mergulhar se você quer ter contato com todas estas espécies marinhas, porém a visibilidade é baixa e a temperatura da água nada convidativa.

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Os nossos pontos de mergulho foram selecionados a dedo pelo Isac, nosso dive master californiano que quer se naturalizar mexicano. Abrindo um parênteses: ele foi o primeiro caso que conheci de um americano que quer se naturalizar mexicano, normalmente é o inverso! Não apenas com mexicanos, mas com todos os países latinos, inclusive o Brasil. Segundo ele não existe melhor país para viver do que o México, bons preços, ótima qualidade de vida, comida deliciosa e o principal: cervejas boas e baratas!

A lancha que vai nos levar para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

A lancha que vai nos levar para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Ele nos levou primeiro para o El Bajo, um ponto com profundidade máxima em torno de 18m e muita vida! Caímos na água ao lado de um cardume de arraias, mas ainda me acostumando com o frio e a baixa visibilidade, confesso que não as vi.

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Fizemos um perfil multinível que nos levava dentro e fora de termoclinas, dos gelados 17 aos 20°C, com visibilidade também variando entre 6 e 10m. Fico impressionada como os peixes não sentem frio! Muitas moreias verdes, nadando tranquilos fora dos seus buracos e um mundo de peixe gigante, principalmente comparados com os nossos últimos mergulhos no Caribe. Ao final do mergulho ainda encontramos duas stingrays lindas.

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Arraia durante mergulho em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


O nosso intervalo de superfície foi fazendo snorkeling com um cardume imeeenso de xaréus! Eram centenas deles se movendo em bloco e tão raso que podíamos ver as barbatanas fora d´água! Sensacional!

Cardume de jacks em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Cardume de jacks em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


O segundo mergulho foi em um ponto chamado El Cantil, com profundidade máxima de 10m, muita vida nas geladas águas verdes e vários túneis apertados para nos divertirmos, treinando nossas técnicas de mergulho em caverna.

Moreia nos acompanha durante mergulho em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Moreia nos acompanha durante mergulho em El Cantil, ponto de mergulho no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


No verão a água limpa, fica azul e transparente com grande visibilidade e temperatura em torno de 17 a 30°C! Mas (sempre tem um “mas”), curiosamente todos os peixes desaparecem! Por isso o período indicado para os mergulhadores curiosos é agora! Ficando mais tempo com certeza teríamos tempo de ver mais diversidade de espécies, infelizmente não conseguimos agendar o encontro com as mantas e as baleias, fica para a próxima vez.

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Muitos peixes em El Bajo, ponto de mergulho em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México



ONDE FICAR?

Flores e palmeiras em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México

Flores e palmeiras em Cabo Pulmo, no sul da Baja California, no México


A vila possui poucas casas e uma infra-estrutura turística pequena, dimensionada para receber os aventureiros interessados principalmente em mergulho. Também são oferecidas algumas atividades aquáticas adjacentes como snorkel, avistamento de baleias, caiaque, etc.

Preparando-se para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México

Preparando-se para mergulhar no Cabo Pulmo, no sul da Baja California, Mar de Cortez, no México


Menos de 10 km da estrada de acesso são de terra, um carro grande é bem vindo, mas todos os carros devem conseguir chegar sem problemas. Na única rua que cruza a vila vocês podem encontrar 3 operadoras/escolas de mergulho e diversas pousadinhas. Nós ficamos hospedados nos bungalos de uma família mexicana, ao lado do único mercadinho da vila. Próximo à praia, ele é bem confortável, com estacionamento e água quente. Quem quer mais conforto e está disposto a pagar mais o Cabo Pulmo Beach Resort oferece cabanas de ótima qualidade, junto ao Cabo Pulmo Dive Center. (http://www.cabopulmo.com/)

México, Cabo Pulmo, Baja California, dive, Mergulho

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A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

A Cordilheira de Sal

Chile, San Pedro de Atacama

O deserto do Atacama no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

O deserto do Atacama no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Formada há 23 milhões de ano, a Cordilheira de Sal é composta de rochas sedimentárias de diversos minerais, dentre eles o sal, o gesso e a argila. Estas camadas de pedra afloraram na elevação dos Andes e ficaram escarpados, na posição vertical, e foram esculpidos pelo vento em diferentes formas, cores e brilhos, compondo uma paisagem distinta e digna de Hollywood.

Um dos mirantes no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Um dos mirantes no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Pegamos o início do pôr-do-sol no mirante, onde podemos ver parte do Valle de La Luna, um dos rincões mais secos do planeta e seguimos para o vizinho, Vale da Morte, também localizado na Cordilheira de Sal a 4km de São Pedro. O vento estava absurdo e frio, mas não alterava em nada o espetáculo.

O canyon que dá acesso ao Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

O canyon que dá acesso ao Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Do alto víamos pequenos seres se aventurando nas pranchas de sandboard nas dunas de 120m de altura do outro lado do vale. Para os experts em surf, snow ou mesmo o sandboard deve ser mesmo emocionante! Um belo exercício, pois descer já não é fácil, imaginem subir! É uma forma diferente e mais radical de conhecer o vale para aqueles que tem prática e disposição.

Fim de tarde no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Fim de tarde no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Para dar um pouco mais de emoção, nós resolvemos descer o vale pela encosta das dunas, um caminho pouco utilizado pelos carros de turismo. Só fomos por que vimos alguns rastros de carros, mas ali se a duna resolve descer, ou a Fiona atolar, estaríamos em maus lençóis.

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

A paisagem desértica do Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile


Visto do alto o vale inóspito e escarpado já é maravilhoso, quando adentramos no corredor de pedras é que podemos sentir ainda mais a sua grandiosidade, ou a nossa pequeneza. Ao fundo vemos a cordilheira, Licancabur, Juriques e o nosso pequeno grande amigo, o Cerro Toco. Aqui tudo é imenso, todo o cenário tem proporções andinas! Montanhas imensas e vales profundos enganam nossos olhos e fazem desse cenário real, um filme de ficção no mundo das maravilhas.

Fotografando a própria sombra, em mirante no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Fotografando a própria sombra, em mirante no Vale da Morte, no Deserto do Atacama - norte do Chile

Chile, San Pedro de Atacama,

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Roteiro Cavernas e os 7 Moais

Chile, Ilha de Pascoa, Ilha De Pascoa, Hanga Roa

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


A Ilha de Páscoa é grande museu a céu aberto, a cada pedra que você tropeçar encontrará uma história escondida embaixo dela. Uma casa, uma vila, um altar, um moai, uma vida. Em uma ilha em que a superpopulação e o esgotamento de recursos naturais causaram o fim de uma civilização, toda e qualquer peça deste quebra-cabeças se torna importantíssimo para remontar as histórias e trazer a tona todos os mistérios que giram em torno dessa dela.

Entrando em área de parque nacional em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Entrando em área de parque nacional em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Explorar a ilha, portanto, é um deleite aos que tem olhos mais treinados, ou aos que decidem logo treiná-lo na chegada à ilha, como fizemos no day tour descrito neste post, acompanhados do nosso guia Patrício. Ele nos levou pelos principais lugares onde poderia nos ensinar sobre a hitória e arqueologia da ilha, mas também nos apontou lugares que não deveríamos deixar de conhecer e que não estavam incluídos naquele tour. Hoje, portanto, decidimos alugar um carro para rodar a ilha e estes lugares imperdíveis.

Com nosso carro alugado, dirigindo pelas estradas de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Com nosso carro alugado, dirigindo pelas estradas de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Começamos pela Ana Kai Tangata, no sul da ilha, uma caverna onde pode-se encontrar pinturas de manutaras, a ave sagrada dos antigos Rapa Nuis. Do antigo idioma local Ana significa “caverna”, Tangata significa “homem” e Kai significaria “comer”, porém não existe nenhuma evidência ou informação na tradição oral da ilha de que os Rapa Nuis eram canibais. Já no Rapa Nui moderno Kai significa ensinar, reunir, contar, sendo mais aceita a ideia de que a caverna era usada para aulas de como construir canoas. O lugar é lindo, bela vista para o mar e de fácil acesso.

Pinturas rupestres na caverna Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Pinturas rupestres na caverna Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


A caverna de Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A caverna de Kai Tangata, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Nossa segunda parada foi no Orongo, uma cidade cerimonial construída no topo do vulcão Rano Kau. Além de um museu, o local tem vistas maravilhosas! Falo mais sobre ele, as religiões dos antigos Rapa Nuis e a Cerimonia do Homem Pássaro neste post.

A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Seguimos ao Vinapu, mais um das dezenas de altares da ilha, este porém possui uma característica muito especial, pedras polidas e encaixadas perfeitamente. Aparentemente aqui os Rapa Nuis utilizaram a mesma técnica desenvolvida pelos Incas, mais especificamente no templo do Deus do Trovão, conhecido como Saqsawaman, nos arredores de Cusco. Será que Rapa Nuis e Incas chegaram a se encontrar?

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?


Além da batata doce e abóbora que são plantas originárias da América do Sul, encontradas na Polinésia sem que europeus tenham navegado entre as duas regiões, mais um indício de que eles poderiam ter se encontrado. Existe uma teoria de que o Rei Inca Tupac Yupanqui, em sua expedição ao Pacífico, teria desembarcado na Ilha de Páscoa e na ilha de Mangareva, na Polinésia Francesa. Estudos do historiador peruano José Antonio del Busto baseia sua teoria em relatos escritos no século XVI pelos espanhóis Pedro Sarmiento de Gamboa, Martin de Murua and Miguel Cabello de Balboa. Mais um mistério para a enigmática Ilha de Páscoa.

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?


Um dos muitos Moais espalhados por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Um dos muitos Moais espalhados por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


No caminho para o Puna Pau começou a garoar, as chuvas na Ilha de Páscoa geralmente são rápidas e passageiras. Aguardei um pouco no carro e logo fui atrás do Rodrigo na trilha que entra na pequena cratera despedaçada do Vulcão Puna Pau, no idioma local “fonte seca”, o que significa que ali nos arredores um dia houve água.

Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Este é o único local na ilha onde é encontrada a scoria, um tipo de rocha vulcânica porosa de coloração avermelhada com a qual os Rapa Nuis faziam os Pukaos, cabelos enozados dos Moais. Muitos os confundem com chapéus, mas reparando bem, você o reconhecerá de algumas tribos polinésias de cabelo pixaim em que homens não podem cortar o cabelo e amarram no topo da cabeça com um nó. Um Moai só era embuido do seu poder espiritual quando, no seu ahu, recebia o seu pukao e os olhos de coral branco, pintados com tinta negra.

Um Pukao, ou o cabelo de um Moai (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)

Um Pukao, ou o cabelo de um Moai (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)


Continuamos nossas explorações, agora rumo ao Ahu Akivi, mais conhecido como “Os Sete Moais”. Os moais normalmente estão colocados de costas para o mar, olhando para a sua vila, como grandes guardiões. Este grupo de moais é o único que está localizado no centro da ilha, com todos olhando para o oceano. Diz a lenda que estes seriam os sete primeiros exploradores polinésios que chegaram à ilha e teriam sido homenageados pelo povo olhando na direção de onde vieram originalmente, como com saudades da sua terra natal. Outro ponto muito interessante é que estes Moais estão alinhados com o nascer do sol no equinócio de primavera e de outono, informação essencial para um povo que tinha a agricultura como base.

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Adiante, na mesma estrada dos Sete Moais seguimos para as cavernas Ana Te Pahu, um longo túnel de lava que se estende por 7 km na base do maior vulcão da ilha, o Maunga Terevaka. Ela é tão ampla e tão longa que foi utilizada como moradia pelos antigos Rapa Nuis desta região. Encontramos dentro da caverna áreas de plantio de banana e de taro, um tipo de inhame, comum no Hawaii, além de áreas utilizadas como fogão polinésio. Nós andamos por trechos da caverna, mas se quiser fazer toda a travessia venha preparado para se molhar, sujar de lama e com uma boa lanterna.

Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


caminhando por Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

caminhando por Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Observando uma das saídas de Ana Te Panu, caverna que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Observando uma das saídas de Ana Te Panu, caverna que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Bom, para finalizar nosso longo dia de explorações fomos direto para a Praia de Anakena. A praia estava lotada, afinal é um dos locais preferidos dos rapa nuis para descansar, fazer um piquenique e aproveitar o domingo. Comemos uma boa empanada em uma das deliciosas lanchonetes sob os coqueiros e esperamos o sol sair mais forte para dar um mergulho de despedida, não da ilha, mas da praia que já não voltaríamos.

Correndo para saltar no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Correndo para saltar no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Assistimos a uma pelada entre irmãs e irmãozinhos que se divertiam, enquanto imaginávamos desembarcando ali, na nossa frente, a primeira expedição polinésia na Ilha de Páscoa. Não poderíamos escolher melhor lugar que para um belo por do sol.

Criança se diverte com bola na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Criança se diverte com bola na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Retornando à Hanga Roa decidimos parar para um drink de final de tarde em um dos restaurantes mais convidativos da ilha, o Te Moai, na beira da baía com um finalzinho de luz iluminando as pedras à frente. Tomamos um pisco sour e só para continuar no clima polinésio decidimos provar um atum selado com crosta de gergelim e um ceviche com leite de tigre, numa fusão da culinária rapa nui e peruana, impecável.

Nosso apetitoso jantar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Nosso apetitoso jantar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


A deliciosa entrada de nosso jantar em restaurante beira-mar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A deliciosa entrada de nosso jantar em restaurante beira-mar em Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Fim de tarde na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Fim de tarde na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Gostaram do nosso roteiro pela Ilha de Páscoa?

Aluguel de Carro


Existem algumas empresas que alugam carros na Ilha de Páscoa, você encontra pelo menos duas delas na avenida principal de Hanga Roa. Os preços são quase tabelados entre as famílias e locadoras locais em 30 mil pesos chilenos (equivalente a US$ 60,00 - valor de outubro/13). Pela facilidade e pela amizade, nós escolhemos alugar o carro direto com a dona da nossa pousada mesmo, facilitando tramites e deslocamentos.

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Mi casa, su casa!

Porto Rico, San Juán

Um longo dia de transfer de Turks and Caicos para Miami e de Miami para Porto Rico. Trabalhando no nosso segundo vídeo, no aeroporto, no avião e lendo sobre a cidade de San Juan o tempo passou rapidinho. No caminho já surgiu a dúvida... Porto Rico afinal é um estado Americano ou não? Pelo nosso guia de viagens apenas diz que é conhecido como o 51° estado americano. Chegando à imigração americana o oficial me perguntou se estávamos em trânsito, e dissemos que sim, mas não para os EUA, para Porto Rico. Ele me olhou com uma cara de “Dã! sua burra” e disse: “então você está indo para os EUA!”. Na hora pensei que não teria melhor jeito de descobrir... Enfim, fomos à Porto Rico.

Pichação em San Juan - Porto Rico

Pichação em San Juan - Porto Rico


Chegando a San Juan já nos sentimos em casa, o lugar tem a maior cara de Brasilzão! Clima mais latino, pessoas mais amistosas, calorosas e mais espalhafatosas também. A taxista era uma figura, Lili, gritava para as pessoas na rua no caminho para o nosso hotel. Aqui todos falam as duas línguas, inglês e espanhol, e o mais engraçado é que falam as duas ao mesmo tempo! Na mesma conversa eles mesclam frases em inglês e espanhol, todas as placas de rua estão nas duas línguas, os cardápios também são o maior “espanglish”, uma doidera.

Rua do centro antigo de San Juan, em Porto Rico

Rua do centro antigo de San Juan, em Porto Rico


A cidade de San Juan é uma mescla de Ouro Preto com Salvador e Rio de Janeiro. Ladeiras com casas do século XVII ou XVIII todas coloridas, revitalizadas, ruas de paralelepípedo. Subindo a ladeira, logo ali em direção à baía você tem a impressão de que vai chegar ao Elevador Lacerda, e chega em um grande forte espanhol, construído de 1539 a 1700. No caminho do hotel passamos por uma lagoa, árvores praianas e ruas quentes, como o Rio de Janeiro... Amanhã vamos até conhecer a praia que dizem ser a Copacabana de Porto Rico. Enfim, estamos muito mais próximos de casa do que imaginávamos, ou como eles diriam aqui: My home, su casa!

Detalhe de rua do centro antigo de San Juan, em Porto Rico

Detalhe de rua do centro antigo de San Juan, em Porto Rico

Fortaleza 'El Morro' em San Juan - Porto Rico

Fortaleza "El Morro" em San Juan - Porto Rico

Porto Rico, San Juán,

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Paramaribo

Suriname, Paramaribo

Vendedor de rua em Paramaribo, no Suriname

Vendedor de rua em Paramaribo, no Suriname


Paramaribo, também conhecida como Parbo, é uma cidade em estilo colonial, construída no início do século XVII pelos ingleses.

Forte Zelandia, primeira construção de Paramaribo, no Suriname

Forte Zelandia, primeira construção de Paramaribo, no Suriname


Após anos de disputa territorial entre holandeses e ingleses, foi feito o acordo de troca da cidade de New Amsterdam, hoje Nova York, pelo território do Suriname, quando então os holandeses assumiram definitivamente a região. A região central possui a arquitetura colonial holandesa e a maioria das casas foi reconstruída após mais de 400 casas terem sido destruídas por um grande incêndio no início do século XIX.

Casas típicas de Paramaribo, no Suriname

Casas típicas de Paramaribo, no Suriname


Às margens do Rio Suriname, é a maior cidade do país com mais de 250 mil habitantes e inclusive um bairro majoritariamente brasileiro. O idioma oficial é o holandês, mas o sranam tongo é o mais falado nas ruas, uma mistura de inglês, português, holandês e dialetos africanos.

Olha só o nome da 'Praça da Independência' em Paramaribo, no Suriname

Olha só o nome da "Praça da Independência" em Paramaribo, no Suriname


O Brasil também possui uma grande mescla de culturas e origens, mas é impressionante como a nossa história fez com que existisse uma unidade nacional, um único idioma e o orgulho de ser brasileiro. Aqui as etnias que formaram o país parecem ser mais fortes e enraizadas, por isso ainda se encontram os clusters culturais chineses, indianos, africanos, etc. Ainda assim, diferente do que vimos na Guiana Francesa, os surinameses já começam a construir uma identidade própria. Há um movimento natural entre os jovens onde a sua etnia e os antigos costumes cultivados pelos pais já não são mais importantes do que sua liberdade, seus amigos e o meio onde vivem.

Os ônibus coloridos de Paramaribo, no Suriname

Os ônibus coloridos de Paramaribo, no Suriname


Toda essa miscigenação se reflete na gastronomia, que oferece restaurantes tailandeses, chineses, brasileiros, holandeses e vários outros resultantes da soma de todos os sabores e temperos que formam o país. A religião é outro ponto a ser observado, cada um mantém a sua crença, rituais indígenas, afros estão entre católicos e hindus. A catedral em estilo holandês também é uma atração, toda construída em madeira.

Catedral, toda em madeira, em Paramaribo, no Suriname

Catedral, toda em madeira, em Paramaribo, no Suriname


A cidade, porém, é ainda mais orgulhosa de sua mesquita e sinagoga que convivem pacificamente lado a lado.

Sinagoga ao lado de mesquita, em Paramaribo, no Suriname

Sinagoga ao lado de mesquita, em Paramaribo, no Suriname


O Suriname está apenas começando a se abrir para nós, suas histórias, vilas, matas e rios. A estação seca não poderia estar mais molhada, mas logo descobriremos as belezas naturais que o nosso vizinho holandês tem a nos oferecer.

Na orla do rio Suriname, em Paramaribo, capital do país

Na orla do rio Suriname, em Paramaribo, capital do país

Suriname, Paramaribo, holandeses, ingleses

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A caminho da Pipa

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Uma das partes mais gostosas da viagem é quando pegamos rotas diferentes, por que estrada de asfalto são todas iguais, muda um pouco a paisagem aqui e ali, mas não é tão curtida como um off-road, por exemplo. Hoje saímos de Sagi pela praia e os chapadões até a Praia da Pipa. Aquela sensação de “easy rider”, rodando pelas areias, vento, sol, mar, sempre fez parte do meu imaginário de viagem de carro pelo nordeste e aqui vamos nós!

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa

Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa


São quase 30km entre as duas cidades e na maré baixa conseguiríamos fazer praticamente todo o caminho pela areia. Passamos por Baía Formosa e ali já vimos que a maré ainda estava alta nas pedras e falésias, tivemos que entrar pela Fazenda Estrela e fazer parte da estrada entre coqueiros e alagados. Chegamos à Barra de Cunhaú, um rio largo que atravessamos numa balsa de um carro só.

Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Era comum seguir de carro pela areia daqui até a próxima balsa, mas a proibição foi feita e esta eu obedeço com gosto! A praia é berçário para as tartarugas marinhas que ainda estão em época de reprodução e fazem seus ninhos nestas areias. Já pensaram as coitadinhas tendo que agüentar carros e bugues?

Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Por isso pegamos um trechinho de estrada até a Barrinha e dali seguimos para a próxima balsa do Rio Sibaúma, essa balsa ainda menor e quase desnecessária. A Fiona ficou até meio chateada de não ter estreado seu snorkell, mas não poderíamos burlar o ganha pão dos balseiros dali.

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


De Sibaúma até a Pipa são mais 3km sobre um chapadão maravilhoso! A vista do alto das falésias é ainda mais bonita, o verde contrastando com a terra da chapada à beira mar, fantástico!

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


Logo vemos que estamos chegando à Pipa, aumenta o movimento de carros e o golpe final, excursões da CVC por toda parte. Centenas de turistas descendo dos trenzinhos puxados por tratores, mega empreendimentos imobiliários “Pipa Beach Bungalos”, praia lotada de barracas e guarda-sóis. É o desenvolvimento chegando...

Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN

Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN


A Praia da Pipa é um daqueles destinos obrigatórios para qualquer brasileiro. Um lugar especial que virou atração turística não apenas por suas belas praias, mas pela infra-estrutura turística e pelo astral das pessoas que fazem o lugar. O Rodrigo já conhecia e sugeriu que ficássemos apenas um dia e uma noite, mas eu tinha lá minhas dúvidas, queria sentir o lugar antes para decidir ficar, quem sabe, pelo menos mais uma noite.

Caminhando na Praia da Pipa - RN

Caminhando na Praia da Pipa - RN


É realmente estranho sair de lugares como os que temos andado, tranquilos e distantes de tanto agito e chegar à Pipa. Ficamos meio tontos com tantas coisas, mas a energia e a própria infra do lugar vai nos envolvendo e não nos deixa ir embora. As praias são bonitas, mas lotadas. Temos que treinar os olhos para ver a beleza em meio a tanta gente e tanta farofa. Chegamos à praia do centro e logo pensei, “se for só isso podemos ir amanhã”. Caminhamos até a baia dos golfinhos, praia com falésias imensas, águas tranqüilas onde os golfinhos costumam passar o dia e caçar alguns cardumes de sardinha. É uma caminhada curta para chegar até lá, aí nos perguntamos: por que as pessoas gostam tanto de ficar aglomeradas? Uma praia dessas, tão linda e tão vazia, enquanto a outra está lotada? Enfim, mistérios do ser humano.

Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN

Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN


O fim de tarde foi chegando, os bares e restaurantes começaram a abrir e as ruas começaram a ganhar vida. Lanchamos um sanduíche delicioso que não encontrávamos há muito tempo, até aqui, só cheeseburguer e olha lá! Risoterias, bares, lojas, enfim... um mundo de coisas e pessoas alternativas vindas de todos os cantos do mundo, para formar esta atmosfera “pipana”. Decidido, vamos ficar mais um dia! Já vimos lugares tão ou até mais bonitos, mas a viagem e a vida não são feitas apenas disso. Precisamos respirar um pouco desta atmosfera e nos alimentar da energia cosmopolita que transborda neste lugar.

Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN

Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN

Brasil, Rio Grande Do Norte, Praia da Pipa, Barra do Cunhaú, off road, Praia, Simbaúma

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As três pontas

Brasil, Bahia, Salvador

Sol se pondo na Baía de Todos os Santos, visto de Pedra Furada, em Salvador - BA

Sol se pondo na Baía de Todos os Santos, visto de Pedra Furada, em Salvador - BA


A cidade de Salvador tem um formato meio triangular e por isso possui 3 pontas sinalizadas por famosos faróis: o Farol de Itapoã, o Farol da Barra e o terceiro não tão falado, mas não menos importante, Farol da Ponta do Humaitá e Forte de mesmo nome da Igreja ali localizada, Igreja da Nossa Senhora de Mont Serrat, construída em 1650. A Ponta do Humaitá possui uma vista de 270° para a baía e a praia de Boa Viagem. A praia estava lotada, todos aproveitando o sabadão de feriado para um futeba, peixinho frito e cerveja gelada!

Praia cheia num sábado em Salvador - BA

Praia cheia num sábado em Salvador - BA


Nós fugimos deste agito e fomos direto para a Pedra Furada, lugar indicado pela Lívia para almoçarmos uma comida típica. A Pedra Furada é uma ruazinha próxima à Ponta do Humaitá que possui alguns restaurantes voltados para o mar, com uma bela vista, cerveja gelada, som ao vivo e o melhor, pouco freqüentado pelos turistas. Almoçamos um prato diferente chamado Arrumadinho, parece um feijão tropeiro com lingüiça e carne de porco picadas, farofa e um tipo de feijão diferente, verde. Sou suspeita para falar, mas é um prato delicioso, pois eu adoro feijão!

Sol se pondo na Baía de Todos os Santos, visto de Pedra Furada, em Salvador - BA

Sol se pondo na Baía de Todos os Santos, visto de Pedra Furada, em Salvador - BA


Ainda na Península de Itapagipe se encontra a igreja mais visitada de Salvador, quiçá do Brasil, a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Chegamos no horário da missa da tarde, igreja lotada e com vários grupos de romeiros de todos os lados.

Igreja do Bonfim, em Salvador - BA

Igreja do Bonfim, em Salvador - BA


Na porta, vários ambulantes cadastrados com numeração e tudo para venda de fitinhas do Senhor do Bonfim, chaveiros, escapulários, terços e até outros objetos de sorte demonstravam o sincretismo religioso da Bahia.

As famosas fitinhas do Bonfim, em Salvador - BA

As famosas fitinhas do Bonfim, em Salvador - BA


Nosso próximo compromisso era só as 20h no Teatro Vila Velha, então consegui convencer o Rodrigo a ir até o MAM, Museu de Arte Moderna, que fica no Solar do Unhão. Eu já conhecia, mas o Ro às vezes é um pouco reticente em conhecer este tipo de exposição. Todos os sábados as 18h rola um Jam Section de Jazz no MAM, cenário perfeito, música boa, programa delicioso! O parque de obras à beira mar faz o espaço ficar ainda mais mágico.

Visitando o MAM de Salvador - BA

Visitando o MAM de Salvador - BA


Consegui convencê-lo já que era caminho, chegamos lá as 18h30 e pudemos só dar uma volta rápida, já que ele resolveu apostar com o guardador de carro que pagaria 10 reais se demorasse mais de 30min... aí quem tem que sair correndo sou eu, tudo para o moço não perder uma aposta. 19h já estávamos no Teatro Vila Velha comprando os nossos convites para assistir à peça “A Bença” do Bando de Teatro do Olodum.

Apresentação do Grupo de Teatro do Olodum no Teatro Vila Velha em Salvador - BA

Apresentação do Grupo de Teatro do Olodum no Teatro Vila Velha em Salvador - BA


Um espetáculo que faz jus ao título, A Bença comemora os 20 anos do bando pedindo “a bença” aos mais velhos, mais experientes, fazendo reverência a sabedoria dos nossos ancestrais. A montagem de teatro contemporâneo mistura elementos do candomblé, danças e músicas africanas com recursos super modernos de vídeo, exibindo em dois telões depoimentos de grandes personagens do teatro e da cultura negra. Um banho de cultura e um show à parte nestes nossos 1000dias.

Na Ponta do Humaitá, em Salvador - BA

Na Ponta do Humaitá, em Salvador - BA


Um dia que começou na Ponta do Humaitá, passou pelo Bonfim e terminou no teatro Vila Velha não poderia ser mais significativo. Hoje unimos as três pontas soteropolitanas: a beleza natural do Humaitá, o sincretismo religioso no Bonfim e a cultura baiana e negra de altíssima qualidade no Teatro Vila Velha.

Brasil, Bahia, Salvador, MAM, Olodum, pedra furada, Pontal do Humaitá, Solar do Unhão, teatro

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Final de semana em Caxambu

Brasil, Minas Gerais, Caxambu

Parque das Águas em Caxambu - MG

Parque das Águas em Caxambu - MG



Temos ficado sempre em lugares simples, buscando o mínimo de conforto e o melhor preço. As nossas viagens sempre foram assim, antes e depois de nos conhecermos. Apenas em nossa lua de mel nos demos ao luxo de gastarmos mais e escolhemos hotéis melhores. Mas vocês concordam que três anos assim seria complicado. Portanto combinamos que de tempos em tempos ficaríamos em um bom hotel, um lugar mais parecido com o que seria a nossa casa, cama boa, lençóis macios e um banho gostoso. Algumas pessoas chamam isso de férias das férias, é quase isso, sempre depende do referencial de quem está falando. Para mim, férias sempre foram para cansar o corpo e descansar a mente. Subir montanhas, fazer trilhas para cachoeiras ou até conhecer cidades diferentes, mas sem luxo. Para outros férias são justamente o oposto, ir para um lugar maravilhoso, ficar em um bom hotel, parar um pouco da correria do dia a dia e descansar além do corpo, a mente. Eu nunca entendi isso, achava um desperdício ficar 10 dias em um mesmo lugar, tamanha a minha sede de conhecer, conhecer, conhecer. Hoje já acho que isso faz mais sentido, dentro do nosso atual estilo de vida. Parar um pouco, descansar o corpo e a mente em 2 dias de Caxambu agora soam como férias, ou um final de semana bem aproveitado.

Hoje ao invés de cachoeiras viemos buscar as águas milagrosas de Caxambu. Águas sulfurosas, com magnésio e sais minerais variados que curam diversas enfermidades há centenas de anos. Problemas intestinais, dermatológicos, hepáticos, oftalmológicos, emocionais e outros. Até a Princesa Isabel curou a sua esterilidade nestas fontes e como agradecimento ergueu uma das principais igrejas da cidade.

A fonte D. Pedro I no Parque das Águas em Caxambu - MG

A fonte D. Pedro I no Parque das Águas em Caxambu - MG


Thermas no Parque das Águas em Caxambu - MG

Thermas no Parque das Águas em Caxambu - MG


As Termas de Caxambu foram totalmente restauradas com suas características originais e acabaram de ser reinauguradas pelo Prefeito da cidade e o atual Governador de Minas Anastasia, porém só serão abertas ao público dentro de 15 dias. Em frente ao Parque de Águas fica o tradicional Hotel Glória, que ainda guarda em sua memória os grandes artistas e políticos que ali ficaram hospedados e que hoje recebe, ninguém mais ninguém menos do que a Expedição 1000dias! Rsrsrs!

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG

Interior do Hotel Glória em Caxambu - MG


Uma cidade pacata que nem se quiséssemos fazer muita coisa conseguiríamos. Andar no parque, tomar as águas medicinais e fazer uma bela massagem com Hans no hotel, esta foi a programação, além, é claro, de trabalhar um pouco no site.

Coreto no Parque das Águas em Caxambu - MG

Coreto no Parque das Águas em Caxambu - MG


Daqui vamos para o Vale do Matutu, mais cachoeiras e longas caminhadas nos esperam, portanto esta foi sem dúvida uma parada estratégica! Agora já repusemos as energias e vamos em frente!

Se equilibrando no Parque das Águas em Caxambu - MG

Se equilibrando no Parque das Águas em Caxambu - MG

Brasil, Minas Gerais, Caxambu,

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Para o alto e avante!

Brasil, Paraná, Pico Paraná, São Paulo, Santos

Auto foto no ponto mais alto da região sul do Brasil, no Pico Paraná - PR

Auto foto no ponto mais alto da região sul do Brasil, no Pico Paraná - PR


Acordei hoje com um pouco de luz na barraca, mas logo fechei os olhos pedindo para que não fose hora de acordar. Voltei a dormir profundamente, estava até sonhando, mas logo o Ro me chamou, todo feliz pois nossas preces tinham sido atendidas, a chuva havia parado! Ainda estava frio e havia muita neblina, não conseguíamos avistar o pico, mas sabíamos que não estava distante dali. Nosso plano era chegar ao cume e depois retornar para desmontar acampamento. Duro foi colocarmos as meias molhadas e a bota encharcada para começar a caminhada.

Nossa barraca no acampamento 2, no Pico Paraná - PR

Nossa barraca no acampamento 2, no Pico Paraná - PR


A trilha segue pela estreita crista da cadeia de montanhas, alguns trechos beirando precipícios imensos. O Ro já conhecia, mas eu tinha que ficar só imaginando que paisagens eu estava perdendo para as nuvens. Fomos vencendo pequenas montanhas tentando descobrir qual delas seria a derradeira até alcançarmos o cume. A cada cocoruto eu pensava, “agora vai” e assim foram uns quatro. A vegetação estava totalmente molhada e lá estávamos nós novamente encharcados. A informação é que subiríamos em 40 minutos, porém com a trilha completamente inundada e escorregadia acabamos levando em torno de uma hora.

A visão (só branco!) do topo do Pico Paraná - PR

A visão (só branco!) do topo do Pico Paraná - PR


Finalmente chegamos ao cume! São os 1870m mais custosos que encontramos até agora, mas a sensação de ter vencido este desafio é maravilhosa, conseguimos! A melhor parte foi quando sentei para descansar e ler algumas páginas do caderno de registros. Quantas pessoas passaram por ali e deixaram suas impressões, mensagens e emoções gravadas para outros, como eu, lerem. Até me emocionei quando encontrei uma mensagem que dizia: “Após 21 anos estou novamente no Pico Paraná! Uma vez escoteiro, sempre escoteiro!”. Enquanto eu a lia para o Rodrigo meus olhos encheram de lágrimas, pois desde os meus tempos de escoteira eu queria ter escalado esta montanha, foi uma forma de me sentir ali, 14 anos mais nova. Sei exatamente o que o cara sentiu enquanto escrevia esta mensagem.

O livro de registros, no topo do Pico Paraná - PR

O livro de registros, no topo do Pico Paraná - PR


O PP dificultou ao máximo a nossa subida, valorizou o passe e quis deixar marcada a sua passagem por estes nossos 1000dias! A caminhada de volta agora era mais tranqüila, sem chuva e com os trechos bem gravados na memória ficava mais fácil. Eu estava super concentrada para o momento da descida das escadas, queria que tudo desse certo, já pensaram ter que chamar o socorro? Nem pensar!

Trecho com corda na trilha do Pico Paraná - PR

Trecho com corda na trilha do Pico Paraná - PR


No final, descer é sempre mais fácil que subir, como dizem, para baixo todo santo ajuda! Principalmente o santo marido, que desceu com a minha mochila nos lances de escada mais difíceis. Cada obstáculo vencido era um passo a mais para a nossa próxima aventura. Até o sol começou a aparecer quando nos aproximamos do Caratuva, é sempre assim, quando estamos indo embora ele aparece.

Bifurcação sinalizada na trilha do Pico Paraná - PR

Bifurcação sinalizada na trilha do Pico Paraná - PR


Esgotados depois da trilha, noite mal dormida na barraca e ainda 4 horas de estrada depois, chegamos a Santos. Estávamos com os contatos para o mergulho na laje todos a postos, mas o celular não estava ajudando. A Laura entrou em ação e conseguiu falar com o pessoal da Nautilus. Assim que o celular voltou à ativa descobrimos que havia entrado um vento “x” que não permitiria a saída de barco para a laje. Um alívio por um lado, pois poderíamos descansar um pouco, nos recompor, cuidar dos equipamentos de camping que estavam enlameados e ainda explorar a região. Por pouco ficamos sem hotel em Santos. Chegando em uma quinta-feira achamos que não haveria problema, mas a cidade estava sediando 2 grandes eventos e todos os hotéis estavam lotados. Fomos salvos pelo Metralha, amigo de Unicamp do Ro que mora lá e conhece tudo! Nos arrumou um flat bem localizado e tinha tudo o que precisávamos depois desta escalada: um banho quente e uma cama confortável... boa noite!

Tempo enevoado descendo o Pico Paraná - PR

Tempo enevoado descendo o Pico Paraná - PR

Brasil, Paraná, Pico Paraná, São Paulo, Santos, Escalada, Montanha, Trekking

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