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Blog da Ana - 1000 dias

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Curiosidade do dia

Turks e Caicos, Providenciale - Provo

Descobri o nome daquele bicho que se esconde, onde o James Cameron se inspirou para o jardim do Avatar! Difícil acreditar, mas são vermes do mar! Do mesmo filo “Annelida”.

- Reino – Animalia
- Filo – Annelida
- Classe – Polychaeta
- Subclasse – Palpata
- Ordem – Canalipalpata
- Subordem – Sabellida
- Família - Serpulidae

Então são basicamente os primos distantes ricos e bonitões da minhoca! Existem diversas espécies, a do filme é chamada de Christmas Tree. Eu ia copiar as fotos que encontrei na web para vocês verem, mas vamos ser justos com o trabalho que esse cara teve. Ele fez um site bem simplinho mas com toda a classificação destes vermes bonitinhos!

Confira!
Link Worms: http://www.starfish.ch/c-invertebrates/annelida.html
Link Christmas Trees: http://scienceray.com/biology/marine-biology/spirobranchus-giganteus-seabed%e2%80%99s-delightful-sites-in-connection-with-christmas/

Turks e Caicos, Providenciale - Provo, Mergulho

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Praia do Leão

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha

Fim de tarde na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE

Fim de tarde na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE


Corveta pela manhã e uma tarde na Praia do Leão para relaxar. Depois de um pit stop na pousada e um açaí delicioso pegamos um táxi direto para lá. O mirante da Praia do Leão é maravilhoso, podemos avistar do alto toda a praia e as Ilhas da Viuva e a ilha que nomeia a praia. Alguns dizem que Ilha do Morro da Leão tem o formato de um leão marinho e seria este o motivo da praia ter este nome. Tenho minhas dúvidas, pois senão poderia ser Praia da Foca, já que esses bichos deitados são todos meio parecidos.

Admirando a paisagem da Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE

Admirando a paisagem da Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE


A maré estava baixa e pude conhecer desta vez os travertinos formados pelos corais à beira mar. Depois da caminhada ladeira abaixo, fizemos um snorkell delicioso na Ilha da Viúva, treinando as técnicas de apnéia para ver as lagostonas há 10m de profundidade. Foram umas boas braçadas. A luz de fim de tarde no Leão é uma das mais bonitas de Noronha.

Fim de tarde na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE

Fim de tarde na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE


Aproveitamos o pôr-do-sol para voltar caminhando até a BR, ao lado da Pousada Maravilha, onde pegamos um busão para a Floresta Velha.

Últimas luzes na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE

Últimas luzes na Praia do Leão em Fernando de Noronha - PE


Mais tarde comemos uma pizza maravilhosa, sequinha e fininha no bar do reggae e fomos atraídos direto para a apresentação de Maracatu no Bar do Cachorro. Eu não sabia, mas o Maracatu tem ligação com os ritualismos do Candomblé, fiquei super curiosa, vou pesquisar mais. A apresentação foi linda, um show de percussão, dança e simbolismos. Chegamos no final, mas ainda deu tempo de entrar na roda e cirandar!

Apresentação de Maracatu no Bar do Cachorro, em Fernando de Noronha - PE

Apresentação de Maracatu no Bar do Cachorro, em Fernando de Noronha - PE

Brasil, Pernambuco, Fernando de Noronha, Praia, Praia do Leão

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Um Dia na Isla de los Pinos

Cuba, Nueva Gerona

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


A Isla de la Juventud, antes chamada de Isla de los Pinos, teve seu nome alterado por Fidel em homenagem aos jovens que vários cantos do mundo que vieram a estudar em escolas secundárias especiais criadas aqui. Foram mais de 10 mil estudantes, a maioria africana, que contribuíram com o desenvolvimento, trabalhando em turnos para formar as atuais plantações de citrus, uma das principais economias desta província.

Pode parecer tranquilo, mas é um lago cheio de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Pode parecer tranquilo, mas é um lago cheio de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Mesmo com a mudança do nome em 1978, quem nasce na Ilha de la Juventud continua sendo “pinero” e foi Plá, um pinero da gema, que nos levou conhecer a ilha. Alugar carro é muito caro e tem toda a burocracia, assim negociamos por um dia de tour até o Cocodrilario, à Presidio Modelo e a uma praia por 40 CUCs.

Pode parecer tranquilo, mas é um lago cheio de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Pode parecer tranquilo, mas é um lago cheio de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Saímos às 10 da manhã, meio tarde, mas o povo estava destruído da maratona de viagem e mergulhos de ontem. Ideal mesmo é sair um pouco mais cedo para pegar os crocodilos com menos sol. No caminho tivemos uma dificuldade grande em encontrar água mineral para comprar, passamos em umas 5 lojas diferentes entre Nueva Gerona e La Fe, as duas principais cidades da ilha. A população aqui geralmente consome a água encanada mesmo, os mais preocupados a fervem para garantir.

A prisão onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba

A prisão onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba


São em torno de 50 minutos de carro até o criadouro de crocodilos, que está antes da área do Parque Nacional da Ciénaga de Lanier. A ciénaga é uma área pantanosa, ambiente ideal para o desenvolvimento desses parentes próximos dos dinossauros.

Filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

Filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


A entrada no criadouro é de 5 CUCs por pessoa, o que a princípio parecia meio overpriced, então já negociamos na entrada que queríamos segurar um bebê na mão! O técnico que acompanha a visita lida diariamente com esses bichos e tem uma manha tremenda para lidar com eles. Os bebês devem ser segurados pressionando a cabeça e a mandíbula, para não dar nenhuma mordida surpresa no turista desavisado.

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

A Ana segura um filhote de jacaré em criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


O principal objetivo deste “cocodrilario” é a procriação e preservação da espécie endêmica encontrada aqui em Cuba, Crocodylus rhombifer, encontrada apenas na ilha de Cuba e na Isla de La Juventud. Eles estão em processo de extinção após terem capturado praticamente todos que existiam no país e o mesclaram com o Crocodilo Americano (Crocodylus acutus). Outra espécie que apareceu por aqui é o Crocodilo Colombiano, porém a cruza entre estas espécies é estéril.

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Nosso guia segura jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Hoje o criadouro acompanha o nascimento de 25 a 40 ovos por ninhada, a cada 2 ou 3 meses, garantindo que a maioria seja fêmea, para garantir e aumentar a sua população. Os crocodilos vivem em cativeiro separado por etapa de crescimento e são liberados para a natureza após atingirem em torno de 15 anos. Esta espécie chega a atingir até 3,5m de comprimento, um senhor crocodilo!

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


Entre os 5 e 7 anos, aproximadamente, eles são transferidos para áreas naturais cercadas onde sua alimentação passa híbrida entre caça e “ração”, que basicamente é pura carne. O nosso guia nos mostra como faz para alimentá-los e eles vem como cachorros, atendendo ao chamado “tóme, tóme”, e salta velozmente enganado por um pedaço de pau que lançamos. Nesta área o convívio com outros crocodilos da mesma espécie e diferentes tamanhos já vai mostrando também como funciona o territorialismo que lhes é peculiar, um instinto natural.

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba

Jacarés maiores no criadero na Isla de la Juventud, em Cuba


A aula de biologia e vida reptiliana valeu à pena! Que animais interessantes são esses crocodilos.

Visitando criadero de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba

Visitando criadero de jacarés na Isla de la Juventud, em Cuba


Retornamos em direção à Nueva Gerona, agora para continuar a nossa imersão na história Cubana, passando pela prisão onde Fidel Castro e seus comparsas estiveram presos entre outubro de 1953 e maio de 1955. A prisão foi construída entre 1926 e 1931 com o mesmo modelo da famosa penitenciária americana de Joliet, em Illinois.

O gigantesco e desativado Presidio Model, onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba

O gigantesco e desativado Presidio Model, onde ficou preso Fidel Castro na Isla de la Juventud, em Cuba


Estes imensos edifícios circulares hoje totalmente abandonados, podiam receber até 5 mil prisioneiros ao mesmo tempo! É impressionante entrar em um lugar como este e imaginar que em cada cela tinham um ou dois presos, seres humanos da pior espécie. Eles ficavam geralmente soltos no pátio central e tinham suas celas para dormir. Na torre central ficava a guarda, com uma visão 360 graus e com um acesso subterrâneo, para que os presos não soubessem qual era o guarda na vigília.

Visitando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba

Visitando o Presidio Model, na Isla de la Juventud, em Cuba


Fidel obviamente ficou trancafiado em uma cela especial, à parte dos presos comuns, com colchão, banho e alimentação mais decente. Sua cela hoje virou um pequeno museu, que decidimos “pular”, já que o tempo passava e ainda queríamos pegar uma prainha. Dali, seguimos direto para a Playa Paraíso, no norte da ilha. As praias de areias brancas e mar azul caribenho estão no sul, mais distantes e com acesso mais restrito*.

Local do nosso almoço na Praia Paraiso, na Isla de la Juventud, em Cuba

Local do nosso almoço na Praia Paraiso, na Isla de la Juventud, em Cuba


A praia de areias claras e mar verde estava super agradável. Um bar (clandestino) vende mojitos, cervejas e serve refeições com peixe, lagosta e frango na brasa, além da deliciosa porção de banana chips. Sol e mar quentinhos, mesmo com muitas algas deu para nadar e se refrescar.

APraia Paraiso, em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba

APraia Paraiso, em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba


Conhecemos alguns pineros malucos que nos contaram sobre sua postura política contra o governo. É raro encontrar alguém que fale abertamente sobre isso, o pai de um deles é o fundador de um partido oposicionista. Ele nos contou que foi entregue ao governo a documentação da fundação do partido, inclusive com o nome dos fundadores e todos os seus apoiadores, mas o governo simplesmente ignorou. O pai dele já foi preso por manifestações contra o governo e acabou sendo solto. Eles sabem com quem e para quem podem falar isso na ilha, já que todos se conhecem. Sabem quem é informante do governo, fiscal ou dedo-duro. A impressão que eu fiquei é que por sua situação geográfica, os pineros possuem mais liberdade e acabam se organizando politicamente de uma forma um pouco diferente.

No volante de um carro sexagenário em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba

No volante de um carro sexagenário em Nueva Gerona, na Isla de la Juventud, em Cuba


Dia entre a natureza, crocodilos, presídios suas histórias, praia e bons amigos. Um tour bacana para conhecer o lado alternativo da Isla de La Juventud.

*Parque Nacional Ciénaga de Lanier

Se você tem mais tempo e quer conhecer o Parque Nacional que abrange a área da Ciénaga de Lanier deve se programar com antecedência. A oficina de turismo em Nueva Gerona deverá providenciar uma permissão especial para entrada na área, assim com um automóvel próprio, 4 x 4. Além de a vida selvagem ser mais abundante, um dos pontos altos é a Cueva de Punta del Este, onde antigos habitantes indígenas deixaram suas marcas na gruta, que são consideradas as principais pinturas rupestres no Caribe. Além da Punta del Este, as praias Larga e a comunidade de Cocodrilo também tem acesso por este parque e ao menos uma dela pode ser incluída neste day tour.

Cuba, Nueva Gerona, Animal, Crocodilo, Isla de la Juventud, Presidio Modelo

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Circuito Praias e Trilhas

Brasil, Bahia, Itacaré

Praia da Tiririca, em Itacaré - BA

Praia da Tiririca, em Itacaré - BA


Locutor empolgado: “E começa o Circuito Praias e Trilhas de Itacaré! Os competidores estão meio abalados depois da balada que levaram hoje até as 5 da manhã, aham, quero dizer, ontem à noite. O objetivo dos dois é conhecer as praias a partir da Tiririca até São José, passando pelas praias da Costa, Ribeira e Prainha. Eles caminharão pela areia das praias embaixo de um sol descomunal, atravessarão encostas de pedras, rios e uma trilha de 3km em meio à diversa Mata Atlântica! Serão ao total 12km de pura adrenalina, emoção e principalmente muita natureza!”

Muitos surfistas na Praia da Tiririca, em Itacaré - BA

Muitos surfistas na Praia da Tiririca, em Itacaré - BA


O circuito começou as 13h30 da tarde, após uma manhã deliciosa de sono, interrompido apenas pelo café da manhã. Neste horário o mar na Tiririca estava lotado de surfistas e a praia, mesmo sendo sábado de feriado, com um número de pessoas bem razoável. Atravessamos a costa de pedras para a Praia da Costa, ninguém na areia e muito menos no mar, muito perigoso para banho.

Mar nervoso da Praia da Costa, em Itacaré - BA

Mar nervoso da Praia da Costa, em Itacaré - BA


Céu azul e sol a pino, vencemos o segundo costão de pedra, este um pouco mais íngreme, porém mais curto e chegamos à Praia da Ribeira. Esta possui vários barzinhos à beira da praia, todos cheios, caminhamos até o final da praia procurando a trilha para a Prainha e encontramos o nosso novo amigo, Vagner. Ele nos deu a dica da trilha, que fica no início da praia, seguindo o rio que sai do fundo do terreno.

Praia da Ribeira, em Itacaré - BA

Praia da Ribeira, em Itacaré - BA


A trilha pela mata é tranqüila, são 3km praticamente todos na sombra, com alguns pontos de subida. A dica é sempre seguir à direita nas bifurcações e apenas na cachoeira atravessá-la. A vista da trilha quando chegamos à fazenda, área de reserva particular à beira do morro e da praia, é maravilhosa!

Quase no final da trilha para a Prainha, em Itacaré - BA

Quase no final da trilha para a Prainha, em Itacaré - BA


Passamos reto pela Prainha chegando na entrada de um condomínio particular, o Itacaré Paradise. Entrando neste condomínio e andando pouco mais de 1km chega-se à praia de São José, outro cantinho do paraíso. Lindíssima, chiquérrima, pois o condomínio tem uma área restrita aos proprietários à beira da praia com piscina, bar, canchas, etc.

Fim de tarde na Praia São José, em Itacaré - BA

Fim de tarde na Praia São José, em Itacaré - BA


Depois de um banho e mar, emprestamos um pouquinho a ducha deles, afinal um bainho eles não poderiam negar. No retorno, mais um banho de mar e uma água de coco na Prainha para refrescar. Agora no final da tarde tinha uma luz ainda mais bonita, pena que a bateria da máquina acabou, quero voltar lá ainda para fotografá-la com essa luz. A trilha de volta foi mais rápida, apertamos o passo e chegamos rapidinho novamente na Sagi.

Chegando à bela Prainha, em Itacaré - BA

Chegando à bela Prainha, em Itacaré - BA


Depois de uma pizza no Beco das Flores, demos um passeio pela Pituba e já começo a me sentir enturmada em Itacaré. Encontramos alguns amigos que fizemos ontem, eles nos convidaram para ir para a balada, mas decidimos descansar para amanhã aproveitar ainda mais o dia e continuar com a programação do Circuito Praias e Trilhas.

Brasil, Bahia, Itacaré, mar, Praia, Prainha, Rio, São José, trilha

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Raso da Catarina

Brasil, Bahia, Paulo Afonso (Raso da Catarina)

O canyon do Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

O canyon do Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Ontem à noite saímos de Piranhas em direção a Paulo Afonso, na Bahia. Nosso objetivo, visitar o Raso da Catarina. Reserva natural em meio ao sertão e à caatinga baianos. Entrar no Raso não é fácil, depende de várias burocracias e principalmente de informações corretas e bons contatos. Primeiro entramos falamos com o Centro de Informações Turísticas, fomos muito bem atendidos, entretanto logo recebemos a notícia que custaria em torno de 800 reais para conseguirmos entrar. Como já estamos com um carro 4 x 4 este custo cairia uns 250 reais, ainda assim 650 reais é um valor muito alto para a entrada em uma reserva. Comentamos com os nossos amigos em Piranhas e eles confirmaram que provavelmente teríamos o custo do guia, além de 11 cestas básicas para as famílias indígenas que vivem na reserva, mas nos deram contatos de pessoas que conheciam bem o Raso e poderiam nos ajudar.

A Fiona nos leva através da caatinga para o Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

A Fiona nos leva através da caatinga para o Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Chegamos à noite e sem o nosso celular, portanto sem o contato direto do centro de informações turísticas. Conseguimos contatar o pessoal que nos foi indicado. Binho, presidente do Jeep Clube de Paulo Afonso foi o nosso canal de entrada, ele é uma das pessoas que mais conhece e freqüenta o Raso, ao lado de pesquisadores e alguns turistas, além da própria administração da reserva e da FUNAI. Ele não pôde nos acompanhar, mas nos indicou a pessoa certa para nos acompanhar.

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Encontramos Naldo, guia local, na comunidade do Joá há 20km de Paulo Afonso. Naldo nos levou para conhecer a Baixa do Chico, local mais conhecido e visitado na região. A visita só pode ser realizada com a autorização de Lino, cacique da tribo residente da reserva. Naldo nos contou que antigamente as visitas eram liberadas e a cobrança de doações à tribo começou quando eles e a FUNAI perceberam que fotógrafos e jornalistas visitavam o Raso com fins lucrativos, aí acharam justo dividir este “lucro” com os “proprietários” da terra. Naldo é morador da região, os ajuda sempre em tudo o que precisam, transporte de alimentos, água, além de ser parente de alguns deles, por isso tem sua entrada permitida pelo Chefe Lino.

Com o Naldo, nosso guia no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Com o Naldo, nosso guia no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Afinal, o que é o Raso da Catarina? O Raso é uma área reserva biológica de aproximadamente 56 mil hectares de pura caatinga onde vivem hoje as 13 famílias da tribo Pancararé. A tribo está dividida em 3 aldeias dentro da área de reserva. Catarina teria sido proprietária depois de Chico e algumas fontes contam a lenda de que ela teria desaparecido neste vale procurando ervas medicinais para seu marido.

No topo de formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

No topo de formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Chico batizou a baixa, cânion seco ou área menos elevada, localizada dentro do raso. Tudo indica que ali um dia correu um grande rio que formou o atual cânion. Outra teoria diz que a paisagem pode ter sido resultante de uma falha geológica. Um imenso cânion seco, com formações areníticas belíssimas, o baixo possui em torno de 5km de comprimento e grande parte da extensão de seu leito é utilizado pelos índios para plantação de culturas como feijão de corda, melancia, milho, entre outras.

Caminhando no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Caminhando no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


O local também é marcado pela passagem do lendário Lampião. Uma toca sobre as rochas seria seu esconderijo, um local estratégico, pois do alto se tem uma boa visualização de todo o cânion. Seu Lino nos contou várias histórias de Lampião e Gato, seu cangaceiro mais perverso e atrevido, que teria desafiado Lampião para assumir o posto de capitão do bando. Tamanha foi sua coragem e destreza no embate com seu comandante que este acabou cedendo ao homem de corpo fechado, tal posto almejado. O pai de Lino, já falecido, foi volante federal, pois “era um homem de benfeitorias”, conclui.

Formações rochosas no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Formações rochosas no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Lino tem hoje 80 anos, impressionou o Brasil em reportagem no Fantástico onde dizia que estava há 3 anos sem tomar banho. Segundo Naldo o próprio Lino afirma já ter ficado 6 anos sem banho, “água enfraquece a pele”, defende. Há apenas 2 anos o FUNAI conseguiu realizar a perfuração do primeiro poço artesiano para a tribo que até então trazia água de trator de Joá três vezes por semana.

Formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Formação rochosa no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


As estradas de areia que existem hoje no parque foram construídas pela Petrobrás, quando fazia pesquisa para exploração de Petróleo. Hoje as casas possuem luz elétrica de geradores solares implementados na comunidade há pouco tempo, embora não seja suficiente para manter geladeiras ligadas, já foi um avanço. Se a FUNAI tem planos para desenvolver a reserva, dando mais infra-estrutura aos seus moradores, não sabemos, mas percebe-se que o local ainda é pouco desenvolvido para o turismo, que deve ser uma das últimas prioridades de sua administração. O que não é de todo ruim, assim garantimos que o boom turístico não acabará com o lugar, sua beleza e seu charme sertanejo. Só assim alguns lugares poderão ser conhecidos, vistos e sentidos como eles são.

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Brasil, Bahia, Paulo Afonso (Raso da Catarina), Baixo do Chico, Funai, Raso da Catarina, Reserva, sertão

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Tobago Cays, Espaçonaves e Dreadlocks!

São Vicente E Granadinas, Union Island, Tobago Cays

Caminhando em praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Caminhando em praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Tobago Cays é um grupo de 5 pequenas ilhas desertas, de areias brancas, águas azuis turquesa e algumas palmeiras. Elas são exatamente aquela imagem do paraíso caribenho que todos nós temos nos nossos melhores sonhos.

Admirando praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Admirando praia de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


O que nunca sonhamos é que às vezes este paraíso também pode se cobrir nuvens negras em minutos e o céu pode despencar numa tempestade tropical com ventos violentos, bem quando nos preparávamos para tomar aquele banho de sol. Pois é, a nossa sorte foi que o céu só desabou depois de pisarmos na pequena ilha de Petit Tabac, a mais distante delas. Essa ilhota perdida no mar das Granadinas foi um dos cenários do filme Piratas do Caribe.

Praia paradisíaca em manhã nublada em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Praia paradisíaca em manhã nublada em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


A tempestade se aproxima em uma das pequenas ilhas de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

A tempestade se aproxima em uma das pequenas ilhas de Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Vimos de longe a tempestade chegando, torcendo para que ela passasse de raspão, mas ela nos pegou em cheio! Tiger, nosso barqueiro e guia, logo foi nos mostrar uma das mais novas atrações da ilha: destroços de uma espaçonave russa trazida pelo mar. O quê? Isso mesmo! Uma espaçonave, aquela parte de cima do foguete, que voa para o espaço sideral! Tudo bem, também demorou um pouco para cair a nossa ficha, só acreditamos quando chegamos lá e a vimos, com esses olhos que a terra há de comer! Estava tudo lá, as camadas de sua fuselagem, espuma isolante, metal e até os escritos em russo! Alguém traduz, por favor?

Restos de nave russa em tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Restos de nave russa em tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Nós impressionados e super curiosos, enquanto Tiger, sem cerimônia alguma cortava e girava aquele objeto quase sagrado! Já imaginaram por onde essa estrovenga já passou? Já esteve nos salões mais secretos da Roscosmos, Agência Espacial Federal Russa, atravessou toda a atmosfera terrestre e chegou onde nós, hoje, mal podemos sonhar em chegar, no espaço! Fato foi que os seus restos mortais vieram parar aqui e hoje serviram como um ótimo abrigo para os náufragos brasileiros perdidos no meio da tempestade tropical, no meio do Caribe.

Protegendo-se da forte chuva e vento em um abrigo feito com destroços de espaçonave russa, em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Protegendo-se da forte chuva e vento em um abrigo feito com destroços de espaçonave russa, em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Protegendo-se de tormenta em abrigo improvisado com restos de nave russa em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Protegendo-se de tormenta em abrigo improvisado com restos de nave russa em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Criado há apenas 5 anos o Tobago Cays National Park tenta preservar a vida marinha e seu habitat que vem sendo invadido por milhares de barcos e veleiros todos os anos. Aos poucos o tempo começou a melhorar e seguimos para a área do parque marinho, uma baía mais rasa e protegida por uma barreira de corais próxima à ilha de Baradal.

Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


O fundo de areia com algas e grama marinha é o ambiente ideal para as tartarugas, que vêm se alimentar nesta baía. A visibilidade não estava das melhores, quisera, depois de uma tempestade daquelas, mas em meia-hora de snorkel conseguimos ver mais de 20 tartarugas de todos os tamanhos, a maioria tartarugas-verdes.

Snorkel com tartarugas em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Snorkel com tartarugas em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


O sol saiu e nós seguimos para a próxima ilha, Petit Bateau, ao famoso churrasco do Bowl Head. Frutos do mar, batatas assadas com alho e o delicioso cozido de “lamby”, um molusco encontrado aos montes na região.

Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Praia e mares paradisíacos em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Local do nosso almço em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Local do nosso almço em Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Unimos-nos a um grupo de franceses que estava no barco vizinho do Captain Harris, mais conhecido como “O Pirata do Caribe”. Só figuras raras, rastas com seus dreadlocks e cigarros imensos organizavam a turistada e davam as dicas: “frutas para os passarinhos, papel e plástico no lixo e os pratos lavem no mar, que arraias e tubarões vão aparecer aqui na frente”. Dito e feito, tubarão não vimos, mas meia hora depois algumas arraias e um puffer fish (baiacú) gigante atenderam ao chamado! Timing perfeito para um snorkel com os nossos novos amigos, do mar e da terra.

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe


A nossa última parada foi na Happy Island, uma ilha-bar construída com conchas de lambys desde 2002! Ela começou como um punhado de conchas e uma pequena cabana vendendo cervejas e rum punchs e aos poucos foi sendo ampliada. Hoje Janti, o feliz dono da Happy Island, recebe os turistas que vem em seus barcos com música na caixa e muita energia.

Chegando à minúscula Happy Island, em frente à Union island, em São Vicente e Granadinas, no Caribe

Chegando à minúscula Happy Island, em frente à Union island, em São Vicente e Granadinas, no Caribe


Tomamos um rum punch na companhia do simpático casal de chefs Barbara e Adam, canadenses que vivem na Califórnia e estão de férias com sua filha, velejando em seu barco charter no Caribe. Além de nos convidarem para encontrá-los no Napa Valley, nos fizeram uma surpresa, que só descobrimos quando fomos pagar os nossos rum punchs! Muito obrigada casal!

Saindo de voadeira de Union Island para Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Saindo de voadeira de Union Island para Tobago Cays, no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Enquanto isso, Janti narrava no microfone a chegada emocionante da família francesa, que decidiu nadar do seu barco até a ilha, pai, mãe e três filhos! As duas mais novas vieram super guerreiras, com suas máscaras, nadadeiras e uma delas até com a pranchinha! Sensacional!

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe

Novos amigos em Happy Island, em frente à Union Island, no sul São Vicente e Granadinas, no Caribe


Retornamos à Clifton, em Union Island, depois de um dia maravilhoso, com direito à tempestade tropical, lamby do Bowl Head, bons papos com Arnauld e Emanuele, Nicole e o Captain Harris. Alguns deles ainda encontraríamos mais tarde para tomar uma caipirinha bem brasileira no bar da Nikki, depois de curtir um reggae com Mugas, o dono da loja de produtos rasta que quer voltar para Gana, terra sagrada, mãe de todos os africanos. Eu achei que era Etiópia, mas cada tem direito de escolher o seu lugar.

Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe


Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

Visitando loja de duas super figuras em Clifton, na Union Island, sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe

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Explorando o Vale do Pati!

Brasil, Bahia, Vale do Pati (P.N. Chapada Diamantina)

Vista do Vale do Pati do alto do Morro do Castelo, na Chapada Diamantina - BA

Vista do Vale do Pati do alto do Morro do Castelo, na Chapada Diamantina - BA


O Vale do Pati pode ser visto como uma grande cidade rural, que um dia possuiu mais de 7 mil moradores, uma sede administrativa, escola, igreja e ruas totalmente em função da produção de café. Após a crise de 1929 a produção de café praticamente se extinguiu e com isso a cidade se esvaziou. No Pati moram hoje 11 famílias, quase todas aparentadas pelo que conseguimos descobrir. O João abre a igrejinha sempre que recebe novos visitantes, um ritual bacana para os andarilhos e aventureiros. No altar desta igreja se encontram diversas imagens que foram presenteadas por peregrinos e amigos da Igreja Senhor do Bonfim.

A Igrejinha do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

A Igrejinha do Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Hoje a situação dos moradores do Vale do Pati está indefinida, pois com a formação do Parque Nacional da Chapada Diamantina a área deveria ser desocupada. Porém estas 11 famílias lá instaladas possuem as suas raízes e a história de seus antepassados plantadas profundamente nestas terras. Eles não querem deixá-las e aos nossos olhos não teria motivo algum para tal, sendo que não devastam mais para o plantio e todos fornecem hoje, uma infra-estrutura que o Parque Nacional não fornece: hospedagem, alimentação, manutenção de trilhas e todo o apoio que o turista necessita. Por que o Parque não formaliza a situação destas famílias, mantendo-os na área como prestadores de serviço, que já o são? Enfim, é uma idéia, não conhecemos todos os meandros da situação, mas estamos torcendo para que ela se resolva da melhor forma para todos.

Descendo o rio Pati, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Descendo o rio Pati, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Hoje foi um dia de pouca caminhada, andamos apenas uns 10km descendo o rio e subindo morros para explorar ainda mais de perto as belezas do Vale do Pati. Depois de um belo alongamento e um café da manhã delicioso que Lúcio preparou saímos para a trilha, digo ruas, do Pati. O dia amanheceu encoberto e por isso ao invés de subirmos o Morro do Castelo e depois subirmos pelo Rio Pati e Cachoeira do Funil fizemos o inverso. Torcendo para que mais tarde o sol se abrisse para termos a vista do vale do alto do morro.

Fazendo alongamento antes da caminhada, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Fazendo alongamento antes da caminhada, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Começamos descendo o Rio Pati, conhecendo suas cachoeiras e a principal delas, a Cachoeira do Funil. Belíssima, mas sem dúvida alguma a mais gelada que pegamos aqui na Bahia. Refrescados nesta fresca e nublada manhã, seguimos descendo o rio até encontrar a trilha para o Morro do Castelo.

A Cachoeira do Funil, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

A Cachoeira do Funil, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Subimos muito, segundo Lúcio é uma trilha muito parecida com a trilha do Morro da Gávea-RJ, aquela que não pudemos fazer por que estava chovendo. O castelo é um lugar meio mágico, assim que chegamos no alto damos de cara com uma baita boca de caverna!

Entrada da Gruta do Castelo, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Entrada da Gruta do Castelo, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Atravessamos a gruta e encontramos ainda dois mirantes de onde podemos avistar todo o Vale do Pati, os Gerais do Rio Preto e os Gerais do Vieira. Vimos até a Cachoeira do Calixto lá de cima. Simplesmente maravilhoso!

Vista do Vale do Pati do alto do Morro do Castelo, na Chapada Diamantina - BA

Vista do Vale do Pati do alto do Morro do Castelo, na Chapada Diamantina - BA


Um almoço tardio com direito até a saladinha de rúcula com tomate cereja (chique demais!) e começamos a nossa caminhada de volta. O ritmo da caminhada estava bom, mas nos demos ao luxo de aproveitar bem cada vista, cada parada, cada conversa. O Lúcio além de ótimo guia e chef de cozinha é um companheiro e tanto para todos os assuntos, música, política, educação, meio ambiente... o que você quiser. Já começava a baixar o sol e nós subindo a estrada que nos levava da casa do Seu Wilson, onde nem pudemos parar, até a Igrejinha. Uma ladeira interminável me surpreendia a cada passo, já que sem luz eu não conseguia avistá-la tão bem.

Vista de um dos mirantes do Morro do Castelo, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Vista de um dos mirantes do Morro do Castelo, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Há pouco menos de 1 km da Igrejinha, ainda no alto, tivemos uma visão linda dos vagalumes dominando o vale. Chegamos ao lado do cemitério e fomos recebidos por dois cariocas que também estavam rodando o vale. Quer dizer, rodando uma pinóia, eu estava aqui me sentindo a exploradora, forte, caminhando um monte todos os dias... o que? Um deles, Adriano é ciclista, veio para a competição que teve na Chapada semana passada. Guilherme é um ultra-maratonista que já fez provas básicas de 217km! Só para aquecer eles fizeram a trilha da Fumaça por baixo, subiram a fenda e cruzaram até o Capão em apenas um dia. É, tem louco para tudo!

Casas ao lado da grejinha, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Casas ao lado da grejinha, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA


Dia maravilhoso, só poderia terminar muito bem. Um belo macarrão ao pesto com castanha de caju, de dar água na boca e um colchão macio e quentinho nos esperando para sanarmos todas as dores e cansaços dessa empreitada.

Observando a Cachoeira do Calixto ao longe, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

Observando a Cachoeira do Calixto ao longe, no Vale do Pati, na Chapada Diamantina - BA

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Uacari-Branco

Brasil, Amazonas, Mamirauá

Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Entrando de canoa na floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Acordamos na paz da Floresta Amazônica, mas uma coisa ainda nos incomodava. Eu não queria ir embora sem encontrar um Uacari! Obviamente tudo é uma questão de expectativa, onças por exemplo, já sabemos que são mais difíceis de encontrar, então nem esperamos. Mas o Uacari é uma figurinha carimbada nas matas ao redor da Pousada Uacari. A natureza é uma incógnita e sempre pode nos surpreender! Eu não acharia nada mal ver a onça em um apuí lindo (uma onça preta!) e se eu não visse o uacari ficaria triste, mas não decepcionada. Teria sido uma boa troca. Mas tudo apontava que a onça não apareceria, então hoje saímos com um objetivo bem claro: queremos ver o uacari-branco.

Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Nosso guia nos leva através da floresta alagada, na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


O Uacari foi o motivo primeiro para a vinda de Márcio Ayres para essa região, que mais tarde se transformaria na primeira Reserva Sustentável do Brasil. Um primata especial, o uacari branco (cacajao calvus) é um macaco de pelos longos, brancos, loiros ou acinzentados, que pesam entre 2,7kg (fêmeas) e 3,5kg (machos). Eles se alimentam de frutos, sementes, insetos, brotos e néctar no topo da Floresta Amazônica. A sua principal característica é a sua cara vermelha que se destaca na cabeleira branca. Ele é muito silencioso e difícil de ser encontrado.

Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Encontro com o elusivo Uacari, a espécie de macaco de pelo branco e rosto vermelho que é símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Passeando confortavelmente na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas

Passeando confortavelmente na floresta alagada na Reserva de Mamirauá, perto de Tefé, no Amazonas


Saímos na nossa canoinha com o Izael pela trilha do Juruá Grande, atravessamos o Cano do Pagão e trilha do Apara e em algum lugar no meio dessa confusão de canais e galhos da floresta inundada vimos os uacaris brancos da cara vermelha! Lindos! Um macho corria na frente enquanto a fêmea vinha com seu filhote agarrado no cangote. Foi difícil fotografá-los, estavam longe e eram muito rápidos, mas até que conseguimos um registro da mamãe uacari. Emocionante!

Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Ao longe, o macaco Uacari, símbolo da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Saímos pelo cano do Pagão, querendo ficar! Mas já era hora do almoço e a tarde logo teríamos outro passeio. Saímos com a voadeira no Cano do Lago Mamirauá para ver o por do sol e seguimos para o lago passando em frente ao flutuante dos Projeto dos Botos Vermelhos.

O maravilhoso reflexo do céu nos rios que cortam a Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

O maravilhoso reflexo do céu nos rios que cortam a Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Estação de pesquisa na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Estação de pesquisa na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Víamos que o tempo estava fechando e na volta conseguimos escapar do temporal com uma parada estratégica no Flutuante de Pesquisa do Instituto. Enquanto chovia lá fora nós jogávamos Uno com os nossos companheiros de viagem, um casal de americanos em uma viagem de 8 meses pela América Latina, outro americano que emendou umas férias rápidas com uma viagem de trabalho ao Brasil e uma mãe paulista, com seus dois filhos que dirige um projeto social lindíssimo em Cotia – SP, o Projeto Ancora.

Em Tefé, no Amazonas, com o grupo que passou conosco os cinco dias na Reserva Mamirauá

Em Tefé, no Amazonas, com o grupo que passou conosco os cinco dias na Reserva Mamirauá


Retornamos durante a noite, como planejado, para tentar fazer avistamento noturna da fauna amazônica. Jacarés eram os mais esperados, com um baita holofote nossos guias foram iluminando o caminho, não vimos nada. Mas não importa... só de sentirmos a floresta de noite, escutarmos seus sons e nos localizarmos no mundo (tipo zoom out no Google Earth), foi um momento inesquecível!

Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Pensativo, observando a grandeza da Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


Passeio noturno na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas

Passeio noturno na Reserva do Mamirauá, região de Tefé, no Amazonas


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Na estrada!

Brasil, Paraná, Curitiba


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Finalmente colocamos o pé na estrada novamente. Após uma temporada nas Serras Gaúchas e Catarinenses, recebemos finalmente a documentação que esperávamos: o visto canadense para o Rodrigo!

Hoje pegamos a estrada para os próximos 600dias de viagem, mas como tudo tem um começo e estamos de carro, nossa primeira parada será em Prudentópolis, terra das cachoeiras gigantes aqui no Paraná (B).

A próxima parada será a cidade de Foz do Iguaçú, na fronteira com o Paraguai. Neste trecho teremos uma visitante ilustre, Dra Patrícia Biselli, médica homeopata, ginecologista, especializada em medicina de família e mestre em gestão ambiental. O sobrenome não é mera coincidência, SIM é mamãe! Ela aproveitará esta semana de férias e pegará uma carona conosco para sentir um pouco o clima dos 1000dias, mesmo que aqui pertinho de casa. Venham conosco vocês também!

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2 Fronteiras em 1 dia

Panamá, Boquete, Costa Rica, Zancudo

O vulcão Baru, ponto mais alto do Panamá, na região de Boquete

O vulcão Baru, ponto mais alto do Panamá, na região de Boquete


O Panamá tem 3 principais passos fronteiriços com a Costa Rica. O principal deles é o de Paso Canoas na Rodovia Panamericana (ou Interamericana, como é chamada por aqui). Esta fronteira é super movimentada e por isso o Rodrigo quis evitá-la. A segunda fronteira mais utilizada é do litoral caribenho, perto de Bocas del Toro, que conheceremos no retorno da viagem. Sobrou então a fronteira de Rio Sereno, na região central e montanhosa do país.

As estradas panamenhas foram asfaltadas há pouco tempo, estão uma belezinha. Mas como toda estrada de montanha, as curvas tornam o trajeto mais longo embora muitas vezes seja mais bonito. Eu por outro lado adoro fugir de tantas curvas, já que meu labirinto não me ajuda a curtir sem enjoar. Além disso, eu estava com uma pulga atrás da orelha, algo me dizia que não era por aí. Aquele sexto-sentido que nunca tem espaço frente a argumentos racionais e “interneticamente” comprovados. Acabamos decidindo cruzar pela fronteira menos utilizada. Afinal algumas teimosias do Rodrigo são pertinentes e já devem ter nos facilitado alguns caminhos.

Chegamos a Rio Sereno e entramos em todas as filas necessárias. Demos baixa do carro na aduana e saída na imigração panamenha e atravessamos a rua para a Costa Rica. Já com o passaporte do Ro carimbado, fizemos a pergunta fatídica “onde é a aduana?”. Nesse momento a casa caiu. O oficial da imigração nos perguntou em tom fúnebre “Vocês estão de carro? Então não posso autorizar a entrada de vocês no país, pois nesta fronteira não existe aduana.”

As estradas que rodamos ainda não estão atualizadas no googlemaps

Nas pesquisas do Rodrigo alguns poucos sortudos conseguiram passar de moto por aqui, mas esqueceram de mencionar que a aduana funciona apenas quando o funcionário aparece. E quando ele aparece? Só Deus sabe! Bem, não teve jeito. Tivemos que cancelar a entrada na Costa Rica, cancelar a saída do Panamá, reaver os documentos da Fiona e dirigir quase 3 horas para Paso Canoas, aquela primeira fronteira da qual estávamos fugindo.

Ok, a fronteira é uma zona, trocentos carros bagunçando o trânsito, mas chegando lá a imigração e as filas nem estavam grandes, 3 pessoas na nossa frente. O processo nem foi demorado, compramos o seguro e o que demorou mesmo foi apenas a emissão do documento da Fiona, tamanha a agilidade do “sistema”. Afinal, não é lógico que a principal fronteira tenha processos mais rápidos para dar conta do volume? Ah! Detalhe, o nosso destino final já era aqui no litoral, pertinho da Panamericana. By the way, por que mesmo demos uma volta pelas montanhas?

Panamá, Boquete, Costa Rica, Zancudo, fronteira

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