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Leandro (04/09)
Obrigado, Ana. Seu blog ajudou na criação do meu roteiro para um fina...
Daniela Chindler (01/09)
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Marcos (29/08)
adoraria conhecer Jericoacoara, fiz um artigo no meu site e fiquei muito ...
Eudyr (29/08)
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samuel baker mororo aragao (26/08)
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Leito seco de antigo lago na parte norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
O local hoje conhecido como Vale da Morte já era habitado a mais tempo do que podemos imaginar. A tribo indígena Timbisha Shoshone há muitos anos chama o imenso vale de lar. Nesta terra de extremos eles se adaptaram e aprenderam a viver com as mais altas e as mais baixas temperaturas, pouca água e fonte de alimento escassa. A sabedoria milenar deste povo os fez viver em comunhão com a natureza do vale que batizaram de Tümpisa, que significa na sua língua o “vale da vida”.
Death Valley visto do mirante Dante´s View, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Mosaico de cores no fundo do Death Valley, visto da Dante´s View, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
O Death Valley foi assim batizado após 1849, quando a Corrida pelo ouro na costa oeste começou. Os homens que se aventuravam tentaram encontrar caminhos alternativos para a atual Califórnia. Um grupo que passou pelo vale perdeu suas mulas e um homem que não aguentaram a árdua tarefa de cruzar o deserto árido e escaldante. Conta a lenda que despedindo-se do vale um deles teria dito “Goodbye Death Valley” ou “adeus vale da morte”, e o nome ficou.
Caminhando no leito seco do lago da Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Hoje o dia prometia uma longa programação, começando cedo pelo Zabriskie Point, 16km ao sul de Furnace Creek. Um mirante para uma cadeia de montanhas amareladas que mais parecem imensos sulcos na terra.
O incrível Golden Canyon, visto de Zabriskie Point, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
21 km mais ao sul subimos aos 1.669m de altitude em um dos mirantes mais famosos do parque, o Dante´s View. Lá temos uma vista maravilhosa de toda a área que conhecemos ontem, o Salar Badwaterbasin, ponto mais baixo do continente americano e toda a cadeia montanhosa que está em constante movimento. As placas tectônicas que formam o vale continuam em movimento, aqui elas se encontram e enquanto o fundo do vale desce, a Panamint Range continua se elevando.
Turistas no alto de Dante´s View, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
O retorno é por um cenário bem conhecido pelos mineradores, que no início da busca pelo ouro encontraram aqui o bórax. O ouro só foi encontrado depois, ao leste de onde hoje se localiza o parque. Por este cânion passava a Twenty Mule Team, carroagens puxadas por 20 mulas que transportavam todo o minério até a ferrovia. Hoje o parque ainda não está totalmente livre da cobiça dos mineradores, que continuam a exploração nos seus arredores e ainda brigam por ampliar suas áreas dentro das fronteiras da reserva.
As famosas charretes de vinte mulas, da época da mineração no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Fizemos um pit stop em Furnace Creek para um último banho de piscina e uma boa ducha, já que a noite será em um camping mais selvagem, longe de tudo e todos. Nos abastecemos e seguimos mais 88km ao norte, direto para o Scotty´s Castle.
O exótico Scotty´s Castle, no norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
A corrida do ouro sofreu uma brusca decaída em 1912 e as empresas mineradoras começaram a buscar outra forma de ganhar dinheiro com a estrutura que haviam montado, começando a divulgar a região para o turismo. Zabriskie, vice-presidente da companhia mineradora de Borax, foi quem redirecionou o negócio com um incrível empreendedorismo e usou suas linhas férreas para colocar turistas de todos os lados aqui, no Death Valley. Isso sim é ter visão!
Ficamos minúsculos ao lado da enorme cratera do vulcão Ubehebe, no norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Construído em 1920, o castelo foi parte da lenda que atraiu os primeiros turistas ao parque, Scotty e seu amigo viviam ali e recebiam curiosos que vinham de longe para ouvir suas histórias sobre aquela terra distante e sobre os aventureiros que passavam por ali. Hoje o castelo virou um museu que conta parte dessa história.
Pequeno vulcão ao lado da cratera do vulcão Ubehebe, no norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
A próxima parada foi a 13km dali, no Vulcão Ubehebe. Sua primeira erupção foi apenas há 2 mil anos atrás, imagino que os Timbisha Shoshone devem ter ouvido de longe! A explosão criou um cenário de outro planeta, a cratera principal, magnífica, que desvendou as camadas de rocha multicoloridas e outras crateras menores nos seus arredores. A caminhada de uma hora ao redor da cratera vale a pena, ainda mais no final da tarde quando aquela luz mágica deixa as cores ainda mais intensas.
A impressionante cratera do vulcão Ubehebe, no norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Até este ponto rodamos apenas por estradas pavimentadas e perfeitas, porém daqui em diante seguimos por estradas de terra e pedra por mais 43km para chegar ao nosso destino final no roteiro deste parque nacional, o Racetrack.
As incríveis pedras que se movem e seus rastros, na Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Quem gosta de assistir reportagens sobre natureza e fenômenos inexplicáveis já deve ter ouvido falar das “pedras que andam”. Eu já tinha ouvido falar, mas não sabia que este fenômeno acontecia aqui! Uma vez um imenso lago, hoje uma planície de argila fina e seca que abriga as tais rochas caminhantes. Nenhum cientista conseguiu explicar ainda como o fenômeno acontece, principalmente pelas marcas deixadas pelas pedras acontecerem em uma superfície completamente plana e em diferentes direções!
Leito seco de antigo lago na parte norte do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
A teoria mais aceita é que em períodos de chuva, raros por aqui, a base do lago recebe uma fina camada de água que se congela com as baixíssimas temperaturas da noite. O movimento da pedra então seria facilitado, deslizando pelo gelo com um empurrãozinho dos fortes ventos que sopram de todas as direções com uma força tremenda! Parece até fazer sentido, mas se você pensar, que vento consegue arrastar uma pedra de 40kg?
As incríveis pedras que se movem e seus rastros, na Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Fomos montar o nosso acampamento com o resto de luz e com essa incógnita na cabeça. Camping selvagem, vento e muito frio nesta área mais alta do parque, com uns poucos vizinhos nos arredores. Comemos um miojo, que àquela altura parecia delicioso e tomamos uma deliciosa garrafa de vinho, californiano, é claro!
Felizes com o dia magnífico, acampados ao lado do Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
A lua cheia nasceu mais tarde iluminando toda a paisagem, deixando até a furtiva e curiosa raposa fácil de ser descoberta. Na lua cheia é sempre mais difícil de dormir, em uma barraca gelada então? Quase impossível. É nessa noite que nos despedimos do Tümpisa, o vale da vida que já nos deixa saudosos sem nem termos ido embora.
Noite de lua cheia e maravilhosa no acampamento ao lado do Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA
Pôr-do-sol na Praia do Prata, com rede protetora contra piranhas! (em Palmas - TO)
Palmas é a mais nova capital brasileira e comemorou seu 22° aniversário no último dia 20. Construída para sediar o governo de Tocantins, é uma cidade planejada nos mesmos moldes de Brasília, linhas retas, setores, quadras, ruas numeradas conhecidas como alamedas. A Praça dos Girassóis é a maior praça do mundo, construída no centro do croqui para ser a sede do governo.
Palácio Araguaia, sede do governo de Tocantins, em Palmas - TO
Visitamos o Palácio do Governo, vizinha da Assembléia Legislativa e outros prédios públicos. Lá da praça conseguimos visualizar ao longe a represa da Usina Hidrelétrica de Lajeado, formada pelo Rio Tocantins. O Marco nos contou que a temperatura média da cidade subiu 4°C depois da represa, pois a área do espelho d´água reflete muito mais calor.
Belo mural dentro do Palácio Araguaia, em Palmas - TO
Falando em calor, os principais atrativos turísticos de Palmas são justamente as suas praias! Às margens do Rio Tocantins (ou represa) ficam as praias do Cajú, Prata e Graciosa. Depois de um rápido passeio no escaldante sol do meio dia, nos mandamos para a Praia do Cajú com a família Jacob.
Passeando na Praça dos Girassóis, em Palmas - TO
Uma praia popular com várias barracas na areia à beira rio, todas lotadas! Uma experiência sociológica, no mínimo. Quando chegamos a banda de brega estava começando o show, logo depois rolou a competição de forró.
Campeonato de forró na Praia do Caju, em Palmas - TO
Já havíamos sido alertados: “Cuidado com as piranhas! Quais? As de dentro ou as de fora d´ água?” Que maldade! Rsrs! As de fora não são assim, tão agressivas, mas as de dentro, todos os finais de semana saem nos noticiários. O jornal do meio dia na segunda-feira sempre tem casos de banhistas atacados por piranhas. Nesta praia não possui rede de proteção, como a Prata ou a Graciosa. Elas não tem dó e os banhistas não tem medo!
O Marco e o Arthur se refrescando no rio Tocantins, na Praia do Caju, em Palmas - TO
Lá estavam Marco Aurélio, Léo e Arthur tomando banho, sem problemas e piranhas alguns. Eu, Ro e Carol nos aboletamos em algumas cadeiras no meio do brega e lá ficamos, batendo um bom papo, vendo a tarde chegar e a vida passar.
Ana e Carol de bate-papo em barraca da Praia do Caju, em Palmas - TO
Mais tarde corremos para o pôr do sol na Praia do Prata, “mesmo layout da praia do Cajú”, como disse a Carol, mas mais tranquila, menos lixo, freqüentada por famílias. Sacamos algumas fotitas e seguimos para a Graciosa, praia mais urbanizada da cidade. Calçadão, restaurantes com cardápios mais salgados e outra cara, ali perto ficam os apartamentos mais caros da cidade, um milhão de reais.
Fim de tarde na Praia do Caju, em Palmas - TO
A cidade tinha 137 mil habitantes em 2000 e hoje está acima dos 223 mil, dados do último censo. Um crescimento de 61,4%, 4 vezes maior que a média das capitais brasileiras, 15,05%. A cidade do crescimento populacional, a capital verde, orgulhosa por suas áreas planejadamente preservadas, a capital da oportunidade.
Rio Tocantins e a longa ponte que leva à Paraíso, vistos do alto do nosso hotel, em Palmas - TO
Caminhando pelas ruas de Washington, capital dos Estados Unidos
Visitar uma cidade ou um lugar pela segunda vez sempre tem um sabor diferente. A ansiedade de conhecer “tudo ao mesmo tempo agora”, é substituída pelo prazer de reencontrar lugares e, de alguma forma se sentir mais íntimo da cidade. No nosso caso essa intimidade parece ser aumentada pelo fato de estarmos há bastante tempo longe de casa, é quase como reencontrar um velho amigo, aquela cara conhecida, sorriso reconfortante, mas ainda assim cheio de histórias novas para contar.
Caminhando pelas ruas de Washington, capital dos Estados Unidos
Nós chegamos à Washington no início da tarde, foi o nosso debut no priceline.com, indo parar no Marriot Wardman Park, à meia quadra do metrô e ao lado do zoológico. Deixamos a Fiona descansando e, após um almoço no Medaterra, saímos animadíssimos rumo ao transporte mais democrático e prático difícil de ser encontrado pela Latino América: o metrô! Coisa de primeiro mundo, em poucos minutos estávamos descendo no Farragut West Metrô, a três quadras da Casa Branca.
Depois de tanto tempo, estamos andando de metrô novamente! (em Washington, capital dos Estados Unidos)
A cada passo a memória se deleitava em identificar ruas, nomes, esquinas e cenas cotidianas de uma grande cidade que há tempos vivia adormecida no meu subconsciente. Gente correndo de lá para cá na agitada capital, mas dessa vez não apenas de terno e gravata, mas com seus tênis e ipods. A primavera não apenas colori as floreiras e os guarda-roupas dos capitalinos, mas empresta à seriedade da terra dos senadores e políticos americanos um ar mais alegre, despojado e informal.
Celebrando com Frozen Marguerita (mais barata, na hora do happy hour!) a chegada à Washington, capital dos Estados Unidos
A avidez por informação e novidade vai me inundando e tudo que era tranquilidade, se torna curiosidade e vontade de multiplicar o calendário mundial, mudar as regras, incluir 30 horas no dia, 10 dias por semana, 530 dias no ano. Assim poderíamos rever a cidade, os antigos museus e suas novas coleções, os novos museus com suas relíquias e reencontrar velhos e novos amigos.
A famosa Casa Branca, residência do presidente americano em Washington, capital dos Estados Unidos
Na falta do tempo vamos direto ao que interessa e finalmente saímos da virtualidade, em um delicioso happy hour no Circa, com Claudia do blog Aprendiz de Viajante (@aprendizviajante) e Teté do Escapismo Genuíno (@viajantete). Viemos nos acompanhando mutuamente há quase dois anos na twittolândia e blogosfera viajante, ambas são muito ativas e a Cláudia é uma das cabeças de um movimento para reunir e fomentar a troca de informações entre os blogueiros de viagem e turismo na world wide web.
Encontro com a blogueira e amiga Cláudia, do blog "Aprendiz de Viajante", em Washington, capital dos Estados Unidos
Cláudia mora há anos em DC, casada com um americano e com dois filhos lindos, se divide entre consultorias na área de tecnologia e o seu blog de viagens, cada vez mais profissional. Teté é publicitária, baiana acariocada que foi criada entre o Perú e os EUA e começou a escrever sobre viagens quando morou na ilha de Chipre! Ela trabalha com planejamento e faz freelas e home office acompanhando o maridão Gustavo, paraquedista profissional, nas viagens pelo mundo. É tão bacana ver que existem outras formas de viver... ninguém aqui diz que é fácil, mas sim é possível!
O encontro das blogueiras Tetê (Escapismo Genuíno), Ana (1000Dias) e Cláudia (Aprendiz de Viajante) em bar de(Washington, capital dos Estados Unidos
O fim de tarde embalado por diferentes vidas, viagens e muitas risadas, logo se transformou em noite e se estendeu na casa onde Teté e Gustavo estão passando esta temporada em DC. Nos despedimos prometendo um reencontro pronto em breve, não longe daqui, na casa de mais dois companheiros de viajosfera, Mauricio e Oscar (@MauOscar), que vivem no estado vizinho do Delaware. Já na saída Teté nos presenteou com um livro do casal de viajantes sulistas do “Mundo por Terra”, que deram a volta ao mundo em 1033 dias, passando pela Ásia, África e Oceania, num super incentivo para escrevermos também a nossa história. Espero poder devolver o presente à altura daqui alguns anos.
Chegando à Washington, capital dos Estados Unidos
Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Trinidad é uma grande ilha banhada pelo oceano Atlântico de um lado e pelo Mar do Caribe do outro. Depois de conhecermos a sua capital, cidade grande em pleno desenvolvimento, seus pássaros e lago de piche, chegou a hora de explorarmos suas praias. Fomos direto para uma das praias mais procuradas pelos trinidadians, Maracas Bay.
Coqueiros em Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Maracas Bay fica há apenas 45 minutos de Maraval, dependendo do trânsito que enfrentar e o tipo de condução que usar. Nós estávamos decididos a pegar um Maxi Táxi, pois queríamos mesmo ver se esse negócio funcionava, além de ser mais barato. Pegamos um route táxi até o centro de Maraval e de lá tivemos sorte de logo aparecer um Maxi que nos levou até Maraval. Digo sorte pois em um domingo nunca se sabe ao certo quanto tempo eles podem demorar, ou quantos carros estão mesmo trabalhando. A estrada de Maraval para Maracas Bay é tortuosa, vai circundando, subindo e descendo montanhas, nas encostas da ilha com paisagens magníficas. Pena que não podíamos pedir para ele parar para tirarmos fotos. A van parece mesmo as lotações brasileiras ou aqueles minibuses da Bolívia (para quem já foi lá), mas com uma música bem mais interessante.
Litoral recortado na região de Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Uma hora depois chegamos à Maracas. Água verde transparente, praia lotada para padrões tribagonians, mas nada comparável às praias cariocas em um domingo normal. As famílias se espalham pela praia, trazem seus piqueniques, alguns poucos europeus se esticam em cadeiras e toalhas enquanto os homens e crianças jogam uma versão de críquete simplificada parecida com o bets.
Mistura de cricket e bets, na praia em Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Tyricos Bay é a praia vizinha, menor e tranquila, é a preferida das famílias indianas. Eles colocam seus carros na areia da praia, montam seus piqueniques e fazem aquela disputa básica de som. Foi até uma boa forma de tentar comparar o calypso e a soca, rsrsrs!
Quase um ano depois, de volta ao mar do Caribe, em Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Mar verdinho, transparente e convidativo. Depois de um banho e alguns jacarés, voltamos para Maracas Bay e provamos algumas iguarias da culinária local, o famoso bake and shark. É um sandubão de filé de tubarão empanado com saladas e molhos a sua escolha, sendo que o pão é uma massa frita meio diferente, mas tudo muito gostoso! O Ro comeu um sanduíche recheado de saladas, em um pão frito feito de massa de batata, muito gostoso também.
Atacando um "Bake and Shark", em Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Final da tarde rolou um happy hour no boteco mais agitado da praia, melhor lugar para observar pessoas, jovens e costumes locais. Um grupo mais animado estava dançando sem pudor algum, se mudasse a música de fundo para funk, pensaríamos que estávamos em um baile no Rio de Janeiro. Logo dois caras vieram dividir a mesa conosco, enquanto lanchavam seu bake and shark, um deles sírio que mora aqui em Trinidad e o outro nascido em Trinidad e Tobago, mas crescido e criado nos EUA. Era a segunda vez que Paul vinha para sua terra natal para visitar sua irmã e cunhado. No final eles acabaram nos oferecendo uma carona, pois iam para Maraval também, paramos no mirante e trocamos contatos, quem sabe nos veremos quando passarem pelo Brasil.
Fazendo amizades em Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Um domingo relax e bem à moda da casa, aproveitando para entrar um pouco mais no dia-a-dia do povo de Trinidad, conhecer sua cultura, seu lazer e estilo de vida. Baterias recarregadas para o dia de amanhã, que vamos conhecer as montanhas de Trinidad, o dia promete!
Litoral recortado na região de Maracas Bay, na ilha de Trinidad
Chegando ao Rio Xingu, na Transamazônica - PA
A Transamazônica é um mito. Ela pode até ter sido uma estrada desafiadora para jipeiros e amantes de lamas e atoleiros, porém em tempos passados. Estes que vêm hoje para cá e voltam se vangloriando de uma mega aventura de obstáculos praticamente intransponíveis, tenho certeza que devem ter ficado frustrados e resolveram aumentar o conto.
Anapu, uma das maiores cidades ao longo da Transamazônica no seu trecho paraense
Hoje a BR-230 já está toda asfaltada nos trechos nordestinos (meio podre, mas tá) e pelo menos neste trecho que nós rodamos entre Rurópolis e Marabá, ela não passa de uma estrada de terra toda esburacada. Ok, ela é uma estrada longa. Ok também que ela forma alguns atoleiros. Tivemos sorte de pegar 2 dias de sol que secaram a terra, sabemos que no auge do período de chuvas ela piora muito, mas os tempos em que ela era intransponível já ficaram para trás.
Moradia na orla do Rio Xingu - PA
Hoje as prefeituras, sem ajuda federal, fazem malabarismos com seus orçamentos para disponibilizar tratores e máquinas que ficam a postos para arrumar a estrada logo que qualquer barreira ou grande chuva caia. Estas máquinas, além de fazerem o seu trabalho, ajudam a puxar todos os carros e caminhões que vierem a atolar. Como comentei ontem, existem milhares de pessoas vivendo aqui e elas têm o direito de ir e vir! Vocês sabem qual é o principal veículo que vemos nesta estrada? Motos, mas nada preparado para off-road e lama, motinhos tipo 125 cilindradas, básicas. Elas vão e vem o tempo todo, muitas vezes com 3 pessoas em cima e sem capacete. É como podem “se virar”. Em segundo lugar estão os caminhões, junto com a chuva, os maiores culpados dos atoleiros que encontramos. Eles atolam e na tentativa de sair acabam cavando buracos imensos sob a lama. Em terceiro lugar estão os carros normais, caminhonetes e alguns corajosos unos.
Transporte por vans, muito comum na Transamazônica - PA
O que mais podemos temer hoje na Transamazônica é, depois de um dia de chuva, ter muitos caminhões na sua frente. Às vezes um caminhão atolado forma fila de mais de 400 outros, esperando a sua vez de ser guinchado pelas máquinas que estão trabalhando na pista. Fora isso, se você quer se aventurar por esta estrada, pelo simples prazer de estar lá, a dica é PACIÊNCIA, se você estiver de caminhonete, e MUITA PACIÊNCIA se quiser vir com um carro mais baixo.
O Rio Xingu, na Transamazônica, região de Altamira - PA
Saímos de Rurópolis hoje perto das 8h30, rodamos no total 400 km, antes de Altamira pegamos 30 km de asfalto e depois mais 20 km, por momentos esquecemos que estávamos na BR mais ferrada do Brasil. Depois de Altamira não demora muito e chegamos ao famoso Rio Xingú. A balsa vai e vêm com caminhões, vans e caminhonetes que alimentam um pequeno comércio em ambas as margens. Rio acima é onde está acontecendo a polêmica da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Ontem, nas minhas conversas em Medicinópolis, ouvi que todo este barulho estaria sendo feito em vão. Que a região não é habitada por índios coisa nenhuma e que fotos e filmagens de índios teriam sido forjadas por alguns poucos que não tem interesse no desenvolvimento econômico da região. Independente dos índios, é claro que existem muitas outras vidas em jogo, fauna e flora possivelmente ainda desconhecidas pelo ser humano que podem desaparecer.
O Rio Xingu, na Transamazônica, região de Altamira - PA
A esta altura do campeonato eu já estava mal. Há alguns dias venho ficando meio gripada, mas hoje parece que o bicho pegou, acho que é garganta, olha a cara da individua.
Fazendo hora para esperar a balsa para atravessar o Rio Xingu, na Transamazônica - PA
Eu queria muito dirigir na Transamazônica, mas o Ro, meu herói, teve que tomar a frente desta empreitada sozinho. Adiante fizemos um lanche na cidadezinha de Pacajá e dali para frente vimos que chegar a Tucuruí seria tarefa difícil. A estrada piorou, alguns atoleiros e muitos caminhões levantando poeira, haja paciência. A Fioninha passou tranquila, deixando para trás o pobre caminhão atolado.
Caminhão luta para não atolar na Transamazônica - PA
Chegamos no final da tarde na cidade de Novo Repartimento. Poderíamos seguir mais um pouco, mas o Ro estava cansado, eu mal, acabamos nos instalando no Colina Hotel. Com tantas emoções, não comentei antes um dos fatos mais importantes do dia. Hoje eu e o Rodrigo fazemos 2 anos de casado! Para comemorar fomos jantar em um dos melhores restaurantes da cidade, a Churrascaria do Posto Texaco. Buffezão, churrasco delicioso e um brinde com suco de acerola com laranja! Comemoração especial e no mínimo sui-generis para o casal que há um ano estava em Miami jantando com os amigos Rita e Su e depois na balada com Aymoré e Sandra. Só faltaram mesmo os amigos!
Celebração do aniversário de dois anos de casados numa churrascaria na cidade de Novo Repartimento, na Transamazônica - PA
Vegetação espinhosa em El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
A Quebrada de Humahuaca é um imenso cânion formado pelo degelo das altas montanhas da puna andina no norte da Argentina. Cada uma das cidades possui atrativos históricos e paisagens belíssimas, fazendo com que seja uma famosa rota turística nacional. Os museus históricos e arqueológicos também são destacados, principalmente em Tilcara onde foi encontrado um imenso sítio arqueológico, as Ruínas de Pucara.
Reconstrução das moradias pré-incaicas em El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Pucara em quéchua quer dizer “fortaleza” ou fortificação. Uma imensa cidade pré-colombiana onde chegaram a viver em torno de 1500 pessoas. Com suas paredes construídas de pedras, telhados com vigas de tronco de cardón e argila, a estrutura e organização é muito parecida com as fortalezas que vemos de outras civilizações antigas. Casas grudadas umas nas outras, ruas estreitas, apenas para pedestres, um centro religioso com uma bela vista para o vale. A atividade principal desse povo era o pastoreio de llamas e a agricultura, na estrutura pode-se ver também os currais e as plantações. As ossadas encontradas sempre em posição fetal, em urnas redondas, unidas à outros bens como roupas e pertences pessoais, demonstram que este povo provavelmente acreditava em uma ligação entre a vida física e espiritual.
El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Grande parte da estrutura foi restaurada, mas ainda podemos ver o sítio original, como foi encontrado pelos primeiros arqueólogos no início do século 20, que se dedicaram a escavar e estudar a civilização que aqui viveu. Não foram encontradas muitas respostas sobre qual foi a origem e o fim deste povo. As ruínas, no entanto, forneceram dados que ajudaram os estudiosos a responder muitas questões sobre o modo de vida naquela época. No topo do monte foi construída uma espécie de pirâmide em homenagem aos dois arqueólogos que iniciaram os estudos deste sítio, esta porém, não tem nada a ver com a arquitetura original.
A pirâmide de El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Não muito longe dali encontramos outro tipo de monumento, este natural, o Cânion Garganta del Diablo, uma das fontes de água da cidade de Tilcara. Um estreito rio corre por uma pequena e profunda quebrada que nos tempos de seca sofre com os fortes ventos que encanam no vale. Vale seco e espinhoso, toda e qualquer planta ou gramínea é perigosa. Ao mesmo tempo, toda e qualquer vista é recompensante, menos a de quase ver o seu marido cair 40m parede abaixo.
Um minuto depois dessa foto na Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina, quase rolei desfiladeiro abaixo
Adentramos o cânion em uma das principais trilhas que o margeia, seguindo o canal d´água que vai para a cidade. Havia uma placa dizendo “vertigo”, não sabemos se era o carinhoso nome dado à trilha ou um sinal de atenção aos turistas desavisados. Caminhamos beirando os desmoronamentos de pedras e enquanto eu aguardava o Rodrigo dar a volta e chegar ao mirante para fotografá-lo, assisti em câmera lenta o desequilíbrio dele na beira do precipício.
As montanhas coloridas vistas do alto de El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Minha reação foi ficar brava, pois ele sempre quer ficar mais perto da beirada. Enquanto caminhava em sua direção lembrava da vez em que meu pai deu palmadas na minha irmã, quando motoqueiros a cercaram na rua enquanto ela andava de bicicleta e caiu. A culpa não foi dela, mas a reação dele foi ficar bravo e lascar-lhe um belo tapa no bumbum. No meu caso, eu tentava avaliar se a minha vontade de dar uns tapas no Rodrigo era justa ou não, e eu cheguei a conclusão que sim, pois ali a culpa foi toda e completamente dele! Chegando lá, mal pude expor a minha indignação, pois ele estava com as mãos repletas de espinhos! Sim, ele teve que escolher entre o precipício e os espinhos. Embora pareça, a escolha não foi assim tão difícil, meteu a mão naquele chão pouco receptivo e logo se equilibrou. Graças à Deus, ou à Garganta del Diablo!
Na Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
Passado o susto, continuamos a explorar o cânion, subindo em direção ao estacionamento aos quase 3000m de altitude. No carro retirei os espinhos mais expostos, mas adivinhem se ele me deixou usar os conhecimentos de primeiros socorros e tirar os que restaram?
Trilha no estreito canyon da Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
Pegamos estrada em direção à Salta, porém escolhi o caminho aparentemente mais curto e como sempre o mais bonito! Pegamos a estrada de Jujuy, passando por El Carmen que vai a Salta por “La Cornisa”. Uma serra estreita, a estrada mais parece uma auto-pista para ciclistas, e que auto-pista! São em torno de 80km entre curvas e paisagens espetaculares.
Voltando da Garganta del Diablo, em Tilcara - Argentina
Confesso que se a conhecesse antes e com tempo, teríamos nos programado para dois dias de bike maravilhosos. As subidas não são tão íngremes, as descidas são agradáveis e grande parte da estrada é na sombra. A vista para o Dique “XXX” é maravilhosa do alto da serra. Cenas campestres foram dando aquele ar bucólico à viagem, enquanto eu entrava no clima e ficava verde com tantas curvas.
Chegando pela Corniza em Salta - Argentina
Chegamos à Salta no final do dia e nos hospedamos em um hotel em frente à Praça 9 de Julho, onde fica o maior burburinho turístico e comercial. Uma salada e deliciosas empanadas foram o nosso almoço tardio, que logo nos embalaram para um sono pregado e merecido.
Chegando em Salta - Argentina
Autofoto em El Pucará, em Tilcara, na Quebrada Humahuaca - Argentina
Amanhecer nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
4:30am, pegamos a estrada em direção à vila de Machuca. Não conhecemos o caminho, mas não deve ser difícil encontrá-lo, uma vez que é uma rota comum dos tours. São 99km até o Completo Termal de Tatio, onde encontramos os Geysers mais altos do mundo, a 4.320msnm. A noite não conseguíamos ter muita ideia do terreno e pelo mapa tínhamos dois caminhos. A procissão de carros e vans que seguia na mesma direção se dividiu, qual será o melhor caminho? Escolhemos o da direita, que parecia mais curto e sem tantas curvas.
Exibir mapa ampliado
Aqui já começamos a subida, saímos dos 2.500m de São Pedro e subimos aos 4.000m. Pouco a pouco a estrada vai sumindo e várias rotas alternativas começam a surgir. Sim, nessa altitude a neve torna-se um elemento presente e dificulta do trajeto. Vamos no faro, tentando adivinhar o melhor caminho e a rota escolhida pelo distante carro à nossa frente. Um rally na madrugada com a mínima de -11°C não era bem o que estávamos imaginando, mas tivemos que vencer o sono e manter a disposição para novas emoções!
Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
6am, o sol já começa a clarear o dia por detrás da cordilheira e aos poucos vamos visualizando melhor o cenário. Mais gelo, mais neve e aquele frio gelado que faz minutos antes do sol nascer... um dos momentos mais frios do dia. Ao longe começamos a enxergar torres de fumaça, não é a toa que este horário é o ideal para visitar os geysers, pois é quando a diferença térmica os faz ficar ainda mais visíveis.
Paisagem apocalíptica nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
6:30am, chegamos ao Geysers del Tatio! Uma paisagem exótica, diferente de tudo que já havia visto na vida. Torres de fumaça de 5, 10m de altura espalhadas em uma baixada entre montanhas nevadas e vulcões extintos.
Turistas póximos à coluna de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
Fumaças, fumacinhas e fumaçonas, é assim que nós, meros mortais, conseguíamos diferenciar os geysers. São vários tipos e formas de afloramento que a águas frias emergentes formam no contato com as rochas vulcânicas hiper aquecidas. Algumas são apenas o escape da fumaça, perfeitas para aquecer a mão da turista “sem noção” que esqueceu sua luva.
Aquecendo-se na manhã gelada nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
Outras em formato de mini-vulcões ou panelas cheias de água borbulhante vão formando os mais belos espetáculos. A temperatura do vapor pode chegar a 85°C no complexo que é composto por 40 geysers, 60 termas e 70 escapes de fumaça nos apenas 3km2. Alucinante!!!
Em meio aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
Estavam muitos graus abaixo de zero e uma das formas de tentarmos nos aquecer era encontrando um geyser mais brando onde pudéssemos nos perder em meio à fumaça. Aos poucos o sol foi saindo e o céu clareando tornando o espetáculo ainda mais impressionante! Diferentes cores, verdes, alaranjados, brancos e azuis, desenham no chão um mostruário dos diferentes minerais e elementos presentes nas águas subterrâneas e rochas aquecidas. Cursos de água congelada convivendo com vapores e águas ferventes, novamente a terra dos contrastes nos surpreende!
A água "mineralizada" dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
Ao fundo vemos um maquinário abandonado, foi uma tentativa feita em 1960 para a geração de energia térmica a partir deste complexo. Infelizmente os resultados não foram satisfatórios e o projeto se comprovou inviável financeiramente. Hoje a estrutura montada para o projeto recebe os turistas, pesquisadores e cientistas que visitam o parque. Próximo dali, ainda no mesmo parque, estão os banhos termais. Uma barragem artificial construída no fluxo de águas termais para os corajosos se banharem. A temperatura varia de 28 a uns 31°C. Os turistas de apinham no raso, próximos de onde a água aflora quentinha, mais distante dali, mesmo os 28°C parecem congelantes somados ao frio da temperatura externa.
Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
É difícil ir embora, em cada canto uma imagem mais linda, a cada minuto uma luz mais especial. Aos poucos os geysers parecem diminuir e se abrandar. Sabemos que eles ainda estão ali, apenas menos visíveis. Hora de ir embora... extasiados pela experiência, mas cansados. Havíamos dormido apenas quatro horas. Tínhamos planos de seguir para as termas de Puritama e, dependendo do pique, conhecer outros atrativos para este lado. Voltamos pelo outro caminho, desviando pelo povoado de Machuca. O caminho era muito mais fácil e tranquilo que o da vinda, o dia lindo agora nos mostrava as belas vistas do nosso retorno.
Início do dia nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile
Esgotados, acabamos decidindo retornar direto à São Pedro. Segunda-feira, final de feriado, poderíamos retornar ao nosso primeiro hostal e tentar colocar as nossas coisas em dia. A tarde que pensei que seria de descanso acabou sendo uma tarde de Maria. Fiz uma faxina geral na Fiona, por dentro e por fora. A coitada, estava imprestável. É, a vida na estrada é boa mas cansativa, em alguns momentos temos que parar e respirar para recuperar as forças e poder seguir caminho.
Novo prédio da imigração hondurenha na fronteira com a Nicarágua
Duas fronteiras em um mesmo dia. Atravessamos a fronteira da Nicarágua (El Espino) para Honduras e, a estrada cheia de curvas em Honduras, parando apenas para comer algo rápido e abastecer em um posto de gasolina e seguimos para a fronteira de Honduras e El Salvador, na cidade de El Amatillo.
Poderia ser em qualquer lugar o mundo, mas foi em Honduras, na nossa rápida passagem pelo país
Honduras é conhecido por ser o país que mais cobra taxas de turismo, fazendo as contas acho que é bem parecido com a Nicarágua, se não contarmos a taxa de aduana, essa sim foi cara. Aí vai a contabilidade fronteiriça do dia:
- US$ 4,00 – Taxa alfandegária para sair da Nicarágua (US$ 2,00 por pessoa)
- US$ 2,00 - Pedágio da prefeitura da cidade fronteiriça (US$ 1,00 por pessoa)
- US$ 6,00 – Taxa de Turismo para entrada em Honduras (US$ 3,00 por pessoa)
- US$ 36,00 – Taxa da aduana de importação temporária do veículo para turistas.
TOTAL: US$ - 48,00
Estava um calor desgraçado e havia uma fila imensa na imigração salvadorenha. Óbvio que para ajudar o sistema havia caído. Assim, os oficiais resolveram agilizar o processo, dando um papelzinho com o carimbo de entrada que diz “válido para 2 pessoas” e pronto. Me pareceu suuuper tabajara, mas pelo menos agilizou a vida de mais de 30 pessoas que estavam passando mal de tanto calor na fila.
Chegando à fronteira entre Honduras e El Salvador. Lá vem o cara correndo para nos "ajudar" nos trâmites...
A demora na aduana de entrada foi de quase duas horas, pois o sistema estava lento. Um dos oficiais que nos atendeu foi muito gentil e conseguiu agilizar o processo para não precisarmos esperar outras 2 horas lá.
Exibir mapa ampliado
El Salvador foi “eleito” o país mais violento do mundo, mais que qualquer outro do oriente médio, já imaginaram? Pois é, por aqui existe uma gangue (uma delas), que começou as suas atividades nos EUA, porém a polícia os capturou e extraditou em massa para a terra natal. Assim eles se estabeleceram aqui e suas atividades comerciais consistem em extorsão e “pequenos” pedágios cobrados dos comerciantes locais para “proteção” dos seus negócios. Conversamos com duas pessoas que nos disseram que a estrada até Usulaya seria segura, mas outras 2 pessoas nos disseram ser melhor não dirigir durante a noite.
Trânsito nas estradas hondurenhas
Óbvio que sabendo disso eu tive uma breve discussão com o Rodrigo que queria seguir viagem depois de escurecer e ele acabou cedendo. Dormimos em San Miguel, a terceira maior cidade do país, que na descrição do Lonely Planet diz que já foi tomada pelo crime organizado e que possui efeitos colaterais ainda vigentes. Cidade quente, no meio de uma região semi-árida parecida com o sertão brasileiro, terra do garrobo (um tipo de lagarto). Ok, hora de descansar. Aproveitamos a noite para conversar com os familiares que estavam online no skype e garantir desde já um Feliz Natal!
Comida brasileira em Paramaribo - Suriname
Paramaribo é uma cidade multifacetada, vai depender de você e das amizades que fizer lá para saber qual das facetas irá conhecer e explorar. Na nossa primeira passagem pela capital surinamesa exploramos todo o seu lado histórico, a cidade antiga de construções coloniais holandesas, igreja e prédios governamentais (fácil de achar os posts pelo menu geográfico).
Conhecemos também o dia a dia da agitada cidade de trânsito caótico, de mesquitas vizinhas a sinagogas, tak-tak, inglês e holandês, falados todos em uma mesma mesa. Naquela ocasião tivemos tempo de dar só uma passada muito rápida pelo bairro brasileiro, em busca de uma medicação na farmácia que não pede receitas, só podia ser brasileira mesmo. RS! Portanto hoje, com saudades da comidinha brasileira, resolvemos voltar àquelas redondezas para comer em uma churrascaria, a famosa “Petisco”. Um buffet com arroz, feijão (amooo!), farofa, saladas, legumes e outros acompanhamentos, completam a carne assada na churrasqueira e passada na chapa. Não é nenhum Fogo de Chão, mas a fome e as saudades fizeram parecer! Hahaha!
Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname
Domingão, a cidade fica praticamente toda fechada, então aproveitamos para colocar nossas coisas em dia, arrumar a Fiona e reencontrar amigos. Já havíamos combinado de rever Scott, um americano que conhecemos aqui no hotel. Enquanto o esperávamos para sair, dois amigos nos fizeram uma bela surpresa! Donovan e Elen, amigos surinameses que conhecemos em Belém, vieram nos encontrar aqui no hotel!!! Eu havia comentado com eles por email que estaríamos aqui no dia 17, e não foi que eles apareceram?! Foi sensacional! Eles estão de mudança para Belém ainda este ano, Elen é de origem javanesa, nascida no Suriname (Nieuw Nickerie, que vamos conhecer amanhã) e já foi casada com um brasileiro, com quem tem duas filhas. Por isso fala português, holandês, tak-tak e ainda um pouco de inglês! Eles irão se mudar com os filhos e abrir um restaurante de comida surinamesa em Belém. Será parada obrigatória, pois além de um cardápio super exótico que tem referências javanesas, indianas, africanas e holandesas, ela irá manter o tempero original, renovando seu estoque trimestralmente com fornecedores daqui! Sensacional, estamos torcendo por eles!
Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname
Logo Scott chegou e eles nos deram uma carona até o nosso bar, aqui perto do hotel. Scott está no Suriname há pouco mais de um mês, trabalhando em um projeto na área de TI. Um job que deveria durar 15 dias acabaram se tornando quase 2 meses e ele teve que se adaptar. O papo foi super divertido, falamos de tudo, desde a política e economia americana, às revoluções no Oriente Médio, a situação entre os palestinos e israelenses, até o sub-mundo de Parbo (Paramaribo, para os menos íntimos).
Já nos despedindo, ele chamou um táxi para levá-lo para casa, e quando menos esperávamos estávamos no maior papo com o taxista. Ele tem uma namorada brasileira, Nayra, 17 anos, nascida em Boa Vista. Sua mãe, que trabalha vendendo roupas lá e cá, a princípio foi contra o relacionamento, mas depois que conheceu o moço, surinamês de origem indiana, viu que era sério, acabou topando. Hoje eles moram juntos há 1 ano, ela está estudando holandês e inglês e já está acostumando a viver no Suriname. Eles nos convenceram a dar uma passadinha no Bigode, bar brasileiro, uma das facetas da cidade que não conhecíamos.
Pense em uma boate da periferia de Belém, repleta de garimpeiros brasileiros, guianeses e surinameses. Todos esses embalados e animados por mulheres (a maioria também brasileiras) assanhadíssimas dançando os hits do Furacão 2000! Eguinha Pocotó, Bonde do Tigrão, Calcinha Preta, Calipso e suas cópias baratas. Foi uma incursão noturna de fundo cultural com um único objetivo, a experiência antropológica em um meio tão sortido e agressivo.
Não, não vimos nenhuma briga lá não, mas sabemos que elas são comuns, principalmente entre mulheres defendendo seus homens, ou mesmo suas mulheres. As “brutas”, como são conhecidas as “mulheres que gostam de mulheres” aqui, são numerosas e a maioria trabalha nos bares destas boates. Mas eu me referia à agressividade na dança, na paquera, na sexualidade, nos gostos, nas músicas, como diria meu amigo mineiro, brutaaal. Ah, esqueci de mencionar que as “primas”, como chamam os paulistas, também são da terrinha.
Segundo nossos novos amigos, isso aqui é o brasileiro, esta é a referência do Brasil para eles, pois é a única cultura que eles têm acesso. Descobrimos que existe uma vizinhança chamada Belenzinho. Eu não fui tão a fundo na periferia de Belém durante nesta viagem, mas sei que encontraria coisas parecidas. Ainda assim a impressão que fiquei é que aqui as coisas estão ainda mais exageradas. Milhares de brasileiros (hoje em torno de 60 mil), que estão aqui batalhando uma vida melhor e que longe de casa acabam se liberando para tudo e todos.
Como explicar a eles que o Brasil não é inteiro assim? Ou ainda pior, como explicar aos garimpeiros que eu sou brasileira? Hahaha! Sim, é impressionante como tão diferente o Brasil ainda consegue ter uma unidade, língua e o mesmo orgulho de ser brasileiro, de São Bento do Sul à Marabá. Aos antropólogos de plantão pergunto se há algum estudo ou definição antropológica deste ser tão controverso e ao mesmo tempo amado em todo o lugar. Meu chute? Alegria. É essa a nossa principal característica, mesmo com toda a miséria e corrupção, pobre e ferrado, rico ou letrado, o brasileiro é feliz.
Show do famoso DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
O Halloween é um dos feriados preferidos dos norte-americanos, dos poucos momentos no ano em que todos se sentem livres para soltar a imaginação, vestir suas mais loucas fantasias e aproveitar a noite como se fosse a última. A desculpa é tão boa, que na verdade eles antecipam ao máximo as festas e comemorações durante todo o mês de outubro.
Fantasias de Halloween na noite do show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
É claro que é uma ótima data para o mercado também, que lucra com venda e aluguel de fantasias, ingressos para festas, shows e decorações. As festas vão esquentando quando a data se aproxima, aqui em Seattle o final de semana anterior ao 31 contabilizou mais de 20 grandes festas, sem contar as que acontecem em cada restaurante, bar, escola e comunidade.
O famoso teatro da parede de chicletes, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Nós chegamos a Seattle no dia 26 de outubro e não nos demos conta que poderia ser uma ótima oportunidade para ver o famoso Halloween. Só depois de cruzarmos bruxas e fadas, caveiras e lobos e toda a liga da justiça reunida é que me caiu a ficha. No sábado, entre um alarme de incêndio no prédio do hotel, com direito a evacuação completa, corpo de bombeiros e mais de 150 hóspedes entre crianças sonolentas, mulher maravilha, batman e homem-aranha, resolvi pesquisar e procurar por festas. Naquela noite descobri que havia perdido um show do Armin, um dos top DJs mundiais, em uma das melhores festas da cidade, no Market Theater. Este teatro fica na área do Pike Market e é famoso por sua grande parede adornada de chicletes. Essa história começou com um espectador descontente com a apresentação que assistia, desertou a peça no meio e como protesto colou um chiclete na parede. Hoje são trilhões de chicletes que cobrem a parede externa do teatro. Curioso, mas no mínimo disgustin!
Mensagem escrita com chicletes, em parede de teatro de Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos
Bem, esta festa estava acontecendo ali, a 10 minutos de nós, mas estava com ingressos esgotados para a sorte e felicidade do marido. Pesquisando eu descobri que no dia 31 de Outubro a cidade ainda teria algumas festas e a melhor delas, um show do maior DJ da atualidade, o alemão Paul van Dyk! A minha reação foi de total inquietação, pois sabia que mesmo querendo ir, nós não estaríamos mais aqui. Íamos embora de Seattle no dia seguinte em direção a vários parques nacionais e depois Portland, que péssima sorte!
Chegando à Foundation para assistir o show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
No casal eu sou a fã de música eletrônica, festas e baladas, Rodrigo é o meu oposto. Antes de conhecê-lo eu era arroz em quase todas as festas raves de Curitiba, algumas em São Paulo, Florianópolis ou onde encontrasse uma galera animada, amigos e um bom DJ. Tudo bem que os tempos mudam, nós amadurecemos (para não dizer envelhecemos) e acabamos diminuindo o ritmo, mas quando nos casamos fiz a ele apenas um pedido: que ele me prometesse que iríamos a algum show de música eletrônica pelo menos duas vezes ao ano. Depois de 6 anos juntos (3 destes casados), adivinhem a quantos fomos? DOIS! Ele estava em débito, e depois do meu chororô, resolveu que era hora de começar a cumprir a promessa. Decidimos sair de Seattle, conhecer os parques próximos do Mt Rainier e Mt St Helens e retornar no dia 31 de Outubro para o ápice da festa, assistir o show do Paul van Dyk neste super Halloween!
O movimentado show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
Fantasia não era obrigatória e nem nos ligamos que nós seríamos os únicos que estaríamos “normais” ali. Na realidade, nós éramos os únicos anormais da festa. Como assim não nos preparamos e não vestimos as nossas melhores fantasias!?!
Prontos para o show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
Nada disso mais importaria alguns minutos depois, quando pisou no palco Paul van Dyk. Um alemão nascido na Berlim comunista, que teve o seu primeiro contato a música através das rádios proibidas do outro lado do muro. Ele ouvia secretamente as rádio RIAS (Radio in the American Sector), SFB e fitas K-7 que cruzavam o muro ilegalmente e eram pirateadas entre os amigos. Adolescente, Paul começou a trabalhar em uma rádio como assistente técnico e diz ter sido esta a maior influencia para o desenvolvimento musical.
O movimentado show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
Fantasias de Halloween na noite do show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
Nas pistas há mais de 20 anos, com hits aclamados por todo o mundo, Paul não deixa a batida e a qualidade da música cair nem um minuto nas mais de duas horas de show! Seu novo show Evolution tem uma batida incrível! Sua música emociona e contagia multidões, que entram em uma vibração positiva, em um circulo virtuoso. Mesmo o Rodrigo, que não é fã passou a entender de onde vem esse meu fascínio pela boa música eletrônica.
Mulheres fantasiadas de 5o Elemento animam o show do DJ Paul van Dyke, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
Paul sabe disso, tem prazer em tocar e ver todos à sua volta explodindo de alegria e felicidade, através da sua música. No final ele queria continuar, mas regras são regras, mesmo em dia de Halloween, a casa o fez parar e não deixou voltar nem para uma palhinha, um bis sequer! Enfim, lavei a alma, mas se o Rodrigo pensa que este show matou a minha vontade, ele está enganado! Shows bons assim só me dão mais gana de continuar dançando, aproveitando e seguindo a boa música.
DJ Paul van Dyke em ação, em Seattle, estado de Washington, nos Estados Unidos
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