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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Um Dia Mais Mundano

Brasil, Bahia, Caravelas, Abrolhos

Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA

Bico de proa do barco em direção à Abrolhos - BA


Hoje foi dia de chuva. Bastante chuva. Conforme a previsão. Além disso, o ouvido da Ana não melhorou. Passamos o dia na pousada. Rearrumamos a Fiona. Sempre que encerramos uma temporada de mergulhos é tempo de rearrumação da Fiona.

Chegando em Abrolhos - BA

Chegando em Abrolhos - BA


Ficamos aproveitando a internet para botar coisas em dia e planejar os próximos. Há muita coisa para fazer na região, mas a maioria pede dias de sol. Amanhã, a previsão é de mais chuva. Depois melhora. Se rumarmos para o norte agora, muita coisa fica para trás e não poderemos voltar. Se ficarmos aqui esperando, o tempo vai passando. Esse é o nosso dilema.

Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA

Pronta para o mergulho noturno em Abrolhos - BA


Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA

Início de mergulho noturno em Abrolhos - BA


Por fim, resolvemos avançar um pouco. Até Itamaraju. Fica perto o suficiente de atrações como o Corumbau e o Parque do Monte Pascoal, já significa um avanço rumo ao norte e, se decidirmos voltar para Curumuxatiba, nem é tão fora de mão, só um pouco.

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA


Itamaraju é daquelas cidades maiores que ficam na BR-101 nas quais eu jamais imaginei parar na minha vida. Cidades como Teixera de Freitas, Eunápolis ou Itabuna. São cidades de passagem cujo único significado para mim é que estou chegando perto da praia, de Porto Seguro, de Ilhéus, de Caravelas, etc...

Mergulhando no mar em Abrolhos - BA

Mergulhando no mar em Abrolhos - BA


Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA

Refrescando-se no mar em Abrolhos - BA


Pois bem, paguei minha língua e viemos dormir em Itamaraju. Encontramos uma cidade simpática com um povo amável que quer sempre ajudar e um hotel jóia, bem profissional. Um belo lugar para se pernoitar a caminho de algum lugar mais longe e evitar de se dirigir de noite por essas estradas.

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA


Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA

Atobá na ilha de Santa Bárbara em Abrolhos - BA


O chato é que, de noite, o ouvido da Ana piorou. Ela falou com a Patrícia, sua mãe e médica também e juntas, descobriram que o médico de Caravelas fez o diagnóstico correto mas receitou o remédio errado. Amanhã cedinho, vamos à uma farmácia e tudo vai se resolver!

Veleiro em baía de Abrolhos - BA

Veleiro em baía de Abrolhos - BA


O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA

O belo e forte luar refletido no mar em Abrolhos - BA


Não podemos controlar o tempo (tarefa de São Pedro), mas posso controlar as fotos que coloco no meu post. Assim, resolvi ilustrar esse com belas fotos ainda não usadas de nossa estadia em Abrolhos. Para amanhã, fotos fresquinhas!

O João fotografando, em Abrolhos - BA

O João fotografando, em Abrolhos - BA


João tirando fotos em Caravelas - BA

João tirando fotos em Caravelas - BA

Brasil, Bahia, Caravelas, Abrolhos,

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Thingvellir e o Golden Circle

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O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


O mais popular programa turístico entre os visitantes da Islândia é percorrer uma rota chamada de “Golden Circle”. É um circuito de pouco mais de 150 km nas cercanias da capital Reykjavik e que pode ser percorrido em apenas um dia, possibilitando aos turistas passar por belas e variadas atrações como cachoeiras, gêiseres, parques e até o principal sítio histórico do país, o vale de Thingvellir.



São várias as agências de turismo da capital que oferecem esse passeio em suas vans e na companhia de guias, mas também é comum fazê-lo por conta própria, com a ajuda de um carro alugado. As indicações nas estradas são claras e as atrações são todas sinalizadas, sempre com painéis informativos traduzidos para o inglês.

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Pois bem, esse foi o caminho que percorremos hoje, primeiro acompanhados da nossa agência de mergulho até Thingvellir e depois sós, pelo resto do dia. A primeira parada foi exatamente no Parque Nacional criado em 1930 para proteger um solo considerado “sagrado” pelos islandeses, por sua importância histórica e na formação de um caráter nacional. Aí fizemos nosso mergulho e depois caminhamos pelo vale onde se reunia o antigo parlamento do país. Em seguida, fomos para o campo de gêiseres de Geysir e para a cachoeira de Gullfoss, retornando à Reykjavik no final da tarde.

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Falo do fantástico mergulho no próximo post. Agora quero me ater à interessante história desse que foi o primeiro parlamento verdadeiro da história moderna, antecedendo em muito experiências semelhantes na Inglaterra e Holanda. Na antiguidade, espécies de parlamentos também existiram na Grécia e em Roma, mas seus poderes eram claramente subordinados aos poderes executivos daquelas sociedades. Não aqui na Islândia! O Althingi (nome dado ao parlamento) se reunia anualmente em Thingvellir e era a máxima autoridade legislativa e judiciária do país, subordinando os poderes executivos que existiam localmente por toda a ilha.

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


A colonização permanente da Islândia começou em 874 pelo norueguês (leia-se viking!) Ingolfur Arnarson. Seis décadas mais tarde e todas as terras aráveis do país já estavam ocupadas. Os descendentes do pioneiro Ingolfur controlavam a área mais produtiva, no sudoeste do país e formavam a família mais poderosa. Foi quando diversos líderes locais resolveram criar uma espécie de conselho, exatamente para contrabalançar esse poder. Esse conselho reuniria todos os líderes locais do país numa reunião anual que duraria cerca de duas semanas. Nele se discutiriam novas leis que valeriam para toda ilha e também a aplicação das leis já existentes às questões que surgiram no último ano. As decisões desse conselho eram supremas e seriam acatadas por toda a ilha.

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O magnífico visual do Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Nascia assim uma espécie de parlamento misturado com suprema corte. Nada de reis ou de monarcas. Quem mandava era o Althingi, ou parlamento. Que passou a se reunir no vale de Thingvellir. As reuniões atraíam multidões que passavam duas semanas acampados por ali, quase uma cidade provisória que festejava uma democracia em plena Idade Média. Todos tinham direito à palavra, mas todos tinham de aceitar a decisão da maioria.

Local de reunião dos antigos vikings no primeiro parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Local de reunião dos antigos vikings no primeiro parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Representação do mais antigo parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Representação do mais antigo parlamento do mundo, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Pois bem, esse parlamento funcionou a pleno vapor por quase 250 anos até que, em 1271, a situação mudou. O clima já era bem mais frio, dificultando as lavouras e diminuindo a força econômica da ilha como um todo. Por decisão do próprio parlamento, a ilha associou-se à Noruega. Aos poucos, os poderes foram sendo transferidos para a monarquia além-mar, mas o Athingi continuou a se reunir anualmente, pelo menos para discutir problemas, política e leis locais. Até que, já em 1662, o parlamento se reuniu pela última vez, cedendo suas atribuições restantes ao monarca absolutista da Dinamarca, que reinava também sobre a Noruega e Islândia.

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Caminhando sobre a fenda que divide dois continentes, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Moedas da sorte deixadas no lago que divide a Europa da América, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

Moedas da sorte deixadas no lago que divide a Europa da América, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia


Por quase duas horas, caminhamos hoje sobre esse solo sagrado da nação. O visual é lindo, a paisagem grandiosa e ficamos aí, a imaginar, como seria um dia típico de reunião, 1000 anos atrás. Vikings na tribuna, vikings em discussão, vikings na audiência, vikings aproveitando o movimento da pequena cidade que aí se formava para comprar, vender, encontrar pessoas. Enfim, um verdadeiro evento. Quase que ainda dá para ouvir o burburinho ressoando pelo enorme paredão que delimita o vale. Mas o que ouvimos mesmo são as moedas que são jogadas num pequeno lago que há no local. Vikings atuais pedindo a sorte a vikings antigos.

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

O local onde se reunia o primeiro parlamento do mundo, já há mais de 1000 anos, no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia

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Tristes Despedidas

Brasil, Pernambuco, Recife, Fernando de Noronha, Olinda

Com o simpático casal de Vitória, Amanda e Vítor, em Fernando de Noronha - PE

Com o simpático casal de Vitória, Amanda e Vítor, em Fernando de Noronha - PE


É sempre triste deixar um lugar bonito e agradável. Especialmente quando não sabemos quando vamos poder voltar. Nessa nossa viagem, quase sempre por lugares assim, estamos ficando cada vez melhores em lidar com esse sentimento. Ainda mais que estamos sempre deixando um lugar bonito para ir para outro, e não para um escritório.

Mas, mesmo para nós, acostumados agora com essa rotina, deixar Noronha é muito triste. Essa ilha maravilhosa, mesmo entre as grandes atrações brasileiras, se destaca. A deliciosa rotina de se caminhar para um bom restaurante, a segurança total de andar a qualquer hora do dia e da noite, a proximidade de algumas das mais belas praias do Brasil, a temperatura sempre quente, os mergulhos maravilhosos, o clima de felicidade e tranquilidade contagiantes de todos os que estão visitando o arquipélago, tudo isso somado faz de Noronha um lugar muito especial de se estar.

Despedida da Praia da Cacimba, em Fernando de Noronha - PE

Despedida da Praia da Cacimba, em Fernando de Noronha - PE


Ontem fui dormir mais cedo que o Haroldo e a Ana, que esticaram a noitada até às quatro da manhã. Saboreei nosso último café da manhã na pousada sozinho, vesti meu tenis e fui correndo até a Praia da Cacimba. Cedinho ela fica deserta, o que a torna ainda mais linda. Por uma hora fiquei nadando em suas águas transparentes, maravilhado com a visão subaquática das ondas que passavam sobre minha cabeça e quebravam alguns metros depois. Poucas visões podem ser mais lindas, mais mágicas do que ver com clareza, de debaixo d'água, a onda estourar, primeiro fazendo uma espécie de parede de água e, logo após estourar, um redemoinho de espuma. Impressionante também é furar uma onda maior, pouco antes dela estourar. Naqueles décimos de segundo de confusão que se seguem embaixo d'água, é possível vislumbrar peixes que parecem se divertir com esses redemoinhos. Dura muito pouco! Quando a poeira se assenta ou a luz volta a iluminar a água, eles se foram. Realmente, estão lá apenas naquela fração mágica de segundo. É uma dádiva poder observar este momento fugaz!

Placa comemorativa do nosso mergulho na Corveta, presente do Fernando, em Fernando de Noronha - PE

Placa comemorativa do nosso mergulho na Corveta, presente do Fernando, em Fernando de Noronha - PE


Quase na hora de voltar para a pousada o Haroldo e a Ana chegaram de táxi. Tiramos algumas fotos e eles foram dar um último mergulho enquanto eu voltei correndo para a pousada. Lá, foi o tempo de arrumar as coisas e se despedir do Jurrewerson, dono da pousada, e de um casal de Vitória, a Amanda e o Vitor, que ficaram nossos amigos exatamente nesses últimos momentos de despedidas. Também estava lá o Fernando, que além de nos levar para todos esses mergulhos maravilhosos ainda nos deu, de presente, uma placa comemorativa do nosso mergulho na corveta. Foi jóia!

Hora da partida no aeroporto em Fernando de Noronha - PE

Hora da partida no aeroporto em Fernando de Noronha - PE


Por fim, aquela depressão de ir para o aeroporto e partir, nós para Recife e o Haroldo para São Paulo, via Natal. Uma última vista da ilha pela janela do avião e bola prara frente!

Fiona na praia de Boa Viagem, em Recife - PE

Fiona na praia de Boa Viagem, em Recife - PE


No continente, após alguma ponderação, decidimos por nos hospedar em Olinda. Afinal, em janeiro deste ano já tínhamos passado uns 5 dias em Recife fazendo nosso curso de mergulho técnico. Na época, fizemos passeios na cidade e gostamos muito. Desta vez, para variar, resolvemos nos basear em Olinda e vir para Recife um dia para passear.

Alerta nas placas da praia de Boa Viagem, em Recife - PE

Alerta nas placas da praia de Boa Viagem, em Recife - PE


Depois da tranquilidade de Noronha, foi um certo choque enfrentar o horário do rush da capital pernambucana. Atravessamos Boa Viagem ainda com a luz de fim de tarde. Orla convidativa, bem arrumada, muita gente fazendo esporte e aquelas placas perturbadoras avisando sobre tubarões.

Fim de tarde com muito trânsito em Recife - PE

Fim de tarde com muito trânsito em Recife - PE


Depois do trânsito do centro, chegamos na muito mais pacata Olinda, onde nos instalamos na charmosa Pousada São Pedro. Domingo tem carnaval! E até lá, muito trabalho e muitos passeios!

Em tempo, a única parte do meu corpo que agradece termos deixado Noronha é o bolso! É bonito, mas não precisava ser tão caro...

Brasil, Pernambuco, Recife, Fernando de Noronha, Olinda, Cacimba

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Passeio na Capital

Nicarágua, Ometepe, Manágua, León

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua


Atravessamos a Isla Ometepe hoje cedo em tempo de pegar o ferry das 09:00 da manhã, já com reserva antecipada para garantir o disputado espaço para a Fiona. De "volta" ao continente, era tempo de seguirmos ao norte do país. Passamos ao lado da histórica Granada, mas resolvemos deixá-la para a volta, daqui a uns 7-8 meses. A nossa primeira parada estava programada para a capital Manágua.

Bandeiras do país e da FSLN tremulam em Manágua, capital da Nicarágua

Bandeiras do país e da FSLN tremulam em Manágua, capital da Nicarágua


Durante boa parte da história do país, as duas mais importantes cidades da Nicarágua eram Granada e León. De tendências políticas opostas, elas disputavam continuamente o poder no país, conservadores contra liberais, muitas vezes levando a nação à guerra civil. Finalmente, em meados do século XIX, numa resolução por compromisso, as duas forças políticas aceitaram que a capital fosse transferida para uma terceira cidade, a pequena e pacata Manágua, situada entre León e Granada.

Estátua de revolucionário em Manágua, capital da Nicarágua

Estátua de revolucionário em Manágua, capital da Nicarágua


A tranquila vila logo cresceu para se tornar a maior cidade da Nicarágua, com um belo centro histórico,segundo relatos da época. Temos de nos fiar nesses "relatos" porque esse centro foi completamente destruído por um grande terremoto seguido por incêncio no final da década de 20 do século passado. Sobre as cinzas um novo centro foi construído, com o árduo esforço dos cidadãos de Manágua. A cidade era uma das mais dinâmicas da América Central quando um novo e devastador terremoto botou tudo abaixo, em 1972.

O grande lago de Manágua, capital da Nicarágua

O grande lago de Manágua, capital da Nicarágua


Enquanto o ditador Somoza soube aproveitar a desgraça para faturar milhões com a especulação imobiliária que se seguiu a tragédia, com novos bairros sendo criados em locais mais "seguros", cientistas advertiam que uma nova reconstrução do centro estaria fadada a ser destruída por novos terremotos. Assim, essa área central foi deixada como área livre de novas construções, um lembrete da força destrutiva da natureza, passada e futura. A antiga Catedral, interditada desde então, é a lembrança viva deste fato.

Silhueta gigante de Sandino, líder revolucionário do país (em Manágua, capital da Nicarágua)

Silhueta gigante de Sandino, líder revolucionário do país (em Manágua, capital da Nicarágua)


Resolvemos aproveitar as facilidades de um trânsito dominical para passarmos algumas horas na capital nicaraguense. Começamos nossa visita pela Laguna Tiscapa, uma antiga caldeira de vulcão em pleno centro de Manágua. Ali do lado, num promotório, a gigantesca silhueta de Sandino, o reverenciado herói nacional, observa toda a cidade. Com menos de 40 anos ele liderava um exército que por anos enfrentou os marines americanos sem se deixar capturar. Seu nome se tornou uma legenda na época, tanto na América Central como em todo o mundo. Comunistas da URSS ao México o glorificavam. Finalmente, com a saída dos gringos do país, Sandino estava negociando um acordo com o presidente liberal da época. Mas ao sair do palácio governamental após uma sessão de negociação, foi capturado pela Guarda Nacional de Somoza (o pai, fundador da dinastia) e morto em seguida. Pouco depois o presidente seria derrubado em um golpe e mais de 40 anos de feroz ditadura seguiriam. Fico imaginando o que diziam os livros de história da Nicarágua sobre essa interessantíssima figura (Sandino) na época em que a família Somoza ainda reinava no país...

Fotos de duas reverenciadas personagens do país: o poeta Dario e o revolucionário Sandino (em Manágua, capital da Nicarágua)

Fotos de duas reverenciadas personagens do país: o poeta Dario e o revolucionário Sandino (em Manágua, capital da Nicarágua)


A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua

A moderna Catedral de Manágua, capital da Nicarágua


Bom, daí seguimos para a moderna Nova Catedral de Manágua, uma construção meio com cara de Niemayer. Aliás, Manágua lembra Brasília, muitas avenidas e poucas esquinas. Uma parada para fotos e rápida caminhada pelo enorme prédio e continuamos nosso tour para o antigo centro, a antiga Catedral ainda torta desde o terremoto de 72.

A antiga Catedral de Manágua, semi-destruída pelo grande terremoto de 1972 em Manágua, capital da Nicarágua

A antiga Catedral de Manágua, semi-destruída pelo grande terremoto de 1972 em Manágua, capital da Nicarágua


Ali do lado, em frente ao enorme e poluído Lago de Manágua, o Puerto Salvador Allende, com restaurantes e bares à beira d'água. Entre estátuas e textos homenageando o antigo presidente chileno, além de Sandino e do poeta Dario, tivemos uma agradável refeição, admirando ao longe, do outro lado do lago, o cone vulcânico mais perfeito da América Central, do vulcão Momotombo. Local concorrido pela classe média da capital num domingo de tarde, éramos os úncos turistas à vista, o que tornou o passeio ainda mais interessante.

Clima de natal em Manágua, capital da Nicarágua

Clima de natal em Manágua, capital da Nicarágua


De estômagos cheios, demos adeus à politizada capital e seguimos para León, quase 100 km ao norte, nosso destino final hoje. Seguimos pela estrada velha, um pedaço dela de terra, quase sem movimento, se desconsiderarmos bovinos e equinos. Devagarzinho chegamos à antiga capital do país, um dos berços do sandinismo honrando suas centenárias tradições liberais. Instalamo-nos no Lazy Bones e ainda fomos passear, pela noite, pelas históricas ruas do centro da cidade. O nosso primeiro gostinho dessa bela cidade foram a decoração natalina da praça central e a enorme catedral, a maior da América central, iluminada para a noite

A Catedral de León, norte da Nicarágua, a maior da América Central

A Catedral de León, norte da Nicarágua, a maior da América Central


Amanhã devemos ficar aqui no centro mesmo, passeando pela cidade, seus museus e igrejas. E quando cansarmos ou ficarmos com preguiça, estaremos sempre perto do Lazy Bones, estrategicamente posicionado entre as principais atrações e prédios históricos.

Clima natalino: presépio na praça central de León, norte da Nicarágua

Clima natalino: presépio na praça central de León, norte da Nicarágua

Nicarágua, Ometepe, Manágua, León,

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Fantásticas Cavernas - 2a Parte

Estados Unidos, New Mexico, Carlsbad Caverns National Park

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Voltei ao centro de visitantes, onde reencontrei a Ana. Ali, nos poucos minutos que ainda tínhamos, admiramos uma exposição de fotos incríveis sobre as cavernas. Fotos antigas, da década de 30, dos primeiros exploradores. E fotos recentes, da pesquisa que se faz em uma caverna aqui do lado, a Lechuguilla. Essa já era uma caverna conhecida há 100 anos, sem grandes atrativos. Mas uma insistente corrente de ar que saía por detrás de umas pedras sempre atraiu a curiosidade de exploradores. Por fim, na década de 80, pesquisadores obtiveram a permissão de cavar por lá. O que descobriram foi um mundo novo e impressionante de túneis e salões secretos, ainda em condições pristinas. É a mais bela caverna do parque, cheia de formações exóticas, lagos subterrâneos, um verdadeiro tesouro da natureza. Infelizmente (ou felizmente!), a caverna é totalmente off-limits para turistas. Apenas pesquisadores podem entrar, de tempos em tempos, para encontrar mais alguns túneis (ela não está totalmente explorada ainda) e documentar as belezas dali. Que privilégio! A gente, pessoas normais, só podemos ver as fotos. E que fotos...

Lechuguilla Cave, aberta apenas para felizardos pesquisadores, no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Lechuguilla Cave, aberta apenas para felizardos pesquisadores, no Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


A caminho das câmaras inferiores da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

A caminho das câmaras inferiores da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Bom, nós, até para podermos fugir um pouco dessa “normalidade” enfadonha, fomos fazer o nosso tour. Agora, com capacetes e lanternas na cabeça, já me sentia um pouco menos turista e um pouco mais espeleólogo. Mais ou menos, pois ainda estávamos bem limitados pelas regras do grupo. Dez pessoas e duas simpáticas guias em fila indiana pelos corredores e túneis bem menos frequentados dos salões inferiores da caverna.

Parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Formações na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formações na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Aqui, não há iluminação artificial e tudo o que podemos ver é aquilo que nossas lanternas iluminam. O ambiente é mais estreito que no “andar de cima”, mas nem por isso menos impressionante. De alguma maneira, podemos chegar mais “perto” das formações e da caverna e entramos mais no clima. A guias vão dando as explicações, históricas e geológicas, e tudo vai ficando mais claro. Duas agradáveis horas pelas entranhas da natureza.

Turistas ficam maravilhados com a formação de pérolas no solo da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Turistas ficam maravilhados com a formação de pérolas no solo da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Formações de pérolas no solo da parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formações de pérolas no solo da parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Passamos por um campo de pérolas, pequenas formações de calcário arredondadas, do tamanho de bolas de gude, cuidadosamente elaboradas ao longo de incontáveis anos pela natureza. São lindas! Nunca tinha visto tantas delas ao mesmo tempo. Foi engraçado ver a admiração dos outros turistas, alguns deles pela primeira vez dentro de uma caverna! Passamos também por uma incrível cortina natural. Nós já vimos centenas dessas, em outras cavernas, mas essa tinha um detalhe que a tornava única. Cortinas são sempre verticais, seguindo a lei da gravidade. Mas aqui, são diagonais!!! Na verdade, todo o bloco de pedra onde se formaram caíu do teto e se afundou no chão, ficando nessa posição. O “milagre” está no fato da formação não ter se espatifado na queda. A explicação para isso está no fato de que a caverna era mais úmida antes, e o solo era, na verdade um raso lago com chão mole e encharcado embaixo. Hoje, está tudo seco e temos aquela cortina na diagonal. Impressionante!

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Caminhando com o grupo na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Também nos chamou muito a atenção uma formação translúcida de calcário com um morcego dentro. Um fóssil milenar e muito bem preservado, congelado no tempo. Até parecia uma cena de Parque dos Dinossauros, mas ao invés de um mosquito preso no âmbar, era um morcego no calcário. Mais um pequeno detalhe que faz dessa a mais interessante caverna aberta ao turismo nos Estados Unidos. Por falar em detalhe, tem também a pedra com uma pichação que já se tornou histórica. Afinal, é uma assinatura que agora já é centenária, escrita exatamente pelo grande explorador dessa caverna, Jim White. Aos poucos, sua pichação vai ganhando status de “pintura rupestre”.

Formação caída no chão na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Formação caída no chão na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Esqueleto de morcego preso em estalagmite translúcida, na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Esqueleto de morcego preso em estalagmite translúcida, na parte inferior da caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Foi um ótimo passeio, que valeu muito a pena. Saímos daqui com a certeza de que as cavernas daqui também estão entre as mais belas do mundo, não devendo nada para as nossas. Pena só que sejam tão “civilizadas” ou então, completamente fechadas aos nossos olhos, os simples mortais. É o preço que se paga pela sua conservação (as que não são abertas à visitação) ou para que todos tenham acesso e possam admirá-las (as que estão abertas, pavimentadas e iluminadas). Para fugir disso, só tendo nascido há um século ou ser um pesquisador renomado ou, quem sabe, voltar às inexploradas e quase virgens cavernas de países do 3º mundo.

Atravessando túnel na caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Atravessando túnel na caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Visitando a caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Visitando a caverna em Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos


Aqui em Carlsbad, abaixo da terra, já está tudo regulamentado. Acima dela, aí sim sem guias ou regras, pudemos caminhar e dirigir por uma estrada de terra que nos levou à mirantes e pontos históricos. Muito interessantes, sem dúvida, mas os maiores atrativos daqui estão mesmo embaixo da terra. Fechamos, com chave de ouro, nossa sequência de visitas aos parques nacionais americanos. Cada um mais bonito do que o outro.

Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Carlsbad Caverns National Park, no sul do Novo México, nos Estados Unidos

Estados Unidos, New Mexico, Carlsbad Caverns National Park, Caverna, Parque, trilha

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Uma Despedida Muito Especial

Canadá, Dawson City

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


Hoje era nossa última noite aqui no extremo norte do continente. Amanhã cedo, partimos para Haines Junction, de Lá para Haines, já no Alaska e aí, ferry percorrendo a costa sul desse estado americano. Enfim, vamos para o sul, sul, sul...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Então, era a nossa última chance de ver a Aurora, pelo menos a Boreal. Lá no sul, as latitudes não são tão altas e observar a Aurora Austral, só com muita sorte, num caso de grande tempestade solar. Portanto, tínhamos mesmo era de aproveitar essa madrugada!

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Ontem de noite, já aqui em Dawson, o tempo não estava muito aberto. Mas hoje, depois das nossas rezas e pedidos depois de cada estrela cadente visualizada, o tempo abriu. Era a Aurora querendo se despedir de nós, também!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá


E ela apareceu radiante, para nossa infinita alegria. Foi o segundo mais belo espetáculo que assistimos, depois da noite em Tok, e aqui também foi possível ver outras cores além do verde. Mas uma coisa fez dessa Aurora muito especial, além de ser a nossa última...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Foi o cenário! Assistimos ao show ao lado do rio Yukon e sua águas refletiam as luzes celestes! Poxa... ver Aurora já é especial, mas ver Aurora refletida na água, aí ficamos sem palavras...

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá

Magnífica Aurora Boreal em Dawson City, no Yukon Territory, noroeste do Canadá


Outra coisa: a Ana está ficando cada vez mais craque em fotografar essa maravilha. Assim, foram de hoje as melhores fotos que tiramos esse fenômeno mágico. Diante de tanta grandeza, só podemos agradecer a oportunidade que o destino nos deu. Devidamente emocionados, por supuesto! Auroras, até breve, se Deus quiser!

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

As cores da Aurora reflerem no Yukon River, em Dawson City, no noroeste do Canadá

Canadá, Dawson City, Aurora Boreal, Yukon

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Badlands: A Incrível Beleza e o Triste Massacre

Estados Unidos, South Dakota, Badlands National Park

Mirante no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Mirante no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Chegamos então ao nosso primeiro Parque Nacional, nessa nova etapa da viagem: Badlands, no sudoeste de South Dakota. O nome, que significa mesmo “terras ruins”, vem dos primeiros exploradores franceses da região que, na sua busca pelos pobres castores através do continente, tinham de passar por aqui. Chamavam toda essa área de “mauvaises terres à traverser”, ou “terras ruins de atravessar”.

Chegando ao Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Chegando ao Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Mirante no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Mirante no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


A razão disso é que o parque é uma região bem seca, em muitos lugares se parecendo a um deserto. Não se pode cultivar nada por aqui e, o pior, não há castores! Pouca água, muito calor no verão, um frio de rachar no inverno. Enfim, dava um trabalhão passar por essas terras “ruins”, até chegar à vizinha região de Black Hills (nosso próximo destino!), essa sim, cheia de castores. Mesmo a fabulosa beleza cênica da região não pareceu comover esses primeiros exploradores.

Fazendo uma trilha no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Fazendo uma trilha no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


caminhando no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

caminhando no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


O fato é que o nome pegou. Mais do que isso, virou um conceito. Outras regiões do mundo com a mesma aparência (como parte do Death Valley, na Califórnia, ou o nosso Parque da Serra das Confusões, no sul do Piauí, também são constituídos de “badlands”. Como bem define a wikipedia, “são um tipo de paisagem ruiniforme de características áridas e de litologia rica em lutitos, extensamente erodida pelo vento e água. Desfiladeiros, ravinas, barrancos, canais, chaminés de fada (colunas de rocha com formas nos seus picos) e outras formas geológicas do estilo são comuns nas terras baldias. Frequentemente é difícil caminhar por elas. Dependendo das sucessões sedimentares que as formem, estas terras podem apresentar uma espetacular gama de cores, que alterna camadas que vão do negro azulado escuro, característico do carvão, ao branco do gesso, passando por vermelho brilhante, característico de algumas argilas”

Terreno desértico do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Terreno desértico do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Terreno desértico do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Terreno desértico do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Pois é, é isso mesmo. Paisagem maravilhosa, super colorida, tons amarelados e avermelhados divididos em camadas geológicas de milhões de anos, erodida continuamente pelo vento e pela água através das incontáveis eras, formando nanyons, vales e esculturas na rocha.

Explorando os caminhos do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Explorando os caminhos do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Escadaria em trilha do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Escadaria em trilha do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Além dessa maravilha geológica,o parque também é o paraíso de paleontólogos. Toda a região foi parte de um grande mar interior, há 70 milhões de anos. Com o choque das placas tectônicas e a criação das Montanhas rochosas, toda a área se levantou, esorrendo o antigo mar para bem longe e, ao mesmo tempo, guardando milhares de fósseis de antigas crituras submarinas. No momento seguinte, calor e umidade favoreceram o desenvolvimeto de florestas com sua fauna característica. O tempo foi secando e a floresta virou savana que virou pradaria e que hoje se aproxima de deserto. Novas faunas foram aparecendo e desaparecendo, ficando os registros fósseis. A erosão no terreno favorece o ressurgimento de antigas camadas de terra que guardam os segredos de quem viveu por aqui naquele tempo, Cada “andar”, uma fauna difenete, tudo exposto na superfície eplo incansável trabalho do vento e da água. É ou não é o paraíso dos caçadores de fósseis?

A Fiona nos ajudou a conhecer o Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

A Fiona nos ajudou a conhecer o Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Voltando ao Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Voltando ao Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Por fim, para a sorte dos turistas, esse incrível lugar está localizado nos Estados Unidos. Portanto, não só é protegido, como foi criada toda uma infraestrutura para que se possa conhecê-lo. Uma estrada asfaltada corta o parque e dá acesso aos mais belos mirantes e paisagens. Estradas de terra e trilhas bem demarcadas levam os mais aventureiros a locais mais isolados, longe das hordas de visitantes. Em todos os lugares, painéis ricos em informações fornecem o contexto histórico, geográfico e geológico daquele local. Sem contar a existência de lodges, banheiros limpos, estacionamentos e restaurantes. Coisa de primeiro mundo.

As paisagens grandiosas do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

As paisagens grandiosas do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos



Nós chegamos no meio da tarde de ontem e fizemos o circuito da estrada de asfalto, com diversas paradas para fotos e algumas para fazer pequenas trilhas. Hoje pela manhã, voltamos ao parque para fazer um trecho de estrada de terra, chegar ao coração do parque, conferir novamente as paisagens magníficas e tentar nos aproximar ainda mais da abundante vida selvagem que se encontra nas Badlands. Pois é, o assunto “fauna” foi tão interessante que até merece um capítulo à parte. No caso do blog, um “post” à parte: o próximo.

As maravilhosas paisagens do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

As maravilhosas paisagens do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Magnífico fim de tarde no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Magnífico fim de tarde no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Lamentavelmente, nem tudo foi alegria por aqui. A região do parque tem também uma página muito triste em sua história. E não estou falando da dificuldade dos exploradores franceses de passar por aqui, não. Em Badlands ocorreu o mais infame massacre de índios na história da ocupação do oeste americano, o capítulo final das chamadas “Indian Wars”, a série de batalhas entre o exército americano e o povo nativo do continente ao longo do século XIX.

Nem precisa explicar o nome das colinas... (Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos)

Nem precisa explicar o nome das colinas... (Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos)


Belíssima plantação de girassóis ao lado do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Belíssima plantação de girassóis ao lado do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Ainda vou falar mais desse assunto quando formos visitar as Black Hills, mas o fato é que aqui, com a ajuda de metralhadoras, soldados da 7ª cavalaria exterminaram mais de 200 índios da etnia Lakota, a maioria mulheres e crianças, em pouco mais de uma hora, numa fria manhã de 29 de Dezembro de 1890. Os índios completamente desiludidos com a série de acordos não cumpridos pelo governo americano, se movimentavam entre uma reserva e outra, contra a vontade dos “cara-pálidas”. A cavalaria foi enviada para “apaziguá-los” e o resultado foi o evento conhecido como “Wounded Knee Massacre”.

As maravilhosas paisagens do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

As maravilhosas paisagens do Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Paisagens coloridas no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Paisagens coloridas no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos


Assistindo a um inesquecível entardecer sobre um dos canyons do parque, o mesmo por onde o honrável Spotted Elk conduziu seu povo na antevéspera do massacre (em que ele mesmo foi morto), foi quase impossível imaginar aquele lugar que só inspira paz e tranquilidade tenha sido o cenário de uma barbaridade dessa. Cento e vinte e dois anos mais tarde, um anônimo brasileiro aproveita a beleza indescritível da paisagem, o silêncio maravilhoso do enorme espaço vazio que o rodeia e a serenidade que tudo isso inspira, abaixa a cabeça e, sinceramente, presta sua homenagem àqueles que, por incontáveis gerações, viveram em comunhão com essa terra. Amém!

Magnífico fim de tarde no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Magnífico fim de tarde no Badlands National Park, em South Dakota, nos Estados Unidos

Estados Unidos, South Dakota, Badlands National Park, história, Parque, trilha

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Canyons, Dunas e a Badwater

Estados Unidos, Califórnia, Death Valley

Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Acordamos meio quebrados hoje, da noite mal dormida na Fiona. Além do desconforto de não se estar numa cama, passamos frio. Tudo pela preguiça de não termos armado a barraca ontem e de nem termos pego os sleepings na parte de trás do carro. No deserto, a noite é fria e esta noite aprendemos isso na prática. Nem que seja no deserto mais quente das américas...

A caminho do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

A caminho do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Mas bastou acordarmos, ficarmos alguns minutos no sol e admirarmos aquela beleza cinematográfica que nos rodeava que já ficamos novinhos em folha! Não demorou muito e já estávamos prontos para o longo dia de explorações que nos esperava. A vantagem de termos dormido na Fiona foi que não tivermos de arrumar quase nada para podermos botar o pé na estrada novamente!

Caminhando através do incrível Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Caminhando através do incrível Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


O Death Valley é um enorme e extenso vale com mais de 100 km de comprimento e quase vinte de largura, nas suas partes mais largas. Nas suas laterais, duas cadeias de montanhas que estão se afastando, criando essa enorme falha geológica que é o vale. Conforme se afastam, mais profundo tende a ficar o Death Valley mas, ao mesmo tempo, as forças da erosão (vento e chuva) tendem a trazer o material do alto das montanhas para o fundo do vale. Essas forças contrárias se contrabalançam ao longo do tempo, placas tectônicas levantando e afastando as montanhas, chuvas erodindo as mesmas montanhas. Até hoje, o resultado dessa “gangorra” foi, além das paisagens magníficas aqui criadas e do clima infernalmente quente no verão, o ponto mais baixo das Américas, a 86 metros abaixo do nível do mar.

Mosaic Cannyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Mosaic Cannyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Pois é, um futuro inexorável aguarda o Vale da Morte. As cadeias de montanhas continuarão a se afastar. Eventualmente, todo o oeste da Califórnia vai se separar do continente, formando uma nova ilha. E o Mar de Cortez vai se encontrar com o Death Valley, numa espetacular e titânica invasão das águas, uma espécie de dilúvio bíblico do futuro.

Escalando uma parede no Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Escalando uma parede no Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Enquanto isso não acontece, nós saímos a explorar a região e ver de perto os efeitos dessas enormes forças que agem por aqui. A primeira atração para onde fomos foi o Mosaic Canyon. Deixamos a área de camping que fica na faixa central do vale e rumamos para a encosta ocidental do vale. Chegando às montanhas, já estamos bem longe e bem mais altos que o centro do vale, apesar de que, numa área gigantesca como essa, a gente perca completamente a noção de distância. Lá do alto, o pequeno hotel, o restaurante, a loja e as vans e traillers estacionados ficam completamente minúsculos no meio daquela vastidão. Quem fica bem pequeno também é o campo de dunas Mesquite Dunes, onde estivemos ontem de noite e voltamos hoje. Pareciam uns míseros montinhos de areia perto das enormes montanhas do outro lado do vale.

A bela vista do alto do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

A bela vista do alto do Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Ali na encosta ocidental, vários canyons se formaram depois de dezenas de milhares de anos de ação da chuva. Quase não chove no Death Valley, pois as montanhas bloqueiam a umidade do lado de lá, mas quando as poucas nuvens que passam chegam aqui, é um grande aguaceiro que logo forma torrentes de água. Elas aproveitam os antigos caminhos cavados em outras épocas, quando a região era mais úmida, e os alargam, trazendo pedras e deixando detritos em seu caminho. Essas verdadeiras avenidas cavadas no meio da rocha hoje podem ser percorridas a pé.

O belíssimo Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

O belíssimo Mosaic Canyon, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Nós percorremos todo o canyon, passando por um incrível cenário de Indiana Jones, as vezes com as paredes quase se encostando, outras num espaço bem amplo. As cores são avermelhadas ou amareladas, em infinitos tons e camadas de diversas eras geológicas. O canyon termina numa parede que já foi uma antiga cachoeira. Aí se pode subir nas encostas ao lado e ter mais uma bela vista do vale que ficou lá para trás.

Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Crianças se divertem em duna nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Crianças se divertem em duna nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Voltamos para a Fiona atravessando o canyon novamente, dessa vez com mais luz do sol, o que muda completamente as cores. Descemos de carro para as Mesquite Dunes e fomos caminhar por elas novamente, dessa vez com a luz do sol. O cenário de deserto africano só era quebrado pela presença dos outros turistas, a maioria deles crianças e adolescentes.

Caminhando nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Caminhando nas Mesquite Dunes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Dessa vez, fomos até a mais alta das dunas. E carregamos duas cervejas geladinhas para tomar lá encima, para surpresa dos outros presentes. Novamente, o cenário africano em pleno coração da América é bem “inusitado”. Nossas últimas dunas tinham sido no Peru e já estávamos com saudades! Por isso lá ficamos por mais de uma hora, caminhando pelas crestas, correndo pelas ladeiras e, enfim, aproveitando o visual.

A Fiona bate seu recorde de altitude negativa na Badwater Basin, ponto mais baixo das américas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

A Fiona bate seu recorde de altitude negativa na Badwater Basin, ponto mais baixo das américas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Enfim, era hora de seguirmos em frente. Em frente e para baixo! Já estávamos ao nível do mar e, seguindo para o sul do vale, começamos a dirigir em altitudes negativas. Experiência nova para a Fiona e para a Ana!

Badwater Basin, a - 86 m de altitude, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Badwater Basin, a - 86 m de altitude, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


E assim fomos seguindo, passando por Furnace Creek, onde vamos dormir hoje, passando por mais encostas e canyons coloridos até chegar em Badwater Basin, o ponto mais baixo das Américas. O nome vem de quando chegaram aqui os primeiros exploradores europeus, montados em seus cavalos sedentos. Ao ver a água que se acumula lá embaixo, os cavalos se animaram! Apenas para descobrir que ela é muito salgada e imprestável para o consumo.

Ponto mais baixo das américas, a Badwater Basin, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Ponto mais baixo das américas, a Badwater Basin, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Junto com os outros turistas, lá fomos nós caminhar sobre o porão do continente. Lá encima, na encosta ao nosso lado, 85 metros sobre nossas cabeças, um letreiro marca a altura do oceano. Imaginar uma lâmina de água de quase 100 metros sobre nossas cabeças é meio claustrofóbico...

Muito sal na Badwater Basin, a - 86 m de altitude,  no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Muito sal na Badwater Basin, a - 86 m de altitude, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Lá embaixo, o piso é todo de sal, o resíduo deixado para trás por um antigo lago alimentado por rios que traziam esse mineral das rochas das encostas. A água evaporou e o sal ficou por ali. Durante a última era glacial, há uns 12 mil anos, as geleiras chegavam até aqui e o fluxo constante de água que nascia sobre os enormes blocos de gelo alimentavam um gigantesco lago que preenchia todo o vale. As encostas das montanhas deveriam sustentar uma rica vegetação que não tinha problemas em encontrar água. Tempos idos e passados que hoje só podem ser imaginados. Assim como os tempos futuros, quando o oceano efetivamente chegar até aqui, criando praias e um novo ecossistema. Mas hoje, que é o que podemos realmente ver, lá está uma enorme planície de sal, uma paisagem pitoresca que pode nos parecer eterna, mas que em tempos geológicos, sobrevive apenas por um piscar de olhos.

A 'Natural Bridge', ou Ponte Natural, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

A "Natural Bridge", ou Ponte Natural, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Caminhando pelo sal e ouvindo todas as línguas possíveis (muitos franceses e japoneses por aqui!), comentei com a Ana que só faltava o português. Pois não é que, 15 minutos mais tarde, alguém se aproximou de nós e pediu em alto e bom português que tirássemos uma foto para ele! ?! E olha que o cara não era brasileiro não, mas um legítimo americano. Morou muitos anos em Curitiba há algumas décadas e fala a nossa língua sem sotaque! Tiramos a foto para ele e aproveitamos para tirar uma nossa também!

Com cuidado e esforço, é possível escalar a Natural Bridge, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Com cuidado e esforço, é possível escalar a Natural Bridge, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Já no fim de tarde, voltando da Badwater Basin, ainda fomos visitar um outro canyon, dessa vez na encosta oriental do vale. A grande atração é uma enorme ponte natural, fruto de milhares de anos da água cavando um túnel através de uma parede. Um incrível monumento natural para admirado, fotografado e até escalado, com o devido cuidado. O terreno é bem instável e escorregadio, mas a vontade de uma boa foto supera o medo de uma escorregada perigosa.

Magnífica vista da Badwater Basin, ponto mais baixo do continente, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Magnífica vista da Badwater Basin, ponto mais baixo do continente, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Da mesma maneira que tivemos uma bela visão das dunas lá do Mosaic Canyon, aqui pudemos admirar foi a planície branca de sal da Badwater Basin lá embaixo. O cenário tem uma grandiosidade de tirar a respiração. A luz do fim de tarde ainda consegue fazer tudo mais bonito. Que privilégio estar ali, àquela hora!

O luz do fim de tarde faz as cores do deserto ficarem ainda mais marcantes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

O luz do fim de tarde faz as cores do deserto ficarem ainda mais marcantes, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Ainda tivemos tempo para uma última atração, no nosso caminho de volta para Furnace Creek. Passamos por uma região da encosta conhecida como “Paleta do Artista”. O nome vem da quantidade de cores que se encontra nas encostas, minerais oriundos de antigas formações vulcânicas. Além dos já tradicionais tons de vermelho e amarelo, aqui também se encontra o verde! Parece até que foi pintado! E foi, pela natureza, que resolveu caprichar no seu trabalho, aqui no Death Valley. A gente simplesmente não se cansa de nos impressionar!

Este barranco é completamente verde, na Paleta dos Artistas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Este barranco é completamente verde, na Paleta dos Artistas, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Chegamos já no escuro no acampamento e seguimos diretamente para o caro hotel, onde não pagamos por um quarto, mas pela piscina e chuveiros (só 5 dólares!). Bom para relaxar do intenso dia e para nos lavar da poeira acumulada por milênios por aqui, mesclada ao nosso suor não tão antigo assim. Depois, uma comida quente já nos minutos finais do restaurante. Por fim, fomos ao local onde dormiríamos. Aí, a Ana teimou comigo e cumpriu sua promessa de armar a barraca, ao lado da Fiona. Eu ainda preferi o desconforto dos bancos do nosso carro, enquanto ela se aboletou na barraca mesmo. Vamos ver quem acorda melhor amanhã...

O sol se põe no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

O sol se põe no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

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Praias, Dunas e Sebastião

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis

Admirando a vastidão formada na maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Admirando a vastidão formada na maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Hoje, com a ajuda da maré baixa, foi o dia de darmos a longa volta em toda a ilha de Lençóis. O primeiro passo foi subir nas dunas mais altas da ilha, de onde se pode observar e admirar toda a paisagem a nossa volta. Não só a própria ilha, mas também as vizinhas, completamente tomadas pelo mangue.

Nossa pousada na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Nossa pousada na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Tão interessante como o que se pode ver a nossa volta, é o que se imagina haver embaixo de nós, enterrado sobre as dunas. É uma longa história que começa do outro lado do Atlântico, nas terras da antiga metróple, Portugal. Nos anos de 1560, assume um jovem rei, ainda menino, de nome Sebastião. Dez anos mais tarde, o rei se envolve numa guerra no Marrocos. Numa violenta batalha, o rei é morto, assim como outros dignatários portugueses. Apesar de seus corpos teres sido recuperados e devolvidos, surge a lenda de que o jovem rei não teria morrido.

Explorando as dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Explorando as dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


AS dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

AS dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Sebastião morre sem deixar descendentes. Após alguns anos, é o monarca da Espanha que alega ser o legítimo sucessor. Portugal é incorporado à Espanha. Portugal e suas colônias. Pois é, o Brasil já foi espanhol, por quase seis décadas, coisa que pouca gente se lembra... É desse período a época das invasões holandesas, já que esses eram inimigos mortais dos espanhóis. Em Portugal, surge um movimento chamado de "sebastianismo". Tinha um cunho quase messiânico e acreditava piamente que o rei Sebastião reapareceria, são e salvo, e libertaria o país do domínio espanhol. Décadas foram se passando, e a crença só aumentava. Portugal se separou novamente da Espanha, e a crença só aumentava. Sebastião já teria mais de cem anos, e a crença só aumentava. Ganhou ares de "salvador da pátria". A qualquer momento, a qualquer problema, mesmo séculos depois, seria o tal Sebastião que reapareceria e resolveria tudo.

Casa que abriga o Memorial do rei Sebastião na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Casa que abriga o Memorial do rei Sebastião na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


E o que isso tem a ver com a Ilha de Lençóis? Boa pergunta! Acontece que esse culto cruzou os mares e chegou à colônia. E, por algum mistério, diz a lenda que o Sebastião veio parar aqui, onde construiu uma grande cidade. Ela foi soterrada pelas dunas, que sempre se movimentam. mas o rei continua vivo, lá embaixo. Lenda criada e repassada de geração em geração há séculos. Diz que, nas noites de lua cheia, o rei reaparece, sob forma de um grande touro azulado, e corre sobre as dunas. Pescadores mais antigos juram ter visto uma estranha luz azulada correndo pelas dunas, para lá e para cá. Seria o rei, ou o touro Sebastião. O fato é que essa bela lenda tem durado gerações, passada de avós para netos. Mas a concorrência da televisão e suas novelas enfraqueceu essa corrente de transmissão, infelizmente. E, para contrabalançar isso e tentar manter viva a tradição e as lendas, foi criado um memorial destinado a ensinar as novas gerações e os turistas que chegam na ilha. Há uma biblioteca e até uma devedeteca com depoimentos dos habitantes mais antigos sobre essas antigas histórias. A gente espera que o rei Sebastião, derrotado pelos árabes, não seja agora derrotado pelas novelas...

Cruzando a enorme praia de maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Cruzando a enorme praia de maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Pois bem, a gente passeou bastante pelas dunas que cobrem a cidade de Sebastião e seguimos para as praias quase infinitas que se formam na maré baixa. Cruzamos lagoas e enormes extensões de areia. A ilha deve duplicar de tamanho nessa hora, imaginamos. Caminhamos quilômetros e quilômetros, mas o mais difícil foi exatamente as últimas centenas de metros. Isso porque, para completar a volta e chegarmos novamente à vila, tivemos de cruzar dois trechos de barro e lama daqueles que a Ana absolutamente odeia. E, dessa vez, estava fogo mesmo, afundando até a cintura.

Observando o mar distante na maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Observando o mar distante na maré seca na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


A dificuldade é muito mais psicológica do que física. Mas, como não tem remédio, ela tem mesmo é de enfrentar seus fantasmas. Alguns metros e muitas reclamações depois, chegamos ao comércio do Seu Mário. Lá, celebramos a travessia com uma cerveja gelada. Merecida! Brindamos o rei Sebastião, em primeiro lugar. Em seguida, a beleza da ilha. O barro e a lama, melhor esquecer...

Caminhando na praia na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Caminhando na praia na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

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Santa Teresa e a Escadaria Selarón

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

O bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

O bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Um dos programas mais encantadores do Rio de Janeiro é passear pelo bairro de Santa Teresa. Localizado no morro de mesmo nome, ele propicia vistas lindas da orla carioca, é um centro de culinária, bares charmosos e ateliês de artistas, e suas ruas carregam mais de 200 anos de história.

Mapa do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a se formar fora da região central da cidade

Mapa do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, um dos primeiros a se formar fora da região central da cidade


Tudo começou em meados do séc. XVIII, quando foi instalado no então Morro do Desterro o convento de Santa Teresa. Ainda era uma área fora da cidade, em meio à mata nativa e muitas fontes de água. Aliás, é mais ou menos da mesma época a construção do Aqueduto da Carioca, os famosos Arcos da Lapa, que traziam água do rio da Carioca para abastecer várias fontes na cidade do Rio de Janeiro. Esses arcos ligam exatamente o Morro de Santa Tereza ao Morro de Santo Antônio.

Rua e casaróes de de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Rua e casaróes de de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


No início do século XIX, o morro começou a ser ocupado pela então classe alta da cidade, que aí construía suas casas e mansões inspirados na arquitetura francesa da época. O bairro foi uma das primeiras expansões da cidade para fora do núcleo inicial do povoamento. Meio século mais tarde a ocupação se acelerou. Eram as pessoas que fugiam da epidemia de febre amarela que assolava os bairros mais baixos da cidade.

Almoço no restaurante Aprazível, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Almoço no restaurante Aprazível, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Restaurante Aprazivel, um dos muitos de Santa Tereza e famoso pela vista do Rio de Janeiro

Restaurante Aprazivel, um dos muitos de Santa Tereza e famoso pela vista do Rio de Janeiro


Em 1872 foi inaugurado o serviço de bondes que se tornou a marca registrada do bairro. Nos primeiros anos, eles eram puxados por burros, mas em 1896 começou a funcionar ligado a rede elétrica, unindo o centro até a parte alta do bairro. As linhas de bonde logo se espalharam pela cidade, mas com a chegada dos ônibus, começaram a ser substituídas. Ao final, só sobrou a linha pioneira, que acabou virando uma das atrações turísticas de Santa Teresa e da própria cidade do Rio de Janeiro, fazendo a alegria de turistas do mundo inteiro.

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


Com o tempo, Santa Teresa perdeu seu status de bairro nobre assim como os demais bairros históricos da zona sul, mas tornou-se, ao longo dos anos, um bairro de interesse cultural e turístico. Foi como nós fomos conhecê-lo quando passamos por aqui em Setembro de 2010, ainda no primeiro ano dos 1000dias. Comer bem, beber cerveja gelada, socializar com amigos e, claro, fotografar os bondes elétricos, como pode ser visto nesse post daquela época.

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade

O Rio de Janeiro visto do bairro Santa Tereza, um dos mais tradicionais da cidade


Ladeira do Meirelles, uma das princiapis vias de Santa tereza, no Rio de Janeiro

Ladeira do Meirelles, uma das princiapis vias de Santa tereza, no Rio de Janeiro


Agora, na companhia dos amigos espanhóis Álvaro e Valentín, resolvemos voltar para mais um passeio pelo bairro. Combinamos de nos encontrar em um dos mais famosos restaurantes do bairro, o Aprazível, que além da boa comida, tem uma vista linda da cidade. Depois de alimentados, aí sim fomos caminhar pelas ruas centenárias.

Obras de revitalização do bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Obras de revitalização do bondinho de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Arte nas ruas de Santa tereza, no Rio de Janeiro

Arte nas ruas de Santa tereza, no Rio de Janeiro


Logo, a primeira surpresa, o que mostra como as coisas estão sempre mudando. O famoso bondinho não está mais funcionando! Um terrível acidente, quase um ano após termos passado por aqui, matou várias pessoas no bonde e o serviço foi descontinuado. Na verdade, a ideia era (e é!) reformar o circuito, para torná-lo mais seguro. Vimos várias obras ao longo dos trilhos, mas a promessa de trazer o bondinho de volta até meados de 2014 não se concretizou. Por enquanto, as imagens charmosas desse meio de transporte da época dos nossos avós só vai ficar na memória e nas fotos antigas.

Muito movimento nos bares de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Muito movimento nos bares de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Sem bonde, o negócio é caminhar mesmo. O que não falta são lugares para reabastecer nosso combustível. No caso, uma boa cerveja gelada e gente descolada, gringos e locais, jogando conversa fora nas ruas. Assim, seguimos, de bar em bar, até uma das saídas do bairro, talvez a mais famosa delas nos dias de hoje, uma escadaria toda colorida que nos leva diretamente até o largo onde estão os Arcos da Lapa.

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Arte na Escadaria do Selaron, ponto turístico de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Esse cartão postal cada vez mais famoso da cidade foi inspiração e obra de um artista plástico chileno que viveu muito tempo por aqui. Da outra vez que estivemos em Santa Teresa, não tivemos tempo para conhecer essa escadaria, mas ela não nos escaparia uma segunda vez. Infelizmente, a obra está aqui, mas não mais o criador dela. Há pouco mais de um ano, o emblemático Jorge Selarón foi encontrado morto nos degraus que o celebrizaram. A polícia apontou suicídio, mas as estranhas condições de sua morte também apontam a possibilidade de assassinato.

Nosso amigo Alvaro em visita ao bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Nosso amigo Alvaro em visita ao bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


O chileno nasceu em 1947 e, aos 17 anos, iniciou suas viagens pelo mundo. Visitou mais de 50 países, mas foi no Rio que decidiu se fixar, ainda na década de 80. Sobrevivia vendendo seus quadros nos restaurantes da cidade e morava próximo a uma antiga e deteriorada escadaria que ligava o bairro de Santa Teresa aos Arcos da Lapa. A partir de 1994, depois de se inspirar na decoração feita por habitantes locais por ocasião da Copa do Mundo, começou a azulejar cada degrau da enorme escadaria. Trabalhando solitariamente e apenas com o rendimento da venda de seus quadros, conseguiu terminar o último dos 215 degraus um pouco antes do ano 2000, que era a meta que havia se proposto.

Homenagem ao chileno Selaron, autor da escadaria que leva o seu nome no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro

Homenagem ao chileno Selaron, autor da escadaria que leva o seu nome no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro


No início acusado de louco por seus vizinhos, foi aos poucos ganhando a simpatia de todos. Ainda mais quando a escadaria começou a atrair turistas e fama para o local. Selarón continuou sua obra então, agora adornando as laterais da escadaria com obras de arte e azulejos com sua cor preferida: o vermelho Ferrari. Seus fãs do mundo inteiro passaram a colaborar, enviando de 60 países mais de 2 mil azulejos diferentes. Em Maio de 2005 toda a obra foi tombada pela prefeitura do Rio e Selarón ganhou o título de cidadão honorário da cidade.

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro

A famosa escadaria do Selaron, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro


Se pudesse voltar no tempo, eu teria vindo aqui naquela nossa passagem pelo bairro em 2010. Poderia ter encontrado essa peça rara e ter tido uma boa conversa com ele. mas perdemos a chance… essa história, como já disse, tem final triste. Selarón teve desentendimentos com um de seus colaboradores e alegava que estava sendo ameaçado de morte. Isso e não se sabe o que mais o levaram á depressão no final de 2012. Na madrugada do dia 10 de janeiro, após se ouvirem gritos de socorro, o artista plástico foi encontrado queimado na escadaria que revitalizou e imortalizou, confirmando sua própria pedição de que morreria quando sua obra terminasse. Ele se foi, mas a escadaria continua ali, a nos encher os olhos…

Saindo de Santa Tereza e chegando aos famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro

Saindo de Santa Tereza e chegando aos famosos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro


Foi por ela que descemos para, já de noite, dar de cara com outra das maravilhas cariocas, os Arcos da Lapa. Os mesmos da antiga gravura de 1790 que coloquei nesse post e que mostra também o convento de Santa Teresa. A cidade cresce, muda, se adorna, eles continuam em pé, nos ligando ao passado. Que delícia de passeio! Amanhã, temos mais escadas e morros pela frente. Um “pouco” mais altos, eu diria… vamos à Pedra da Gávea de onde, dizem, se tem as melhores vistas da cidade. A conferir…

Pintura de Leandro Joaquim, de cerca de 1790, já mostra os Arcos da Lapa. Ao fundo, o Mosteiro de Santa Teresa, que daria origem ao bairro de mesmo nome. O lago foi aterrado posteriormente e hoje é o Largo da carioca

Pintura de Leandro Joaquim, de cerca de 1790, já mostra os Arcos da Lapa. Ao fundo, o Mosteiro de Santa Teresa, que daria origem ao bairro de mesmo nome. O lago foi aterrado posteriormente e hoje é o Largo da carioca

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