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SHUFFLE Há 1 ano: Costa Rica Há 2 anos: Costa Rica

Nossos Companheiros de Expedição

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Ao todo, somos pouco mais de 70 “hóspedes” no Sea Spirit, um grupo pequeno de viajantes compartilhando um mesmo sonho: conhecer o sétimo continente. Além do sonho, compartilhamos outras coisa também, pelo menos pelas próximas 3 semanas: a mesma casa, o mesmo espaço, o mesmo navio. Almoçamos e jantamos juntos todos os dias, participamos das mesmas palestras, dividiremos os mesmos zodiacs nos pontos de descida do barco. Um grupo de pessoas de diversas partes do mundo e diferentes idades, cultura e gostos distintos, mas irremediavelmente unidos aqui, no meio do oceano, a milhares de quilômetros da próxima cidade.

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

O holandês Sail fotografa pássaros um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Começamos a nos conhecer ainda em Buenos Aires, na noite do tango e no city tour pela cidade. Mas foi rápido e superficial, muitas outras coisas para nos distrair a atenção, as pessoas mais se estudando do que falando, geralmente ainda se mantendo entre os conhecidos. Isso porque boa parte dos viajantes veio em casais, em família ou em grupos de amigos e apenas uma minoria de forma solitária.

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

O brasileiro Gunnar relaxa com um drinque no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Aqui no navio isso começa a mudar. A convivência é intensa e diária, 16 horas por dia, tirando apenas a noite de sono. Os guias, que já sabem lidar com isso, pois viajam várias vezes por temporada há vários anos, tratam de ajudar a quebrar o gelo. Organizam eventos sociais, como coquetéis e festas. Puxam assunto, perguntam, interagem. Os mais sociais entre nós logo entram no jogo. Rapidamente, já fazem amigos. Os mais tímidos acabam indo na onda. Num espaço tão pequeno, o melhor logo é conhecer as pessoas.

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Val, nossa guia de caiaques, e a escocesa Rowan se confraternizam no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)

A simpática Rukimini, representante da Índia na nossa viagem, fotografa o fim de tarde no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Jeff Orlowski)


A grande maioria dos viajantes é mais velha, entre 50 e 65 anos. O próprio preço de uma viagem como essa serve como filtro. Tem de ser gente já “estabelecida” na vida. Mas o nosso barco veio vazio, talvez por ter sido o primeiro da temporada e também, o primeiro a sair de Buenos Aires. O normal para esse tipo de expedição é zarpar de Ushuaia. A Quark resolveu fazer essa experiência esse ano e não sei se ficaram muito felizes com o resultado...

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)

A Cheli, líder da expedição, apresenta o capitão do nosso barco durante evento no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Vladimir Selivestov)


Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Durante coquetel, conhecendo o 1o e o 2o capitão do navio, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Enfim, nós ficamos. De qualquer maneira, pelo pequeno número de passageiros, a empresa baixou os preços pela metade poucas semanas antes do início da viagem. Com isso, mais gente apareceu. Agora sim, um pessoal mais jovem. Ao todo, uns vinte de nós. Digo “nós”, mas na verdade, com meus 44 recém feitos, estou a meio caminho dessas duas gerações que se encontram aqui no Sea Spirit. Além disso, eu e a Ana já tínhamos garantido nossos lugares antes que o desconto fosse oferecido. Isso por causa do caiaque, que queríamos fazer de qualquer maneira. Vou falar disso no próximo post.

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Fazendo amizades no navio. Essa é a sul-africana Kim, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)

Conversando com o Gunnar, o outro brasileiro que participa da expedição. (no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas)


Bem, rapidamente, esses jovens trataram de se enturmar. Não só os jovens, mas também alguns representantes da 3ª idade que são muito mais sociais e animados do que eu, que sempre joguei no time dos tímidos. Para compensar isso, a minha amada esposa joga no time dos super sociais. Então, basta eu grudar nela que me arranjo também. Assim tem sido nesses 1000dias por toda a América e não seria diferente por aqui.

Nossos guias preparados para uma 'Festa da Fantasia' no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

Nossos guias preparados para uma "Festa da Fantasia" no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Nossos guias demonstram que também tem outras habilidades, durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


As refeições no navio são sempre uma boa oportunidade de conhecer os outros viajantes. Os guias tem como norma tentar variar de mesas todos os dias, de novo com o intuito de ajudar nessa interação. Mas nós, passageiros, sentamos onde quisermos (desde que haja espaço, claro!). São diversos tamanhos de mesa no restaurante e podemos ficar a sós, num grupo pequeno de 4-5 pessoas ou num grupo maior, de até 8 pessoas. De refeição em refeição, vamos conhecendo mais gente e um padrão vai se estabelecendo: todo mundo aqui é muito viajado. Até por isso é que estão aqui. Depois de tantos lugares, falta a Antártida!

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Todo mundo se divertindo na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Animação na primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Como já falei em outro post, americanos, britânicos e australianos são as nacionalidades mais comuns. Fatores variados explicam isso. A própria empresa “fala” inglês, o que atrai os anglófilos e afasta os francófonos, por exemplo. O preço da viagem também acaba filtrando, atraindo mais gente de países desenvolvidos. E o fato do nosso percurso passar pelas Malvinas, ou melhor, Falkland nesse caso, é um grande atrativo para os britânicos.

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Confraternizando durante nossa primeira festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Ana, feliz da vida, na nossa primeira festa da viagem, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Mas outras nacionalidades estão representadas também. Holandeses, como nosso amigo Sail, que veio sozinho e se encaixa naquela categoria de 3ª idade bastante animada, finlandeses, japoneses, um simpático casal indiano, uma falante sul-africana e um único representante da América Latina além de nós, o Gunnar, brasileiro também. Muito simpático, descendente de suecos e viajante inveterado, já esteve no dobro de países que eu estive (e eu conheço quase 100!) e só na Antártida já esteve mais de 10 vezes. Com tanta bagagem, não vai faltar assunto pelas próximas 3 semanas, seja com ele, seja com tantos outros viajantes profissionais a bordo!

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)

A Ana durante a primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Marla Barker)


Além das refeições a equipe da Quark trata de nos animar com eventos sociais. Na nossa segunda noite a bordo, houve um coquetel de boas-vindas, chance de conhecermos o nosso capitão ucraniano, o Oleg. Muito simpático, ele e a Cheli, a líder da nossa expedição, já se conhecem de outras viagens e fizeram várias piadas e gozações entre si, ajudando a descontrair o ambiente. Foi joia e também a nossa chance de fazer aquela clássica foto com o capitão do navio.

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Noite de festa no Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Kim, Greg e Anna durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Já na terceira noite no navio, fomos surpreendidos com uma grande festa da fantasia. Todos os nossos guias vestiam suas perucas e óculos ridículos que haviam trazido para esse fim e foi engraçado vê-los assim, depois da sobriedade das palestras pela manhã. Muita música, muita dança, muitas fotos, muita cerveja e outras bebidas, logo todo mundo estava no clima. Não só no clima, mas também nas fantasias, as perucas circulando a ajudando a animar e descontrair as pessoas.

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Rowan e o Dave durante festa no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Com a Anna e o Greg, casal americano, durante uma Festa da Fantasia no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Esses três dias no navio, incluindo os dois eventos sociais, já nos ajudaram a ver quem é quem. Grupos mais animados começam a se formar, aqueles que sempre vão se encontrar depois do jantar para dar uma esticada no bar. Entre eles, claro, minha querida esposa, a sul-africana Kim, a escocesa Rowan, os americanos Brian e Sara, o holandês Sail, entre outros. De modo geral, é uma turma ótima e a convivência com tanta gente interessante assim deve tornar essa viagem ainda mais especial, tenho certeza!

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

No sentido horário, a Kim (sul-africana), Rowan (escocesa), Sara (americana) e a Ana (brasileira) na nossa primeira festa a bordo do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Falkland, Atlântico Sul Falkland, Sea Spirit

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Chegando ao Pacífico!

Chile, Iquique

Finalmente, chegando ao Oceano Pacífico (em Iquique, no norte do Chile)

Finalmente, chegando ao Oceano Pacífico (em Iquique, no norte do Chile)


De volta ao Chile e às lindas paisagens montanhosas, desérticas e nevadas. Novamente acima dos 4 mil metros, altitude que nós três já tiramos de letra, fomos seguindo em direção ao oeste, rumo à cidade de Iquique e ao Oceano Pacífico. A estrada vai descendo lenta e continuamente, sempre acima de uma crista de montanha. Dos dois lados, profundos vales, ou "cuestas", como chamam por aqui. Quase não há verde na paisagem, apenas o marrom amarelado do solo desértico. De tempos em tempos, lá embaixo das cuestas, um oásis chama a atenção. O verde fica ainda mais bonito quando está no meio de um deserto!

Um pequeno oásis verde no meio do deserto, a caminho de Iquique - Chile

Um pequeno oásis verde no meio do deserto, a caminho de Iquique - Chile


O mapa do nosso caminho da fronteira boliviana até Iquique - Chile

O mapa do nosso caminho da fronteira boliviana até Iquique - Chile


Finalmente a nossa crista de montanha também chega ao nível do deserto, a parte norte do famoso Atacama. Ali estamos a pouco mais de mil metros de altitude. Estamos quase chegando na Ruta Panamericana, que no Chile é conhecida como Ruta 5. Mas, um pouco antes de chegar, fazemos um pequena parada. Estamos ao lado do maior geoglifo de aparência humana do mundo, o "Gigante do Atacama", ou "Gigante de TaraPaca". Uma figura com mais de 80 metros de comprimento desenhada numa pequena colina no meio do deserto. Além dessa enorme figura, há várias outras, linhas e formas geométricas. Mas é o gigante que mais impressiona. A técnica de "desenho" é retirar as pedras do deserto, deixar aquelas linhas apenas com areia. Isso faz com que aquela área fique bem diferente das áreas vizinhas, cheias de pedra. Visto bem de perto, quase não se percebe a diferença, mas de longe o efeito é bem claro. Muito legal! Técnica similar às linhas de Nazca, que pretendemos visitar em alguns dias, um pouco mais ao norte, no Peru. Por aqui, estima-se que a gigantesca figura tenha sido algum shamã poderoso e as figuras teriam significação religiosa.

Placa informativa sobre o Gigante do Atacama, região de Iquique

Placa informativa sobre o Gigante do Atacama, região de Iquique


O famoso Gigante do Atacama, desenho com mais de 80 metros no deserto do Atacama, região de Iquique - Chile

O famoso Gigante do Atacama, desenho com mais de 80 metros no deserto do Atacama, região de Iquique - Chile


Batemos nossas fotos, fizemos nossas próprias especulações e seguimos em frente. Finalmente chegamos à estrada que vai nos levar até o Alaska! Só que seguimos em direção contrária, para o sul. Aí, bem na "esquina" com a outra estrada que nos levaria até o mar, para Iquique, fizemos nova parada. Foi na cidade fantasma de Humberstone, patrimônio histórico mundial da Unesco. Uma verdadeira cidade do faroeste em pleno deserto do Atacama!

O antigo mercado e sua torre do relógio, em Humberstone, próximo à Iquique - Chile

O antigo mercado e sua torre do relógio, em Humberstone, próximo à Iquique - Chile


Na verdade não é bem isso, mas bem que parece! Humberstone foi uma rica e movimentada cidade mineira, da época de ouro da exploração do Salitre. Essa exloração enriqueceu muita gente, teve sua fase áurea no início do séc XX e foi o principal motivo da sangrenta Guerra do Pacífico, de que falo no próximo post. Humberstone era uma "oficina salitreira" que, para funcionar, formou uma cidade ao seu redor, tudo parte da grande companhia de capital britânico. Funcionou de 1870 ao início da década de 60 e chegou a ter 3 mil habitantes. Depois, literalmente fechou as portas e a cidade. E lá ficaram centenas de casas, teatro, escolas, igreja, praça, planta industrial, hotel e até uma piscina pública feita com o casco de um navio naufragado.

A piscina pública de Humberstone, feita com casco de navio naufragado (próximo à Iquique - Chile)

A piscina pública de Humberstone, feita com casco de navio naufragado (próximo à Iquique - Chile)


Caminhar por suas ruas desertas, entrar em suas casas abandonadas e ouvir o barulho do vento batendo nas antigas portas e janelas é uma experiência e tanto! Imaginar tudo aquilo cheio de gente, o teatro que trazia artistas de renome internacional, as salas de aulas ainda cheia de mesas, observar os balanços onde brincaram crianças durante décadas faz de Humberstone uma das maiores atrações do norte do Chile. A mineração do salitre pode ter entrado em decadência, substituída por outros produtos mais baratos, mas o seu legado histórico e arquitetônico, perfeitamente corporificados em Humberstone são um tesouro de valor inestimável que nos faz pensar e refletir sobre como tudo que nos parece eterno é, na verdade, apenas uma pequena piscada no tempo, algo temporário e fugaz, uma mera curiosidade histórica para habitantes do futuro.

O grande teatro de Humberstone, próximo à Iquique - Chile

O grande teatro de Humberstone, próximo à Iquique - Chile


Antiga sala de aulas em Humberstone, próximo à Iquique - Chile

Antiga sala de aulas em Humberstone, próximo à Iquique - Chile


Bom, era hora de seguir viagem e chegar finalmente ao Oceano Pacífico. Bastou nos aproximarmos da costa e o tempo mudou. Como é normal nessa época do ano em quase toda a costa do norte do Chile ao Peru, um intenso nevoeiro tomou conta do céu. Chegamos à Iquique sob pesadas nuvens, um ar acizentado que tornava esse oceano ainda mais misterioso para nós, brasileiros, acostumados com o Atlântico. A chegada na cidade impressiona. Do alto de uma enorme encosta com mais de 600 metros de altura vemos a cidade lá embaixo, espremida entre o mar e a montanha. E ainda tem uma duna gigantesca, com uns 300 metros de altura, empurrando a cidade ainda mais contra o mar. Do alto dessa encosta se atiram pessoas, devidamete aparatadas com um parapente. Iquique é um dos melhores lugares do mundo para a prática desse esporte, mesmo em dias nublados como hoje!

Primeira visão do Oceano Pacífico, em Iquique, no norte do Chile

Primeira visão do Oceano Pacífico, em Iquique, no norte do Chile


A gente desceu em direção à cidade e encontramos um hotel a duas quadras do mar, no bairro de Playa Brava, bem perto de onde rola a vida noturna de Iquique, a poucos quilômetros do centro histórico. Devidamente instalados, enfrentamos o frio e o vento e fomos ver o Pacífico mais de perto, esse marzão que, de alguma maneira, nos parece maior e mais "profundo" que o Atlântico. A praia estava vazia mas o fim de tarde estava lindo, alguns raios de sol conseguindo cruzar as nuvens. Botar o pé na água fria foi emocionante! Finalmente chegamos ao mar que vai nos acompanhar durante tanto tempo, daqui para frente. Agora, é torcer para o sol aparecer a nos animar a dar um mergulho nas águas frias e limpas do Oceano Pacífico!

Finalmente, chegando ao Oceano Pacífico (em Iquique, no norte do Chile)

Finalmente, chegando ao Oceano Pacífico (em Iquique, no norte do Chile)

Chile, Iquique, Atacama, gigante, Humberstone, tarapaca

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De Volta ao Exterior, Hidrografia e Multas

Argentina, San Ignacio Mini, Corrientes

Chegando à fronteira entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul

Chegando à fronteira entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul


Ontem, voltamos ao exterior novamente, dessa vez para conhecer a parte do continente que nos falta: toda a parte sul da América, incluindo Argentina, Chile, Uruguai, as ilhas no Pacífico e Atlântico Sul e até um pulinho na Antártida. Serão cerca de 5 meses viajando por essa vasta região, muitas idas e vindas entre Chile e Argentina na região andina, certamente uma das mais belas do continente e do planeta.


Nosso caminho cruzando a Argentina rumo a Santiago, passando pelo Paso de San Francisco, entre Fiambala e Copiapo. Na rota, as cidades de Corrientes, Resistencia, Santiago del Estero, La Serena e Valparaiso, além dos rios Uruguai, Paraguai e Paraná

Bem, toda grande viagem começa com um primeiro passo e o nosso foi cruzar o rio Uruguai, que separa o Rio Grande do Sul da província de Missiones, na Argentina. Fizemos essa passagem em Porto Xavier, para desespero do Google Maps, que não sabe que isso é possível. Possível é, mas deu um certo trabalho. Não são muitas balsas, principalmente nos finais de semana (ontem foi sábado)e para quem não sabe os horários, pode ter de esperar um pouco. Foi o nosso caso: chegamos as 12:15 e tivemos de esperar até as 16 horas. Enfim, a espera foi num simpático restaurante que tinha até wifi.

Cruzando o rio Uruguai, entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul

Cruzando o rio Uruguai, entre Brasil e Argentina, em Porto Xavier, no Rio Grande do Sul


A nossa deliciosa passagem pela região de Missiones ainda no dia de ontem e manhã de hoje está descrita no post anterior (link aqui), e depois do almoço iniciamos nosso longo caminho até Santiago, no Chile, onde temos de chegar até o dia 9 de Outubro. Isso porque no dia 10, véspera do meu aniversário, já estamos com voo marcado para a Ilha de Pascoa, em pleno Oceano Pacífico. Vai ser mesmo um aniversário especial, hehehe! Enfim, temos pouco mais de 10 dias para cruzar a Argentina e chegar até a capital chilena, um percurso com cerca de 2.900 km. O mapa nesse post mostra qual será a nossa rota. Seguiremos quase que uma linha reta até Fiambalá e daí cruzaremos os Andes pelo Paso de San Francisco, uma das mais belas estradas sobre essas montanhas. Para quem não se lembra, já tentamos passar por aí, há pouco mais de dois anos, quando estávamos explorando a região de Salta e nos dirigíamos ao Atacama, já do outro lado da cordilheira. Naquela época, o Paso San Francisco estava fechado por causa da neve e nós demos com os burros n’água. Dessa vez, vai ser diferente!

O rio 'brasileiro' Paraná, em Corrientes, na Argentina

O rio "brasileiro" Paraná, em Corrientes, na Argentina


Bom, depois das últimas visitas às missões jesuíticas, pegamos estrada e seguimos a Corrientes, mostrada no mapa. A estrada segue paralela quase o tempo todo ao rio Paraná, que nesse trecho faz a fronteira entre a Argentina e o Paraguai. Para o sul, passamos ao largo de uma das grandes atrações turísticas do país, os “Esteros del Iberá”, uma espécie de versão hermana do nosso Pantanal. As fotos de lá são lindas, mas como passamos recentemente pelo original, assim como pelos Llanos na Venezuela, e com o tempo corrido que temos para chegar a Santiago, acabamos deixando para a próxima vez. É sempre bom ter motivo para voltar!

Mapa da bacia do Rio da Prata, mostrando os rios Paraná, Paraguai e Uruguai ao longo das fronteiras de Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai

Mapa da bacia do Rio da Prata, mostrando os rios Paraná, Paraguai e Uruguai ao longo das fronteiras de Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai


Mas, voltando ao rio Paraná, confesso ser estranho ver esse rio que considero tão brasileiro, aqui no meio dos nossos países vizinhos. Aliás, nesses poucos dias, estamos passando por vários rios importantes, não só para o Brasil, mas para todos os países do Mercosul. Além do Paraná e do Uruguai, ainda tem o Paraguai, que se junta ao Paraná um pouco antes da cidade de Corrientes. São as águas desses três rios que formam o Rio da Prata, um dos mais volumosos do continente, que banha Buenos Aires e Montevideo e tem uma boca com mais de 200 km de largura.


A imensa foz do Rio da Prata. Pode-se ver claramente a cidade de Buenos Aires, ao sul do rio, além do rio Uruguai, que delineia a fronteira desse país, e o rio Paraná, que traz as águas de Minas, São Paulo, Paraná e até do Pantanal (através do rio Paraguai)

O mapa nesse post dá uma boa ideia de toda essa rede hidrográfica. O rio Paraguai escoa toda a água do nosso Pantanal (nós o vimos lá em Cáceres e também em Corumbá), cruza o país que lhe dá nome passando pela capital Assunción e vem desembocar aqui no rio Paraná. Já esse, vem recolhendo água desde o rio Grande em Minas Gerais, Tietê, em São Paulo e Iguaçu, do Paraná. Aí, abandona nosso país para se tornar argentino, recolhe as águas do rio Paraguai e segue para o sul para, junto com o rio Uruguai, formar o enorme Rio da Prata. Por fim, o rio Uruguai, que nasce entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, desenha a fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina e depois, do país que lhe dá nome com os hermanos. O seu encontro com o rio Paraná forma o famoso delta do Tigre, região de lindos passeios de barco perto de Buenos Aires. Enfim, é água que não acaba mais e é só olhando no mapa que conseguimos entender toda essa rede.

Parque na orla do rio paraná, em Corrientes, na Argentina

Parque na orla do rio paraná, em Corrientes, na Argentina


A enorme ponte que cruza o rio Paraná, entre Corrientes e Resistencia, na Argentina

A enorme ponte que cruza o rio Paraná, entre Corrientes e Resistencia, na Argentina


Por fim, antes de nos afogarmos, chegamos a simpática Corrientes. Depois de nos instalar, fomos passear pela avenida e parques que bordeiam o rio Paraná. Parte daquela água que vemos passar ali, já falando castelhano, passou lá por Curitiba, no rio Iguaçu. De alguma maneira, nos faz sentir em casa. Mas não é só o rio que nos passa esse sentimento. O simpático povo também! Ao passarmos ao lado de um coreto, paramos para admirar um grupo de pessoas que dançava tango. Um senhor veio falar conosco e não descansou enquanto não levou a Ana para dançar com ele. Contou-nos que o grupo sempre se reúne ali ao final da tarde para praticar a dança nacional e foi muito legal ver ele dançar e ensinar alguns passos para a Ana, com o rio Paraná fazendo o pano de fundo. Não poderíamos ter tido melhor boas-vindas neste país que tanto amamos e admiramos.

Corriente; é conhecida como a 'cidade dos murais's, na Argentina

Corriente; é conhecida como a "cidade dos murais"s, na Argentina


Corriente; é conhecida como a 'cidade dos murais's, na Argentina

Corriente; é conhecida como a "cidade dos murais"s, na Argentina


Mas nem só de rio e de tango é feito Corrientes! A cidade é conhecida na Argentina pela quantidade de murais espalhados por suas ruas e praças. Um espetáculo! Por um bom tempo a gente se divertiu procurando e fotografando essas obras de arte que tanto humanizam as cidades grandes, como é o caso de Corrientes.

Corriente; é conhecida como a 'cidade dos murais's, na Argentina

Corriente; é conhecida como a "cidade dos murais"s, na Argentina


Muitos murais espalhados pelas ruas e praças de Corrientes, na Argentina

Muitos murais espalhados pelas ruas e praças de Corrientes, na Argentina


Após uma noite na cidade dos murais, era hora de pegar estrada novamente. Pela frente, a longa ponte que cruza o rio Paraná, rumo a outra grande cidade do lado de lá: Resistencia. Mas antes mesmo de chegarmos a ponte, demos de cara com um dos problemas que assolam e assustam os motoristas brasileiros aqui na Argentina: os guardas do país. Conhecida como gendarmeria, tem a fama de encontrar ou inventar motivos para nos multar e conseguir alguma propina. A má fama deve ter vindo de algum lugar, mas na nossa outra passagem pelo país, não tivemos nenhum problema. Será que iria começar agora? Geralmente, se estamos seguindo as regras, como ter o seguro de batidas, equipamentos de segurança, documentação em dia e faróis acesos, não há problema. Pois é, essa era a questão, nossos faróis estavam apagados! O problema é que tínhamos acabado de sair de uma rua lateral e entrado na avenida principal. E esta avenida, além de avenida, também é a ruta que atravessa a cidade e, portanto, obriga os motoristas a circular com os faróis acesos. Além disso, o guarda foi logo reclamando que o quebra-mato da Fiona avançava sobre o para-choque, o que é proibido no país. Pronto, todos os ingredientes para tirarem uma propina!

Muitos murais espalhados pelas ruas e praças de Corrientes, na Argentina

Muitos murais espalhados pelas ruas e praças de Corrientes, na Argentina


Mas não nos rendemos. Argumentamos que, na fronteira, haviam nos dito que não teríamos problema com o quebra-mato (um bom blefe, dito com a cara mais séria possível!). Quanto ao farol, tínhamos acabado de entrar na ruta, que naquele ponto era apenas uma avenida cruzando o centro da cidade. Para nossa grata surpresa, depois da Ana conversar com o guarda chefe da pequena blitz, eles nos liberaram, sem multa, sem propina e com a recomendação de acendermos o farol. Enfim, foram muito corretos! Viva nossos hermanos! Continuamos sem saber de onde vem a má fama que tem com os brasileiros...

Encontro com os motociclistas Pelegrini, Alexandre e Leandro, no seu caminho para Machu Picchu, na estrada a caminho de Corrientes, na Argentina

Encontro com os motociclistas Pelegrini, Alexandre e Leandro, no seu caminho para Machu Picchu, na estrada a caminho de Corrientes, na Argentina


Por falar em brazucas, encontramos os primeiros deles, ainda antes de chegar em Corrientes. três motociclistas iniciando um longo e rápido giro por Argentina, Chile e Perú. Aqui no Cone Sul, ao contrário do que ocorreu na América do Norte e Central, e mesmo nos países do norte da América do Sul, a tendência é encontrarmos muitos outros brasileiros viajando motorizados. Afinal, Patagônia, Atacama e cada vez mais, Machu Picchu, fazem parte do roteiro dos overlanders brasileiros. Ainda temos muito que aprender com os hermanos, que chegam em grande número à América Central e México e nos mostram que com duas e quatro rodas se pode (e se deve!) chegar longe. Mas isso já é um bom começo. É sempre um prazer encontrar brasileiros na estrada e chegará o dia em que os guardas de fronteira entre EUA e Canadá não ficarão surpresos de nos ver por lá. Amém!

Encontro com os motociclistas Pelegrini, Alexandre e Leandro, no seu caminho para Machu Picchu, na estrada a caminho de Corrientes, na Argentina

Encontro com os motociclistas Pelegrini, Alexandre e Leandro, no seu caminho para Machu Picchu, na estrada a caminho de Corrientes, na Argentina

Argentina, San Ignacio Mini, Corrientes, Rio Paraguai, Rio Paraná, Rio Uruguai

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Conhecendo o Centro Histórico

Brasil, Maranhão, São Luís, Alcântara

Rua com sobrados restaurados no centro histórico de São Luís - MA

Rua com sobrados restaurados no centro histórico de São Luís - MA


A chuva hoje começou com a mesma força de ontem. Mas foi minguando. Foi só o tempo de tomarmos o café e terminarmos algumas coisas no computador que ela já estava parando. Ela a janela que estávamos esperando!

Mirante da Lagoa do Jansen, em São Luís - MA

Mirante da Lagoa do Jansen, em São Luís - MA


Já com tudo empacotado na Fiona, saímos do hotel, O primeiro passeio foi na Lagoa do Jansen, uma área cheia de bares no coração da São Luís moderna. Há uma elevação bem próxima à lagoa, transformada em mirante, de onde se tem uma bela vista da própria lagoa, do mar logo ali atrás e da silhueta dos prédios, a skyline da cidade.

Guaraná Jesus, comprado pela Coca-cola, mas ainda típico do Maranhão, em São Luís - MA

Guaraná Jesus, comprado pela Coca-cola, mas ainda típico do Maranhão, em São Luís - MA


De lá seguimos para o escritório da empresa de navegação para garantir nossas passagens e a da Fiona para o outro lado da baía de São Marcos. Com isso, economizamos bem uns 300 km de estradas! Feito isso, finalmente chegou a hora de conhecer o centro histórico, um dos mais bonitos do Brasil.

Busto do francês Touche, o fundador de São Luís - MA

Busto do francês Touche, o fundador de São Luís - MA


São Luís foi fundada por franceses no início do séc XVII. Seu fundador, Daniel de la Touche, batizou a cidade em homenagem ao rei francês da época, Luís XIV (acho!). Mas o domínio francês durou pouco e logo os portugueses estavam por aqui. Alguns anos mais tarde, foram os holandeses de Nassau que tomaram a cidade, em violenta batalha. Por pouco tempo também! Os portugueses retornaram em definitivo em meados do séc. XVII.

Os famosos azulejos do centro histórico de São Luís - MA

Os famosos azulejos do centro histórico de São Luís - MA


Foi a influência lusa que deu a cidade sua principal característica: os azulejos. Enormes casarões e sobrados foram construídos nos dois séculos seguintes pela aristocracia local, com as paredes externas sempre revestidas de azulejos. Era o melhor material para se lidar com a enorme umidade e calor da região. O resultado é um conjunto gracioso e charmoso de construções, ruas e ruas "azulejadas" com diferentes cores e motivos.

Suntuoso sobrado restaurado de 4 andares, sede do IPHAN, no centro histórico de São Luís - MA

Suntuoso sobrado restaurado de 4 andares, sede do IPHAN, no centro histórico de São Luís - MA


O conjunto passou por um longo período de deterioração nos útimos 150 anos, mas aos poucos vem sendo restaurado, já tendo sido transformado em patrimônio da humanidade. Ainda há muito por fazer e é triste ver enormes casarões caindo aos pedaços, literalmente. Mas há outros em reforma, e muitos completamente restaurados. Um colírio para os olhos! Outra coisa ótima é que toda a fiação foi levada para baixo da terra, tirando essa horrível poluição visual dos nossos olhos.

Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, no centro histórico de São Luís - MA

Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, no centro histórico de São Luís - MA


Em poucas horas pode-se percorrer o centro à pé. Foi o que fizemos, com algumas paradas estratégicas. A primeira no Palácio dos Leões, sede do governo. A gente pode visitar uma parte e o prédio é muito bonito por dentro, todo decorado com obras de arte e peças européias do séc XIX. Muito legal!

Para visitar o Palácio dos Leões, é preciso usar protetor para os sapatos! (no centro histórico de São Luís - MA)

Para visitar o Palácio dos Leões, é preciso usar protetor para os sapatos! (no centro histórico de São Luís - MA)


Outra parada interessante é o Solar dos Vasconcelos. Além do prédio restaurado, há muita informação sobre a cidade, sua história e seus prédios, além de mostrar todo o trabalho de restauração que vem sendo feito no centro histórico.

Bar Antigamente, no centro histórico de São Luís - MA

Bar Antigamente, no centro histórico de São Luís - MA


Por fim, o tradicional restaurante-bar AntigaMente. Ótima comida, num ambiente que nos remonta à história. Uma delícia tomar uma cerveja gelada e observar, de suas grandes janelas, a vida passando lá fora. De noite, ainda tem música ao vivo. A chuva de ontem nos impediu de acompanhar uma sessão de chorinho... É, ontem, choro só o nosso...

Bar Antigamente, no centro histórico de São Luís - MA

Bar Antigamente, no centro histórico de São Luís - MA


Outra coisa interessante de acompanhar nesse dia em São Luís foi a enorme variação da maré. Cruzamos o rio Anil em direção ao centro histórico com a maré seca. O porto de onde saem os barcos para Alcântara estava na areia, literalmente! Agora de tarde, era aquele marzão só. Pareciam dois lugares diferentes!

Maré baixa 'seca' o mar em São Luís - MA

Maré baixa "seca" o mar em São Luís - MA


Fim de tarde, maré cheia em São Luís - MA

Fim de tarde, maré cheia em São Luís - MA


O final de tarde também nos trouxe mais chuva. Mas era também a hora de seguir viagem. Seguimos para o porto do ferry-boat, um pouco mais ao sul. Um pouco mais de uma hora de barco nos deixou do outro lado, onde enfrentamos mais 50 km de estrada para chegar em Alcântara. No caminho, de noite e chovendo, passamos por vários animais silvestres. O mais incrível foi um pequeno jacaré tomando banho de chuva no meio do asfalto. Demorou para a gente acreditar no que tinha visto...

Trabalhando no ferry entre São Luís e Alcântara - MA

Trabalhando no ferry entre São Luís e Alcântara - MA


A gente se instalou numa pousada que é um antigo sobrado, no centro. Já bem de noite, fomos dar uma caminhada na cidade. Foi absolutamente mágico! A cidade, suas ruas e praças, deserta. Mas muito bem iluminada. As construções tem todas de duzentos à trezentos anos. Parecia que estávamos numa cidade fantasma, em outro século. Foi mesmo incrível. Amanhã vamos ver a cidade com a luz do dia. Mas já posso afirmar uma coisa: o maior erro dos turistas é vir para cá de São Luís e voltar no mesmo dia. Uma noite aqui vale muito! A vista para as luzes de São Luís é maravilhosa e um passeio pela cidade iluminada e deserta de noite vale mais do que muitas e muitas horas de passeios diurnos por aqui.

A Catedral da Sé, no centro histórico de São Luís - MA

A Catedral da Sé, no centro histórico de São Luís - MA

Brasil, Maranhão, São Luís, Alcântara,

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Noites Estreladas

Brasil, Minas Gerais, Aiuruoca

Céu estrelado e Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado e Pico do Papagaio no Vale do Matutu - MG


Todas as noites aqui no Vale do Matutu foram espetaculates. Estou me referindo ao céu estrelado. Com a lua nova, o céu sem núvens, longe da energia elétrica e a uma altitude considerável, nunca vimos tantas estrelas brilhando.

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG


A única coisa que atrapalhava um pouco a observação do céu estrelado era o frio, muito próximo de zero grau! Mas nessa nossa última noite por aqui a Ana enfrentou o frio, armou o tripé e tirou belas fotos da noite estrelada. Até que ficou bem legal, não? Pelo menos passam parte da beleza que nos envolvia todas as noites...

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

Céu estrelado no Vale do Matutu - MG

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Chegando à Utila

Honduras, Utila

Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Começamos o dia 26 com muitas emoções. Conforme as informações obtidas no dia anterior, tínhamos decidido ir para a ilha de Utila, com mais chances de conseguir alguma acomodação em plena Semana Santa. Para isso, tínhamos de estar no porto cedinho, uma hora antes da saída do barco, para comprarmos os bilhetes e guardarmos a Fiona por lá mesmo. Tudo parecia ir bem no começo: encontramos o porto sem a ajuda do GPS, chegamos exatamente com uma hora de antecedência, passamos pela portaria, pagamos o estacionamento do carro e fomos deixar a Fiona por lá. Aí, enquanto a Ana preparava a nossa mala para os dias de ilha, inclusive alguns equipamentos de mergulho que estavam no porta-malas, eu fui até a bilheteria comprar nossas passagens, a uns 200 metros dali, Enfrentei a fila de 15 minutos e consegui espaço para nós. Só faltava voltar ao carro para ajudar a Ana. Foi aí que o céu desabou! Uma chuva fortíssima! A não ser que eu quisesse ficar completamente encharcado, tinha de esperar ela passar. Mas ela não passava! Ficava só imaginando a Ana lá no carro... E o ferry chegou e poderia partir a qualquer momento. Muitas vezes, quando o barco enche, sai até antes do horário oficial. Foi quando a chuva deu uma pequena trégua e eu consegui um guarda-chuvas emprestado. Por cima do barro mesmo, voltei até a Fiona. Para a minha surpresa, a Ana estava dentro do porta-malas do carro, a porta ligeiramente aberta para que ela pudesse respirar. Tinha passado os últimos 20 minutos por ali, primeiro arrumando o que precisava ser arrumado e, depois, esperando ajuda minha ou de São Pedro. Com a chuva já bem mais fraca, juntamos nossas coisas, deixamos a Fiona meio molhada para trás e corremos para o cais, ainda em tempo de embarcar e devolver o guarda-chuvas à ansiosa dona. Entre secos e molhados, salvamo-nos todos!

Estamos sempre atrás disso! (em Utila, ilha no litoral norte de Honduras)

Estamos sempre atrás disso! (em Utila, ilha no litoral norte de Honduras)


Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Uma hora de viagem a toda velocidade e chegamos à pequena Utila. Nossa próxima tarefa era arrumar um ligar para ficar. Logo na chegada, os vendedores de pacotes de mergulho (esse é o forte da ilha. Ainda vou falar disso...) já nos avisaram que seria difícil. Talvez, se fechássemos algum pacote com as escolas de mergulho, teríamos mais chances, pois escolas e hotéis estão sempre associados por aqui. Mas resolvemos não seguir o conselho e fomos à luta, caminhando com nossas mochilas. Depois de darmos com a cara na porta em três tentativas, eis que apareceu um quarto num hotel bem legal e diferente. Além de hotel, é também uma das trações turísticas da ilha, por causa de sua exótica arquitetura, uma coisa meio indiana e balinesca, mas bem exagerada, em meio a um grande jardim. Chalés bem charmosos se misturam com pontes e túneis cobertos por mosaicos de pedras coloridas. De início, tinham lugar só para uma noite, mas depois apareceu outro quarto para outras noites e, no fim, poderíamos ficar no mesmo quarto enquanto estivéssemos aqui. Enfim, deu tudo certo!

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Nossa artística pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Oba! Tínhamos conseguido chegar até lá e tínhamos conseguido lugar para dormir! Agora, às atividades! Utila é uma verdadeira fábrica de formar mergulhadores. São mais de dez escolas que oferecem cursos básicos e avançados em diversas línguas, provavelmente com os melhores preços do planeta. Com isso, são centenas de “estudantes” continuamente, de todas as partes do mundo. Enquanto uns terminam, outros já estão chegando e as escolas nunca param. É fácil ver, nas ruas, os gringos com seus cadernos e livros. Ou então, nas próprias escolas, sempre com hotéis ao lado, jovens reunidos e conversando de... mergulho!

Muitas lojas e restaurantes sobre o mar, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Muitas lojas e restaurantes sobre o mar, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Nós, claro!, não estávamos interessados em curso nenhum. Pelo menos essa atividade, mergulhar, já sabemos fazer! Queríamos mesmo era mergulhar, sem professo por perto, o que eles chamam de “fun dive” por aqui. Estávamos atrás dos famosos tubarões-baleia, que começam a passar por essa região nessa época do ano, na migração que os leva até a ilha de Holbox, no México. Mas foi só assuntar um pouco para descobrirmos que, quando isso acontece, é na costa norte da ilha. E agora, com essa chuva e vento, ela está inacessível para os barcos, por causa das ondas. Ficam todos na costa sul mesmo, longe das ondas e dos peixes grandes. Previsão de melhora? Talvez na sexta-feira, e olhe lá! Pois é, justo no dia que queríamos ir embora...

Início de mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Início de mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Corais formam prateleiras em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Corais formam prateleiras em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Bom, a conversa segue e descobrimos que apenas os barcos da manhã podem ir até a costa norte, se o tempo assim o permitir. Os barcos da tarde, são todos para as aulas de mergulho e ficam aqui na costa sul, mais tranquila. Os barcos da manhã, muito procurados pelos mergulhadores já certificados, já estão lotados para muitos dias. Mas, eis que aparecem duas vagas, para sexta-feira. Seria nossa única chance! Fazemos as contas e descobrimos que o barco volta a tempo de pegarmos o barco da tarde para o continente. É... está decidido, ficamos até sexta! Teremos ao menos uma chance de ver os tubarões-baleia, se São Pedro cooperar.

Um camarão faz de um coral a sua casa, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Um camarão faz de um coral a sua casa, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Em uma passagem mais estreita, do meio da poeira surge a Ana, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Em uma passagem mais estreita, do meio da poeira surge a Ana, durante mergulho em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Bom, já que estamos ali, resolvemos marcar um mergulho para aquela mesma tarde, junto com os estudantes, para desenferrujarmos um pouco e matarmos as saudades dos corais. Pouco mais de uma hora mais tarde, já estávamos no mar, nós e uns oito aprendizes. Não tem problema, embaixo d’água eles seguem para um lado e nós para o outro, com um guia. O mergulho foi bem meia boca, mas como diz um amigo, não existe mergulho ruim. Quando é “ruim”, é mais ou menos. Além do mais, com o preço que se paga por aqui, metade do que se paga em outros lugares, está valendo! De qualquer maneira, depois da experiência, resolvemos que não iríamos mergulhar mais, pelo menos até sexta-feira, quando haveria a chance de seguirmos à costa norte.

Um dos quartos da nossa pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Um dos quartos da nossa pousada em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Movimento na prindipal rua de Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Movimento na prindipal rua de Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Depois do mergulho, já final de tarde, finalmente pudemos ter um merecido descanso depois da correria do dia inteiro, desde as 6 da manhã. Fazia tempo que não tínhamos um quarto tão charmoso. Foi por isso que hoje, ao descobrir que teríamos de dormir uma noite a mais em Utila, não achamos tão ruim. Pois é, só vamos embora no sábado, bem cedinho. Sexta-feira é feriado aqui, dia santíssimo. Nem os barcos funcionam! Para ir embora nesse dia, só nadando! O barco de sábado, então, promete ser concorrido. Por isso, pelo sim, pelo não, já compramos nossas passagens. Temos de estar seis da manhã no cais! Até lá, além do mergulho na sexta cedo, muito tempo para explorarmos essa pequena ilha, cheia o ano inteiro de estrangeiros querendo aprender a mergulhar e especialmente cheia essa semana pelo turismo local, hondurenhos aproveitando a semana de folga. As pequenas e estreitas ruas da cidade estão movimentadas, disputadas pelos pedestres, ciclistas, motociclistas e quadriciclos. Aliás, que coisa mais chata! Não sei por que inventaram essa porcaria! Ou, já que inventaram, porque deixaram trazer para Utila! Onde já se viu, num lugar tão pequeno desse, ficar andando nessa geringonça? Alguém nos disse que é só nessa semana que o pessoal tira eles da garagem. Questão de status, poder mostrar que tem. Bom, temos de nos acostumar... E tomar cuidado para não sermos atropelados...

Cerveja popular no país, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Cerveja popular no país, em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Honduras, Utila, Mergulho

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O Fim do Canyon, do Mundo e dos 1000dias

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon

Descansando e admirando a paisagem da trilha que desce até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Descansando e admirando a paisagem da trilha que desce até o fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Dezoito anos atrás eu fazia uma viagem parecida com essa. Quer dizer, mais ou menos. Eu também atravessava a “América” de carro, mas o carro não era meu, eu estava só, a tal “América”, na verdade, era só os Estados Unidos e os 1000dias eram apenas dez. Recém formado, tinha vindo passar uns meses em Nova Iorque, para estudar inglês. Aproveitava a mamata de minha irmã ter um apartamento na cidade. Ao final do curso, consegui outra mamata: uma família de New Jersey estava se mudando para Phoenix, no Arizona, e precisava que alguém levasse o seu carro até lá, um Pontiac. Pagariam até o combustível e mais uma pequena ajuda para a alimentação. O único porém é que eu deveria fazer o percurso em, no máximo, 10 dias.

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

No ônibus, a caminho do início da trilha para descer o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos

Visão de um ensolarado Grand Canyon, antes de iniciarmos a trilha que desce até o rio Colorado, no Arizona, nos Estados Unidos


Achei muito bom negócio e mergulhei na América. Naquela época, não tinha GPS nem copilota, mas tinha bons mapas e as estradas são muito bem sinalizadas. Tratei de montar um roteiro de 10 dias, com muita estrada e algumas paradas chaves. Uma delas foi o Grand Canyon, já quase no final da viagem. Como tudo o que fiz naqueles dias, foi literalmente correndo. Cheguei aqui pela manhã, corri até rio Colorado, 1.000 metros abaixo, comi um sanduíche e voltei no trote. Quando o sol se escondeu, na parte final da subida, passei um frio danado, o corpo reclamando da falta de energia e excesso de esforço. Lembro da felicidade em chegar ao ar aquecido do Pontiac. Depois, num último esforço, ainda dirigi até Flagstaff, onde desabei na primeira cama de hotel. Doze horas mais tarde, acordei com uma linda vista pela janela, uma grande montanha coberta de neve. Engraçado que é exatamente essa a minha lembrança mais forte, dezoito anos depois, daqueles dez dias: a montanha nevada na janela, uma visão quase mágica para alguém que quase nunca havia visto neve antes disso.

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos

Início da trilha de descida do Grand Canyon, o caminho cheio de neve e gelo, no Arizona, nos Estados Unidos


Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Início de caminhada, a trilha ainda na sombra enquanto, ao fundo, o sol inunda o Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Esses eram meus pensamentos enquanto estávamos no ônibus que recolhe pessoas em vários pontos do parque para deixá-los no início da trilha de South Kaibab, um dos caminhos até o rio Colorado, no fundo Grand Canyon. Eu e a Ana fomos “recolhidos” no escritório que emite as autorizações para se acampar no parque. São cinco dólares de taxa, mais cinco dólares por noite. Assim, pagaríamos 10 dólares cada um, bem mais barato que os quase 100 que pagaríamos para ficar no lodge. Já o ônibus, é um serviço gratuito do parque, desde que você tenha pago seu ingresso para entrar nele. Nós, com nosso vale anual, não precisamos pagar ingresso. Aliás, esse vale foi um dos melhores investimentos que fizemos por aqui. Custou 80 dólares. Se somássemos todos os ingressos dos parques que visitamos esse ano, certamente esse número estaria acima dos trezentos...

A magnífica vista do Grand Canyon enquanto descemos, o sol tomando conta da paisagem, de pouco em pouco (no Arizona, nos Estados Unidos).

A magnífica vista do Grand Canyon enquanto descemos, o sol tomando conta da paisagem, de pouco em pouco (no Arizona, nos Estados Unidos).


Mas, voltando ao ônibus, nós e outros oito turistas fomos deixados na South Kaibab Trail, cujo ponto inicial está a alguns quilômetros da área central do parque. Nossa ideia era descer por ela e subir amanhã pela Bright Angel Trail, que já chega à borda do canyon bem pertinho de onde ficou a Fiona. Vamos assim completar um circuito, descendo hoje cerca de 1.450 metros ao longo de 11,3 quilômetros de trilhas e subindo amanhã 1.330 metros distribuídos em pouco mais de 15 quilômetros de trilhas. Por mais que me esforce, não consegui lembrar o caminho que fiz da outra vez. Só me lembro da montanha nevada na janela...

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Durante a trilha de descida, admirando a paisagem do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Hoje, dia inteiro para descer, a única preocupação era mesmo o gelo na trilha. Mas cartazes no início do caminho tentavam nos alertar de outros perigos. Todos os anos, morre gente por aqui. Seja por descuido, seja por imprudência, seja por mal planejamento. Quase sempre, ocorrem nos meses mais quentes, quando a temperatura pode atingir facilmente os 40 graus, sob um sol inclemente. O cartaz que mais chamou minha atenção foi aquele que alertava: “Você acha que o Grand Canyon pode matar alguém que já correu a maratona de Boston?”. Para quem não sabe, a maratona de Boston é a mais antiga e tradicional do mundo. Não é qualquer um que pode correr ali. É preciso correr abaixo de um tempo índice antes. Esse tempo índice depende da faixa de idade, mas são tempos sempre fortíssimos. Por exemplo, na faixa de 35-40 anos, para homens, para correr em Boston, é preciso já ter corrido uma maratona em menos de 3 horas. Quem já correu uma maratona sabe o que isso significa. Enfim, correr em Boston é sinônimo de ser um excelente corredor no auge da sua forma física.

Descendo até o fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Descendo até o fundo do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Trilha em meio à grandiosidade do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Voltando ao cartaz, a resposta é um sonoro “sim!”. E eles dão o exemplo verdadeiro de uma maratonista de Boston que veio ao Grand Canyon com uma amiga. Queriam descer por aqui e fazer uma trilha de cerca de 25 quilômetros. Levavam suas barras de cereais e um litro de água para cada uma. Acabaram se perdendo no caminho que seguia por trilhas secundárias. A amiga teve insolação e não conseguia mais sair do lugar. A maratonista deixou o resto da água que ainda tinha com ela e correu para pedir ajuda. Vinte e quatro horas mais tarde, o socorro encontrou a amiga ainda viva. A maratonista não teve a mesma sorte, sucumbindo ao calor e desidratação. Hoje, além de ex-maratonista, ele serve de exemplo a todos os que se aventuram naquela trilha e param para ler aquele cartaz...

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Mulas trazem turistas do fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Pausa para lanche na espetacular trilha que desce o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pausa para lanche na espetacular trilha que desce o Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Enfim, nós tínhamos comida e água mais que suficientes, o clima nos era bem mais favorável e não estávamos com pressa para chegar. Bem diferente de 18 anos atrás. Deixamos que os outros turistas começassem antes de nós, todos com seus calçados envolvidos nas correntes antiderrapantes e seguimos cuidadosamente. Um escorregão ali e outro aqui, mas nada de perigo, apenas diversão. Deu logo para ver que hoje não precisaríamos delas. A outra trilha promete ser mais escorregadia, mas subindo fica mais fácil se equilibrar.

Já se percebe perfeitamente o 'canion interior', dentro do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos

Já se percebe perfeitamente o "canion interior", dentro do Grand Canyon no Arizona, nos Estados Unidos


Enfim, passada essa preocupação, todo o resto foi só contentamento. A cada curva, a cada minuto, a paisagem era simplesmente deslumbrante. O cenário que nos envolvia tinha uma beleza muito além de palavras para descrevê-la. A grandiosidade é quase asfixiante. Eu, que não sou muito religioso, a todo momento tinha a vontade de agradecer a alguém, ou a alguma coisa, a oportunidade de estar lá. Seja a um deus que vive lá encima, seja ao destino, seja à natureza, seja ao universo, alguém tem de ser parabenizado por esse “trabalho” tão perfeito.

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Paisagens de tirar o fôlego na descida do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


E felizes daqueles que podem passar por aqui! De preferência, com calma e máquina fotográfica nas mãos, com a paciência que o cenário nos inspira. Um sanduíche na mochila também ajuda! Parar para um lanche cercado pelas enormes paredes do Grand Canyon não tem preço!

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Pela primeira vez, observamos diretamente o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A grosso modo, a trilha desce primeiro pelas paredes do canyon exterior, depois abaixa lentamente através de um platô intermediário até descer novamente em ziguezague pelas paredes do canyon interior. É só nesse ponto que passamos a ver o rio Colorado, lá embaixo. No caminho, fomos fazendo amigos e conhecidos, gente que começou a trilha mais cedo ou pessoas que deixaram para acordar mais tarde. Conversamos muito com um simpático e energético casal sexagenário, que costuma fazer essa trilha duas vezes ao ano, já há bastante tempo. Conhecem todos os caminhos por aqui e disseram que o ideal é reservar duas noites lá embaixo.

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A gente chegou ao canyon interior no meio da tarde, quando o rio recebia seus últimos raios de sol. Emocionante vê-lo novamente, depois de tanto tempo. Um pouco mais tarde, após o último ziguezague da trilha, atravessávamos o túnel na rocha que dá acesso à ponte pênsil que atravessa o rio. Menos de um quilômetro depois, chegamos á área de camping, dentro de um canyon lateral do Grand Canyon. Encontramos um lugar vago, armamos nossa barraca e, sem peso, saímos para uma caminhada de fim de tarde.

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Uma majestosa lua nasce sobre as paredes internas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Ponte cruza o rio Colorado, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Seguindo conselhos, fomos explorar a Clear Creek Trail, que sobe quase duzentos metros do outro lado do rio Colorado, na borda norte. Ali, atingimos novamente a linha do sol e, do alto de um mirante, tínhamos uma visão fantástica do rio e do canyon interior abaixo de nós, enquanto as paredes do canyon exterior, ao longe, cobriam o nosso horizonte, soberanas. Foi o momento de pararmos para admirar a natureza a nossa volta. Realmente, era difícil acreditar que tudo aquilo, e o resto do mundo, pudesse acabar mesmo hoje. Mas se acabasse, aquele era um bom lugar para se estar.

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol de fim de tarde ilumina as paredes coloridas do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Quem nos acompanha desde que iniciamos essa viagem sabe que nós botamos o pé na estrada há exatamente 1000 dias. A ideia, e a brincadeira, era aproveitar os últimos 1000 dias do planeta da melhor maneira possível: viajando e conhecendo nosso continente. Hoje, 1000 dias depois, estaríamos de volta em casa, junto a amigos e familiares queridos, prontos para o fim dos tempos. Mas, poucos meses depois do início da viagem, começamos a desconfiar que essa história de fim do mundo era conversa mole. Além disso, por duas vezes retornamos à Curitiba, para ver a sobrinha nascer e vê-la novamente completando um aninho de idade. Ficamos na cidade parados mais do que pretendíamos e tratamos de descontar esse tempo da nossa “contagem oficial”. Descontamos também o tempo extra passado em Cartagena, na Colômbia, esperando o barco que nos levaria ao Panamá. Tudo porque, sem esses dias, não conseguiríamos dar a volta nas Américas nos 1000 dias planejados.


Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Magnífica vista do rio Colorado, no alto da trilha Clear creek, no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


É por isso que, 1000 dias depois daquele 27 de Março de 2010, não estamos em Curitiba, mas no fundo do Grand Canyon. O mundo não acabou e nem a nossa viagem, É... mas e esses cinquenta e poucos dias que restam na contagem oficial serão suficientes para chegarmos de volta ao ponto inicial? Claro que não. E qual a desculpa agora? Bem... basta olhar a nossa volta e ver essa paisagem magnífica, uma pintura! A América é ainda mais bonita e com muito mais lugares para se conhecer do que imaginávamos. Para ver e conhecer tudo isso, os 1000dias vão virar 1000dias + 1. Se os maias erraram sua previsão, porque não podemos errar a nossa? É isso aí, 21 de Dezembro de 2013, a nossa nova data do fim do mundo.

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos

Admirando e curtindo um espetacular fim de tarde no fundo do Grand Canyon, na parte alta da Clear Creek Trail, no Arizona, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon, Parque, trilha

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Direção Correta, Mão Errada

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town

Nosso carro alugado em Tortola - Ilhas Virgens Britânicas

Nosso carro alugado em Tortola - Ilhas Virgens Britânicas


Um fato distinto aqui das Ilhas Virgens, tanto as Americanas como as Britânicas, é o modo de dirigir. A direção dos automóveis é do lado esquerdo, como no Brasil ou nos EUA, mas a mão das estradas e ruas é trocada, à moda inglesa. É claro que é tudo uma questão de costume, mas dirigir dessa maneira é meio confuso no início. Temos sempre de estar pensando em que lado da rua andar e, principalmente, quando chegamos a uma rotatória é preciso pensar e repensar em que sentido vamos girar.

Mais complicado ainda são as ultrapassagens. Ou se conta com a ajuda do passageiro ou devemos colocar o carro inteiro na faixa contrária para checar se será possível fazer a ultrapassagem. Melhor que não haja um caminhão se aproximando...

Mas, para mim, tudo isso aí em cima eu tirei de letra. Difícil mesmo foi dirigir de noite, cruzar com carros vindo com farol alto e cegando nossos olhos e tentar manter nosso carro alinhado na estreita faixa de rodagem. Na correta, do lado esquerdo da estrada!

Vivendo e aprendendo...

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town,

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Festa, Família e Amigos

Brasil, Paraná, Curitiba

Com a Dani e a Lulu, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR

Com a Dani e a Lulu, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR


Sábado de noite foi dia de festa, nossa primeira razão para voltar à Curitiba. Casaram-se o Gusta e a Paula. Dois amigos de longa data da Ana que eu também já sinto conhecer há muito tempo. Foi na nossa festa de casamento, em maio passado, que eles nos avisaram dos seus "planos" e, desde então, temos essa data reservada para estar em Curitiba. Dito e feito, comparecemos a esta magnífica festa!

Abraço dos noivos e da Pietra, na festa de casamento, em Curitiba - PR

Abraço dos noivos e da Pietra, na festa de casamento, em Curitiba - PR


Com a Paula, na festa de casamento, em Curitiba - PR

Com a Paula, na festa de casamento, em Curitiba - PR


Com o Anderson e Ana Paula, instrutures de alpinismo, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR

Com o Anderson e Ana Paula, instrutures de alpinismo, na festa de casamento do Gusta e da Paula, em Curitiba - PR


Aproveitamos para rever vários amigos, inclusive nossos instrutores de alpinismo. Isso porque, entre as muitas qualidades, o Gusta e a Paula adoram escalar e frequentavam a mesma academia de escaladas. Foi jóia rever o Anderson e a Ana Paula.

Luiza, a vovó e a bisa, em Curitiba - PR

Luiza, a vovó e a bisa, em Curitiba - PR


No domingo, o tradicional almoço em família, com a presença de 4 gerações femininas da família Biselli. Dona Odila, a Patrícia, a Dani e a Luiza (vó, mãe, irmã e sobrinha da Ana). Que família!

Com o Rafa< Laura e Pri em pizzaria em Curitiba - PR

Com o Rafa< Laura e Pri em pizzaria em Curitiba - PR


Para completar, pizza com amigos no jantar.

Notícia ruim é que o tempo esfriou muito por aqui, com chuva. Bem no feriado. São Pedro não erra uma... Além disso, apareceram umas "burocracias" para serem resolvidas por aqui. Resultado: vamos demorar um pouco mais para partir. Quinta, talvez.

Brasil, Paraná, Curitiba,

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Leblon, Prainha e Marambaia

Brasil, Rio De Janeiro, Rio de Janeiro

Com a Íris, Bebel e Mel no Leblon, bem cedinho - Rio de Janeiro (RJ)

Com a Íris, Bebel e Mel no Leblon, bem cedinho - Rio de Janeiro (RJ)


Os dias continuam lindos no Rio, ensolarados e radiantes. Hoje começamos mais cedo. Acompanhamos a família Lemos Junqueira em excursão matutina à praia do Leblon. Logo cedinho, Pedro, Íris, Bebel e a simpática quadrúpede Mel foram dar um passeio e rápido mergulho aqui no início da praia. Eu e a Ana chegamos um pouquinho depois, em tempo de tomar conta da Mel enquanto a família, junta, entrava no mar. Depois, foi a nossa vez. Que bela maneira de começar um dia! É por essas e outras que sempre penso em, um dia, vir morar no Rio. Desde que seja nesse miolo Leblon-Lagoa-Ipanema. Para isso, preciso ganhar muito dinheiro pois tudo aqui é caro prá burro... “There’s no free lunch”, como diria o famoso economista.

Tomando conta da Mel no Leblon, Rio de Janeiro - RJ

Tomando conta da Mel no Leblon, Rio de Janeiro - RJ


A praia a esta hora, numa quarta-feira, é bem vazia e muito agradável. Para quem tiver a chance, recomendo muito.

Pedro, Bebel e Íris entrando no mar do Leblon, Rio de Janeiro - RJ

Pedro, Bebel e Íris entrando no mar do Leblon, Rio de Janeiro - RJ


Depois, já na parte da tarde, após ficarmos presos no apartamento sem chave para sair, seguimos para outra das jóias da orla carioca: a Prainha. É a praia do Rio com mais cara de Ubatuba que eu conheço. Isolada, cercada de morros e pedras. Um delícia! Praia de ondas, faz a festa dos surfistas e de atores jovens globais. Para chegar lá, temos primeiro de cruzar a interminável Barra e seus infinitos condomínios. Chegando, parece que estamos em outra cidade, outro mundo. Principalmente em dias de semana porque nos sábados e domingos a Prainha lota e estacionar não é fácil.

Final de tarde na Prainha, no Rio Janeiro - RJ

Final de tarde na Prainha, no Rio Janeiro - RJ


Desta vez, até entramos no Parque Municipal da Prainha. Ali, fiquei sabendo que quase fizeram um condomínio no lugar, no final de década passada. Felizmente, associações de surfistas e a sociedade local se uniram contra essa idéia e o resultado foi esse. A Prainha continua lá, protegida por um parque. Muito legal mesmo!!!

Surfistas na Prainha, no Rio Janeiro - RJ

Surfistas na Prainha, no Rio Janeiro - RJ


Já no finalzinho da tarde, seguimos para Guaratiba para almoçar e ter uma vista privilegiada da Restinga da Marambaia, trecho quase virgem do litoral do estado, protegido por uma base da marinha. Lembro dos feriados que FHC passava por lá e da inveja que sentia... Enfim, a vista é mesmo linda. Só que os restaurantes que queríamos ir estavam fechados, infelizmente. O famoso Restaurante do Bira ou o da sua mãe, Tia Palmira. Acabamos indo no Quintal da Praia, mais simples, barato, comida saborosa e sem vista.

Final de tarde na Marambaia, no Rio Janeiro - RJ

Final de tarde na Marambaia, no Rio Janeiro - RJ


Para os próximos dias, milhões de possibilidades na Cidade Maravilhosa. Não é à toa que tem essa alcunha. Vamos ter de escolher e, infelizmente, muita coisa vai ficar para trás. Se pudéssemos ficaríamos um mês por aqui, sem repetir programas...

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