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Otavio Roxo Nobre Barreira (02/11)
Prezado Guto, também fui paioleiro , entre 1977 e 1984 fui 11 vezes ao P...
Joca (02/11)
Oi Rodrigo : Não deixe de comprar o Estadão de hoje , 02/11 , especialm...
Mario Sergio Silveira (31/10)
Parabéns pelas fotos Rodrigo. Hoje vai ter a festa da ressaca? Precisamo...
Janaina Pasternack (31/10)
oiiii nossa q fotos lindas Rodrigo desculpasssssssss 1.000, tava sem net ...
Lucia (30/10)
Oi Rodrigo,estava sumida dos comentários. Mas sempre dava uma olhadinha ...
Atravessando as planícies e enormes fazendas de Mato Grosso
No meio da tarde do dia 20, estávamos de volta à terra firme, ao solo brasileiro, na pacata cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia. Duas principais estradas saem daí: uma para o norte, ao longo da fronteira, até se encontrar com a rodovia que liga Rio Branco à Porto Velho. A outra vai na direção leste, cortando o interior do estado, passando pela linda região do Parque Nacional dos Pacaás Novos e se encontrando com a rodovia que liga Porto Velho à Mato Grosso.
Veja nossa rota por Rondonia e Mato Grosso num mapa maior. Saímos de Guajará-Mirim e seguimos para Porto Velho, onde dormimos. No dia seguinte, fomos até Vilhena, quase na fronteira. No dia seguinte, seguimos até Caceres, já no sul de Mato Grosso. POr fim, passando ao largo de Cuiaba, seguimos até Nobres
É claro que nossa melhor opção seria essa última, já que já tínhamos passado por Porto Velho antes. Além disso, teríamos a chance de conhecer e explorar mais um parque nacional. Pois é... seria! Não fosse um pequeno detalhe: a rodovia também atravessa território indígena e um trecho de uns poucos quilômetros está interrompido. Para passar por lá, só com o bom humor dos índios e um caro “pedágio”. Mas, pelo que nos informaram, faz tempo que eles não estão de bom humor e então, ninguém passa na estrada. Esse Parque Nacional vai ter de esperar e nós seguimos para o norte mesmo, de volta à Porto Velho.
Enfrentando filas por causa de obras nas estradas de Rondônia
O lado bom dessa história é que pudemos rever nosso amigo Rodrigo que, novamente, nos recebeu de portas abertas em sua casa na capital de Rondônia. Mas dessa vez, foi uma visita rápida, afinal tínhamos muito chão pela frente: cruzar todo o estado de Rondônia e boa parte do estado de Mato Grosso, até a região de Cuiabá, onde tínhamos muita coisa para ver e conhecer.
A Ana se delicia com uma picanha na chapa com muito queijo derretido, em Vilhena, em Rondônia
Assim, no dia 21 pela manhã, partíamos novamente. Seguindo pela principal rodovia do estado, passamos pelas maiores cidades de Rondônia depois da capital, Ariquemes, Ji-Paraná e, finalmente, Vilhena, quase já na fronteira. Estrada boa, fora um trecho em obra onde tivemos de amargar quase uma hora na fila. Paisagem quase sempre plana e de grandes fazendas, uma das mais ativas fronteiras agrícolas do país.
A Ana se delicia com uma picanha na chapa com muito queijo derretido, em Vilhena, em Rondônia
Chegamos à Vilhena já no escuro e aí resolvemos passar a noite. Cidade boa, bons hotéis, restaurantes e noite movimentada. Nós, morrendo de saudades já há tempos, fomos nos deliciar com uma picanha na chapa encoberta por queijo derretido. Não que estivesse espetacular, mas fazia tanto tempo que não víamos algo assim que, para nós, foi um verdadeiro banquete! Nossa despedida com chave de ouro do estado de Rondônia.
As novas amigas do lavajato em Vilhena, em Rondônia, que ajudaram a deixar a Fiona limpinha, depois de tanta poeira na Bolívia
No dia seguinte, pela manhã, a Ana levou a nossa Fiona para um delicioso e merecido banho, depois dos 1.000 km de estradas de terra na Bolívia. O pó havia entrado em todos os buracos da carroceria e nossas malas e mochilas estavam cor de adobe! Com a ajuda das meninas do lava-jato, as mais novas amigas da minha social esposa, a Fiona e as malas ficaram um brinco! Prontas para a próxima etapa da viagem.
As novas amigas do lavajato em Vilhena, em Rondônia, que ajudaram a deixar a Fiona limpinha, depois de tanta poeira na Bolívia
E assim, bem limpinhos, entramos em mais um estado da federação, o penúltimo que nos faltava nesses nossos 1000dias pelas Américas e pelo Brasil. Ficava para trás a região norte e adentrávamos a região Centro-Oeste, onde só havíamos estado em Goiás e Distrito Federal. Chegou a hora de fechar essa lacuna!
Chegando á fronteira de Rondônia e Mato Grosso, o penúltimo estado que ainda não havíamos visitado
O norte de Mato Grosso também é uma extensa planície, lotada de enormes e produtivas fazendas. A exceção é a Chapada dos Parecis, uma região de montanhas e paisagens grandiosas da qual, infelizmente, só pudemos passar ao largo e ver de longe. Para ser devidamente explorada, precisaríamos de alguns dias que realmente não temos agora. Mais um motivo para voltarmos para essas bandas!
Passando ao largo da Chapada dos Parecis, no Mato Grosso
Por fim, já no final do dia, chegamos à histórica Cáceres, na beira do rio Paraguai. Cidade conhecida de todos os amantes da pesca do Brasil e do mundo, afinal aqui se realiza um dos mais importantes torneios de pesca esportiva do mundo, todos os anos. “Matéria-prima” não falta, já que está na beira do Pantanal e de suas centenas de espécies de peixes.
Nosso restaurante com música ao vivo em Cáceres, no Mato Grosso
Aqui passamos a noite, já aprendendo a lidar com o forte e típico calor mato-grossense. Antes da cama, ainda fomos passear no centro e comer na praça, em um dos muitos restaurantes com mesas na calçada, a brisa que sopra do rio Paraguai o nosso ar condicionado natural. Aqui, tivemos direito à música ao vivo (sertaneja, é claro!) e um cardápio com vários pratos típicos, incluindo muitas opções com carne de jacaré! Antes que ecologistas reclamem, essa carne vem de fazendas onde os pobres bichinhos são criados exatamente para isso: terminar no prato de alguém, um gosto meio de frango com a consistência de peixe, mas um pouco mais firme. Carne da cauda, o filé do jacaré.
Carne de jacaré no cardápio de restaurante em Cáceres, no Mato Grosso
Na manhã de hoje, ainda demos outra volta na praça e nas ruas com casas centenárias. Na praça, em frente à igreja, um raro monumento ao Tratado de Madrid, de 1750, firmado entre Portugal e Espanha, um dos poucos que ainda existe no mundo. Esse tratado foi aquele que finalmente substituiu o Tratado de Tordesilhas, que já era letra morta há muito tempo. Afinal, segundo Tordesilhas, as terras portuguesas no Brasil terminavam muito mais à leste, cobrindo apenas parte dos atuais Nordeste e Sudeste brasileiros. A própria cidade de Cáceres, muito mais a oeste da linha imaginária, era a prova viva d que Tordesilhas já não valia mais nada. Foi o Tratado de Madrid que regularizou essa situação, definindo em boa medida os atuais contornos do Brasil. Esse monumento não poderia estar em melhor lugar e explica porque, em Cáceres, se fala português e não, castelhano!
Um dos raros monumentos ao Tratado de Madri que ainda estão de pé, na cidade de Cáceres, no Mato Grosso
Bom, caminhada feita, com direito a um sorvete gelado para combater o calor, era hora de, mais uma vez, pegarmos estrada. Afinal, a principal atração da cidade, a pesca, não é muito o nosso forte. Assim, pé na tábua em direção à região de Cuiabá. Aí sim queremos explorar muito! A própria capital, o Pantanal, ao sul, a Chapada dos Guimarães, ao norte, e a região de Nobres.
Monumento ao Tratado de Madri, que finalmente enterttou o Tratado de Tordesilhas, na praça central de Cáceres, no Mato Grosso
Pois é, era exatamente por Nobres que queríamos começar. Faz tempo que ouvimos falar desse lugar, suas cavernas e cachoeiras, rios de água transparente e a fama de ser uma nova “Bonito”. Olhando no mapa, seria o lugar mais lógico para começarmos.
E assim foi, chegamos com o dia escurecendo na periferia de Cuiabá e já tomamos a estrada para o norte, a famosa Cuiabá-Santarém. Após um dia longo de estradas, ainda tivemos de lidar com um complicado trânsito de grandes caminhões, as carretas que carregam a produção rumo ao norte, para serem embarcadas para o exterior no rio Amazonas.
O rio Paraguai, na cidade de Cáceres, no Mato Grosso
Com muita paciência, chegamos à pequena cidade, vimos de longe seus três hotéis e escolhemos o mais simpático deles. Estava bem cheio, sinal de que os turistas já descobriram o lugar, pensamos. Errado! Não eram turistas, mas trabalhadores de uma grande empresa na região. Aí, fomos falar com a simpática dona e ela nos revelou a surpresa: na verdade, Nobres não é em Nobres!
A igreja matriz de Cáceres, no Mato Grosso, na praça central da cidade
Como assim??? Pois é, todas as atrações e fotos que conhecíamos da cidade ficam no distrito de Bom jardim, a 60 quilômetros dali, por estrada de terra! Pior, para quem vem de Cuiabá, há uma estrada direta para lá, muito bem asfaltada e sem nenhum trânsito de caminhões. Embora o distrito pertença à Nobres, e por isso a fama da cidade, Bom Jardim tem vida própria, com suas pousadas e restaurantes. Ou seja, Nobres é em Bom Jardim!
Dia lindo na cidade de Cáceres, no Mato Grosso
Bom, naquela altura dos acontecimentos, decidimos dormir por ali mesmo. Amanhã cedo, então, enfrentamos a estrada de terra e vamos para a Nobres de verdade, a pequena Bom Jardim. Rios e cachoeiras nos esperam como recompensa desse último esforço!
Com a Jenn e o Andrew, em restaurante de Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Em Agosto de 1998 eu estava iniciando um mochilão pelo sudeste da Ásia, vindo da Austrália e Nova Zelândia, onde tinha viajado com um primo. A parte australiana, de Sydney à Darwin, já havia siso “solo”, mas para quem já mochilou pela Austrália, sabe que a gente nunca fica “solo” de verdade. Ficamos hospedados sempre nos “backpacker’s”, juntos com outras centenas de viajantes (os mochileiros movimentam milhões de dólares na economia australiana!) e, enfim, sempre estamos com alguém, nesse ou naquele trecho da viagem.
Chegando ao estado de Mississipi, nos Estados Unidos
Enfim, após alguns deliciosos dias em Darwin, parti para um trecho mais aventuroso da viagem. Voei para Timor, na Indonésia, que na época ainda englobava Timor do Leste (hoje independente). O país estava em pleno furacão da crise asiática, a moeda derretendo, população das grandes cidades em polvorosa (no mal sentido!) e turistas, amedrontados, desaparecidos do país. Pois foi exatamente esse ambiente que fez da minha passagem por lá alguns dos melhores meses da minha vida.
Interseção de estradas secundárias no interior do Alabama, nos Estados Unidos
Com 100 dólares por mês, se vivia como um rei. E como rei éramos tratados também em todos os lugares, pousadas, restaurantes, vilas, todos felizes de estarmos por lá, movimentando seu comércio, justo quando mais precisavam de nós. Podia-se contar turistas nos dedos e um deles era o simpático americano-argentino Andrew Dewar. Juntos com uma inglesa, e depois com um casal de escoceses, cruzamos as ilhas do sul do país, passando por Flores, Sumbawa, Komodo, Lombok e Gili Islands e, finalmente, chegando à Bali, aí sim ainda com turistas. Viajávamos no teto de ônibus, no convés de barcos, em vans apertadas. Foi um período inesquecível.
A enorme universidade em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Quatorze anos mais tarde, chegou a hora de rever o músico Andrew, hoje respeitável professor universitário na Universidade do Alabama. Casado com Jen, música e professora também, eles nos convidaram para ficar na casa deles em Tuscaloosa. Saímos de Graceland, cruzamos o Mississipi passando pela cidade natal de Elvis e chegamos ao Alabama, estado que eu só conhecia pelo filme de Forrest Gump. Já no estado, deixamos a autoestrada para trás e seguimos por um atalho por estradas secundárias, cortando as lindas e verdes paisagens do Alabama, maior clima de interiorzão. Ao longo da estrada, fazendas, pequenas cidades e postos de gasolina familiares. Paramos em um para abastecer e comer algo e tinha até um enorme cartaz glorificando o General Lee, principal líder militar sulista na Guerra de Secessão. Achei bem legal!
Aproveitando para trabalhar, na casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Em Tuscaloosa fomos otimamente recebidos pelo antigo amigo e pela simpaticíssima esposa. Moram numa casa joia, no meio de uma imensa área verde. Nosso plano era ir embora no dia seguinte, mas conseguimos marcar a revisão de 80 mil km da Fiona na concessionária Toyota para o dia seguinte, assim resolvemos ficar mais um dia inteiro por aqui. Foi ótimo para poder aumentar o tempo de convivência com os dois, que ficaram nos pajeando na cidade.
Lugar popular para se comer sanduíches de pernil em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Na primeira noite, um jantar delicioso num dos bons restaurantes da cidade e, depois, bar com ótima música, vários dos músicos alunos dos nossos anfitriões professores. Hoje o almoço foi num lugar mais raiz, onde comemos um típico sanduiche de pernil do Alabama. Uma casinha que jamais teríamos achado se não estivéssemos com “guias locais”. Finalmente, no jantar de hoje, comida japonesa, pude devolver a gentileza do jantar anterior.
Fiona volta da revisão dos 80 mil km (casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA)
Bagagem da Fiona guardada na garagem da casa do Andrew e da Jenn em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Ao longo do dia, enquanto aguardávamos a Fiona, pudemos trabalhar na internet e até fazer um cooper pelo parque ali do lado da casa deles. Quanto à Fiona, nessa importante revisão que é a dos 80 mil km, ela até ganhou filtros novos, trazidos pelo Rafa e entre para nós em Cuba. Afinal, aqui na América do Norte, não há “fionas” à diesel, e portanto, não há peças específicas para esse tipo de motor.
Correndo com o Andrew no parque ao lado da sua casa em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
Amanhã, depois desse ótimo descanso por aqui, viajamos para New Orleans, uma das cidades americanas que mais queria conhecer! Bourbon Street, aí vamos nós!
O belo parque ao lado da casa do Andrew em Tuscaloosa, no Alabama - EUA
A praça central de Minas, no Uruguai
Aproveitamos nossa última manhã em Colonia del Sacramento para, pela internet, pesquisar, escolher e reservar um hotel na pequena e isolada Cabo Polonio, uma praia no Uruguai onde não se pode chegar de carro. Marcamos para a próxima quinta e sexta, portanto temos outros três dias para chegar até lá. Essa era nossa última preocupação para reservar hotéis aqui no país, já que nas outras cidades, teremos tempo e tranquilidade para definir nossa estadia no momento em que chegarmos. O pagamento, fizemos por um sistema que existe no Uruguai chamado Rede Pago, presente em todas as cidades. Pagamos aqui, em alguma casa comercial associada ao sistema e o dinheiro chega lá. Com esse assunto resolvido, hora de pegarmos estrada!
Antes de seguirmos para a praia, ainda queríamos passar no interior do país, em uma das poucas regiões de serra do Uruguai. Quando estamos explorando um país, é claro que gostamos de conhecer suas atrações mais conhecidas. Mas sempre procuramos também alguma região ou cidade desconhecida dos turistas. Quase sempre, é aí que chegamos mais perto da alma do país e de seus habitantes. Para descobri-lo, alguma pesquisa na internet, livros-guia e, principalmente, conversas com os habitantes locais. Normalmente, é daí que saem as melhores ideias. E foi assim que surgiu o nome de Minas. Mineiro que sou, já simpatizei logo de cara. Depois, ao descobrir que se tratava de uma região de serra, aí me decidi de vez! É para lá que vamos! Quem sabe, achamos até uma cachoeira e uma goiabada?
Chegando à fábrica da Patricia, a mais popular cervejaria do uruguai, na região de Minas, no sul do país
Cervejaria Patricia, estrategicamente construída ao lado do parque Salus, fonte da melhor água mineral do país, na região de Minas, no Uruguai
Minas fica a nordeste de Montevideo, na direção do interior. Nosso caminho de Colonia até lá não passa pela capital, desviando-se um pouco antes. São quase 300 quilômetros, ou cerca de três horas nas sempre tranquilas estradas uruguaias. Mas não fomos diretamente. Um pouco antes, paramos no parque Salus, onde está a principal fonte de água mineral do país. Aliás, é esta a água que bebemos em todo o Uruguai, a marca Salus, tão comum em restaurantes e supermercados. Uma boa maneira de começar a compreender um país é exatamente em seus supermercados, observando quais as marcas mais populares, de água a chocolate, de sabão em pó a cerveja. Aqui no Uruguai, a água é Salus e Salus é aqui de Minas. Aliás, o próprio nome da região e da cidade, Minas, refere-se às minas de água presentes nessa região serrana.
Chegando ao parque Salus, de onde vem a famosa água do país, na região de Minas, no Uruguai
Nós chegamos ao parque esperando encontrar uma das “instituições” uruguaias, mas, ao invés disso, encontramos duas delas! Isso porque, além da engarrafadora de água mineral, ali também está instalada a fábrica da Patrícia, a cerveja mais popular do Uruguai. Como todos sabemos, o principal ingrediente de uma cerveja é a água e a Patricia foi esperta o suficiente para fazer sua fábrica justamente ao lado da fonte mais saudável de seu principal ingrediente! Realmente, esse parque vale ouro para o país, hehehe!
A fonte de água mineral Salus, na região de Minas, no Uruguai
bebendo a água direto da fonte! No parque salus, região de Minas, no Uruguai
Nós não entramos na fábrica da Patricia e nos contentamos em fotografá-la de fora. Depois, fomos até a engarrafadora Salus. Com nossas garrafas em mãos, seguimos até a fonte pública e ali nos abastecemos da mais pura água uruguaia. Aproveitamos também para dar um bom passeio nos bosques e jardins do parque, repleto de flores. Não sei o quão popular é o parque entre os habitantes locais, mas hoje, uma segunda-feira, éramos só nós por ali, aproveitando o ar puro, água fresca, sombra e visual florido.
Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai
Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai
Depois do parque, rumo a Minas. É uma cidade pequena, cercada por serras e centrada em uma grande praça. Mais ou menos como o livro guia havia dito, “o principal charme dessa cidade pequena é exatamente ser uma cidade pequena”. Não sei se influenciado pelo nome, mas a minha sensação era a de estar em alguma cidade no interior da minha Minas Gerais. A praça, bem arborizada, está em frente à maior igreja da cidade. Ali do lado também está o principal hotel, o banco (no caso, não é o banco do Brasil, como seria, se estivéssemos mesmo em Minas Gerais), algumas lojas e restaurantes. Entre eles, o mais famoso de Minas. Na verdade, uma confeitaria, a Irisarri. Puro charme e tradição, foi aí que nos refestelamos em suas guloseimas, quando passamos pela cidade no dia seguinte. Não tinha a minha goiabada, mas o que não faltava em seus balcões eram doces. Respeitando as devidas proporções, vir a Minas e não parar na Irisarri é como ir ao Vaticano e não ver o papa!
Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai
Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai
Por fim, como não poderia deixar de ser, uma estátua adorna o centro da praça. Ela faz uma homenagem a uma batalha ocorrida a quase 190 anos, nos campos de Sarandi, não muito longe daqui. Outra vez, precisamos nos acostumar com a ideia de que, aqui no Uruguai, pelo menos na história, nós brasileiros somos os vilões. A batalha de Sarandi foi o primeiro grande combate entre os valentes uruguaios que buscavam sua independência e o exército imperial opressor dos brasileiros. O ano era 1825 e o resultado da batalha foi uma vitória acachapante uruguaia.
Muitas flores nos bosques e jardins do parque Salus, na região de Minas, no Uruguai
O Uruguai havia sido ocupado por tropas luso-brasileiras oito anos antes e seu herói nacional, o general Artigas, vencido e expulso para o Paraguai. A jovem nação tinha sido rebaixada e rebatizada como Província Cisplatina. Com a independência brasileira em 1822, o vasto Império do Brasil ia do Oiapoque ao Rio da Prata, uma promissora nação destinada a se tornar potência mundial. Mas sua fronteira sul enfrentava problemas e a também nascente nação argentina não se conformava com a perda dos territórios da Banda Oriental, como era conhecido Uruguai entre eles. O nome vinha do fato de se referir às terras situadas na margem oriental do rio Uruguay.
Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)
Em 1825, um grupo de homens conhecido como os “Treinta y Tres Orientales” atravessaram o rio Uruguay, vindos de Buenos Aires e liderados por Lavalleja, e desembarcaram na Província Cisplatina. O intuito era iniciar a guerra de liberação do país. Rapidamente, as vilas do interior do Uruguai foram liberadas e as duas principais cidades do país, Montevideo e Colonia del Sacramento, cercadas. As tropas imperiais reagiram, uma coluna de 1.000 homens entrando na província rebelde vindos do Rio Grande do Sul e outra coluna de mesmo tamanho partindo da capital uruguaia rumo ao norte, para se juntar a seus compatriotas. Por mais que as tropas rebeldes de Lavalleja fustigassem as duas colunas, não conseguiram impedir que elas se encontrassem nas proximidades de Sarandi. Os revoltosos decidiram então, num ato de grande valentia, dar cabo desse grande exército reunido, num só golpe.
Estátua homenagenado a batalha de Sarandi, primeira grande vitória uruguaia na guerra de libertação contra as forças imperiais brasileiras, em 1825 (na praça central de Minas, no Uruguai)
Foi exatamente o que ocorreu em 12 de Outubro de 1825. Forças de tamanho similares se enfrentaram nos campos de Sarandi e, talvez pegos de surpresa pelo ataque impetuoso e inesperado, o exército brasileiro foi fragorosamente derrotado. Entre os dois mil combatentes imperiais, houve 400 mortes e outros 400 feitos prisioneiros, enquanto as baixas uruguaias ficaram em apenas 10% dessas cifras. A vitória catapultou a rebelião e, em breve, quase todo o território uruguaio estava em suas mãos. A última região a cair foi o nordeste do país, restando apenas as cidades de Montevideo e Colonia, que permaneceram sob cerco terrestre, mas sob domínio brasileiro, até o final da guerra, três anos mais tarde.
Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825
As derrotas terrestres eram contrabalançadas pela superioridade naval do Império do Brasil. A ajuda escancarada dos argentinos na guerra fizeram com que o Brasil declarasse guerra àquele país e fizesse um bloqueio naval de sua principal cidade e porto, Buenos Aires. O cerco estrangulou a economia do país e, após três anos de hostilidades, o país vizinho estava pedindo água. Foi nesse impasse que a Inglaterra fez uso de sua poderosa diplomacia e “convenceu” os países beligerantes que a solução seria a criação de um terceiro país, o Uruguai. Nâo era esse o intuito inicial daqueles “33 orientales”, que sonhavam com uma república federalista e não centralizada, mas unida, de todas as províncias de língua espanhola na Bacia do Prata. Por fim, brasileiros ficaram felizes que o Uruguai não pertenceria à Argentina; argentinos ficaram felizes de ter seu porto liberado e que o Uruguai não pertenceria ao Brasil; uruguaios ficaram felizes de ter sua própria nação, livres do Império do Brasil e da Argentina de governo centralizado fortemente em Buenos Aires; e a Inglaterra ficou feliz de criar uma nação livre entre as duas maiores potências do continente e de mostrar ao mundo que ela ainda tinha força de exercitar sua diplomacia dentro do “quintal” da mais nova e emergente potência imperialista do mundo, os Estados Unidos e sua recém-criada doutrina Monroe (América para americanos).
Gravura sobre a batalha de Sarandi, a primeira grande vitória dos uruguaios contra as tropas imperiais brasileiras, em 1825. Eram 2 mil homens de cada lado e as tropas brasileiras sofreram mais de 400 mortes
Depois da aula de história, seguimos adiante. Minas não era nosso destino final hoje. Queríamos chegar verdadeiramente à região serrana do país e, para isso, precisávamos seguir mais alguns quilômetros. A pequena Villa Serrana e o Parque Salto del Penitente não estavam longe.
Almoçamos na Irisarri, a mais tradicional confeitaria de Minas, no Uruguai, uma verdadeira institução local
Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
No nosso planejamento da viagem pelo nordeste, além das óbvias atrações no litoral, sempre procuramos saber e conhecer regiões do interior, do sertão. Afinal, tínhamos uma "forte desconfiança" que o nordeste era muito mais do que um punhado de praias bonitas.
A Pedra da Boca, na fronteira do Rio Grande do Norte com Paraíba, próximo à Passa e Fica
Lugares como a Chapada Diamantina e a Serra da Capivara já tem luz própria, até internacionalmente. Mas outros lugares, como a Serra do Catimbau e o Lajeado do Pai Mateus não são assim tão conhecidos e precisamos fazer uma certa pesquisa para chegar até eles. E assim fomos fazendo, descobrindo lugares interessantes no interior de todos os estados nordestinos. Na verdade, todos não. Faltava o Rio Grande do Norte.
Pronta para a caminhada até a boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Foi quando começamos a receber dicas de outros viajantes pelo caminho. Falavam de uma tal de "Passa e Fica". Eu entendia "Pacifica", procurava no mapa, e nada. Depois da terceira vez que me indicaram, decidi achar de qualquer maneira. Google, internet, mapas, até que a ficha caiu. Pronto, achei a famosa Passa e Fica, fronteira de Rio Grande do Norte e Paraíba, do lado potiguar.
Subindo a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
E aqui chegamos hoje. Passamos diretamente pela cidade e fomos direto ao Parque Estadual, pertinho do centro. Mas, ironia, esse "pertinho" foi o bastante para cruzarmos a fronteira. O belo Parque da Pedra da Boca fica na Paraíba, apesar de estar colado em Passa e Fica. "Paci e Ência"...
Pedra da Caveira, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Lá chegando, fomos recebidos pelo Seu Tico, que vai nos guiar amanhã por uma trilha cheia de grutas e tocas, cenário incrível, dizem. Hoje, ele mandou que o filho nos levasse até a enorme boca na rocha que dá nome ao parque. A gente já vê ela bem de longe, afastando qualquer dúvida sobre o porquê do nome da pedra e do parque. Só falta um batonzinho.
Vista do caminho para a Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Em meia hora subimos os quase 200 metros de desnível que nos separavam da boca. Ela, que parecia pequenina lá de longe, é gigantesca lá de perto. Uns 80 metros de largura, 30 m de altura e uns 20 m de profundidade. Outra formação geológica incrível da mamãe natureza. Quando achamos que já vimos de tudo, ficamos de boca caída com o tamanho da boca da pedra.
Visual à partir da boca da pedra, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Lá ficamos por uma boa meia hora, tirando fotos, venerando a paisagem, tentando entender aquela coisa. Até o teto do lugar lembra, adivinhem... o céu da boca! Pois bem, lá de dentro da boca ficamos admirando o parque, que tem várias outras pedras mais baixas, inclusive uma com a cara de uma caveira. Observamos também o Rio Grande do Norte, ali do lado, literalmente a "um tirinho de espingarda" de distância.
Dentro da enorme "boca", no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Que belo dia foi esse, amanhecer vendo as praionas da Pipa e entardecer vendo essas pedras gigantes em Passa e Fica. Amanhã, será o contrário: vamos amanhecer com as pedras e cavernas daqui e entardecer com as praias de Natal. E assim seguimos até onde o fôlego aguentar...
Descendo da Pedra da Boca, no Parque Estadual da Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com Passa e Fica - RN
Equilibrando-se em coqueiro no caminho para Havaizinho, em Itacaré - BA
Dia importante, hoje. Enquanto o Brasil escolhia entre Lula, quer dizer, Dilma e Serra, a gente aqui precisava escolher entre mar ou cachoeira e entre trilha no mato ou trilha na praia. Assim é Itacaré: várias opões completamente diferentes, todas pertinho uma da outra. Para ficar completo, só faltava uma montanha nevada aqui do lado...
Cachoeira do Gravatá, em Itacaré - BA
Bom, com tantas opções, optamos por não optar! Vamos em todas! E ainda com a boa intenção de voltar a tempo de justificar o voto, cumprir com nossas obrigações cívicas. E foi assim que começamos o dia, cheio de boas intenções...
O grande lago da Cachoeira do Gravatá, em Itacaré - BA
O caminho lógico era fazer primeiro as praias, para depois lavar a água salgada na água doce das cachoeiras. Bom, nossos planos não duraram muito tempo não. Além de nós, a torcida do Bahia e do Vitória também pensaram nisso, todos aproveitando o feriadão e deixando para justificar o voto depois... Quando chegamos ao início da trilha da Engenhoca, o estacionamento já estava lotado.
O marzão da praia Itacarezinho, em Itacaré - BA
Bom, deixa eu contextualizar: seguindo para o sul, em direção à Ilhéus, a uns 15 km de Itacaré, estão algumas das mais bonitas praias e trilhas da Bahia. São as praias da Engenhoca, do Havaizinho e do Itacarezinho. Além disso, ali perttinho também estão as Cachoeira do Tijuípe e do Gravatá. Teoricamente, de carro chega-se até Itacarezinho, mas para as outras duas é preciso percorrer uma trilha lindíssima, por entre palmeiras e coqueiros e com vista para esse marzão lindo daqui. Pra se chegar às cachoeiras também há uma trilha, mas sem vista para o mar, claro.
Cachoeira do Tijuípe, movimentada num feriado, em Itacaré - BA
Pois bem, a trilha para Engenhoca e Havaizinho estava lotada, resolvemos seguir para Itacarezinho. O acesso por carros estava fechado, resolvemos seguir para as cachoeiras. Em questão de minutos, nossa programação se inverteu por completo. Aí, para completar, a bela Cachoeira do Tujuípe estava lotada. Umas 30 pessoas dentro do poço, e chegando mais gente. "Hmmm..." - pensei - "lugar certo, dia errado. Maldito feriado..."
Refrescando-se na Cachoeira do Gravatá, em Itacaré - BA
Foi quando as coisas começaram a melhorar. Deixamos a Tijuípe e a muvuca para trás e meros 200 metros de caminhada na mata nos levaram para a Cachoeira Recanto do Gravatá. Um enorme poço, na verdade um lago e a cachoeira lá no fim. Água limpíssima, sem nada a dever para as mineiras. Com a vantagem da água não ser fria! E, pasmem, sem nehuma pessoa! Sabe-se lá porque, pessoas preferem ficar perto de pessoas. Aparentemente, eu e a Ana somos diferentes. Assim, tivemos esse paraíso só para nós, por uma boa meia hora. Uma delícia! Foi a gente sair do lago para continuar o passeio do dia que começou a chegar mais gente na Gravatá. Ao passar pela Tijuípe, o número de pessoas tinha quase duplicado. Mas nós já estávamos de alma lavada, prontos para seguir em frente...
Caminhando para a Praia Itacarezinho, em Itacaré - BA
Voltamos para Itacarezinho e enfrentamos o quilômetro de estrada de terra morro abaixo, à pé. Ao chegar perto, vista magnífica dessa praia deslumbrante, coisa de cinema. Quilômetros de areia clara e milhares de coqueiros. Pouquíssima gente lá em baixo, os poucos corajosos a enfrentar o caminho que era para ser feito de carro, mas que estava fechado pelo feriado.
A praia de Itacarezinho, em Itacaré - BA
Lá ficamos um bom tempo, entre a sombra dos coqueiros e o refresco do mar. Quer dizer, no mar, só eu. A Ana, que não havia resistido a um mergulho na cachoeira, aqui se comportou e só ficou na areia, se refrescando na brisa do mar mesmo.
Praia do Havaizinho, em Itacaré - BA
De lá, ao invés de subirmos a estrada, pegamos uma trilha linda que nos levou até a pequena praia de Gamboa e de lá para o Havaizinho. A beleza cênica dessa trilha é incrível! Tanto pela vegetação como pelo mar ao nosso lado. Sempre na sombra de coqueiros e palmeiras.
Vendedor de cocadas em Itacaré - BA
No Havaizinho, pausa para cocada e para cerveja gelada de um santo ambulante que ali estava. Renovados, seguimos por trilha igualmente linda até a Engenhoca, outra praia paradisíaca, sonho de todos os surfistas. E não é que o acesso à todo esse paraíso esteve (ou está?) ameaçado por um gigantesco investimento hoteleiro dos nossos patrícios de além-mar? O acesso chegou a ser fechado, as obras andaram à todo vapor, foram embargadas, desembargadas e embargadas novamente. E assim estão já há algum tempo, aleluia! Aparentemente, só pagaram o partido da situação, esquecendo de fazer uns agrados ao partido de oposição e também ao judiciário, claro. Só que a oposição virou situação, e o nó ainda não foi desfeito. Hoje, a linda praia convive com um enorme esqueleto que não pertence àquele lugar. Enquanto isso, a maravilhosa trilha e a maravilhosa praia continuam abertos para o deleite dos turistas e dos locais. E os pobres milionários ficaram sem seu hotel exclusivo para passar suas férias, coitadinhos...
Tirando uma soneca na Praia da Engenhoca, em Itacaré - BA
Bom, só ficou faltando o banho de água doce. Que nada! Na volta de Havaizinho para a estrada, aquela primeira trilha do dia que estava lotada e agora estava deserta, cruzamos com um riacho jóia, cheio de piscinas naturais para nos deleitarmos. E assim foi. Na estrada, eu corri até o ponto de entrada de Itacarezinho para pegar a Fiona e voltar para Itacaré, pegando a Ana no caminho. Dia cheio, dia maravilhoso. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos: rio, cachoeiras, praias e trilhas. Todos? Não... faltou tempo para justificar nosso voto. Bem, isso aí se acerta depois...
Rio na Trilha da Engenhoca, em Itacaré - BA
De noite, já com a Dilma presidente (ai, ai, ai), fomos comemorar as eleições. As nossas, claro, onde todos foram eleitos. Em companhia de nossas novas amigas, as lindas gaúchas que gerenciam a nossa pousada, a Rebeca e a Biaca. Aqui na Bahia, fizemos amigas cariocas e agora, gaúchas. Cadê as baianas? Calma, ainda vamos passar em Salvador...
Com a Bianca e a Rebeca, em Itacaré - BA
Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul
O dia hoje realmente estava lindo. Céu azul e sol radiante, o que aqui na Geórgia do Sul significa algo próximo dos 10 graus. Quando não está ventando, claro! Depois da maravilhosa manhã remando e caminhando pela pitoresca Ocean Harbour, era hora de voltarmos ao Sea Spirit e navegarmos um pouco mais adiante nesse nosso cruzeiro pela costa norte da ilha. Ainda tínhamos o programa da tarde, um desembarque em St Andrews Bay, local da maior colônia do mundo de pinguins rei.
Passageiros a caminho do Sea Spirit em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Voltando para o Sea Spirit após passar a manhã em Ocean Harbour, na Geórgia do Sul
Então, que assim seja. Todos de volta ao nosso barco cruzando uma última vez as águas calmas de Ocean Harbour a bordo dos velozes zodiacs. Quase todos na tradicional jaqueta amarela e o pequeno grupo dos “caiaquistas” na roupa fashion a lá Top Gun. Depois, chegando no Sea Spirit, nada de distinção: todos limpando muito bem as botas de borracha na pequena piscina de água tratada que mata 98% das bactérias. Depois, direto para nossas cabines para trocar de roupa e ficarmos prontos para o almoço, já em tempo de ser servido.
O Sea Spirit em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul. Aí se vê bem o deck onde abordamos os zodiacs (1), o deck principal onde está o nosso quarto e os zodiacs são guardados(2), o deck da sala de estar e do bar(3) e o deck da piscina (4)
Em dia de céu aberto a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, almoço no deck externo do Sea Spirit
Com o céu azul que tínhamos hoje, muita gente optou por almoçar ao ar livre, lá no último andar, onde também fica a piscina. Assim, comemos e ao mesmo tempo, admiramos a paisagem exuberante da ilha, enquanto navegamos para St Andrews. Essa será nossa penúltima chance de desembarque aqui na Geórgia do Sul. Amanhã pela manhã teremos mais uma oportunidade, inclusive com nova chance para caiaque, se as condições do mar permitirem. Depois, de tarde, vamos navegar pelo mais profundo fiorde da Geórgia do Sul, mas sem desembarques. Vai ser apenas para apreciarmos o visual da paisagem, com dezenas de geleiras que desembocam no tal fiorde. Depois, marcha a ré até mar aberto novamente e aí, direto para o sul, rumo a Antártida.
Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul
As maiores montanhas da Geórgia do Sul, vistas do Sea Spirit a caminho de St Andrews Bay
Obervando a paisagem grandiosa a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul
Temos então de aproveitar ao máximo o tempo que nos resta nessa ilha incrível. E essa navegação entre Ocean Harbour e St Andrews foi ótima para isso. Pudemos ver as maiores montanhas da Geórgia do Sul em todo o seu esplendor, aproveitando o dia limpo. Oportunidade imperdível para fotos também. Principalmente por que o mar estava calmo e sem ondas, um verdadeiro “mar de almirante”.
A bordo do Sea Spirit, com muito sol e uma paisagem magnífica a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul
Felizes da vida com o dia de sol e a beleza da paisagem a caminho de St Andrews Bay, na Geórgia do Sul
Depois, um drinque com nosso grande amigo Gunar, nosso companheiro brasileiro no navio e uma verdadeira inspiração para nossas viagens, já que ele sempre nos contar de todos os pedaços do mundo que ele já conhece.
Junto com o brasileiro Gunar, na sala de estar do Sea Spirit. AO fundo, a biblioteca do navio (em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul)
A enorme geleira em St Andrews Bay, na Geórgia do Sul
Por fim, chegamos à famosa St. Andrews Bay. Aqui de longe, já dá para ver que há açgo de “estranho” na longa praia. Algo parecido com ver Copacabana num domingo de sol bem de longe. A gente sabe que a praia está cheia, mas não dá para ver bem do quê. Mas as semelhanças para aí, na praia. Por que, atrás da praia, nada de prédios ou morros verdejantes. Montanhas, há sim, mas brancas e muito mais altas. E também uma enorme geleira, a Ross Glacier. Enorme hoje, mas menor do que ontem. Ela é mais um exemplo de geleiras que estão retrocedendo aqui na Geórgia do Sul. Enfim, é para lá que vamos em seguida. Nossa última chance de ver pinguins rei. E algo me diz que vai dar para matar a vontade...
St Andrews Bay, na Geórgia do Sul, local da maior colônia de pinguins rei do mundo
Fim de tarde bo deserto Vizcaíno, na Baja California - México
Acordamos hoje deliciosamente instalados na cama do nosso (ex) bordel preferido, o Hotel Frances, em Santa Rosalía. Vencida a preguiça, levantamos, abrimos a porta do quarto que dá para uma enorme varanda e demos de cara com a vista maravilhosa do mar à nossa frente e da cidade abaixo de nós. A mesma vista que tinham as antigas moradoras desse lugar. Como será que era a vida delas?
A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México
O nosso café da manhã foi servido no antigo saloon do estabelecimento, igualzinho aos dos filmes de cawboy. Mas ao invés de tomarmos a famosa dose de uísque cawboy, ficamos no copo de chá mesmo. A todo momento parecia que o John Wayne entraria pela porta, ou alguma mulher de reputação duvidosa desceria pela escadas, mas isso ficou só na imaginação mesmo. Se pudéssemos viajar no tempo...
Café da manhã no antigo saloon do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México
Empacotamos a Fiona e descemos para a cidade, para uma última olhada rápida e algumas fotos, já que ontem estava escuro quando chegamos. Mas, logo na primeira volta, encontramos um chaveiro. Já faz tempo que a fechadura da nossa capota da caçamba é só psicológica (ainda bem que ninguém sabe disso!) e era uma boa hora para consertá-la. Assim, enquanto a Fiona ficou lá de molho, eu e a Ana pudemos passear tranquilamente por essa cidade de faroeste e até almoçar.
Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México
A arquitetura de Santa Rosalía realmente lembra essas cidades dos filmes de John Ford. A gente já tinha visto uma igual, lá no deserto de Atacama, uma antiga cidade mineira também. Só que lá a cidade foi toda transformada num museu, ninguém mais mora ali. Aqui não, continua uma cidade normal, com seu ritmo cotidiano de vida. Muito interessante!
A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México
O principal prédio é a igreja Santa Bárbara, desenhada e construída por ninguém menos que Alexander Eiffel, o mesmo da famosa torre parisiense. A igreja esteve exposta na Feira Internacional de Paris, quando foi inaugurada a famosa torre. Ganhou um prémio pelo design inovador. Depois, desmontada, foi parar num depósito na França. O dono da companhia mineira aqui de Santa Rosalía era francês e resolveu trazer a igreja para cá. Com uma reforma ou outra, continua de pé, orgulhando os habitantes da cidade.
A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México
A fechadura da Fiona finalmente ficou pronta e a gente se despediu da cidade e também do Mar de Cortez, que não vamos mais ver nessa viagem. Adiós, amigo!
Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México
A gente seguiu para o meio do deserto, seguindo a fronteira do parque que protege essa maravilha natural, o enorme Deserto Vizcaino. Nessa época do ano, ele está florido, o que o ainda faz mais belo. Pois é, para que acha que deserto só tem cactos, deveria vir passear por aqui...
Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México
A gente seguiu até a cidade de San ignacio, que também cresceu ao redor de uma antiga missão jesuítica. Vamos usar a cidade como base para explorar o deserto, suas paisagens maravilhosas e uma outra atração: algumas das mais belas pinturas rupestres do mundo.
Época de deserto florido na Baja California - México (estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio)
Antiga pousada em Talkeetna, no Alaska, há mais de 60 anos recebendo alpinistas
Há muito tempo conheço a cidade de Talkeetna pelo nome. De tanto ouvir falar, tinha virado algo meio lendário para mim. Uma pequena cidade perdida no maio do Alaska, local de encontro de alpinistas de todo o mundo, indo ou voltando para o campo base do Denali, montanha a cerca de 100 km ao norte Talkeetna.
O famoso trem da região de Talkeetna, no Alaska
Apesar de já ter lido sobre ela e escutado de outros alpinistas, a principal fonte de informação para que eu formasse a minha imagem da cidade foram os relatos do primo Haroldo, o mesmo que já nos encontrou em alguns pontos desses 1000dias (mas que ainda está nos devendo algum outro encontro!). Foi com ele que subi o Monte Aconcágua, em 1999. O Haroldo continuou com suas escaladas e esteve duas vezes aqui em Talkeetna, nas suas tentativas de atingir também a montanha mais alta da América do Norte.
A mais antiga casa de Talkeetna, no Alaska
Na sua segunda tentativa ele chegou ao cume, levando para casa fotos e lembranças maravilhosas da experiência. E entre as boas lembranças, destacam-se também os bares da pequena Talkeetna, na celebração da conquista da montanha. Desde então, além de também acalentar a subida do Denali, sempre imaginei como seria, ao vivo e a cores, a movimentada Talkeetna.
Muitos bares e cafés em Talkeetna, no Alaska
Imaginava uma cidade quase inacessível, exceto por avião ou trem. Que nada, a estrada chega muito bem até aqui e a Fiona nos trouxe com todo o conforto. Imaginava um lugar na fronteira da civilização. Que nada, nós viemos do norte, de lugares muito mais isolados e Talkeetna nos pareceu até bem “sofisticada”. Imaginávamos um lugar cheio de alpinistas barbados e com roupas surradas, mas agora, já no final de temporada, estava quase que completamente vazia.
Cervejaria em Talkeetna, no Alaska
Bom, e tudo isso tirou algum charme da imagem que eu tinha criado? De maneira nenhuma! Aliás, muito pelo contrário! A cidade é uma delícia, ruas de terra no meio de muito verde, casas de madeira, bares e restaurantes aconchegantes e um clima de aventura e exploração que paira pelo ar, mesmo depois de terminados os movimentados meses de verão.
Relaxando e aproveitando a vida em Talkeetna, no Alaska
Chegamos aqui ontem de noite e nos vamos amanhã pela manhã. Foram momentos de intensa tranquilidade, ar puro, consciência leve, cheiro de chuva e de mato, um friozinho do inverno que está batendo na porta e uma curiosa e saborosa procura pelo bar que meu primo tanto nos descreveu. Não sei se o reconhecemos, mas certamente passamos por ele, pois fizemos uma verdadeira peregrinação por todas as opções.
Um dos bares de Talkeetna, no Alaska, já bem tranquilo depois da temporada
Enfim, dias deliciosos. Só não sei o que vou achar da Talkeetna movimentada, agora que conheci a Talkeetna tranquila...
Casas coloridas em Olinda - PE
Dia bem gostoso e tranquilo, tivemos hoje. Finalmente, temos acesso a uma internet rápida, o que é um prazer incomensurável. Incrível como ficamos dependentes dessas coisas hoje em dia. Como é que as pessosa viviam há dez anos?
Tomando nossa pinga baiana para entrar na piscina da pousada São Pedro, em Olinda - PE
Nossa pousada é tranquila, muito bem localizada no centro histórico de Olinda. Tem um terreno arborizado com uma piscina "apetitosa" nos fundos. Passamos a manhã trabalhando e, apesar do tempo chuvoso, ainda deu para aproveitar a piscina, com o estímulo de uns goles na deliciosa pinga que compramos na Chapada Diamantina.
Observando ruínas em Olinda - PE
Depois, enfrentando a chuva que vinha e voltava, fomos passear pelas ruas coloridas da cidade. É uma delícia caminhar por aqui, para quem não liga para ladeiras. São diversas pousadas, restaurantes, ateliês, mercados, igrejas, bares, quase todos muito bem cuidados e charmosos, um convite para maiores explorações.
Cidade alta em Olinda - PE, em dia chuvoso
A cidade é de 1535 e foi fundade por Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco. Ao ver as colinas onde seria fundada a vila teria dito: "Oh... linda localização!", origem do nome da cidade. Ela foi a capital do estado até ser incendiada pelos holandeses em 1631, por acharem que era um lugar muito difícil de ser defendido. Quando os portugueses retornaram, 20 anos mais tarde, Olinda voltou a ser a capital do estado pelos próximos 200 anos, embora os governadores residissem em Recife. Foi na cidade que foram instalados os primeiros cursos jurídicos do país, tornando-a um foco estudantil. Com um público assim, não é surpresa a proliferação de bares e festas e a transforamção da cidade num dos principais centros para festejo do carnaval.
Experimentando chapéus típicos em mercado de Olinda - PE
Aliás, ficamos imaginando como ficam essas ruas tranquilas durante essa festa. Muitas casas exibem cartazes oferecendo-se para serem alugadas. Deve ser uma "experiência" estar aqui nesses dias de fevereiro/março! No domingo, vamos ter uma pequena amostra, com blocos pré-carnavalescos circulando pelas ruas de paralelepípedo.
Delicioso jantar de jerimum com camarões ao leite de coco com molho de pitanga, no restaurante Oficina do Sabor, em Olinda - PE
De noite, fomos até um dos famosos restaurantes de Olinda, o Oficina do Sabor e saboreamos um delicioso jerimum recheado de camarões ao creme de leite e suco de pitanga. Tudo isso com vista para as luzes da cidade lá embaixo.
Recife vista de Olinda - PE, em dia chuvoso
Com o simpático casal de Vitória, Amanda e Vítor, em Fernando de Noronha - PE
É sempre triste deixar um lugar bonito e agradável. Especialmente quando não sabemos quando vamos poder voltar. Nessa nossa viagem, quase sempre por lugares assim, estamos ficando cada vez melhores em lidar com esse sentimento. Ainda mais que estamos sempre deixando um lugar bonito para ir para outro, e não para um escritório.
Mas, mesmo para nós, acostumados agora com essa rotina, deixar Noronha é muito triste. Essa ilha maravilhosa, mesmo entre as grandes atrações brasileiras, se destaca. A deliciosa rotina de se caminhar para um bom restaurante, a segurança total de andar a qualquer hora do dia e da noite, a proximidade de algumas das mais belas praias do Brasil, a temperatura sempre quente, os mergulhos maravilhosos, o clima de felicidade e tranquilidade contagiantes de todos os que estão visitando o arquipélago, tudo isso somado faz de Noronha um lugar muito especial de se estar.
Despedida da Praia da Cacimba, em Fernando de Noronha - PE
Ontem fui dormir mais cedo que o Haroldo e a Ana, que esticaram a noitada até às quatro da manhã. Saboreei nosso último café da manhã na pousada sozinho, vesti meu tenis e fui correndo até a Praia da Cacimba. Cedinho ela fica deserta, o que a torna ainda mais linda. Por uma hora fiquei nadando em suas águas transparentes, maravilhado com a visão subaquática das ondas que passavam sobre minha cabeça e quebravam alguns metros depois. Poucas visões podem ser mais lindas, mais mágicas do que ver com clareza, de debaixo d'água, a onda estourar, primeiro fazendo uma espécie de parede de água e, logo após estourar, um redemoinho de espuma. Impressionante também é furar uma onda maior, pouco antes dela estourar. Naqueles décimos de segundo de confusão que se seguem embaixo d'água, é possível vislumbrar peixes que parecem se divertir com esses redemoinhos. Dura muito pouco! Quando a poeira se assenta ou a luz volta a iluminar a água, eles se foram. Realmente, estão lá apenas naquela fração mágica de segundo. É uma dádiva poder observar este momento fugaz!
Placa comemorativa do nosso mergulho na Corveta, presente do Fernando, em Fernando de Noronha - PE
Quase na hora de voltar para a pousada o Haroldo e a Ana chegaram de táxi. Tiramos algumas fotos e eles foram dar um último mergulho enquanto eu voltei correndo para a pousada. Lá, foi o tempo de arrumar as coisas e se despedir do Jurrewerson, dono da pousada, e de um casal de Vitória, a Amanda e o Vitor, que ficaram nossos amigos exatamente nesses últimos momentos de despedidas. Também estava lá o Fernando, que além de nos levar para todos esses mergulhos maravilhosos ainda nos deu, de presente, uma placa comemorativa do nosso mergulho na corveta. Foi jóia!
Hora da partida no aeroporto em Fernando de Noronha - PE
Por fim, aquela depressão de ir para o aeroporto e partir, nós para Recife e o Haroldo para São Paulo, via Natal. Uma última vista da ilha pela janela do avião e bola prara frente!
Fiona na praia de Boa Viagem, em Recife - PE
No continente, após alguma ponderação, decidimos por nos hospedar em Olinda. Afinal, em janeiro deste ano já tínhamos passado uns 5 dias em Recife fazendo nosso curso de mergulho técnico. Na época, fizemos passeios na cidade e gostamos muito. Desta vez, para variar, resolvemos nos basear em Olinda e vir para Recife um dia para passear.
Alerta nas placas da praia de Boa Viagem, em Recife - PE
Depois da tranquilidade de Noronha, foi um certo choque enfrentar o horário do rush da capital pernambucana. Atravessamos Boa Viagem ainda com a luz de fim de tarde. Orla convidativa, bem arrumada, muita gente fazendo esporte e aquelas placas perturbadoras avisando sobre tubarões.
Fim de tarde com muito trânsito em Recife - PE
Depois do trânsito do centro, chegamos na muito mais pacata Olinda, onde nos instalamos na charmosa Pousada São Pedro. Domingo tem carnaval! E até lá, muito trabalho e muitos passeios!
Em tempo, a única parte do meu corpo que agradece termos deixado Noronha é o bolso! É bonito, mas não precisava ser tão caro...
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