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Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Entre as Árvores Gigantes

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City

Caminhada entre as árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhada entre as árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


No final da tarde de ontem, passamos rapidamente por uma floresta de redwoods ao norte da cidade de Crescent City. A luz já não estava boa, os últimos raios de sol a conseguir ultrapassar aquelas copas de árvores a 100 metros de altura. Foi o bastante para ficarmos absolutamente encantados com essas árvores que chegam a viver mais de 2 mil anos! Exatamente, Jesus ainda andava na Galileia e algumas dessas árvores já praticavam a fotossíntese aqui do outro lado do mundo! Mal podíamos esperar o dia raiar novamente para podermos voltar lá e seguir pelo parque, caminhar entre elas e, agora com uma luz decente, tirar as merecidas fotografias...

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


De volta ao Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

De volta ao Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Pois bem, o dia raiou e nós, após passarmos pelas praias de Crescent City, aceleramos de volta para aquela estrada de terra que havia nos enfeitiçado no dia anterior. Felizmente, as árvores ainda estavam lá, hehehe! No mesmo lugar onde estiveram durante os últimos milhares de anos. Quanta coisa não devem ter visto e ouvido, essas sábias criaturas. Talvez por isso, permaneçam em silêncio. A tranquilidade da floresta de árvores gigantes só é quebrada pelos sons de admiração e exclamação dos viajantes que passam por baixo. “Ooohhhh!”, “Uuuaaauuuu!”, “My Gooood!”, é o que mais se ouve por ali. Hoje, por sinal, as redwoods tiveram que aprender um pouco de português: “Nooooooossa!”, “Puuuutz” e outras expressões não apropriadas para um blog de família!

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Caminhando entre as gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhando entre as gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Mas não foi sempre assim. Há apenas cem anos, estas majestosas e divinas criaturas estiveram perto da extinção. E é claro que a culpa desse desastre seria nossa. As árvores estavam sendo derrubadas sem piedade pela indústria madeireira. Mas, justiça seja feita, a mesma humanidade que destrói, protege. No início do século passado foi criado uma “Save the Redwoods League”, um grupo de pessoas um pouco mais conscientes que lenhadores e capitalistas do lucro fácil, que percebeu que aquelas árvores maravilhosas deviam ser admiradas também pelas gerações vindouras. Bem ao estilo americano, a tal liga logo trouxe para a sua causa pessoas mais abastadas que passaram a comprar terras simplesmente para poder preservá-las. Essas propriedades foram o embrião dos parques estaduais e nacional que hoje protegem uma boa parte da faixa costeira ao norte de San Francisco. As redwoods estavam salvas e poderiam viver outros milhares de anos! O irônico é que, justo essa primeira área que vistamos, ontem e hoje pela manhã, um parque estadual, foi preservada pela esposa de um dos grandes barões da indústria madeireira daquela época. Acho que ela deu um novo (e ótimo) significado à expressão “em casa de ferreiro, espeto é de pau”. Ao caminhar pelas gigantes da sua antiga propriedade, só pude ser-lhe extremamente grato.

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Nesse parque estadual passamos algumas horas, dirigindo, caminhando, fotografando e, acima de tudo, nos entregando, de corpo e alma, à sensação glorificante de ali estar, respirando o mesmo ar daquelas gigantes, protegidos por sua sombra, tentando captar seu conhecimento. Algo que recomendo para todas as pessoas que tiverem a chance de fazê-lo.

O 'pequeno' tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

O "pequeno" tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As redwoods são primas das sequoias, outras árvores que já conhecemos quando chegamos aos Estados Unidos, sete meses atrás, nessa mesma Califórnia. O link do meu post sobre esse encontro está aqui e é super interessante comparar as fotos (para quem não pode compará-las ao vivo). As redwoods são mais altas, enquanto as sequoias são mais gordas. As duas sobrevivem por milênios, mas as sequoias vivem mais. Ambas são extremamente resistentes à insetos, pois sua casca exterior (“bark”, em inglês) é grossa e impalatável para eles. O mesmo bark funciona como um eficiente escudo contra incêndios, que costumam matar as outras árvores e deixar as gigantes vivas, agora com mais espaço para crescerem e se reproduzirem. Nas sequoias esse bark é vermelho, o que as torna bem visíveis perto das outras árvores, de tons mais marrons. As redwoods, apesar do nome, também são marrons. Mas a madeira, escondida pelo bark, é bem vermelha sim. Daí vem o nome da árvore que, pela qualidade e beleza de sua madeira, quase foi extinta.

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Desse parque estadual, seguimos para um dos centros de visitantes. Vã esperança! Obviamente que estava fechado, fora de estação que estamos. Ficamos ali, do lado de fora, a ler alguns dos painéis explicativos quando chegou um dos funcionários, para fazer um pequeno trabalho fora de época. Primeiro a Fiona (sempre ela!), depois a nossa viagem (sempre ela também!) trataram de atrair sua curiosidade. Depois, agora que tivemos a chance de conversar, foi o nosso interesse por árvores que o fez ficar ainda mais amável e simpático. Ele nos deu uma verdadeira aula sobre as redwoods e toda a família, folhas, sementes e troncos. Muito joia! Por fim, mostrou-nos várias das árvores plantadas ali. O meu sonho se realizou: uma redwood ao lado de uma sequoia! Pena que ainda são muito novinhas, mas o bisneto do meu tataraneto vai poder voltar aqui e compará-las já na fase “adolescente”!

As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma 'parente' chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma "parente" chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As duas nascidas em 1981, a Ana e uma sequoia, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As duas nascidas em 1981, a Ana e uma sequoia, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Havia por lá, também, a terceira árvore da família. Um parente mais antigo que, pensava-se, estaria extinta já há vários milhares de anos. Que nada! Foi redescoberta nas regiões centrais da China, há poucas décadas. Hoje, a família está reunida aqui. Quem mais cresceu, até agora, foi a redwood, pois está “jogando em casa”, perto do mar e num país onde falam a sua língua. Muito interessante e curioso foi saber o ano que elas foram plantadas: 1981. Ou seja, têm a mesma idade da Ana! Obviamente que não resistimos a tirar uma foto conjunta da geração de 81. Que tenham uma vida longa e saldável!

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Depois do intervalo cultural, estava na hora de voltar à prática. Seguimos para o sul, em busca de mais parques onde crescem protegidas as redwoods. Diferentemente das sequoias, elas crescem em grande número e, nas áreas de proteção, podemos ver centenas delas. São florestas inteiras de árvores gigantes, o que faz daquele ambiente ainda mais especial, mais mágico, Podemos ver alguns dos exemplares mais grossos que se tem conhecimento, mas não as mais altas. Isso porque os cientistas evitam revelar a sua localização exata. O medo é que um maluco, em busca de fama ou por pura loucura, tente derrubar a árvore. Por mais inacreditável que possa parecer, já aconteceu algo parecido, no Canadá. Uma árvore considerada sagrada pelos nativos foi botada abaixo por um louco, sem razão de ser. Quase foi linchado em seguida, mas o mal já havia sido feito...

As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Outra razão é que esse título fica mudando de mãos, ou de galhos, constantemente. Assim, fazer uma estrada ou trilha até lá para, logo depois, a tal árvore perder o título, não faz muito sentido. Assim, deixem elas lá, sossegadas. Afinal, aqui de baixo, todas elas parecem igualmente gigantescas e poucos metros não fazem diferença alguma.

Uma pequena caverna dentro de uma redwood que sobreviveu a um incêndio, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Uma pequena caverna dentro de uma redwood que sobreviveu a um incêndio, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Enfim, foi um dia incrível entre essas gigantes. Mais um capítulo do nosso turismo “vegetal”. Acho que só esse aspecto dos 1000dias já valeria um livro. Das gigantes tropicais aos titãs subtropicais, da Amazônia às florestas do Canadá, da mata Atlântica às lindas Araucárias, das flores silvestres às folhas de Outono, dos cogumelos psicodélicos aos emaranhados de algas, dos cactos do deserto à tundra polar, temos ficado absolutamente fascinados com o que temos visto nesses 1000dias pela Ao qual todos dependemos, silencioso que é, não poderia ser mais eloquente.

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City, Parque, Redwood National Park, trilha

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Paz em Treasure Beach

Jamaica, Treasure Beach

A linda e respeitosa árvore nas pedras de praia em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

A linda e respeitosa árvore nas pedras de praia em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Nosso plano original era ficar um dia inteiro em Treasure Beach e seguir viagem no dia seguinte. Ainda queremos passar em Port Antonio, na costa nordeste do país, conhecer as Blue Mountains, maior cordilheira de montanhas da Jamaica e passar um dia na capital, Kingston. Como vamos viajar para as Ilhas Cayman no dia 06, fazendo as contas, descobrimos que tínhamos um dia “sobrando”. Confabulando sobre como e onde passar esse dia, fazer um trekking nas montanhas, um dia de explorações a mais na capital ou aproveitar a praia, resolvemos apostar no que já era certo: nosso hotel em Treasure Beach estava muito gostoso e era ali que passaríamos o dia “extra”. Ótima estrutura, internet funcionando, boa comida, ótimo para colocar os posts em dia.

'Acorda, Ana!', em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

"Acorda, Ana!", em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Café da manhã no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Café da manhã no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Então, aqui ficamos os primeiros dois dias do mês de Fevereiro. Nosso dia começava preguiçosamente no nosso quarto de arquitetura mourisca e vista para o mar, continuava de forma saudável com um café da manhã também com vista para o mar e se alongava com uma sessão de internet e trabalho com vista para o... mar!

Depois do café, hora do trabalho no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Depois do café, hora do trabalho no Jake, nosso hotel em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Nosso caminho para o mar em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Nosso caminho para o mar em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


O céu azul e o sol forte faziam nossa consciência doer e abandonávamos o computador para a agradável caminhada de 200 metros até a pequena praia ali perto. Aí, ficávamos um pouco na areia e outro pouco na água, tomando cuidado com as pedras, já que o litoral é bem mais rochoso por aqui.

Litoral de Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Litoral de Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Ali na praia mesmo tinha um restaurante, o Jack Sprat, onde nos refestelávamos, tudo na conta do nosso quarto de hotel, pois são do mesmo dono. Eles também eram os responsáveis pela ótima trilha musical na praia, apenas reggae vintage. O fim de tarde era com um belo rum punch, já de volta no hotel, ao lado da piscina de água salgada trazida do mar. Céu entre o amarelo, o vermelho e o roxo e pelicanos fazendo acrobacias aéreas e mergulhos precisos para garantir suas refeições.

Bob Marley no Jack Sprat, famoso bar em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Bob Marley no Jack Sprat, famoso bar em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Não vimos o Bob Marley, mas olha o cachorro dele aí! (em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica)

Não vimos o Bob Marley, mas olha o cachorro dele aí! (em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica)


Banho delicioso (o melhor chuveiro em 2012!), mais um pouco de internet e trabalho e o jantar, pois ninguém é de ferro. Enfim, uma saudável e tentadora rotina que mereceu mais um dia, até para poder ser chamada de rotina...

Brinde para a Jamaica, em Treasure Beach, no litoral sul da país

Brinde para a Jamaica, em Treasure Beach, no litoral sul da país


Pelicanos em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Pelicanos em Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica


Bom, esticamos o quanto pudemos, mas amanhã temos de partir. Longa viagem cruzando a ilha de oeste à leste, de sul à norte, passando por Kingston e cruzando as Blue Mountains. O objetivo é a charmosa Port Antonio, porto que recebe navegantes do mundo inteiro e um tipo de turismo que ainda não vimos no país, gente que veio para ver o país e não seus hotéis.

Reggae em praia de Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Reggae em praia de Treasure Beach, no litoral sul da Jamaica

Jamaica, Treasure Beach, Praia

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De Novo ao Sertão

Brasil, Sergipe, Laranjeiras

Vista do alto da colina em Laranjeiras - SE

Vista do alto da colina em Laranjeiras - SE


Para quem acompanha nossa viagem sabe que, após subirmos toda a costa da Bahia, viramos em direção ao interior e fizemos uma grande looping pelo sertão nordestino, passando pela Chapada Diamantinha, Serra da Capivara, Serra das Confusões, interior de Pernambuco, sul do Ceará e oeste da Paraíba. Foi uma volta e tanto! Se traçar o percurso no mapa, vai ver que foi uma espécie de grande círculo pela região. Entre nós, chamamos este percurso de "sertaozão". Vimos muita coisa, mas também muita coisa na parte "interna" desse círculo não foi vista. Agora, voltamos ao interior para ver essa parte "interna", mais próxima do mar. É o que estamos chamando de "sertaozinho".

Vai incluir o interior de Sergipe, os canyons do São Francisco, o Raso da Catarina, na Bahia, o PN do Catimbau em Pernambuco e a região do Pai Mateus, na Paraíba. Depois, chega de sertão e voltamos ao mar, no norte de Pernambuco. Mas o reveillon será nesta terra abençoada, o interior nordestino, tão pouco conhecido dos brasileiros do sul

Laranjeiras - SE

Laranjeiras - SE


E para começar nossa viagem ao "sertãozinho" fomos a Laranjeiras, pertinho de Aracaju. Cidade histórica, com mais de 400 anos de idade. Cresceu entre várias colinas e, no topo de cada uma tem uma pequena igreja, bem charmosa. De todas elas, uma bela vista da região.

Igreja em Laranjeiras - SE

Igreja em Laranjeiras - SE


O centro da cidade está todo em reformas, obras de restauração. Quando terminarem, vai ficar bem legal, ruas com calçamento de pedra, fiação subterrânea. Mais um gostoso passeio para quem visita Aracaju. Afinal, são apenas 25 quilômetros de distância.

Igreja em Laranjeiras - SE

Igreja em Laranjeiras - SE


Nós fomos, passeamos pelo centro e pelas colinas, respiramos aquele ar gostoso de interior, enchemos nossos pulmões e partimos interior adentro. Próxma parada: a histórica cidade de Piranhas, na beira do São Francisco, já no lado de Alagoas e feita famosa porque foi lá que morreram Lampião e Maria Bonita. Desta vez as histórias do cangaço não vão nos escapar!

Igreja em Laranjeiras - SE

Igreja em Laranjeiras - SE

Brasil, Sergipe, Laranjeiras,

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Reencontros, Burocracias e a Operação

Brasil, Paraná, Curitiba

Com os tios, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Com os tios, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Uma série de razões nos trouxe de volta à Curitiba mais uma vez antes de terminarmos nossa jornada pelas Américas. Desde os mais prazerosos, como rever amigos e familiares, até os mais maçantes e inadiáveis, como renovação de passaporte e uma pequena intervenção cirúrgica que há muito eu já deveria fazer. Aproveitamos também para celebrar o aniversário da Ana, dar uma geral na Fiona e fazer o planejamento dos meses finais que nos restam pelo sul do continente. Foram pouco mais de duas semanas bem intensas para resolver tudo o que estava pendente e ainda aproveitar ao máximo a companhia de pessoas amadas e a nossa querida cidade.

Celebrando com a mãe a festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Celebrando com a mãe a festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Celebrando com a mãe a festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Celebrando com a mãe a festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Começo então pelos assuntos mais desagradáveis, como a minha operação, e sigo até os mais interessantes, como o reencontro com tantos amigos. Apesar de não poder reclamar da minha vida nos últimos tempos, nem tudo foram flores. Um siso muito mal posicionado vem me causando dores de tempos em tempos. Segurei o máximo que pude, para poder tratar aqui em Curitiba. Como não é uma coisa simples, nada melhor do que estar perto do dentista de confiança. Além disso, tão bom como o dentista conhecido é poder voltar para casa depois da operação e ser muito bem tratado e paparicado pela esposa e pela sogra. Assim foi, depois da faca, muito gelo e sopa por alguns dias. De pouco em pouco, alimentos mais duros e já vou poder sair de Curitiba tinindo, pronto para a parte final da viagem!

Trabalhando e fazendo gelo no rosto, na recuperação da cirurgia no maxilar, em Curitiba, no Paraná

Trabalhando e fazendo gelo no rosto, na recuperação da cirurgia no maxilar, em Curitiba, no Paraná


Trabalho no computador (em Curitiba, no Paraná)

Trabalho no computador (em Curitiba, no Paraná)


Outra questão que precisava de solução urgente era o meu passaporte. Ainda tinha validade por alguns anos (eu fiz um novinho há apenas dois anos!), mas todas as suas folhas, cada centímetro quadrado, já estava ocupado por algum carimbo. Foi até engraçado, durante esses últimos meses, a cada passagem de fronteira eu tinha de pedir delicadamente ao oficial de plantão para usar algum pequeno espaço que faltava em alguma folha lá de trás, tentando economizar ao máximo as duas folhas restantes. Até que, na Venezuela, para meu desespero, soube que a entrada da Fiona requeria um carimbo gigantesco no passaporte, ocupando uma folha inteira!!! A Fiona até ficou meio encabulada, mas não era sua culpa, hehehe. Renovar o passaporte no caminho era mais complicado, pois teríamos de esperar até uma semana em um mesmo lugar. Então, com muito esforço, conseguimos voltar até o Brasil. Aqui em Curitiba, marquei horário na PF e pedi um novo. Senti até uma pontada de orgulho quando a policial federal foi carimbar o selo de “Cancelado” nas folhas restantes do passaporte antigo e não encontrou nenhum espaço para isso. Disse que nunca tinha visto algo assim! Enfim, de passaporte novo (e sem a dor de dente!), já estávamos prontos para retomar a viagem!

Dando entrevista à rádio de Curitiba, no Paraná

Dando entrevista à rádio de Curitiba, no Paraná


Com a Zelia Sell, depois da entrevista para a rádio, em Curitiba, no Paraná

Com a Zelia Sell, depois da entrevista para a rádio, em Curitiba, no Paraná


Quer dizer, mais ou menos. É claro que aproveitamos também nosso tempo em Curitiba para rever os amigos. E entre tantos encontros, ainda conseguimos encaixar até uma entrevista na rádio. Foi bem legal, primeira experiência desse tipo no Brasil, pois já havíamos ido entrevistados em Honduras e na Argentina. O programa foi gravado e não ao vivo e ficamos bem curiosos para ver o resultado final. Nossa ideia é gravar e colocar um link no site. Vamos ver...

Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná

Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná


Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná

Reencontro com o Joca Oeiras em Curitiba, no Paraná


Bom, de volta aos amigos, foi bastante intenso. A Ana, social como ela é, tem diversas turmas diferentes por aqui. Assim, turmas diferentes requerem diferentes reencontros!. Foram diversos churrascos, almoços, jantares, festas e visitas sociais.

Revendo a vó Odila, em Curitiba, no Paraná

Revendo a vó Odila, em Curitiba, no Paraná


Com a madrinha tia Ilze, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Com a madrinha tia Ilze, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Por uma feliz coincidência, quem estava aqui em Curitiba justo nesses dias era o Joca, o jornalista-escritor que conhecemos lá em Oeiras, a antiga capital do Piauí. Ele passava pela cidade e resolveu telefonar para a Patrícia, a mãe da Ana, e descobriu que nós também estávamos por aqui. Foi muito legal revê-lo, depois de tantos meses e quilômetros. Quando lá passamos, ainda nem tínhamos viajado ao exterior!

Revendo o pai, em Curitiba, no Paraná

Revendo o pai, em Curitiba, no Paraná


Almoço com o pai em Curitiba, no Paraná

Almoço com o pai em Curitiba, no Paraná


Reencontro com o pai em Curitiba, no Paraná

Reencontro com o pai em Curitiba, no Paraná


Outra coisa interessante foi a quantidade de amigas que estão grávidas nesse momento! Deve ser a fase, todas com idades parecidas com a Ana. Tomara que seja um sinal, hehehe! Pois é, quando voltarmos dessa nossa aventura, daqui a uns poucos meses, uma nova “aventura” nos espera. Pelo menos, esse é o nosso plano...

Com a amiga Cris em Curitiba, no Paraná

Com a amiga Cris em Curitiba, no Paraná


Reencontro com a irmã em Curitiba, no Paraná

Reencontro com a irmã em Curitiba, no Paraná


Falando em idade, outro evento importante foi o aniversário da Ana, celebrado entre amigos e muitos familiares. Foi joia! Seu quarto aniversário desde que começamos a viajar! Incrível como o tempo passa rápido... Que ótimo que coincidiu com nossa passagem por aqui, assim pode ser bastante movimentado.

Com a Laura e o Rafa e a Val e o Fernando, na festa de aniversário, em Curitiba.

Com a Laura e o Rafa e a Val e o Fernando, na festa de aniversário, em Curitiba.


Recebendo turma de amigos em Curitiba, no Paraná

Recebendo turma de amigos em Curitiba, no Paraná


Por fim, aproveitamos também esse tempo por aqui para planejar nossos meses restantes de viagem e preparar a Fiona para isso. Em casa, ele pode fazer sua revisão dos 150 mil quilômetros. Fizeram muita festa para ela na concessionária, uma das “filhas” mais ilustres e, certamente, a mais viajada! Agora, está prontinha para atravessar a Patagônia e nos levar até Ushuaia, a ponta sul do continente. Para quem já foi até o Alaska, vai tirar de letra, com certeza!

Uma sempre aconchegante fogueira, na casa de amigos em Curitiba, no Paraná

Uma sempre aconchegante fogueira, na casa de amigos em Curitiba, no Paraná


Reencontro com amigos numa pizzada na casa do Pasini e da Fe, em Curitiba, no Paraná

Reencontro com amigos numa pizzada na casa do Pasini e da Fe, em Curitiba, no Paraná


Em linhas gerais, nossa ideia é descer a Argentina, principalmente pela famosa Ruta 40, ao lado dos Andes e, depois, subir pelo Chile, pela belíssima Carretera Austral. No caminho, diversos parques nacionais. Além disso, durante a descida, precisamos encaixar duas “saidinhas”, uma para a Ilha de Páscoa, no Oceano Pacífico, e outra para as Malvinas e Georgia do Sul, no lado do Atlântico. Aproveitaremos também para dar um ”pulinho” na Antártida, já que vamos estar tão pertos. Para a Ilha de Páscoa, vamos de avião, saindo de Santiago. Para as Malvinas e Georgia, vamos de barco, saindo de Buenos Aires, provavelmente. Estamos fechando o roteiro e logo vou poder dar os detalhes.

Hora de apagar a velinha, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Hora de apagar a velinha, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


Hora de cortar o bolo, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná

Hora de cortar o bolo, na festa de aniversário, em Curitiba, no Paraná


E assim foi, duas semanas renovando as energias, entre tantos amigos queridos e familiares, tentando conciliar a vontade de botar o pé na estrada novamente e curtir cada momento do descanso, conforto e companhia de pessoas que amamos e que nos amam. Nunca é fácil partir novamente. Mas ainda temos muito chão (e água!) pela frente...

Reencontro com a mãe em Curitiba, no Paraná

Reencontro com a mãe em Curitiba, no Paraná


Revendo o sogrão em Curitiba, no Paraná

Revendo o sogrão em Curitiba, no Paraná


Mas antes de retomar a viagem, ainda faltou um dos principais motivos da nossa estadia aqui em Curitiba. Um pequeno anjo chamado Luiza...

Na noite escura, na casa iluminada, leitura no computador, em Curitiba, no Paraná

Na noite escura, na casa iluminada, leitura no computador, em Curitiba, no Paraná

Brasil, Paraná, Curitiba,

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A Gloriosa Tikal

Guatemala, Tikal

Em frente ao Templo I, o mais famoso de Tikal, na Guatemala

Em frente ao Templo I, o mais famoso de Tikal, na Guatemala


A civilização maya se estendeu de El Salvador e Honduras ao sul do México, passando por Guatemala e Belize. Deixou ruínas de grandes cidades em todos esses países, algumas mais conhecidas e outras menos. A mais famosa de todas elas é, sem dúvida, Tikal, na Guatemala. Perto dela, até Copán, em Honduras, e Palenque e Chichen-Itzá, no México, ficam secundárias. O magnífico Templo I, em Tikal, não apenas é o cartão postal dessa antiga cidade, mas também a imagem mais conhecida de toda essa antiga civilização, uma espécie de símbolo máximo dos mayas, assim como a pirâmide de Queóps o é para a civilização egípcia.

Chegando às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Chegando às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Na entrada do parque, a maquete das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Na entrada do parque, a maquete das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Nós, que desde Dezembro de 2011 temos viajado pelos países que conformavam esse mundo maya, finalmente chegamos à Tikal. Chegamos com uma certa experiência no assunto, depois de termos passado por boa parte das ruínas mais conhecidas (ainda falta Copán!). Tivemos contato com os diversos dialetos, com os variados estilos arquitetônicos, com as diversas fases históricas, estivemos em museus, cavernas e até cenotes que eram reverenciados por esse antigo povo. Mas faltava a cereja do bolo, aquele local onde essa civilização atingiu o seu ápice, o coração do mundo maya. E este lugar é Tikal.

Nosso guia nos ensina a ler o hieroglifo de Tikal, na Guatemala

Nosso guia nos ensina a ler o hieroglifo de Tikal, na Guatemala


Com o nosso guia, caminhando pelas trilhas de Tikal, na Guatemala

Com o nosso guia, caminhando pelas trilhas de Tikal, na Guatemala


A região do Petén, a maior província da Guatemala, possui centenas de sítios arqueológicos. Tikal é “apenas” o mais conhecido deles. Estaria no nosso roteiro de qualquer maneira, mas ficamos tentados a fazer outros programas também. Principalmente, ir conhecer as ruínas de El Mirador. Essa teria sido a maior cidade maya do período pré-clássico e a descoberta de suas ruínas é relativamente recente. Na verdade, muita pesquisa arqueológica ainda está sendo feita por lá, além de alguns trabalhos de restauração. O maior charme é que nenhuma estrada chega até lá e o próprio caminho para se atingi-la já é uma aventura e atração em si só. São dois dias de caminhada na selva até as ruínas, um dia inteiro por lá e outros dois retornando. Obviamente que só se pode ir em um tour, com guia e estrutura de acampamento, inclusive uma mula para levar a equipagem. Não é um passeio barato. Depois de muito pensarmos, resolvemos não fazer, mas fica a dica para quem quiser algo fora do circuito tradicional. Para nós, mais do que acostumados a andar na mata (que é o grande atrativo para os gringos), com tantas outras ruínas na bagagem e correndo contra o tempo para retornar ao Brasil, foi a decisão lógica a ser tomada, apesar da dor no coração. Mesmo o charme de se estar em uma ruína isolada, já tínhamos tido em Caracol, em Belize. Enfim, optamos pelo tradicional e pelo prático e resolvemos nos concentrar mesmo na gloriosa Tikal.

No alto de um dos templos de Tikal, na Guatemala

No alto de um dos templos de Tikal, na Guatemala


Templo e várias estelas em Tikal, na Guatemala

Templo e várias estelas em Tikal, na Guatemala


Assim, hoje cedo, fomos de Fiona até as ruínas, pouco mais de 60 quilômetros ao norte de Flores. Logo na entrada, quase que como homenagem e reverência às ruínas, contratamos um guia para caminhar conosco pelo sítio. Quem me conhece, sabe que não é do meu feitio. A Ana até sofre com isso. Mas eu realmente prefiro caminhar em silêncio entre essas antigas pirâmides e templos, sentir mais do que escutar, imaginar mais do que ouvir, ter o impacto da descoberta com meus próprios olhos, seguir meu próprio caminho, ter meu próprio ritmo. Temos sempre um livro-guia e as informações lá escritas e mais algum conhecimento prévio e o de placas espalhadas pelo sítio são, normalmente, mais do que o suficiente para mim. Mas hoje, estávamos em Tikal! Se tivesse de escolher uma das antigas cidades mayas para ter o máximo de informações possíveis, nada mais justo que fosse na maior de todas. Então, que assim seja!

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala


A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala

A Ceiba, a bela e sagrada árvore dos mayas, em Tikal, na Guatemala


Para nossa agradável surpresa, Tikal estava muito mais vazia que Palenque ou Chichen-Itzá. Talvez pela enorme área em que os palácios, templos e pirâmides se encontram, talvez pela época do ano, o fato é que estivemos quase sós com o nosso guia em boa parte do percurso. A exceção, claro!, foi na praça principal. Mas mesmo lá, arem apenas meia dúzia de gatos pingados. Segundo o nosso guia, bem diferente do dia 21/12 do ano passado (aquela famosa data do fim do mundo...), em que mais de 10 mil pessoas estiveram em Tikal! Deve ter sido o fim do mundo, hehehe!

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala


O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala

O magnífico Templo I, construção símbolo de Tikal, na Guatemala


As ruínas se espalham por uma vasta área, quase toda ela coberta por florestas. Caminhos e trilhas na mata ligam as diversas construções e é essencial ter um mapa nas mãos (ou um guia como companhia!). Para conhecer os prédios mais importantes, são cerca de cinco quilômetros de caminhada, quase sempre na sombra agradável. Nós mal vimos o tempo (e a distância!) passar, pois nosso guia foi se encarregando de dar informações, contar histórias e responder nossas intermináveis perguntas enquanto caminhávamos.

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo I, o mais famoso das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


A ocupação de Tikal já é antiga, mas ela só se tornou importante no período Clássico, entre 300 e 900 da nossa era. Aparentemente, a ascensão de Tikal coincidiu com o declínio daquela que era a maior cidade nos séculos anteriores, a El Mirador que não fomos conhecer. Essa mudança de hegemonia deve ter sido consequência de alguma guerra entre as duas cidades. Nosso guia disse que os habitantes de El Mirador abandonaram a velha cidade e formaram outra, Calakmul. Aliás, essa foi a outra cidade que planejávamos visitar e acabamos deixando para trás. Fica no sul do Yucatán, no México, a cerca de 80 km de Tikal, em linha reta. Calakmul seria a grande rival de Tikal no mundo maya, disputando com ela a supremacia ao longo de todo o período Clássico.

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala


Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala

Caminhando pelos túneis e passagens de um dos palácios em Tikal, na Guatemala


As cidades-estado mayas formavam alianças e federações, para disputar o poder. Tikal, por exemplo, era aliada de Copán, enquanto Calakmul era aliada de Caracol, em Belize. Tikal manteve-se como a mais importante cidade maya até o ano de 562 quando foi derrotada pelas forças combinadas de seus adversários. Pior do que isso, seu rei foi capturado, humilhado, torturado e sacrificado. Pelo próximo século, a cidade tornou-se secundária e nenhuma nova construção foi feita. Mas o tempo de vingança chegaria quando, em 695, foi a vez Tikal vencer a rival Calakmul e capturar seu rei, cujo destino foi o mesmo do antigo monarca. Os tempos de glória voltaram e mais templos foram erigidos, homenageando novos soberanos.

As ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

As ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Como todos os outros grandes centros mayas do período Clássico, Tikal foi abandonada em meados do século X. Dificuldades de produção de alimentos numa época de grandes secas e superpopulação aumentou sobremaneira a quantidade de guerras entre as cidades-estado, ao mesmo tempo em que a população deixou de crer em seus governantes e na sua suposta divindade. Preferiram abandonar as cidades e voltar para o campo, cuidar da própria vida do que sustentar e defender uma classe nobre e seus monarcas. Dadas as dificuldades da época, fazia muito mais sentido...

Uma das muitas estelas expostas em Tikal, na Guatemala

Uma das muitas estelas expostas em Tikal, na Guatemala


Uma vista à Tikal de hoje significa perambular entre diversos edifícios construídos ao longo de quase um milênio. É interessante acompanhar a evolução arquitetônica e organizacional do espaço público, dos templos e pirâmides. Aliás, é a arquitetura a maior “marca” de Tikal. Os templos são altos, quase verticais. Se elevam a mais de 40 metros de altura, de forma graciosa e efeito visual impactante. O famoso Templo I não tem sua fama por acaso: é uma pintura! Estar ali, à sua frente, é emocionante!

No alto do Templo IV, observando o mapa das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

No alto do Templo IV, observando o mapa das ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)


Estimulado por nossas perguntas, o guia foi nos dando várias informações interessantes, aspectos que eu pouco havia pensado anteriormente. Por exemplo, calculando o volume e peso do material necessário para construir esses grandes templos, considerando que não havia animais de carga ou que o uso da roda era quase inexistente, e sabendo o tempo que levaram para ser construídos, os estudiosos podem calcular a quantidade de escravos que foram necessários para tais empreendimentos. Uma enormidade! É por isso que as guerras também eram tão necessárias naquela sociedade...

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)

Admirando Tikal do seu ponto mais alto, o topo do Templo IV (na Guatemala)


Apenas os templos mais altos se erguem acima da mata que cobre Tikal, na Guatemala

Apenas os templos mais altos se erguem acima da mata que cobre Tikal, na Guatemala


Bom, guerras e escravos passaram e caminhar por Tikal, hoje, só nos inspira paz e contemplação. Seja sob a copa de frondosas árvores, como a sagrada e gigantesca ceiba, seja no topo do mais alto dos templos, o Templo IV, de onde se pode descortinar todo o horizonte e a mata que nos cerca, com apenas algumas torres mais altas se elevando acima da copa da floresta. Foi aí que encontramos dois simpáticos brasileiros, entusiastas da cultura e civilização maya, viajando pela Guatemala em um circuito focado nos resquícios dessa antiga civilização.

O Templo V, nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

O Templo V, nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Como em Caracol, também tivemos interessantes encontros com a rica fauna que vive na região. Dois lindos pica-paus dividiam uma mesma árvore, guaxinins e iguanas perambulavam pelos cantos, o som de bugio-gritadores e montezumas podia ser ouvido de longe e, sobre nossas cabeças, macacos-aranha faziam suas peripécias. Prato cheio para quem gosta da vida selvagem.

Encontro com o macaco-aranha, durante visita às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Encontro com o macaco-aranha, durante visita às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Um belo piaca-pau à procura de seu almoço, durante passeio às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Um belo piaca-pau à procura de seu almoço, durante passeio às ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Foram quase quatro horas de caminhadas e aulas com o nosso simpático guia, uma infinidade de informações que foram desde a história dessa cidade até sobre noções de como ler um hieróglifo maya. Foi muito bom tê-lo como companhia, assim como teria sido se tivéssemos feito o programa a sós. Em Tikal, tem espaço para as duas opções, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Para nós, depois de tantas ruínas sem guias, foi especial ter feito a mais bela delas com um “professor” como o que tivemos. Foi muito legal!

Encontros com brasileiros nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala

Encontros com brasileiros nas ruínas mayas de Tikal, na Guatemala


Com a visita à Tikal, quase fechamos nossa visita ao mundo maya. Digo “quase” porque ainda há um epílogo. Falta Copán, em Honduras, onde estaremos em poucos dias. Estamos mesmo virando especialistas. Só falta ficar fluente nos diversos dialetos, hehehe

A 'pirâmide', um dos maiores edifícios de Tikal, na Guatemala

A "pirâmide", um dos maiores edifícios de Tikal, na Guatemala

Guatemala, Tikal, Calakmul, El Mirador, história, mayas

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Um Mágico Encontro na Floresta

Estados Unidos, Washington State, Olympic National Park

Um grande Elk macho se alimenta na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Um grande Elk macho se alimenta na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Tempo chuvoso pela manhã, ficamos na dúvida se começávamos o dia pela mata ou pela praia. Depois de pouco pensar, decidimos pela mata, afinal, a floresta mais úmida do continente combina com chuva mesmo. E ainda dávamos uma chance para o tempo melhorar um pouco até chegarmos à praia, todas atrações do Olympic National Park, aqui no extremo noroeste dos Estados Unidos.

Chegando à floresta temperada úmida de Hoh, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à floresta temperada úmida de Hoh, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A Hoh Temperate Rainforest, ou floresta temperada (de climas frios) úmida de Hoh é uma das maiores atrações do parque e, durante a temporada, está sempre lotada de turistas, ao menos nas proximidades do centro de visitantes. Não era o caso, hoje, e poucos foram os felizardos que cruzamos por lá.

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Como eu já disse, chovia. Nada mais comum para um lugar que recebe, em média, cerca de 4 metros de chuva por ano. Para se ter uma ideia, isso é o dobro da média de uma das cidades mais chuvosas do Brasil, a querida “Ubachuva”. Mas era uma chuva fraca, quase uma garoa. Protegidos pelas árvores e densa folhagem da mata, ela não nos atrapalhava em nada.

A floresta de Hoh é tão úmida que galhos e troncos estão sempre cobertos de musgos, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A floresta de Hoh é tão úmida que galhos e troncos estão sempre cobertos de musgos, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A floresta é maravilhosa, como tantas outras que temos visto nessa viagem. Mas aqui, com tanta umidade, a mata tem uma peculiaridade: quase todos os troncos e galhos são cobertos por musgos e líquens, um verdadeiro tapete verde que deixa tudo aveludado. Até parece que as árvores estão vestidas para o frio, hehehe.

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

A magnífica Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Fomos “recebidos” por uma daquelas gigantes, umas das maiores e mais velhas árvores da floresta, uma Sitka Spruce de mais de 70 metros de altura. Ela fica ali, tão silenciosa e tão soberana, vendo os séculos passarem. Quase virou lenha no início do século passado, quando a península começou a ser explorada pelo homem branco. Em pouco tempo, muitas gigantes centenárias foram ao chão, assim como boa parte da fauna quase foi extinta. Felizmente, alguns conservacionistas conseguiram convencer o governo a criar um parque nacional por ali, antes que fosse tarde demais. Hoje, pelas fotos de satélite, nem é preciso desenhar os limites do parque, pois a diferença entre as áreas exploradas e as protegidas é visível a olho nu. É impressionante o poder destrutivo da nossa espécie...

Admirando a gigantesca Sitka Spruce de 600 anos e 70 metros de altura, na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Admirando a gigantesca Sitka Spruce de 600 anos e 70 metros de altura, na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Mas nem só de machadadas cai uma gigante. Uma forte ventania pode ter o mesmo efeito. Assim, logo ali do lado outra gigante repousa, deitada. Provavelmente, há muitas décadas. Podemos caminhar por toda a extensão do tronco e, aí sim, podemos confirmar que essas árvores chegam aos 80 metros de altura. Caída, uma verdadeira floresta cresceu sobre o seu tronco. Ela tem nutrientes armazenados capazes de sustentar gerações de árvores menores. É lindo demais!

Orientações para o caso de encontrarmos um puma na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Orientações para o caso de encontrarmos um puma na Hoh Forest, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Depois dessas boas vindas, fomos fazer alguma trilha pela floresta. Logo no início do caminho, o aviso sobre os pumas e de como proceder se encontrarmos um. São raros aqui por perto, mas estão por aí. Depois de tantos ursos, os pumas não parecem tão ameaçadores, mas é sempre bom saber as dicas desse raro encontro.

Primeira visão da manada de Elks, na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Primeira visão da manada de Elks, na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Puma, talvez não encontrássemos, mas logo dois turistas que terminavam a trilha que estávamos apenas começando nos alertaram. “Há uma grande manada de elks andando por aí”. “Elks” são uma espécie de veado, parecidos com as renas do Papai Noel. Existiam aos milhares na região, mas foram caçados quase até a extinção. A criação do parque e programas de acompanhamento os salvaram e hoje eles já são bem mais comuns na área do parque, Só aqui, pois basta colocarem uma pata para fora dos limites que já se tornam alvos dos caçadores.

Aproximando-se dos Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Aproximando-se dos Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Eles não costumam ficar tão perto do centro de visitantes, onde começam as trilhas. Mas hoje, aparentemente, um grande grupo estava por aqui, talvez por estarmos fora de temporada. Eu e a Ana partimos ansiosos e, pouco à frente, outro grupo de pessoas nos alertou sobre eles. Aceleramos o passo, mais ansiosos ainda. Mas a ansiedade foi sendo substituída pela decepção enquanto percorríamos a trilha circular de um quilômetro e nada encontrávamos. Só vimos um turista percorrendo a trilha em sentido contrário, também procurando pela manada, cara meio desanimada.

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Completamos a volta e nada! Partimos para uma segunda volta, quem sabe? Fomos até o trecho mais “suspeito” e nada, além da bela floresta, claro. Quem sabe em outra trilha, talvez? Os animais estão sempre se movimentando... Foi aí que, quando já iniciávamos a volta, a Ana viu uns galhos se movendo estranhamente. Fixou os olhos e mandou que eu ficasse quieto. Não eram galhos, mas chifres! Lá estava a manada!

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


A partir daí, a sorte começou a sorrir para nós! Ficamos um tempo por ali, a tirar fotos e admirar aqueles incríveis animais. Mas eles estavam bem longe e não podíamos sair da trilha. Voltamos ao ponto inicial e pegamos outra trilha, na direção em que os animais caminhavam. Bingo! Não demorou muito e encontramos o mesmo grupo, agora já bem mais perto de nós. Novas fotos, nova contemplação! Até eles sumirem na mata outra vez. Voltamos e resolvemos arriscar pegar uma terceira trilha...

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Uma das muitas Elks fêmeas na manada que encontramos na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Foi o auge! Agora, cruzamos com eles cara a cara. Mantendo a devida distância, ficamos ali, maravilhados. Que experiência, cruzar esses animais, tão de perto, em meio à floresta. Que bom é ver, com os próprios olhos, que outras espécies dividem o mesmo planeta conosco. Não estamos sós! Eles nos olham nos olhos. Imagino que avaliam o perigo. Algumas fêmeas são mais assustadiças. Ao machos, cheios de pose, certamente sabem que são bem mais forte do que nós. E realmente são. Acidentes acontecem e temos de guardar distância, perceber os sinais de que os bichos estão incomodados. Mas, com minha esposa tão lindaa perto, que animal se assustaria, hehehe!

Cara a cara com um Elk na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Cara a cara com um Elk na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Assim, apenas a floresta foi testemunha desse incrível e pacífico encontro. Saímos de lá leves, felizes e com uma exultação contida, além de muitas fotos na máquina. Um verdadeiro presente do destino Um momento mágico e inesquecível nesses 1000dias de viagem pela América.

Emocionante encontro com Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Emocionante encontro com Elks na Hoh Forest, uma das mais úmidas do mundo, no Olympic National Park, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Olympic National Park, Bichos, Parque, trilha

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Não Fazendo Nada

Bahamas, Eleuthera - Harbour Island

Procuranmdo um lugar vazio para se sentar

Procuranmdo um lugar vazio para se sentar


Existe várias maneiras de não fazer nada. Certamente, uma bem agradável é não fazer nada em Harbour Island - Bahamas. Foi o que fizemos ontem: um movimentado dia não fazendo nada.

Muito bem instalados que estamos no Bahama House Inn, cama deliciosa, acordamos bem aos poucos, com a luz filtrada pelas cortinas brancas entrando no quarto. O galo cantando ao longe empresta um certo ar de exotismo à manhã. Levantar ou não levantar, eis a questão!

Bom, nada melhor do que ter um belo café da manhã como estímulo. A suculenta Grape Fruit nos esperando (mamãe iria adorar!), o pão caseiro e quentinho, manteiga e géleia, queijos, frutas e suco, tudo isso nos tira da cama. E ainda há uma ótima música ambiente, escolhida a dedo pelo John, um americano que soube muito bem como fazer a sua vida aqui no paraíso. Música cubana, bahamense e até mesmo brazuca!. Por fim, a varanda onde é servido o café, a suave brisa com um leve cheiro de mar, o céu azul e o mar alucinante ao longe. É, melhor é levantar... A cama arrumada vai estar lá, de noite, nos esperando.

Após o café, a varanda continua tão boa que resolvemos continuar por lá, atualizando nosso site. A conexão wi-fi é ótima e rápida. Mas, 90 min mais tarde, a consciência começa a pesar, afinal o sol, o céu, a briza, o mar, todos juntos perguntam: "Escute, vocês vieram aqui para trabalhar ou para passear?". Pois é, eles tem razão!

Caminho para a praia em Harbour Island - atravessando o cemitério

Caminho para a praia em Harbour Island - atravessando o cemitério


Seguimos para a praia, levando cadeira, guarda-sol, etc, etc. O bucólico caminho atravessa a pequena vila e até mesmo um cemitério (é um atalho!). Chegando na praia, apesar de termos estado lá ontem, nossos olhos ainda não querem acreditar no que veem. Não pode ser verdade! Areias rosas? Águas verde esmeralda? Céu azul? Praia vazia? Não pode ser! Mas é...

Bom, nem tudo são flores. O que era brisa do outro lado da ilha, aqui é um vento inclemente. Por um lado, não passamos calor sob o sol. Por outro, basta uma nuvem passar em frente ao sol e já estamos com frio, em roupas de banho. E, com a velocidade do vento, aquela nuvem que estava lá no horizonte em minutos já está nos fazendo sombra. Em compensação, 15 segundos depois ela já passou e o sol volta a brilhar.

The right spot, the right place

The right spot, the right place


Caminhamos para um lugar onde ficamos mais protegidos da areia trazida pelo vento e tentamos armar o guarda-sol. Impossível! Mas, para que guarda-sol se temos o vento para nos refrescar e sunscreen para nos proteger? Aproveitamos as próximas duas horas para reforçar o bronzeado e mesmo para estudar um pouco um dos muitos manuais de artefatos tecnológicos que temos. Unimos o útil ao agradável.

Meio de transporte em Harbour Island

Meio de transporte em Harbour Island


Bom, praia cansa e praia com vento cansa mais ainda. Resolvemos voltar, deixar as coisas na pousada e ir dar uma corrida. Quem sabe, se transforma num bom e saudável hábito, essas corridas diárias? Corremos pela vila, circundando a ilha. Logo, já não há mais casas, apenas um caminho de areia que corta uma enseada seca pela maré, um trecho de mata, outro ao lado de mansões e seus iates. Uma hora de cooper. A Ana tira de letra. Imagino que a paisagem ajude ela. Mas não é só isso. Está numa ótima forma mesmo. Fruto dos meses de preparação antes da viagem.

Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas

Pôr-do-sol na pousada em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas


Voltamos para a pousada e vamos assistir o pôr-do-sol do gazebo, estratégicamente construído para esse evento. Conosco, algumas Kalik, a nossa cerveja preferida de Bahamas. Já com o céu escuro, o estômago reclama. Desde o café nada entrou. Pulamos o almoço. Cinco minutos caminhando nos levam ao Valentine onde jantamos com o mar ali, a 50 m de nós, ambiente aberto para permitir a entrada da brisa suave.

Hora de dormir. A cama está chamando. E logo será a vez do galo cantar, da luz filtrada pelas cortinas nos acordar, e blá blá blá.

Em tempo: o vento anulou nossas chances de mergulho. Amanhã, além de não fazer nada, vamos voltar aos recifes para nova sessão de snorkel, cavernas e, quem sabe, tubarões.

Bahamas, Eleuthera - Harbour Island, Praia

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Nas Cavernas da Chapada

Brasil, Mato Grosso, Chapada dos Guimarães

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Estando tão próxima de Cuiabá, a menos de uma hora de carro do centro da capital, o turismo na região da Chapada dos Guimarães já é centenário. Atrações como o Véu da Noiva e o Mirante do Centro Geodésico já eram muito populares na época dos nossos avós. Mas a exploração dos outros atrativos dessa bela região começou muito mais tarde, já nas décadas de 70 e 80.

Examinando plantações de algodão, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Examinando plantações de algodão, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Foi nessa época que dezenas de aventureiros e místicos de todo o país e exterior começaram a migrar para a região, atrás das belezas desse e de outros mundos. A Chapada é famosa pela suposta aparição de OVNIs, atraídos pela intensa “energia” do local. Mas, como já disse, há também um sem número de belezas mais “terrenas” para quem gosta de natureza: cavernas, cachoeiras e uma flora e fauna rica e variada, num ecossistema que mescla cerrado, matas e campos de altitude.

Chegando à Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Chegando à Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Caminhando sobre uma ponte natural de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando sobre uma ponte natural de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Muitos desses novos moradores da Chapada acabaram virando guias turísticos, hoje já com mais de uma década de experiência. Não são guias locais, mas que acabaram virando da terra mesmo, já que estão aí há tempos. São paulistas, cariocas, mineiros, americanos, australianos e gente de todos os lugares que acabaram escolhendo a Chapada como sua nova casa.

Caminhando sobre a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando sobre a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Examinando a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Examinando a ponte de pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Com a intensificação do turismo na região, o governo federal decidiu pela criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em 1989. Foi uma tentativa de ajudar na proteção desse riquíssimo patrimônio natural encravado no coração do continente. A área do parque protege muitos dos atrativos, mas vários outros estão em fazendas próximas. Desde que se percebeu que o turismo poderia ser uma atividade rentável, também essas fazendas impuseram medidas de preservação e regras de visitação e hoje toda a área é bastante regulada.

A Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A Ponte de Pedra, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Muitas flores exóticas na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Muitas flores exóticas na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Tão regulada que, muitas vezes, algumas das atrações estão fechadas ao acesso. Até o Parque Nacional ficou fechado por um bom tempo, principalmente depois que acidentes mataram pessoas na principal das atrações, a cachoeira do Véu da Noiva. Felizmente, o Parque foi reaberto, talvez pela proximidade da Copa do Mundo. Aliás, falando na Copa, para nós que acabamos de visitar atrações espalhadas por toda a América, ainda impressiona a precariedade da estrutura para receber turistas (nacionais e estrangeiros) nesses parques. E olha que estamos falando de um dos mais famosos, que fica praticamente no quintal de uma das sedes de jogos, Cuiabá. Duvido que conseguirão mudar muita coisa nesses meses que faltam para o torneio. É bom a gringaiada aprender muito bem o português e estar preparada para enfrentar muitas dificuldades para poderem conhecer essas belezas naturais. O esforço vai compensar, com certeza, mas não custava o governo ter se organizado para receber e orientar melhor esse tipo de turista. Uma oportunidade de ouro para o desenvolvimento do turismo jogada às traças.

Uma enorme e centenária árvore em área de floresta da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Uma enorme e centenária árvore em área de floresta da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Caminhada até a caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Caminhada até a caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Enfim, felizmente nós falamos muito bem o português e sabemos o caminho das pedras. Assim, para nós, não há grande dificuldade. Aqui na Chapada, como na região de Nobres, boa parte dos atrativos requer o acompanhamento de um guia e o parque e as fazendas só permitirão a sua entrada devidamente acompanhado de alguém habilitado para te levar lá. As exceções são as atrações mais conhecidas, como o Véu da Noiva e o Mirante, onde todos podemos ir sós.

Entrada da Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Entrada da Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Entrando na Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Entrando na Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Então, tratamos de encontrar um guia para nos levar pela Chapada. Escolhemos o Sergio, um daqueles “novos” moradores, que chegou aqui ainda na década de 80, vindo de São Paulo. Foi uma foto do Véu da Noiva que o atraiu, mas o amor pela região foi quase instantâneo, assim que chegou de mala e cuia. Hoje, é um guia experiente e nos contou muito da história e das dificuldades do turismo local, das belezas e das burocracias para quem quer conhecer esse lugar tão belo e famoso.

Caminhando na maior caverna de arenito do Brasil, a Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Caminhando na maior caverna de arenito do Brasil, a Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Hoje, no nosso primeiro dia com ele, fomos conhecer algumas das mais belas cavernas da região, todas elas fora dos limites do parque, dentro de uma mesma fazenda. Junto conosco foi o simpático casal de Niterói, o Gabriel e a Luisa, que estão fazendo um tour pelo Mato Grosso. Sempre que tem férias, eles escolhem algum estado e para lá vão, com todo o ímpeto de exploração. Assim, em quatro, dividimos os custos e fica melhor para todo mundo.

Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Saída da caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Saída da caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


A mais famosa caverna é a Gruta Azul, onde um lago de águas cristalinas se forma na saída de uma caverna. Quando a luz do sol bate na água, no final da tarde, a cor azul das águas hipnotiza os visitantes. Não é a toa que virou cartão postal da região. Mas temos de chegar lá na hora certa e o guia sabe disso. Por isso, planeja uma caminhada para estarmos lá apenas no fim da tarde. A sorte é que, logo ali do lado, está outra grande atração, na verdade, a maior caverna de arenito do Brasil, conhecida por Aroe-Jari. Entre as duas, muita coisa para se ver, menos conhecidas, mas cada uma com sua beleza.

Enorme rocha se equilibra sobre apenas três pontos, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Enorme rocha se equilibra sobre apenas três pontos, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Arriscando-se sob uma gigantesca rocha na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Arriscando-se sob uma gigantesca rocha na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Então, para lá seguimos, nós cinco no conforto da Fiona, cruzando a parte alta da Chapada. No caminho, já fora dos limites do parque, cruzamos com enormes fazendas de algodão. Para quem não está acostumado com a visão, isso já é, por si só, uma atração. Que coisa mais estranha e maravilhosa ver aquela imensidão branca, arbustos tomados por algodão. Aliás, é estranho mesmo ver uma planta dando algodão. Achei que essas coisas nasciam nas farmácias e supermercados, hehehe. A natureza é mesmo surpreendente!

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Na fazenda, antes de começar nossa caminhada, todos vestimos protetores de canelas, medidas de segurança contra mordidas de cobra. Melhor isso que coletes salva-vidas, hehehe! Depois, começamos o passeio com uma visita a uma gigantesca ponte de pedra natural, obra de alguns milhares de anos de chuvas e ventos. Poses para fotos abaixo e acima dela, além de servir como um mirante para as belezas do cerrado que nos cerca.

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Depois, diretamente para a Aroe-Jari, a maior das cavernas de arenito. Nesse tipo de terreno, as cavernas não se formam por dissolução química, como é o caso das cavernas de calcário. Por isso, não há formações como estalactites ou estalagmites. Ao contrário, essas cavernas são formadas por falhas nas rochas causadas por terremotos ou desabamentos. Depois, a ação de rios e ventos, ao longo dos milênios, trata de ampliar a caverna, mas por ação mecânica, e não química.

A magnífica 'Caverna da Catedral', na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A magnífica "Caverna da Catedral", na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


A Aloe-Jari tem mais de um quilômetro de extensão, um túnel com entrada e saída. Mas nessa época do ano, não se pode atravessá-la, pois parte dos túneis está com água e medidas de preservação impedem que caminhemos por lá. Mas podemos entrar mais de duzentos metros na escuridão e a visão já é recompensadora. O silêncio das cavernas é sempre emocionante, nossos sentidos aguçados ao máximo naquela grande escuridão. Basta estar ali para termos outra compreensão do tempo e do espaço, um local que parece parado no tempo, mas que na verdade, funciona em outra escala, onde minutos são décadas e dias são milênios. Testemunhos silenciosos de outras eras, estavam aqui antes de nós e estarão depois de partirmos. Até o ar que respiramos lá dentro parece sagrado. Enfim, é algo que todos deveriam fazer algum dia: entrar numa caverna, apagar as luzes e “escutar” o silêncio por alguns minutos, envolto na mais completa escuridão. Enriquecedor!

Caminhando na Caverna da Catedral, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Caminhando na Caverna da Catedral, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Bom, de volta ao mundo exterior, passamos por uma enorme rocha que se equilibra sobre apenas três minúsculos pontos, um equilíbrio que nos parece impossível, mas que está ali, aos nossos olhos, para provar que existe. Há quanto tempo está ali? Por quanto tempo ficará daquela maneira? Bom, apostamos que pelo menos por alguns minutos, que foi o tempo que precisamos para tirar umas fotos da Ana abaixo da rocha! Felizmente, tudo ocorreu bem, hehehe! Entre mortos e feridos, tanto a Ana como a rocha passaram incólumes!

Chegando à famosa gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Chegando à famosa gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


A incrível Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A incrível Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Mais caminhada na mata e chegamos à outra caverna, que tem um nome estranho, mas que prefiro me lembrar pelo apelido: Caverna da Catedral. Para quem conhece ou vê as fotos, não é difícil imaginar por quê! Ela é linda, ainda mais vistosa que a Aroe-Jari, uma passagem estreita por entre paredes enormes e verticais, retorcidas pela água e vento milenares. Absolutamente magnífica!

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Visitando a Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Aqui sim, entramos por um lado e saímos pelo outro, já a meio caminho da famosa Gruta Azul. De longe, entre sombras e folhagens, aquela estranha cor azul já nos salta aos olhos, algo meio fora do lugar no meio do verde, marrom e negro da paisagem. A luz lateral do sol penetra nas águas, ao mesmo tempo que reflete na água, um colírio para os nossos olhos.

A inacreditável cor da Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

A inacreditável cor da Gruta Azul, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Para quem chegou aqui há mais de 20 anos, ainda era possível um refrescante mergulho nesse paraíso. Agora, não mais. Mergulho, só em pensamento. Ainda bem, pois imagina como seria se dezenas de pessoas nadassem ali todos os finais de semana e feriados. Infelizmente, esse é o preço que temos de pagar pela conservação. Um mergulho não faria mal, mas centenas, certamente. Então, a solução é proibir.

Uma sirierma se aproxima de nós na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Uma sirierma se aproxima de nós na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso


Siriemas na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Siriemas na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Passamos algum tempo por ali, admirando e contando histórias, até que chegou a hora de voltarmos. Eu tratei de acelerar no caminho de volta, a tempo de voltar à sede da fazenda, recostar-me na rede e tomar uma deliciosa e merecida cerveja gelada, cercado pelo belíssimo visual do cerrado, pela brisa refrescante e por um casal de seriemas, curiosas com o visitante. A Ana também chegou para a cerveja e para o pastel feito na hora. Um gran finale para nosso dia maravilhoso de explorações. A Chapada continua me surpreendendo. “Por que será que eu não tinha vindo aqui nas outras duas vezes que estive na Chapada dos Guimarães?” – era a pergunta que me afligia. Bom, nunca é tarde para conhecer!

Merecido descanso após longo passeio na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso

Merecido descanso após longo passeio na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso


Já de carro, mas ainda dentro da mesma fazenda, ainda fixemos um rápido pit-stop numa simpática cachoeira. Já na sombra, nem nos animamos para um banho. Mas, não tem problema: se hoje foi o dia das cavernas, amanhã será o dia das cachoeiras! A Chapada dos Guimarães ainda tem muito para nos mostrar!

Cachoeira na região da Caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Cachoeira na região da Caverna Aroe-Jari, na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso

Brasil, Mato Grosso, Chapada dos Guimarães, Caverna, Gruta Azul, Parque, trilha

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Ao Redor de Atitlán

Guatemala, San Marcos La Laguna, San Pedro La Laguna

Bela vista do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

Bela vista do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala


A região da Laguna de Atitlán já é povoada há milênios de anos. Os mayas construíram várias cidades ao redor do lago e algumas, inclusive, foram engolidas pelas águas e estão sendo redescobertas na atualidade por mergulhadores. Hoje, são os descendentes desse povo pré-hispânico que formam a maioria da população das vilas e cidades que cercam o lago. Aliás, são poucos os lugares em que passamos em que a língua e a cultura indígena são tão fortes. Em San Marcos, percebe-se facilmente, entre a população local (e não os imigrados), que o espanhol é a segunda língua, muitas vezes falada com certa dificuldade.

Embarcando para cruzar a Laguna Atitlán de San Marcos para San Pedro, na Guatemala

Embarcando para cruzar a Laguna Atitlán de San Marcos para San Pedro, na Guatemala


A serenidade do lago esconde os apuros que esse povo já passou. Não bastasse as intempéries da natureza, sob a forma de erupções, terremotos e furacões, os descendentes dos mayas também sofreram uma violenta perseguição do governo nos anos da guerra suja, especialmente na década de 80. Os indígenas eram vistos como aliados das guerrilhas de esquerda e sofreram diversos massacres, compondo boa parte dos mais de 100 mil mortos das décadas de 50 à 80. E aqui em Atitlán, onde sua cultura é tão forte e presente, foi um dos lugares mais afetados.

Chegando à San Pedro La Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Chegando à San Pedro La Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Hoje, observando o cenário magnífico que compõem o lago e seus vulcões, é quase impossível imaginar outra coisa que não paz, amor e sentimentos congêneres. É esta beleza que atraiu o segundo contingente da população que aqui vive ou transita: a dos estrangeiros. Muitos vieram e resolveram ficar. Tem pousadas, restaurantes, agências ou oferecem serviços variados, dos mais místicos aos mais concretos. Hippies descobriram Panajachel há mais de 30 anos e a transformaram na maior cidade do lago. Conhecida pelo apelido de “Pana”, a cidade é uma meca turística e é a que oferece melhor estrutura. Por isso mesmo, perdeu bastante do seu caráter maya ou guatemalteco e virou cidade internacional.

Venda de artesanato em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Venda de artesanato em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Isso fez que os viajantes procurassem alternativas e a escolhida foi San Pedro La Laguna, aos pés do vulcão San Pedro e bem em frente aonde ficamos, em San Marcos. A consequência foi que também ela inchou, deixando de ser um “pueblo” e virando uma cidade. Atualmente, é a preferida dos turistas mais jovens, principalmente pela vida noturna que oferece, além de soar mais alternativa que Pana.

Rua movimentada do centro de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Rua movimentada do centro de San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Foi para lá que fomos hoje. As cidades e vilas do lago são ligadas constantemente por pequenas lanchas que vivem a singrar a laguna Atitlán. Entre San Marcos e San Pedro, por exemplo, a cada vinte minutos sai uma lancha. São dez minutos para cruzar o lago, um programa obrigatório para quem vem à Atitlán. Os mais energéticos podem fazer o mesmo caminho de caiaque, mas aí será mais de uma hora, certamente.

A cheia do lago Atitlán faz estragos em San Pedro la Laguna, na Guatemala

A cheia do lago Atitlán faz estragos em San Pedro la Laguna, na Guatemala


A cidade está dividida na sua área comercial, muito movimentada e cheia de locais, e na área turística, pequenas e estreitas vielas cheias de pousadas e restaurantes. A gente chegou no cais semi-alagado pela cheia do lago e seguimos logo para o alto da cidade, onde está a área comercial, com suas feiras, trânsito complicado e população indígena. Depois, voltamos para a orla do lago para admirar os hotéis alagados e abandonados e também as ruazinhas simpáticas cheias de restaurantes de comida natural e saborosa.

Venda de máscaras típicas em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala

Venda de máscaras típicas em San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala


Ao contrário da nossa pequena San Marcos, em San Pedro vão vários os restaurantes com decks virados para o lago. Difícil é escolher em qual comer. De noite, imaginamos, deve bombar. Hoje de tarde, estava bem tranquilo. Comemos e tomamos uma deliciosa Brahva Extra, mesmo logo da nossa Brahma Extra. Aqui, por algum motivo mercadológico, mudaram um pouco o nome da cerveja.

Brahva Extra: qualquer semelhança NÃO é coincidência! (San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala)

Brahva Extra: qualquer semelhança NÃO é coincidência! (San Pedro la Laguna, no lago Atitlán, na Guatemala)


Voltamos para a nossa San Marcos no fim da tarde, cruzando mais uma vez aquele lago maravilhoso. Voltamos duplamente felizes: primeiro por termos conhecido San Pedro e termos passado uma tarde bem gostosa por lá. Segundo porque agora estávamos mais certos do que nunca de que tínhamos feito a escolha correta quando decidimos ficar em San Marcos. Muito mais a nossa cara. Aliás, para quem gosta da Ilha do mel, no Paraná, San marcos é o lugar para se ficar em Atitlán!

No deck de um dos muitos restaurantes na beirada do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

No deck de um dos muitos restaurantes na beirada do lago Atitlán em San Pedro la Laguna, na Guatemala

Guatemala, San Marcos La Laguna, San Pedro La Laguna, Atitlán

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O Dia Que Não Foi

Brasil, Paraná, Curitiba

Como todos os que tem nos acompanhado sabiam, o dia 27 de Março era a data escolhida para o início da nossa viagem de 1000 dias. Desse modo, a data de chegada seria 21 de Dezembro de 2012 (27/03 + 1000), que é a data do fim do mundo segundo os maias (ou segundo algumas interpretações do calendário maia). A brincadeira era essa: não precisaríamos pagar nossas contas quando chegássemos. Mas ainda daria tempo de se despedir dos amigos e família.

Era um bom plano. Mas, para isso, precisaríamos sobreviver à nossa última semana em Curitiba. Foi uma correria danada! Além de terminar toda a burocracia da viagem, acabar de comprar os equipamentos, negociar com os apoiadores, equipar a Fiona, fazer festa de despedida, tentar montar o nosso site junto com nossos desenvolvedores, além de tudo isso, ainda tínhamos de organizar e efetivar a mudança do nosso apartamento alugado em Curitiba, apartamento que nos acolheu tão bem por tantos anos.

O grosso da mudança foi feito na véspera, levando nossos móveis para casa de parentes e também para um depósito. O dia, que deveria ter terminado no fim da tarde, só terminou no outro dia, às duas da manhã. Com isso, a partida para os 1000 dias ficou, por bem, adiado em um dia.

Santa inocência, a nossa. O dia seguinte, dia 27, também foi pesadíssimo. Ainda faltava configurar todo o nosso equipamento, além de distribuir camisetas e brindes para amigos e apoiadores. Resultado: também fomos para a cama às duas da manhã. Mas desta vez, dispostos a iniciar a viagem de um jeito ou de outro. E assim foi: dia 28 de Março, data inicial dos 1000 dias! Agora, para ser capazes de terminar a viagem, me desculpem os maias, mas o fim do mundo vai ter de esperar!

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