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diogo Luiz de azevedo (15/05)
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Jorge (11/05)
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Mário Jorge Lailla Vargas (03/05)
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Erica (25/03)
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Época de flores em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Dia 20 era o nosso dia de subir uma das Pitons. Quase todos os turistas que resolvem fazer esse enorme esforço escolhem a maior delas, onde há uma trilha e guias, a Gros Piton. Os mais aventureiros escolhem a escalaminhada da Petit Piton, onde até cordas são necessárias. Essa foi a nossa escolha. Hoje, 05:30 da madrugada, estávamos prontos para a programação de 4 horas. Nós estávamos, mas nosso guia não. Simplesmente não apareceu e nós voltamos para a cama para outras deliciosas e merecidas horas de sono. Vamos embora sem ter estado no topo de uma das Pitons. De alguma maneira, isso não é ruim. Elas continuarão com aquele ar de misteriosas, de proibidas, de sagradas para nós. A visão aqui de baixo já foi inesquecível e a visão lá de cima é um bom motivo para voltarmos...
Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe
Ainda no final da manhã a Ana foi mergulhar novamente. Vai contar a história no seu post, mas entre outras coisas, esteve um bom tempo com uma grande tartaruga.
Uma bela tartaruga durante mergulho em Soufriere, sul de Santa Lúcia, no Caribe
Já eu, iniciei meu período de férias das férias. Por três dias, do dia 20 até hoje, tivemos um delicioso descanso, sem muitas atividades, fora uma gostosa caminhada no dia de hoje, no parque de Pigeon Island, aqui em Rodney Bay, onde passamos os últimos dois dias, no norte de Santa Lúcia.
Nosso percurso em Santa Lúcia
Logo depois da Ana voltar do mergulho, um pouco de sol na piscina e uma cerveja gelada para começar bem o período sabático, saímos de viagem novamente. Nosso destino era o norte da ilha, mas começamos indo para o sul, até a ponta de Santa Lúcia. Lá está um farol, na cidade de Vieux Fort, de onde se tem uma ampla visão do marzão que nos separa da próxima ilha da cadeia, São Vicente.
Visita à ponta sul de Santa Lúcia, em Vieux Fort
De lá, ao lado do aeroporto internacional de Santa Lúcia, seguimos pela estrada para Castries, a capital da ilha. Chegamos por uma estrada alternativa, no alto do morro, de onde tivemos uma visão belíssima da cidade. Não é à toa que o Governador-Geral resolveu construir sua casa por ali, hehehe.
Vista de Castries, capital de Santa Lúcia
Cruzamos Castries, passamos pelo aeroporto regional de onde voaremos amanhã e chegamos, no fim da tarde, à Rodney Bay, o centro turístico dessa área bem mais movimentada da ilha, onde bacanas do mundo inteiro vem passar temporadas em resorts ou, melhor ainda, aportam seus “barquinhos”.
Casa do governador-geral de Santa Lúcia, em Castries
Na verdade, o mais caro resort de todos está no sul, ali perto de Soufriere. É onde ficava a Amy Winehouse, tomando todas e dando suas populares baixarias, enquanto fazia seus shows maravilhosos. Mas é no norte que se concentram a maioria dos resorts.
Com a Marília em sua casa na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Mas nós não tivemos de ficar em nenhum resort. Ao contrário, ficamos muito melhor instalados! Nossos amigos lá de Barbados, a Rosa e o Roberto, tinham nos passado o contato de um casal aqui em Santa Lúcia. A brasileira Marília e o inglês David nos receberam na casa deles, bem na marina de Rodney Bay.
Com a Marília na marina de Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Eles têm uma história de vida interessantíssima, que nos fez ver que ainda temos de comer muito feijão. O David trabalha numa firma de consultoria e, por isso, vivem mudando de lugar. Ele já passou pela Polônia Comunista, por lugares “sem graça” como Londres e Paris, pelas brasileiras Rio, São Paulo e Paraíba e por lugares um pouco mais inóspitos como a Líbia, Iraque, Líbano e Paquistão. Sim, lá no Paquistão estiveram na vizinhança do Bin Laden duas semanas antes de matarem o líder terrorista. Na Líbia, eram vizinhos do Khadafi, no Líbano e no Iraque, seus hotéis foram bombaerdados um pouco depois de saírem de lá. Enfim, quanta experiência!
Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Além disso, a Marília conviveu com gente como a Madre Tereza de Calcutá, na Venezuela, ou Paulo Francis, em Nova York, Nara Leão e Chico, no Rio dos anos 60, o parente feioso Paulo Zulu e todos os jornalista do Pasquim dos anos 70.
Ruínas da antiga fortificação inglesa em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Enfim, passamos dois dias maravilhosos ouvindo suas histórias e nos divertindo com o humor inglês do David, embalados com bom uísque e vinho, mimados até não poder mais com um delicioso quarto e refeições em bons restaurantes. Fica difícil saber se devemos agradecer aos nossos anfitriões, que nos deram uma aula sobre como passar nossa curta vida aqui na Terra, ou à Rosa e ao Roberto, o simpático casal que nos colocou em contato com eles! Brincadeiras à parte, agradecemos aos dois casais, pessoas que só conhecemos porque estamos viajando por esse enorme continente, sempre abertos a conhecer pessoas novas, gente que vive diferente das pessoas que passam boa parte da vida dentro de um escritório.
Caminhando em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Parte alta de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
O dia 21 foi assim, conversando boa parte do dia com a Marília, e socializando também com o David de noite. Quando muito, um pulinho na praia da Rodney Bay, onde fomos até o boteco no final da praia e, ao longo de algumas cervejas, ficamos amigos da dona e de seus ajudantes, todo mundo sangue muito bom, o melhor escritório do mundo bem em frente, a paisagem cinematográfica da praia, mar azul, veleiros e iates e a Pigeon Island ao fundo.
É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Aliás, foi aí que fomos passar o dia de hoje. Um parque nacional que protege uma península que já foi uma ilha, até que aterrassem uma pequena passagem há três décadas. Pigeon Island teve papel fundamental na história de Santa Lúcia e de todo o Caribe e hoje toda a área é um parque, protegendo não só a natureza, mas também as ruínas da antiga fortaleza.
No alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Foi aqui que, depois de muitas idas e vindas, os ingleses conseguiram se estabelecer “solidamente”. Construíram uma bela fortaleza e daí conseguiam vigiar Fort-de-France, a principal base naval francesa no Caribe, em Martinica, 40 km ao norte.
Uma das muitas placas informativas sobre a história de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Na Guerra dos Sete Anos, na década de 1760, franceses e ingleses estavam, em verdade, disputando a supremacia mundial, assim como foi a guerra entre eles. Os ingleses venceram e os franceses perderam sua posses no Canadá e na Índia (o que atesta o caráter mundial da disputa). Pois bem , alguns anos mais tarde veio a chance da desforra, a Guerra de Independência Americana. Franceses logo se aliaram aos revolucionários e Washington teve ajuda decisiva do exército comandado pelo general francês Lafayette. Não é à toa que, até hoje, os americanos tem essa dívida de gratidão com os franceses.
É possível ver as Pitons no horizonde, do alto de Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Pois bem, essa também foi uma “guerra mundial” e boa parte dela se deu Caribe. Enquanto em terra, na América do Norte, Washington e seu amigos franceses ao final venceram, no Caribe a história foi outra. Aqui, ingleses, de maneira geral, venceram a aliança de americanos, franceses, espanhóis e holandeses.
No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Por exemplo, boa parte dos suprimentos para os revolucionários americanos passavam pela ilha de Sint Eustatius (nós passamos por lá, podem ver nos posts!), inclusive mercadorias contrabandeadas da própria Inglaterra. Os ingleses tomaram essa ilha dos holandeses, num ataque surpresa, destruindo boa parte das instalações comerciais pertencentes à comunidade judaica da ilha. Inclusive, e isso não era comercial, à mais antiga sinagoga do continente. Um ano mais tarde, em 1782, os franceses retomaram a ilha para os holandeses.
No alto do antigo forte em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Mas, a grande batalha pela posse do Caribe era outra. Franceses e espanhóis planejavam tomar a Jamaica, principal base inglesa na região. Mas quando a esquadra francesa zarpou de Fort-de-France, na Martinica, os ingleses logo saíram em seu encalço. Estavam estacionados em Pigeon Island, sob comando do Almirante Rodney, o mesmo que havia tomado Sint Eustatius. Ele mesmo subia, todos os dias, ao ponto mais alto de Pigeon Island para, com sua luneta, observar os franceses da Martinica.
Experimentando chapéus em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Depois de muita espera, saiu com sua frota poucas horas depois dos navios franceses zarparem e, alguns dias depois, os derrotou em uma batalha ao largo das ilhas de Les Saints, em Guadalupe. Foi uma vitória decisiva que manteve a posse da Jamaica e, mais do que isso, a supremacia inglesa em todo o Caribe.
Gato descansa tranquilamente à beiramar, em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
A fortaleza onde Rodney ficava hoje é um parque. Por aí caminhamos por algumas horas, lendo todos os painéis explicativos e nos deliciando com a mesma visão que tinham os ingleses, 235 anos atrás. Ao final, relaxamos no lendário restaurante em que a inglesa Josset Agnes recebia velejadores de todo o mundo nas décadas de 50 a 70 do século passado. Um lugar sagrado na comunidade! A atriz acabou voltando para morrer na Inglaterra, quase centenária, mas seu sonho de preservação foi consolidado com a transformação de toda a área em um parque.
Pequena e bela praia em Pigeon Island, parque próximo à Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Amanhã partimos para San Vincent, de avião. Fim de mais uma etapa nessa perna caribenha, muitas histórias novas aprendidas (o Caribe é um mundo à parte!) e, mais importante do que tudo isso, dois dias de agradável e enriquecedora convivência com esse casal incrível, que nos recebeu tão bem, a Marília e o David.
Com o David e a Marília, nossos queridos anfitiões em Rodney Bay, norte de Santa Lúcia
Armaduras medievais no museu Ricardo Brennand, em Recife - PE
Hoje retornamos ao Recife. Passamos 5 dias muito agradáveis por lá há quase um ano. Ficamos muito bem instalados em Boa Viagem e, além do curso de mergulho, pude correr bastante pela orla, visitamos o centro antigo, conhecemos a night de Boa Viagem e do centro.
Cafeteria do museu Ricardo Brennand, em Recife - PE
Confesso termos ficado agradavelmente surpresos com a beleza do centro antigo e a riquesa de sua história, principalmente da época de domínio holandes. O Conde de Nassau, principal governante holandes do período, trouxe para cá pintores, arquitetos e cientistas para que explorassem e entendessem o Novo Mundo. Aqui, nesta época, foram construídas as primeiras grandes pontes da América. A cidade foi planejada, grandes prédios públicos levantados e até o primeiro jardim zoobotânico implantado. Havia tolerância religiosa e até uma colônia judaica se estabeleceu. Com a reconquista portuguesa, os judeus foram expulsos de Recife indo se instalar numa cidade que acabava de nascer: Nova Amsterdam, que depois virou Nova York. Pois é, os judeus expulsos daqui deram origem aos poderosos judeus novaiorquinos que na visão de muitos conspiracionistas, controlam o mundo. Recifences...
Estátua no museu Ricardo Brennand, em Recife - PE
Essa guerra de reconquista portuguesa, além de expulsar os futuros "donos do mundo", também é considerada marco do início do sentimento da nacionalidade brasileira. Afinal, negros, índios e brancos portugueses se uniram para expulsar o invasor. Na mais importante das batalhas desse período, a Batalha dos Guararapes, nasce o exército brasileiro. Também é dessa época outra importante personagem da nossa história, o famoso Calabar. Para muitos, sinônimo de traidor (passou para o lado dos holandeses), para outros um visionário, tem uma história interessantíssima.
museu Ricardo Brennand, em Recife - PE
Para lá voltamos eu e a Ana hoje. Primeiro para o Museu do Instituto Ricardo Brennand. Coisa de primeiro mundo! Uma pinacoteca e uma biblioteca contendo rico acervo da época do período holandes e um "castelo" com uma das mais completas coleções de armamentos dos períodos medieval e moderno que existe no mundo. Tudo isso numa bela área na periferia de Recife. Com certeza, vale a visita!
Parque de esculturas de Francisco Brennand no porto de Recife - PE
Mais tarde, fizemos um passeio de catamaran pelos rios de Recife conhecendo e revendo praças, prédios históricos, pontes e o parque de esculturas de Francisco Brennand (primo de Ricardo - que família!) no porto. Recife, que com algum exagero se intitula a Veneza do Brasil, está construída sobre várias ilhas formadas pelos rios Jaguaribe, Pina e outros e navegar por esse rios nos leva a ter uma outra visão da cidade. Vários prédios e pontes já ostentam a iluminação natalina e o passeio é muito agradável, além de informativo, pois um guia vai contando a história dos locais avistados.
Decoração natalina da cidade vista durante passeio de catamarã no rio Capibaribe, em Recife - PE
Terminamos a noite no Bar Central, perto da Assembléia Legislativa, que é o prédio que ostenta mais luzes natalinas. Ambiente universitário e intelectualizado, aperitivos da melhor qualidade e até aquela deliciosa cerveja argentina (Quilmes).
Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco vista durante passeio de catamarã no rio Capibaribe, em Recife - PE
Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco vista durante passeio de catamarã no rio Capibaribe, em Recife - PE
Logo ali perto, um monumento em honra a Chico Science. Aliás, isso me faz lembrar de um coisa: eu costumo medir a efervescência cultural de uma cidade pela grossura do caderno de cultura do principal jornal da ciade. A gente lá do sul não tem muita idéia, mas Recife transborda em cultura. Acho que, pela minha medida, só fica para trás das gigantes São Paulo e Rio e deixa para trás outros centros culturais como Salvador, BH, Brasília e Porto Alegre. Programas e variedade cultural autêntica não faltam por aqui. Viva a cultura e história do Recife!
Monumento a Chico Science, em Recife - PE
Saboreando as maravilhosas paisagens do Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Saímos do Arches National Park e pegamos estrada no sentido contrário do Colorado, que é para onde vamos amanhã. Caminho errado? Não! É que era ali que estava um outro parque nacional, ainda mais desconhecido de nós que o Arches, o Canyonlands National Park.
Chegando ao Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Tínhamos poucas horas de luz; o sol se põe muito cedo nessa época do ano nas altas latitudes por onde andamos atualmente. O negócio então era acelerar pelas estradas quase vazias. Na nossa sempre apertada programação, só tínhamos hoje para conhecer esse parque; era agora ou nunca!
Caminhando sobre o fantástico Mesa Arch, no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Caminhando sobre o fantástico Mesa Arch, no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O ponto mais conhecido do Canyonlands também é um arco de pedra, chamado de Mesa Arch. Está localizado estrategicamente na beira de um precipício, em frente a um canyon de dimensões semelhantes ao Grand Canyon, no Arizona. Forma um portal para um enorme vazio, uma paisagem a se perder de vista, ficar sem fôlego, ajoelhar e rezar. Mas a natureza não ficou contente com “apenas” isso. O Mesa Arch está devidamente alinhado com os meridianos, de norte a sul, uma de suas faces voltada para o sol nascente. Justamente aquela de frente ao canyon. O resultado é sonho de todos os fotógrafos de natureza: estar lá bem cedinho, enfrentando o frio gélido da madrugada e, naqueles poucos minutos mágicos, observar aquela a parte interna do arco iluminada, literalmente acesa pelo sol, uma moldura perfeita para o visual inacreditável do canyon à frente. Uma pesquisa rápida pela internet pode mostrar as mais incríveis fotografias desse momento rápido, mas eterno.
Mesa Arch, o arco de pedra no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Observando a paisagem do Canyonlands National Park por debaixo do famoso Mesa Arch, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Pois é, nós também tivemos de nos satisfazer com essas fotografias da internet. Isso porque chegávamos no final da tarde e não no final da madrugada. Perdemos o nascer-do-sol, mas ganhamos um dos mais fantásticos pôr-do-sol da nossa viagem. O Canyonlands é realmente surpreendente...
Fotografando sob o Mesa Arch, no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A magnífica visão do alto do Mesa Arch, no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Àquela hora, não havia quase ninguém no parque. Chegamos ao Mesa Arch e o tivemos para nós por um quarto de hora, coisa absolutamente impossível se fosse pela manhã, quando há fila de fotógrafos por ali. Mesmo sem a iluminação mágica do sol, a paisagem é absolutamente fantástica. Que bom gosto tem a natureza! Fotografamos pelo lado, por baixo e até por cima do arco, aquele infinito vazio à nossa frente. Incrível!
Fim de tarde gelado, caminhando no Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Fotografando a grandiosa paisagem do Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Depois, seguimos adiante. Apenas o Mesa Arch já tinha valido o esforço de irmos até lá, mas o que nos esperava pela frente, ufff... que surpresa! O Canyonlands, como o próprio nome indica, é a terra dos canyons. Por ali passam (e se encontram!) o Green River e o Colorado River. A fama de “construir” canyons do segundo, todos já conhecem, mas o Green River não fica atrás. Ali do alto, vemos esses dois enormes canyons se encontrando, se fundindo em um outro ainda maior, numa paisagem que nada fica a dever ao Grand Canyon, algumas centenas de quilômetros rio abaixo.
O sol de fim de tarde ilumina as belíssimas paisagens do Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O sol de fim de tarde ilumina as belíssimas paisagens do Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Por sorte, esse mirante de onde vemos toda essa paisagem estonteante também é o ponto para se admirar o pôr-do-sol. Então ver toda essa grandiosidade iluminada pelos raios avermelhados do fim de tarde foi o melhor presente que recebemos nos últimos tempos. Não tínhamos máquinas fotográficas, memória e baterias para registrar tantos ângulos, momentos e paisagens fantásticas...
O sol parece explodir sobre o Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Lá embaixo, no encontro dos rios, passou o explorador há 150 anos atrás na épica expedição que iria desbravar o Grand Canyon. Pelo visto, ele começou em grande estilo também. Mas não viu o que vimos, aqui de cima. Principalmente nessa época do ano, quando o branco da neve disputa espaço com os infinitos tons de vermelho e amarelo das paredes do canyon e das planícies abaixo.
Nem Grand Canyon nem Monument Valley, é "apenas" o Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Nem Grand Canyon nem Monument Valley, é "apenas" o Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Ignorando o frio que aumentava, ficamos aí até o último raio de luz. Só mudamos de mirante: daquele que observa o rio Colorado para aquele que observa o Green River para aquele de onde se vê os dois. Incrível a força desses rios para poder criar uma obra, uma paisagem dessa envergadura. Incrível também como uma paisagem tão magnífica como essa fique escondida sob a sombra do Grand Canyon e seja ainda tão desconhecida, mesmo pelos americanos, quanto mais por nós, brasileiros. Enfim, acho que exatamente por isso pudemos presenciar o espetáculo de hoje praticamente sós, um gigantesco e maravilhoso mundão ao nosso redor, nosso.
Inesquecível visita ao Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Nossa visita ao estado de Utah não poderia ter terminado de maneira mais gloriosa. Sem dúvida, esse estado deveria estar no roteiro de todos aqueles que visitam o país e gostam da natureza. Nós voltamos no escuro para Moab, uma curta viagem de meia hora. Amanhã, rumo ao Colorado. É ali que escolhemos passar nossa virada de ano, a terceira durante esses 1000dias. Vai ser em grande estilo, no mais conhecido e badalado centro de esqui do país: Aspen!
Saboreando as maravilhosas paisagens do Canyonlands National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Um Southern Giant Petrel (Petrel Gigante) voa sobre o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Bastaram dois dias a bordo do Sea Spirit para eu já mudar duas ideias pré-concebidas que tinha dessa viagem. Primeiro, que não veríamos nada ou quase nada em alto-mar, nos percursos entre Buenos Aires e as Malvinas e depois, entre as Malvinas e a Geórgia do Sul. Segundo, que seria uma viagem de pouco aprendizado teórico e muita aprendizagem empírica, fruto da observação da vida selvagem e geologia das ilhas que vamos visitar. Pois é, tudo errado!
O irlandes Jim dá sua primeira palestra sobre pássaros do Atlântico Sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Slide informativo na palestra sobre pássaros do Atlântico Sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Slide informativo na palestra sobre pássaros do Atlântico Sul, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Enquanto estamos longe de terra firme, nosso tempo no navio é preenchido por diversas palestras interessantíssimas sobre os mais diversos assuntos que se relacionam com essa viagem: vida selvagem, geologia das ilhas, glaciologia (estamos indo para uma região polar!) e história política e da exploração dessas regiões isoladas do mundo. As palestras são dadas por especialistas do assunto e que são os nossos guias nessa viagem. Por exemplo, temos o Jim, um simpático irlandês que é um ornitólogo apaixonado por pássaros do mundo inteiro. Ou o inglês Damien, historiador que estava na Geórgia do Sul quando a ilha foi invadida pelos argentinos em Abril de 1982. Ou ainda a Natalie e o Colin, biólogos marinhos especialistas em mamíferos, como baleias, golfinhos e leões marinhos. O Colin foi, nada mais nada menos, que o principal responsável pelo treinamento da orca Keiko (a famosa “Free Willy” dos cinemas!) para ele se readaptar à vida selvagem, quando ele foi solto nos mares da Islândia. Enfim, estamos muito bem acompanhados!
Um pássaro dá um rasante sobre o mar no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de JPSalakari)
Observando pássaros no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Ken Haley)
Nas palestras, muitas fotos, dados e curiosidades sobre os animais que vamos e estamos encontrando no caminho, sobre o comportamento do gelo e aquecimento global, sobre como e quando os primeiros exploradores chegaram à Antártida, ou sobre as desavenças políticas e geográficas entre argentinos e ingleses. E o melhor de tudo é ter esses conhecimentos teóricos para, em seguida, observar aqueles mesmos pássaros e baleias dos slides voando e nadando ao nosso lado, ao vivo e a cores, ou pisar no mesmo pedaço de terra por onde caminharam os lendários exploradores Amundsen ou Shackleton e os soldados que lutaram e morreram na triste guerra de três décadas atrás. Teoria e prática perfeitamente combinadas!
As telas do Sea Spirit anunciam a programação do dia 05/11, com palestras de geologia e sobre cetáceos pela manhã e filmes de tarde e de noite
Palestra sobre cetáceos no auditório do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Logo pela manhã, ou na verdade, na noite anterior, já ficamos sabendo da programação do dia, inclusive das palestras que serão proferidas. Agora no início da viagem, aprendemos muito sobre os pássaros que nos acompanham em alto mar e as baleias que migram por essas águas em busca do alimento abundante da costa da Antártida. Pouco antes de chegar ás Malvinas, aprendemos sobre a geologia e história política dessas ilhas perdidas, mas muito disputadas, no Atlântico Sul. Auditório sempre cheio, primeiro para ouvir os avisos que devem ser dados e depois, pela verdadeira aula que se segue.
Observando e fotografando aves no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Ao longe, baleias soltam seus enormes esguichos, para alegria dos viajantes do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Depois, com todo mundo já afiado no assunto de pássaros e baleias, é hora de subir ao deck munido de binóculos e câmeras fotográficas e começar a olhar para os céus e para o mar, em busca dos animais que acabamos de estudar. E aí é que entra aquela outra ideia que eu tinha, de que nada ou pouco veríamos em alto-mar. Ledo e grato engano!
Golfinhos nadam submersos ao lado do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Um golfinho nada ao lado do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Ken Haley)
Em primeiro lugar, conseguimos sim avistar algumas baleias ao longe, aquele esguicho de vapor característico nos chamando logo a atenção. Depois de uma longa temporada nos mares quentes da Bahia onde tem seus filhotes e os amamentam longe dos predadores, agora é a época de retornar aonde está seu alimento, nos mares gelados do sul. Passam meses quase sem se alimentar e nessa época do ano estão famintos, nadando a toda velocidade em direção à Antártida. Nós estamos um pouco cedo na temporada de baleias aqui no sul, mas devemos ver sim algumas delas, pelo menos as mais adiantadas e esfomeadas. Para quem tem esse como principal objetivo, é melhor vir um pouco mais tarde.
Diferentes espécies de pássaros acompanham o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Diferentes espécies de pássaros acompanham o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Além das baleias, também vimos alguns golfinhos, esses muito mais próximos do barco. São espécies bem diferentes das que estamos acostumados, que preferem as águas quentes de Fernando de Noronha ou do Havaí. Mas são igualmente belos, ágeis e curiosos, dando seus pulos ao lado do Sea Spirit e tentando averiguar do que se trata esse enorme monstro de metal locomovendo-se em seu território. E ainda aproveitam para achar e comer algum peixe que esteja também curioso pelas águas mexidas pelo movimento do barco.
Muitas aves voam próximas do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Muitas aves voam próximas do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
É esse mesmo movimento que atrai centenas de pássaros ao nosso encontro. Muito mais do que golfinhos e baleias, são eles que nos acompanham, mais de dez espécies diferentes, de todos os tamanhos e com uma categoria impressionante de simplesmente planar no ar, raramente usando suas asas. O movimento do barco mexe com o plâncton, o que atrai os pequenos peixes e seus predadores. Os pássaros já sabem disso e vêm de longe dar uma olhada no navio e no rastro que deixa para trás. E nós, lá no nosso deck de observação, a mais de 1.000 km de qualquer terra firme, ficamos cercados por pássaros. É impressionante!
Pássaros voam perto do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
Pássaro se aproxima do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto de Mitch Jasechko)
Não fosse pela palestra da manhã com o Jim, lá estaríamos admirando tudo, mas sem entender nada. Mas aprendemos que várias dessas espécies de pássaros, que para olhos e mentes menos treinadas parecem estar perdidas no meio do nada, na verdade vivem por aqui. São pássaros que passam meses a fio em alto mar, nem sombra de terra por perto. Voam e planam por milhares de quilômetros, quase sem gastar energia e se alimentando de peixes. Volta e meia, pousam na água, refrescam-se e descansam um pouco para, em seguida, alçar voo novamente. A facilidade com que planam minutos sem uma única batida de asas é mesmo incrível. Parecem ver as correntes de ar e de vento e usam sua força para flutuar no ar. Um completo domínio de seu centro de gravidade, inclina daqui, inclina dali e conseguem acelerar ou frear, virar a esquerda e a direita sem nenhum esforço aparente. Um verdadeiro show de aeromodelismo!
Um Black-browed Albatross (Albatroz de Sobrancelha) voa sobre o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Muitos Southern Giant Petrel (Petrel Gigante) acompanham o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
O mar é seu ambiente natural. Vão para terra firme apenas para se reproduzir e os que nascem, aí passam a sua infância. Mas adolescentes e adultos, esses ficam mesmo, boa parte do tempo, no oceano. Pássaros marcados com radiotransmissores indicam que eles tem a mais perfeita noção de onde estão, apesar de que, no mar, sem terra a vista, tudo parece igual. Não para eles que, além de “ver” o vento, parecem “ver” também o campo magnético da Terra. E assim conseguem se orientar, algumas vezes voando mais de 2 mil km em linha reta até alguma ilha, outros mil até outra ilha e ouros dois mil até o ponto inicial, descrevendo um perfeito triângulo de enormes proporções sobre esse mundo formado de água. Olhar esse traçado no mapa chega a ser emocionante, uma inteligência cercada de habilidades se escondendo atrás de penas e bicos. Incrível!
Um magnífico Black-browed Albatross (Albatroz de Sobrancelha) plana sobre o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
O belo Great Shearwater (Pardela de Bico Preto) sobrevoa o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Como eu já disse, são várias espécies de pássaros que tem esse comportamento semelhante e a nossa diversão é tentar identificá-las em pleno voo. É claro que o Jim, nosso ornitólogo preferido, ajuda bastante. Sua presença ali no deck e a animação com que identifica e descreve cada um desses pássaros nos contagia. Alguns dos pássaros que ali vemos são os maiores do mundo, pelo menos em envergadura. São os albatrozes e, de ponta a ponta das asas, chegam quase a incríveis 4 metros! Muitos desses pássaros que vimos por aqui, acabamos aprendendo primeiro seus nomes em inglês (com sotaque irlandês, hehehe), para só depois, com ajuda da internet, descobrir seus nomes em português. Vimos vários tipos de albatrozes (Black-Browed, Grey Headed, Southern e Northern Royal), pardelas (Great, Manx, Sooty, Southern Fulmar) e petrels (Northern e Southern Giant, Cape, White-chinned, Wilson, Atlantic, Soft-plumaged, Black-bellied, Thin-billed). Até mesmo pinguins, mas esses, como todos sabem, não voam. Eram pinguins-de-magalhães e ainda vamos ver centenas deles, dessa e das outras espécies de pinguins, a ave-símbolo da Antártida. É só chegarmos mais perto de terra firme.
Muitas aves voam próximas do Sea Spirit no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas
O belo Great Shearwater (Pardela de Bico Preto) sobrevoa o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Enfim, a brincadeira é fazer uma lista de todas as espécies que vemos e ir aumentado a tal lista todos os dias. Ao final do terceiro dia, já tínhamos 4 espécies de mamíferos e 22 de aves. É um bom começo, não? Por enquanto, as aves vão dando um show, ainda mais agora que nos aproximamos das Malvinas. Elas estiveram conosco toda a manha e principalmente pela tarde. Embelezaram ainda mais o pôr-do-sol e, mesmo com a tímida luz da lua, continuavam a nos acompanhar. É o paraíso para os amantes dos pássaros, sem dúvida!
Durante o entardecer, os pássaros continuam a nos acompanhar um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
Um pássaro, já com a lua brilhando, voa sobre o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas
No alto do Morro do Pai Inácio, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Aproveitamos que hoje era segunda-feira, dia que gente séria está trabalhando, para fazer o que é chamado por aqui de "Circuito 1", um passeio por algumas das atrações mais conhecidas da Chapada Diamantina, todas elas ao norte do parque. Esse é um circuito muto concorrido e, durante os fins de semana e feriados, ficam muto cheios, algumas atrações quase que "farofentas".
Nadando no Poço do Diabo, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
E não é à tôa! O Poço do Diabo, o Morro do Pai Inácio, a Lagoa e Gruta da Pratinha e a Lapa Doce são todas atrações maravilhosas e juntas, oferecem de tudo um pouco: montanhas, trilhas, cavernas, lagoas, cachoeiras, banhos refrescantes e cenários de cinema.
Rio Mucugezinho, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Nós começamos nosso tour pelo Rio Mucugezinho, que por si só já valeria um dia inteiro de explorações. A mesma água avermelhada dos outros rios da Chapada, muitas cachoeiras, poços e escorregadores. Mas a principal atração do rio é o Poço do Diabo, um enorme poço escuro ao pé de uma cachoeira e com uma pedra de onde se pode saltar de uma altura de 22 metros! Pois é... tão alto que são muito poucos os que se arriscam. De cabeça, então, parece que só tem dois ou três valentes, aqui na região. Eu já tinha visitado o poço três vezes e foi só na primeira, no auge da minha irresponsabilidade dos 21 anos, que tinha saltado. De tênis, para não machucar o pé. Desta vez, confesso que fiquei com muita vontade, mas a Ana, seguindo as recomendações da sogra, me proibiu terminantemente. Sem poder saltar, minha diversão foi mergulhar nas águas escuras, para achar o fundo do poço. Para minha surpresa, nos cinco pontos que mergulhei, o chão não passava de 7 metros de profundidade. Jurava que era mais fundo...
A Chapada Diamantina, vista do alto do Pai Inácio, próximo à Lençóis - BA
No alto do Pai Inácio, curtindo a Chapada Diamantina, próximo à Lençóis - BA
De lá seguimos para o Morro do Pai Inácio. Lá de cima, temos aquele visual clássico da Chapada, que aparece nos cartões postais e propagandas da região. Maravilhoso! Lá em cima, aproveitando-se do visual, uma equipe produzia um curta para ser mostrado na internet.
Admirando a lagoa da Pratinha, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Na entrada da Gruta da Pratinha e seu lago de águas cristalinas, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Próxima parada: complexo da Pratinha. Uma lagoa de águas incrivelmente claras e uma gruta com essas mesmas águas. Visibilidade de 60 metros! Inacreditável! Incrível pensar numa água dessa cor bem ao lado de outras com aquela cor de coca-cola. É um pecado não podermos mergulhar na caverna. O IBAMA embaça a vida dos mergulhadores de caverna no Brasil. Um absurdo total, num país que tem algumas das mais belas cavernas alagadas do mundo. Incompetência tupiniquim.
Formação dentro da gruta da Lapa Doce, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Formação do Lustre, dentro da Lapa Doce, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
A última parada foi a Gruta da Lapa Doce, uma verdadeira avenida sobre a terra, com dezenas e dezenas de formações interessantíssimas. Um show da natureza para os olhos dos que se aventuram lá embaixo.
Observando o Poço do Diabo, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
O dia de hoje mereceria uns 10 posts, com tantas informações e histórias que temos para contar. Infelizmente, não temos é tempo, por hora. Amanhã bem cedo, partimos em caminhada para a Fumaça e de lá para o Pati. Serão alguns dias sem internet, ma com muitas fotos e histórias. Esperamos poder botar tudo em dia logo depois. No momento, a cama me chama com força. São menos de quatro horas para o despertador tocar e muita coisa ainda para resolver, antes de colocarmos o pé na trilha. Não deixem de ver as fotos de hoje, no link no início do post. Tem umas lindas!
Nadando nas águas azuis-esverdeadas da Pratinha, próximo à Lençóis, na Chapada Diamantina - BA
Deixando para trás Saint Laurent e a Guiana Francesa
Vamos ter de passar por muitas fronteiras nesses 1000 dias. A maioria delas, com a Fiona, mas algumas sem, especialmente nas ilhas do Caribe. Para passar por todas elas, a documentação básica é um passaporte válido por 6 meses, vacina de febre amarela, dinheiro e/ou cartão de crédito. Para os países que formos sem a Fiona, passagens aéreas saindo do país ou da região. Para os países continentais, aonde passaremos com a Fiona, um seguro internacional e a carteira de motorista internacional. E para alguns poucos países, um visto de entrada.
A Ana, que tem dupla nacionalidade, brasileira e italiana, consegue entrar em todos os países, ora usando um, ora usando outro. Eu, brasileiro puríssimo, preciso de visto para México, Estados Unidos, Canadá e Guiana Francesa. Os dois primeiros, consegui antes do início da viagem. O da Guiana, consegui em Macapá, em situação especial. O do Canadá, ainda falta resolver. A Ana, que descobriu que seu passaporte brasileiro está vencido, precisou fazer um visto para o Suriname, como italiana. Conseguimos fazer isso em Cayenne.
Bom... agora a nossa querida Fiona. Seguro internacional não é das coisas mais baratas. Paga-se por um período específico. Como só ficamos sabendo com certeza a data de entrar na Guiana com duas semanas de antecipação, foi aí que compramos o seguro. A nossa companhia, apesar de internacional, não está muito acostumada com seguros para as Guianas. Imagino que eu tenha sido o primeiro... Junte-se a isso o período de carnaval e o resultado é que o carro está segurado, mas eu só tenho um vago email escrito em português que diz que o carro está segurado no exterior ("extensão de perímetro").
Barco Gabrielle, que faz a travessia entre a Guiana Francesa e o Suriname
Foi com isso que chegamos à Guiana Francesa, e era o que me deixava mais preocupado na época. Bom, por alguma grande sorte, ou por falta de costume mesmo, o cara na fronteira simplesmente confiou em mim e nós passamos.
Agora, hoje, já não foi bem assim. Para sair da Guiana, a policial fronteiriça já nos atazanou bastante. Depois de consultar seus superiores por teleone, disse que só nos deixaria passar porque estávamos saindo. Se estivéssemos entrando, ela não deixaria de jeito nenhum. Queria, no mínimo, algo escrito em inglês, com os países especificados. Ao final, já nossa amiga, alertou: "Vão ter problemas do lado de lá..."
Apesar da reza durante a travessia, ela acertou na mosca. O simpático policial surinamês disse que a Fiona não poderia entrar. As alternativas eram voltar para a Guiana ou comprar um seguro ali mesmo. A primeira opção foi logo descartada, afinal, meu visto tinha vencido hoje. A segunda opção, bem, hoje era sábado e tudo estava fechado. Quem sabe na segunda-feira...
Chegando à Albina, no Suriname
Ou seja, teríamos de passar algumas noites na "simpática" Albina. Para quem não se lembra ou não quer "googar" essa cidade, Albina é o local onde, no natal de 2009, houve tumultos em que a comunidade local atacou a comunidade brasileira matando alguns e estuprando algumas. Um belo local para eu passar o fim de semana com minha linda esposa...
O guarda até nos emprestou seu celular para eu falar na linha internacional da companhia de seguros. Eles ficaram de mandar um fax com algum documento. Não sei se chegaram a mandar, mas o fato é que um anjo na forma de chefe do guarda apareceu por lá. O tal anjo entendia um pouco de português. Mostrei para ele o histórico de emails trocados com a companhia e, por milagre, ele resolveu nos deixar passar.
Assim, quase duas horas depois de chegarmos ao Suriname, conseguimos passar e deixar Albina para trás, rumo à Paramaribo, a capital do país. Não sei se sentia mais alegria por ter deixado aquele pesadelo para trás ou raiva da companhia por ter passado esse susto. Bom, o fato é que passamos e agora a briga continua para termos o tal documento em inglês antes de chegarmos à fronteira da Guiana. Como uma amiga disse que sempre gosto de fazer o "jogo do contente", vou ser positivo: o documento vai chegar!
No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Depois de umas três horas curtindo a região do Castelo do Açu, o camping e o refúgio já vazios, era a nossa hora de partir. O dia estava lindo e tínhamos muitas horas de caminhada pela frente. Esse segundo dia da travessia da Serra dos Órgãos é o mais belo de todos, mas muito duro também.
Foto aérea do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro e da trilha que atravessa o parque
No início da caminhada no 2o dia da travessia, admirando as montanhas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
A distância a ser percorrida não é longa, por volta dos sete quilômetros do Castelo do Açu até o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino. A variação de altitude entre o ponto inicial e o final também parece favorável, pois saímos dos 2,200 metros do Castelo e chegamos aos quase 2.100 metros do Refúgio 4. Mas esses números são totalmente enganosos.
No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Quadro de distâncias entre os principais pontos de referência na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, entre Petrópolis e Teresópolis. O percurso total é de quase 30 Km
O problema está no meio do caminho, no que acontece entre o Açu e a Pedra do Sino. A Serra dos Órgãos não tem um platô no seu topo. A caminhada se alterna entre vales e montanhas e por quatro vezes descemos quase até os 2 mil metros para, logo depois, voltarmos a subir até os 2.200 metros. Com isso, se somarmos todas essas subidas, esses 7 quilômetros escondem uma ascensão quase tão grande como aquela do 1o dia, seja para quem partiu de Petrópolis, seja para que começou sua caminhada em Teresópolis.
No 2o dia de caminhada, ainda antes de descer para o Vale da Luva, admirando as montanhas mais famosas do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Além disso, como estamos em grandes altitudes, praticamente não há árvores e caminhamos sempre com o sol a pino. A exceção são os fundos de vales que passamos, como o Vale da Luva ou o Vale das Antas, onde pequenas matas florescem ao longo de nascentes e riachos.
Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Atravessando o pequeno riacho no Vale da Luva, parte alta do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Pode ser duro, mas é absolutamente lindo, desde que o tempo esteja aberto. Nesse caso, a visão é sempre ampla, a Baixada Fluminense e a Baía da Guanabara à nossa direita (para quem segue em direção a Teresópolis), e as montanhas mais famosas e fotogênicas do parque à nossa frente, como a Pedra do Sino e o Morro do Garrafão, sempre a nos guiar a direção.
Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Uma bela e delicada orquídea no Vale da Luva, 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Já quando o tempo está fechado e a neblina toma conta da paisagem, algo muito normal de ocorrer por aqui, a história é outra. Como boa parte da trilha é feita sobre rocha, o caminho não fica marcado no chão. São colocadas algumas setas de orientação, assim como totens de pedra sobre rochas mais altas. Mesmo assim, é incrivelmente fácil sair do caminho correto. Sem a visão mais ampla da paisagem para nos orientar, no caso de neblina, as chances de se perder no caminho são enormes, mesmo para aqueles que já fizeram a trilha algumas vezes. O segredo está em reconhecer logo o erro e voltar até a última seta ou tóten. Se insistirmos no erro achando que vamos voltar ao caminho correto, as chances de darmos em algum penhasco ou beco sem saída são enormes! Foi nesse trecho que meu grupo se perdeu quando estivemos aqui há uns 12 anos, mas o tempo estava aberto e conseguimos ver a trilha um pouco mais adiante. Mas se estivesse nublado, estaríamos em maus lençóis!
No alto do Morro da Luva, seguindo em direção a Cachoeirinha, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Vegetação muito comum nos campos de altitude, a mais de 2 mil metros de altura, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Enfim, hoje o céu estava claro e o sol brilhava radiante. Ao longe, víamos outros grupos que haviam partido antes de nós. Estavam um vale e uma montanha à nossa frente, mas eram uma boa referência. Mais tarde, também começamos a cruzar com grupos que faziam o sentido contrário. Mas não eram muitos não, já que estamos numa sexta-feira de Agosto. Amanhã sim, o movimento deve ser maior.
Indicação da trilha no alto do Morro da Luva, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
O Castelo do Açu, de onde partimos duas horas antes, visto do alto do Morro da Luva, no 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Saindo do Castelo do Açu, são quase 30 minutos até o Morro do Marco. Ele é facilmente reconhecido pela enorme pirâmide de pedras no seu topo, o tal do “marco”. que dá nome ao lugar. Depois, são outros 30 minutos, agora de descida, até o fundo do Vale da Luva. É um local encantador, coberto por uma mata nebular. Há uma nascente e um pequeno riacho onde podemos matar a cede e até nos refrescar um pouco. Mas a maior beleza é a flora do local, com diversas espécies de orquídeas endêmicas. Para quem pensa em fazer a travessia do parque em apenas dois dias e uma noite, aqui é o melhor lugar para se acampar.
No alto do Morro da Luva, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no 2o dia da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Novamente a lua nos acompanhou no final de tarde em mais um dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Depois do refresco, subida novamente. São mais 30 minutos até o topo do Morro da Luva, onde a vista fica grandiosa novamente. Lá na frente, a Pedra do Sino, e já bem atrás de nós, o Castelo do Açu. É aqui um dos locais onde a trilha se perde num labirinto de rochas e vegetação rala e rasteira. Temos de ficar de olho nas indicações. O problema é que muitos tótens foram montados um pouco fora da trajetória e isso acaba por nos confundir. Quando descemos do lado de lá, temos de atravessar um pequeno riacho. Eu atravessei ele logo e não consegui achar o caminho do lado de lá. Tentamos, olhamos, vasculhamos e nada. Até que seguimos a opinião da Ana e voltamos ao riacho. Ao invés de atravessá-lo, o correto era seguir pelo seu leito por algum tempo. Finalmente, as indicações voltaram a aparecer e ficamos seguros que tínhamos voltado ao caminho correto. Um pouco mais adiante e mais abaixo, chegamos à Cachoeirinha, outro ponto de referência importante na rota.
O Garrafão e a região conhecida como Portais de Hercules, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Nuvens vêm subindo o vale e já chegam ao Garrafão, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. A diferença de tempo entre uma foto e outra é de uma hora
Aí nos refrescamos novamente e aproveitamos para lanchar. Bem à nossa frente, subindo o vale do lado de lá, mais um ponto importantíssimo da rota: o “Elevador”. Esse é o nome que se dá a um trecho que é vencido com a ajuda de uma escada formada por grampos de ferro fincados na rocha com dezenas de metros de altura. Não estamos subindo propriamente uma parede, mas a inclinação gira em torno de 70 graus e sem os degraus, a tarefa seria muito mais difícil, senão impossível, pelo menos para quem não tem cordas, como é o nosso caso. Mesmo com os degraus, o peso da mochila nas costas se prova um desafio nessa parte. mas, com calma e paciência, vamos vencendo os degraus e chegando a uma rampa rochosa que nos levará ao topo de mais uma montanha, o Morro do Dinossauro, um dos pontos mais elevados da travessia. Tão elevado que é daí que temos a melhor visão do Garrafão e da Pedra do Sino. O Castelo do Açu já está pequenino lá atrás!
A pequena Cachoeirinha, em mais um dos vales que temos de atravessar nesse 2o dia de caminhadas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Lanchando aos pés da Cachoeirinha, no caminho entre o Castelo do Açu e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Descendo o Dinossauro, chegamos ao Vale das Antas. Ele é ainda mais verde que o Vale da Luva, também cheio de orquídeas. Aí está a nascente do rio Soberbo. Também é um local muito agradável para se descansar e refrescar, mas o camping é proibido pela fragilidade do ecossistema presente. Esse é o ponto mais baixo da caminhada de hoje, o único lugar que ficamos abaixo dos 2 mil metros de altitude.
Nossa primeira visão do chamado "Elevador", um dos trechos mais íngrimes na trilha que atravessa o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro.
Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Subindo o vale do lado de lá, chegamos ao Dorso da Baleia. A Pedra do Sino e sua enormes paredes de rocha estão bem a frente de nós, numa visão de estarrecer. Já tínhamos iniciando nossa caminhada há seis horas e chegávamos ao final de tarde. A partir das duas da tarde, observamos uma formação de nuvens subir pelo vale e chegar ás montanhas. Começávamos a temer que o tempo ficaria encoberto, mas pelo menos até agora, as nuvens se mantinham abaixo de nós, mais ou menos na altura do Dedo de Deus, aos 1.600 metros.
Com a ajuda de grampos de ferro fincados na rocha, subindo o Elevador, com inclinações próximas de 70 graus, no 2o dia de travessia no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Caminhando no Morro do Dinossauro, cada vez mais próximos do Garrafão e da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Antes de descermos a grota que separa o Dorso da Baleia da Pedra do Sino, mostrei para a Ana a nossa rota adiante, que segue por uma aresta lateral da gigantesca montanha de pedra à nossa frente. Dali de longe era difícil crer que havia uma trilha naquela passagem tão estreita e espremida entre a parede de pedra e o penhasco aos eu lado. Mas era ali mesmo que passaríamos.
Mais um momento de descanso, lado no Morro do Dinossauro e admirando o trecho da trilha que tínhamos acabado de fazer, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
No alto do Morro do Dinossauro e de frente ao Vale das Antas, admirando o Garrafão e a Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Quando passamos pela grota e chegamos à aresta, ela não parece assim, tão amedrontadora. É estreita sim, mas a vegetação ao nosso lado nos impede de ver o penhasco que está ali, a menos de um metro de distância. Vamos subindo e escalaminhando através da aresta, dando a volta na montanha, até que aparece à nosa frente o a passagem mais temida da Travessia da serra dos Órgãos: o “cavalinho”.
Mapa topográfico da trilha no nosso 2o dia de caminhada na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, do Castelo do Açu à Pedra do Sino. Nesse tipo de mapa, linhas próximas significam terreno mais íngrime
Sobre o Dorso da Baleia, já podemos ver a aresta (marcada em amarelo) por onde vamos subir a Pedra do Sino, parte final do 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
Esse é o nome que se dá para uma pedra que interrompe a aresta e o nosso caminho. Eles continuam do lado de lá e temos de passar por cima da tal pedra. Será que foi ela que inspirou Tom Jobim e Vinícius de Moraes? O problema maior é que as agarras para se montar na pedra estão do lado do abismo, e não do lado da parede. Assim, quando tentamos subir nela, fica explícito, salta os nossos olhos, o tamanho do desfiladeiro ao nosso lado. Pode ser psicológico, mas um escorregão e um pouco de azar combinados seriam morte certa. Por isso, o recomendável é que se tenha uma corda de segurança por aqui. Passa primeiro alguém com mais experiência, fixa a corda e auxilia os que vem de trás.
Já na aresta da Pedra do Sino, podemos ver a 'Pedra do Cavalinho" (marcada em amarelo na foto), ao lado de um precipício e obstáculo mais perigoso ao longo da travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro
A difícil transposição da Pedra do Cavalinho, na aresta da Pedra do Sino, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro. Aqui, feita com a sempre recomendada ajuda de cordas, equipamento que nós não tínhamos (foto da Internet)
Não era o nosso caso, pois como já disse, não tínhamos corda. Então, tirei minha mochila e passei primeiro. Já na segurança do lado de lá, peguei as mochilas que a Ana passou para mim. Depois, com toda calma e cuidado, ajudei a minha esposa, os meus braços fazendo as vezes da corda de segurança. Assim, ela passou para o lado de cá e nosso último grande desafio dessa travessia ficava para trás! Daqui em diante, era só continuar a seguir a aresta, que acaba se tornando uma trilha normal, até a bifurcação entre o caminho que leva ao cume da Pedra do Sino e àquele que leva ao Abrigo 4.
Mapa do nosso 2o dia na travessia do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, trecho entre o Castelo do Açu e o Abrigo 4, aos pés da Pedra do Sino
O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino
Nós chegamos aí cansados e bem nos últimos momentos de luz do sol. Titubeamos um pouco e acabamos por decidir ver o entardecer dali mesmo. Subiríamos a Pedra do Sino na manhã seguinte, pois o Abrigo 4 é bem próximo desse ponto e ainda tínhamos de montar nossa barraca. Trocamos o Pôr-do-sol lá no cume pelo nascer-do-sol no dia seguinte. Pelo menos na hora, foi o que nos pareceu mais sensato...
O 2o dia de caminhada no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, termina com mais um belíssimo pôr-do-sol visto da aresta da Pedra do Sino
Morro do Cabeludo, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Pouca gente fora de Goiás sabe, mas os Pirineus, essa famosa cadeia de montanhas, não fica entre a França e a Espanha, mas aqui pertinho de Goiânia, na pequena, histórica e charmosa Pirenópolis, ou cidade dos Pirineus.
Pirenópolis é um destino turístico super concorrido para os goianos e brasilienses. Cidade histórica, com origem no séc XVIII ligado à mineração, ainda em tempos coloniais, tem um casario antigo que lembra muito as cidades históricas mineiras, ou mesmo Parati, no Rio de Janeiro. Além do charme, o outro grande atrativo da cidade são suas belezas naturais, como as dezenas de cachoeiras e o P.E dos Pirineus.
Vista dos Pirineus, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Nosso objetivo era sair hoje de São Jorge, na Chapada, e chegar à Pirenópolis em tempo para visitar esse parque que dá nome à cidade. Das minhas lembranças de uma visita que fiz há uns oito anos, era um programa rápido e relativamente fácil de fazer...
Muitos "chuvirinhos" no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Saímos mais tarde que o planejado mas, mesmo assim, ainda tínhamos a intenção de dar uma paradinha no Vale da Lua, ao lado de São Jorge e a mais conhecida atração da Chapada dos Veadeiros fora dos limites do parque. Mas hoje era sábado e, assim que chegamos na estrada que dá acesso á atração, lá estavam dois ônibus abarrotados rumando para o Vale da Lua. Era a deixa que precisávamos para desistir do programa, ainda mais que seria uma visita de pouco tempo, mas paga do mesmo jeito. O Vale da Lua é para ser curtido durante a semana, longe das multidões e com tempo para admirar cada um de seus recantos.
Com o Chico, no alto do "Pai", no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Passamos em Alto Paraíso, na nossa pousada Catavento, para pegar o carro do Chico e seguimos em comboio para Pirenópolis, passando pelo Distrito Federal e ao largo de Brasília. Impossível não lembrar da inesquecível Legião Urbana e de seu "Santo Cristo" ao passar ao lado de Planaltina e de Ceilândia. É fácil perceber que a crítica social contida naquela música continua mais atual do que nunca, especialmente nestas cidades da periferia de Brasília.
Com a tarde avançando, chegávamos perto de Pirenópolis e já podíamos observar os Pirineus. E não é que lembram mesmo as montanhas européias? É claro que numa escala muito menor! Foram europeus passando pela região que notaram a semelhança e contribuíram para a mudança de nome da antiga vila para o nome atual.
Uma das quedas d'água do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Não daria tempo de ir até a cidade para depois voltar ao parque. A saída era passar por lá primeiro. O problema é que nossos dois livros-guia advertiam que um guia (de carne e osso)era obrigatório. Não nas minhas memorias! Lembrava-me de trilhas curtas e bem indicadas. Dito e feito! Apesar das placas avisando sobre a necessidade de guia, essa ridícula regra não é seguida. As portarias aparentam estar abandonadas e seguimos tranquilamente até o pé do "Pai, Filho e Espírito Santo", as três montanhas principais dos Pirineus.
Um dos poços do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Encima do Pai está uma igreja e uma trilha de 15 minutos nos leva até lá, de onde se tem belíssimas vistas das paisagens ao redor. Há uma procissão em Julho em que as pessoas vem até aqui, à pé, desde Pirenópolis, a 20 km de distância. Isso sim é um belo esforço!
De lá seguimos, ainda dentro do parque, para o Sonrizal, uma sequência de pequenas quedas d'água (principalmente para quem está acostumado com as cachoeiras da Chapada!) e diminutos poços de água cristalina. A gente se refrescou rapidamente e seguimos para Pirenópolis, onde nos instalamos na Pousada Cavalhada, bem no centro histórico.
No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Fim de semana, cidade movimentada por goianos e brasilienses. Mais do que isso, estamos em período de festas que antecedem as famosas cavalhadas da cidade, então o centro se enche de pessoas montadas em seus cavalos enfeitados. Muito jóia! Comemos num dos muitos bons restaurantes de preços inflacionados da cidade e esticamos para uma boate onde se tocava "legítima" música goiana: jazz! Muito boa, a banda, e foi foi uma surpresa agradabilíssima encontrar essa boa música por aqui, em pleno interior de Goiás. Acabou embalando nosso sono tardio, já quatro da manhã. Vai ser difícil acordar para poder seguir explorando as belezas da cidade...
No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Observando papagaios na Ilha da Pinheira
Uma vez bem instalados em Superagui, nosso plano era fazer um passeio de voadeira pelo interior da baía, especialmente à Ilha da Pinheira. Nas outras duas vezes que eu tinha viajado por lá, só tinha ido em direção à Praia Deserta. Por isso, estava bem ansioso por ver a baía, da qual já tinha ouvido falar muito.
Novamente foi o Flavião, ex-Flavinho, que nos levou. Baía a dentro, o mar mais parece uma lagoa e a voadeira pode acelerar, fazendo jus ao apelido desse tipo de barco. A proximidade da praia aumenta ainda mais a sensação de velocidade. Cães, pessoas, casas e outros barcos ficam para trás rapidamente. Assim como qualquer sinal de civilização. Após alguns minutos, olhares menos atentos me faziam jurar que eu estava navegando (ou voando) em algum grande rio da região amazônica. Rio caudaloso, largo, rodeado por uma mata verdejante. Mas o olhar engana. Não se trata de um rio, mas de um braço de mar. Água salgada. A vegetação, pelo menos na região mais próxima à água, é um mangue e não as grandes árvores da região norte. E o estado é o Paraná mesmo e não o Pará ou o Amazonas. Demorou pouco tempo para eu descobrir porque a região foi transformada num Parque Nacional. Benditos os que lutaram por isso!
Mas o melhor ainda estava por vir: a Ilha da Pinheira. É uma ilha no meio deste braço de mar, a cerca de 25 min de voadeira de Superagui. Completamente coberta por uma densa vegetação, impenetrável para frágeis seres humanos, a ilha é um santuário dos papagaios Chauá. Todo final de tarde, eles vêm de todos os cantos passar a noite na ilha. O porque disso, não sei. Sei que chegam às centenas, sempre aos pares. Me informam que são casais para toda a vida, que voam sempre juntos, que tirariam uma viagem de 1000 dias junto com a parceira de letra. Bela inspiração.
Moradores da Ilha da Pinheira
Uma vez na ilha, enquanto há luz, a cantoria é geral e ensurdecedora. A gente fica ali por perto, dando a volta na ilha e parando de tempos em tempos para assistir esse espetáculo visual e sonoro. Fico ali pensando na grandeza daquele momento, vivenciado apenas por três felizardos. Parece que nos feriados, tem um pouco mais de gente. O incrível é pensar que o espetáculo se repete todos os dias. Enquanto estamos vivendo nossos problemas mundanos do dia a dia, trancados em algum engarrafamento numa grande cidade, papagaios voam e cantam para quem quiser ouvir. É só saber o endereço certo: Ilha da Pinheira - Parque Nacional do Superagui - Litoral do Paraná - Brasil.
O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Hoje tínhamos um bom motivo para NÃO levantar cedo. Queríamos viajar para a Praia da Pipa pela praia. Para isso, a maré precisa estar baixa. E ela só estaria baixa o suficiente perto do meio-dia. Ficamos curtindo aquele nosso quarto delicioso por um tempo e depois fomos ao café de frutas frescas e pão de queijo quentinho. Era 11 da manhã quando achamos que a maré estava favorável e partimos então.
Nosso quarto na pousada Sabambugi, na praia do Sagi - RN
Já fazia um bom tempo que não colocávamos a Fiona na praia. Acho que ela curtiu! A areia não é das mais firmes, mas nada que a Fiona não tire de letra. Longos trechos de praia completamente deserta, sem rastros, já que éramos os primeiros a passar de carro com a maré baixando. Aparência de um mundo completamente vazio de humanos, como se tivéssemos voltado atrás no tempo uns 250 mil anos.
Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa
Mas não demorou muito tempo para chegarmos em Baía Formosa, que já é uma senhora cidade. As coisas tem mudado (crescido!) bastante por aqui nesses últimos 20 anos. Ai, se eu tivesse comprado um terreninho nessas bandas, lá no começo da década de 90...
Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
De Baía Formosa para frente foi-nos recomendado fortemente a seguir pelo alto e não pela praia. Ou que esperássemos mais uma hora por ali, para que a maré baixasse mais. Optamos por seguir pela fazenda de coqueiros, pagando um pequeno pedágio para os proprietários. Por ali fomos até a barra do rio Cunhaú onde pequenas balsas atravessam os carros que se aventuram por ali.
Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Bom, pequena mesmo são as balsas que nos atravessam no rio Sibaúma, um carro por balsa. A Fiona vai quase se equilibrando lá em cima. Mas o rio é rasinho e acho que se fosse preciso, ela atravessaria "à nado" mesmo!
Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Finalmente, após esse segundo rio, seguimos pelo chamado "Chapadão", um trecho no alto de falésias com vistas magníficas do mar esverdeado e das praias da região. Só esse panorama já vale a viagem, com certeza!
O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Finalmente, em Pipa, nos instalamos na pousada Zia Tereza, do simpaticíssimo italiano Renato, que ficou muito interessado na nossa viagem. A pousada fica perto o bastante do movimento e da praia para que possamos caminhar até lá, e longe o bastante para que a confusão noturna e de trânsito não nos incomode. Fiona devidamente estacionada, todo o resto se faz à pé por aqui.
Fiona no alto de uma falésia, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
A primeira impressão ao chegar na praia foi negativa. Aquele monte de gente e de guarda-sóis, coisa que, definitivamente, não estamos mais acostumados. Mas aos poucos, Pipa foi nos conquistando. Caminhamos até a baía dos Golfinhos onde a praia estava bem mais vazia. As falésias, tão comuns neste litoral, fazem a praia ficar mais bonita, pitoresca, meio selvagem. A água quase morna do mar é sempre um convite, mesmo com o sol já escondido atrás das enormes paredes naturais de 30-40 metros de altura.
Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
De volta à cidade, foi gostoso caminhar na Av. dos Golfinhos, a rua principal de Pipa. São dezenas de lojas, bares, restaurantes e pousads charmosas. Várias opções de gastronomia. Muitas línguas faladas pelas ruas. Excelente música tocando nas esquinas. Ar cosmopolita, como se estivéssemos em Búzios, Santorini ou Ibiza.
Praia da Pipa movimentada - RN
Eu e a Ana, mesmo em greve etílica já há alguns dias, não resistimos a dar uma saída de noite. Greve mantida, parte do "charme noturno" se perde, mas mesmo assim deu para se divertir.
Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN
E nós, que planejávamos ficar apenas um dia e que não gostamos do que vimos assim que chegamos, eis que a boa e velha Pipa mudou o jogo e nossa cabeça e amanhã, por aqui ficamos, curtindo um pouco mais esse pedaço do mundo encravado no litoral sul do Rio Grande do Norte.
Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN
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