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Virgin Gorda

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town, Virgin Gorda - Spanish Town

Devil's Bay, ao lado de The Baths, em Virgin Gorda - BVI

Devil's Bay, ao lado de The Baths, em Virgin Gorda - BVI


Virgin Gorda é a segunda ilha mais importante das BVI, mas é onde se encontra a principal atração turística do país: The Baths

Chegada do ferry em Virgin Gorda - BVI

Chegada do ferry em Virgin Gorda - BVI


São pouco menos de 40 minutos num rápido ferry para passageiros, 30 dólares a passagem de ida e volta no mesmo dia. Após a tradicional corrida nossa contra o relógio, conseguimos devolver o carro alugado e pegar o ferry da 10 horas. Pouco tempo depois estávamos desembarcando em Spanish Town, principal cidade da ilha. Apesar do nome, os espanhóis nunca estiveram lá. A água é tão limpa e cristalina que o pier do ferry fica numa praia maravilhosa, ótima para nadar. Nada daquelas águas nojentas de portos.

Táxi em Virgin Gorda - BVI

Táxi em Virgin Gorda - BVI


Mas nós não ficamos por lá. Pegamos um daqueles tradicionais táxis das Ilhas Virgens que são camionetes com uma espécie de gaiola na carroceria onde cabem uns dez passageiros. Seguimos para The Baths. Esse é o nome de uma praia onde há enormes rochas (boulders, em inglês) de origem vulcânica na praia. Essas rochas, dezenas delas, se amontoam formando cavernas acima e abaixo d'água. O ponto mais famoso é um lugar há uma caverna bem no nível da água. A luz do sol entra pelas frestas entre as rochas e a água do mar também entra, no lado de baixo. Por incrível que pareça, a água lá dentro é super limpa e clara, aquela cor meio azul-piscina tão difícil de descrever. Uma piscina se forma, com cerca de um metro de profundidade. É uma visão absolutamente mágica.

Caverna formada por grandes rochas em Virgin Gorda - BVI

Caverna formada por grandes rochas em Virgin Gorda - BVI


Quando os Cruise Ships estão por aqui, este lugar fica entupido de turistas. Mas tivemos a sorte de não haver nenhum por perto. Assim, o movimento não era grande, quando chegamos. E, como fomos embora mais tarde, ao final, só estávamos nós nesse lugar maravilhoso. Foi incrível!

The Baths, principal atração de Virgin Gorda e de BVI

The Baths, principal atração de Virgin Gorda e de BVI


Além de se divertir abaixo das pedras, também resolvemos explorá-las por cima. Foi uma diversão, pular de pedra em pedra, procurar o melhor caminho, colocar em prática o que aprendemos nas aulas de escalada. E, lá emcima, a visão é de cair o queixo. É possível ver The Baths e as duas praias de areias finas e brancas que a cercam e aquele mar com sua cor que só as fotos podem mostrar.

The Baths, principal atração de Virgin Gorda e de BVI

The Baths, principal atração de Virgin Gorda e de BVI


Por fim, depois de ver as pedras no nível da areia e por cima delas, fomos conhecê-as por baixo também. Foi um dos snorkels mais incríveis que já fizemos. A água com uma visibilidade de 30 metros (parecia que não estava lá), peixes e corais por toda parte. Mas, o mais incrível eram as formações rochosas, formando canyons, túneis e cavernas. Por cerca de duas horas exploramos toda a região e todos os buracos que encontramos. Foi como se estivéssemos no cenário do filme "A Lagoa Azul", com a Brooke Shields novinha e em plena forma. É claro que a "minha Brooke Shields" é ainda mais bonita! Eu e a Ana descíamos uns 7 ou 8 metros, atravessávamos um túnel com uns 10 metros de cumprimento e saíamos do lado de lá. Por dentro, os túneis se abriam em cavernas mais amplas, sempre com alguma luz do sol iluminando os cardumes de peixes que buscam refúgio lá dentro. Eu seguia antes da Ana, parava dentro da caverna, observava minha Brooke Shields passar voando por entre os peixes naquela água transparente, ficava lá embasbacado por alguns segundos diante da beleza plástica daquela cena e aí, lembrava que eu precisava respirar e seguia finalmente o meu caminho. Tentei filmar, mas as imagens ficam infinitamente aquém da realidade, infelizmente. Mas, com certeza, são cenas que vão ficar muito bem guardadas na minha memória. Pelo menos até a caduquice chegar...

Devil's Bay, ao lado de The Baths, em Virgin Gorda - BVI

Devil's Bay, ao lado de The Baths, em Virgin Gorda - BVI


Fomos embora extasiados daquele lugar. Ainda deu tempo de tomar uma cerveja e uns rum punchs num bar muito legal, o Bamboo, todo estilizado e depois pegar o último ferry de volta à Tortola. De noite, conseguimos achar um restaurante/pub com um certo movimento, para nos despedirmos de BVI. Foram 3 dias intensos, muito intensos. Para variar, o tempo foi bem curto, mas tiramos o máximo deles. O país é incrível, tem personalidade e personagens marcantes e uma natureza abençoada. Salve, BVI!

Ilhas Virgens Britânicas, Tortola - Road Town, Virgin Gorda - Spanish Town, Mergulho, Praia, Tortola, Virgin Gorda

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Yellowstone e os Super Vulcões

Estados Unidos, Wyoming, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone

Admirados com a beleza hipnótica da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Admirados com a beleza hipnótica da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A humanidade está há muito pouco tempo sobre a Terra. A nossa espécie tem uns 250 mil anos de idade. Comparando com a idade geológica do planeta, isso é o mesmo que nada, cerca de 0,06% do tempo total. Se pensarmos, então, apenas no período em que conhecemos a nossa história, cerca de 5 mil anos, aí é que percebemos o quanto somos novos por aqui.

Grand Prismatic Pool escondida por seus próprios vapores, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Grand Prismatic Pool escondida por seus próprios vapores, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Isso quer dizer que, enquanto espécie, não vivenciamos quase nada do que pode se passar no nosso planeta. A criação de grandes cadeias de montanhas, a separação e colisão de continentes, mudanças radicais climáticas, colisões com outros corpos celestes, tudo isso só conhecemos por registros geológicos e teorias criadas por cientistas, e não como testemunhas.

A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Pois bem, um dos principais eventos geológicos na Terra são as erupções vulcânicas. Ao mesmo tempo em que destroem tudo por perto, são elas também que constroem novas ilhas, novas planícies, novas penínsulas. É a maneira do planeta se renovar. Esse é um evento bem normal na história do planeta, ocorre o tempo todo e até nós, humanos, presenciamos isso no decorrer de nossas ínfimas vidas.

A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A fabulosa Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Mas existem as erupções e as “super erupções”. Essas sim são raras, porém colossais e devastadoras. Nada que tenhamos visto por aqui nos últimos 50 mil anos chegou perto do que poderíamos classificar como uma super erupção. Pinatubo, Krakatoa, Santa Helena, Vesúvio, todos eles tiveram suas erupções, mas as proporções são realmente outras. Para se ter uma ideia, a força de um super vulcão é mais de 1000 (Mil!) vezes maior do que a desses vulcões que conhecemos.

Enorme piscina de água azul e fervente, na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Enorme piscina de água azul e fervente, na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A única vez que a humanidade viu algo próximo foi há 70 mil anos, quando o vulcão do Lake Toba, em Sumatra, explodiu. O resultado foi a quase extinção total da espécie humana. Das muitas dezenas de milhares de indivíduos que existiam então, na África e talvez Ásia, sobraram apenas poucas dezenas de pessoas. Provavelmente, em apenas um grupo, que durante anos sobreviveu a invernos mais fortes, luminosidade solar prejudicada por espessas nuvens e escassez de alimentos. Esse é o evento conhecido como “gargalho genético” e o anônimo líder desse grupo, que conseguiu evitar a extinção da nossa raça, é a pessoa mais importante que já existiu na nossa história pois, sem ele, não teríamos sequer existido, gregos, romanos, egípcios, judeus, índios, chineses ou quem quer que seja...

Terraços de calcita na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Terraços de calcita na área da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Toda essa história para contar que o parque de Yellowstone está localizado sobre o mais bem estudado super vulcão do planeta. Registros nas rochas mostram que ele entrou em (super) erupção, pela primeira vez, há 2,1 milhões de anos. Desde então, outras duas mega erupções, a intervalos mais ou menos regulares de 650 mil anos. Não demora muito para fazermos a conta e percebermos que está na hora de mais uma. Mas, será que vai mesmo? A quantidade de gêiseres e fontes termais por aqui nos indica que há algo muito vivo abaixo de nós. Cientistas afirmam que sim, que ele explodirá novamente. Pode ser daqui a seis meses, 60 anos ou 60 mil anos. É tudo uma questão de “quando”, e não de “se”.

Visitando a Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Visitando a Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A explosão mandaria um bom pedaço dos Estados Unidos pelos ares. O que sobrasse, ficaria um bom tempo sem ver a luz do sol. O evento não seria catastrófico, mas cataclísmico. Tudo para, umas poucas centenas de anos depois (uma piscada geológica), a natureza “reconstruir” paisagens tão maravilhosas como as que vimos hoje, aqui no parque. Se, para essa renovação, tiverem de morrer algumas centenas de milhares de pessoas, o vulcão não dá, sinceramente, a menor bola.

As cores sempre vivas da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

As cores sempre vivas da Grand Prismatic Pool, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Bom, a gente tratou de aproveitar esse breve período em que ele cochila para conhecer o cenário maravilhoso que ele possibilitou que exista, exatamente sobre suas ventas. Começamos pela incrível e hipnótica Grand Prismatic Pool. Tínhamos estado lá ontem de tarde, mas hoje subimos um morro vizinho, de onde se tem a melhor vista do lago mágico. Lá de baixo, os vapores que ela mesmo emite praticamente a cobrem. Mas de cima, podemos ver sobre eles. O cenário é espetacular! Não parece real, mas algo saído do cinema para mostrar uma paisagem alienígena. Mas, ela é tão real como eu e você. Que coisa incrível!

Sapphire Pool, na área da Grand Prismatic, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Sapphire Pool, na área da Grand Prismatic, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Descemos e fomos vê-la de perto novamente. Apesar do lago ficar mesmo escondido entre os vapores, tudo o que está a sua volta não fica. Os líquidos que vazam da Prismatic Pool criam grandes terraços de calcita e alimentam um sem números de seres microscópicos, que se alimentam das substâncias químicas trazidas das entranhas da terra. São esses pequenos micróbios que pintam a paisagem com cores fortes e vivas, amarelo, laranja, vermelho, marrom, verde, azul, um verdadeiro arco-íris.

Mais uma cachoeira de águas geladas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Mais uma cachoeira de águas geladas no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Além disso, outras piscinas, menores mas não menos bonitas, pontuam a área. Passarelas nos levam através de todo esse cenário e painéis explicativos nos ensinam o que se passa por lá. Uma verdadeira aula prática de geologia e biologia.

Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Fontes de águas termais se encontram com o enorme Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Maravilhosa piscina transparente e azulada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhosa piscina transparente e azulada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Partimos então para explorar outras áreas do parque, que ainda não havíamos visto ontem. No caminho, pelas estradas, basta ver carros parados e já sabemos do que se trata: grandes animais na pista ou perto dela. Hoje tivemos a oportunidade de ver veados, elks, bisões, águias e até um coiote, bem de longe.

Maravilhosa piscina transparente e esverdeada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Maravilhosa piscina transparente e esverdeada, de água fervente, ao lado do Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Tão próximas e tão distintas (as duas fervem!), próximas oa Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Tão próximas e tão distintas (as duas fervem!), próximas oa Yellowstone Lake, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


A vegetação do parque se divide entre florestas de pinheiros e savanas, grandes campos abertos. Tudo entrecortado por rios, formam um cartão postal a cada curva. As florestas são a melhor pista de como o ecossistema daqui é dinâmico. Várias delas foram queimadas por incêndios, dentro do processo natural de renovação, e novas árvores, ainda pequenas, crescem por entre os troncos mortos da antiga geração.

A águia reina soberana nos céus do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

A águia reina soberana nos céus do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Um furtivo coiote no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Um furtivo coiote no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


É nas savanas que se pode ver com mais facilidade a fauna do parque. O mais incrível são as grandes manadas de bisões. Vê-los ali nos ajuda a imaginar como eram as grandes planícies americanas antes da chegada do homem branco. Era a visão que tinham os antigos “moradores”, os índios, que por 100 séculos conviveram em equilíbrio com os bisões, lobos e ursos.

Um veado passeia tranquilamente pelas estradas movimentadas do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Um veado passeia tranquilamente pelas estradas movimentadas do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Por falar nesses grandes predadores, ainda não foi hoje o “grande encontro”. Mas a esperança é a última que morre! Os lobos, por sinal, haviam sido extintos por aqui, devido à incansável caça dos rancheiros, preocupados com seus rebanhos. O animal foi reintroduzido há pouco mais de uma década e, rapidamente, se adaptou ao seu antigo ambiente, para alegria de turistas e ecologistas e tristeza de rancheiros, veados, bisões e elks, que achavam que tinham se livrado de seus inimigos para sempre. Que nada! Em Yellowstone, o “para sempre” nunca é para sempre!

O bisão selvagem, um dos símbolos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

O bisão selvagem, um dos símbolos do Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Passamos também por outras cachoeiras, fontes termais, um dos maiores lagos de altitude do mundo, o Lake Yellowstone e vários conjuntos de piscinas coloridas e termais. Ao final, já estão até virando corriqueiras para nós: “Olha! Uma piscina verde transparente maravilhosa ali!” – um de nós exclama. “Outra? Que preguiça...” – o outro responde. Hehehe

Manada de bisões no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Manada de bisões no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Até a relva, com suas cores fortes,  é linda no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Até a relva, com suas cores fortes, é linda no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Já era o final da tarde quando chegamos a outro dos cenários que faz de Yellowstone um lugar tão conhecido no mundo: o fantástico “Grand Canyon of Yellowstone”. Foi aí que aprendi a razão do nome da região. O nome do parque vem do rio, esse que forma o Grand Canyon (não confundir com aquele do rio Colorado!!!). E o nome do rio vem exatamente desse trecho, onde o canyon foi cavado sobre um solo amarelo. Não é “amarelado”, é amarelo mesmo!

Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Os americanos fizeram estradas e trilhas que nos levam a diversos mirantes sobre o canyon. Sem dúvida, foi um dos mais belos cenários que já vi na minha vida. O canyon é bem fundo, mas de 300 metros de profundidade, inteiramente cavado desde a última era glacial, há 15 mil anos. É incrível imaginar que tudo tenha sido feito em tão pouco tempo, mas o solo vulcânico, rico em sulfatos (por isso é amarelo), não resistiu à força das águas. Duas enormes cachoeiras, a Lower Falls e a Upper Falls complementam o cenário perfeito.

Parece um quadro, mas é o inacreditável Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Parece um quadro, mas é o inacreditável Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


Ao mesmo tempo em que aproveitávamos o horário com a luz mais bonita do dia, corríamos contra o tempo para ver o máximo possível, antes que escurecesse. Foi assim que descemos em disparada as dezenas de degraus até o ponto onde a Lower Falls desaba no vazio, e aceleramos a Fiona até o mirante que tem inspirado pintores e fotógrafos por várias gerações.

As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos


O nosso dia de hoje foi simplesmente fantástico. Chegamos a ficar até sem fôlego, tanto o corpo como a alma. A natureza realmente caprichou por aqui. E pensar que tudo isso, algum dia, vai se evaporar na explosão de uma super vulcão. O mesmo que destruiu o que havia aqui antes, mas lançou as bases para a nova paisagem que hoje vemos por aqui. Como será que era antes? Como será que ficará depois? Quem pode dizer, com tantas erupções e glaciações nos separando do passado e do futuro... Na dúvida, o melhor mesmo é aproveitar o presente. E que presente!

As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

As impressionantes Lower Falls do Grand Canyon de Yellowstone, no Yellowstone National Park, em Wyoming, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Wyoming, Yellowstone National Park, Montana, West Yellowstone, Bichos, Parque, vulcão

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Parc de La Mauricie

Canadá, Quebec, Parc National de La Mauricie

Um dos muitos lagos no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Um dos muitos lagos no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Depois de duas grandes cidades, agora queríamos conhecer um pouco da exuberante natureza do Canadá. O país é famoso pela beleza de seus Parques Nacionais e somente na província de Quebec são dezenas deles. Ficamos até tontos com tantas possibilidades, principalmente com o pouco tempo que temos por aqui. Era preciso fazer nossas escolhas...

Algumas folhas se adiantam e já tem a cor do Outono, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Algumas folhas se adiantam e já tem a cor do Outono, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Foi fácil eliminar de cara aqueles que só são acessíveis de avião e de barco. Apesar das belezas selvagens ali existentes, não estão ao nosso alcance, pelo menos não dessa vez. Pela grande distância, eliminamos vários outros. Como já disse algumas vezes, Quebec é do tamanho do estado do Amazonas e, para chegar ao outro lado da província, seriam necessários alguns dias de estrada.

Lendo informações sobre o processo de formação da maravilhosa paisagem no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Lendo informações sobre o processo de formação da maravilhosa paisagem no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


A Ana começou a ler a descrição dos outros parques, alguns interessantíssimos, em ilhas, na beira do mar, com grandes canyons, com vida selvagem e por aí vai. A vontade e a dúvida só iam aumentando, até que ela chegou no Parc de La Mauricie. Esse tinha de tudo: montanhas, cachoeiras, rios, muitos lagos, vida selvagem e, melhor de tudo, estava na direção e distância corretas. É para lá que fomos hoje!

Fiona em frente ao nosso hotel em Quebec, no Canadá

Fiona em frente ao nosso hotel em Quebec, no Canadá


Saímos já saudosos de Quebec, na direção oeste (que será o nosso sentido ao longo do próximo mês!), ligeiramente para o norte. Aliás, hoje foi o recorde de latitude norte da Fiona. Só será batido novamente depois de termos atravessado os Estados Unidos e entramos novamente no Canadá, em Alberta, aí sim na direção do Alaska. O recorde da viagem, mas sem a Fiona (ela não se conforma!), foi em Ilulissat, na Groelândia. Fomos acima do Círculo Polar Ártico. Recorde imbatível, pois nem no Alaska chegaremos tão “alto”...

Início de trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Início de trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Não demorou muito e atravessamos a zona rural da província, fazendas de trigo e milho espalhadas por uma grande área de planície e chegamos à região montanhosa, prenúncio de que o parque estava próximo. Outro sinal foi a quantidade de lagos, a marca registrada desse parque nacional.

Paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a trilha até o Lac Solitaire

Paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a trilha até o Lac Solitaire


Pois é, alguns minutos depois e chegamos à entrada do Parc National de La Mauricie. A primeira bela surpresa foi no centro de visitantes, onde uma atenciosa guarda-parque nos recebeu com todas as informações. Dissemos a ela o tempo que tínhamos e do que gostávamos e rapidamente ela já nos deu um mapa e nos sugeriu trilhas e caminhos pelo parque. Muito eficiente, sem nenhuma enrolação. Muito legal!

A Nikon se esgueira para tirar boas fotos no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá

A Nikon se esgueira para tirar boas fotos no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá


Chegando ao belíssimo Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Chegando ao belíssimo Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


A segunda surpresa foi a estrutura do parque. Dezenas de trilhas muito bem marcadas, uma estrada asfaltada que atravessa toda a parte sul do parque, abrigos bem construídos ao longo das trilhas mais longas, mapas detalhados e painéis explicativos com informações relevantes sobre fauna, flora, geologia e outros assuntos, espalhados pelo parque. Coisa de primeiro mundo.

O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá

O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá


O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá

O maravilhoso Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, na província de Quebec, no Canadá


O Parc de La Mauricie é frequentado no verão por amantes do trekking, ciclistas ou famílias em busca de um bom banho de lago. No inverno, são os esquiadores que procuram o parque para a prática do cross-country. Assim, para os amantes da natureza, há programas o ano todo!

Delicioso banho no Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Delicioso banho no Lac Solitaire, no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Nós, seguindo o roteiro traçado pela simpática guarda-parque, passamos por alguns mirantes, ainda de carro, para observar o rio e alguns lagos e chegamos ao início de uma trilha que nos levaria ao Lac Solitaire, no meio de montanhas. Uma agradável caminhada de poucos quilômetros e pouca inclinação, sempre na sombra agradável das matas nos levou até lá. Paisagem magnífica, bem a cara do Canadá do verão que vemos em filmes: um lago de águas cinematográfico de águas bem calmas cercado por uma mata verdejante que cresce sobre as montanhas (imagino que no inverno a paisagem mude completamente!).

Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Trilha no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


No alto de uma pedra, bem no primeiro ponto de onde pudemos ver o lago lá embaixo pela primeira vez, aí paramos para a primeira metade do nosso piquenique, com aquele maravilhoso cenário na nossa frente. Os sanduíches ficaram até mais gostosos, hehehe!

Praia em um dos lagos do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Praia em um dos lagos do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Depois, foi descer até o lago para um mergulho inesquecível em suas águas quase virgens. O incrível é que, entre todas as pessoas que encontramos no caminho (umas dez), fomos os únicos a entrar no lago. Incrível mesmo, pois a água nem estava fria e a beleza era indescritível. Um pecado, não nadar ali. Vai entender esses canadenses...

Painel informativo sobre o processo de formação das paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a última era glacial

Painel informativo sobre o processo de formação das paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá, durante a última era glacial


Depois do banho, outro pedaço de caminhada, mais mata e muitos mirantes para outros lagos no caminho. Poderíamos ter optado por trilhas mais longas, que nos levariam até a beira de outros lagos, quiçá para mais mergulhos. Mas ainda tínhamos muitas outras atrações pela frente, além de ainda ter de pegar estrada. Ficamos na trilha mais curta mesmo.

Os lagos e magníficas paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Os lagos e magníficas paisagens do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Novamente no carro, fomos percorrendo a estrada que atravessa o parque, parando aqui e ali nos diversos mirantes e atrações. Entre elas, uma praia de lago muito frequentada por famílias. Mas, depois do nosso banho privado no maravilhoso “Lago Solitário”, não animamos muito naquela praia cheia de gente. Seguimos em frente até o ponto mais alto da estrada, de onde se observa vários lagos e com diversos painéis explicativos de como as enormes geleiras da última era glacial moldaram o relevo da região, transformando rios em lagos e antigas passagens em vales fechados. Cada vez ais vamos nos impressionando com o “poder de ação” dessas geleiras. Nenhum lugar do Canadá e do norte dos Estados Unidos escapou de sua ação há 20 mil anos. Também, eram quilômetros de gelo passando sobre a mais alta das montanhas. Que força tem a natureza!

Cachoeira no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Cachoeira no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


No meio do caminho, tinha uma cobra! (no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá)

No meio do caminho, tinha uma cobra! (no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá)


Seguimos pela estrada e, muitos lagos depois, chegamos a um ponto para fazer nova trilha. O objetivo agora era chegar a uma cachoeira. Ela nem se mostrou muito bonita, mas o caminho até lá, esses sim valeu a pena. Lagos espelhados, pequenos riachos pelo meio da mata e até uma cobra no nosso caminho. Achamos um recanto bem agradável para a segunda parte do nosso piquenique, ao lado de um simpático riacho e, quem apareceu para nos acompanhar foi um pato desavergonhado, Vinha pedir comida como se fosse cachorro. Com tanta insistência, ganhou fotos e algumas migalhas...

Admirando paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Admirando paisagem do Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


O pato interesseiro que tentou ficar nosso 'amigo' durante um piquenique no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

O pato interesseiro que tentou ficar nosso "amigo" durante um piquenique no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Enfim, dia delicioso no parque. Se eu viesse morar em Quebec (o que não é má ideia!), seriam vários verões para conhecer cada trilha desse e dos outros parques da província. Programas de aventura não faltariam! Só iria precisar aprender a esquiar, para poder aproveitar no inverno também, hehehe

Fim de tarde e de caminhada no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá

Fim de tarde e de caminhada no Parc National de La Mauricie, província de Quebec, no Canadá


Saímos do parque já nas últimas luzes do dia. Resolvemos seguir viagem até onde desse, o mais perto possível de outro parque nacional, já bem mais a oeste, o Mont-Tremblant. Famosíssimo pelas pistas de esqui, no inverno, o parque é o mais bem estruturado e frequentado do leste do Canadá também no verão. Conseguimos chegar até Rawdon, perto das 11 da noite. Vamos dormir felizes, não só pelo dia que tivemos, mas porque estamos bem mais perto do nosso destino de amanhã!


Nosso caminho no dia de hoje

Canadá, Quebec, Parc National de La Mauricie, Parque, Rawdon, trilha

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Água Limpa

Brasil, São Paulo, Petar

Entrada da caverna Água Suja, no PETAR

Entrada da caverna Água Suja, no PETAR


O PETAR continua maravilhoso. É minha terceira vez por aqui, muita coisa mudou, muitos lugares estão fechados à visitação, tudo está mais organizado e burocratizado mas, mesmo assim, a natureza continua a mesma, as cavernas, a mata atlântica, os rios, a fauna.

Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR

Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR


Há cerca de dois anos atrás o parque esteve fechado por 2 meses. Decidiu-se por fazer um plano de manejo de toda a região, incluindo suas cavernas. Após esse período inicial, algumas cavernas foram reabertas à visitação, mas a grande maioria permaneceu fechada até que o plano fosse terminado, o que deve ocorrer nos próximos 12 meses. Agora, todas as visitas devem ser guiadas por monitores cadastrados. O número de visitantes também é limitado, para que o impacto sobre a natureza seja controlado. Já não se pode acampar na área do Núcleo Santana, o principal do parque.

Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR

Formações dentro da caverna Água Suja, no PETAR


Após este período de indefinição, o turismo voltou com força para a região. E deve aumentar ainda mais com a abertura de outras cavernas, após o término do plano de manejo. Mesmo assim, a grande maioria das mais de 300 cavernas da região continuarão fechadas aos turistas, aberta apenas aos estudos de pesquisadores. Mas, que fique bem claro: a parte que já está aberta e, considerando-se o que vai ser aberto em breve, é mais do que o suficiente para encher os olhos de qualquer visitante.

Formação amarela dentro da caverna Água Suja, no PETAR

Formação amarela dentro da caverna Água Suja, no PETAR


Tivemos a sorte de chegar aqui durante a semana, o que garante um parque vazio para nós. Congestionamento em caverna, ninguém merece. Assim, decidimos visitar as cavernas mais acessíveis hoje, sexta, enquanto os turistas não chegam e deixamos para o sábado uma outra, no Núcleo Caboclos, região mais isolada do parque, mais protegida dos visitantes de fim de semana.

Quem organizou tudo para gente foi a agência Parque Aventuras, uma das principais da região. Ontem de noite eles já combinaram com o Edson, um monitor que mora em Apiaí, para vir nos acompanhar esses dois dias. Chamaram ele porque a Ana já tinha sido guiada pelo pai dele, há sete anos atrás. Um senhor também chamado Edson e que, na época, já estava fazendo 80 anos, esbanjando saúde e destreza nas trlhas.

Atravessando o rio, no caminho de volta da caverna Água Suja, no PETAR

Atravessando o rio, no caminho de volta da caverna Água Suja, no PETAR


Hoje, bem cedinho, o Edson já estava por aqui. Logo depois da oito da manhã nós estávamos na entrada do parque, no Núcleo Santana, R$5,00 a entrada. O primeiro objetivo do dia: a caverna de Água Suja. Esse nome não faz justiça pois a água do rio que corre pela caverna é muito limpa. Assim como nas outras cavernas que estão abertas a visitação, apenas parte dela é liberada. Na Água Suja, são 800 metros de galerias, sempre ao lado ou por dentro do rio de águas frias. A boca da caverna é muito bonita, o verde forte da mata chegando até onde chega a luz do sol. A quantidade de espelotemas é abundante, formas esdrúxulas descendo pelo teto, subindo ou se arrastando pelo chão e pelas paredes. Percebe-se claramente que a caverna é um organismo vivo, só que com uma escala temporal "ligeiramente" mais longa que a nossa. A cada passo caverna adentro, vamos nos deixando impressionar com a grandiosidade do local, viajando nas formas dos estalactites e nos milhares de anos que as gotas d'água demoraram para esculpir tudo aquilo.

Aos poucos a caverna vai se fechando e nós temos de entrar mais e mais fundo no rio. O corpo, com algum sofrimento, acaba se acostumando com a temperatura da água. O gran finale é uma cachoeira subterrânea, quatro metros de queda d'água fazendo um barulho quase ensurdecedor dentro de uma pequena galeria sob milhares de toneladas de rochas. Pois é, é muito estranho pensar: sobre nossas cabeças está uma montanha. E sobre ela, uma floresta densa. É até difícil imaginar...

Banho de cachoeira na caverna Água Suja, no PETAR

Banho de cachoeira na caverna Água Suja, no PETAR


Ficamos ali, tomando aquele banho mágico por algum tempo. Depois, é hora de voltar pelo mesmo caminho, em direção a boca da caverna onde, de longe, já se enxerga o verde e a luz. É uma visão emocionante, ver cores vivas, claras, depois de tanto tempo sob a luz de lanternas, onde tudo é escuro, quase sem cor. Entrar numa caverna é sempre maravilhoso, portal para um novo e estranho mundo. Sair de uma caverna é abençoado, voltar para o nosso belo, velho e colorido mundo.

Isso foi só o começo do dia...

Brasil, São Paulo, Petar, Caverna, Parque

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Montanhas e Muita Neve

Geórgia Do Sul, Stromness

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso primeiro dia na Geórgia do Sul teve como foco principal a vida selvagem. Os pinguins de Salisbury Plain e albatrozes de Prion Island, além dos elefantes e lobos-marinho dos dois lugares são atrações espetaculares e mesmo a incrível beleza da paisagem naqueles lugares ficou em segundo plano. Hoje, no nosso segundo dia nessa ilha perdida do Atlântico Sul, as prioridades iriam se inverter: primeiro, as belezas naturais e a história do lugar, e segundo, a vida selvagem, que aqui na Geórgia do Sul, está em todos os lugares.

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul

Descida para a baía de Stromness, na Geórgia do Sul


Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


A primeira atividade do dia foi um longo trekking partindo de Fortuna Bay e chegando na baía de Stromness. Para isso, temos de cruzar as montanhas que separam as duas baías, a gente indo por terra e o Sea Spirit dando a volta pelo mar para nos recolher do outro lado. A ideia desse trekking é repetir o último trecho da grande travessia da ilha realizada em 1915 por Ernest Shackleton e dois de seus companheiros. Eles tentavam desesperadamente chegar à “civilização” para buscar ajuda a seus companheiros que ficaram presos na Antártida, depois que sua expedição exploratória havia terminado em fracasso. Ainda vou falar dessa história mais adiante, mas o fato é que Shackleton e seus companheiros conseguiram chegar à costa sul da Geórgia num barco a remo e daí precisaram caminhar até a costa norte onde se encontravam as estações baleeiras, Primeiro, caminharam até Fortuna Bay, já na costa norte e depois, seguiram para Stromness pelo mesmo caminho que fizemos hoje.

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul

mapa que mostra o caminho percorrido por Shackleton para chegar a Stromness. Nós fizemos o último trecho, a partir de Fortuna Bay. Exposto no museu de Grytviken, na Geórgia do Sul


Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul

Chegando a Stromness, antiga estação baleeira na Geórgia do Sul


Stromness era uma importante estação baleeira naquela época, mas hoje não passa de uma pequena cidade-fantasma, as ruínas das antigas instalações sendo comidas aos poucos pelo tempo. Aí chegou Shackleton, sendo recebido pelo incrédulo administrador local. E aí chegamos nós, recebidos pelo Sea Spirit e uma refeição quente, muito benvinda depois do frio e da neve que enfrentamos.

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul

Zodiacs levam os passageiros de volta ao Sea Spirit, em Stromness, na Geórgia do Sul


Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul

Nosso roteiro e pontos de parada na Geórgia do Sul


O segundo programa do dia foi visitar Grytviken, também uma antiga estação baleeira e hoje a “capital” da ilha. Tem até igreja, correio, museu o cemitério onde está enterrado o valente Shackleton. Vou tratar de Grytviken e desse tenebroso período de caça às baleias no próximo post, enquanto nesse vou me deter na nossa caminhada da manhã.

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul

Uma bela cachoeira na praia de Fortuna Bay, na Geórgia do Sul


Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness

Zodiacs levam os passageiros para Fortuna Bay Geórgia do Sul, para a caminhada até Stromness


Ainda ontem a Cheli, líder da nossa expedição, nos explicou sobre a programação de hoje e sobre quem estaria interessado em fazer o trekking. Para sua surpresa, mais da metade de nós estávamos. Para esses, o café da manhã seria servido ainda mais cedo, já que a ideia era estar já na praia de Fortuna Bay antes das 8 da manhã, para iniciarmos o trekking com cerca de 5 quilômetros, primeiro montanha acima, depois montanha abaixo e or fim, um longo vale.

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)

A neve na praia de Fortuna Bay parece incomodar o elefante-marinho (Geórgia do Sul)


Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Sob neve, início da nossa caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Com tempo frio e fechado, caminhando rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


O dia que amanheceu bonito logo fechou, deixando-nos todos ansiosos e com medo que a aventura fosse cancelada pois seria a nossa única chance de caminhar um pouco mais por essa ilha de paisagens fantásticas. Felizmente, não foi. Ao contrário, a neve pelo caminho até emprestaria um clima ainda mais real do que enfrentaram Shackleton e seus companheiros nas suas últimas horas de caminhada. E assim foi, ao chegarmos à praia, nevava forte e até os elefantes-marinho pareciam reclamar.

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Observando as montanhas que temos de cruzar para chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Com a neve e o frio, nada de ficarmos parados. Grupo todo reunido na praia, partimos logo rumo ao interior da ilha, o Damien, nosso guia historiador a frente. Não demorou muito para chegarmos à encosta da montanha e começarmos a subir. Quanto mais alto, mais neve, a paisagem cada vez mais parecida com aquilo que todos imaginamos que deva ser uma paisagem polar.

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul

Subindo a montanha que separa Fortuna Bay de Stromness, na Geórgia do Sul


Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)

Caminhando na neve entre Fortuna Bay e Stomness, na Geórgia do Sul (foto de Jeff Orlowski)


Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Caminhando na neve rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


Nessa época do ano, o normal seria já vermos toda essa paisagem aberta, sem neve. Apenas as montanhas estariam cobertas de branco. Mas não hoje. A neve até parou um pouco, mas nesse ponto, todo o solo já estava branco. Quando chegamos ao ponto mais alto da nossa travessia, o Damien até mostrou o que seria um lago citado por Shackleton em seu relato. Hoje estava congelado e coberto de neve. Mas resolvemos todos acreditar no nosso guia de que aquilo que víamos era sim, um lago.

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos mostra onde deveria haver um lago no alto da montanha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Conversando com nosso guia Damien no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Conforme caminhávamos, o Damien ia nos contando detalhes do trekking original, os homens já extenuados e esfomeados num último esforço para salvar suas vidas a as dos companheiros que ficaram para trás. Felizmente, nossas condições eram melhores, um bom café da manhã no estômago e um almoço nos esperando lá embaixo.

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo de caminhantes no ponto mais alto da trilha entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Foto do grupo no ponto mais alto da caminhada entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Repetindo Shackleton, cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Aí no alto, fizemos a tradicional pose para a foto de todo o grupo, o amarelo vivo de nossas jaquetas ainda mais vivo contra o branco que nos cercava. Devíamos estar a quase 500 metros de altitude, exatamente do ponto onde, com o tempo aberto, passa a ser possível observar Stromness. Imagino a alegria de Shackleton ao ver a fumacinha saindo das casas lá embaixo.

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul

Tentando avistar Stromness, na Geórgia do Sul


A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul

A Ana mostra que estamos chegando a Stromness, na Geórgia do Sul


Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

Enfrentando o frio e a neve no caminho entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Pois é, mais ainda era um longo caminho até lá embaixo. Com tanta neve assim, até o Damien, que já fez esse trekking várias outras vezes, se equivocou e começou a descer pelo lado errado da encosta. Mas logo percebeu o erro, subimos de volta e tomamos o caminho correto. O mesmo ocorreu quase 100 anos atrás, mas eles já haviam descido demais para voltar. Por isso, tomaram uma rota bem mais difícil e tiveram de enfrentar um ou outro penhasco com a ajuda das cordas que tinham.

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Com tanta neve, as pessoas formam grupos compactos no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul

Início da descida para Stromness, na Geórgia do Sul


O Damien também levava sua corda, mas ela não foi necessária. Fomos enfrentando a neve fofa e funda ao descer a montanha, sempre fazendo um ziguezague para tornar a descida menos íngreme e mais segura.

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul

O Damien nos conta detalhes da caminhada de Shackleton cruzando as montanhas entre Fortuna Bay e Stromness, na Geórgia do Sul


Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul

Descendo na neve em direção a Stomness, na Geórgia do Sul


Já lá embaixo, passamos ao lado da cachoeira onde Shackleton e seus companheiros tiveram de usar a corda, já que chegaram pelo outro lado. Uma visão e tanto, uma cachoeira no meio de tanta neve. Pausa para mais fotos e também para respirar um pouco.

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul

Os rastros de nossa descida pela encosta nevada da montanha rumo a Stromness, na Geórgia do Sul


A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

A enorme vastidão nevada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Uma cachoeira gelada no caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Agora já estávamos em baixo e era só seguir ao lado do rio até o mar, onde está Stromness. Antes de chegarmos lá, ainda cruzamos com marcas na neve. Eram as inconfundíveis pegadas de pinguim! Com efeito, três minutos adiante e lá estavam eles, um grupo de pinguins gentoo no meio da neve. Agora sim, estavam no seu ambiente predileto, hehehe! Um deles, até trabalhava para construir o seu ninho. Buscava gravetos lá longe e os empilhava cuidadosamente num ninho já quase pronto.

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

As inconfundiveis pegadas de pinguins na neve, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul

Cruzando com um grupo de pinguins gentoo pouco antes de chegarmos a Stromness, na Geórgia do Sul


Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul

Apesar da neve, um pinguim gentoo continua a construir seu ninho perto de Stromness, na Geórgia do Sul


Depois dos pinguins, uma claro sinal que estávamos cada vez mais pertos, passamos por pequenos lagos que haviam se transformado em verdadeiros espelhos, refletindo aquela paisagem grandiosa que nos cercava. Agora sem vento e sem neve, sua superfície estava parada e era um verdadeiro convite a novas fotografias.

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul

Um pequeno lago se transforma num grande espelho, no nosso caminho para Stromness, na Geórgia do Sul


O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)

O fantástico cenário da nossa caminhada para chegar a Stromness, na na Geórgia do Sul (foto de Wayne Purcell)


Por fim, um último encontro com filhotes de elefante-marinho. Esses sim nunca saem de muito perto da água. Havíamos chegado às ruínas de Stromness. Pelo estado de decadência em que se encontram, está proibido o acesso. Só podemos ver pelo lado de fora e a aparência é mesmo de uma cidade-fantasma. Seus únicos frequentadores, que parecem ignorar os avisos de não entrar, são lobos e elefantes-marinho. Mas isso é para outro post...

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul

Filhotes de elefante-marinho nos observam em Stromness, na Geórgia do Sul


Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Lobo-marinho não parece se importar com a placa na antiga estação baleeira de Stromness, na Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Stromness, Fortuna Bay, Montanha, Trekking, trilha

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Incas, Pukaos, Moais, Cavernas e a Praia

Chile, Ilha de Pascoa, Ilha De Pascoa, Hanga Roa

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Um dos maiores mistérios sobre a história da Ilha de Pascoa é se seus antigos habitantes tiveram algum contato com os povos da América do Sul. O fato de a batata-doce ser um dos principais itens de seu cardápio e dessa planta ser originária da América parece ser uma boa pista que sim, mas sempre haverá aqueles que defendem que a planta pode ter chegado à ilha com a ajuda de pássaros ou pegando carona em um tronco que veio boiando pelo mar.

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?


Mas existe uma outra “pista” na ilha que dificilmente pode ter vindo trazida por pássaros ou boiando pelo mar. Foi para aí que seguimos depois da visita ao vulcão Rano Kao (ver post anterior), ver de perto as ruínas de Vinapu. É um grande ahu (plataformas ou altares de pedra), como dezenas de outros espalhados por Rapa Nui, mas com uma “pequena” peculiaridade: a arquitetura é claramente incaica!

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?

Ruínas de traços incas em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico. Terá havido algum contato?


Os incas formaram a mais desenvolvida civilização pré-colombiana da América do Sul e se encontravam no seu auge na época da chegada dos espanhóis. Para quem já visitou as ruínas de Saqsaywamán (veja o post e as fotos aqui!), em Cusco, não terá dúvidas: a similaridade das duas ruínas, Vinapu aqui em Rapa Nui, e a fortaleza Inca em Cusco, não pode ser mera coincidência! E como terá sido esse contato? Sinceramente, essa é uma dedução minha, não acho que os incas tenham vindo até aqui. Para mim, parece lógico que se eles tivessem navegado até Ilha de Pascoa, também teriam chegado ao México, que é muito mais perto! E um contato entre as poderosas civilizações inca e asteca certamente teria deixado marcas mais claras. Nunca houve esse contato (pelo menos de forma direta), o que me faz concluir que também não chegaram aqui. Resta, então, a outra alternativa: foram os rapa nuis que chegaram ao Perú. Muito provavelmente, com alguma frequência. Não só trouxeram a batata-doce de lá como tiveram umas aulas de arquitetura e técnicas de encaixe perfeito de rochas gigantes com os incas. Vinapu está aqui para provar isso.

Nosso roteiro de carro por várias das atrações da Ilha de Páscoa, entre moais, pukaos, cavernas, um vulcão e uma praia

Nosso roteiro de carro por várias das atrações da Ilha de Páscoa, entre moais, pukaos, cavernas, um vulcão e uma praia


Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Bom, deixamos as teorias para trás e seguimos nosso passeio, agora em direção à fábrica de pukaos, os chapéus avermelhados dos moais. O lugar, uma antiga boca de vulcão, se chama Puna Pau. A rocha formada pela erupção desse vulcão é completamente distinta da rocha formada lá na fábrica de moais, tanto na cor como na estrutura. E os antigos rapa nuis souberam combinar muito bem as duas, nos seus Moais sagrados.

Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Puna Pau, onde eram fabricados dos Pukaos, ou cabelos dos Moais de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Um Pukao, ou o cabelo de um Moai (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)

Um Pukao, ou o cabelo de um Moai (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)


Puna Pau é bem menos visitada que Ranu Haraku, a fábrica de Moais. Estivemos ali meia hora, caminhando entre antigos pukaos sem ver mais ninguém. Aqui, como na fábrica de Moais, percebe-se uma linha de produção e vários pukaos prontos para a venda. E aqui também, tudo parece que parou de repente, como se os operários tivessem saído para o almoço e nunca mais voltado. Imensos blocos de pedra avermelhada com formato de chapéu (ou cabelo!) esperando, silenciosamente, há séculos, para serem transportados.

Com nosso carro alugado, dirigindo pelas estradas de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Com nosso carro alugado, dirigindo pelas estradas de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Entrando em área de parque nacional em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Entrando em área de parque nacional em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Bom, tiramos nossas fotos, fizemos nossas divagações e seguimos em frente. Agora para o Ahu Akivi, os sete Moais que olham para o mar, ao invés de olharem para a ilha. Aparentemente, são uma homenagem aos primeiros habitantes de Rapa Nui, aqueles que cruzaram o mar vindos do oeste, para colonizar a Ilha de Pascoa. É exatamente para oeste que miram os Moais. E exatamente como ocorre em tantas outras civilizações antigas, a precisão astronômica da construção chama a atenção! Os moais estão na exata direção do ponto onde o sol se põe no equinócio de primavera, enquanto suas costas apontam para o ponto onde o sol nasce no dia do equinócio de outono. Ninguém vai achar que isso é coincidência...

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ahu Akivi, o único local onde os Moais estão voltados para o mar em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Outra razão que diferencia esse conjunto de Moais é o fato dele estar no interior da ilha, numa parte mais elevada. Isso propicia vistas magníficas do seu entorno e nos inspiram ainda mais à reflexão. Também é daqui que parte a trilha para subir o vulcão Terevaka que, com seus 500 metros de altura, é o mais alto da ilha.

Entrada principal de Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Entrada principal de Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


caminhando por Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

caminhando por Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Mas nosso pique, hoje, era outro! Seguimos para antigas cavernas, ou “anas”, ai perto. Eram antigos tuneis de lava, formando um verdadeiro labirinto embaixo da terra. A última atividade vulcânica da ilha já tem algumas dezenas de milhares de anos, assim que, quando os primeiros habitantes de Rapa Nui chegaram, os antigos tuneis já eram cavernas seguras. Nelas moraram gerações e mais gerações de rapa nuis, buscando proteção dos elementos e também de clãs rivais.

Observando uma das saídas de Ana Te Panu, caverna que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Observando uma das saídas de Ana Te Panu, caverna que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Saída de difícil acesso de Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Saída de difícil acesso de Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Passamos uma boa hora explorando alguns desses tuneis, sempre nos guiando pela luz que entra pelas diversas claraboias. Como estávamos sem lanternas, não pudemos ir nos tuneis mais escuros, mas caminhar pelos mais claros já foi o suficiente para termos uma ideia de como seria morar ali. Nas claraboias maiores, ainda hoje se cultivam bananeiras e outros vegetais, exatamente como faziam séculos atrás. Mais um link direto com esse passado não tão distante.

Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ana Te Panu, uma das cavernas que servia de moradia e refúgio para os antigos habitantes de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Por fim, seguimos com nosso carro para a praia de Anakena, nossa velha conhecida. Dessa vez, chegamos mais cedo, para ter mais tempo por lá, inclusive para entrarmos no mar, coisa que ainda não havíamos feito.

Correndo para saltar no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Correndo para saltar no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Pulando no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Pulando no mar na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Dia de domingo, dia de praia cheia, como em qualquer lugar do mundo. E também, como em qualquer lugar do mundo, lá estavam crianças e adolescentes brincando com bola, fazendo o seu sagrado futebol. Nós passamos um bom tempo admirando e fotografando essas pessoas que são como todos nós, exceto pelo fato de terem nascido na Ilha de Pascoa. Trabalham e estudam nos dias de semana e se divertem no domingo, brincando com os amigos.

Praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


A Ana nada na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A Ana nada na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Nós também, entramos no clima e nos entregamos à praia, ao sol, ao final de tarde. Nadar em Anakena pode ser normal para eles, mas para nós, é especial sim. Ainda mais num final de tarde tão magnífico. Tendo nossas próprias rodas, não precisávamos nos preocupar com a volta. Falando em rodas e em entardecer, amanhã de madrugada, antes de devolvermos o carro, temos um compromisso: assistir ao nascer-do-sol em Ahu Tongariki, um dos programas obrigatórios para quem viaja a Rapa Nui.

Criança se diverte com bola na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Criança se diverte com bola na praia de Anakena, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

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Reencontros e Overlanders

Peru, Cusco

Recebendo o Gustavo no aeroporto de Cusco, no Peru

Recebendo o Gustavo no aeroporto de Cusco, no Peru


Depois de uma manhã preguiçosa aproveitando a calefação contra o friozinho de Cusco, lá fomos nós tirar a Fiona do seu movimentado estacionamento, onde tinha ficado parada nos últimos quatro dias. O motivo para retirá-la do descanso era nobre: ir até o aeroporto da cidade buscar o Gustavo, que chegava de sua conexão em Lima. O Gustavo é um dos melhores amigos da Ana, lá de Curitiba, amizade que vem dos tempos da faculdade. Para nossa felicidade, ele veio passar dez dias aqui conosco na região de Cusco, pronto para explorações, caminhadas e baladas, novas experiências gastro-etílico-culturais e muita conversa com a amiga de longa data e o marido simpático dela, hehehe.

Vários carros de overlanders em chácara em Cusco, no Peru

Vários carros de overlanders em chácara em Cusco, no Peru


Na hora marcada, o avião desceu e o Gustavo teve o raro privilégio de chegar em Cusco e ter a Fiona à sua disposição no aeroporto! Fizemos aquela festa, tiramos as fotos de praxe e o acomodamos no banco de trás, o mesmo lugar que já recebeu outros amigos especiais que vieram nos visitar também, durante esses 1000dias. Passamos rapidamente no hotel para deixar a bagagem e seguimos para nosso segundo compromisso do dia, também um reencontro.

Conversando com a Karin, o Coen e outros overlanders em chácara nos arredores de Cusco, no Peru

Conversando com a Karin, o Coen e outros overlanders em chácara nos arredores de Cusco, no Peru


A primeira vez que saímos do Brasil com a Fiona nesses 1000dias, no comecinho de 2011 (nossa, parece que já faz um século...), foi para a Guiana Francesa. Lembro-me da emoção de passar incólume pela imigração do outro lado do rio e acelerar em estradas estrangeiras pela primeira vez. Começávamos a nos sentir “experientes”, finalmente viajantes internacionais. Logo nos primeiros dias, um encontro que nunca mais esqueceríamos: numa estrada isolada da Guiana Francesa, lá estava a Land Rover do Landcruising Adventure, dos holandeses Coen a Karin. Já naquela época, viajavam há quase oito anos pelas estradas do sudeste asiático e América do Sul. Paramos para uma boa conversa e, após contarmos dos nossos planos de viagem, a Karin, genuinamente, perguntou: “mas porque só 1000 dias?”. A pergunta nos pegou completamente de surpresa, pois já estávamos acostumados com o espanto das pessoas por uma viagem tão longa, mas jamais pelo contrário! Realmente, nunca mais nos esquecemos disso.

Um delicioso lanche em chácara onde se congregam overlanders que vêm à Cusco, no Peru

Um delicioso lanche em chácara onde se congregam overlanders que vêm à Cusco, no Peru


Pois bem, desde então, de tempos em tempos, procuramos na internet e descobrimos aonde eles estão. E eis que, agora que já deixamos os “parcos” 1000 dias para trás, tivemos a chance de encontrá-los novamente. Isso porque o Landcruising está aqui em Cusco! Recentemente, eles completaram 10 anos de viagem e, desde o nosso encontro, rodaram apenas pelas três Guianas, norte do Brasil, Bolívia e, recentemente, Peru. Assim é o estilo de viagem deles: devagar, quase parando, aproveitando ao máximo cada pedacinho de terra, bem diferente da nossa correria do dia a dia, toda a América em apenas mil e poucos dias.

Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)

Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)


Nós entramos em contato com eles e combinamos um reencontro aqui em Cusco, na chácara onde estão estacionados. Como a grande maioria dos overlanders (viajantes de carro que cruzam fronteiras), eles não ficam em hotéis ou pousadas, mas dormem em seu próprio carro. Em cidades grandes como Cusco, sempre há espaços para receber esse tipo de viajante, chácaras ou campings meio afastados do centro com bastante espaço para caminhões, ônibus, traillers e carros que foram transformados em residências ambulantes. Nessa tribo, nós é que somos a exceção e gostamos de uma cama e chuveiro de verdade, além da facilidade de estar perto das atrações. O normal seria fixar acampamento num desses campings, conhecer outros viajantes desse tipo, passar uma semana entre confraternizações e churrascos e, de vez em quando, dar um pulinho no centro.

Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)

Expedição francesa que viaja pela América por 500 dias. São nossos irmãos mais novos, hehehe )em Cusco, no Peru)


Hoje, então, já acompanhados do Gustavo, fomos visitar nossos amigos holandeses e conhecer um desses campings repletos de overlanders. Dentro dos limites da frieza saxônica, eles fizeram muita festa para nós. Imagino que, agora que fomos e voltamos do Alaska, cruzamos duas vezes a América Central, rodamos quase 150 mil km e estando na estrada há 40 meses, já conseguimos impor um pouco mais de respeito. De qualquer forma, perto dos 10 anos de experiência desse incrível casal, ainda engatinhamos... Eles nos receberam com um delicioso e nutritivo lanche, com direito à chá, pão integral e legítimo queijo holandês. Uma delícia.

Passamos uma boa hora por ali, tentando botar o passado e futuro em dia. Tivemos a chance de conhecer também outros viajantes, como um sul-africano muito simpático e uma família de belgas que está viajando pela América por 500 dias. Ficamos até tentados em repetir a pergunta que a Karin nos fez em 2011, mas o que sentimos mesmo foi um certo carinho pela viagem deles, como se fosse uma parente mais nova da nossa, hehehe.

Reencontro com a Karin e o Coen, os holandeses do Lanncruising Adventure que viajam há mais de dez anos, em Cusco, no Peru

Reencontro com a Karin e o Coen, os holandeses do Lanncruising Adventure que viajam há mais de dez anos, em Cusco, no Peru


Enfim, foi hora de nos despedirmos novamente. Dos holandeses, pois o Gustavo ainda continua conosco por um bom tempo! E já era hora de começarmos a fazer algum turismo pela cidade, pois o tempo urge e a vida é curta! Um grande abraço aos amigos do Landcruising e seguimos diretamente para Saqsaywamán, uma incrível fortaleza Inca nos arredores de Cusco. Nossa aventura peruana está apenas começando...

Peru, Cusco, viagem

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Praias e Tartarugas

Guiana Francesa, Yalimopo

Placa do Parque Nacional de Awala Yalimapo, na Guiana Francesa

Placa do Parque Nacional de Awala Yalimapo, na Guiana Francesa


Apesar da longa costa, a Guiana Francesa quase não tem praias. Em plena região amazônica, com rios bem caudalosos, o mangue e o barro ocupam o lugar da areia em boa parte do litoral. Mesmo nas Îles de Salut, o que vimos foram pedras e uma costa rochosa.

Bom, elas podem ser raras, mas existem. No suburbio de Cayenne, por exemplo, onde fomos jantar na segunda-feira, tem uma praia bonitinha. Mas, com a chuva, nem deu para passear por lá. Em Kourou também tem. Mas as fotos não nos animaram.

Rio Mana, na Guiana Francesa

Rio Mana, na Guiana Francesa


Deixamos nossa visita praiana para hoje, já quase na fronteira com o Suriname. O nome da praia e da vila é Yalimopo e ela é um paraíso dos admiradores de tartarugas. Nossa, o pressoal do TAMAR, por aqui, ficaria louco! Numa pequena extensão de areia, uns poucos quilômetros, são cerca de 13 mil visitas de tartaruga por ano! Para quem vem na época de maior movimento, a visão parace ser a de um desembarque de tanques na praia durante uma batalha!

Igreja em Mana, na Guiana Francesa

Igreja em Mana, na Guiana Francesa


Nós saímos um pouco antes do meio dia de Kourou, após uma longa e merecida noite de sono e uma manhã de trabalho confortável no quarto do hotel. A estrada é ao longo da costa, em direção ao oeste, mas nunca vemos o mar. Pela primeira vez aqui na Guiana, pudemos observar algumas plantações e criação de gado. Cinquenta quilômetros antes do rio que separa a Guiana do Suriname, a estrada se bifurca. Um lado segue ligeiramente para o interior, para a cidade de Saint Laurent, onde um ferry cruza para o país vizinho. O outro lado segue pela costa, passando pela pequena cidade de Mana, ao lado de um belo rio com o mesmo nome, e de lá vai até a pontinha do país, onde o rio Maroni encontra o mar. É onde está a praia que buscávamos e de onde observamos o Suriname pela primeira vez.

Caminhando na praia de  Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa, fronteira com Suriname

Caminhando na praia de Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa, fronteira com Suriname


A gente se instalou no Chez Judith & Denis, um pequeno hotel que oferece cabanas no estilo ameríndio com redes para dormir. Quase um acampamento. Bem pitoresco e com cara de Guiana, diferentemente dos hotéis que vínhamos ficando. Fomos logo para a estreita praia de areias vermelhas, o mar com muito mais cara de rio do que de mar, inclusive com água salobra, mais para doce do que para salgada.

Nadando no rio Maroni, fronteira com o Suriname, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Nadando no rio Maroni, fronteira com o Suriname, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa


O que mantém a praia são os dois grandes rios da região, o Mana e o Maroni. Realmente, a areia é mais fluvial do que marinha. As tartarugas parecem gostar! Falando nelas, são de hábito noturno e sua estação se inicia por agora. De noite, com uma lanterna quase sem pilhas, fomos procurá-las. O início da busca foi promissor! Vários rastros e também restos de ovos recém-abertos. Mas a luz da lanterna ameçava acabar e a chuva, sempre a chuva, ameaçava.

Nosso 'quarto', típica habitação ameríndia, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Nosso "quarto", típica habitação ameríndia, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa


Voltamos para o nossa cabana e redes com mosquiteiros bem à tempo de evitar o pé d'água. Aí, ao invés de tartarugas, a gente se divertiu com o vinho bom e barato, nacional (francês!) que temos sempre comprado por aqui. Com cinco euros, temos sempre um bom vinho! Acho que é a única coisa barata na Guiana Francesa...

Nossas redes com mosquiteiras, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Nossas redes com mosquiteiras, em Yalimapo, região de Mana, na Guiana Francesa

Guiana Francesa, Yalimopo,

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Casório em Goiânia

Brasil, Goiás, Goiânia

A Veridiana, belíssima noiva, entrando no casamento (Goiânia - GO)

A Veridiana, belíssima noiva, entrando no casamento (Goiânia - GO)


Goiânia apareceu no meu mundo pela primeira vez quando tinha 9 ou 10 anos. Nessa época, eu morava em Belo Horizonte e começava a ter as primeiras aulas de história da minha cidade. Aprendi que BH havia se tornado capital do estado há menos de 100 anos (na época), sucedendo Vila Rica (Ouro Preto). E que ela era uma cidade planejada, construída sobre outra mais antiga, Curral D'El Rey. Enfim, a professora pegava muito nesse ponto, que BH, ao contrário das outras grandes cidades, havia sido planejada. Por isso o formato mais simétrico, inteligente (?). E como exemplo de outras cidades planejadas no Brasil, citavam duas: Brasília, a capital, e uma tal de Goiânia. Desde então, eu guardava essa curiosidade sobre o tal planejamento de Goiânia. Imaginava algo parecido com Beagá.

Bem depois, já na época universitária, estive aqui de passagem, voltando da Chapada dos Veadeiros. O que mais me impressionou na cidade não foi o planejamento não (quantos semáfotos! Ruim feito BH!), mas a quantidade de bares e de moças bonitas nos bares. Acho que é o calor! Só sei que o consumo de álcool deveria e deve ser grande...

De volta à Goiânia em pleno séc XXI, percebe-se que a cidade cresceu muito. Os bares e as meninas bonitas continuam aqui. Assim como os semáforos. Na época do GPS, é bem tranquilo transitar entre os "quejinhos", que é como são conhecidas as rotatórias ou balões por aqui, e setores (bairros) da cidade, à bordo da Fiona.

O feliz noivo Dugalo (Goiânia - GO)

O feliz noivo Dugalo (Goiânia - GO)


Mesmo assim, por precaução, fomos de ônibus para o casamento do Dugalo e Veridiana, que foi o que nos trouxe tão cedo ao planalto central. Ônibus fornecido pelos noivos para os convidados, para ninguém ter problema com bafômetros. Melhor assim!

Com o Kina,nosso padrinho de casamento e padrinho também no casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)

Com o Kina,nosso padrinho de casamento e padrinho também no casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)


Para enfrentar o inverno com cara de verão da cidade, vestidos para festa de casamento, muito ar condicionado! E depois, cerveja gelada. Aos poucos, o paletó fica para trás, pendurado na cadeira. Mais tarde, a gravata também!

Início da cerimônia do casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)

Início da cerimônia do casamento do Dugalo e Veridiana (Goiânia - GO)


A cerimônia foi ao ar livre e muito bonita. Mas, bonita mesmo estava a noiva, a Veridiana. Foi muito legal ver a alegria dos noivos e também poder rever os amigos da faculdade. Atualmente, isso só acontece nos casamentos.

Com os amigos de faculdade presentes no casamento do Dugalo e Veridiana(Goiânia - GO)

Com os amigos de faculdade presentes no casamento do Dugalo e Veridiana(Goiânia - GO)


No dia seguinte, fomos passear aqui em Goiânia. Almoçamos no Glória, um boteco bem carioca e simpático, juntos com o Nando, Mariângela e os filhos Bibi e Kim. O Nando é meu primo e estamos muito bem hospedados no seu apartamento. Lá no Glória mesmo encontramos os amigos da faculdade (hoje em dia, a Ana, do seu jeito sociável, já é tão amiga deles como eu) e seguimos para bares mais agitados da cidade, o Saccarias e o Piquiras. Novamente, aquela bela combinação de calor, cerveja mulheres bonitas e muita azaração. Todo mundo aproveitando o último dia de férias.

Amanhã, tempo de trabalhar um pouco, passear na cidade e fazer algumas compras. Na terça, Brasília!

Brasil, Goiás, Goiânia,

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Alarme Falso

Brasil, Paraná, Curitiba

Queijos e vinho na última noite em Curitiba

Queijos e vinho na última noite em Curitiba


Pois é, alarme falso. Depois de ir dormir as três e meia da madruga e acordar meio tarde, dia nublado, fomos ficando, ficando e decidimos adiar mais um dia a nossa partida, por vários motivos.

Primeiro, o nosso mergulho em Santos, na quarta seguinte, ficou meio duvidoso. O dono da agência está no Mar Vermelho. Depois, tínhamos de comprar e furar a tampa da caixa de mergulho da Ana. A velha, depois de tantos aviões no Caribe, estava detonada. Finalmente, um problema na nossa conta telefônica da TIM que teríamos de resolver hoje.

E mais uma coisa a me atazanar: obter o visto para o Canadá está muuuuito complicado. Os despachantes acham a situação muito esquisita, um cara desempregado, sem passagens de avião ou reservas de hotéis que quer um visto válido por três anos... melhor ir lá no consulado pessoalmente. Só que, para isso, é preciso marcar horário. Meia hora falando com uma máquina ao telefone e, quando vamos chegar numa pessoa a linha está ocupada e cai automaticamente. Aí, novo interubano, nova tentativa, nova linha ocupada. Um saco! E tudo isso entre 11:00 e 12:30. Um verdadeiro inferno. Próxima data para entrevista (a máquina nos diz, depois de nos aconselhar uma centena de vezes a procurar um despachante!), só dia 27 de Junho. Estou quase desencanando e tentando esse visto só em Seattle. Se ao menos eu soubesse com certeza que isso é possível...

Bom, resolvemos o lance da tampa da caixa, fizemos mais uma visita ao Alcides e Cida, solucionamos a questão da TIM, compramos queijos, pegamos um vinho da nossa "coleção" e celebramos nossa última noite em Curitiba em alto estilo. A Fiona toda carregada, tivemos uma celebração bem gostosa, sem peso na consiência, nada por fazer, carro pronto para partir. Amanhã, dia 20, Ana, Rodrigo e Fiona na estrada!

Brasil, Paraná, Curitiba,

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