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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

365 dias!

Trinidad e Tobago, Port of Spain

Já se passaram 365 dias e ainda é difícil de acreditar que estou realizando este sonho.
Nunca consegui me sentir inteira enquanto estava na minha vida “normal”. Nunca me dei por satisfeita, sempre quis viajar, crescer, aprender. Eu sempre tive consciência desta minha veia cigana, desta minha sede insaciável de sair conhecer o mundo.

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ

Voando de asa delta no Rio de Janeiro - RJ


Talvez por isso eu tenha sido tão aplicada e decidida na minha carreira profissional, pois era o meio que eu tinha de realizar este sonho como estou realizando hoje. Ao mesmo tempo eu sempre vivi intensamente cada momento, cada fase, a universidade, as festas, os meus primeiros estágios e os empregos que vieram depois. Eu sou apaixonada pelo meu trabalho, me refiro ao ofício formal que escolhi. Ainda hoje, depois de um ano, eu sigo atenta a tudo o que acontece no mundo da propaganda e marketing no Brasil e por cada cidade e país que passamos, seja como profissional ou como consumidora.

Andando de carro na praia da Juréia

Andando de carro na praia da Juréia


Outro dia recebi o seguinte comentário de um amigo no facebook, “Ana! Você não está viajando? Então pára com essa história de trabalho!”, é óbvio, qualquer um pensaria isso, mesmo eu no lugar dele. Parece um paradoxo, pois finalmente estou vivendo tudo o que sempre sonhei! Parei de trabalhar, estou viajando pelo mundo e ainda fico com olhos publicitários, falando de negócios e planejamentos? Sim! Há pouco eu realizei que eu sou assim, apaixonada pelo que faço, seja lá o que eu estiver fazendo.

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG

Os três viajantes posando para fotos na Serra do Intendente, em Tabuleiro - MG


Este tipo de viagem, o tal ano sabático, funciona mesmo como um retiro espiritual, uma viagem de auto-conhecimento. Estamos o tempo todo fora e conhecendo novos lugares e pessoas, mas ao mesmo tempo isso nos leva a uma profunda busca de si mesmo. São tantas as perguntas que tentamos responder: “Será que eu poderia viver assim sempre?”, “O que vou fazer quando voltar?”, “Que estilo de vida quero ter? Aonde vamos morar? Antes da viagem a principal pergunta era “Será que conseguiremos viajar durante 1000dias?”, pelo menos desta eu já sei a resposta. Espero que até o final da viagem eu tenha a resposta das outras também.

Paisagem maravilhosa no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG

Paisagem maravilhosa no alto da Pedra da Mina em Passa Quatro - MG


Enfim, vamos abrindo os nossos horizontes e tentando entender qual é exatamente o nosso lugar neste mundo, qual é o nosso objetivo aqui, aquelas velhas questões filosóficas muitas vezes sem resposta. Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde vamos? E ao final, a nossa busca insaciável por uma resposta começa a parecer inútil, pois quanto mais procuramos, menos temos certeza do que queremos. Quando nos damos conta disso é que talvez possamos, um dia, relaxar e apenas viver.

Adolescentes brincando no pier com cruzeiros ao fundo

Adolescentes brincando no pier com cruzeiros ao fundo


É fundamental dizer que este intensivão de vida nunca teria sido possível sem o Rodrigo, o amor da minha vida. Encontrá-lo foi fator decisivo, minha viagem sozinha ia acontecer, mas seria muito mais careta e desinteressante. Poder dividir todas estas experiências com uma pessoa que comunga da mesma visão de mundo e que acima de tudo tem o mesmo sonho que eu, é realmente muito especial.

Clima romântico no aniversário de um ano de viagem! (aeroporto de Trinidad)

Clima romântico no aniversário de um ano de viagem! (aeroporto de Trinidad)


Um ano depois o balanço é 100% positivo, me conheço muito mais, tenho ainda mais dúvidas do que antes, mas estou mais próxima de atingir a maturidade para poder um dia, apenas relaxar e viver. Como será o 1001° dia? Difícil responder, hoje só posso dizer que tenho certeza que ele será vivido intensamente, apaixonadamente e com muito amor.

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pequena gruta no fundo do canyon do Inferno, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Trinidad e Tobago, Port of Spain, 1 ano, aniversário, Trinidad and Tobago, um ano

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Sergipe Histórico

Brasil, Sergipe, Aracaju, São Cristóvão

Bela porta de igreja em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe

Bela porta de igreja em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe


Todo o nordeste possui uma história muito rica na colonização brasileira, porém nem todos os estados exploram isso turisticamente. Pouco ouvimos falar da participação de Sergipe e Alagoas na história do Brasil Colônia e muito menos das suas cidades históricas. Um dos fatos que me impressionou foi saber que o Quilombo de Palmares, liderada pelo ex-rei africano e escravo Zumbi, ocupava grande parte destes dois estados. Devido ao feriado natalino não pudemos conhecer o Museu dos Palmares em Maceió, mas fiquei muito curiosa e deve valer à pena a visita. Neste mesmo contexto histórico começamos o nosso dia em Aracajú, fazendo uma caminhada pelo seu centro histórico.

Palácio do governo em Aracaju - SE

Palácio do governo em Aracaju - SE


Domingo pós-feriado natalino, todas as lojas e estabelecimentos comerciais estão fechados, mas ainda podemos apreciar os prédios históricos e a decoração natalina. A imponente catedral em uma belíssima praça bem arborizada na quadra vizinha ao Palácio do Governo e à Ponte do Imperador, píer sobre o Rio Sergipe.

A 'Ponte do Imperador', um pier sobre o rio Sergipe, em Aracaju - SE

A "Ponte do Imperador", um pier sobre o rio Sergipe, em Aracaju - SE


Caminhamos mais um pouco e chegamos ao mercado municipal, sempre um ponto interessante a ser visitado em uma capital, pois ali vê-se um apanhado de toda a cultura regional, do artesanato à gastronomia. Praticamente em todos os mercados vemos isso, mas aqui me chamou a atenção como as ervas medicinais fazem parte da cultura brasileira, sendo vendidas aos quilos e para todos os males.

O Mercado Municipal de Aracaju - SE

O Mercado Municipal de Aracaju - SE


O Mercado Municipal de Aracaju - SE

O Mercado Municipal de Aracaju - SE


Aracajú passou a ser a sede do governo do estado no ano de 1855, antes disso quem tinha este papel era São Cristóvão, cidade do século XVII. Há apenas 25km da atual capital, São Cristóvão é uma cidade histórica tranqüila, com uma grande presença de elementos arquitetônicos dos idos de 1600, como as igrejas da Igreja Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Nª Sª do Carmo maior e menor, entre outras.

Igreja do Amparo, em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe

Igreja do Amparo, em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe


Algumas delas estão sendo restauradas pelo IPHAN, como a própria Igreja Matriz, porém a maioria se encontra em mau estado de conservação. O grande casario que hoje abriga o Museu de Sergipe, foi um dia a sede do Governo do Estado, sendo reformado e transformado em Museu apenas em 1955. Andamos pela cidade e almoçamos no restaurante “O Sobrado”, em frente à Praça da Matriz.

Restaurante tradicional  'O Sobrado' em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe

Restaurante tradicional "O Sobrado" em São Cristóvão, cidade histórica e antiga capital de Sergipe


De volta a Aracajú fomos até a Barra dos Coqueiros, tentar desbravar o além ponte, mas encontramos apenas uma praia mais popular lotada e suja. Sabemos que lá há também um grande resort e uma estação hidroviária, de onde se deve ter uma vista privilegiada da orla de Aracajú, mas não chegamos até lá com pressa para conhecer ainda as praias da capital.

A bela e enorme árvore de Natal em Aracaju - SE

A bela e enorme árvore de Natal em Aracaju - SE


As praias são extensas e a cor do seu mar um pouco escura, devido aos dois rios que ali deságuam, mas para compensar encontramos uma orla muito organizada e limpa. É considerada por muitos a orla mais bonita do Brasil. Se é a mais bonita não sei, mas até onde conheço é sem dúvida a com maior infra-estrutura. Além de um posto do Protejo Tamar, são dezenas de restaurantes, barracas de tapioca, sorveterias, bares, parques infantis, praças, quadras esportivas e até um parque com uma lagoa artificial, realmente uma atração por si só. Fechamos a noite à moda da casa, jantando ali no restaurante Cariri, casa de forró e comida típica sergipana.

Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL

Atravessando o Velho Chico de balsa, em Penedo - AL

Brasil, Sergipe, Aracaju, São Cristóvão,

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Cape Cod National Seashore

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod

A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

A belíssima paisagem de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Refúgio dos bostonianios nos finais de semana, feriados prolongados ou porque não, looongas e maravilhosas férias de verão, o Cape Cod fica há apenas 115km da cidade de Boston. 115 km que podem demorar mais de 3 horas de trânsito, diga-se de passagem, ir para Cape Cod nessa época do ano, é quase como viajar para o litoral norte de São Paulo em um feriadão, engarrafamento na certa!

Aula de surf em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Aula de surf em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Cape Cod é uma península com 100km de extensão no litoral atlântico dos Estados Unidos, na costa do estado de Massachusetts. Seu formato de um braço em posição de muque, cria a grande Cape Cod Bay e mais de 60km de praia na parte voltada para o Atlântico. Nesta área está localizado o Cape Cod National Seashore, área de preservação litorânea que abriga uma infinidade de ecossistemas marinhos, terrestres, de água doce e estuários.

Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Magnífica paisagem do Salt Pond, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Sua origem geológica também data do período glacial. O cabo foi formado pelo acúmulo de material trazido pelas geleiras. Com a retração dos glaciares blocos de gelo vieram enroscados em meio aos entulhos de rochas, terra e areia, formando hoje os lagos de água doce.

Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estudando o mapa da península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Uma paisagem em contínua alteração, o movimento das marés e dos bancos de areia formaram quilômetros de praias, planícies alagadas, dunas, mangues, lagos e pântanos que abrigam uma rara flora e fauna. A natureza em suas mais diferentes faces e formas em uma faixa de terra tão estreita, impressionante!

caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

caminhando pela belíssima Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


A escolha da sua base vai depender do seu roteiro e prioridades. As principais cidades são Falmouth, ao sul da península, Chatham no cotovelo, e Provincetown no extremo norte do cabo, mas em toda a região podem ser encontrados hotéis, pousadas e inns para todos os gostos.


Exibir mapa ampliado

Esta é uma das regiões mais disputadas no verão, então não é fácil encontrar opções baratas de hospedagens, mesmo os motéis mais sem personalidade custarão em torno de 100 dólares a diária. Nós escolhemos a cidade de Falmouth, já que o plano era passar um dia explorando o parque nacional e outro na ilha próxima de Martha Vineyard. Para explorar toda a península ter um carro é essencial, dadas as distâncias no parque (ver mapa).

Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Relaxando em Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


O nosso dia começou com uma estradinha básica de Falmouth até o Centro de Visitantes do Cape Cod National Seashore. Lá conseguimos mapas e informações, além de uma bela vista para a Salt Pond Bay e ao longe a Nauset Island.

Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Um dos muitos faróis espalhados pela península de Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Nos últimos 10 dias, nadamos em lagos, fizemos trilhas em vales e montanhas, passeamos em cidades e até de barco atrás de baleias e puffins. Então a escolha de hoje não estava muito difícil com os mais de 30°C, céu azul e sol escaldante! A decisão unânime, por três votos à zero foi PRAIA!!!

A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

A praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Fomos direto para a Marconi Beach, uma das mais famosas praias, não apenas por sua beleza natural, mas principalmente por sua história. Guglielmo Marconi foi um engenheiro elétrico italiano que através de seus estudos e trabalho veio parar nos Estados Unidos. Sua obcessão era a transmissão de dados sem a necessidade de um cabo. Com 16 anos ele transmitiu seu primeiro sinal wireless em uma mensagem telegráfica no jardim da casa de seu pai. As distâncias foram aumentando, assim como o seu sonho: enviar um telegrama transoceânico. Este sonho se realizou aqui em 18 de janeiro de 1903, quando ele enviou uma mensagem instantânea do então presidente dos Estados Unidos, T. Roosevelt para o Rei Edward VII da Inglaterra. Sim, Marconi é o pai da comunicação sem fio!

Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Painel informativo sobre Marconi e a primeira comunicação wireless entre continentes, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Em sua homenagem passamos o dia na praia batizada com o seu nome, caminhando, nadando e brincando com a Bebel nas piscinas formadas na maré baixa. Obrigada Marconi!

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


O final do dia foi de estrada de retorno a Falmouth, com um pequeno desvio para conhecer a charmosa cidade de Chatham. Demos um alow para um bando de leões marinhos que se retiravam para o alto mar e tivemos um delicioso jantar em uma das tavernas mais badaladas da cidade. Dia perfeito para recarregar as energias e relaxar ao melhor estilo primavera-verão.

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Bricadeiras e muita farra aproveitando o dia de sol na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


Quem vem com mais tempo, a dica é pegar uma bicicleta e se aventurar pela Cape Cod Rail Trail, explorar a região de Wellfleet e suas lindas vistas da baía e ainda passar uns dois dias no norte da península, descobrindo as trilhas e respirando um pouco da cultura e do ar mais alternativo de Provincetown. Amanhã embarcamos para o destino dos ricos e famosos para conhecer um pouco mais da história de Cape Cod.

Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Com a Bebel, no alto de praia em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos


1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

1000dias na praia de Marconi Beach, em Cape Cod, litoral sul de Massachusetts, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Massachusetts, Cape Cod, Cape Cod National Shore , Falmouth, parque nacional, Praia

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Disko Bay

Groelândia, Ilulissat

Um belo fim de tarde, às 10:30 da noite! (em Ilulissat, na Groelândia)

Um belo fim de tarde, às 10:30 da noite! (em Ilulissat, na Groelândia)


Um deserto branco intercalado por montanhas de neve, rios, glaciares, lagoas azuis formadas pelo degelo. O entusiasmo e a emoção no voo de Nuuk para Ilulissat pareciam não ter fim! Também pudera, era a realização de um sonho que sempre pareceu impossível.

A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia

A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia


Como se eu estivesse sobrevoando outro planeta, finalmente temos a visão da Disko Bay, lar das primeiras civilizações groenlandesas e do maior glaciar do mundo! Icebergs, por todos os lados, queria eu ter uma janela maior, uma lente maior, um helicóptero quem sabe, para conseguir registrar esse momento assim como o vi.

O primeiro iceberg, a gente nunca esquece! (visão durante o voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia)

O primeiro iceberg, a gente nunca esquece! (visão durante o voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia)


Sobrevoamos o mar gelado com centenas de milhares de icebergs, tudo é completamente novo. O cérebro se ativa de uma forma impressionante, registrando e aprendendo a cada segundo. Tudo o que já vimos um dia em documentários, reportagens e filmes, começa a voltar e aos poucos a nossa compreensão desse novo universo vai se construindo. Como degela um iceberg, cada fissura, cada montanha de gelo e cada poça de água azul, ciano!

A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia

A magnífica paisagem gelada que se pode admirar no voo entre Nuuk e Ilulissat, na Groelândia


Um mundo novo que se abre à nossa frente, o mundo Ártico. Ilulissat fica na costa oeste da Groelândia já acima do Circulo Polar Ártico. Uma cidade de 5.023 habitantes (4.606 na cidade e 417 em povoados próximos) e está situada na região de Disko Bay. Em 1727 era o maior povoado do país, com 250 pessoas e hoje é a terceira maior cidade da Groelândia.

Vista aérea de Ilulissat, cidade ao norte do Círculo Polar Ártico, na Groelândia

Vista aérea de Ilulissat, cidade ao norte do Círculo Polar Ártico, na Groelândia


O pequeno aeroporto está a 10 minutos do Artic Hotel, onde ficamos hospedados. O shuttle veio nos buscar e logo estávamos instalados em nada mais nada menos que o melhor hotel de Ilulissat! Uma surpresa maravilhosa, pois não havíamos visto os detalhes do hotel incluído no nosso pacote. Um luxo! O tempo não estava muito amigável, de dentro quarto quentinho do hotel, o vento e o frio eram desencorajadores. Ainda assim não pensamos duas vezes e logo pegamos uma carona para o centro da cidade.

Observando a paisagem gelada de Ilulissat, na Groelândia, de dentro do conforto do hotel

Observando a paisagem gelada de Ilulissat, na Groelândia, de dentro do conforto do hotel


Cruzamos a ponte sobre uma baía congelada, onde os barcos descansam sobre uma camada de gelo esperando o próximo verão para sair ao mar. A pesca é a principal atividade econômica no país, seguida pela exploração de gás natural e minerais. A busca pelo petróleo já começou há mais de dois anos, porém o início da exploração ainda não foi confirmada. Detalhe, mais da metade das despesas públicas do país são financiadas pela a Dinamarca.

O porto de Ilulissat, na Groelândia

O porto de Ilulissat, na Groelândia


A rua principal de Ilulissat, na Groelândia

A rua principal de Ilulissat, na Groelândia


O porto está sempre muito movimentado, recebendo os navios árticos quebra-gelo que abastecem a região com todos os tipos de suprimentos. Praticamente todos os produtos são importados, os supermercados são um sonho dinamarquês! Broas integrais, pães de todos os tipos, queijos maravilhosos, geleias e uma farta vitrine de sobremesas, uma das especialidades do povo nórdico além do bacalhau. Frutas, verduras, massas, carnes e todos os produtos que você imaginar estão disponíveis, vida moderna e normal, cortesia da rainha.

Nosso delicioso jantar de boas vindas no hotel de Ilulissat, na Groelândia

Nosso delicioso jantar de boas vindas no hotel de Ilulissat, na Groelândia


Na cidade todos caminham com seus super casacos e parecem não se incomodar com o frio, afinal já é primavera, os dias estão mais longos e as temperaturas mais amenas. Entre uma neve e outra, os meninos jogam futebol no campo congelado, enquanto as meninas tomam sorvete passeando pela rua principal.

Jogo de futebol no gelo, em Ilulissat, na Groelândia

Jogo de futebol no gelo, em Ilulissat, na Groelândia


Às seis horas retornamos no último horário da van de retorno para o hotel. Lá um jantar de boas vindas nos espera no Ulo Restaurant! A carne de carneiro e musk está sempre presente nos menus, e os ingredientes nacionais dão um toque especial à cozinha gourmet groenlandesa-dinamarquesa. Uma taça de vinho e a vista para a Disko Bay e seus arredores brindam a noite clara de Ilulissat!

A noite não fica mais escura que isso, perto da meia noite, em Ilulissat, na Groelândia

A noite não fica mais escura que isso, perto da meia noite, em Ilulissat, na Groelândia


Ilulissat é tudo o que você imagina de uma cidade na Groelândia e é ponto obrigatório em qualquer roteiro acima do Círculo Polar Ártico!

Um Greenland Husky, animal mais popular em Ilulissat, na Groelândia

Um Greenland Husky, animal mais popular em Ilulissat, na Groelândia



Como chegar lá?
A única forma de viajar entre as cidades na Groelândia é de barco ou de avião. A forma mais fácil e rápida é de avião com a Air Greenland, única companhia aérea que opera no país.

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia

O avião que nos levou de Nuuk para Ilulissat, cidade ao norte do Cículo Polar Ártico, na Groelândia


Nós compramos um pacote completo para a Groelândia por 1.900 euros. Foram 5 dias e 4 noites, partindo de Reykjavik na Islândia. O valor do pacote incluía os voos Reykjavik – Nuuk – Ilullissat – Nuuk – Reykjavik e hospedagem nas duas cidades. O valor é alto, mas já é menor do que os valores das passagens deste mesmo roteiro compradas direto com a companhia. Ficou ainda melhor quando descobrimos que o pacote não era de grupo, ou seja, não tivemos que ficar seguindo ninguém em tours ou programações indesejadas. O segundo ponto positivo foi o hotel incluído no pacote. O Artic Hotel, é o único 4 estrelas da região e além de uma vista maravilhosa, possui instalações super aconchegantes, serviço impecável e o melhor restaurante da cidade.

Hotel Artica, em Ilulissat, na Groelândia

Hotel Artica, em Ilulissat, na Groelândia


Algumas agências de viagem oferecem pequenos cruzeiros pela costa, uma experiência completamente diferente que pode ser muito interessante. Alguns mais aventureiros te colocam em contato direto com a natureza. Este já entrou no meu bucket list para a próxima viagem à Groelândia!

Groelândia, Ilulissat, Ártico, Disko Bay, Iceberg

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Névoa nos Ausentes

Brasil, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes

A Ana caminha pela neblina nos campos mais altos do estado do Rio Grande do Sul, na região de São José dos Ausentes

A Ana caminha pela neblina nos campos mais altos do estado do Rio Grande do Sul, na região de São José dos Ausentes


São José dos Ausentes é uma cidadezinha do Rio Grande do Sul, a mais fria do estado. Durante esta semana fria e úmida. A Rádio Nevasca de São Joaquim está anunciando neve para domingo pela manhã e geada na segunda-feira cedo. Olhando para fora da janela não é difícil de acreditar, pois está tudo completamente branco, mal conseguimos enxergar o galpão que fica há 50m da casa principal.

Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS

Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS


Não foi a toa que a cidade foi assim batizada. Nos tempos da colônia tentaram ocupar a região, um dos maiores latifúndios da região sul. Foi construída uma vila com uma pequena igreja, que depois de alguns invernos rigorosos foram abandonados pelos seus moradores. “Naquela época o frio era ainda mais intenso do que nos tempos de hoje”, nos conta o Seu Domingos, proprietário da pousada.

Lareira acolhedoura do hotel Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS

Lareira acolhedoura do hotel Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS


Abandonada, a terra dos “ausentes” foi levada a leilão por três vezes, até que o Seu José Antônio Manuel Velho arrematou-a e passou a desenvolver atividades pecuárias no local. Anos depois Manuel Velho foi morto em uma emboscada, tiro de fuzil e luneta há 3 mil metros de distância, atingido na copa do chapéu. Existe até um poema com 123 versos que conta a sua história, a ser resgatado pelo Seu Domingos.

Na beira do canyon Monte Negro em dia de muita neblina na região de São José dos Ausentes - RS

Na beira do canyon Monte Negro em dia de muita neblina na região de São José dos Ausentes - RS


Afinal, além de frio, o que viemos procurar em São José dos Ausentes? Fácil, aqui começa a região dos “perais de serra”, os tão famosos cânions do Rio Grande do Sul. Há apenas 5 km da pousada ficam o Cânion e o Pico do Monte Negro, ponto mais alto do estado.

Placa indicativa do Pico do Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS

Placa indicativa do Pico do Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS


Em um dia tão fechado de cerração não se pode avistar nada, mas ainda assim o Rodrigo decidiu sacudir a poeira e dar uma “corridinha” até o cânion. Foram 10 km de corrida, ida e volta, e eu fui atrás como equipe de terra, levando luvas, casacos, gorros e tudo que pudessem salvar meu marido de uma hipotermia.

Correndo num fim de tarde fantasmagórico nos campos de altitude, na região de São José dos Ausentes - RS

Correndo num fim de tarde fantasmagórico nos campos de altitude, na região de São José dos Ausentes - RS


No cânion não pudemos enxergar absolutamente nada. Só deixamos a nossa imaginação criar o desenho do tal cânion que nos disseram existir ali na frente. Na trilha, enquanto eu procurava o Rodrigo gritando o seu nome, o ouvia responder perto, mas não conseguia enxergá-lo. O cenário dos campos de araucárias cobertos de neblina nos transportava ao filme “A Bruxa de Blair”, sinistro!

Paisagem nublada e gelada na região de São José dos Ausentes - RS

Paisagem nublada e gelada na região de São José dos Ausentes - RS


Retornamos ao nosso Hotel Fazenda (e Spa de Engorda) Monte Negro. Uma rodada de chimarrão e pinhão assado no fogão à lenha abrem o nosso apetite todas as noites. Aí vem a deliciosa comida gaúcha, churrasquinho, comida tropeira e saladas ali da horta. Com toda essa comida boa e tempo chuvoso, realmente fica difícil mantermos a forma. Amanhã o tempo promete abrir e a previsão continua de neve para domingo, veremos!

Com a família proprietária do Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS

Com a família proprietária do Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS

Brasil, Rio Grande Do Sul, São José dos Ausentes, Estrada do Monte Negro

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Mariposa Grove

Estados Unidos, Califórnia, Yosemite National Park

Admirada com a gigantesca árvore sobre sua cabeça! (Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos)

Admirada com a gigantesca árvore sobre sua cabeça! (Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos)


Dia de ir embora nunca é um dia muito legal. Quando o tempo está chuvoso facilita um pouco, mas não diminui a vontade de explorar e conhecer. Saímos cedo no Yosemite Lodge em busca dos ursos pretos, tão comuns por aqui e que ainda não havíamos encontrado. Vimos até as caixas de segurança para as comidas nas áreas de camping, mas parece que os ursos não gostam muito de chuva. Passamos na entrada da trilha do El Capitán e da Yosemite Falls, mas a chuva e as dores no corpo que ficaram da caminhada de ontem me fizeram preferir continuarmos de Fiona.

Caixas lacradas, a prova de ursos negros, para estocar comida no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Caixas lacradas, a prova de ursos negros, para estocar comida no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


A Bridalveil Falls, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

A Bridalveil Falls, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Pegamos a Southside Drive em direção à Bridelveil Fall, uma das únicas cachoeiras que não seca durante todo o ano. A pequena caminhada até o mirante ajudou a alongar e a perceber que o estrago no joelho foi pior do que eu imaginava! Rsrs! Ainda embaixo de chuva paramos no Tunnel View para a vista clássica do Yosemite Valley, normalmente a porta de entrada para a maioria dos viajantes que vem do sul da Califórnia.

Muita névoa no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Muita névoa no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Imaginem se eu não queria morrer por não ter vindo até aqui no nosso primeiro dia, com o restinho de luz, para ver o vale limpo e com o sol dourando as encostas. Enfim, a natureza tem diversas faces, a névoa e a chuva sem dúvida lhe confere um certo ar de mistério que não pode ser menosprezado.

Meio desanimado com as nuvens sobre a grandiosa paisagem do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Meio desanimado com as nuvens sobre a grandiosa paisagem do Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Com planos de viajar e chegar perto de San Francisco ainda hoje, tivemos que acelerar e passar algumas atrações históricas do parque na área de Wawona como o Pioneer Yosemite History Center e o próprio Wawona Visitor Center. Lá está também o hotel mais caro dentro do parque nacional, se não estamos dispostos a pagar os altos preços de hospedagem, talvez uma parada para um almoço ou um jantar possa ser uma ideia para conhecer a atmosfera deste hotel em estilo vitoriano que é um National Historical Landmark.

As milenares sequoias do Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

As milenares sequoias do Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Há poucos quilômetros dali, já pertinho da entrada sul do parque está uma das paradas obrigatórias do parque nacional: a Mariposa Grove. O bosque é a casa de mais de 500 sequoias gigantes em idade madura, as maiores árvores do planeta. Algumas delas chegam a 3 mil anos de idade, perdendo apenas para o bristelcone pine que pode chegar a quase 5 mil anos e também é encontrado aqui no leste do Yosemite e no Great Basin National Park, dentro dos Estados Unidos.

Um flerte milenar: o  'Solteiro e as Três Graças', na Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Um flerte milenar: o "Solteiro e as Três Graças", na Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Já do estacionamento vemos várias sequoias, guardiãs do tempo e da história neste nosso planetinha. Porém há mais vida além do estacionamento, dezenas de sequoias gigantes nos esperavam, abaixo da chuva, para uma despedida mais pessoal, já que serão as últimas que veremos durante os 1000dias. Então tive que tomar coragem, me haver com as minhas dores e sair caminhando pelo bosque. Foram em torno de 3 km entre o Bachelor & Three Graces, a Grizzly Giant, atravessamos o California Tunnel Tree e subimos até o belíssimo Faithfulll Couple. Mesmo em um bosque de gigantes é difícil não reconhecê-las, os nomes da sequoias são sempre bem sugestivos!

Minúsculo quando comparado à gigantesca sequoia, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Minúsculo quando comparado à gigantesca sequoia, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos


Assim fechamos nosso tour por um dos parques nacionais mais famosos e visitados dos Estados Unidos. Despedir-se de um lugar como o Yosemite só fica mais possível quando temos, dentro de nós, a certeza de que voltaremos.

Túnel sob uma sequoia viva, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Túnel sob uma sequoia viva, no Mariposa Grove, no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Yosemite National Park, Bridelveil Fall, Mariposa Grove, Natureza, Parque, parque nacional, sequoia, Tunnel View, Yosemite National Park

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Valparaíso e Viña del Mar

Chile, Valparaiso, Viña del Mar

Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile

Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile


Valparaíso é a cidade boêmia, adorada por artistas e poetas talvez, justamente, pela idiossincrasia de sua arquitetura, sua beleza e sua arte. O ar decadente de zona portuária somado ao encanto dos seus 42 cerros, suas ladeiras e vistas panorâmicas faz dela uma cidade cheia de personalidade. Muros pintados de todas as cores, com todos os estilos de street art contrastando com os bondes antigos que ainda circulam levando e trazendo cidadãos e turistas entre as vielas e prédios antigos do centro.

Os antigos trólebus ainda andam nas ruas de Valparaiso, no Chile

Os antigos trólebus ainda andam nas ruas de Valparaiso, no Chile


Desde 1990 a cidade é a sede do Congresso Nacional Chileno. Sua história sempre esteve relacionada ao mar, sendo um importante porto de passagem dos navios que se aventuravam à Costa Pacífica dando a volta no sul do continente a caminho do Perú, nos tempos da Colônia Espanhola, e mais tarde como parada e abastecimento para os que seguiam à costa californiana durante a corrida do ouro. No início do século XX dois acontecimentos balançaram a economia da cidade, o primeiro literalmente, um terremoto que acabou com Valparaíso. O segundo a inauguração do Canal do Panamá. Assim Valpo seguiu aos trancos e barrancos, como importante capital política, crescendo recentemente como porto de exportação de frutas.

Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria

Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria


Nós chegamos à Valparaíso em um domingo à noite e esperando que os bares e a boemia estariam a todo vapor nos cerros subimos o Cerro Artilleria atrás das charmosas guest houses que encontramos em nosso guia. Foi uma forma curiosa de conhecer a cidade: noite escura, becos e ruas vazias, rodando e buscando nas paredes dos edifícios caindo aos pedaços e casas antigas a numeração dos hostels indicados. Na maioria deles, nem luz, nem campainha atendiam e dados os últimos acontecimentos, era essencial um lugar com estacionamento.

Um dos muitos cerros de Valparaiso, no Chile

Um dos muitos cerros de Valparaiso, no Chile


Mesmo sendo tarde e cansados não nos demos por vencidos, o agito deve estar no Cerro Alegre, pensei, lá é o lugar boêmio da cidade. Subimos então o Cerro Alegre e nada, ninguém, uma cidade fantasma e abandonada. O único hostel que achamos aberto não tinha garagem e estacionamento próximo, além de um preço nada amigável, foi aí que decidimos nos entregar ao bom e velho Ibis, que aqui na verdade era novinho e muito bem localizado. Nada melhor do que chegar em casa, cama confortável, banho quentinho e decoração idêntica, aqui ou em Maringá e o melhor de tudo, com estacionamento seguro para a Fiona.

São vários cerros na cidade de Valparaiso, no Chile

São vários cerros na cidade de Valparaiso, no Chile


A nossa primeira impressão da cidade poderia ter sido das piores, mas ao revés, os ares misteriosos dos cerros e a quietude da cidade nos surpreendeu de tal forma que não víamos a hora de sair para explorá-la. Saímos sem expectativas, sem planos e sem guias, nos deixando levar pelas aparências, curiosidades e cores que víamos em cada esquina. Começamos pela Plaza Sotomayor, praça central da parte baixa da cidade rodeada por antigos prédios imponentes.

Plaza Sotomayor, no centro de Valparaiso, no Chile

Plaza Sotomayor, no centro de Valparaiso, no Chile


Demos um pulo no Muelle Prat onde barcos saíam lotados de turistas para passeios pelo porto prometendo belas vistas de Valparaíso desde o mar. Andamos, subimos o Cerro Concepción, nos enfiamos em um beco com escadarias e caímos dentro do Paseo Iugoslavo, já no Cerro Alegre, onde está o Palácio Baburizza, que com sua arquitetura art nouveau, abriga o Museu de Belas Artes. Segunda feira e, é claro, o museu estava fechado.

Subindo escadaria para um dos cerros de Valparaiso, no Chile

Subindo escadaria para um dos cerros de Valparaiso, no Chile


Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile

Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile


Continuamos nos perdendo pelas ruas entre o Cerro Alegre e o Concepción, que durante o dia parecem muito mais receptivas e amigáveis, com belas vistas para o mar afunilando em suas ladeiras. Convites para conhecer La Sebastiana, uma das casas onde viveu Pablo Neruda, não faltavam espalhados por pinturas nos postes do cerro. Ela fica no cerro vizinho o Bellavista, mas não quis ter que lidar com a frustração de chegar lá e dar de cara com a porta, no dia internacional dos museus fechados.

O nome do grande poeta Neruda está por toda parte em Valparaiso, no Chile

O nome do grande poeta Neruda está por toda parte em Valparaiso, no Chile


No meio da tarde relaxamos e almoçamos em um restaurante no alto do Paseo Iugoslavo com belas vistas para os cerros, o porto e a cidade baixa. Mal sabíamos que estávamos escolhendo um dos preferidos da área, o Norma´s, também pudera, seu charmoso deck de madeira e as amplas vistas não poderiam ser mais convidativas.

Restaurante com uma bela vista de Valparaiso, no Chile

Restaurante com uma bela vista de Valparaiso, no Chile


Queijo camembert derretido co geleia de framboesa, em Valparaiso, no Chile

Queijo camembert derretido co geleia de framboesa, em Valparaiso, no Chile


Descemos o cerro novamente nos perdendo entre suas galerias de escadas, de arte e de fotografia. Os antigos elevadores (funiculares) que nos desculpem, mas não troco andar por estas ruas por uma carona corta-caminhos. Resolvemos sair correndo para o Cerro Artillería, estrategicamente localizado para a proteção da cidade e para um belíssimo pôr do sol no Paseo 21 de Mayo.

Um dos muitos funiculares que dão acesso aos cerros de Valparaiso, no Chile

Um dos muitos funiculares que dão acesso aos cerros de Valparaiso, no Chile


Cruzamos a zona comercial próxima ao porto e subimos a mesma ladeira que nos levou ao topo na noite de ontem. Com pressa para não perder o pôr-do-sol um funicular até que ia bem, mas este fechava às 18h e tivemos que ir a pé mesmo. Do alto uma das vistas mais lindas de Valparaíso e sua vizinha mais jovem e moderna, Viña del Mar.

Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria

Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria


Viña del Mar é o balneário preferido dos santiaguinos mais descolados. A Cidade Jardim é totalmente o oposto de Valparaíso. O charme caótico desta é substituído pela impecável organização, limpeza e jardinagem da primeira. Palmeiras e flores na orla, intercalados por fontes de água, esculturas, restaurantes, sorveterias e áreas de exercício, delineados pelo mar e por longas pistas de corridas e bicicleta. Atravessando a movimentada avenida beira mar, a Avenida Peru, estão os condomínios mais caros de Viña.

A praia de Viña del Mar, no Chile

A praia de Viña del Mar, no Chile


O sempre tradicional futebol de praia, em Viña del Mar, no Chile

O sempre tradicional futebol de praia, em Viña del Mar, no Chile


A orla muito bem cuidade de Viña del Mar, no Chile

A orla muito bem cuidade de Viña del Mar, no Chile


O vento frio ainda soprava e as águas geladas do Pacífico não estavam muito amigáveis para um mergulho. Assim a nossa passagem por lá foi rápida e indolor! Uma manhã passeando na orla, um almoço à beira mar e logo pegávamos a estrada para Santiago, a apenas 160km dali.

Voltando para a parte baixa de Valparaiso, no Chile

Voltando para a parte baixa de Valparaiso, no Chile

Chile, Valparaiso, Viña del Mar, Cerro Alegre, Cerro Artillería, Patrimônio da Humanidade, Praia

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Riozinho Acolhedor

Brasil, Maranhão, Alto Parnaíba

Dedo de prosa com o Jaime e o Nilvan, que nos receberam tão bem na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Dedo de prosa com o Jaime e o Nilvan, que nos receberam tão bem na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Alto Parnaíba é a última cidade aonde o asfalto chega no sul do Maranhão. Região de produção agrícola intensa, soja, algodão e milho. É também uma das principais regiões responsáveis pela contaminação das nascentes do rio Parnaíba por agrotóxicos que também ocorre nos arredores baianos do Parque Nacional Nascentes do Parnaíba. Formado recentemente (2002), possui uma área de aproximadamente 730 mil hectares, abrangendo 4 estados brasileiros, o extremo sul do Maranhão e Piauí, norte do Tocantins e noroeste da Bahia. Os acessos mais conhecidos estão do lado piauiense pelas cidades de Gilbués e Barreiras do Piauí a sede do parque funciona em Correntes.

Igreja em Alto Parnaíba - MA

Igreja em Alto Parnaíba - MA


Estudando as possíveis rotas entre a Chapada das Mesas e o Jalapão, descobrimos que há uma estrada que cruza este parque, então, por que não unir o útil ao agradável? A estrada está bem marcada no Guia Rodoviário 4 Rodas, o que não garante nada, mas já é um bom começo. Nosso GPS também conseguia calcular uma rota por uma estrada muito semelhante à do mapa consultado, então vamos ver no que dá. Lá em Alto Parnaíba as informações que recebemos não foram das melhores, Seu Zé Batista era o único que conhecia um pouco melhor a região e no início ainda não estava nos indicando seguir por este caminho. “Não quero falar para vocês e depois vocês vão e ficam perdidos”, disse ele. Não tinha muita escolha, nós íamos por ali mesmo, então ele nos deu a dica: “peguem a estrada para Lizarda, quando chegar na comunidade de Morrinhos virem à esquerda em direção à Vila de Bonfim. Lá no Bonfim tentem achar a Dona Conceição, ela tem filhos estudando em São Félix e pode encontrar alguém que queria ir para lá e possa seguir com vocês no carro.”

Plantação de algodão, na estrada para Lizarda, região de Alto Parnaíba - MA

Plantação de algodão, na estrada para Lizarda, região de Alto Parnaíba - MA


OK! Pegamos a estrada, passamos por plantações de soja e algodão e aos poucos o cerrado começa a dominar a paisagem. A estrada é um areal puro, logo encontramos um Fiat Strada sentado na areia. Ele atolou e estava tentando sair dali há mais de uma hora, sem sucesso. A Fiona entrou em ação, amarramos uma corda e o tiramos do buraco, literalmente. Era tanta areia que na ré todo o pára-choque dianteiro ficou preso e acabou sendo arrancado, com farol e tudo! Bom começo, já vimos que a estrada será uma aventura!

Momento em que o Fiat Strada perde toda a frente, presa na areia (na região de Alto Parnaíba - MA)

Momento em que o Fiat Strada perde toda a frente, presa na areia (na região de Alto Parnaíba - MA)


Seguimos viagem e logo encontramos uma saída à esquerda, por onde o GPS nos indicava. Foi a maior furada, era apenas um desvio que já estava em desuso, tamanhas as crateras formadas pela erosão. Já estávamos ali, não teve outro jeito, tivemos que passar. Puxamos a pá e as pranchas de alumínio para calçar o carro e depois de uns 15 minutos pelejando conseguimos passar. Chegamos à Bonfim e vimos os carros dos nossos amigos que tínhamos ajudado a desatolar, decidimos parar para dar uma assuntada. Foi a sorte, pois dali o GPS novamente nos mandava para a estrada errada e desativada. Pegamos as novas coordenadas e fomos rumo à Bonfim.

A estreita e longa estrada de areia corta o cerrado no sul do Maranhão, região de Alto Parnaíba - MA

A estreita e longa estrada de areia corta o cerrado no sul do Maranhão, região de Alto Parnaíba - MA


Chegando na comunidade paramos na casa onde mora Pablo, ao lado da escola, perguntamos como estava a estrada para São Félix e ele disse que parecia haver apenas uma ladeira meio complicada, mas era só seguir em frente. Lindo, foi o que fizemos, seguindo o GPS sempre que havia algum desvio ou bifurcação, certo? ERRADO! Foi aí que tudo começou. Após a ladeira havia uma bifurcação, seguimos pelo GPS à esquerda. Descemos um morrinho e chegamos a uma fazenda que acabara de ser cercada. Isso para mim até era bom sinal, civilização à vista. Esta fazenda já está na área do parque, porém ainda sem indenização, continua trabalhando. Cercas novas e inclusive uma nova estrada beirando a propriedade para poder fechar a estrada antiga que passava por dentro das terras. Essa picada nova passa por meio de uma mata, cheia de tocos e ainda pouco batida, até que chega a uma casinha em um lugarejo conhecido como o Ponto dos Bons (leia-se “pontdusbão”). Lá conversamos com a moradora, uma senhorinha que nos explicou: “xiii, vocês passaram da estrada para São Félix, aqui é a estrada para Porto Alegre, chega lá também, mas é muito mais longe. Voltem, subam o morrinho e peguem um atalho à esquerda logo que chegar no topo.” Eram 15h, ainda tínhamos um tempo de luz, mas já estávamos começando a ficar meio impacientes. Voltamos, pegamos o atalho e cruzamos um chapadão por uma estrada praticamente inexistente, abrindo caminho com a Fiona direto e reto em direção a uma serra chapada. Víamos que ali já havia sido uma fazenda, volta e meia encontrávamos uns paus de cerca, mas nada além. Descemos em direção a um baixio e eis que vemos ao longe uma outra estrada, alegria, encontramos!

Fiona enfrenta estrada de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão

Fiona enfrenta estrada de areia no P.N das Nascentes do Parnaíba, no extremo sul do Maranhão


Chegamos a uma porteira fechada, passamos e pegamos à esquerda, pois sabíamos que era a direção, já sem rota de GPS, seguimos na direção mais provável. Atravessamos uma ponte e chegamos a outro obstáculo na pista, uma erosão braba. A esta altura já eram umas 16h, não tínhamos certeza se era o caminho correto, acabamos decidindo voltar, pegar a estrada beirando a porteira e ver onde ia dar. Desconfiávamos que esta era a estrada que deveríamos ter pego lá atrás e logo depois, bingo! Chegamos à bifurcação, era ela mesma, confirmamos que estávamos no caminho certo. Porém já não tínhamos tempo hábil para continuar a viagem, decidimos voltar e procurar algum lugar para dormirmos em Bonfim.

O quintal da 'nossa casa', com porcos, vacas e galinhas, na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

O quintal da "nossa casa", com porcos, vacas e galinhas, na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Chegamos às primeiras casas num lugarejo conhecido como Riozinho, colado em Bonfim, e o Nilvan nos recebeu. Engraçado que na vinda tinha uma casinha linda de adobe com palha que eu havia até parado para fotografar. Ele nos viu parando, imaginou que queríamos informação, mas como não o vimos seguimos adiante.

Casa na comunidade de Riozinho. AInda não sabíamos que era exatamente ali que iríamos dormir! (região de Alto Parnaíba - MA)

Casa na comunidade de Riozinho. AInda não sabíamos que era exatamente ali que iríamos dormir! (região de Alto Parnaíba - MA)


Contamos a nossa história para Nilvan e ele não titubeou, abriu as portas da casa de Martílio, seu irmão que estava de viagem, a casa que eu havia fotografado. Como é bom chegar em algum lugar. Já estávamos há quase 8h na estrada, nos perdendo e nos achando, mas sem conseguir seguir adiante. Tudo que eu precisava era de um banho! O riozinho corre nos fundos do sítio, fomos até lá e lavamos a alma! Não tínhamos muita comida, mas algumas bolachinhas iam ajudar a tapear a fome. O importante é que tínhamos um lugar para dormir.

Com o Jaime, qie nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Com o Jaime, qie nos recebeu na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Resgatamos uma pinga que havíamos comprado em Brejões na Chapada Diamantina, era o melhor que tínhamos para oferecer pela acolhida. Um dedinho de pinga e muuuitos dedinhos de prosa, ele nos convidou para comer um delicioso arroz com abóbora que estava preparando. Logo chegou seu irmão mais velho, Jaime, que conhecia bem dos caminhos na região. Passamos a noite assuntando, conversando sobre a região, política, o Luz para Todos que não chegou e os caminhos da nossa viagem no dia seguinte.

Dedo de prosa com o Jaime e o Nilvan, que nos receberam tão bem na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Dedo de prosa com o Jaime e o Nilvan, que nos receberam tão bem na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA


Eles têm uma vida simples, morando nesse sítio o rio é a fonte de água de beber, de banhar e de lavar. Plantam abóbora, milho e arroz que pode ficar estocado para os próximos 3 anos, e tem alguns gados da irmandade. São 11 irmãos, alguns vivem por aqui e outros já mudaram para a cidade, Alto Parnaíba ou São Félix. Quando matam um gado dividem a carne entre os irmãos, como não tem luz, salgam e guardam para comer uma vez por mês. Tudo muito simples, mas muito digno, feito com muito trabalho e muito carinho. A lua iluminava a noite quase como um sol no meio do cerrado. Nos recolhemos aos nossos aposentos para uma merecida noite de descanso.

Hora de se recolher na 'nossa' casa, na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Hora de se recolher na "nossa" casa, na comunidade de Riozinho, região de Alto Parnaíba - MA

Brasil, Maranhão, Alto Parnaíba, 4 x 4, Bonfim, Lizarda, Nascentes do Parnaíba, off road, parque nacional, Riozinho

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Planejamento de Viagem

Estados Unidos, Nevada, Las Vegas, Califórnia, Death Valley

As incríveis pedras que se movem, no leito seco de um antigo lago no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

As incríveis pedras que se movem, no leito seco de um antigo lago no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Desmontamos acampamento, mal dormidos e acabados. Ainda assim reunimos forças para parar mais uma vez e ver este incrível mistério da natureza. Serão ETs? Ou os ITs, intra-terrestres, se tentando comunicar com os terráqueos?

Nosso acampamento em meio a bela paisagem perto da Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Nosso acampamento em meio a bela paisagem perto da Race Track, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Eu acho que a teoria da argila, gelo, ventos boa, mas acho que mais um agente pode ser adicionado aí, a seca. Quando o solo seca, erode e quebra, ele se parte e “empurra” a pedra em diferentes direções. E aí, convenci? Espero viver para ver os cientistas encontrarem uma explicação.

Encruzilhada nos setores mais isolados do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

Encruzilhada nos setores mais isolados do Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Nosso caminho para Las Vegas nos levava novamente à Furnace Creek e os vales do banho e das piscinas ainda estava válido, um banho quentinho após uma noite tão gelada era a nossa única saída para aguentar 3h de estrada e uma provável balada no encontro com a minha irmã.

A deliciosa piscina do hotel em Furnace Creek, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA

A deliciosa piscina do hotel em Furnace Creek, no Death Valley National Park, na Califórnia - EUA


Passar a Páscoa com a minha irmã em Las Vegas foi um dos motivos de termos decidido pelo roteiro das duas semanas. A Juliane vive em Londres e tem um namorado inglês que vive em Nova Iorque, assim eles vão e vêm do velho ao novo continente para se ver sempre que podem e dessa vez decidiram conhecer juntos a Sin City! Para nós era perfeito, pois Las Vegas não era muito a nossa praia mesmo, melhor estar com um casal animado, matando as saudades da pequena que eu não via há 1 ano e meio!

Chegando à Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos

Chegando à Las Vegas, em Nevada, nos Estados Unidos


Viajamos para Las Vegas e chegamos no final do domingo de páscoa e aproveitamos os 3 dias para conhecer a cidade, ver alguns shows e planejar os nossos próximos meses de viagem. Daqui dos Estados Unidos iremos fazer duas etapas importantes da viagem, voaremos para Islândia e Groelândia, que geograficamente também fazem parte da América e iremos aproveitar os preços baixos para voar para mais uma etapa caribenha dos 1000dias.
Foram 3 dias de muita pesquisa de preços, pacotes, passagens aéreas, mapas e guias para conseguir fechar o roteiro pelos Estados Unidos, a tempo de voar para estes lugares e finalmente ficou definido.


Visualizar Roteiro 1000dias - Cruzando os EUA em um mapa maior

Cruzaremos os EUA pela Route 66 até Memphis, desceremos para New Orleans e seguiremos em direção à Orlando. Em Orlando uma parada estratégica, encontramos vôos diretos do Sandford International Airport com bons preços para a Islândia e um pacote que parte da Islândia para um tour de 5 noites na Groelândia. Odiamos pacotes, mas o transporte na Groelândia é todo feito por aviões e acaba saindo muito caro viajar de forma independente. Dia 25/04 pegamos o voo em Orlando para Reikjavik e depois dos 5 dias na terra verde teremos uma semana na Ilha Viking. De volta à Orlando no dia 08/05 a noite, teremos 20 dias para subir a costa leste, antes descendo até o Everglades e Miami, subindo pela Georgia e fazendo um pequeno detour pelo Kentuky para conhecer o Mamooth National Park! Pensem na correria!


Visualizar Roteiro 1000dias - Costa Leste em um mapa maior

Teremos pouco mais de 30 dias para conhecer 9 países caribenhos e voltamos para Nova Iorque, agora para encontrar a nossa querida sobrinha Bebel, que irá passar duas semanas viajando conosco pelo extremo leste dos EUA e parte do Canadá. Depois disso hora de cruzar novamente para a costa oeste rumo ao Alasca! Ufa, acho que estamos conseguindo conciliar quase tudo!


Visualizar Canadá - Cruzando de Leste a Oeste em um mapa maior

Sugestões? Não deixem de comentar aqui abaixo e nos ajudar a enriquecer os nossos 1000dias por toda América!

Estados Unidos, Nevada, Las Vegas, Califórnia, Death Valley, Planejamento, Road Trip, viagem

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Temporada com amigos em Itaúnas!

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas

Com o Rafa, Ana, Karen e Leo em quiosque da praia em Itaúnas - ES

Com o Rafa, Ana, Karen e Leo em quiosque da praia em Itaúnas - ES


Nos últimos dias estive um pouco ausente do meu blog, nada de que eu me orgulhe, mas foi por um motivo nobre. Tudo começou quando decidi finalizar o último filme postado no site “Maratona do Cipó” e assim comecei uma bola de neve que estou prestes a frear hoje mesmo, neste post. Portanto, retomemos de onde paramos.

Siri na longa praia entre Itaúnas - ES e a Bahia

Siri na longa praia entre Itaúnas - ES e a Bahia


Sábado cedo o Rodrigo me derrubou da cama para pegar estrada Itaúnas. Seguimos viagem para o litoral norte do Espírito Santo, região onde está instalada uma das principais indústrias de celulose do país. Nós já conhecíamos Itaúnas, mas ainda ficamos perplexos com o tamanho da área utilizada para reflorestamento de eucaliptos. São quilômetros e quilômetros entre Vitória e Itaúnas, onde a mata nativa foi totalmente substituída por esta monocultura.

Plantação de eucaliptos em Itaúnas - ES

Plantação de eucaliptos em Itaúnas - ES


É aí, neste contexto que surge o Parque Estadual de Itaúnas, área de preservação de mangue, rios, áreas de restinga das Dunas de Itaúnas. Além do Parque Estadual, Itaúnas abriga também uma sede do Projeto Tamar e é a Capital Nacional do Forró. A Vila dos Pescadores hoje já foi descoberta pelos turistas e por isso criou uma infra-estrutura com pousadas, restaurantes, barzinhos e casas de forró que ficam abarrotadas de turistas no verão e nos principais feriados do ano.

Saindo do parque estadual em Itaúnas - ES

Saindo do parque estadual em Itaúnas - ES


A nossa programação para este feriado do dia 12 de outubro foi de visitarmos Itaúnas junto com os nossos ilustres amigos e familiares, que vieram de três cidades diferentes para comemorar conosco o aniversário do Rodrigo. Karen e Léo, sobrinhos que vieram de Ribeirão Preto, Rafael e Laura nossos padrinhos de casamento que vieram de São Paulo e Ana amiga de Curitiba que hoje mora em Vitória. Não posso deixar de citar aqui também nossos amigos de Itaúnas, Tuquinha e seu filho lindão, o Klay, nós nos conhecemos em Itaúnas no Reveillón de 2008/09, quando ficamos hospedados em sua pousada, mantivemos contato e prometemos que voltaríamos.

Com o padrinho Rafael em Itaúnas - ES

Com o padrinho Rafael em Itaúnas - ES


A previsão do tempo não era muito animadora, tempo nublado e chuva, mas a esperança é a última que morre. No sábado mesmo fomos até a praia onde o Rodrigo foi o único corajoso a enfrentar o mar revirado pelo furioso vento sul.

Enfrentando o mar bravio de águas mornas em Itaúnas - ES

Enfrentando o mar bravio de águas mornas em Itaúnas - ES


Depois de uma deliciosa pizza na pedra seguimos para o Samba Rock. Léo e Karen foram os nossos bravos companheiros de balada, nos divertimos vendo a tiazona e um nativo maluco dançarem, provamos a tradicional “É Mé”, pinga artesanal produzida na cidade e demos boas risadas até de madrugada.

Com o Leo e a Karen na night de Itaúnas - ES

Com o Leo e a Karen na night de Itaúnas - ES


O vento sul havia acabado de chegar, trouxe consigo a frente fria que está nos seguindo há algumas semanas pelo litoral e levaria pelo menos três dias para ir embora. Nós somos brasileiros e não desistimos nunca!

Estranhas formações de areia em Itaúnas - ES

Estranhas formações de areia em Itaúnas - ES


Não trouxemos nossos amigos aqui, para um lugar que consideramos um dos mais bonitos e alto astrais do litoral brasileiro, para ficarmos enfurnados na pousada. Domingão, nós saímos novamente para a praia, até convencemos a Ana, amiga mais preguiçosa, a ir caminhando da vila até as Dunas de Itaúnas.

Três curitibanas em Itaúnas - ES

Três curitibanas em Itaúnas - ES


A Ana alçando vôo em Itaúnas - ES

A Ana alçando vôo em Itaúnas - ES


O tempo começou a dar uma esquentada, quase saiu um solzinho. A Karen é prova disso, mesmo passando protetor solar acabou ficando toda vermelha! É Karen, mormaço com vento sul engana mesmo! Esta foi a noite do forró, saímos todos os sete prontos para a balada. O forró estava animadinho, difícil é fazer essa homarada dançar. Aula de dança só para o currículo não vale, tem que colocar em prática! Bem, não adianta dar murro em ponta de faca, no dia seguinte a programação começava cedo, então nos rendemos e nos entregamos aos braços de Morfeu.

Barraca em Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES

Barraca em Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES


Programamos um dos melhores roteiros de Itaúnas para o dia em que, estatisticamente, teríamos mais chance de ter sol. O dia mais importante do mundo, o dia em que todas as flores se abriram e ficaram mais cheirosas, o dia em que Deus desceu à terra para presenciar o maior dos acontecimentos: o nascimento do amor da minha vida!

Início da caminhada para a Bahia, já carregado com os víveres de primeira necessidade (em Itaúnas - ES)

Início da caminhada para a Bahia, já carregado com os víveres de primeira necessidade (em Itaúnas - ES)


Um dia tão especial como este merecia uma comemoração à sua altura! Não pelos baixos 1,81m, mas sim pelos altos 41 anos! Comemoramos no estilo 1000dias de ser, caminhando 9km de Itaúnas até a fronteira com a Bahia, na praia do Riacho Doce.

Caminhada para Riacho Doce, na Bahia, saindo de Itaúnas - ES

Caminhada para Riacho Doce, na Bahia, saindo de Itaúnas - ES


Cruzamos a fronteira com a Bahia, banho de mar e banho de rio. Deixamos até ele se empolgar contra nós na discussão religiosa, tudo o que o Ro gosta, afinal “hoje eu posso, é o meu aniversário”, dizia todo feliz.

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)

Sorria, você está na Bahia! (fronteira de Itaúnas - ES com Bahia)


Antes do jantar, com a ajuda da Tuquinha e das meninas organizei uma festinha surpresa para o Ro, com direito à bexiga, bolo de coco com velhinhas e tudo! Eu ainda quis levá-lo para mais uma balada, mas como diz a Ana, tivemos um pequeno problema de PVC* e fomos dormir.

Bolo de aniversário em Itaúnas - ES

Bolo de aniversário em Itaúnas - ES


Cortando o bolo de aniversário em Itaúnas - ES

Cortando o bolo de aniversário em Itaúnas - ES


Ontem o Léo e a Karen tiveram que pegar o ônibus para Vitória super cedo e já começaram as despedidas. Se o sol saísse (isso é que é esperança), iríamos para a Costa Dourada com o Rafa, Laura e a Ana, ao invés de melhorar, o tempo piorou!

Leo e Karen pegando o busão de Conceição para Vitória - ES

Leo e Karen pegando o busão de Conceição para Vitória - ES


Acordei com aquele barulhinho de chuva gostooooso para continuar dormindo. Assim nossos amigos acabaram se despedindo mais cedo e retornaram para Vitória, nos abandonando às traças em Itaúnas. Nós havíamos decidido ir embora ontem também, mas com tanta chuva e o que fazer no site, acabamos decidindo ficar ali trabalhando no conforto da pousada com a Tuquinha, dando mais uma vez chance para o sol aparecer.

Despedida da Laura, Rafa e Ana, em Itaúnas - ES

Despedida da Laura, Rafa e Ana, em Itaúnas - ES


O vento sul não foi embora, o sol não apareceu, mas como tudo na vida tem um lado bom, pudemos aproveitar a praia e a vila tranqüilas, dançar muito forró, samba rock e ainda pudemos descansar.

Placas indicativas de Riacho Doce, fronteira da Bahia, em Itaúnas - ES

Placas indicativas de Riacho Doce, fronteira da Bahia, em Itaúnas - ES


O Estado do Espírito Santo, tido por muitos como um estado inexpressivo, nos impressionou pela sua riqueza, história, belezas naturais entre praias e montanhas e principalmente pela hospitalidade e alegria do seu povo. Concluímos mais esta etapa e fica a dica: venha conhecer o Espírito Santo! Se possível no verão, quando o sol é garantido!

Felizes da vida, no Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES

Felizes da vida, no Riacho Doce, fronteira da Bahia com Itaúnas - ES



* PVC = Porra da Velhice Chegando.

Brasil, Espírito Santo, Itaúnas, Amigos, Divisa, Dunas, Praia, Riacho Doce

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