0 Blog da Ana - 1000 dias

Blog da Ana - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Ubersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jido)

lugares

tags

arqueologia cachoeira Caribe cidade histórica Estrada mar Mergulho Montanha parque nacional Praia Rio roteiro Trekking trilha

paises

Alaska Anguila Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Galápagos Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Venezuela

mais vistos

mais comentados

novos comentários

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Equador Há 2 anos: Equador

Ilha de Lençóis

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


São 8h30 da manhã e acabamos de chegar à Ilha de Lençóis. Caminhamos para a vila de pescadores procurando por pouso e fomos recepcionados por uma moradora e sua filha que nos acompanharam até a pousada de Hélio. A ilha possui 3 pousadas, mas logo simpatizamos com esta pousada familiar, com quartos amplos, limpos e arejados, banheiro conjugado, em uma casa de palha de babaçu.

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Difícil caminhanda chegando na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Hélio e Marluce são os simpáticos donos da pousada. Hélio nos contou que 10 anos atrás recebeu as primeiras turistas aqui, ainda antes da luz chegar na comunidade. Eram 3 meninas de São Paulo que não conseguiram pouso na única pousada que havia, onde hoje é o Serafim. Foi aí que ele viu uma oportunidade e começou a se organizar. Foi melhorando a casa, aumentou o número de quartos, arrumou o banheiro, comprou uma bomba de água e foi montando uma infra-estrutura para receber seus hóspedes.

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Entardecer visto do alto das dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


A luz chegou à Ilha de Lençóis em 2006 com o programa do governo Luz para Todos. A geração é feita através de dois moinhos de energia eólica, placas solares e para os períodos de inverno um gerador a diesel. A energia trouxe consigo alguns itens básicos do mundo moderno como, por exemplo, a geladeira. Em um lugar distante 4 horas de barco do continente, uma geladeira é um item essencial. A alimentação é basicamente peixe e camarão, além dos grãos, arroz e feijão. Queijo, frutas e verduras são itens muito perecíveis para a viagem e venda na ilha.

Energia elétrica na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Energia elétrica na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


O isolamento desta comunidade é tanto, que o casamento genético entre parentes acabou tornando comuns os casos de albinismo na população. Conhecidos como os Filhos da Lua, os albinos possuem uma característica recessiva de genes que fazem com que eles não produzam melanina na pele. Por isso seus cabelos são loiros bem claros, sua pele branca e hiper sensível à luz, não podendo ser expostas ao sol.

Caminhando nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Caminhando nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Enquanto caminhávamos para as lagoas com Nielly, 13 anos, filha mais velha de Hélio, perguntamos se ainda são comuns os casos, ela conseguiu contar ainda 10 pessoas albinas que vivem na comunidade, além de seu avô, que já se mudou para Cururupu. Uma manhã de céu aberto e sol já pode significar queimaduras de terceiro grau em suas peles. Por isso é mais fácil encontrá-los fora de casa em dias nublados ou ainda a noite. Os adultos albinos optam por trabalhar durante a noite, criando uma rotina alternativa para se adaptar ao clima local. Outros acabam se mudando para uma cidade maior, fugindo do sol e do efeito altamente cancerígeno que possui em suas peles.

Dunas e pequenas lagoas na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Dunas e pequenas lagoas na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Não é a toa que a ilha possui o nome de Lençóis. Suas dunas e lagoas lembram o Parque Nacional homônimo, e ela possui um subsolo rico em lençóis freáticos, motivo pelo qual esta é uma das ilhas mais ricas em recursos naturais na região. A comunidade do Guará, em uma ilha vizinha, não possui uma só fonte de água doce, dependendo de transporte de barco para toda a água potável consumida pela população. Hoje mesmo soubemos que um grupo do ICM Bio e Polícia Federal veio fazer a instalação de duas cisternas que irão captar água da chuva, ajudando a comunidade mais pobre da Reserva.
Enquanto tomávamos um banho de mar, encontramos o Seu Domingos, pescador que havia acabado de tirar um Xaréu de 10 kg da água! Ele veio nos avisar para tomar cuidado, pois algum peixe grande havia furado a sua rede. Olha que um peixe para furar a rede que pesca um Xaréu deste tamanho, só pode ser um tubarão ou um mero, nos disse ele preocupado.

Seu Domingos e sua pescaria, na praia da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Seu Domingos e sua pescaria, na praia da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Tínhamos que voltar logo mesmo, pois sabíamos que Marluce já estava nos aguardando para o almoço. Retornamos pelas dunas, tomamos um banho de lagoa, que ainda estão começando a encher. Depois do almoço aproveitamos para tirar uma pestana antes de subir as outras dunas que existem na ilha. Estas são mais altas e não formam lagoas, mas possuem um lindo visual das Reentrâncias Maranhenses, perfeito para o pôr-do-sol. Pena que as nuvens negras não estavam ajudando muito. Mais tarde fomos à procura do Mário, nosso transporte de volta e acabamos caindo por engano no Bar do Martins.

Nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Nas dunas da Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Foi pisarmos ali que o mundo desabou. Foram horas de tempestade tropical, vento e muita chuva. Presos no bar, restava tomarmos uma Schin de Itú (única cerveja do bar) e socializar com Seu Zé Maria e as crianças que ficaram por lá. Acabou que no final virou um baita carnaval! Estavam lá Micaela, Micael (irmãos gêmeos), Ana Luiza, José Kleber, Devanilson, Gleise e várias outras crianças que não me deixaram respirar um só minuto.

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Festa com as crianças no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Esconde-esconde, pega-pega, cavalinho, ciranda; brincamos e dançamos tudo o que vocês possam imaginar. Até aula de geografia rolou. O Zé Maria já estava até mandando as crianças para casa depois de tanta folia.

Com o Zé Maria, no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA

Com o Zé Maria, no Bar do Martins, na Ilha de Lençóis, nas Reentrâncias Maranhenses - MA


Quando a chuva parou, foi a minha deixa para irmos embora. Deixei os pequenos gêmeos em casa e fomos para o nosso descanso merecido. Este foi apenas o primeiro dia e já estamos nos sentindo em casa, vai ser difícil ir embora.

Brasil, Maranhão, Ilha de Lençóis, Dunas, Reentrâncias Maranhenses

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

O Homem Americano

Brasil, Piauí, São Raimundo Nonato (P.N. Serra da Capivara)

Viajando nas pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Viajando nas pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


De onde somos? Para onde vamos? De onde viemos? As perguntas existenciais que não querem calar, tem várias formas de serem respondidas. Alguns buscam explicações religiosas, outros preferem a ciência, são diversas teorias que procuram responder a estas perguntas. Uma delas é a arqueologia, que procura provas da existência do homem na terra, assim como a descoberta de informações que expliquem a sua evolução até os tempos atuais.

Paredes com muitas pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Paredes com muitas pinturas rupestres na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Algumas questões nunca serão respondidas, sobre os seus costumes, os rituais, por que pintavam? Como pintavam? Nunca teremos certeza, mas estas pinturas são hoje a conexão mais próxima que temos com a história de nossos antepassados. A Serra da Capivara está repleta de evidências da existência de tribos que ali viveram há 10, 12 mil anos.

Pintura Rupestre na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Pintura Rupestre na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


A principal corrente hoje afirma que o homo sapiens sapiens chegou à América através do Estreito de Bering e teria levado mais 2 mil anos para alcançar o sul do continente. Antes de iniciar as suas pesquisas no Piauí, Niède compartilhava desta teoria com seus colegas, porém algumas descobertas aqui realizadas mudaram o rumo desta história.

Setas indicativas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Setas indicativas na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Niède defende uma teoria revolucionária sobre a chegada do homem na América do Sul, alegando em suas descobertas vestígios de atividades humanas há mais de 50 mil anos. Uma fogueira estruturada foi descoberta em um sítio arqueológico na Serra da Capivara. Esta fogueira foi datada de 50mil BP (before present) através da técnica de decaimento do Carbono 14. É uma teoria muito controversa, pois para os outros arqueólogos apenas poderá ser totalmente comprovada quando se encontrar fóssil com a mesma datação. O solo da região semi-árida é muito ácido, não permitindo a conservação dos elementos orgânicos que poderiam ser datados através do C14. Nesta teoria o homem teria alcançado a América do Sul através do Oceano Atlântico, que na época possuía um nível muito mais baixo, encurtando, portanto as distâncias entre o continente africano e americano.

Um 'calendário'? (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)

Um "calendário"? (na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI)


Se Niede está correta, estes homens tinham feições negróides, africanas, como as de Luzia, fóssil de 11 mil anos encontrado na década de 70 em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte. São centenas de sítios pesquisados, milhares de pinturas rupestres e dezenas de fósseis humanos e de animais da mega-fauna já catalogados. A exposição permanente no Museu do Homem Americano com fósseis, pinturas e textos sobre a teoria da chegada do ser humano no continente sul americano é imperdível. Assim como a exposição da mega fauna que expõe fósseis de preguiças gigantes, tigre de dente de sabre, uma espécie de tatu que chegava ao tamanho de um fusca, entre outros.

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Paisagem da Toca do Catitu II, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


O exercício que fazemos durante as caminhada pelas trilhas do parque e suas centenas de tocas, é de imaginar esta caatinga secam uma floresta tropical. Nesta Floresta Amazônica ou Atlântica corriam rios caudalosos, cheios de vida. Os desenhos nos dão uma pista sobre os animais que aqui viviam, emas, peixes, siris, veados, pássaros, onças, entre outros. A caça era atividade constante na vida destes homens pré-históricos, assim como os rituais.

Observando um dos inúmeros paredões na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Observando um dos inúmeros paredões na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Eles se retratam nestas pinturas rupestres com vestes e cocares, em atividades grupais como rituais, caças, situações do cotidiano. O vigor dos homens está presente praticamente em todas as paredes, homens de falos eretos um ao lado do outro, desde o ato sexual, até o registro do nascimento de uma criança. A fertilidade já parecia ser um conceito conhecido e trabalhado por eles, mas algumas respostas estes arqueólogos nunca poderão encontrar.

Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI

Museu do Homem Americano em São Raimundo Nonato - PI


Falta um elo de ligação nesta teoria. Que ligação terão estes homens pré-históricos com os nossos índios? Como teria desaparecido este povo? Por quanto tempo viveram aqui na América antes do aparecimento dos nossos antepassados? Enfim, as perguntas são infinitas e é esta sede que move o trabalho incansável desta equipe aqui na Serra da Capivara. Um lindo e incansável trabalho. Tudo isso acessível à visitação turística de forma super organizada. Além de cenários naturais magníficos é um maravilhoso museu a céu aberto.

Fim de tarde na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Fim de tarde na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Brasil, Piauí, São Raimundo Nonato (P.N. Serra da Capivara), arqueologia, FUNDHAM, Museu do Homem Americano, Niede Guidon, parque nacional, Parque Nacional da Serra da Capivara, pinturas rupestres

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

Denali National Park

Alaska, Denali National Park

O colossal Denali ainda está a 30 km de distância! (Denali National Park, no Alaska)

O colossal Denali ainda está a 30 km de distância! (Denali National Park, no Alaska)


Já ouviram falar daquele filme Into the Wild, em português traduzido como Na Natureza Selvagem? É uma história real que aconteceu aqui no Alasca sobre um viajante que resolveu viver uma estação na natureza selvagem e acabou não voltando... nunca mais. O filme é muito bom, recomendo! Desde que entramos no Alasca estávamos nos perguntando aonde teria acontecido a tal fatalidade. Pensamos que devia ser longe de tudo e todos, pra lá da Brooks Range ou do Gates of The Artic. Pois é, a história aconteceu mais perto da civilização do que poderíamos imaginar e foi aqui, pertinho do Denali National Park.

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska

A primeira visão do Denali, a mais alta montanha da América do Norte, no Denali National Park, no Alaska


O Alasca é uma terra de gigantes. Os animais terrestres e marinhos, as distâncias, as reservas de petróleo, a história humana de mais de 15 mil anos, do frio, das belezas naturais, tudo parece desproporcional. É um lugar onde fica fácil entendermos o nosso tamanho na terra apenas olhando ao redor.

Caminhando um pouco no parque e aproveitando a vista magnífica do Denali National Park, no Alaska

Caminhando um pouco no parque e aproveitando a vista magnífica do Denali National Park, no Alaska


Paisagens sempre grandiosas no Denali National Park, no Alaska

Paisagens sempre grandiosas no Denali National Park, no Alaska


Aqui no Denali fica ainda mais fácil compreender esta grandeza, pois em meio à natureza selvagem surge majestosa a maior montanha da América do Norte: o Mount McKinley com 6.193m, conhecida pelos íntimos como Denali ou apenas “A Montanha”. Denali é o nome original, que na língua Athabascan significa “The High One”, o grande, o alto. Mais tarde algum garimpeiro do Kantishna sugeriu que ele fosse renomeado em homenagem ao então candidato a presidência americana e até hoje os alascans lutam politicamente para voltar ao nome de origem.

A montanha, ao vivo e no painel explicativo, no Denali National Park, no Alaska

A montanha, ao vivo e no painel explicativo, no Denali National Park, no Alaska


Só o Denali National Park possui uma área de 6 milhões de acres, o equivalente à área do Delaware, nos “lower 48 states”. Charles Sheldon, em 1908, foi um visionário ao desejar que esta região deveria permanecer intacta e protegida. Já naquela época ela corria perigo, sendo escavada pelo ouro, modificada pela ferrovia em construção e pelos caçadores em busca de pele e da carne dos pobres animais selvagens, para alimentar a ganância destes pioneiros que queriam enriquecer rapidamente. Após 10 meses conhecendo estas terras e montanhas Sheldon retornou a Washington e não descansou enquanto seu sonho não se tornou realidade. Em 1917 o Presidente Woodrow Wilson declarou os 2 milhões de acres ao redor “da montanha” o Mount McKinley National Park. Foi apenas em 1980, no final do mandato de Jimmy Carter que o parque foi ampliado e recebeu o nome de Denali National Park.

Avistamos nosso primeiro urso no Denali National Park, no Alaska

Avistamos nosso primeiro urso no Denali National Park, no Alaska


A região se tornou famosa quando aventureiros de todas as partes, em busca de fama e patrocínios para suas grandes aventuras, decidiram escalar a montanha e chegar ao ponto mais alto da América. Várias tentativas foram feitas, a primeira reconhecida oficialmente em 1903, um blefe. Frederick Cook chegou ao chamado “pico falso” a meros 4.200m de altitude, fez um recorte de sua foto no topo e recebeu todas as glórias. Isso disparou uma segunda onda de tentativas de conquista do Denali.

Bela foto da bandeira ameicana com o Denali ao fundo, no Denali National Park, no Alaska

Bela foto da bandeira ameicana com o Denali ao fundo, no Denali National Park, no Alaska


Em 1910 a Sourdough Expedition, quatro locais também indignados com a mentira de seu companheiro, o acompanhante de Cook, sem preparo, sem equipamento e sem noção alguma de montanhismo, também decidiu chegar ao ponto mais alto da América. Foram com a cara, a coragem e o sangue forte de quem vive nessa terra de extremos e depois de 3 meses de aproximação, chegaram ao cume norte (5.934m) em 18 horas, um tempo recorde! No dia do ataque ao cume eles carregavam apenas um saco de donuts, chocolate quente e um imenso pau de madeira de 4,2m. Eles achavam que colocando o poste com a bandeira no alto da montanha todos poderiam vê-los e assim comprovariam o feito. Uma pena foi saberem depois que o pico norte é na realidade 259m mais baixo que o cume sul, ainda assim um feito impressionante! Ninguém os levou a sério até 1913, quando Stuck confirmou através de binóculos, que a haste da bandeira no pico norte realmente existia e ainda estava em pé! Stuck foi um dos líderes da primeira expedição a chegar ao cume sul, ponto mais alto do Denali, ao lado de Harry Karstens. Em 7 de Junho de 1913, o primeiro membro da equipe a chegar ao topo foi Walter Harper, um nativo do Alasca.

A estrada nos leva para na direção do Mt. McKinley, no Denali National Park, no Alaska

A estrada nos leva para na direção do Mt. McKinley, no Denali National Park, no Alaska


Anos depois Bradford Washburn refez a trilha de Cook, chegou ao pico falso e comprovou o charlatanismo do aventureiro. A esta altura Cook já havia ganhado os prêmios, a fama e o dinheiro que queria para sua expedição ao Polo Norte.

Rota de subida mais usada do Denali. Os alpinistas chegam de avião à uma geleira próxima e daí começam a subida (Denali National Park, no Alaska)

Rota de subida mais usada do Denali. Os alpinistas chegam de avião à uma geleira próxima e daí começam a subida (Denali National Park, no Alaska)


Escutamos e aprendemos todas estas histórias nos 128 km percorridos no ônibus escolar verde que atravessa a única estrada do parque, até o Wonder Lake. Lisa, nossa motorista e guia, uma apaixonada pela história do parque, da montanha e colecionadora de livros sobre o Alasca, nos envolveu durante as 11 horas de tour sem nem sentirmos o tempo passar. Histórias da montanha, suas experiências durante o inverno e o verão aqui ou na Kodiak Island onde mora, e até alguns detalhes da última fatalidade ocorrida no parque, a morte de um grizzlie após o descuido de um turista e fotógrafo que deixou o urso se aproximar mais que o indicado. O urso morreu por um tiro, depois de ter comido o turista abusado.

Ursa caminha com seu filhote no Denali National Park, no Alaska

Ursa caminha com seu filhote no Denali National Park, no Alaska


Um enorme grizzly macho caminha pelo Denali National Park, no Alaska

Um enorme grizzly macho caminha pelo Denali National Park, no Alaska


Um enorme grizzly macho caminha pelo Denali National Park, no Alaska

Um enorme grizzly macho caminha pelo Denali National Park, no Alaska


No caminho encontramos alces, aves e inúmeros ursos grizzlies, alguns mais distantes nas montanhas nevadas, outros a poucos metros de distância do ônibus. Um deles foi especial, ele estava correndo acelerado às margens do rio de pedra, vindo a nossa direção. Ele seguiu o curso do rio e continuou paralelo à estrada e nós seguimos atordoados com a cena mais selvagem e marcante do dia!

Urso atravessa correndo leito de rio no Denali National Park, no Alaska

Urso atravessa correndo leito de rio no Denali National Park, no Alaska


O centro de visitantes possui uma exposição completa sobre o Denali, suas expedições, história e geologia. A vista da montanha é magnífica, a beleza cênica do Mount McKinley se destaca frente a outras montanhas. Ela sobe praticamente sozinha dos 2 aos 6 mil metros de altitude, imponente e graciosa com seu branco eterno conquistado por poucos bravos montanhistas. Dentre estes está o nosso primo Haroldo, que esteve duas vezes no Denali, a primeira delas, pronto para o ataque ao cume, mas sem as condições climáticas. A segunda, até o topo, onde poucos tiveram o privilégio de pisar. Um esforço sobre-humano em temperaturas baixíssimas, mas recompensado com paisagens maravilhosas, uma das vistas mais lindas do céu e do Alasca e o orgulho da conquista da montanha mais alta da América do Norte. Fica aqui registrada a minha admiração e a homenagem ao Haroldo e aos outros bravos que estiveram no topo do Denali.

Apesar de parecerem próximos, os picos norte e sul da montanha estão a 5 km de distância um do outro (Denali National Park, no Alaska)

Apesar de parecerem próximos, os picos norte e sul da montanha estão a 5 km de distância um do outro (Denali National Park, no Alaska)



DICAS PRÁTICAS

Como chegar?
O Denali National Park é uma das unidades de preservação mais acessíveis do Alasca. Localizada a 380km de Anchorage e 192km de Fairbanks, sua entrada principal está na George Parks Highway (Alaska 3), próxima à vila de Denali. Se a sua opção não é alugar um carro, o trem também pode ser uma boa ideia, mais informações no site da companhia.

visitando o Denali National Park, no Alaska

visitando o Denali National Park, no Alaska


Durante o verão o acesso à estrada do Denali só é permitida no ônibus verde do próprio parque. São vários tours que variam em preço, horários e disponibilidade. O mais procurado, e o que fizemos, foi o tour até o Wonder Lake, com as melhores vistas da montanha.

Nosso ônibus no Denali National Park, no Alaska

Nosso ônibus no Denali National Park, no Alaska


Onde ficar?
A vila de Denali possui alguns hotéis e cabanas, porém os preços no verão são altos. (entre 160 a 350 dólares) Uma boa opção para quem está de carro é seguir 20km adiante e ficar hospedado na vila de Healy, que possui alguns motéis e restaurantes com preços mais acessíveis (abaixo de 100 dólares).

Painéis informativos no ponto até onde podem chegar carros particulares no Denali National Park, no Alaska

Painéis informativos no ponto até onde podem chegar carros particulares no Denali National Park, no Alaska


Eu posso acampar?
Nas duas cidades existem opções de camping, principalmente para traillers. A região é bem fria, então se resolver acampar deve vir preparado com um bom saco de dormir para temperaturas abaixo de zero (-10°C de noite), mesmo no verão. Dentro do parque é possível solicitar permissões especiais para camping, pagando uma taxa e passando por uma consultoria especial com os park rangers sobre como estocar a comida e lixo nos containers a prova de urso. Eu tenho vontade de acampar no parque dentro de um trailler, mas em barraca, depois de ter encontrado uns 10 grizzlies, inclusive mamães ursas com seus filhotes, confesso que eu ficaria cabreira.

Guarda-parque recebe nosso ônibus no Denali National Park, no Alaska

Guarda-parque recebe nosso ônibus no Denali National Park, no Alaska


Onde comer?
Tanto a vila de Denali, quanto Healy oferecem boas opções de restaurantes, cafés e mercadinhos. A dica é estocar-se de lanches para o café da manhã e o almoço e fazer um bom jantar durante a noite, depois que voltar do parque. Em Denali, uma boa pedida é o Salmon Bake, um ambiente divertido e despojado. Os sanduíches e os pratos de salmão com king crab são deliciosos!

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska

Famoso restaurante em frente ao Denali National Park, no Alaska


Em Healy não deixe de conhecer a 49th State Brewery, uma cervejaria aconchegante com uma lareira alta ao lado do bar e uma sopa de queijo com cerveja amber imperdível! Ali fica a cópia do ônibus do “Into the wild”. Este é foi utilizado nas gravações do filme. O original fica após o Savage River, na Stampede Trail há uns 30km daqui. Este rio é impossível de ser atravessado no verão, nem a pé, nem de carro, 4x4 ou hummer anfíbio! Se quiser mesmo vê-lo não se aventure sozinho, algumas agências podem levá-lo até lá. Afinal, não foi à toa que o cara virou filme.

Decoração típica no Alaska! (em restaurante na vila em frente ao Denali National Park)

Decoração típica no Alaska! (em restaurante na vila em frente ao Denali National Park)

Alaska, Denali National Park, Denali, Healy, Montanha, Montanhismo, Mount McKinley, parque nacional

Veja mais posts sobre Denali

Veja todas as fotos do dia!

Não nos deixe falando sozinhos, comente!

Viajando no Solimões

Brasil, Amazonas, Tefé, Coari

O barco que nos levará até Manaus se enche de redes, ainda em Tefé, no Amazonas

O barco que nos levará até Manaus se enche de redes, ainda em Tefé, no Amazonas


Tefé, a “Princesinha do Solimões”, está no coração da Amazônia há 575 km de Manaus e possui uma população de aproximados 62 mil habitantes. A 6ª maior cidade do estado está localizada em uma das principais regiões pesqueiras do Amazonas e por isso tem como ponto forte em sua economia a pesca. Um passeio pelo mercado público é uma ótima forma de conhecer as espécies amazônicas preferidas dos teefenses, principalmente tambaquis e pirarucus.

Bem cedo e os pescadores começam a chegar a Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Bem cedo e os pescadores começam a chegar a Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Ao lado do rio, o mercado de Tefé, no Amazonas

Ao lado do rio, o mercado de Tefé, no Amazonas


Sua história remonta ao período colonial e às missões jesuíticas de evangelização das tribos tupebas que já habitavam a região. As missões foram fundadas por espanhóis, mas os portugueses descumpriram o Tratado de Tordesilhas e disputaram a região. A vitória portuguesa em 1709, fez com que os índios se refugiassem nas matas e a cabeceira do Rio Tefé, área onde hoje está o município.

De barco, chegando de volta à Tefé, no Amazonas

De barco, chegando de volta à Tefé, no Amazonas


A praça central, o mercadão e o movimentado porto confirmam a importância econômica regional desta cidade, que além de ter lojas de comércio de bens de consumo, também é a sede de instituições financeiras da região, além de quartel militar das Forças Armadas, Polícia Federal e outras entidades governamentais e não governamentais, como o Instituto Mamirauá. Porta de entrada para a Reserva Sustentável do Mamirauá, Tefé possui vôos diretos de Manaus pela TRIP e pela TAM.

Igreja matriz de Tefé, no Amazonas

Igreja matriz de Tefé, no Amazonas


Outra forma de chegar e sair de Tefé é pelos barcos regionais que percorrem o Rio Amazonas parando de porto em porto no maior rio do mundo! Mais do que encontros com a vida selvagem ou a pesca da piranha, amarrar a sua rede em um dos andares do barco, deitar e ver o rio passar sem dúvida é uma das experiências mais autênticas no Amazonas.

Nosso barco para descer o Rio Solimões, ainda em Tefé, no Amazonas

Nosso barco para descer o Rio Solimões, ainda em Tefé, no Amazonas


As cidades ficam de 3 a 5 horas de navegação distantes umas das outras em um lugar onde os rios são as estradas e os barcos o único meio de transporte. Assim o povo daqui não tem outra opção senão ser paciente, amarrar sua redinha, deitar e se acostumar com um outro ritmo de vida.

Entre muitas redes, diversão ao celular, no barco em Tefé, no Amazonas

Entre muitas redes, diversão ao celular, no barco em Tefé, no Amazonas


Imaginem se alguém está doente? Pois este foi o caso da Elaine, enfermeira de 35 anos, que viajava com a sua filha Luiza de 12 anos. Elaine foi minha vizinha de rede e comentava sobre a dificuldade de conseguir um horário com o médico especialista. Na cidade em que mora e trabalha só tem atendimento de clínico geral, para fazer o exame e consultar um especialista é uma dificuldade não só para conseguir marcar um horário (dali um mês), como para chegar até lá. Imaginem se o médico não aparece? Aí ela já passou 3 dias pendurada no barco para ir, mais 4 dias para voltar, afinal rio acima é sempre mais demorado.

Trânsito intenso de motocicletas na cidade de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Trânsito intenso de motocicletas na cidade de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Logo atrás de nós estava uma outra moça grávida do seu quinto filho! Um baita barrigão de 8 meses, dois filhos pequenos viajando com ela e os outros dois com os avós. Os filhos são de 2 maridos diferentes, um que não prestava nada, o segundo é militar, então não pôde acompanhá-la por tanto tempo. Ela já estava se mudando para Manaus, onde dará a luz, já que na sua cidade as condições do hospital eram muito ruins e ela não confiaria em fazer a laqueadura com o médico de lá. Ela deverá ficar em Manaus por pelo menos um mês já que a gravidez dela estava complicando por problema de pressão. Já imaginaram se essa criança resolve nascer agora, ali?

Menina se despede de Tefé, antes da partida para Manaus, no Amazonas

Menina se despede de Tefé, antes da partida para Manaus, no Amazonas


Já havíamos percorrido o percurso entre Manaus e Santarém, barcos maiores e lotados, fizemos amizades, mas dormirmos dentro do carro que também estava sendo transportado no mesmo barco. Dessa vez nós chegamos cedo para garantir um bom lugar, com espaço e uma vista bonita. A primeira noite até que conseguimos nos esticar, mas no caminho o barco foi lotando e fomos sendo obrigados a nos apertar cada vez mais, quando vimos já tínhamos redes do lado, embaixo e em cima de nós! Cada um dos novos vizinhos vai te ajudando, dando uma dica de como fazer o melhor nó para prender a rede, qual é o melhor banheiro ou a hora de comer. Todos se ajudam para olhar as malas e pertences de cada um, nós deixamos a mala com um cadeado, já que estávamos carregando computador e toda a nossa tralharada.

Ainda em Tefé, pronto para a viagem de barco até Manaus, no Amazonas

Ainda em Tefé, pronto para a viagem de barco até Manaus, no Amazonas


Em cada porto é aquele entra e sai e são também as horas mais divertidas quando ambulantes entram vendendo bombons, doces de frutas regionais, salgados, tapioca, pão de queijo e tudo o que você imaginar. Elaine me dava as dicas, “compre este que é bom”, já conhecia até os vendedores certos com os produtos mais gostosos, tipo a nossa banca ali da esquina, só que a dela era flutuante e ficava a 200, 300 quilômetros de distância de casa.

A labuta nossa de cada dia, em Tefé, no Amazonas

A labuta nossa de cada dia, em Tefé, no Amazonas


Nosso barco partiu perto das seis da tarde, Rio Solimões abaixo. Mal partimos e o jantar já foi servido, o valor da passagem não inclui a rede, mas inclui todas as refeições. As comidas desses barcos geralmente são as principais causadoras de piriris destrutivos para gringos e sulistas, lembrando que sulista aqui são todos de Minas Gerais para baixo. Mas acho que demos muita sorte e pegamos um barco bem limpinho. Era só tentarmos fugir dos horários de pico e encontrávamos os banheiros sempre limpos e a comida deixávamos para o final, depois que a imensa fila havia diminuído. Levamos algumas bolachinhas também e o Ro adorava atacar um misto quente do bar lá de cima, custo extra que na opinião dele valia para fugir da fila.

Barco cheio no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas

Barco cheio no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas


Um belíssimo fim de tarde sobre o Rio Solimões, em Tefé, no Amazonas

Um belíssimo fim de tarde sobre o Rio Solimões, em Tefé, no Amazonas


Eram pouco mais de 5 horas da manhã e acordamos com o barco parando. O sol ainda nem havia nascido, a pouca luz que começava a surgir no horizonte prateava as águas do rio, em contraste com as luzes amarelas da cidade. Subi até o deck e não entendi que cidade era aquela, com tantos canos, dutos e tanques. Sozinha decidi alongar, aproveitar aquele ar fresco da manhã para fazer uma ioga e meditar... incrível como viajamos, viajamos e ainda assim não conhecemos nada. Que cidade será esta? Coari - logo alguém me respondeu – A terra do gás na Amazônia.

O sol nasce com o barco já em Coari, no nosso caminho para Manaus, no Amazonas

O sol nasce com o barco já em Coari, no nosso caminho para Manaus, no Amazonas


A plataforma de Urucu da Petrobrás, em Coari, tem uma produção de petróleo que gira em torno de 53.500 bbl/d (2007) e de gás natural chega a 10 milhões de m³/d, enviados por um gasoduto até Manaus. Junto com todo o gás encontrado aqui vem a esperança de desenvolvimento em toda a região. A 5ª maior cidade do Amazonas tem uma população de aproximadamente 77 mil habitantes, embora tenha apresentado um grande crescimento demográfico nos últimos anos, quase 35% da sua população vive na área rural do município.

Porto de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Porto de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


O sol nasceu lindo iluminando a capital amazonense do gás e nós resolvemos sair do barco para um passeio. Deixamos as coisas aos cuidados da minha nova amiga e vizinha e fomos esticar as pernas depois de quase 12 horas dentro do barco.

Mercado de frutas e verduras em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Mercado de frutas e verduras em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Igreja matriz de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Igreja matriz de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Caminhamos do porto até a praça principal, igreja matriz e ao mercadão, que se espalhava pela rua vendendo as mais diferentes frutas amazônicas, inclusive a mamona e o noni, famoso por suas propriedades medicinais. Povo simpático e batalhador não perdia a oportunidade de conversar e vender!

Frutas típicas vendidas no mercado de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Frutas típicas vendidas no mercado de Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Venda de Noni em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Venda de Noni em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Ainda no mercado, já a beira do rio, encontramos os primeiros barcos voltando da pescaria lotados de peixes de todos os tipos. Os vendedores também foram muito simpáticos e nos atenderam em meio à venda para explicar cada um dos peixes que vimos ali, da piranha ao estranho peixe com essa cabeça de mamão... como será o nome dele?!

Examinando a pescaria da noite em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Examinando a pescaria da noite em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


Nem piranha escapa dos pescadores em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Nem piranha escapa dos pescadores em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


É, Coari é mais um lugar com muita vida e energia incrível que nem sabíamos que existia no meio da Amazônia! Voltamos ao barco quase 9h da manhã e descendo o rio vamos cantando músicas evangélicas, conversando com os novos amigos e passando o tempo. A Eliane está com febre e desconfiando que está com dengue... nada legal, ainda bem que não é contagiosa!

O majestoso rio Solimões, no trecho entre Coari e Codajás, a caminho de Manaus, no Amazonas

O majestoso rio Solimões, no trecho entre Coari e Codajás, a caminho de Manaus, no Amazonas


Hora do café da manhã em nosso barco, ancorado em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas

Hora do café da manhã em nosso barco, ancorado em Coari, às margens do rio Solimões, no Amazonas


No almoço convenci o Rodrigo a entrar no refeitório. O cardápio servido foi frango ao molho, batata, inhame e uma batata azul diferente que eu nunca tinha ouvido falar, mas muito gostosa. As meninas viram a minha cara e não só ofereceram como me ensinaram como era mais gostoso prova-la. Quando me perguntaram de onde era e eu respondi que era brasileira elas não acreditavam, pela cara e pelo sotaque. Por mais que eu seja muito brasileira, confesso que foi difícil não me sentir uma estrangeira nesse lugar. Comida nova, jeito novo, cara diferente, curiosidades que os que aqui vivem não conseguem compreender e te olham com aquele sorriso maroto, curiosos de ver alguém que não sabe o que é aquela batata ou aquela expressão que eles estão usando. Somos de outro mundo mesmo.

Relachando no teto do barco, no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas

Relachando no teto do barco, no trecho entre Coari e Codajás, no Baixo Solimões, a caminho de Manaus, no Amazonas


A tarde no deck foi tomando um solzinho, uma cervejinha, com mais uma parada em Codajás. Passamos por alguns encontros de rios brancos com rios negros, como o famoso encontro dos rios lá de Manaus que formam o Rio Amazonas. Enquanto víamos ao longe as margens do rio passar, voltamos à nossa rede para mais uma noite embalados pelo sacudir da rede, navegando o Solimões.

Aproveitando o amanhecer para fazer ioga, em Coari, cidade no Rio Solimões, nosso caminho para Manaus, no Amazonas

Aproveitando o amanhecer para fazer ioga, em Coari, cidade no Rio Solimões, nosso caminho para Manaus, no Amazonas

Brasil, Amazonas, Tefé, Coari, Amazônia, barco, Rio Amazonas, Rio Solimões

Veja todas as fotos do dia!

Não se acanhe, comente!

La Guajira e os Wayuus

Colômbia, La Guajira

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul

As paisagens grandiosas da península La Guajira, na Colômbia, no extremo norte da América do Sul


La Guajira, departamento colombiano que faz fronteira com a Venezuela, nunca esteve nos nossos planos de viagem. Passaríamos por ela a caminho de Maracaibo sem nem saber direito o que deixaríamos para traz não fosse uma conversa com os nossos amigos expedicionários suíços Tina e Marcos. Seu primeiro destino na América do Sul seria justamente Punta Gallinas, a ponta mais ao norte da América do Sul, na península de La Guajira. Ficamos curiosos, mas como teríamos pouco tempo não criamos esperanças.

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia

Mapa da península La Guajira, extremo noirte da América do Sul, em agência de viagem em Riochacha, maior cidade da região, na Colômbia


Dias mais tarde, ainda antes de chegarmos à Colômbia continental, encontramos um grupo de mergulhadores na ilha de Providência e dois deles me falaram novamente sobre La Guajira. “Vocês irão passar por lá, tem que fazer um tour para conhecer o povo indígena wayuu e os desertos coloridos de La Guajira!”, ficamos novamente tentados a conhecer, afinal eram mais duas pessoas falando do mesmo lugar. Já em San Andrés, na recepção de um hostal encontramos uma revista cuja a reportagem de capa eram os desertos da península mais ao norte da América do Sul. Era um sinal, impressionante como em uma mesma semana este lugar se tornara um assunto recorrente.

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul

Cruzando o deserto da península de La Guajira, na Colômbia, extremo norte da América do Sul


Assim que tiramos a Fiona do porto de Cartagena fizemos o nosso caminho em direção à Venezuela, paramos em Taganga e Tayrona com uma pressa maior do que a normal, era o nosso inconsciente trabalhando para incluirmos esse destino no roteiro. Retornamos das trilhas no Parque Nacional Tayrona e dirigimos até a cidade de Riohacha, capital de La Guajira.

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia

Praia em Riochacha, cidade na entrada da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Todas as informações que tínhamos nos diziam que a península era um lugar inóspito e fácil de se perder. Desertos, lagos de sal e centenas de caminhos que podem te deixar andando em círculos. Além disso esta mesma semana foi encontrado o carro de um casal de expedicionários espanhóis que teriam sido sequestrados na região e ainda não tinham notícias do seu paradeiro. Seria uma grande aventura ir até lá sem um guia, mas nós não tínhamos tempo para nos perder, atolarmos e nos encontrarmos. Decidimos contratar um guia local que além de nos ensinar os caminhos, nos ajudaria a mergulhar na cultura wayuu nestes 2 dias que teríamos por ali.

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia

O belíssimo deserto na parte norte da península de La Guajira, na Colômbia


Os wayuus são 45% da população de todo o departamento e apenas 30% deles fala espanhol. Eles são de origem arawak, o mesmo povo que desceu para popular a Amazônia e que subiu em canoas para colonizar as ilhas do Mar do Caribe. Vivendo em um ambiente árido e hostil eles conseguiram se isolar e resistir à colonização europeia por muito mais tempo que as outras populações indígenas da Colômbia e da Venezuela. Não é à toa que são conhecidos como uma tribo guerreira e arredia aos arijunas, nós brancos, pessoas estranhas e que não conhecem e seguem a cultura wayuu. Seu território não tem limites políticos, ele é mais antigo do que qualquer definição colonial e até hoje os clãs transitam livres entre os países sul-americanos.

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia

O pouco trânsito que encontrávamos nas estradas da península La Guajira, na Colômbia


Os wayuus que vivem à beira do mar tem sua economia baseada na pesca, extração de sal e recentemente do turismo que está começando a descobrir a região. No interior o clima desértico e a falta de chuva tornam difíceis os cultivos, sendo a criação de gado e chivos (cabras), a principal atividade. Quando encontram solo apropriado e água, as culturas mais comuns são o milho, o feijão, a mandioca, o pepino, melão e melancia.

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia

Ovelhas pastam no deserto da península de La Guajira, na Colômbia


Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um rancho no deserto da península La Guajira, na Colômbia


Contratamos nosso guia por uma agência local a Wayuu Tours. Claudia e Shirley são wayuus modernas que nasceram e viveram na cidade de Riohacha, mas mantém suas raízes, usando os vestidos tradicionais, passando a língua e os conhecimentos para seus filhos e tratam de ajudar a sua comunidade organizando tours pela península, levando trabalho e fazendo girar a economia na região. Assim além de Alex, ganhamos a companhia também de Edwin, sobrinho de Alex e filho de Shirley, que está aprendendo com o tio os caminhos de La Guajira. Há alguns meses ele guiava um grupo de turistas, perdeu a entrada da estrada para Punta Gallinas e foi parar lá em Nazareth, povoado no outro lado da península.

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia

o Edwin e seu sobrinho Alex, nossos guias na península La Guajira, na Colômbia


“É muito fácil se perder”, diz Alex, que vive há 43 anos na região e conhece a península como a palma de sua mão. “Estes espanhóis devem ter entrado aqui sozinhos e aqueles que vivem nas montanhas os sequestraram”, completa. Ele se referia às montanhas da Sierra Nevada, reduto das FARCs nesta região do país. As FARCs logo negaram a autoria do sequestro e dias mais tarde finalmente os espanhóis fizeram contato com a sua família esclarecendo a questão. Eles teriam sido sequestrados nas proximidades do Tayrona e seu carro abandonado lá no deserto para confundir a investigação.

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia

Um dos muitos pequenos cemitérios espalhados pelo deserto da península La Guajira, na Colômbia


Nós estávamos seguros e tranquilos, saímos de Riohacha com tudo organizado por eles, dormiríamos em chinchorros, redes grandes e de puro algodão feitas pelos wayuus, e provaríamos da culinária regional. Entramos na península pela cidade de Uribia, a capital indígena de La Guajira. Uribia irá receber o encontro de culturas indígenas de vários cantos da América do Sul no final do mês de junho, quando a cidade vira um grande acampamento de várias etnias, idiomas e culturas. Fomos até o centro da cidade apenas para cumprir um pedido da polícia local, que devido aos últimos acontecimentos quer saber quem entra e quem sai da península, com quem estão acompanhados e muito atenciosos deixam até os seus celulares em caso de qualquer emergência.

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia

O trecho asfaltado da longa estrada que nos leva para a península La GUajira, no norte da Colômbia


A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia

A estrada de terra que segue ao lado do caminho de trem para o norte da península La Guajira, na Colômbia


Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia

Início do labirinto de pequenas estradas que nos leva ao deserto no norte de La Guajira, na Colômbia


O asfalto chega até Uribia e daqui em diante seguimos pouco menos de 30km por estrada de terra paralela à linha férrea que faz o transporte de carvão mineral extraído nas minas de Cerrejón, 150 km ao sul, até o Puerto Bolívar na baía de Portete. Foi lá pelo km 24 que entramos no emaranhado de caminhos de areia, estradas rurais e o grande deserto de La Guajira. O cenário semiárido nos lembra muito o sertão nordestino, mas mais deserto e mais pobre. De tempos em tempos éramos parados por pedágios das famílias que vivem nestas terras. Uma cordinha e uma mulher ou uma criança sentados à beira da estrada. Às vezes duas mulheres e 8 crianças, as meninas sempre vestidas com o vestidinho wayuu e os meninos com a camiseta e um shorts.

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia

Cabo de La Vela, litoral ocidental da península de La Guajira, na Colômbia


Quase todos eles falavam apenas o wayuunaiki, dávamos 100 ou 200 pesos colombianos, Alex trocava cumprimentos e passávamos. A alegria deles com as poucas moedas era clara, estavam vendo que aquela tática funcionava. Alex chegou a dar uma dura em alguns marmanjos preguiçosos, que preferiam ficar ali com uma corda e suas mochilas na sombra ao invés de estudar ou trabalhar. Todos aqui se conhecem, são pouco mais de 26 clãs em toda a Guajira, todos são primos, irmãos ou tios de alguém. Demos a volta na baía de Portete, passando por um terreno enganoso que do alto parecia um deserto seco e firme, mas por baixo era puro sal e lama!

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul

Trilhas de carro cortam o deserto de La Guajira, no extremo norte da Colômbia e da América do Sul


Já quase chegando na Baía Honda eis que vemos um carro que nos parecia familiar, uma Landcruiser marrom parada em um dos “pedágios”. Era Bode, o namorado suíço da Fiona! Marcos e Tina se aventuraram pela península sozinhos, estavam cobertos de lama de atoleiros salgados e rios que tentaram cruzar. Eles entraram na península pelo litoral, passaram por Cabo de La Vela e estavam buscando o caminho para Punta Gallinas.

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia

O incrível reencontro com os suiços Marco e Tina, em pleno deserto da península de La Guajira, no norte da Colômbia


Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia

Cruzando o deserto da península La Guajira, na Colômbia


No mesmo dia em que nos separamos na estrada para Taganga Tina teve um acidente, descendo da sua barraca no teto do carro ela caiu e ficou pendurada pelo dedo, preso em um anel no carro. Imaginem o estrago! Depois de uma noite com cuidados do “Dr. Marcos” decidiram procurar ajuda profissional e ela foi ao hospital para um curativo descente. Pobre Tina! Ainda assim, experimentando pela primeira vez os ventos sul americanos, estava estampado em suas caras a alegria de estarem livres por este mundão!

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia

Nossos amigos, Marco e Tina, a bordo do Boudi, na península La Guajira, na Colômbia


Daqui em diante Marcos e Tina nos acompanharam, ganharam tempo e perderam algumas aventuras nessa terra distante. Tudo bem, o plano deles será continuar por pelo menos mais uma semana perdidos por aqui, entre dunas e praias, wayuus e chivos. By the way, o espanhol deles já melhorou muito, pois aqui mal encontram quem fale espanhol, quem dirá inglês! Paramos para almoçar em um lugar que de fora não daríamos nada, mas dentro era uma simpática casa, com sombra e água fresca, um peixe delicioso, arroz e patacones.

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia

A simpática índia gaiju que nos serviu o almoço na durante a jornada pela península La Guajira, na Colômbia


Dirigimos por mais 3 horas passando por paisagens maravilhosas, cemitérios e mais cemitérios e inclusive caixões abertos à beira da estrada! Eu hein!? Vimos coelhos, flamingos, patos rosados e até zorros, as raposinhas do deserto. Passamos pelas dunas, belíssimas e finalmente chegamos à praia de Baía Hondita nos últimos minutos do dia, a tempo de ver o sol se pôr no mar.

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia

As incríveis dunas na parte norte do deserto na península La Guajira, na Colômbia


Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro do deserto com o mar, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia

Encontro de viajantes, brasileiros e suiços, no extremo norte da América do Sul, península La Guajira, na Colômbia


O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia

O sol se põe na praia mais ao norte da América do Sul, na península La Guajira, na Colômbia


Demos um mergulho merecido depois de tanto pó e buraqueira! Enquanto Tina e Marcos montavam seu acampamento e o azul da noite chegava, mais um espetáculo se desenhava à nossa frente, o alinhamento de Júpiter, Marte e Vênus! Aquelas três estrelas mais brilhantes no céu ainda iluminado pelo astro-rei à distância. Incrível!

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia

Um raro alinhamento de Jupiter, Venus e Mercurio nos sauda no extremo norte da América do Sul, a península La Guajira, na Colômbia


Nosso acampamento na Baía Hondita não poderia ser mais confortável. O Rancho de Chander tem uma infraestrutura simples, mas quase luxuosa para os padrões locais. Enquanto o jantar era preparado conhecemos o simpaticíssimo casal italiano Elisiana e Marcos. Eles chegaram aqui de barco, vindos de Riohacha até Cabo de la Vela de carro e daí seguiram por mar, caminho que chegamos a pensar em fazer. As duas horas de lancha com vento contra foram impiedosas e finalmente eles podiam sentar tranquilos e tomar uma polar para relaxar. Polar, sim! Aqui os produtos venezuelanos são mais baratos e fáceis que os colombianos, assim já vamos entrando no clima.

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia

Com o Marco e a Elisiana no rancho em que dormimos, no norte da península de La Guajira, na Colômbia


O casal que vive em Luxemburgo e trabalha no mercado financeiro aproveitou a oportunidade de viagem para o casamento de um amigo, para conhecer um pouco mais do litoral caribenho da Colômbia. O sangue latino e a alegria contagiante nos fez melhores amigos em poucas horas de conversa. Encontrando nossas afinidades culturais, aproveitamos as férias para lavar a alma das quadradices germânicas ou implicâncias francônicas, dos apaixonados pelo jeitinho latino de ser! Uma lua cheia e muchas polarcitas después, Elisiana e Marcos foram para seu confortável quarto, enquanto eu e o Ro experimentamos os deliciosos e espaçosos chinchorros, nunca dormi tão bem em uma rede na minha vida! Melhor assim, pois a manhã seguinte nos reserva muitas outras aventuras!

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

A Ana ainda dorme no nosso quarto na península de La Guajira, na Colômbia

Colômbia, La Guajira, Baía Hondita, Estrada, off road, Punta Gallinas, Riohacha, Uribia, Wayuus

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Tofino: Surfe, Trilhas e Canoagem!

Canadá, Tofino

Surfista e seu cachorro enfrentam as águas geladas de praia em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Surfista e seu cachorro enfrentam as águas geladas de praia em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


Tofino é a praia mais famosa entre os surfistas na costa oeste canadense. Nos últimos 10 anos a cidade passou de uma pequena vila recém descoberta pelos surfistas mais descolados, para uma surf resort town. Localizada na costa oeste de Vancouver Island, Tofino está praticamente dentro do Pacific Rim National Park, entre a densa floresta úmida e longas praias que enfrentam em média 206 dias de chuva por ano! A água é fria durante o ano todo, entre 8 e 15°C, mas é no inverno que os surfistas têm a maior diversão, quando o litoral enfrenta as tempestades vindas do Pacífico e as ondas fazem a diversão da galera.

As condições climáticas da 'Wet Coast', na British Columbia, no Canadá

As condições climáticas da "Wet Coast", na British Columbia, no Canadá


Entrando no mar gelado vestida como uma ninja, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Entrando no mar gelado vestida como uma ninja, em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


Quando o pessoal não está na água, está na trilha. O Pacific Rim National Park cobre uma longa faixa da costa oeste da ilha dividida em três unidades: a Long Beach Unit entre as cidades de Ucluelet e Tofino, a Broken Group Islands, com mais de 100 ilhas e acessível apenas de barco. A grande estrela é a terceira e última West Coast Trail Unit, com uma rota de 75 quilômetros entre praias, cavernas, florestas, penhascos e cachoeiras.

Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá

Enorme tronco caído de cedro Vermelho faz ponte natural em trilha do Pacific Rim Nat. Park, na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá


Os dias chuvosos não podem frear as explorações, pois molhado é o estado mais natural de toda esta região. Assim sendo pegamos a nossa incansável Fiona e rodamos por todas as praias, da Schooner Cove, com acesso por uma trilha de 1km entre árvores gigantes, passando em alguns dos 16 quilômetros da Long Beach, a preferida dos surfistas, até a Florência Bay.

Pequena baía em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Pequena baía em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


A Chesterman Beach está mais próxima do centro e é um dos melhores lugares para quem quer ficar hospedado pertinho da praia. Embora não sejam dos mais baratos, ali estão vários Resorts e alguns Bed & Breakfasts a poucos metros do mar.

Mar com muitas ondas em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Mar com muitas ondas em Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


As praias de areia amarelada têm como proteção a linda floresta úmida de coníferas, entremeadas por ilhas rochosas e quase sempre cobertas de pilhas de troncos de madeiras trazidos pelo mar. A imagem perfeita de uma praia canadense!

Caminhando na Long Beach, praia na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Caminhando na Long Beach, praia na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


Para escapar do vento que sopra na beira do mar uma opção são as trilhas pela floresta, como a Rainforest Trail. Com um circuito em oito de 2km, a trilha interpretativa percorre a história e conceitos de uma floresta úmida de clima temperado, em uma passarela de madeira entre musgos, cogumelos, cedros vermelhos, sitka spruces e as imensas hemlock´s.

Árvore e outras plantas crescem sobre um enorme tronco caído de um Cedro Vermelho, em mata de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Árvore e outras plantas crescem sobre um enorme tronco caído de um Cedro Vermelho, em mata de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


Cogumelos crescem na floresta úmida na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá

Cogumelos crescem na floresta úmida na região de Tofino, na British Columbia, no Canadá


Além do surf e dos trekkings, outros tours são oferecidos na área para avistamento de baleias, ursos e águias. Um dos mais procurados pelos visitantes é o tour para as Hot Springs, uma hora e meia de barco ao norte de Tofino. Nós preferimos aproveitar o dia nublado e sem chuva para remar e conhecer a região de outra perspectiva: do mar.

Passeio de caiaque nas águas calmas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Passeio de caiaque nas águas calmas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


Nosso guia nos levou por mais de 10km entre ilhas, revoadas de pássaros, leões marinhos e focas, nos apresentando a natureza, a história e a cultura da região do Clayoquot Sound. Embora seja uma baía protegida, o sound está sujeito a grandes correntes e alterações de marés, por isso mesmo tendo experiência com caiaque, vale a pena ter o acompanhamento de um guia.

Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


Mapa mostrando as ilhas, canais e baías de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, onde fizemos nosso passeio de caiaque (na Columbia Britânica.no Canadá)

Mapa mostrando as ilhas, canais e baías de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, onde fizemos nosso passeio de caiaque (na Columbia Britânica.no Canadá)


Andrew foi ótimo, nos passou boas noções da região, desde curiosidades sobre a vida de uma estrela-do-mar, até dicas da floresta de kelps, planta sumbarina que serve de âncora aos remadores, pode ser preparada em conserva e era usada como envase para o óleo de peixe e baleia pelos primeiros habitantes da região.

Kelps, as enormes algas na região de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Kelps, as enormes algas na região de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


O novo povo de Tla-o-qui-aht, “o povo de Clayoqua”, vive nas reservas na Meares Island e na região de Esowista. Detalhe, eles estão ali há quase 5 mil anos! O que na cultura das nações indígenas da costa pacífica não é nada!

Muitas reservas indígenas na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá

Muitas reservas indígenas na região de Tofino, na costa oeste de Vancouver Island, litoral da British Columbia, oeste do Canadá


Delicioso passeio de caiaque nas águas tranquilas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Delicioso passeio de caiaque nas águas tranquilas e geladas de Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


Um dos objetivos do passeio era chegar a uma área dentro da reserva indígena, onde percorremos os 3 km na Big Trees Trail, para conhecer umas das florestas mais antigas da região. Essa ilha foi motivo de uma grande manifestação na década de 80, quando indígenas e ecologistas se uniram para defender as árvores de uma madeireira que tinha adquirido o direito de exploração comercial da área.

Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)

Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)


Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)

Um passeio pela mata de uma ilha próxima à Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, nos leva até árvores centenárias, quase sagradas! (na Columbia Britânica.no Canadá)


Algumas árvores têm mais de 50m de altura e circunferências onde são necessários mais de 5 homens para abraçá-las! A Hanging Garden Tree é a mais antiga delas, com idade estimada de 2000 anos já está quase morrendo, mas já virou o berço para mais de 200 espécies, é a pura árvore da vida! Até hoje o processo judicial ainda não foi fechado, temos que continuar torcendo para que este tesouro verde tenha o seu direito à vida garantido.

Essa árvore, que mais parece um Jardim Botânico, pode ter 2 mil anos de idade! (em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá)

Essa árvore, que mais parece um Jardim Botânico, pode ter 2 mil anos de idade! (em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá)


O caiaque pelo Clayoquot Sound foi o ponto alto da nossa passagem por Tofino, uma experiência bacaníssima entrar em um caiaque usando saias de neoprene para nos proteger da água fria e nos aquecer exercitando os membros superiores para descobrir mais das belezas naturais da região de Tofino e do Pacific Rim National Park. Um jeito maravilhoso de estar mais próximos das maravilhas da mãe natureza.

Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá


Vestida para o passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá

Vestida para o passeio de caiaque em Tofino, na costa oeste da Vancouver Island, na Columbia Britânica.no Canadá



Onde Ficar

Tofino possui uma infinidade de opções, Inns, B&Bs, Hostels, Guesthouses, pequenos e grande Resorts. Como a região passou por um boom turístico, nem no inverno os preços mudam muito. Uma boa opção é o Whalers on the Point Hostel Internacional na ponta do porto, onde nós ficamos. Aquele clima de albergue, galera reunida cozinhando, tocando violão na sala com uma vista linda da baía. Os quartos são ok, os banheiros compartilhados bem limpinhos e a cozinha espaçosa. Eles ainda conseguem uns descontos bacanas para os principais passeios como as hot springs e o caiaque, além de reunir grupos e amigos para quem estiver viajando sozinho.

Vinho e delicioso macarrão preparado pela Ana no hostel de Tofino, em Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Vinho e delicioso macarrão preparado pela Ana no hostel de Tofino, em Vancouver Island, costa oeste do Canadá

Canadá, Tofino, Big Trees Trail, Ilha de Vancouver, Pacific Rim National Park, Vancouver Island

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

São Tomé das Letras

Brasil, Minas Gerais, São Thomé das Letras

Chegando em São Thomé das Letras - MG, As manchas brancas são o efeito das pedreiras

Chegando em São Thomé das Letras - MG, As manchas brancas são o efeito das pedreiras


São Tomé das Letras é uma cidade conhecida pelo seu misticismo. Alternativa acabou se tornando um refúgio famoso para músicos, pintores, hippies, índios xamãs, terapeutas alternativos e malucos de carteirinha. Rodeada por cachoeiras lindíssimas a cidade foi construída sobre um agrupamento de montanhas de formação rochosa diferenciada. A economia da cidade é baseada na extração desta rocha, a famosa pedra São Tomé. Muito usada para calçamento de piscinas, aqui é empregada no calçamento de ruas e construção das casas mais antigas, de pedras empilhadas.

Rua em São Thomé das Letras - MG

Rua em São Thomé das Letras - MG


Uma cidade pequena e pacata do interior de Minas, São Tomé está crescendo desordenadamente para os padrões da região. As pedreiras dominam a economia local e com isso alteraram toda a característica regional. O misticismo, antes uma das grandes atrações turísticas da cidade, já se diluiu meio à população de pedreiros que trabalham nas mineradoras. Algumas casas mais novas ainda fizeram o revestimento externo de pedra, o que ajuda a manter o conjunto arquitetônico da cidade mais harmonioso. Porém no seu entorno novas casas mais simples se empilham, construídas aos pés das principais atrações turísticas da cidade, a Pirâmide e o Cruzeiro, no topo da montanha.

O Cruzeiro de São Thomé - MG

O Cruzeiro de São Thomé - MG


A montanha está completamente exposta, vista de longe quase parece nevada, devido à coloração da rocha. A extração acaba com a mata nativa, deixando-a totalmente esburacada e formando novos montes de dejetos. O pó da pedra possui uma sílica nociva à saúde, o índice de problemas de visão e insuficiência renal aumentaram muito e são tópico de discussão nas reuniões comunitárias do município. Além de todos estes danos, a população local não é prioridade no quadro de funcionários das mineradoras, que buscam a maioria de sua mão de obra nos pequenos municípios vizinhos, para diminuição de custos.

A famosa 'Pirâmide' de São Thomé das Letras - MG

A famosa "Pirâmide" de São Thomé das Letras - MG


A primeira vez que estive em São Tomé, há três anos, todas estas questões já estavam em discussão e já existia um movimento liderado pelo Governo do Estado para que a extração da pedra fosse proibida. Foram feitas avaliações pelo Ibama e entidades competentes e ao que consta a maioria está regularizada. Muito já foi feito pela comunidade para tentar frear, porém o dinheiro sempre fala mais alto. A esperança fica depositada nas novas gerações, que além de não terem interesse algum nesta atividade para seu futuro ganha pão, também devem lutar para preservar o meio-ambiente. Antes que a cidade seja afundada em meio ao pó e às pedras que a batizaram.

Chegando em São Thomé das Letras - MG, As manchas brancas são o efeito das pedreiras

Chegando em São Thomé das Letras - MG, As manchas brancas são o efeito das pedreiras

Brasil, Minas Gerais, São Thomé das Letras,

Veja mais posts sobre

Veja todas as fotos do dia!

Participe da nossa viagem, comente!

Atenção produção!

Brasil, São Paulo, Petar

É tão gostoso quando engatamos algum trabalho, né? Então, comecei a produção dos vídeos e modéstia a parte acho que estão ficando muito bacanas para uma editora amadora como eu! Rsrsrs!

“O primeiro furinho da Fiona” – The Movie
As aventuras do primeiro pneu furado da Fiona, no PETAR, Núcleo Caboclo.

Medindo a pressão do pneu furado da Fiona, no PETAR

Medindo a pressão do pneu furado da Fiona, no PETAR



“Ilha Comprida”
A travessia da Ilha Comprida pelos seus 70km de praia, do Boqueirão Sul ao Boqueirão Norte.

Ana fotogrando a praia da Juréia

Ana fotogrando a praia da Juréia



YOUTUBE – 1000DIAS - www.youtube.com/user/1000diasAmerica

Tenho que tirar o atraso dos filmes do Caribe, mas agora que a produção começou ninguém segura! Se inscrevam no nosso Canal no Youtube, assistam, compartilhem!

Brasil, São Paulo, Petar,

Veja mais posts sobre

Veja todas as fotos do dia!

A nossa viagem fica melhor ainda se você participar. Comente!

Salvem as Redwoods!

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As Redwoods são as árvores mais altas do mundo, podendo atingir mais de 100m de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares! Elas são tão altas que não conseguimos enxergar o topo da árvore! Lá no alto, em sua copa, vivem salamandras e minhocas, arbustos e até outras árvores como a imensa sitka spruce.

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Estas gigantes só podem ser encontradas aqui na costa da Califórnia e são as únicas representantes de uma floresta que um dia cobriu todo o hemisfério norte. Não se sabe ao certo por que deixaram de existir em outros lugares, mas sabe-se que dos mais de 8 mil km2 de florestas de redwoods que existiam na costa oeste, foram desmatadas 95%, restando apenas 473 km2. 77% das redwoods existentes hoje estão protegidas, os outros 23% ainda podem ser derrubadas, pois estão em propriedades privadas ou florestas nacionais.

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Comparadas com as gigantes sequoias, as redwoods são finas e altas. As sequoias ganham em volume, com troncos muito mais grossos, porém as primas do litoral as ultrapassam em altura. Curioso é que olhando de fora as sequoias é que são vermelhas, enquanto as redwoods (literalmente “madeira vermelha”) tem a casca marrom acinzentada. Sua casca chega a 30cm de espessura e é a sua principal protetora, resistente a insetos, fungos e até a incêndios.

O 'pequeno' tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

O "pequeno" tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma 'parente' chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma "parente" chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As redwoods se desenvolvem melhor em vales e planícies úmidas, ao lado de rios ou locais que sofrem inundações, pois além de receber uma grande quantidade de água, elas estão mais protegidas do vento salgado que sopra do Pacífico. Quanto mais elevado ou seco o terreno, menores são as árvores, que então crescem até a média de 60m de altura.

Um magnífico exemplar de Redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Um magnífico exemplar de Redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos



História
Durante a colonização da costa oeste a madeira era matéria prima fundamental para a sobrevivência dos que chegavam. Construção de casas, barcos, aquecimento, preparo de alimentos, enfim, ela era usada para tudo. As Redwoods logo ficaram conhecidas por sua durabilidade e maleabilidade, sem falar na quantidade de madeira que uma única árvore fornecia. Em 1849 o ouro foi descoberto na Califórnia e isso acelerou ainda mais o processo de devastação das florestas de Redwoods, que se tornavam um material ainda mais caro na mão das madeireiras. Em 1853, nove serralherias estavam em funcionamento em Eureka. A fraude na ocupação de terras públicas era comum, passando as áreas para domínio particular sem o conhecimento do estado e desaparecendo com imensas florestas das árvores gigantes.

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


O desaparecimento das redwoods começou a preocupar parte da população e principalmente a comunidade científica da época. As árvores, além da sua beleza natural, eram um dos mais vigorosos links com o passado. Algumas delas chegam a mais de 2.000 anos de idade, tão antigas quanto o Império Romano! Assim, no ano de 1918, surgiu a Save the Redwoods League, uma organização sem fins lucrativos que através de doações e alianças com o estado conseguiu adquirir as terras para protegê-las. A maioria dos bosques de redwoods adquiridos está na costa norte da Califórnia, foram mais de 100 mil acres comprados entre 1920 e 1960, hoje transformados nos Parques Estaduais Jedediah Smith, Del Norte Coast, Prairie Creek e Humboldt Redwoods State Park.

Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


A área é uma imensa colcha de retalhos de áreas preservadas entre parques estaduais e nacionais, formando o Redwoods National and State Parks. Os heróis da Liga Salvem as Redwoods continuam seus trabalhos até hoje e administram as áreas em conjunto com o parque nacional.

Roteiro


Rota Redwoods

Vindos do Oregon, foi pelo Jedediah Smith State Park que começamos a nossa visita. Uma estradinha de terra com pouco menos de 20 km cruza o parque entre as árvores gigantes, que guardam silenciosas o tempo e as histórias que presenciaram por mais de um milênio.

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Na primeira noite na região dormimos em Crescent City, uma cidade com várias opções de acomodações, Inns, B&Bs e os mais insossos, mas práticos, motéis americanos. Foi em um desses que dormimos depois de assistir à emocionante apuração dos votos da eleição americana na CNN. Dá-lhe Obama!

Litoral em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Litoral em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


No dia seguinte rumamos ao sul passando pelo Del Norte Coast Redwoods State Park e fizemos algumas trilhas no Prairie Creeke no Humboldt Redwoods State Park, onde encontramos os maiores e mais antigos exemplares das árvores. O Lady Bird Johnson Grove possui uma das trilhas mais populares da região, quase toda plana, de fácil acesso e belíssima! Este bosque foi nomeado em homenagem à primeira dama americana que lutou por causas ambientais.

Caminhada no parque das árvores gigantes, o Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhada no parque das árvores gigantes, o Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Aproveitando ainda a última hora de luz, fizemos um detour para um mirante na Patrick J. Murphy Memorial Drive. O mirante está exatamente acima da foz do rio Klamath, onde está a Klamath Beach e uma bela vista do Pacífico!

Fim de tarde numa linda praia no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Fim de tarde numa linda praia no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


O sol dourava o mar no fim de tarde enquanto nossos olhos ávidos tentavam encontrar as baleias cinzentas. As Baleias Cinzentas migram por mais de 16 mil km ido e vindo entre o México e o Alasca, passando pela costa da Califórnia. A melhor época para encontrá-las por aqui é entre os meses de Dezembro e Janeiro e depois entre Março e Abril.

Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Finalmente chegamos a Arcata, cidade alternativa de democratas felizes pela eleição do Obama. A praça central lembra as cidades de colonização espanhola, diferente da maioria das cidades americanas. Jantamos no japonês da praça e ainda tomamos a Guinnes mais baratas da viagem, no bar e pizzaria perto do nosso motel, 2 dólares por pint!

Elks machos treinam suas habilidades de luta no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Elks machos treinam suas habilidades de luta no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


No dia seguinte, ainda antes de seguirmos viagem, conseguimos encontrar o casal da Lost World Expedition, Luis e Lacey, americanos que estão rodando as Américas morando na sua Toyota Landcruiser 1987. Hoje o carro está no Chile, enquanto o casal aproveitou a viagem de visita à família, para dar uma trabalhadinha antes de continuar a viagem.

Encontro com o casal da expedição Lost World, em Arcata, na Califórnia, nos Estados Unidos

Encontro com o casal da expedição Lost World, em Arcata, na Califórnia, nos Estados Unidos


Nos encontramos no café mais gostoso da cidade e obviamente o papo se estendeu, com muitas histórias para contar, truques e perrengues para compartilhar. Eles retornam para o Chile no começo de Dezembro e logo logo estarão chegando ao Brasil! Como eles estão com menos pressa, espero ainda encontrá-los aí pela América do Sul. Boa viagem amigos!

Fim de tarde em mirante para ver baleias cinzentas no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Fim de tarde em mirante para ver baleias cinzentas no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City, Arcata, Jedediah Smith State Park, Redwoods, Redwoods National Park

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

AMO BOTO!

Brasil, Amazonas, Manaus, Novo Airão

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Novo Airão é a porta de entrada para a Estação Ecológica de Anavilhanas, maior arquipélago fluvial do mundo e para o Parque Nacional do Jaú, uma das maiores áreas preservadas dentro da Floresta Amazônica. Porém o que nos atraiu primeiramente a esta cidade foi outro motivo chamado AMA BOTO. A Associação das Meninas Amigas do Boto foi uma iniciativa local de algumas meninas que desenvolveram uma relação especial com estes animais.

Observando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Observando o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Eu já havia visto uma reportagem na televisão sobre a “encantadora de botos”, mas não lembrava onde ficava esta associação. Foi no encontro com o pessoal da Expedição Bordas do Brasil que a Cynthia e o Eduardo nos deram a dica e nós incluímos no roteiro sem titubear! Sempre quisemos conhecer estes lindos animais de perto e aqui além de alimentá-los antigamente podíamos nadar com eles. Recentemente foi proibido pelo Ibama, infelizmente com toda a razão, pois não sabemos quais são os tipos de bactérias e doenças que podemos transmitir a eles e a atividade estava começando a alterar o comportamento dos bichinhos, deixando-os mais agitados do que o normal. Já a prática de alimentação dos botos não é um problema, pois é feita de forma controlada, cada boto deve comer em torno de 5kg de peixe por dia e ali na AMA ele não recebe mais de 1kg por dia.

Botos esperam sua 'recompensa', em Novo Airão - AM

Botos esperam sua "recompensa", em Novo Airão - AM


O maior benefício desta atividade, muitas vezes mal vistas pelos ambientalistas e biólogos, foi a mudança cultural que ocorreu na comunidade. Os botos eram caçados e mortos pelo simples fato de atrapalharem a atividade dos pescadores, rasgando suas redes e malhas de pesca. Através da AMA Boto a relação da comunidade com os botos hoje é outra, e esta simples atividade está salvando a vida de muitos animais. Hoje são em torno de 16 botos que participam do projeto, todos conhecidos pelo nome, e impressionantemente eles sabem diferenciar suas amigas dos visitantes comuns. Dava para ver no jeito deles olharem e se mexerem. Eles ficam muito mais felizes e à vontade com uma das meninas da associação, com quem tem contato quase diário.

Boto Cor de Rosa espera por um pedaço de peixe, em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa espera por um pedaço de peixe, em Novo Airão - AM


Chegamos à AMA, recebemos as informações e fomos direto à plataforma para ver se os botos estavam por lá. Chacoalhamos a água e em alguns minutos eles apareceram. O sustento da associação vem da venda do peixe para a alimentação, um prato com 2 peixes cortados em algumas fatias custa 20 reais. Compramos um prato e lá fomos nós.

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM

Interagindo com o Boto Cor de Rosa, em Novo Airão - AM


Sentei na plataforma, dentro da água. Eles sabem que vão ganhar um lanchinho, então chegam de todos os lados, cutucando a perna e até meu bumbum para pedir o peixe. Aos poucos vamos pegando o jeito para fazê-lo sair da água. Sua pele é macia e eles são muito habilidosos, se posicionando, retorcendo, nadando de costas, frente e ré para encontrar a melhor posição.

Boto Cor de Rosa submerso nas águas escuras do Rio Negro, em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa submerso nas águas escuras do Rio Negro, em Novo Airão - AM


O Rio Negro possui dois tipos de boto, o boto cinza e o boto cor-de-rosa. O cinza é mais arredio e além da diferença na sua coloração ele também possui uma espinha dorsal diferenciada, não conseguindo girar o pescoço e o corpo como o rosa. Estes, só avistamos ao longe ou em passeios de barco. Os botos cor-de-rosa já são mais dóceis e possuem este movimento do corpo, conseguindo virar a cabeça e dobrar toda a espinha dorsal, inclusive lateralmente, em seus saltos. Ambos convivem nas águas do Rio Negro e do Rio Amazonas, porém são territorialistas e não é difícil vê-los em rápidos arranca-rabos quando se encontram no rio. Dizem que nas águas do Amazonas os botos são ainda maiores e mais numerosos, mas o que já pudemos perceber aqui é que boto realmente não falta.

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa, no Rio Negro em Novo Airão - AM


Todos já ouviram falar da Lenda do Botos Cor-de-rosa são os famosos encantadores ou sedutores de moças, culpados pela gravidez de muitas meninas-moças ribeirinhas.

"De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios nas noites de festa junina. Com um poder especial, consegue se transformar num lindo jovem vestido com roupa social branca. Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproxima-se das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto." (Fonte: suapesquisa.com)

Boto Cor de Rosa espera por um pedaço de peixe, em Novo Airão - AM

Boto Cor de Rosa espera por um pedaço de peixe, em Novo Airão - AM


Esta lenda surgiu, pois as moças eram proibidas pelos pais de namorar. É claro que elas namoravam escondidas, porém se o pai descobrisse matava o moço enrabichado com sua filha. Quando elas apareciam grávidas, sem mais ter como esconder, acabavam botando a culpa no boto, o sedutor das águas. Ainda hoje aqui na região amazônica costuma-se dizer que a criança é “filha do boto”, quando não se sabe quem é o pai.

Rio Negro, em Novo Airão - AM

Rio Negro, em Novo Airão - AM


Após a sessão “botos”, ficamos batendo papo com alguns guias locais que nos contaram muitas histórias sobre a vida aqui na Amazônia. Alguns vindos de comunidades dentro do PN do Jaú e que já tiveram contato com grandes cobras, jacarés e até onças. Delícia de tarde, aprendendo e conhecendo mais da vida e história com o povo daqui.

Uma das fundadoras da AMA-Botos, em Novo Airão - AM

Uma das fundadoras da AMA-Botos, em Novo Airão - AM


Novo Airão é uma cidade promissora turisticamente, tem um grande potencial para se tornar um destino mais “inn” dentro da Amazônia, com boas pousadas, bons restaurantes e bistrôs. É o que os empresários que aqui estão esperam e estão trabalhando para. A distância de Manaus, segundo eles, pode ser uma das principais vantagens, pois não é atraente para aqueles chegados em uma farofa de bate e volta. Estes acabam indo para lugares mais próximos, como Presidente Figueiredo e praias de Manaus.

Nova sede da AMA-Botos, em Novo Airão - AM

Nova sede da AMA-Botos, em Novo Airão - AM


Para chegar lá você pode pegar um barco de Manaus, existem algumas opções, inclusive uma embarcação expressa que faz o trajeto em menos de 3 horas. Como nós estamos de carro, atravessamos o Rio Negro de balsa e seguimos 180km por uma estrada até chegar à cidade. Independente de qual será a forma de acesso, barco, carro, ônibus ou táxi, Novo Airão sem dúvida é uma parada obrigatória para explorar as belezas amazônicas.

Fim de tarde no Rio Negro, em Novo Airão - AM

Fim de tarde no Rio Negro, em Novo Airão - AM

Brasil, Amazonas, Manaus, Novo Airão, Boto Cor de Rosa, Rio Negro

Veja todas as fotos do dia!

Diz aí se você gostou, diz!

Página 532 de 113
Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet