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Se divertindo com as conchas na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP
Um dia de sol e céu azul, perfeito para explorar novas praias do litoral norte de Ubatuba! Saímos logo cedo com o plano de passar por pelo menos 5 praias, Itamambuca, Prumirim, Puruba, Almada e a Brava da Almada. Praias muito bem indicadas pelo 4 Rodas e que o Ro, em anos de veraneio por aqui, ainda não conhecia.
Dia ensolarado na Praia da Almada em Ubatuba - SP
Fomos logo para a praia mais distante, Almada, uma praia de águas tranqüilas e com uma infra-estrutura completa para receber milhares de turistas na temporada e feriados. Barzinhos especializados em caipirinhas e restaurantes oferecem petiscos e peixe na telha ali, na beira da praia. A apenas meia hora de caminhada fica a sua irmã mais selvagem, a Brava da Almada. Praia de surfistas tem uma bela vista para a Ilha dos Porcos. Eu estava meio com preguiça de ficar rodando de praia em praia, parar em um lugar as vezes também é bom, né? Então o Ro se rendeu e preferiu ficar ali, na Almada mesmo durante quase todo o dia.
Feliz da vida na Praia Brava da Almada em Ubatuba - SP
De lá fizemos um lanchinho rápido em um bar com uma vista fenomenal para a praia do Estaleiro e fomos em direção ao sul bisbilhotando as outras praias que deixamos de aproveitar.
Final de tarde visto sob a lente do óculos na estrada da Almada em Ubatuba - SP
Vou dizer que é quase uma tortura... uma praia mais linda que a outra! A praia do Puruba fica logo após o encontro de dois rios, que você pode atravessar com um canoeiro pago ou de graça pelo serviço de barco da prefeitura. Lembrou um pouco a praia da Guarda do Embaú e a música “Lugar melhor pra um vagabuuundo, que um rio à beira mar! Odoiá odofiaba, salve minha mãe Iemanjá!” rsrs.
Praia de Puruba em Ubatuba - SP. Para se chegar ao mar é preciso atravessar um rio
Mais adiante entramos no condomínio que guarda a Praia do Prumirim. Praia de tombo com uma lagoa linda e um barzinho em cima das pedras, pena que já estava fechado.
Bar sobre uma rocha, entre o rio e o mar na Praia de Prumirim em Ubatuba - SP
A praia é muito bem conservada, o condomínio preservou os 100m de mata à beira da praia, então caminhamos 2 minutos por uma trilha que lembra a Ilha do Mel, no fim fica uma mistura de Atami (pelo condomínio) com Ilha do Mel, pela trilhazinha. Outra praia que teremos que voltar após os 1000dias. Já estou vendo tudo! Serão mais 1000dias depois destes 1000!
Sentindo o sol no Bar da Dona Xica na estrada da Almada em Ubatuba - SP
Treze Tilias, um pedacinho do Tirol austríaco em Santa Catarina
Já conhecemos cidades redutos de imigrantes italianos, alemães e até japoneses aqui no sul, mas vocês já imaginaram visitar uma cidade austríaca no Brasil?!
A prefeitura de Treze Tilias, em Santa Catarina
Treze Tílias está localizada no oeste de Santa Catarina, possui em torno de 7 mil habitantes e praticamente 10% deles hoje vive na Áustria. A cidade possui até um Consulado da Áustria para lidar com tantos assuntos comuns entre o país e a pequena cidade. Mas como esses austríacos vieram parar aqui?!
A igreja matriz de Treze Tilias, em Santa Catarina
O então Ministro da Agricultura austríaco Andres Thaler preocupado com a situação precária das famílias tirolesas, causada pela crise econômica que antecedeu a 2ª Guerra Mundial, resolveu fazer uma migração organizada para terras brasileiras. A região foi escolhida por sua similaridade geográfica com os Alpes austríacos do Tirol.
Homenagem ao ministro austríaco da agricultura que, no início da década de 30, organizou a imigração de seus conterrâneos para Treze Tilias, em Santa Catarina
O primeiro grupo chegou em 1933, porém algumas famílias mais abastadas decidiram retornar, pois não encontraram o que esperavam nesta “terra de oportunidades”. Já os que ficaram trabalharam duro e se aventuraram a construir uma terra próspera, pois não havia nenhuma infraestrutura na região. Corajosos não apenas fundaram uma cidade, como trouxeram um pedacinho da Áustria para o Brasil. Mal sabiam eles que escapavam de um dos episódios mais terríveis e sangrentos da história mundial!
Maquete da cidade de Treze Tilias, no parque Lindendorf, em Santa Catarina
O alemão ainda é falado pela maioria dos habitantes, nas casas com seus familiares e é ensinado na escola como segunda língua, ao invés do inglês, até o quinto ano. A principal praça da cidade é um charme, com seu jardim florido e bem cultivado, em frente à Igreja, Prefeitura e um dos hotéis mais tradicionais de Treze Tílias, o Hotel Tirol. Uma curiosidade: o nome da cidade vem de uma árvore muito conhecida na Europa e rara aqui no Brasil, a tília, que empresta seu sabor para um chá muito apreciado pelos austríacos, o chá de tília ou dreizehnlinden.
Uma Tilia, árvore comum na Áustria e, agora, em Treze Tilias, em Santa Catarina
O Parque Lindendorf é uma das principais atrações da cidade e conta um pouco da história dos imigrantes austríacos. Além de uma réplica da cidade de Treze Tílias, o parque tem em exposição animais como avestruzes, capivaras, coelhos e belas carpas alaranjadas no seu grande lago artificial. O restaurante sobre o lago tem um cardápio de comidas típicas da cozinha austríaca e apresentações de danças tradicionais no melhor estilo tirolês, ioroleeee-í-ííí!!!
Roupas típicas austríacas vendidas em Treze Tilias, em Santa Catarina
Um sempre curioso avestruz, no parque Lindendorf, em Treze Tilias, em Santa Catarina
Pratos como knödel, uma almôndega de pão, queijo e linguiça picante, o spätzle, massa alemã com molho de queijo e o goulash, uma suculenta sopa de carne, são facilmente encontrados nos cardápios da cidade e ficam ainda mais gostosos se acompanhados do Chopp Artesanal Bierbaum, produzido pela Cervejaria Edelweiss. Para sobremesa, o apfelstrudel ou strudel de maçã é uma especialidade em todas as confeitarias e restaurantes da cidade.
Uma deliciosa cerveja Bock, feita em Treze Tilias. Perfeito para o clima frio da cidade, em Santa Catarina
Goulash e Spatzle, deliciosos pratos típicos servidos em Treze Tilias, em Santa Catarina
Apfelstrudel, ou torta de maçã, a sobremesa típica e deliciosa servida em Treze Tilias, em Santa Catarina
As montanhas de clima ameno guardam em suas profundezas fontes de águas termais. Elas são bombeadas em uma temperatura agradável mas não suficiente para o inverno, abrindo na temporada entre outubro a março, todos os anos. Nos conta a proprietária do nosso hotel que em invernos mais rígidos era comum nevar. Quando criança ela ia para a escola com tudo branquinho, neve acumulada para montar até um boneco de neve. Hoje com as mudanças climáticas há tempos não neva na cidade, nem nesta última grande frente polar que congelou boa parte do sul do Brasil.
Prédios típicos em Treze Tilias, em Santa Catarina
Eu me senti super em casa lá, com tantos loiros andando pelas ruas e trabalhando em todos os estabelecimentos. Já depois que havíamos saído da cidade encontramos um bilhete caído dentro da Fiona, uma leitora do nosso blog havia reconhecido o carro e nos convidou para almoçar, que emoção! Até em Treze Tílias estão nos acompanhando! Pena que quando vimos já estávamos longe demais... ficamos devendo um almoço!
Visitando a praça central de Treze Tilias, em Santa Catarina
Num país tão rico e diverso, faltava mesmo conhecermos um pouco da cultura, culinária e das tradições que fazem de Treze Tílias um pedacinho da Áustria no Brasil.
Prédios típicos em Treze Tilias, em Santa Catarina
Grande galeria na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Vocês sabiam que cada milímetro de estalactite demora mais de 10 anos para se formar? Uma caverna é a história viva! História que cada estalactite nos conta sobre a geologia e a formação do planeta onde vivemos.
Galeria na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
A Caverna São Mateus no Parque Estadual da Terra Ronca é um destes lugares. Uma caverna de 21 km de extensão, com dezenas de salões adornados, com milhares de estalactites, estalagmites, electites, flores de calcita e todos os espeleotemas que se podem imaginar!!!
Rio e espeleotemas na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Sem palavras, eu, Rodrigo e Flávia éramos levados por Ramiro por todos os cantos da caverna e cada vez que iluminávamos uma parede, um teto, uma coluna ou um salão só conseguíamos falar coisas como: MEU DEUS, CARACA, SENSACIONAL!!!
Com o Ramiro, nosso guia na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
É desconcertante entramos em um lugar como este e sabermos que aquele museu a “céu fechado” está ali todos os dias das nossas vidas! E não apenas da nossa, de toda a história da humanidade!!! Calculando bem, aquela caverna começou a se formar lá pelos tempos dos dinossauros! São mais de 100 milhões de anos que marcam o início de um trabalho paciente de construção deste templo natural. O gotejamento lento da água por minúsculas fissuras do calcário, que transportam em cada gota de água um grão do que um dia será uma escultura natural.
Incríveis formações na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Ramiro não se cansa disso. Desde os 7 anos de idade vive enfurnado nestas cavernas. Sua lógica é diferente da nossa, ele possui uma relação diferente do tempo, da vida, do claro e do escuro. Sabe apreciar cada ponto de vista, cada facho de luz. Aprendeu na prática e também com os especialistas que o acompanharam durante todos estes anos. Espeleólogos e fotógrafos franceses, paulistas, cariocas, brasilienses, amantes de cavernas de todos os cantos do mundo já vieram desvendar os mistérios e belezas deste lugar. Ramiro estava sempre lá, atento, aprendendo cada detalhe.
O Ramiro na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Acendia a sua luz dicróica, falava, olhem ali e no próximo segundo nos dizia, “vâmo andá?” Tortura? SIM, para nós era uma tortura, mas em uma caverna de 21km, cada minuto é sagrado. Andamos 8 horas dentro da São Mateus, tempo suficiente para nos perdermos no tempo e na escuridão. Tempo suficiente para explorar parcamente os seus primeiros 2km! É desesperador, só no primeiro quilômetro poderíamos ficar uns 3 dias, dormindo dentro da caverna, para ver cada uma das suas obras de arte.
Perfeita flôr de calcita na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Nunca na história deste país havíamos visto tantas electites e flores de calcitas, formações raras e de extrema fragilidade, em apenas um lugar! Cada um dos salões possuía milhares de estalactites, cada uma delas com centenas de electites, estes tubos calcários laterais que se formam pelo entupimento do vaso principal da estalactite.
Delicadas formações de calcita na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Ainda mais difícil é explicar a freqüente incidência das formações de flores de calcita, ainda mais para nós, meros espeleo-amantes amadores. Quem disse que rochas não tem vida? Aqui é impossível se manter firme nesta afirmação. Cada pedra possui uma forma, uma textura, flores, fungos, colunas, castelos, discos, marshmallows, imagens, São Franciscos de Assis, catedrais... Enfim o que a sua imaginação quiser. Ali descobrimos onde Bonanno Pisani e Gaudi tiveram inspiração para a Torre de Pisa e a Catedral da Sagrada Família. Ali somos testemunhas oculares da genialidade sutil e calada da mãe natureza.
"1000 dias" na caverna de São Mateus, no P. E. de Terra Ronca, região de São Domingos - GO
Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
O Blue Hole está localizado no Lighthouse Reef, um arrecife de corais dentro da área protegida pela Grande Barreira de Corais de Belize, a segunda maior do mundo, apenas atrás da Austrália. Ainda que vizinho, o Blue Hole não pertence à grande barreira de corais e está localizado a 70km da costa belizenha.
Navegando sobre o Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
A viagem de barco dura duas horas, acompanhada de um bonine para não enjoar, foi super tranquila. Tínhamos um grupo bem mesclado de italianos, israelenses, lituanos, alemães, canadenses e americanos, além dos dois brazucas aqui.
A caminho do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
O mergulho no Blue Hole foi lindíssimo, o que impressiona lá é a sua geografia, é imaginar que este gigante já esteve mais de 50m sobre o nível do mar e formou todas aquelas estalactites gigantescas! Não foi à toa que Jacques Cousteau o declarou um dos 10 melhores lugares para mergulhar no mundo!
Muitos mergulhadores no Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
Mesmo com uma visibilidade baixa, em torno de 5m, conseguimos ter uma ideia da grandiosidade do buraco, que possui 300m de diâmetro e 124m de profundidade. Mergulhamos apenas em um pequeno trecho da parede leste onde estão as grandiosas estalactites.
Mergulhando nos estalactites do Blue Hole, a 40 metros de profundidade. na grande barreira de corais de Belize
Alguns sortudos conseguiram ver alguns tubarões que estavam nadando ao nosso lado, enquanto nós seguíamos impressionados entre as imensas formações a mais de 40 m de profundidade! Pela falta de luz lá dentro do Blue Hole não existe muita vida, o que impressiona é mesmo o cenário e a história geológica do lugar.
Mergulhando nos estalactites do Blue Hole, a 40 metros de profundidade. na grande barreira de corais de Belize
Já adianto que quem não é mergulhador pode ficar decepcionado, já que lá, sobre o Blue Hole, não é possível ver nada. Aquela imagem linda que todos conhecemos é só sobrevoando mesmo.
Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Nossa próxima parada foi Half Moon Wall, um dos mergulhos mais impressionantes que já fizemos! A parede é maravilhosa, coberta de corais coloridos, muitos peixinhos, cavernas e pequenos cânions para explorar, mas ainda assim não olhamos nada disso.
Caribbean Gray Reef Sharks nadam ao nosso lado durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
Por quê? Não conseguíamos tirar os olhos dos lindos tubarões que estavam nos acompanhando no mergulho! Isso mesmo, geralmente tubarões vêm, nos olham de canto e continuam sua rota, mas estes eram diferentes. Os Gray Caribbean Reef Sharks tinham em torno de 2m de comprimento, vivem aqui e estavam curiosos com estes visitantes mergulhando em sua parede de corais.
Encontro com tubarões em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
Eles iam e vinham, passando a poucos metros de nós, muito curiosos! Difícil saber se quem estava sendo assistido ali, minha opinião? Eles estavam mergulhando para nos assistir, somos um bicho bem curioso mesmo embaixo d´água, não?
Início de mergulho no Blue Hole na grande barreira de corais de Belize
No final do mergulho ainda vimos uma tartaruga e uma raia, lindas! Um dos melhores mergulhos da viagem!
Nadando lado à lado com os belíssimos Caribbean Gray Reef Sharks, durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
Mergulhando nas paredes de corais de Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
De volta ao barco o almoço foi servido, frango ao curry, salada e arroz bem gostosos e logo tivemos um tempo livre para passear pela ilha e visitar a colônia de pássaros que vive na reserva.
Nosso almoço em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Caminhando nas praias de Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
O Half Moon Natural Monument é casa para mais de 4 mil Red-Footed Boobies, que vem para ilha se reproduzir e outra centena de Fragatas com seus papos vermelhos inflados, dando um show de cores e vida! Maravilhoso!
Pássaro infla seu papo vermelho em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Colônia de pássaros em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Colônia de pássaros em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Iguana em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Logo foi a vez do nosso terceiro e último mergulho, no Long Caye Aquarium, outra parede de corais maravilhosa, com mais de 30m de visibilidade e 50 de profundidade. Como era nosso terceiro mergulho ficamos nos 20m e agora sem os tubarões para nos distrair pudemos nos divertir explorando cada caverninha coral e ainda tivemos um encontro lindo com duas arraias xitas (spotted eagle rays). Sensacional!
Barracuda curiosa se aproxima de nós durante mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
No final do mergulho em Half Moon Wall, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize, ainda encontramos essa tartaruga acompanhada de dois peixes pegando carona em seu casco
Uma bela arraia chita durante mergulho em Long Caye Aquarium, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais de Belize
Confesso a vocês que se nós tivéssemos pagado o valor acima citado apenas para o Blue Hole eu teria ficado um pouco decepcionada, mas a combinação dos três mergulhos, a visita à colônia de pássaros e o serviço da tripulação foram excepcionais e fizeram o preço super justo!
Momento de descanso em Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
Dicas Práticas
Tubarão devora mergulhador na decoração de restaurante em San Pedro, na grande barreira de corais, em Belize
Uma das nossas únicas preocupações durante os 3 dias que ficamos em Caye Caulker era rodar todas as operadoras de mergulho para garantir que esta teria o grupo com no mínimo 8 pessoas para poder sair. Foram 2 dias até que eles conseguissem reunir o grupo. A operadora que nos garantiu a viagem foi a Frenchie´s, uma das maiores operações da ilha, muito sérios e organizados e por isso também um pouco mais caros. Este passeio não é barato, são 450 dólares belizenhos (US$ 225,00), incluindo tudo. O mesmo tour saindo de San Pedro custaria mais de B$ 700,00 além de mais tempo de navegação. A viagem em uma lancha rápida é de 2 horas de ida e mais 2 horas de volta, inclui almoço e 3 mergulhos com uma parada rápida na Área de Preservação em Half Moon Caye (taxa de entrada na área é cobrada à parte.)
Half Moon Caye, perto do Blue Hole, na grande barreira de corais, em Belize
O maravilhoso mar de Bermuda, na costa sul da ilha
Um paraíso de clubes de golfe e hotéis 5 estrelas no meio do Atlântico não parece uma boa opção aos mais aventureiros, mas uma coisa aprendemos nessa viagem, não interessa aonde você esteja sempre irá encontrar algum canto para ser explorado, algo fora do comum para ser descoberto.
O maravilhoso mar de Bermuda, na costa sul da ilha
Um dia ensolarado nos chamou para o mais óbvio dos lugares em uma ilha, praia! O nosso dia começou pela mais famosa de todas as praias das Bermudas, Horseshoe Bay. O nome já dá a pista, a praia em forma de ferradura, águas azuis ciano e areias rosadas é a preferida dos cruzeiristas que chegam à ilha. Tem até uma estruturazinha de lanchonete, vestiários, aluguel de cadeiras e guarda-sol.
Em dia de cruzeiros na ilha, a praia de Horseshoe Bay fica lotada, na costa sul de Bermuda
Horseshoe Bay é considerada a praia mais bonita da ilha, localizada na Southampton Parish, está a meio caminho entre Hamilton e o Westend Dockyard que recebe mais de 80 cruzeiros por ano! Apenas neste momento a ilha está recebendo 3 grandes navios que geralmente ficam atracados por pelo menos 3 dias, diferente dos cruzeiros caribenhos que saltam de ilha em ilha com desembarques de apenas 12 horas. Enfim não tivemos como escapar da muvuca dos cruzeiros.
Em dia de cruzeiros na ilha, a praia de Horseshoe Bay fica lotada, na costa sul de Bermuda
No canto direito da praia subimos em alguns rochedos para termos uma melhor vista da ferradura e logo encontramos locais e alguns turistas animados saltando uns 10 metros de altura direto para o mar. É claro que o Rodrigo não poderia deixar de saltar!
Saltando no incrível mar de Horseshoe Bay, em Bermuda
Caminhamos para o outro lado da praia, tentando fugir da multidão e logo descobrimos uma trilha costeira que nos transportaria de paraíso em paraíso, fugindo do agito e encontrando recantos alternativos apenas descobertos pelos menos preguiçosos.
Pequena praia no litoral sul de Bermuda
A caminhada é tranquila, sobe e desce pedras e caminhos gramados com vistas lindas para as praias de Chaplin Bay, Stonehole Bay, Jobson´s Bay, chegando à Warwick Long Bay, com 800m de extensão. A Jobson´s Cove é a menor e mais charmosa delas, protegida por pedras íngremes super altas e águas límpidas, parece um ótimo lugar para um snorkel nos dias de mar tranquilo.
O maravilhoso mar de Bermuda, na costa sul da ilha
Foram pouco mais de 2 km caminhando com belas vistas, por pequenas praias isoladas, perfeitas para banhos de sol e mar deliciosos e o principal, longe daquela galera.
Trilha de 2 km pela praia entre Horseshoe Bay e Warwick Long Bay, na costa sul de Bermuda
Dia de muito sol e caminhada pelo litoral sul de Bermuda
Lá de Warwick Long Bay é fácil voltar à estrada e pegar o mesmo ônibus de volta à Hamilton. Escapada perfeita para quem gosta de fugir do comum mesmo aonde isso pode parecer impossível!
Admirando praia no litoral sul de Bermuda
Linha de ônibus entre Hamilton e Horseshoe Bat, em Bermuda
A melhor forma de se locomover em Bermudas é de ônibus. O ônibus que vai pela South Road pela costa sul e passa pela Horseshoe Bay é a linha 7. O terminal de Hamilton tem linhas que servem praticamente toda a ilha, só lembre de comprar os seus tokens de ida e volta na estação, pois os cobradores só aceitam tokens ou moedas no troco exato, nem tente pagar com notas! Acredite, nós tentamos... Táxis são caros e não existem carros para aluguel, mas se quiser mais liberdade, alugar uma scooter também é uma opção.
Pegando o ônibus em Hamilton, para ir à praia de Horseshoe Bay, em Bermuda
Um preguiçoso leão-marinho nos dá as boas vindas à Galápagos, na Ilha de San Cristóbal
Hoje voamos de Quito para San Cristóbal com uma parada em Guayaquil. No aeroporto já tínhamos um receptivo com o check in pronto, apenas pagamos a taxa de 10 dólares para entrada em Galápagos, embarcamos os 35kg de bagagem de cada um e pronto, em pouco mais de 3 horas estávamos no Aeroporto de San Cristóbal.
Sobrevoando Galápagos na chegada à ilha de San Cristóbal
Chegamos a Galápagos e já sentimos aquele clima de paraíso. Como todo paraíso não é de graça, pagamos a taxa de 50 dólares por pessoa (valor para sul-americanos) e logo poderíamos esquecer de carteiras e dinheiros pela próxima semana!
Ainda no aviãos, passaportes e formulários prontos para entrar em Galápagos, na ilha de San Cristóbal
A recepção da equipe do Galápagos Sky, Glenda e Edwin foi ótima, cuidaram as bagagens e reuniram o nosso grupo para o transfer ao porto. O grupo com quem passamos os próximos dias é composto por 9 russos, 1 alemão, 1 sueca, 1 brasileiro/holandês e nós 4 brasileiros.
Apresentação da tripulação e passageiros no barco em Galápagos (foto de Maria Edwards)
A tripulação do Galápagos Sky tem 11 pessoas: el Capitán Victor, Chef e assistente, 02 panga riders, eletricista, maquinista, assistente do capitán, 02 dive masters e o mais importante homem à bordo, Jairo, o bartender! Aos poucos vamos decorar o nome de todo mundo.
O Jairo, o barman do nosso barco, na Isla Isabel, em Galápagos
O dia da chegada é sempre super animado. Tudo novo, um barco inteiro a explorar, novos amigos e muita ansiedade pelos mergulhos que estão por vir. Depois do almoço fizemos o check in nas cabines e aqui um detalhe engraçado. Como nós conseguimos nos “encaixar” neste live aboard na última hora, conseguimos apenas um quarto de casal e duas vagas de solteiro. Assim sendo decidimos dividir entre Rafa e Laura, eu e Rodrigo. As quatro primeiras noites eles dormirão no quarto de casal, enquanto Rodrigo irá para a cabine com Kostia, o instrutor de mergulho do grupo russo, e eu dividirei a cabine com Maria, viajante sueca que está dando uma volta ao mundo em 5 meses. Nos 3 últimos dias trocamos de cabines. Justo para todos e depois de 500 dias, será bom para ver se o Rodrigo vai sentir um pouco a minha falta... rsrs!
Prontos para o primeiro mergulho em Galápagos, perto do porto em San Cristóbal
Depois de todos devidamente instalados, fomos ao mergulho de check out! Um mergulho de 15 minutos apenas para checar os equipamentos, acertar os cintos de lastros, ver se falta alguma coisa, como a bateria do nosso computador que havia acabado! Sorte que vimos e deu tempo de pedirmos para comprar. As equipes de mergulhos foram divididas, os russos para um lado (equipe cinza) e “os outros” para outro (equipe amarela). Primeiro dia saímos com Glenda, dive master nascida em Galápagos super querida.
Maria, Laura e Glenda no barco que nos levava à Santa Cruz, em Galápagos (foto de Maria Edwards)
O ponto de mergulho era ali mesmo, no porto de San Cristóbal. O mar estava batido, água fria, cerca de 20°C e a visibilidade péssima! Aquele mergulho assim, para cumprirmos tabela. Ainda assim Glenda resolveu nos levar até uns corais, que mal podíamos enxergar, estava pior que os piores dias em Bombinhas...
Puerto Baquerizo Moreno, na Ilha de San Cristóbal, em Galápagos
Eis que vários leões marinhos surgiram, 4 ou 5 deles nadando a nossa volta, super curiosos! Ficaram brincando com os mergulhadores, com bolhas e olhando o seu reflexo nas máscaras e câmeras. Lindoooos! Foi a primeira vez que mergulhei com um leão marinho, não imaginava quão rápidos eles poderiam ser! É, não restaram dúvidas, chegamos à Galápagos!
Um preguiçoso leão-marinho nos dá as boas vindas à Galápagos, na Ilha de San Cristóbal
Fort George, no alto de uma colina em St. George's, capital de Granada
Granada, the spice island, mostra seus sabores não apenas nos temperos e condimentos que exporta para todo o mundo ou na sua culinária. O seu povo alegre, divertido, curioso e muito receptivo é um dos principais encantos dessa ilha ao sul do Caribe.
A bela praia de Grande Anse, em Granada
Mesmo com toda a sua vontade de colocar o pé na areia e relaxar nos paraísos de águas azuis, um passeio pelo mercado central da capital St George´s é obrigatório! Dezenas de tendas de temperos e condimentos como canela, noz moscada, gengibre, açafrão e todos os tipos de “pimentas” que a ilha produz.
Muitos temperos da "Spice Isle" no mercado de St. George's, capital de Granada
Um terço da produção mundial de noz moscada vem desta pequena ilha, que a utiliza em grande parte dos pratos da sua culinária local. Da fruta fazem a geleia, ao redor da semente encontram a moca, que parece uma casca avermelhada utilizada para temperar bolos e sopas e a noz moscada dá o sabor especial aos pratos e até ao rum punch granadino.
Noz-moscada e outros temperos no mercado de St. George's, capital de Granada
Adiante está o Mercado de Peixes, que hoje estava fechado para a Festa de Aniversário comemorativa do Dia do Pescador. A paróquia vizinha prometia reunir mais de 1000 pessoas, numa festa de arromba para comemorar o dia destes trabalhadores tão importantes para a economia local.
St. George's, a capital de Granada, no Caribe
No caminho para lá está a Carenage Bay, com seu calçadão colorido e bem movimentado e uma vista linda para o principal porto da cidade. Barcos de pesca batucando os gritos de carnaval, ancorados ao lado das escunas turísticas e dos “Rum Runners” que levam turistas embalados no rum para passeios ao redor da ilha.
Observando a Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Barcos aportados na Carenage, baía em St. George's, capital de Granada
No canto direito da baía está o antigo Fort George, que foi construído pelos franceses em 1705 e foi palco para grandes batalhas e até para o recente episódio de execução do então Primeiro Ministro Maurice Bishop, líder do partido comunista, em 19 de Outubro de 1983. A má notícia é que ele foi morto pela ala ainda mais radical do partido que tomou o poder em um golpe sobre o próprio governo, julgando-o incompetente no avanço do verdadeiro comunismo. Apenas 6 dias depois, 12 mil soldados americanos desembarcaram na costa de Granada e travaram uma batalha para estabelecer o novo governo democrático. O Fort George hoje, caindo aos pedaços, continua sede do Quartel da Polícia Nacional e pode ser visitado para pelas vistas do Porto de St. George´s.
Observando do alto do forte a cidade de St. George's, capital de Granada
Vista do alto do forte em St. George's, capital de Granada
St. George's, capital de Granada e, ao fundo, a praia de Grande Anse
Feito um tour rápido e resumido pela história e cultura de Granada, agora podemos ir para a parte que interessa: as praias! Grande Anse é uma das praias mais famosas, com hotéis, restaurantes e a apenas 15 minutos de reggae bus do centro. Foram 15 minutos em que me transportei para um cult movie latino-americano, só que em vez de latinos, tínhamos africanos e em vez do reggaeton, tínhamos reggae jamaicano da melhor qualidade!
Caminhando ao longo da Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Chegamos à Grande Anse, praia de areias brancas e águas azuis caribenhas. Difícil acreditar que essa praia tranquila na temporada dos furacões, pode ficar lotada com milhares de turistas durante a alta temporada. Granada é repleta de praias paradisíacas, uma das dicas que não pudemos conferir é o Churrasco do Roger, todos os domingos na Hog Island! Alguém por favor, vá lá e nos conte depois!
A bela praia de Grande Anse, em Granada
A noite, consegui arrastar o Rodrigo meio a contra gosto para coferirmos a festa de pré-carnaval nos arredores da marina. A festa rola todas as quintas-feiras de julho até o carnaval, que será na segunda semana de agosto. O calypso, a soca e a power soca são os ritmos que agitam o público que lota os shows com artistas locais e atrações internacionais vindas de ilhas como Dominica, St. Vincent, Trinidad e Tobago e Republica Dominicana! Não ficamos muito tempo, mas vale a experiência! Reunião do melhor da música caribenha, não que seja a minha preferida, mas é o que faz o povo daqui requebrar os quadris e dançar adoidado.
Cartaz de danças caribenhas (em Clifton, cidade em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe)
Quem diria que na nossa última ilhazinha do Caribe teríamos tantas novidades e descobertas. Muitos nos perguntam: vocês não cansam do Caribe? Impossível, cada ilha tem uma paisagem, uma cultura e um tempero especial. Aí eu pergunto, tem como cansar?
Fim de tarde na praia de Grande Anse, a mais famosa de Granada
Sierra Nevada, região de Lake Tahoe, na Califórnia, nos Estados Unidos
A California é um estado de belezas naturais superlativas. Costa imensa repleta de praias, redwoods as arvores mais altas do mundo e nas montanhas as sequoias gigantes, a maior arvore do mundo em volume. No norte os vulcões Shasta e Lassen, o extenso Lake Tahoe e seus morros nevados, o ouro da sierra e ao sul o Death Valley, o deserto de Mojave e as curiosas joshua trees. Deixamos as principais atrações turísticas da California, San Franciso, Los Angeles e o Yosemite National Park, como grand finale!
Bastante neve nas estradas que cortam a Sierra Nevada, na Califórnia, nos Estados Unidos
O plano inicial era seguirmos para o Mono Lake, mas o começo de inverno aqui parece ser nada fácil. A neve está começando a cair e várias das estradas começam a fechar, algumas com datas agendadas, umas a partir da primeira neve e outras enquanto o fluxo de pessoas fizer valer o trabalho dispensado para limpá-la. Este é o caso da Tioga Road, a nossa estrada de entrada no Yosemite após a visita ao Mono Lake está fechada devido à quantidade de neve.
Uma das estradas que cortam a Sierra Nevada, na Califórnia, nos Estados Unidos
A altitude do passo é de pouco mais de 3 mil metros e a esta altura a neve já esta com mais de um metro de profundidade. A estrada, que corta todo o Yosemite National Park, normalmente estaria aberta esta semana, mas a neve chegou mais cedo e agora ela deverá ficar fechada durante todo o inverno. Esta foi uma notícia desoladora para nós, pois além de sermos obrigados a dar uma volta imensa para chegar ao Yosemite, lá não poderemos explorar uma das áreas mais bonitas do parque. Com esta volta, o Mono Lake acabou ficando totalmente fora do nosso caminho. Eu ainda queria fazer o desvio, mas conversamos e o Ro me convenceu a deixá-lo para uma próxima oportunidade... Ainda teremos a chance de voltar ao Mono Lake na nossa subida para o Utah e Colorado, veremos.
A bela paisagem da Sierra Nevada, a caminho do Yosemite, na Califórnia, nos Estados Unidos
Já na estrada, nos despedindo do Lake Tahoe em um dia lindo e ensolarado, desacreditando na neve e na estrada fechada e quando tudo parecia estar perdido, eis que surge em nossa frente a impressionante Sierra Nevada. Sim, ela estava no nosso caminho para o Yosemite, mas cruzá-la, mesmo que apenas em um dia, já é uma atração por si só! Lagos cristalinos, picos nevados e as paisagens campestres douradas pelas cores de outono nos fizeram deixar a tristeza de lado e aproveitar o que a vida nos oferecia. Como dizem, uma porta se fecha, mas ao lado se abre uma janela! Rs!
Sierra Nevada, região de Lake Tahoe, na Califórnia, nos Estados Unidos
Cruzamos a Sierra Nevada pelo Carson Pass, na Hwy 88, com vistas lindas do Caples e do Silver Lake, cruzando alguns esquiadores e snowboarders de plantão já estreando as montanhas com neve fresquinha e macia. Nós, que não nos cansamos de ver neve, tivemos que fazer várias paradas para fotos.
A bela paisagem da Sierra Nevada, a caminho do Yosemite, na Califórnia, nos Estados Unidos
Com este novo roteiro, acabamos chegando ao parque pela portaria noroeste, também conhecida como Big Oak Flat Road Entrance. Chegamos já no final do dia, passamos pela charmosa cidadezinha de Groveland e decidimos continuar para encontrar um abrigo mais próximo possível da entrada do parque. Já era de noite quando entramos na Evergreen Road e encontramos o Evergreen Eco Lodge.
Nosso chalé ao lado da entrada Hetch-Hetchy no Yosemite National Park, na Califórnia, nos Estados Unidos
Cabanas em meio à floresta de pinheiros com uma política super verde, desde o tratamento e reaproveitamento de água, luz, gás e uma infraestrutura muito bacana. Ali mesmo, com a ajuda dos guias do hotel, já organizamos o nosso roteiro pelo parque nacional para os próximos dias, com trilhas, sequoias e tudo o que a neve e o tempo nos deu direito. Depois marshmellow na lareira, botas em mãos e estamos prontos para explorar o parque. Amanhã, Yosemite!
Cruzando a Sierra nevada, de Lake Tahoe para Yosemite, na Califórnia, nos Estados Unidos
Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A água e o gelo erodiram por de mais de 100 milhões de anos as paisagens do Arches National Park. Ainda hoje as forças naturais continuam o seu trabalho incansável e contínuo, esculpindo cada fresta e fissura que formam os mais de dois mil arcos no deserto de Moab. É a maior concentração destas formações em todo o mundo, sendo o menor deles com pouco menos de um metro e o maior com 93m de extensão, o maior do mundo.
Observando o colossal Landscape Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Difícil é entender como estes arcos naturais de formaram e ainda mais difícil é compreender como e por que eles foram se concentrar aqui. Os geólogos aparentemente encontraram uma resposta, e ela está em um elemento relativamente simples e bem comum na natureza: o sal.
Chegando pelo caminho errado no Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Há mais de 300 milhões de anos a região foi coberta por um mar, que eventualmente evaporou, deixando uma camada de sal que pode chegar a 1,6km de espessura. O parque está sobre este leito de sal, o grande responsável pela formação dos arcos, pináculos, barbatanas de arenito e monolitos que foram erodidos no decorrer de milhões de anos.
Muita neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A incrível paisagem da Windows Section, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A maioria dos arcos são formados de Entrada Sandstone, uma rocha rosada e clara, ou pela Navajo Sandstone. A jovem rocha formada sobre o leito de sal foi deslocada e dobrada, a água penetrou por suas fissuras e com a ajuda das altas e baixas temperaturas, congelando e derretendo, expandindo e encolhendo, foi dando forma às barbatanas, fileiras inteiras de rocha que aos poucos foram se transformando nos arcos que vemos hoje.
Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Nós estávamos ansiosos para chegar ao deserto de Utah, um dos estados com a maior concentração de áreas naturais de preservação, entre reservas, monumentos naturais, parques estaduais e nacionais. Já passamos pelo Zion e pelo Bryce Canyon, que possuem histórias geológicas semelhantes, mas tipos de erosão e paisagens completamente diferentes. E a pergunta que nos fazemos sempre é a mesma, quando será que este país vai parar de nos surpreender? Quando achamos que já vimos de tudo, chegamos a um novo parque nacional e nos deparamos com cenas como esta. É brincadeira!
A majestosa "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O nosso roteiro pelo Arches foi de dois dias intensos, no primeiro dia nós percorremos os 15km iniciais da estrada cênica do parque, que passa pelo visitor center e se estende por 28km até uma das trilhas mais famosas do parque, a Devil´s Garden Trail. A primeira parada foi na Park Avenue Viewpoint and Trailhead, colocamos o nariz para fora da Fiona (a -8°C) apenas para tirar uma foto e observar a belíssima paisagem.
Mirante da "Park Avenue", no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Seguimos pela estrada impressionados com a grandiosidade do cenário. Uma encostada rápida no Mirante das Dunas Petrificadas e logo enxergamos ao longe a Balanced Rock, uma rocha suspensa, aparentemente equilibrada sobre uma torre de pedra, o tal pináculo.
Paisagem invernal e gelada no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Uma enorme rocha parece equilibrar-se em um pedestal no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Um detour rápido e logo estamos em alguns dos principais arcos do parque, o Turret Arch e as Janelas (North and South Windows). Para ver os arcos de perto seguimos com tripla camada de roupas pela trilha, num circuito circular de 1,6km, os arcos rosados são incríveis, cada um com sua peculiaridade e cenários magníficos.
A enorme North Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
A bela formação da South Window, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Ali ao lado está a saída para a rápida trilha do Double Arch, quase ninguém vê e acaba passando reto, mas foi um dos nossos arcos preferidos! O Arco Duplo é considerado um pothole arche, pois ambos foram escavados em uma rocha quase circular em um buraco em forma de pote, formação comum em rios e cachoeiras. Neste caso os geólogos afirmam que eles são formados por reações químicas, não apenas físicas, ativadas pela ação do clima ao longo dos milhares de anos.
Momento de contemplação nos gigantescos Double Arch, uma das mais belas formações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
As nuvens de neve que cobriam o céu pouco a pouco começaram a se dissipar e manchas azuis surgiram, um bom presságio para os viajantes e fotógrafos, era hora de acelerarmos o passo para pegarmos o pôr do sol em um dos principais cartões postais do parque: o Delicate Arch.
Procurando o melhor ângulo do Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Uma trilha de quase 5km (ida e volta) liga o estacionamento ao arco preferido dos fotógrafos que visitam este parque. Ela sobe lentamente aos 1.474m, coberta de gelo e neve se torna um pouco lenta e seus caminhos podem ficar confusos, já que centenas de pessoas na mesma peregrinação escolhem diferentes direções para escapar do gelo escorregadio. Quase uma hora depois, a -10°C de temperatura e muito calor interno, chegamos ao Delicate Arch.
Delicate Arch, o mais famoso cartão postal do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O arco é delicado, mas o que o faz mais especial não é a sua forma e sim a sua localização, no alto de um pequeno platô de pedra com o vale e as montanhas nevadas ao fundo. O sol do final de tarde ilumina a sua cor rosada contra os tons frios e azuis do cenário de fundo. A peregrinação da centena de turistas e fotógrafos para ver este espetáculo é recompensada com um pôr do sol digno de nota.
Observando o mágico, quase inacreditável Delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Voltamos antes do sol se pôr, ainda com luz e um restinho de calor dos raios que restavam. As sombras já tinham um frio quase insuportável, congelando o ar que respirávamos, sem falar nos dedos, nariz e todo o resto.
Agora, no caminho certo para o delicate Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Eram 5h30 da tarde e já estava escuro. Retornamos à Moab, precisávamos alimentar o corpo e a mente curiosa sobre a história deste lugar perdido no meio dos Estados Unidos. A região começou a ser explorada em meados do século XX, quando um geólogo entrou no deserto de Moab em busca de urânio. O ano era 1952, a Guerra Fria impulsionava a pesquisa e desenvolvimento de novas armas e tecnologias nucleares. O governo americano estava recompensando generosamente a descoberta de novas minas deste material. Após anos de buscas infrutíferas e já quase sem esperanças, finalmente Charlie Steen foi recompensado com a descoberta de uma imensa mina nesta região. Charlie, então pobre e endividado, tornou-se milionário do dia para a noite e colocou a cidade de Moab no mapa americano. A sua casa, construída no alto de um morro no caminho para o parque nacional, hoje se tornou um dos melhores restaurantes da cidade e com uma bela vista do vale. Um jantar cultural, que além de bons pratos, nos proporcionou uma viagem na história da região.
Céu colorido de fim de tarde atrás dos arcos de pedra do Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Neste primeiro dia tivemos uma boa visão do parque, mas ainda nos faltava conhecer uma das mais famosas trilhas deste parque nacional: a Devil´s Garden. No outro dia cedo, cruzamos a Fiery Furnace até o começo da trilha e novamente triplamente encapotados começamos a caminhada sobre a neve, entre as rochas e arcos de pedra do Aches National Park.
Pine Tree Arch, mais um arco de pedra no nosso segundo dia de explorações no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O primeiro loop nos levou ao Tunnel Arch e ao Pine Tree Arch. Voltamos à trilha principal e seguimos por mais de um quilômetro até encontrar o Landscape Arch, o maior arco do mundo, com 93m de extensão!
Landscape Arch, o maior arco de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Landscape Arch, o maior arco de pedra no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
O Landscape Arch é uma das provas mais recentes de como o parque está em processo constante de erosão. Na década de 90 uma grande seção do arco se desprendeu e veio ao chão sob os olhos atentos e assustados dos turistas que estavam embaixo dele. Todos conseguiram escapar e alguns deles até fotografaram o momento. Antes disso turistas podiam chegar até a base do arco e inclusive atravessá-lo por cima, mas depois do ocorrido o parque achou mais prudente o manter fechado, garantindo a segurança dos turistas e principalmente a do arco.
Turistas descansam sob o Navajo Arch, no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Daqui para frente a trilha sobe sobre as rochas nevadas e o gelo escorregadio exige calçados aderentes e equipamentos que deem mais segurança sobre a neve, pois um escorregão pode te levar fenda abaixo. Eu voltei, o Ro com mais ganas e coragem resolveu seguir com seu tênis guerreiro, sobre o gelo e ainda conseguiu chegar ao Partition e Navajo Arch.
Trecho extremamente escorregadio de trilha no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Este parque deve ser outro mundo no verão e já entrou na nossa longa lista de lugares que voltaremos a visitar.
Trilha tomada pela neve no Arches National Park, perto de Moab, em Utah, nos Estados Unidos
Nossa despedida na Pousada Mandala das Águas foi muito especial. O Rickson, dono da pousada, é uma peça rara! Todas as noites nos dava o prazer de sua companhia contando histórias da sua vida quando viveu em Morro de São Paulo ou quando aprendeu o jiu-jitsu com seu tio, o mestres dos mestres, Carlos Grace. Ficamos super curiosos de conhecer a Márcia, esposa dele que está em BH e só volta quando já tivermos ido embora, mas não faltarão oportunidades, pois com certeza voltaremos ao Matutu. Parece que o Matutu escolhe a dedo quem o freqüenta, e por isso a energia que rola entre as pessoas é ótima, uma sinergia especial.
Despedida da pousada Mandalá no Matutu - MG. Rickson, Anacelli, Simbad e Cassie
A Cassie nos pediu para tirar uma foto antes de irmos embora, pois além de se identificar com o projeto, nos falou que estava sentindo que ainda ficaremos muito famosos! Maravilha! Tomara que ela esteja certa! Como nos atrasamos um pouco para sair, ainda conseguimos encontrar a Araceli pela manhã e ela nos fez uma grande e inusitada homenagem. Quando estávamos saindo da pousada, tirando fotos e nos despedindo, ali, no estacionamento da pousada, ela nos ofereceu uma música que foi oferecida também para o Caminho da Fé. É uma oração cantada para a Nossa Senhora Aparecida, padroeira dos caminhantes e peregrinos. Foi de arrepiar! Saímos do Matutu mais do que protegidos e emocionados.
Despedida da pousada Mandalá no Matutu - MG. Rickson, Anacelli, Simbad e Cassie
Logo depois, quem entrou em campo para nos dar outro tipo de emoção foram o Simba e o Sombra. No segundo seguinte em que a Araceli terminou a canção os dois se pegaram em uma briga horrível, se mordendo fortemente, rolando pelo gramado e arrancando sangue um do outro. A briga foi muito equilibrada, os dois saíram num prejuízo horrível e nós, em volta, não tínhamos como separar... tentamos, mas se segurássemos ia acabar sobrando para nós.
É, fãs antecipados, novos amigos, oração cantada e até os dois dogs brigando, nossa despedida foi mesmo cheia de emoções!
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