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SHUFFLE Há 1 ano: Estados Unidos Há 2 anos: Estados Unidos

Salvem as Redwoods!

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Impressionada com o tamanho de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As Redwoods são as árvores mais altas do mundo, podendo atingir mais de 100m de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares! Elas são tão altas que não conseguimos enxergar o topo da árvore! Lá no alto, em sua copa, vivem salamandras e minhocas, arbustos e até outras árvores como a imensa sitka spruce.

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Prestando reverência às redwoods com 100 metros de altura no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Estas gigantes só podem ser encontradas aqui na costa da Califórnia e são as únicas representantes de uma floresta que um dia cobriu todo o hemisfério norte. Não se sabe ao certo por que deixaram de existir em outros lugares, mas sabe-se que dos mais de 8 mil km2 de florestas de redwoods que existiam na costa oeste, foram desmatadas 95%, restando apenas 473 km2. 77% das redwoods existentes hoje estão protegidas, os outros 23% ainda podem ser derrubadas, pois estão em propriedades privadas ou florestas nacionais.

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Comparadas com as gigantes sequoias, as redwoods são finas e altas. As sequoias ganham em volume, com troncos muito mais grossos, porém as primas do litoral as ultrapassam em altura. Curioso é que olhando de fora as sequoias é que são vermelhas, enquanto as redwoods (literalmente “madeira vermelha”) tem a casca marrom acinzentada. Sua casca chega a 30cm de espessura e é a sua principal protetora, resistente a insetos, fungos e até a incêndios.

O 'pequeno' tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

O "pequeno" tronco de uma redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma 'parente' chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As folhas de uma redwood, uma sequoia e uma "parente" chinesa, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As redwoods se desenvolvem melhor em vales e planícies úmidas, ao lado de rios ou locais que sofrem inundações, pois além de receber uma grande quantidade de água, elas estão mais protegidas do vento salgado que sopra do Pacífico. Quanto mais elevado ou seco o terreno, menores são as árvores, que então crescem até a média de 60m de altura.

Um magnífico exemplar de Redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Um magnífico exemplar de Redwood, no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos



História
Durante a colonização da costa oeste a madeira era matéria prima fundamental para a sobrevivência dos que chegavam. Construção de casas, barcos, aquecimento, preparo de alimentos, enfim, ela era usada para tudo. As Redwoods logo ficaram conhecidas por sua durabilidade e maleabilidade, sem falar na quantidade de madeira que uma única árvore fornecia. Em 1849 o ouro foi descoberto na Califórnia e isso acelerou ainda mais o processo de devastação das florestas de Redwoods, que se tornavam um material ainda mais caro na mão das madeireiras. Em 1853, nove serralherias estavam em funcionamento em Eureka. A fraude na ocupação de terras públicas era comum, passando as áreas para domínio particular sem o conhecimento do estado e desaparecendo com imensas florestas das árvores gigantes.

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Trilha no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


O desaparecimento das redwoods começou a preocupar parte da população e principalmente a comunidade científica da época. As árvores, além da sua beleza natural, eram um dos mais vigorosos links com o passado. Algumas delas chegam a mais de 2.000 anos de idade, tão antigas quanto o Império Romano! Assim, no ano de 1918, surgiu a Save the Redwoods League, uma organização sem fins lucrativos que através de doações e alianças com o estado conseguiu adquirir as terras para protegê-las. A maioria dos bosques de redwoods adquiridos está na costa norte da Califórnia, foram mais de 100 mil acres comprados entre 1920 e 1960, hoje transformados nos Parques Estaduais Jedediah Smith, Del Norte Coast, Prairie Creek e Humboldt Redwoods State Park.

Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Uma das maiores redwoods no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


A área é uma imensa colcha de retalhos de áreas preservadas entre parques estaduais e nacionais, formando o Redwoods National and State Parks. Os heróis da Liga Salvem as Redwoods continuam seus trabalhos até hoje e administram as áreas em conjunto com o parque nacional.

Roteiro


Rota Redwoods

Vindos do Oregon, foi pelo Jedediah Smith State Park que começamos a nossa visita. Uma estradinha de terra com pouco menos de 20 km cruza o parque entre as árvores gigantes, que guardam silenciosas o tempo e as histórias que presenciaram por mais de um milênio.

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

A Fiona fica minúscula perto das árvores gigantes do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Na primeira noite na região dormimos em Crescent City, uma cidade com várias opções de acomodações, Inns, B&Bs e os mais insossos, mas práticos, motéis americanos. Foi em um desses que dormimos depois de assistir à emocionante apuração dos votos da eleição americana na CNN. Dá-lhe Obama!

Litoral em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Litoral em Crescent City, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


No dia seguinte rumamos ao sul passando pelo Del Norte Coast Redwoods State Park e fizemos algumas trilhas no Prairie Creeke no Humboldt Redwoods State Park, onde encontramos os maiores e mais antigos exemplares das árvores. O Lady Bird Johnson Grove possui uma das trilhas mais populares da região, quase toda plana, de fácil acesso e belíssima! Este bosque foi nomeado em homenagem à primeira dama americana que lutou por causas ambientais.

Caminhada no parque das árvores gigantes, o Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Caminhada no parque das árvores gigantes, o Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

As medidas de uma das redwoods do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Aproveitando ainda a última hora de luz, fizemos um detour para um mirante na Patrick J. Murphy Memorial Drive. O mirante está exatamente acima da foz do rio Klamath, onde está a Klamath Beach e uma bela vista do Pacífico!

Fim de tarde numa linda praia no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Fim de tarde numa linda praia no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


O sol dourava o mar no fim de tarde enquanto nossos olhos ávidos tentavam encontrar as baleias cinzentas. As Baleias Cinzentas migram por mais de 16 mil km ido e vindo entre o México e o Alasca, passando pela costa da Califórnia. A melhor época para encontrá-las por aqui é entre os meses de Dezembro e Janeiro e depois entre Março e Abril.

Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Encontro do rio com o mar no litoral do Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


Finalmente chegamos a Arcata, cidade alternativa de democratas felizes pela eleição do Obama. A praça central lembra as cidades de colonização espanhola, diferente da maioria das cidades americanas. Jantamos no japonês da praça e ainda tomamos a Guinnes mais baratas da viagem, no bar e pizzaria perto do nosso motel, 2 dólares por pint!

Elks machos treinam suas habilidades de luta no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Elks machos treinam suas habilidades de luta no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos


No dia seguinte, ainda antes de seguirmos viagem, conseguimos encontrar o casal da Lost World Expedition, Luis e Lacey, americanos que estão rodando as Américas morando na sua Toyota Landcruiser 1987. Hoje o carro está no Chile, enquanto o casal aproveitou a viagem de visita à família, para dar uma trabalhadinha antes de continuar a viagem.

Encontro com o casal da expedição Lost World, em Arcata, na Califórnia, nos Estados Unidos

Encontro com o casal da expedição Lost World, em Arcata, na Califórnia, nos Estados Unidos


Nos encontramos no café mais gostoso da cidade e obviamente o papo se estendeu, com muitas histórias para contar, truques e perrengues para compartilhar. Eles retornam para o Chile no começo de Dezembro e logo logo estarão chegando ao Brasil! Como eles estão com menos pressa, espero ainda encontrá-los aí pela América do Sul. Boa viagem amigos!

Fim de tarde em mirante para ver baleias cinzentas no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Fim de tarde em mirante para ver baleias cinzentas no Redwood National Park, no norte da Califórnia, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Califórnia, Crescent City, Arcata, Jedediah Smith State Park, Redwoods, Redwoods National Park

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Aventureiros se atraem – Parte 2

Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie

Estou cada vez mais impressionada como estamos conectados uns aos outros. Este (in)consciente coletivo, que faz com que pessoas que possuem afinidades se cruzem, se reconheçam e se atraiam.

Hoje cedo pegamos um fast ferry de Tortola nas BVIs para St Thomas, capital das USVIs. Tínhamos apenas um dia para passear por St Thomas e decidimos ficar na parte histórica da cidade. Subimos os 99 Steps, escada construída pelos dinamarqueses em 1860s, em direção a parte alta da cidade.

Os famosos '99 steps', em Charlotte Amalie - USVI

Os famosos "99 steps", em Charlotte Amalie - USVI


Lá encontraríamos um pequeno museu sobre a história dos dinamarqueses, que estávamos curiosos para conhecer, o castelo do Blackbeard, um dos piratas mais famosos do mundo, e alguns outros pontos históricos interessantes. Subimos e adivinhem? Tudo fechado... a cidade funciona em função dos navios de cruzeiro e felizmente não havia nenhum na cidade. Realmente é difícil escolher, mas eu acho que prefiro não entrar nos museus, mas poder andar pelas ruas da cidade tranqüilas, do que ter aquelas hordas de turistas, filas e mais filas por tudo.

Charlotte Amalie, em St. Thomas - USVI

Charlotte Amalie, em St. Thomas - USVI


Bem, caminhando na Main Street nós passamos pela H. Stern, uma das centenas de joalherias da cidade que aproveitam o tax free das USVIs e seus cruise ships ávidos por comprar. Por curiosidade entramos, não imaginava encontrar uma H. Stern aqui e se conseguisse ainda poderia polir a nossa aliança antes do aniversário de casamento. Numa entradinha na loja, que achamos que iria demorar no máximo 10 minutos, ficamos meia-hora. A Márcia nos atendeu e foi tão atenciosa, conversamos sobre o Brasil, a viagem, jóias, o casamento e ela nos deu várias dicas de onde poderíamos ir hoje a noite. Dali, fomos direto para a biblioteca pública da cidade pesquisar um pouco sobre a história do país. Quando menos imaginávamos a Márcia apareceu lá nos convidando para um happy hour! Ela havia nos explicado como chegar, e quando saiu da loja pensou “estou indo num bar com meu marido, por que não convidá-los?” Foi até lá nos procurar apenas para nos convidar, demais!

A segunda Igreja Luterana mais antiga das américas, em Charlotte Amalie - USVI

A segunda Igreja Luterana mais antiga das américas, em Charlotte Amalie - USVI


Fomos até um bar-restaurante japonês com uma vista linda para uma das diversas baías da ilha e que tem um dos rum punchs mais famosos de St Thomas. Conversamos sobre as viagens e mais uma vez nos deparamos com aventureiros de carteirinha! Ela americana de origem Jamaicana, bioquímica e ele californiano, fisioterapeuta. Rick já havia feito algumas viagens para a África e Europa desde os seus 15 anos. Ele e Márcia se conheceram na faculdade em Maryland e logo que se formaram foram morar um tempo no Japão. Viajaram pela Índia, Nepal, sudeste Asiático, Europa e, uma das suas maiores aventuras, um ano e meio viajando pela África. Quando Márcia ouviu a nossa história dos 1000dias ficou interessadíssima e logo quis entender o plano, já se inspirando para o planejamento da próxima viagem que deve começar em 2011. Do bar fomos para a casa deles em um condomínio maravilhoso, paraíso dos gatos e coelhos. Isso mesmo, 2 coelhos moram lá! Tomamos mais alguns ponchs, conhecemos a Miausa, gata linda que os adotou como pais, e Ania, amiga polonesa e vizinha de condomínio.

Casal americano, Rick e Marcia, novos amigos em Charlotte Amalie

Casal americano, Rick e Marcia, novos amigos em Charlotte Amalie


Marcia e Rick fizeram a nossa estada em St Thomas especial, mais uma vez nos surpreendendo e mostrando como estamos conectados. Pelo jeito encontraremos em nos nossos 1000dias muitos Ricks e Marcias, Dougs, o aviador, Daniels e Saras, lutando pela cultura local em Middle Caicos, Jims uma vez na Antártida, hoje recebendo todas estas almas livres e aventureiras no seu restaurante. Personagens que sempre nos farão sentir-nos em casa onde estivermos.

Partindo do hotel, cedinho, em Charlotte Amalie - USVI

Partindo do hotel, cedinho, em Charlotte Amalie - USVI

Ilhas Virgens Americanas, St Thomas - Charlotte Amalie, USVIs

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Auyantepui e o Salto Angel

Venezuela, Canaima

Depois da chuca, o Salto Angel com muito mais água, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela

Depois da chuca, o Salto Angel com muito mais água, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela


Auyantepui, um dos maiores tepuis da Venezuela não apenas em altura, mas também em área é o cenário de muitas histórias, muitas lendas e muitas aventuras. A mais conhecida delas é a destemida aterrisagem feita pelo aviador americano Jimmie Angel, no ano de 1937. Ele sobrevoava a montanha em busca do “El Dorado”. Após a aterrisagem forçada seu avião não tinha mais como decolar e ele, dois companheiros e sua esposa ficaram longos 11 dias presos no alto da chapada de pedras até conseguir encontrar uma rota de descida. Este fato tornou o Auyantepui conhecido entre os aventureiros de todo o mundo e em sua homenagem a cachoeira mais alta do mundo foi batizada de Salto Angel. Seu avião foi retirado do topo do tepui anos mais tarde pelas Forças Aéreas e hoje podemos vê-lo em frente ao aeroporto de Ciudad Bolívar.

O magnífico Auyán Tepui, onde está o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezuela

O magnífico Auyán Tepui, onde está o Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezuela


Nuvens cercam o Salto Angel, criando uma paisagem ainda mais mágica no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela

Nuvens cercam o Salto Angel, criando uma paisagem ainda mais mágica no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela


Recentemente com o resgate dos nomes e tradições indígenas o salto volta ao seu nome original, dado por integrantes da tribo Pemón que vive na região há muitas gerações. O Auyantepui, “Montanha do Deus do Mau” sempre foi visto com temor e ares de mistério por estas tribos. Porém hoje são as belezas naturais do temido e gigantesco tepui que sustenta estas comunidades que vivem em torno do turismo. Apenas na Vila de Canaima são mais de 2 mil moradores, que além de suas atividades de pesca e artesanato, já estruturou pousadas e restaurantes para atender a demanda turística.

Arquitetura moderna do Centro Comunitário da vila de  Canaima, no sul da Venezuela

Arquitetura moderna do Centro Comunitário da vila de Canaima, no sul da Venezuela


Comitê de recepção à Canaima, no sul da Venezuela

Comitê de recepção à Canaima, no sul da Venezuela



Excursão ao Salto Angel


Existe basicamente uma forma de chegar ao Salto Angel: voando. O Salto está em meio à floresta venezuelana protegida pelo Parque Nacional Canaima. Esta região é rodeada por florestas, rios e tepuis, montanhas em formato de mesa, ou chapadas como chamamos no Brasil. O acesso principal é o pequeno aeroporto a Vila de Canaima, onde já existe uma grande infraestrutura turística de pousadas, hotéis e restaurantes, além do barco necessário para chegar à base da cachoeira. A outra vila de acesso é Kavac, bem menos acessível e pouco utilizada.

Avião no pequeno aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela

Avião no pequeno aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela


Agências de turismo organizam os tours desde de Ciudad Bolívar ou Ciudad Guayana e custam em torno de 250 a 300 dólares os mais baratos. Se você quiser um hotel mais confortável às margens da Lagoa de Canaima como o Venetur e afins, o custo por pessoa deve subir para algo em torno de 500 dólares pelos mesmos 3 dias.

Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela

Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela


Nós organizamos nossa excursão ao Salto Angel partindo de Ciudad Bolívar, com a agência de turismo que opera dentro da Pousada Don Carlos, no centro histórico. Foi um dos melhores preços que conseguimos (250 dólares) já incluindo os tranfers aéreos, de barco, hospedagem em Canaima e noite em acampamento próximo ao Salto Angel e toda a alimentação.

Nosso refúgio na Isla Ratón, em frente ao Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela

Nosso refúgio na Isla Ratón, em frente ao Salto Angel, no Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela


O tour foi bem organizado, as comidas caseiras, mas bem saborosas e o acompanhamento do guia local ok, sem muitas informações já que ele era bem calado, mas perguntando e provocando até que ele interagia. Nos próximos posts segue o diário de bordo do nosso roteiro de 3 dias até o Salto Angel.

Confira a série completa de posts!
1º Dia - Chegando ao Parque Nacional Canaima
2º Dia - De Canaima ao Salto Angel
3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel

No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

No barco, a caminho do Salto Angel, em Canaima, no sul da Venezueka

Venezuela, Canaima, Angel Falls, Cachoeiras, parque nacional, Parque Nacional Canaima, Salto Angel

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Bacteria Peruana

Peru, Huaraz, Trujillo

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra

A cidade de Huaraz, no Peru, vista do alto da Cordillera Negra


Ontem, durante as três horas de viagem de Huaraz até a atual cidade de Chavín, eu já não estava me sentindo muito bem, mas foi na hora do almoço que eu não piorei de vez. As dores que eu comecei a sentir na caminhada estavam cada vez maiores e a infecção alimentar começava a ficar mais clara. Tomei chás com ervas medicinais preparados pela dona do restaurante, depois tomei um paracetamol para a febre que parecia começar a subir, entramos no carro e pegamos mais 3 horas de estrada. Foi uma tortura, cada buraco parecia piorar ainda mais a dor... o coitado do Rodrigo tendo que agüentar os meus gemidos, dirigindo e preocupado o meu estado.

Já próximos de Huaraz pedi para que parasse em um posto de saúde e eles nos encaminharam para o Hospital de Recuay. Preferi ir a um hospital de uma cidade menor, do que pegar uma fila imensa no hospital de Huaraz. Eu estava com 39,5°C de febre, já tinha tomado outro paracetamol e parecia não fazer efeito. Estava claro, eu tinha uma infecção alimentar, causada por algum alimento ou água consumida durante a trilha. Todos comeram o mesmo que eu, o que me fez desconfiar mais da água, que poderia ter sido mal fervida ou até mesmo enquanto eu escovei os dentes direto no rio. Sabe Deus!

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

A Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Me deram uma injeção para baixar a temperatura e o antibiótico para a infecção. Fomos para o hostal, tomei um banho e dormi, acordando pelo menos umas 5 vezes durante a noite com as dores e principais sintomas da infecção. No dia seguinte eu fiquei o dia inteiro mal... a febre, mesmo depois da injeção, não cedeu e ficava variando entre 38 e 39°C, muito forte essa tal bactéria peruana! O Rodrigo comentou com a dona de nossa pousada que não titubeou em chamar à pousada um médico de sua confiança. Dr. Jorge Ramirez veio até a pousada, examinou e modificou a medicação, receitou a sulfa (ou bactericin) + paracetamol duplo se a febre subisse dos 38°C. Totalmente entregue, dormi o dia inteiro, tentando recuperar as energias. O Ro, meu amado protetor, conseguiu providenciar a medicação, uma sopinha de frango e muito gatorade! Enquanto isso o Rodrigo, além de cuidar de mim, teve que ficar lidando com a situação de Galápagos, verificando novas possibilidades, conversando com os padrinhos e decidindo o novo roteiro.

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru

Região desértica na viagem entre Huaraz, na cordilheira, e Trujillo, no litoral norte do Peru


No dia seguinte amanheci melhor, já bem mais disposta. As idas ao banheiro diminuíram e as dores também. Consegui até subir para tomar um café da manhã, interagir com uns turistas ingleses e tomar uma sopinha de frango feita pela Dona Nely, dona da pousada. Ganhamos um tempinho com a história do cancelamento de Galápagos, mas já usamos bem esse tempo para a minha recuperação. Agora, mesmo meio baleada, precisávamos continuar a viagem!

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru

O monte Huscarán, o mais alto da Cordillera Blanca, visto do alto da Cordillera Negra, na região de Huaraz - Peru


Pegamos a estrada para Trujillo pela Cordillera Negra. Lindas paisagens e vistas panorâmicas da vizinha Cordillera Blanca e vários povoados no caminho. Foram em torno de 6 horas de viagem até Trujillo, pude descansar mais um pouco e aproveitar, agora melhor, a companhia no meu marido amado. Instalados no Hostal Colonial, decidimos ficar um dia a mais em Trujillo e conhecer os templos e civilizações das redondezas, que antes iriam passar batido. Amanhã mais um dia mergulhados na história incrível desse imenso sítio arqueológico que é o Perú.

Peru, Huaraz, Trujillo, Hospital, médico

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Início do Inverno

Brasil, Maranhão, São Luís

Praia com muita chuva em São Luís - MA

Praia com muita chuva em São Luís - MA


O início do inverno aqui no Maranhão atrasou um pouco, por isso não pegamos as lagoas nos Lençóis cheias. Já estamos em uma área de transição para o clima amazônico, onde o inverno é a estação chuvosa, período de alta precipitação durante 6 meses do ano. Azar por um lado (lagoas vazias), sorte por outro, não precisamos ficar embaixo de chuva o dia inteiro, certo? Errado. Nós pegamos uma das primeiras grandes chuvas da estação! Começou ontem à tarde, quando ainda estávamos na estrada, e ainda não acabou, durando algo em torno de 36 horas! Segundo o Jornal Nacional, choveu em um dia o equivalente à chuva de 10 dias!

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA

Aproveitando a chuva para trabalhar no hotel em São Luís - MA


Não há situação mais convidativa do que esta para nos mantermos secos, dentro do hotel, colocando o nosso trabalho em dia. Passamos a manhã e o início da tarde esperando uma trégua, até que o estômago falou mais alto e decidimos sair assim mesmo para explorar um pouco da cidade.

Monumento em praia de São Luís - MA

Monumento em praia de São Luís - MA


São Luis possui uma extensa faixa litorânea que segue da Praia da Ponta d´Areia, região com muitos hotéis, restaurantes e bares, pela Praia São Marcos, a preferida por jovens e surfistas e a popular Praia de Calhau, que possui diversas barracas e restaurantes à beira mar e lota aos finais de semana. Sabemos disso apenas por que somos bem informados, pois com a chuva a praia estava completamente vazia! Encontramos alguns poucos corajosos que enfrentavam a aguaceira para um joguinho de futebol, outros correndo e ou apenas passeando na praia, tomando banho de mar e aproveitando cada milímetro de água que caía. Eu entendo, depois de passar 6 meses num calor absurdo deve ser uma delícia poder se esbaldar em um belo banho de chuva.

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA

Carros enfrentam ruas alagadas em São Luís - MA


No caminho de volta as ruas estavam completamente alagadas e a tempestade só aumentava. Sem muita opção, resolvemos pegar um cineminha no Shopping São Luis. Assistimos o Santuário, de James Cameron. O filme é um conjunto de clichês e situações inverossímeis que chega a ser engraçado, ainda mais para nós que gostamos de escaladas e mergulho em cavernas. Imagino os nossos instrutores de cave como devem ter se retorcido na cadeira ao assisti-lo. Se abstrairmos tudo isso, restam algumas cenas bonitas em 3D.

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA

Almoçando em barraca coberta e confortável na praia em São Luís - MA


Retornamos ao hotel com a esperança de sair para conhecer um bar do centro antigo, mas a chuva não nos deu um minuto de trégua. As ruas estavam ainda mais cheias de água e acabamos ficando por ali mesmo, rendidos ao room service e rezando para que o tempo melhore.

Cruzamento alagado em São Luís - MA

Cruzamento alagado em São Luís - MA

Brasil, Maranhão, São Luís, chuva, Praia de Calhau, Santuário

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Pétion-Ville

Haiti, Port-au-Prince

As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion-Ville era um nome praticamente desconhecido por nós até entrarmos no ônibus de Santo Domingo a Port-au-Prince. Nosso plano inicial seria hospedar-nos no centro da capital, porém no caminho vários haitianos nos perguntavam onde ficaríamos em Pétion-Ville, bairro a pouco mais de 40 minutos do centro da cidade, ponto final do ônibus. Assuntamos dali, perguntamos de lá e descobrimos que este era o lugar ideal para usarmos como base. Já era tarde e descer ao centro durante a noite não seria uma tarefa fácil. Guiados por um italiano, único estrangeiro no ônibus além de nós, viemos parar no charmoso B&B Le Perroquet.

O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


As calçadas quebradas davam um ar de destruição na cidade. Terremoto, pensamos, mas logo descobrimos que são apenas obras de renovação nas ruas. As calçadas foram quebradas hoje e deixaram Lana surpresa ao acordar e descobrir repentinamente que não tinha mais calçada em frente ao seu hotel. Lana, uma russa que viveu 15 anos em Bali, está há um ano no Haiti com o seu marido Erick. Erick é cidadão americano e haitiano e depois de muitos anos longe do Haiti recebeu um chamado especial: o Haiti precisa de vocês. Seu tio, antigo dono do Hotel Cubano, voou a Bali para convidá-los a participar deste período de mudança no país. Um momento em que o país precisa de pessoas como eles, estudadas e esclarecidas que possam trazer novas ideias e uma energia renovadora para a reconstrução do Haiti.

Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


E assim foi, Lana e Erick se mudaram há um ano, assumiram o hotel que passou por reformas e aos poucos está se firmando como o ponto de encontro dos artistas e formadores de opinião da região. Às sextas-feiras o restaurante abre com pratos especiais da culinária thailandesa preparados por Lana e promove uma Jam Section com artistas vindos de todos os cantos da capital. Nós chegamos no sábado, perdemos o jazz, mas fomos recebidos com um delicioso rum punch e a simpatia de Lana e Erick que não medem esforços para nos fazer sentir em casa. Conversamos por horas, nos inteirando de suas histórias e peripécias ao redor do mundo e principalmente da percepção que eles têm das mudanças que estão ocorrendo no país.

Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Um rápido passeio por Pétion-Ville e aos poucos conseguimos encontrar algumas pistas de por que é considerado o bairro mais “chique” de Porto-au-Prince. Em meio a desordem comum das ruas do Haiti nos deparamos com haitianos de classe média-alta indo às compras, homens e mulheres indo e vindo dos seus trabalhos e casas em bons carros, bem vestidos e ornamentados, claramente pertencentes a outro mundo se comparados com a maioria esmagadora da população. Lá vivem diplomatas, estrangeiros que possuem negócios no país e os haitianos de classe mais alta. Na capital haitiana os ricos vivem na parte alta da cidade, próximo às montanhas de Massif de la Selle, enquanto lá embaixo, no centro, estão as áreas mais afetadas pela pobreza. Ainda assim eles não escapam de vivenciar a pobreza do país, que por não ter para onde ir, simplesmente se espalhou por tudo.

Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Depois do terremoto as ruas e arredores de Pétion-Ville foram tomadas por habitantes de toda a Port-au-Prince, assim como a República Dominicana, as ilhas caribenhas vizinhas, a América Central, Colômbia e até o Acre! Não se esqueçam que foram mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas em 5 minutos de um terremoto que chegou a 7.0 pontos na escala Richter. Mesmo distante do centro da capital, Pétion-Ville também sentiu o abalo sísmico de 12 de janeiro de 2010 que dentre outros edifícios, abalou as estruturas do hospital distrital. A sede do Clube de Pétion-Ville foi transformada em um hospital provisório e o campo de golfe foi transformado em uma grande cidade com barracas de campanha, abrigando de 50 a 80 mil haitianos desabrigados pelo terremoto.

Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion-Ville, o subúrbio chique de Port-au-Prince, hoje se parece com bairros de classe-média de qualquer zona urbana brasileira. Uma igreja no centro, a praça com a estátua de Pétion, uma escola, floricultura, livraria, supermercados e bancos.

Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion para lá, Pétion para cá... Afinal, quem foi esse tal Pétion? Alexandre Sabés Pétion (1770-1818) foi um dos quatro grandes libertadores do país, um dos homens que sonhou com um Haiti melhor, livre dos carrascos franceses e com oportunidades verdadeiras para a população mulata e os escravos. Após a libertação do domínio francês sobre o território e da criação do novo estado Haiti, "terra de montanhas", as disputas internas pelo poder cresceram e o país acabou dividido entre os negros do norte e os mulatos do sul. Henri Christophe se autonomeou Rei do Reino do Haiti, criando uma autocracia sem limites no norte do país. No sul, Pétion seguiu com seus ideais democráticos e tornou-se presidente da República do Haiti.

Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Anos se passaram e os sonhos de Pétion parecem ter se realizado, a democracia se instalou e junto dela a dura realidade do nosso mundo moderno, trazendo consigo as suas discrepâncias econômicas e sociais. Nas esquinas dezenas de motociclistas esperam algum cliente para oferecer uma corrida. Mulheres sobem e descem ladeiras equilibrando na cabeça cestos cheios de frutas, bebidas, roupas ou o que você imaginar. Elas conversam, vendem seus produtos, desviam das motos e ainda mantém os balaios em pé com uma elegância sem igual.

Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Ao redor da praça uma infinidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. O Haiti é reconhecido por sua arte, notadamente a pintura, escultura e a música. Eu me apaixonei pelos traços e cores, temas e a expressão da arte haitiana sem precisar entrar em nenhum museu ou galeria. Elementos africanos, europeus e tainos, indígenas nativos de Hispaniola, se mesclam em forma de contos, fábulas e signos facilmente compreendidos por uma população religiosa e iletrada.

Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti

Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti


A arte de rua tem uma qualidade exponencial e fosse em qualquer país desenvolvido estariam vários destes óleos sobre tinta dentro de grandes museus de obras contemporâneas ou folclóricas-tradicionais. Eu raramente me rendo à tentação de comprar alguma lembrança dos lugares por onde estamos passando, mas este quadro foi paixão à primeira vista. Foram dois dias pensando até decidir carregá-lo por mais 300 dias para o Brasil, mas será uma bela lembrança da nossa passagem pelo Haiti.

Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Na floricultura da praça os jovens não medem esforços para se comunicar, do creole para o francês e algumas palavras de inglês e logo estamos nos entendendo. O meu francês é praticamente zero, algumas palavras, frases e um sorriso no rosto me ajudam a começar a conversa. Flores de bananeira? Eles não conseguiam entender se era eu que não sabia o que estava falando ou se era isso mesmo que eu queria. Sim, flores de bananeira! A Lana me contou uma receita balinesa com essa flor ignorada por (quase) todas as culinárias e segundo ela muito saborosa. Encomendei as flores, prometi ensinar-lhes a receita e dois dias depois lá estávamos nós trocando flores e receitas, espero que fique boa!

Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Chegamos ao Haiti e mesmo que distantes de suas maiores favelas e pontos críticos, já podemos sentir o país, entender algumas de suas dinâmicas e perceber que existe um clima de mudança no ar.

Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti

Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti

Haiti, Port-au-Prince, arte, Cidades e Metrópoles, Le Perroquet, Pétion

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Grand Canyon

Estados Unidos, Arizona, Grand Canyon

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)

Grand Canyon: grandiosidade de tirar o fôlego! (no Arizona, nos Estados Unidos)


Foi em uma noite fria que tivemos o nosso primeiro encontro. A neve nas suas encostas era assoprada pelo forte vento e flocos pousavam em minhas luvas, insuficientes para aquela noite de menos dezoito graus centígrados. Com as mãos enrijecidas eu amarrava o meu pequeno tripé às placas informativas do mirante, tentando alinhá-lo ao horizonte estrelado. Sim, estrelas cobriam o imenso céu, dominado pela luz da lua cheia, a mesma lua iluminava, brilhante, cada uma das agruras ranhuras escavadas pelo denso e colorado rio.

Fotografia noturna do Grand Canyon, em noite estrelada e gelada, no Arizona, nos Estados Unidos

Fotografia noturna do Grand Canyon, em noite estrelada e gelada, no Arizona, nos Estados Unidos



- “ÔÔÔÔÔÔÔÔÔhhhh!!!” - Ninguém responde aos nossos gritos. Será que alguém pode nos ouvir lá embaixo? Quiçá lá do outro lado... Nada, apenas o impiedoso vento gelado que nos informava certeiro de que o inverno do velho-oeste veio para ficar.

- “See you tomorrow!”. gritei. Afinal, depois de todos estes anos, ele já deve ter aprendido a falar inglês.

A Fiona (e nós!) enfrenta temperatura negativa de 17 graus celcius, na beirada do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

A Fiona (e nós!) enfrenta temperatura negativa de 17 graus celcius, na beirada do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Já se passaram mais de 6 milhões de anos desde que as águas do Rio Colorado começaram a esculpir suas paredes, expondo sua maior riqueza, camadas e mais camadas de rochas, nas mais diversas cores e tonalidades. Vermelhas, amarelas, terracotas e alaranjadas, elas foram depositadas, elevadas e erodidas em um processo geológico que já dura mais de 2 bilhões de anos.

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ainda que os números o façam parecer velho e antiquado, quando conversamos noto que está em plena flor da idade. Jovem, aventureiro e de uma beleza estonteante, cativa novos fãs no primeiro olhar, é paixão à primeira vista! Pessoas de todos os cantos do mundo viajam até aqui apenas para admirá-lo: Índia, China, Japão, Alemanha, Itália, França e tantos outros, mais de 5 milhões de pessoas se rendem aos seus encantos todos os anos.

Turistas se aglomeram em um dos mirantes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Turistas se aglomeram em um dos mirantes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Na natureza não há preferência de nacionalidade, cor, raça ou credo, aqui as fronteiras são geográficas e com algum esforço até elas podem ser vencidas.

A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos

A vista majestosa do Grand Canyon, no estado do Arizona, nos Estados Unidos


Ao longo dos seus 446 km um rasgo de 16 km de largura e uma profundidade que chega a 1.600m, dividem o South Rim (2.100m) e o North Rim (2.400m). O primeiro, mais desenvolvido e pronto para receber os milhares de turistas todos os anos. O segundo, mais alto, é também o mais selvagem e durante o inverno fica fechado à visitação devido à neve.

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Muita neve na parte alta do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Ao oeste do parque nacional, existe também o chamado West Canyon, dentro das terras pertencentes a duas nações indígenas distintas, Havasupai e Hualapai. Estes sim foram os seus primeiros habitantes, o conhecem profundamente e vivem em harmonia com os seus cactos e espinhos, seus desertos e desfiladeiros, encontrando dentro dele sua face mais doce e generosa.

“The whole canyon and everything in it is sacred to us, all around, up and down” - Rex Tilousi, Havasupai elder.

“Todo o cânion e tudo que há dentro dele é sagrado para nós, tudo a sua volta, em cima e embaixo.” - Rex Tilousi, ancião Havasupai.

Árvore em meio à neve na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Árvore em meio à neve na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


O impacto causado pela paisagem do Grand Canyon vem não apenas da sua grandiosidade e beleza, mas de forma enigmática ele tem o poder de transmitir a sua energia vital. Imaginem o acumulo de força criativa que se reúne em um ambiente tão antigo. As entranhas do Planeta Terra aqui estão expostas e por suas veias corre um dos mais pacientes rios, fluindo sua força e lavando a nossa alma para dar origem a este cenário.

Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Vista do rio Colorado, no mirante conhecido como Desert View, na borda sul do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos



Dicas Práticas
A visita ao parque não tem grandes mistérios, um dos monumentos naturais mais fotografados do mundo, possui de cada mirante suas vistas mais clássicas. O Yavapai Point foi por onde começamos, caminhando ao longo da Rim Trail passamos por outros mirantes, cada um com ângulos e vistas maravilhosas.

A incrível paisagem do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

A incrível paisagem do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Entre um mirante e outro paramos no Visitor Center para conhecer um pouco da história do Grand Canyon e fomos também até o Back Country Office para organizar a nossa expedição para o fundo do Grand Canyon, que requer permissões especiais, pagamento de taxas e reserva de camping. No final da tarde a nossa opção foi aproveitar a luz especial do pôr-do-sol do Desert View. Um dos poucos lugares onde podemos ver o deserto despencando nas paredes escavadas pelo rio e lá embaixo o escultor do tempo, o Rio Colorado, correndo incessante em seu contínuo e árduo trabalho.

No mirante Desert View, é possível observar o rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

No mirante Desert View, é possível observar o rio Colorado no fundo do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Este mirante foi indicado como um dos mais bonitos, não apenas por alguns rangers no parque como pelos blogueiros e amigos Mau e Oscar, no seu post completíssimo Guia para o Grand Canyon National Park.

Torre de observação do Grand Canyon, na borda sul do canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

Torre de observação do Grand Canyon, na borda sul do canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


A principal entrada do Grand Canyon National Park é pelo sul, a 10km de Tusayan, a cidade mais próxima fora do parque, que possui hotéis, restaurantes e até um Centro de Visitantes da National Geographic e um cinema Imax com um premiado filme sobre o parque.

O sol ilumina as paredes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos

O sol ilumina as paredes do Grand Canyon, no Arizona, nos Estados Unidos


Hospedagens dentro da Grand Canyon Village são mais disputadas, portanto reserve com antecedência. Se quiser encontrar algo com preços mais razoáveis a dica é ficar no Bright Angel Lodge (a partir de 89 dólares). Neste mesmo lodge você pode organizar passeios de mula para a base do cânion e reservar alojamento no Phanton Ranch, se quer ver como o cânion se parece lá de baixo. Nós decidimos caminhar e acampar, além de muito mais saudável e barato, o contato com a natureza é mais íntimo e recompensador.

1000dias no Grand Canyon! (no Arizona, nos Estados Unidos)

1000dias no Grand Canyon! (no Arizona, nos Estados Unidos)

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Rancho San Francisco

México, Sierra de San Francisco

A pequena igreja no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

A pequena igreja no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


O principal tour feito por todos os visitantes de primeira viagem na região é o Cañon San Francisco, onde estão as maiores cavernas e mais significativa coleção de pinturas rupestres da Baja Califórnia Sur. O passeio é feito em mulas, são 16 km de descida em um dia, montagem do acampamento, explorações das grutas no segundo dia e o retorno, subindo os mesmos 16 km, no terceiro dia. A maioria dos turistas que chega aqui são senhores americanos bem aventureiros, mas talvez por isso a prática comum é fazê-la em mulas e com a duração de no mínimo 3 dias.

Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Admirando a grandiosidade da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


O ponto de partida para organizar um tour na região é ir até o INAH - Instituto Nacional de Antropologia e História. O funcionário do INAH fornece toda a informação necessária: quais são as rotas mais comuns, principais cavernas, quanto tempo leva para cada uma delas e os valores para contratação do guia, de um rancheiro e das respectivas mulas. Cada grupo é responsável por levar o seu equipamento de camping (barraca, saco de dormir, fogareiro, panelas, pratos, talheres, comida e água) e fornecer a comida para o guia e o rancheiro. Em grupos pequenos, muitas vezes o próprio rancheiro pode ser o guia.

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México


Nós queríamos conhecer o Cañon San Francisco em um tour de 2 dias e pensamos em fazer à pé. É totalmente possível, mas não conseguimos convencer o funcionário do INAH que estava ali. Aí cedemos então para fazê-lo com mulas e ele manteve a posição. Se queríamos conhecer estas cavernas, nós teríamos que ceder na “negociação” e ficar um dia a mais. Eu toparia fácil, mas eu acho que o meu marido “aventureiro” está mesmo ficando velho e com preguiça de acampar por duas noites, só pode ser! Ou é isso, ou é o vício (quase obcessão) que ele tem em estar conectado para manter este nosso querido blog atualizado. Atrasar mais três dias a esta altura nem ia ser tão mau... Mas não houve jeito, então fomos ao Plano B: uma tarde e uma noite no deserto, dormindo no Rancho San Francisco e no dia seguinte pela manhã visitaremos a Cueva del Ratón, a gruta mais acessível na boca do cânion.

Canyon na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Canyon na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Almoçamos perto da praça de San Ignacio e ali no restaurante tivemos um encontro muito bacana com os Doutores da ONG “Amigos Califórnios”. Médicos e dentistas, americanos e mexicanos, que ficaram a última semana no Rancho San Francisco em atividade voluntária, atendendo toda a comunidade. Um dos organizadores da ONG é fotógrafo e escritor e nos presenteou o seu livro, um trabalho documental que durou 7 anos, que conta histórias de vida dos atuais califórnios, que ele conheceu durante sua atuação na ONG. Uma honra e um prazer imenso conhecer pessoas engajadas assim.

Encontro com americanos em San Ignacio, na Baja California - México

Encontro com americanos em San Ignacio, na Baja California - México


A viagem para o Rancho San Francisco é linda, um imenso deserto que rodeia uma das cadeias de montanhas mais altas da Baja Califórnia Sur. Saímos dos 200m de altitude e subimos aos 1.300m aproximadamente. O clima fica mais frio, a vegetação mais verde e umas árvores estranhas, parecidas com um cacto, longa e geralmente com um único tronco, porém com folhagens amareladas, conhecida como Cirio, ou Boojum Tree. A vista do cânion é fantástica ali do alto, circundamos todo o beiral daquela imensa fissura na terra.

Canyon na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Canyon na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


O Rancho San Francisco é um pequeno vilarejo com em torno de 70 moradores. Os arredores deste agrupamento possuem outras 500 pessoas vivendo em ranchos espalhados pela serra. Foi todo este pessoal que os Amigos Califórnios vieram atender, 12 horas de trabalho por dia, 7 dias na semana. Don Francisco, morador da vila, me conta que a maior dificuldade deles é arrumar um emprego, pois ali não há nada para fazer. “Quem não tem cabra, não tem trabalho.” O queijo de cabra daqui é famoso na região e delicioso! Aos poucos o turismo está chegando e começando a dar emprego a estes homens, que servem como guias e rancheiros.

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Vista da imensa planície desértica, subindo a Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


As coisas já começaram a mudar muito com a colocação do asfalto serra acima, mas ainda faltam 14 km de pura terra que está em obras para ser asfaltado até o final de 2013. “Logo chega o asfalto e as coisas vão mudar ainda mais”, diz Seu Francisco. Pergunto se ele acha que é para melhor ou pior e mesmo com toda a simplicidade e necessidade, ele logo diz... “É complicado... bom vai ser por que fica mais fácil para irmos pra cidade e tem mais turista também, mas vai mudar muito tudo aqui, já mudou, para pior.”

Interior da igreja na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Interior da igreja na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Caminhando pelo rancho, fotografando a igreja logo fui abordada por Dona Tereza, uma moradora que tem o jardim mais lindo e florido do vilarejo. Ela me pediu para ler as instruções das sementes de flores que ela ganhou, qual é a época de plantio? Estavam escritas em inglês e não diziam a época certa, lhe dei todas as informações possíveis, mais água, menos sol, etc. Mesmo tímida com “esses turistas que aparecem por ali”, ela me convidou a conhecer o seu jardim, uma explosão de cores em meio à aridez do deserto.

Jardim de flores no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Jardim de flores no pueblo da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


Voltamos ao refúgio e Jadira nos preparou um jantar delicioso incluindo um prato típico mexicano não muito comum por aqui, flor de abobrinha. Ela havia comentado que faria calabacita (abobrinha) e eu empolgada perguntei da famosa flor, que ainda não havíamos provado. Ela foi até a sua estufa, colheu algumas flores e preparou para todos nós, provando também pela primeira vez o famoso prato.

Esperando o jantar no refeitório do nosso hostal na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

Esperando o jantar no refeitório do nosso hostal na Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México


O restante da noite foi de fotos e muito papo, nós curiosos com as pinturas rupestres da região e Jadira e seu marido curiosos sobre os lugares por onde passamos e as pinturas que vimos no nosso caminho. Um intercambio cultural delicioso que foi brindado com uma belíssima noite de lua nova sobre o céu pintado de estrelas. “Se estivéssemos lá no cânion, não veríamos metade deste céu”, disse meu amado marido, e nisso ele tem razão.

A lua nova se põe atrás da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

A lua nova se põe atrás da Sierra de San Francisco, no deserto Vizcaino, na Baja California - México

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Coyoacán e Xochimilco

México, Cidade do México

As típicas Catrinas mexicanas, aqui representando os artistas famosos na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México

As típicas Catrinas mexicanas, aqui representando os artistas famosos na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México


Após um chá de cadeira de 4 dias do técnico que estava arrumando o meu notebook e livrando-o do malware que o travou, finalmente conseguimos encontrá-lo! Foram 3 dias de atraso, desencontros e desespero, pois isso me rendeu um atraso ainda maior nos posts. Decidimos que de hoje não passava, o perseguimos após furar o horário combinado as 10h, fomos até o seu trabalho e o conseguimos finalmente reaver o equipamento as 13h! Assim, saímos novamente tarde para as explorações do dia, hoje nos bairro de Coyoacán e Xochimilco e com a participação especialíssima do nosso amigo Rodz Marc!

Com nosso anfitrião na Cidade do México em visita ao bairro de Coyoacán, terra de Frida Kahlo

Com nosso anfitrião na Cidade do México em visita ao bairro de Coyoacán, terra de Frida Kahlo


Começamos o tour tardio em Coyoacán, bairro conhecido por abrigar artistas e famosos como Hernán Cortês, Frida Kahlo, seu marido Diego Rivera e Leon Trotsky. Peraí, eu falei Cortês? Isso mesmo, Coyoacán, também conhecida como “O lugar dos coiotes” (em náhuatl), foi a base para o conquistador espanhol após a queda do Imperio Azteca e sua capital Tenochtitlán.

Entrada do museu Frida Kahlo, onde a artista viveu com Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México

Entrada do museu Frida Kahlo, onde a artista viveu com Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México


Fomos direto para o Museu Frida Kahlo, a ilustre Casa Azul. Foi nesta casa que a renomada artista mexicana nasceu, viveu e morreu, passando por momentos tensos como a sua recuperação após um atropelamento que a levou a mais de 20 cirurgias e à perda da capacidade de ter filhos. Não por acaso estas cicatrizes são parte freqüente de sua obra, que se tornou mundialmente conhecida.

Visitando a Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México

Visitando a Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México


Frida conheceu Diego Rivera, célebre pintor e escultor mexicano, justamente buscando opiniões e a críticas ao seu trabalho e Diego sempre foi o seu maior incentivador e fã. Ainda assim a relação do casal foi turbulenta, devido às infidelidades que pareciam ser constantes. Frida com seus casos homossexuais e Diego com sua galinhagem que lhe era peculiar. A traição que colocou um ponto (e vírgula) no relacionamento deles foi entre Diego e sua cunhada, Cristina, a irmã mais nova de Frida. Como diria uma amiga minha, isso “épacabá” com qualquer uma mesmo! Frida se separou de Diego na mesma hora e teve uma revanche à altura, tendo um caso com o amigo exilado de Diego, León Trótsky. ! Porém a paixão era maior e os dois tornaram a se casar no ano seguinte.

Foto tradicional na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México

Foto tradicional na Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México


O museu-casa é uma coleção de objetos pessoais e obras de arte que vão da sala de estar à cozinha, passando pelo quarto em que Frida ficou deitada por meses na sua recuperação do acidente. Passamos por seu atelier com suas tintas, estudos, livros e cavaletes até chegar ao quarto. Na cama foi instalado um espelho, pois uma de suas fixações era o auto-retrato. Ao lado da cama está inclusive a perna mecânica que a artista utilizou. Sua personalidade forte está marcada em cada detalhe da casa, suas coleções de cerâmica e até de arte pré-hispânica.

Pátio interno da Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México

Pátio interno da Casa de Frida Kahlo e Diego Rivera, em Coyoacán, bairro de Cidade do México


No jardim, uma das partes mais emocionantes do museu, fotos acompanhadas de frases nos mesmos locais onde cada um daqueles momentos aconteceu. Um jardim delicioso e que vem acompanhado de um café e uma lojinha de souvenirs com a marca Frida Kahlo, irresistível!

A movimentada praça central de Coyoacán, bairro da Cidade do México

A movimentada praça central de Coyoacán, bairro da Cidade do México


Almoçamos em um bistrô ao lado da Plaza Hidalgo, principal centro gastronômico do bairro. Restaurantes lotados e praça repleta de gente feliz, balões, famílias, cachorros e toda aquela festa de final de semana. Infelizmente tivemos que deixar a caminhada pelas ruas coloniais de Coyoacán, o Museu de Trótski e a Casa de Cortês para uma próxima visita. Saímos daqui direto para o mais mexicano dos bairros da capital, Xochimilco.

Com o Rodrigo em almoço rápido em Coyoacán, bairro de Cidade do México tornado famoso por Frida e Diego Rivera

Com o Rodrigo em almoço rápido em Coyoacán, bairro de Cidade do México tornado famoso por Frida e Diego Rivera


“O lugar onde crescem as flores” (náhuatl), Xochimilco é o único lugar na Cidade do México que ainda preserva o sistema de canais que compunham a imensa Tenochtitlán. A capital azteca foi construída em uma ilha do lago Texcoco e na parte sul do imenso lago já havia uma população com uma prática curiosa: eles empilhavam lama e vegetação nas partes rasas do lago, criando novas áreas férteis chamadas chinampas.

Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México

Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México


A especialidade dos Xochimilcas se espalhou e tomou conta do lago de Texcoco, formando uma imensa rede de canais e plantações, a principal base econômica deste império. A Cidade do México foi construída sobre estas chinampas, base nada sólida para tanto peso e concreto. Não é a toa que a cidade está afundando, porém aqui, em Xochimilco, ainda podem ser encontrados em torno de 180 km dos mágicos canais.

Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México

Os tradidionais barcos que levam as pessoas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México


O ajuehote é a árvore símbolo de Xochimilco, pois foi ela a responsável por evitar erosões e manter as ilhas artificiais bem presas ao fundo lacustre. A profundidade média dos canais é de 3m e durante as manhãs a água é transparente, diz o barqueiro, que assegura que a água não é poluída: “Só está verde por que nós mexemos muito no fundo lodoso para mover as trajineras”, afirma. Ele calcula que uma viagem de trajineira pelos canais daqui de Xochimilco até o centro da cidade, no Templo Mayor, deveria levar em torno de 8 horas! Eles realmente tinham outra noção de tempo naquela época! E nós ainda reclamamos de demorarmos duas horas de um canto a outro da cidade. Rsrs!

Passeando de barco pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México

Passeando de barco pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México


As trajineras são as embarcações tradicionais mexicanas que eram utilizadas pelos antigos aztecas, movidas à remo e com a ajuda de cabos que eram puxados por homens desde as ilhas. Hoje a tecnologia da vara, vulgo bambu, facilitou muito a vida dos barqueiros, que sozinhos levam uma trajinera cheia com até 20 pessoas, além de uma mesa e isopor com bebidas.

Programa tradicional para quem visita a cidade, o passeio de barco nos canais de Xochimilco, bairro da  na Cidade do México

Programa tradicional para quem visita a cidade, o passeio de barco nos canais de Xochimilco, bairro da na Cidade do México


São nove embarcaderos, sendo que você pode escolher fazer o passeio ecológico, por uma área tranquila e com foco em conhecer as plantações, oooou você pode escolher se divertir! A parte festiva dos canais, além de plantações de diversas plantas e flores, também oferece um ambiente descontraído, mariachis flutuantes cantando atados à sua trajinera e tudo mais o que você imaginar!

Barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México

Barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México


Saímos apenas nós três em uma embarcação, mas conseguimos interagir bem com os vizinhos animados e tivemos até uma linda música dos Mariachis, regalada pelo Rodz a nosotros. Xochimilco é um destino tipicamente e principalmente mexicano, onde famílias inteiras se reúnem trazem sua própria comida, amarram duas, três trajineras e fazem uma verdadeira festa flutuante!

Com o Rodrigo, observando barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México

Com o Rodrigo, observando barco de Mariachis em Xochimilco, na Cidade do México


Além do espetáculo nas águas, as ilhas também trazem diferentes atrações, restaurantes, mercados de artesanatos, bares e baladas super animadas que atraem jovens chilangos de todos os lados! Uma das principais delas é a Isla de los Muñecos, aka “ilha assombrada”. Conta a história que uma menininha teria sido encontrada morta no canal por um agricultor, dono de uma ilha. Ele a recolheu e providenciou um enterro digno e a partir daí começou a vê-la correndo entre as árvores e lhe pedindo brinquedos. Ele começou a pendurar os bonecos e ursinhos nas árvores e afirma que muitas vezes estes são encontrados no chão após uma noite de brincadeiras. Hoje a ilha possui mais de 2 mil bonecos pendurados pelas árvores e inclusive uma “sucursal” com mais 200 bonecos, em outro ramo dos canais. Assombroso!

Porto fluvial no bairro de Xochimilco, na Cidade do México

Porto fluvial no bairro de Xochimilco, na Cidade do México


Uma hora de trajinera custa em torno de 150 a 200 pesos e uma canção dos mariachis 150. Quanto mais gente, mais barata fica a brincadeira, mas mesmo que você venha sozinho à capital mexicana, não perca o maravilhoso mundo de Xochimilco!

De noite, os barcos carregam velas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México

De noite, os barcos carregam velas pelos canais de Xochimilco, na Cidade do México

México, Cidade do México, Coyoacán, Frida Kaho, Xochimilco

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Homens do Deserto

México, San Ignacio

Pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


O oásis de San Ignacio, porta de entrada sul do Deserto de Vizcaíno, é uma ilha verde de alegria e bonança. Porém os que estão ali não querem ver palmeirinhas, água e uma missão jesuíta. A maioria está em busca de aventuras mais áridas, dias quentes, noites frias e uma boa aula de história de quem foi, afinal, o antigo povo califórnio.

O mágnifico cenário da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

O mágnifico cenário da Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


San Ignacio é uma ótima base para explorar a região. O centro da cidade está em torno da Misión de San Ignacio de Kadakaamán, estabelecida pelos jesuítas e construída por dominicanos em 1786.

A missão de San Ignacio, na Baja California - México

A missão de San Ignacio, na Baja California - México


Um passeio pela praça e temos uma rápida visão da cidade e do tipo de turismo que acontece por aqui. Tours para avistamento de baleias, trekkings e cavalgadas para as grutas próximas são os principais atrativos. O pequeno museu ao lado da igreja dá uma introdução bacana sobre os estudos já realizados nas grutas e cavernas desta área. Hoje qualquer tour mais longo estaria descartado. Com a ajuda do INA – Institudo Nacional de Antropologia - e usando o melhor celular do campo (o bom e velho rádio!), deixamos contratado um guia para nos levar à Cueva del Palmerito na Sierra de Santa Martha.

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México

Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México


Foi pouco mais de uma hora de San Ignacio ao pequeno povoado de Santa Marta. Dirigimos deserto adentro, passando por paisagens espetaculares, o Volcán de las Tres Vírgenes de um lado e um imenso deserto de cactos do outro.

Chegando à Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Chegando à Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


No rancho, finalmente conhecemos a personagem que iria nos acompanhar pelas próximas horas, nosso guia Nacho. Don Nacho deve ter em torno de 65 anos, ele não lembra bem... já foi casado e enviuvou, sua esposa era fraca do coração. A segunda esposa (na verdade ele está apenas juntado) foi raptada da casa dos pais do outro lado da serra, já que o sogro disse à Nacho que o casamento a ele não interessava. Ela fugiu no lombo de uma mula com o amor da sua vida. Tiveram três filhos, além dos 3 que ele já tinha do primeiro casamento. Nacho diz que a juventude de hoje casa muito cedo, com 16 anos já casam e o problema é que do mesmo jeito que casam, separam: “muy rápido”.

O Nacho, noso simpático guia na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

O Nacho, noso simpático guia na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Ele viveu a vida toda aqui, já viajou até San Diego, Los Angeles e San Francisco - USA, uns amigos deles o convidaram e ele foi lá ver como é que era. Na mesma simplicidade que ele nos conta isso, ele nos confirma, adora viver aqui no Deserto de Vizcaíno. Foi aqui que ele nasceu, assim como seus pais e seus avós e foi aqui que se criou, brincando e trabalhando com a terra. Aqui ele não precisa pagar imposto, água (até por que quase não tem!) e nem luz, que é gerada por um painel solar instalado pelo governo.

Flor de cactus na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Flor de cactus na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Ele nos levou rumo à Sierra Santa Martha em uma hora de caminhada, matuto e pensativo. Eu não aguentava e o provocava o tempo todo, queria aspirar um pouco de sua sabedoria do deserto. Que plantas se pode comer? Quais tem mais água e qual é remédio? Ele lembra que quando era criança chovia muito mais por aqui. Agora tem 2 anos que não chove, o deserto não era assim tão seco. “E sobre esses homens que pintavam nas cavernas, o que o senhor sabe?” Ele não sabia muito não, mas diz a lenda que esses índios eram gigantes!

Observando as pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Observando as pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Chegamos à Cueva El Palmerito e logo entendemos o porquê dessa lenda. As pinturas rupestres encontradas aqui nos arredores de Vizcaíno são únicas no mundo! Homens e mulheres pintados estão um pouco maiores do que o tamanho natural! Assim como os veados, borregos, tartarugas e onças. Milhares de pinturas de indígenas usando calças e longas camisas coloridas em vermelho, negro, amarelo e branco.

As incríveis pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

As incríveis pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


As pinturas mais antigas são datadas de 9.000 anos (ou 7.000 a.C.) e requeriam diversos tipos de mão de obra. A confecção das tintas provenientes de diferentes plantas, ferramentas e andaimes, já que os pesquisadores não acreditam (?!?!) que eles eram mesmo gigantes. Antropólogos acreditam que as pinturas murais eram feitas em momentos de encontros de tribos. Estes ameríndios eram nômades e este seria um momento especial de reunião de indígenas da mesma etnia. As pinturas dão asas à imaginação, ficamos meia hora deitados no chão de onde tínhamos a melhor vista, tentando imaginar e entender o que eles queriam dizer.

As impressionantes pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

As impressionantes pinturas rupestres na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


Quase todos estão com as mãos ao alto, dizem que seria a posição que eles ficavam ao redor da fogueira. Alguns homens parecem mais fortes, guerreiros, as mulheres são representadas com os seios laterais, “saindo” das axilas e os chefes da tribo com seus adornos e mantos especiais. Uma imagem que nos chama atenção foi a de um homem (ou mulher?) que estaria usando um capuz, deixando o rosto escuro e o corpo todo coberto. Seria este o próprio xamã? Feiticeiro? Pajé?

Feiticero retratado em pintura rupestre na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)

Feiticero retratado em pintura rupestre na Sierra de Santa Marta, região de San Ignacio, no deserto Vizcaino (Baja California - México)


A cena mais famosa deste painel é a briga dos dois veados, grandes e imponentes. O puma perto deles fica parecendo mais um gatinho. Tempos muito longínquos, que nem em uma viagem de chá de cactos nós conseguiríamos realizar como seria seu cotidiano e quais seriam os seus pensamentos sobre o futuro nesta terra. Será que conseguiriam eles imaginar um dia o mundo de hoje?

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México

Ave de rapina voa nos ares de San Ignacio, na Baja California - México


Voltamos caminhando com os nossos pensamentos e ao som de uma moda mexicana cantada pelo Don Nacho, com profundo gosto e alegria. Chegamos a tempo de pegar um final da tarde no platô de San Ignacio, com uma linda vista do oásis verde no deserto. Um dia quem sabe conseguiremos viajar no tempo e bater um papo com esses caras, eles deviam ser no mínimo, bem interessantes.

O oásis na região de San Ignacio, na Baja California - México

O oásis na região de San Ignacio, na Baja California - México

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