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imoveis (11/03)
Clenilca Alves da Silva(cleo) (11/03)
Clenilca Alves da Silva(cleo) (11/03)
Olá minha gente ,como vai todos ,um grande beijos e Ana e Rodrigo todas...
Hudsão (09/03)
Olá Ana. Parabéns pelo projeto, as suas informações tem sido uma óti...
jandivaldo ornelasde assis (08/03)
Excelente Blog,gostei bastante dessa reportagem,parabéns!!!...
Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
Eleuthera, uma das 700 ilhas das Bahamas, é muito conhecida por suas praias de areia cor-de-rosa em uma pequena ilha vizinha, Harbour Island. Vivem aqui em torno de 15 mil pessoas espalhadas em pequenos vilarejos por toda a ilha. Chegamos pelo Aeroporto Internacional de Eleuthera, que recebe mais vôos internacionais que o Afonso Pena (em torno de sete vôos diários diretos de Miami e Fort Lauder Dale), porém menor do que a rodoviária de Caraguatatuba. Dali, vamos direto para o Tree Points Dock pegar um táxi aquático para Harbour Island, onde estamos hospedados.
Chegando à Bahamas House Inn logo conhecemos John, dono da pousada, um americano viajado e que mora aqui há 12 anos, sujeito suigeneris. A pousada é uma gracinha, arquitetura colonial inglesa, com vista para a baia, quarto super confortável e toda estrutura que precisamos. Chegamos cedo, então o café da manhã estava quase pronto, grape fruit trazida direto de Miami, super docinhas, earl grey tea e um pão caseiro delicioso. John senta à mesa conosco para nos apresentar a ilha, mapa, restaurantes, praia, pontos de mergulho, etc. Já começo a me sentir em casa... Em uma viagem como a nossa, esta é a forma mais fácil de saber se o lugar em que chegamos é especial.
Fomos à praia, Pink Sand Beach, com o vento de noroeste soprando, perfeita para Kite Surf. O Rodrigo correu durante uma hora, quando ele voltou encontrou apenas uma duna de areia. Eu, canga e nosso equipamento de mergulho já haviam desaparecido sob ela. Começo a me preocupar com o meu post de hoje... Como vou descrever novamente uma praia paradisíaca sem me tornar repetitiva? Pior ainda, se eu achei que Paradise Island fazia jus ao seu nome, estava totalmente “out”, aqui sim fica o paraíso. Aos poucos as nossas referências vão mudando e fica ainda mais claro como tudo é relativo. Nassau é lindo e é tudo aquilo que descrevi, mas se comparada a Harbour Island é praticamente como Santos em relação à Búzios ou algo ainda mais exclusivo. Se Nassau é um lugar para ricos, aqui é para podre de ricos, mas tenho até medo de falar isso, pois ainda temos 25 dias de Caribe pela frente. Parece até que a verdadeira casa do Mick Jagger é aqui e não em Paradise Island. Uma das mulheres e seus filhos são freqüentadores da ilha e até a Luciana Gimenez já veio para cá passar uma temporada com o herdeiro. John já o encontrou algumas vezes, uma delas “o Mick” (buddy) estava tocando no evento da Igreja, surreal!
Na praia corremos, fizemos snorkeling com tubarão, moréias e brincamos em várias passagens naturais formadas pelos corais, pequenas cavernas. No Blue Bar provamos uma entrada de camarão com crocante de côco e molho de manga deliciosa e dois drinks de rum típicos, o Bahamas Pink e o Bahama Pink Sands, é lá estavam os dois Kapankalupla! Rsrsrs.
Acho que não tenho vocabulário suficiente para descrever o Caribe sem me tornar repetitiva. Espero que as fotos ajudem a fazer este trabalho. Finalmente começo a me sentir Bahamas In.
Chegando cedinho no aeroporto internacional de Eleuthera
Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
Pink Sand Beach em Harbour Island - Eleuthera - Bahamas
OBS.: Finalmente recebemos as fotos do Shark Feeding! Confira nos seus respectivos posts!
Hoje não conseguimos acordar muito cedo tamanho o frio que fez durante a noite. Já havíamos combinado com o Lázaro, responsável pela AMA Matutu, que precisaríamos de um guia para a Cachoeira do Fundo. O vale tem o formato de ferradura e esta cachoeira fica a 4 km da entrada do parque, no fundo do vale, não é a toa que tem este nome.
Cachoeira do Fundo no Vale do Matutu - MG
Chegamos ao Casarão e enquanto esperávamos a Juana, nossa guia, chegar, ficamos assuntando sobre a vila, o parque e a região. A loja de artesanatos estava aberta e o Ro, muito prestativo, me ajudou a encontrar o famigerado sling que a Dani havia me “encomendado”. Eita coisa difícil de achar, sô! Mas sabia que em uma dessas comunidades alternativas por onde estaríamos passando eu iria encontrar! A Juana chegou e começamos a caminhada, vale adentro. Ela mora aqui no Matutu há 20 anos, na Comunidade do Santo Daime. Chegou quando era criança com seus pais e hoje já tem um filho de 5 anos. Ela nos contou sobre a história do Matutu, o início da comunidade, a sua história e de seus vários irmãos, enquanto caminhávamos tranquilamente em direção à cachoeira.
Trilha no Vale do Matutu - MG
Foi uma caminhada gostosa que começa passando pelo Povoado do Matutu que fica dentro do Parque. Vamos passando ao lado dos sítios, que me fazem pensar que estou em um vale encantado, tudo muito caprichado, riacho passando no meio dos terrenos e uma energia muito harmoniosa.
Bela Castanheira no Vale do Matutu - MG
A trilha foi toda acompanhada por um personagem famoso aqui do Matutu: Simba, o Rei da Floresta! O Simba é o pastor alemão do Cândido e do Paulo, da Pousada do Matutu, mas ele adora turistas e sempre se une a eles (hoje no caso, nós), para percorrer e desbravar o vale. Um companheiro e tanto, Simba é também um ótimo guia, conhece todas as trilhas!
O Simbad adora cachoeiras! (Vale do Matutu - MG)
Passamos pela Cachoeira do Meio e continuamos até chegar à Cachoeira do Fundo, com mais de 120m de altura! Ela desce um paredão de pedra e quase não forma poços. Mas Juana e Simba nos levaram até um pequeno poço perfeito para um mergulhinho rápido. A água devia estar em torno de 13°C, mas mesmo assim a nossa guia foi a primeira a dar o exemplo! Entrou e se esbaldou nas águas gélidas “do fundo”. O Rodrigo e eu entramos na sequencia, só para relembrar a sensação de queimação que uma água gelada pode dar.
Nossa guia, a Juana, foi a primeira a ter coragem de enfrentar a água fria da Cachoeira do Fundo no Vale do Matutu - MG
A Ana também enfrentou a água fria da Cachoeira do Fundo no Vale do Matutu - MG
Na volta passamos pela belíssima Cachoeira do Arco-Íris, esta menos visitada, pois a trilha é mais recente. O poço já estava na sombra, mas é muito maior que o anterior, ótimo lugar para dar umas “braçadas” no verão. O Ro ainda teve o azar de cair de bunda no rio, atravessando-o sentado em um tronco que servia de ponte. O tronco, já meio podre, não agüentou e nos deu a uma bela vídeocassetada, pena que eu fiquei mais preocupada com o Ro do que com a foto, por isso não tenho nenhuma para mostrar para vocês. Comemos uma comidinha mineira deliciosa no restaurante da Iraci, com direito a suco de limão com capim santo e uma banana flambada de sobremesa. Hummm, delícia! Na volta ainda emendamos uma caminhada rápida até o Poço das Fadas, agora apenas com a companhia do Simba.
Ana com o Simbad na Cachoeira das Fadas no Vale do Matutu - MG
Dia lindo e quente, enquanto o sol está sobre as montanhas. Assim que ele se põe, imediatamente a temperatura cai de 19°C para uns 10°C! Nos despedimos de Simba e rumamos para a pousada em busca de um banho quentinho e a sopinha do jantar. Eis a surpresa! O cachorro maluco correu atrás da Fiona os 3 km do Casarão até a nossa pousada! Ele chegou uns 15 minutos depois de nós, todo esbaforido coitado! Havíamos ouvido falar que ele gostava dos turistas, mas não a ponto de ir tão longe da casa dele para devolvê-los à pousada. Se existe um cachorro com alma livre é este... deve ser por isso que os outros caninos implicam tanto com ele. Hahahaha, inveja pura! O Simba resolveu dormir aqui na nossa pousada, acho que foi por que ele entendeu que amanhã vamos subir o Pico do Papagaio. Bem, eu tenho certeza que ele sobe, vamos ver se eu vou agüentar!
Descendo o Vale do Matutu - MG
Bela araucária no Vale do Matutu - MG
Admirando o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela
Começamos a nossa aventura pela Gran Sabana venezuelana! Um lugar bem conhecido dos brasileiros do norte, principalmente do Amazonas e de Roraima, que aproveitam feriados e férias para conhecer as savanas e cachoeiras do sul da Venezuela. Uma terra de muitas belezas naturais cortada basicamente por uma única estrada, a 10, que sai de Santa Helena de Uairén, na fronteira com o Brasil, vai até Ciudad Guayana, 600 km ao norte e continua rumo ao Mar do Caribe. Nós percorremos esta estrada no sentido contrário, já que vínhamos de Ciudad Bolívar. Adiantamos parte do percurso dirigindo 5 horas até a cidade mineradora de El Callao, na fronteira norte da Gran Sabana.
Atravessando o centro garimpeiro de El Dorado, antes de entrar na Gran Sabana, na Venezuela
El Callao se desenvolveu em torno da região mais rica em ouro na Venezuela. Durante mais de 300 anos os espanhóis buscaram o El Dorado ao longo do Rio Orinoco, porém foi apenas em 1849 que os garimpeiros espanhóis encontraram os ricos veios de ouro do Rio Yuruarí. Mais de 15 toneladas de ouro eram retiradas por ano nos idos de 1880 e a Venezuela se tornou a maior produtora de ouro do mundo, só perdendo o posto para a África do Sul anos mais tarde. Ainda assim calcula-se que 10% das reservas de ouro do mundo estão em terras venezuelanas e andando pelas ruas de El Callao fica bem fácil acreditar nisso.
Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela
Passando pelo centro mineiro de El Callao, a caminho da Gran Sabana, na Venezuela
Fizemos umas comprinhas básicas na cidade, água e frutas e seguimos viagem pela Gran Sabana, com paisagens lindas! No caminho pararíamos em um posto de gasolina para colocar diesel, mas a fila gigantesca nos fez desistir. Tínhamos combustível justo para chegar à Santa Helena e contávamos com um posto no km 88 ou ainda com o posto das Rápidas de Kamoirán, no km 171. Nenhum deles tinha diesel, portanto ficamos apenas com uma pequena folga para desviar até o Salto Aponwao.
Gran sabana, na Venezuela. O Brasil é logo ali!
O Salto Aponwao está dentro do Parque Nacional Canaima, um dos maiores parques nacionais do país. Só para terem uma ideia do tamanho, é o mesmo parque onde está localizado o Salto Angel, com acesso apenas via aérea. Localizado no norte da Gran Sabana, para chegar até ele é necessário estar em um veículo alto, preferencialmente com tração 4 x 4.
Placa informativa de estrada secundária na Gran Sabana, na Venezuela
A Fiona nos leva através da Gran Sabana, na Venezuela
Saímos da estrada principal no km 140 e seguimos em direção à vila de Kawanayén. Rodamos 28 km até a região de Parupa e aí encontramos a trilha de areia e terra que nos leva até a Vila de Liworibo, onde está o Salto Aponwao. Lá chegando encontramos um dos moradores da vila pemón arikuna, o guia Omar.
O Luis, nosso guia na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela
A esta altura já havíamos decidido acampar por ali, compramos um enlatado na venda local, antes que fechasse, e subimos na curiara de Omar, (canoa motorizada) para cruzar o Rio Aponwao. Os tours mais curtos e fáceis te levam ao salto direto de canoa, mas nós preferimos caminhar. Andamos uns 15 minutos na canoa e 40 minutos cruzando a savana em uma trilha plana e fácil até o mirante do Chinak Merú, como é chamado o Salto Aponwao na língua pemón.
Pronto para ir conhecer o Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela
Caminhando na Gran Sabana, a caminho do Salto Aponwao, na Venezuela
Uma cachoeira incrível, um rio que despenca do alto dos seus 105 metros e forma uma cortina d´água única em meio à Gran Sabana.
O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela
Eu imaginava que poderíamos nos banhar nela, ledo engano! Há uma trilha que desce até o pé da cachoeira e quando o rio está mais baixo forma-se uma prainha onde é possível tomar banho. Não foi o caso hoje, a nuvem de água deixava todo o vale úmido e escorregadio, não muito convidativo para uma caminhada.
O Salto Aponwao, o maior da Gran Sabana, na Venezuela
Caminhando nas vastidões da Gran Sabana, na Venezuela
Voltamos com o sol baixando, uma luz linda e pouco tempo para conhecer as outras pequenas cachoeiras da região, mas com tempo, lugares não faltam para serem explorados. No caminho Omar, sabendo dos nossos planos de acampar, nos convidou para dormir em sua casa (com alguma gorjeta voluntária) na Vila Indígena Pemón de Riwo Riwo. Nós estávamos curtíssimos de dinheiro e fomos sinceros com ele, ainda assim, pela amizade e pela companhia ele manteve o convite e abriu as portas da sua casa. A casa está vazia, pois ele se mudou com esposa e filhos para morar na casa da sua sogra, que já precisa de cuidados. Com visão e tino para o turismo, Omar (38) e sua esposa Natália (49) estão planejando transformar a casa “extra” da família em um albergue simples para turistas como nós que chegam por ali.
O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Na casa cozinhamos uma sopa e um macarrão que eu sempre trago no carro, para os casos de emergência, e montamos nosso pequeno acantonamento, com isolantes térmicos e sacos de dormir. De noite faz frio na savana, ainda mais depois do temporal que caiu! Tomamos um banho rápido no rio que circunda a comunidade e, assuntando sobre combustível, descobrimos que um caminhão de suprimentos chegava na vila. A vila de não mais de 15 casas conta com uma igreja católica e uma escola. A professora do primário é a líder comunitária, a pessoa com maior grau educacional entre os integrantes do vilarejo. O mercador, dono do caminhão, é seu namorado e assim a vila tem este privilégio! Ele vende de tudo um pouco, luvas, botas, cordas, colchões, pequenos móveis, galões e o principal, ele faz o fornecimento do diesel para o gerador de luz da comunidade. Papo vai e papo vem, conseguimos negociar com o mercador e a professora a compra de um galão de 20 litros de diesel para a Fiona! Isso custaria aqui na Venezuela em torno de 30 centavos de real, mas aqui no meio da savana tudo fica mais caro, nos custando então 100 bolivares! Leia-se: a bagatela de 7 reais!
Nossa casinha na aldeia perto do Salto Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Enquanto o Ro capotou de cansado em casa, eu saí em busca do diesel e acabei sendo intimada a desatolar o caminhão do nosso amigo mercador. O seu motorista havia se prontificado a levar uns indiozinhos para a vila vizinha, há 15 minutos dali. Ele pegou o caminho errado e acabou atolando! Que azar! Ele não queria deixar as mercadorias todas sozinhas, mas estava chovendo e já estava escuro, seria impossível tirá-lo de lá hoje! Então eu fui até lá com as crianças avisá-lo que tiraríamos o caminhão pela manhã e dei uma carona para os 5 jovens até a vila vizinha, onde está a sede do parque.
Nosso "acampamento" na casa do Luis, na Gran Sabana, na Venezuela
De volta à comunidade encontrei Omar e Natália e passamos longas horas conversando. O casal tem 5 filhos e leva uma vida muito simples na vila. Há alguns quilômetros dali Omar e seus familiares plantam mandioca, batata e alguns poucos vegetais. A pesca e a caça estão cada vez mais escassas e a venda de artesanatos e o trabalho como guia são a única renda que eles possuem. Natalia já esteve no Brasil acompanhando sua sobrinha que estava grávida e foi a Boa Vista para o parto. Elas reuniram as poucas economias que tinham e conseguiram carona para chegar até a capital de Roraima. Complicações no estágio final da gravidez fizeram que sua sobrinha ficasse quase um mês no hospital e ali ambas tiveram todo o apoio e atendimento necessário. Ela conta que ficou impressionada com a qualidade do atendimento, enfermeiras sempre preocupadas e médicos muito atenciosos. Ganhou roupas, comida e até salão de beleza das amigas que fez no hospital.
O Luis, nosso guia, e sua esposa Stefany, moradores da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Para Natália o Brasil é um paraíso, cheio de pessoas educadas e muito gentis. Estava sempre muito curiosa para ver fotos de Boa Vista e querendo entender melhor o mapa do Brasil. Eu mostrei algumas fotos, o mapa e ensinei um pouco de português, enquanto Omar me perguntava sobre o trabalho e a vida no Brasil. Com a experiência de Natália sem dúvida Boa Vista lhes parece uma ótima saída desta vida paupérrima que vivem aqui. Quem dera fosse sempre assim, pensei... uma vida no campo às vezes lhes pode sair muito melhor do que a vida de imigrante em uma capital brasileira. Que a vida lhes guie pelo melhor caminho!
Fim de tarde na região do Salto Aponwao, na Gran Sabana, na Venezuela
Com o combustível extra que conseguimos, voltamos a pensar em ir até Kawanayén, a pequena vila em meio a uma paisagem incrível de tepuis que foi construída ao redor de uma Missão de Padres Capuchinhos. Kawanayén, a 70km de estrada de terra desde a estrada principal, estava no nosso plano original, mas sem combustível disponível já havíamos desistido. Omar e Natalia se animaram em nos acompanhar, não apenas pelo passeio, mas por que Kawanayén é muito mais barata para comprar suprimentos, comida, etc. Sairíamos bem cedo, entre 6 e 7 da manhã para dar tempo de irmos até lá, retornarmos e ainda seguirmos até Santa Helena, parando em algumas cachoeiras no caminho. Nosso cronograma estava apertado, mas daria tempo. Porém não contávamos que seria tão difícil desatolar o caminhão.
Caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
A Fiona guincha um caminhão atolado perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Na manhã seguinte ficamos umas 3 horas trabalhando para tirar o caminhão de mais de 9 toneladas da lama! A roda estava quase toda afundada, calçamos com as nossas pranchas de alumínio, pedras, puxamos com o guincho e nada! Estouramos uma das nossas cintas tentando tirá-lo dali... Só depois de muito cavar, muitas pedras e muita paciência foi que conseguimos fazer ele se mover!
A prancha de aluminio nos ajuda a desatolar o caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Controlando o motor do guincho da Fiona durante operação paa desatolar um caminhão, perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Celebração após desatolarmos um caminhão perto da Aldeia Aponwao, na Grand Sabana, na Venezuela
Ao final, nos despedimos de Omar e Natália sem poder leva-los até Kawanayén. Ajudamos com o que pudemos, comidas e roupas que tínhamos, além de um extra pela casa. Hoje é dia dos pais e a vila está em festa o dia inteiro! Missa na igreja pela manhã, famílias e amigos reunidos para o almoço e uma gincana organizada pela professora durante a tarde iam animar o Dia dos Pais. Uma pena não podermos ficar. Fomos presenteados com esta experiência na Gran Sabana! O encontro com Omar e Natália e a convivência, mesmo que rápida, com o pessoal da tribo foi marcante e muito especial! Espero poder voltar aqui e encontrar Omar e sua família muito bem, com uma bela pousadinha, transformando para melhor a sua vida e a da vila sem precisar sair da sua terra e sem perder as suas raízes.
Nessa época, há muitas flores na Gran Sabana, na Venezuela
Padaria centenário em Santa Rosalía, na Baja California - México
Santa Rosalía é uma cidade de arquitetura colonial francesa construída em torno da mineradora Boleo Company. Além do clima meio decadente de faroeste abandonada, podemos encontrar uma graça em caminhar pela cidade, fazendo uma rápida viagem no túnel do tempo e imaginando toda ela em pleno vapor nas épocas glórias do cobre.
Cenário de faroeste com carros em Santa Rosalía, na Baja California - México
Acordar em um antigo bordel, com vista para o Mar de Cortês e para as máquinas da antiga planta de beneficiamento de minério, não tem preço. As antigas ferragens e um antigo vagão de trem compõe o clima, ao redor do Hotel Francês.
A enorme varanda e a bela vista do Hotel Frances, em Santa Rosalía, na Baja California - México
Iglesia Santa Bárbara foi desenhada pelo arquiteto Gustave Eiffel, o mesmo da torre! Embora a igreja não tenha nem um décimo da beleza de sua irmã, ela foi vencedora um concurso de arquitetura por ser pré-fabricada, um feito e tanto para a época.
A igreja irmã da Torre Eiffel, em Santa Rosalía, na Baja California - México
Santa Rosalía nos lembrou muito Humberstone, a cidade fantasma da mineradora de salitre inglesa, que se tornou Patrimônio Histórico da Unesco, ao norte do Chile. Saímos para explorá-la a pé enquanto a Fiona ficou nos esperando em frente à casa do chaveiro. Há meses a fechadura da capota estava pifada e não havia lugar mais propício para encontrarmos um “cerradureiro” para arreglar a nossa cerradura do que em uma cidade mineradora. Casas de ferragens, equipamentos e estes itens que gravitam em torno da atividade principal.
A Fiona em Santa Rosalía, na Baja California - México
O conserto demorou umas 2 ou 3 horas a mais que o previsto, almoçamos, passeamos, trabalhamos e finalmente reavimos Fiona com fechadura, chave nova e tudo! Pé na estrada, agora em direção ao deserto de Vizcaíno. Adentramos ainda mais ao deserto, cada vez mais fascinados pelas paisagens e entardeceres que a Baja nos proporciona.
Nossa última visão do Mar de Cortez, na orla de Santa Rosalía, na Baja California - México
San Ignácio é o nome do povoado que nos abrigará por esta noite, um oásis no meio do deserto. Palmeiras, uma linda missão, é claro, e ainda mais história lhes aguardam nos próximos capítulos.
Atravessando o deserto na estrada entre Santa Rosalía e San Ignacio, na Baja California - México
Com o Naldo no canyon do Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Saímos cedinho de Petrolina, 6h30 da manhã. A viagem de Petrolina à Caracol é longa, pouco mais de 500km sertão adentro, passando por diversas vilazinhas escondidas no mundo. Eu não conseguia parar de pensar, como eles vieram parar aqui?
Chegamos longe! Fronteira de Pernambuco e Piauí
O Estado do Piauí foi colonizado de dentro para fora, os bandeirantes procuravam terras para criação de gado, mas não deu muito certo, já que o clima semi-árido não ajudava muito. A primeira cidade fundada foi Oieras, em 1740 sendo definida como capital do estado. Mais tarde Teresina foi fundada, sendo a primeira capital planejada do país. Este povo que vemos sobrevivendo neste interiorzão, com pouca água, um calor imenso, foi aos poucos se fixando neste processo de colonização.
Cena comum nas estradas do interior do Piauí e do Nordeste
Caatinga é, em tupi, floresta branca, devido à coloração das árvores quando estão completamente secas. O período chuvoso começou em novembro e deve ir até fevereiro, período chamado pelos piauienses de inverno. São temperaturas de 36°C, mas ainda assim tivemos a sorte de ver parte desta caatinga toda verde e até florida, já que a primeira chuva aconteceu há uns 20 dias.
Paisagem do Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Em meio à esta Caatinga, encontra-se o Parque Nacional da Serra das Confusões, parque formado em 1998, sendo hoje a maior reserva de caatinga no Brasil. O plano de manejo do parque ainda não está pronto, pela informação que recebemos do nosso guia, e a estruturação está começando agora, com a construção das primeiras portarias. Dentro do Parque encontram-se ainda algumas comunidades como o Barreiro e o Capim, famílias que estão aguardando suas indenizações para se mudarem da área de reserva.
Chegando ao Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Chegamos à tarde em Caracol e tentamos contato direto com Adão, guia do aprque que nos foi indicado pelo Luis, aventureiro que conhecemos aqui no site. Infelizmente o Adão estava acamado e pediu então que seu filho Naldo nos acompanhasse. Fomos direto para o Parque conhecer uma das suas mais famosas atrações, o Riacho do Boi.
canyon do Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Um cânion estreito formado por paredes de mais de 20m de altura. Estas fendas abrigam centenas de andorinhas, que deixam o local com um aroma sui generis. Descemos para o riacho por uma escada colocada por um padre italiano que viveu na região, antes destas escadas, uma raiz imensa era utilizada para acesso ao local.
Saindo do canyon do Riacho do Boi no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
O calor era grande e o Rodrigo queria muito ir até um riacho ou um ponto com água para se refrescar. Caminhamos mais uns 45 minutos pelo leito de um rio intermitente, que aparece apenas por alguns dias do ano quando se dá o período de chuvas. Lá, no final do leito areado deste rio fica a Gruta Escondida, um olho d´água que brota da terra. O Naldo nos disse que teria água e queria cumprir a promessa! No meio do sertão encontrar um olho d´água destes é uma benção! Entretanto, estamos vindo do Velho Chico e de 10 dias na Chapada Diamantina, acho que o Ro esperava encontrar um rio, mesmo que com pouca água, mas um rio. Vi a carinha de desânimo dele, que foi intimado a entrar (por mim, é claro) no olho d´água, uma vez que nos fez andar até lá.
Olho d'água no Riacho do Boi, no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
Um belo banho, jantar gostoso na pousada da Ednéia e capotamos logo cedo, afinal a Serra das Confusões ainda guarda muitas surpresas para nós!
Fim de tarde no Parque Nacional da Serra das Confusões, no sul do Piauí
O Douglas, Amelie e Clara durante almoço em Bogotá, na Colômbia
Às vezes demora um pouco para o jovem perceber isso, mas chega uma fase da vida em que simplesmente percebemos como os laços de família são muito fortes. Por mais que queira negar, você começa a se reconhecer em cada gesto, cada ato, cada erro e acerto, cada lição de moral, e cada decisão, naqueles que o fizeram essa pessoa tão bacana que você é hoje.
Eu já estava neste processo muito antes de começar esta viagem, pensava até que já o estava encerrando. Como se depois disso houvesse um novo ciclo e um novo status de ciência destas relações. Ledo engano. Durante a viagem fui percebendo que a nossa noção sobre estas relações familiares podem mudar, amadurecer e até se enraizar, porém este processo é cíclico e nunca irá terminar. Faz parte da nossa evolução, como espírito e como seres humanos. A distância é um fator catalisador deste processo de reconhecimento, restabelecimento, renovação e reafirmação destes laços. Aos poucos vamos nos reencontrando com nossos pais, irmãos, avós, tios, primos e nos reconhecendo em cada um deles, a cada esquina, seja em Bogotá, Iquique ou lá em Cabaceiras, Paraíba.
Com a Amelie em almoço em restaurante de Bogotá, na Colômbia
Às vezes também, encontramos pessoas que nos identificamos tanto que elas passam a fazer parte destas referências e volta e meia você também os encontrará dentro de ti. Estas pessoas são os nossos amigos. Como dizem alguns, “Os amigos são a família que nós podemos escolher.”
Almoço com a Joana, Douglas, Amelie e Clara em Bogotá, na Colômbia
Esta escolha não é racional e quando vemos, ela já aconteceu! Nós estamos passando justamente por uma experiência como esta. Douglas, Clarita e sua filha de 3 anos, Amelie, são a nossa nova família colombiana.
Matamos as saudades destes momentos, hoje passamos o dia em família. Café da manhã juntos, depois cada um segue em seus compromissos, aulas e trabalhos e se encontra para almoçar. Um belo almoço, diga-se de passagem, fomos a uma parillada tipicamente colombiana. Fomos eu, Rodrigo, Angelo, Joana, Douglas, Clarita e Amelie a nos afundar de comer carne. À noite foi a minha vez de preparar o jantar, massa, queijo, vinho e uma sobremesa beeem brasileira: brigadeiro!
É engraçado como foi tudo muito rápido, muito intenso e muito natural ao mesmo tempo. Não sei se é apenas parte da imensa hospitalidade deles, somada à minha carência e saudades da família, mas a identificação foi tão forte, que hoje já nos sentimos parte da família!
Parati - RJ, vista do mar
Escuna em Parati? Que programa de índio! No entanto se for feito durante a semana pode ser muito interessante. Estávamos morrendo de saudades do mar! Parati é uma cidade de baía, por isso para chegar à praia deve-se usar o carro ou uma embarcação. Agendamos logo um passeio de barco, aproveitando que a cidade não está tão cheia durante a semana.
Passeio de escuna em Parati - RJ
O barco saiu das 10h do trapiche com uns 20 passageiros, destes mais da metade eram estrangeiros. O trajeto passa pela Ilha Comprida, Saco da Velha, Lagoa Azul e termina na Praia Vermelha. Sol, mar esmeralda, transparente!
Nadando na praia Vermelha, em Parati - RJ
Tentando fotografar os peixes na Ilha Comprida, em Parati - RJ
Durante o passeio conhecemos dois amigos, Jane é australiana e Fergal é irlandês. São super interessantes e divertidíssimos, ele é designer de interiores e mora no Rio de Janeiro, os dois se conheceram em Londres onde dividiram apartamento. Recentemente Jane trabalhava com cavalos perto de Sevilha na Espanha, veio visitar os amigos no Brasil e resolveu esticar um pouquinho fazendo uma viagem pela América do Sul.
Saco da Velha, em Parati - RJ
Depois de alguns mergulhos, muito papo e uma caipirinha de maracujá almoçamos a bordo na Lagoa Azul, um dos pontos mais bonitos do passeio. Voltamos ao trapiche e vamos direto para a mesma estrada por onde passamos ontem, a estrada de Cunha.
Saltando da escuna no mar, em Parati - RJ
Ao lado do Caminho do Ouro encontramos a Cachoeira do Tobogã e Poço do Tarzan lindos, mas um pouco secos, já que não é a época das monções. O tobogã ainda funciona bem, mas não com a mesma velocidade que se estivesse cheio d´água. Depois de um dia salgado, debaixo do sol, um banho de água doce é sempre renovador!
Escorregando pela Cachoeira do Escorrega, em Parati - RJ
Finalizamos o dia com um jantar delicioso com a Jane e o Fergal, ótimas companhias, tentando desenferrujar um pouco o inglês. Demos uma voltinha na Praça da Matriz onde a festa para a padroeira da cidade rola solta até tarde. Barraquinhas e bandas de pop rock, uma beleza! Pena que estava vazia... Amanhã trilha para as praias ao sul de Parati, vamos ao Sono!
Jantar em Parati - RJ
Pronto para um mergulho no fim de tarde, em Flores, na Guatemala
Hoje cruzamos a fronteira de Belize com a Guatemala, a única fronteira terrestre entre os dois países fica a meros 13 km de San Ignacio e 80km da Ilha de Flores. O distrito El Petén é o mais distante e menos populado do país, o governo fez um esforço para desenvolver esta região, que hoje possui as melhores estradas, além de uma das mais impressionantes ruínas mayas da Guatemala, a famosa Tikal.
Uma das ladeiras que dá acesso à praça central de Flores, na Guatemala
A mágica Ilha de Flores está localizada dentro do lago El Petén Itzá. Ela foi ocupada pelos espanhóis durante a colonização que, sobre a cidade maya, construíram uma cidade colonial com ruas estreitas, uma igreja no topo e um agradável passeio na beira do lago, onde até hoje locais e turistas se refrescam nos dias mais quentes de verão.
Caminhando na orla do lago Petén, em Flores, na Guatemala
A igreja matriz de Flores, na Guatemala
Mergulhando no lago Petén, em Flores, na Guatemala
O lago El Petén Itzá é uma atração por si só, passeios de barco ao redor da ilha te levam a um pequeno museu em uma ilhota e à vilas próximas. Até mergulho para ver vestígios arqueológicos estão começando a ser operados. Reza a lenda que um grande cavalo esculpido em pedra pelos mayas para Hernán Cortez estaria afundado por aqui! Ao que tudo indica o Cortez não parou nesta região, pelo menos não durante esta vida. Mas quem sabe? Há muitos mistérios no mundo a serem desvendados.
Nadando no delicioso lago Petén, em Flores, na Guatemala
Flores possui toda a infraestrutura turística comum nas cidades da América Central. Agências de turismo especializadas nos sítios arqueológicos da região oferecem diferentes passeios a Tikal (no nascer e no por do sol) e até aos lugares mais distantes como El Mirador. No norte de El Petén, quase na fronteira com o México, El Mirador é uma das maiores cidades mayas do período pré-clássico e está isolada por 60km de trilhas na floresta guatemalteca ou por um caro sobrevoo de helicóptero.
Pequena cidade na orla do lago Petén, em frente à ilha de Flores, na Guatemala
Nós pensamos em ir até lá, mas como sempre apressados acabamos deixando esta aventura para uma próxima vez. Escolhemos relaxar às margens do lago, saímos para correr ao redor da ilha, nadamos e recuperamos energias para seguir viagem. Tiramos um dia para explorar a poderosa Tikal e aproveitamos os restaurantes mais turísticos para colocar as vitaminas, saladas e sucos em dia. Viajando por estes lugares mais distantes às vezes é difícil encontrar opções saudáveis de alimentação.
Correndo na orla do lago Petén, em Flores, na Guatemala
Barco leva passageiros pelo lago Petén, em Flores, na Guatemala
Muitos dos turistas mais alternativos preferem hospedar-se na vila de El Remate, onde há menos infraestrutura, mas os pequenos hostels e restaurantes locais dão ao vilarejo um ar mais autêntico. Além de garantirem ter um lago mais limpo se comparado com o lago ao largo das mais populosas Santa Elena e Flores.
O sol aparece um pouco antes de se pôr, visto da ilha de Flores, na Guatemala
Flores é mais um daqueles lugares especiais no mundo, perfeito para descansar e deixar as preocupações de lado, aproveitando o melhor da cultura e arquitetura maya, lado a lado com a culinária, o conforto e a receptividade do povo guatemalteco.
Uma bela conjunção da lua e Júpiter, em Flores, na Guatemala
Mamãe baleia leva filhote para passear na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Elas levam três meses para viajar do Ártico até aqui, conhecem seu parceiro no caminho e vem parear aqui, na laguna de Puerto Adolfo Lopez Mateos.
Barco leva turistas para ver baleias em Puerto López Mateos, na Baja California - México
As Baleias Cinzentas ou Ballenas Gris são avistadas nesta região entre os meses de novembro a março, quando muitas delas dão à luz e acompanham o crescimento dos seus bebês nas águas mornas e protegidas da Baía Magdalena. 16°C? Mornas para elas, é claro!
Baleia Cinzenta faz exibição nas águas da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Os filhotes são curiosos e querem saber quem é esse povo que está no barco, loucos para tocá-los e fazer carinho. Eles chegam ao lado do barco e cuidadosamente manobram para ficar beeem pertinho, nadando paralelo ao barco para conseguirmos tocá-los.
Tocando baleia cinzenta durante passeio em canal da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
São dezenas, nós avistamos em uma hora e meia de passeio, pelo menos umas 15 baleias diferentes! É uma sensação indescritível e simplesmente maravilhosa! Avistamos de longe e os barqueiros lentamente começam a aproximar-se, quando percebem que a baleia, normalmente com o seu filhote, acelera o ritmo, não a segue, para respeitar o seu espaço. Eles sabem quando elas querem acercar-se e interagir. Os momentos que antecedem a aproximação são de pura adrenalina, todos no barco ficam agitados e esperando a sua vez!
Enorme baleia ao lado do nosso barco na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
A baleia respira, afunda e depois de uns 3 a 5 minutos reaparece, majestosa ao lado do barco! Elas se levantam devagar e nadam ao nosso lado, querendo ser tocadas! Sensacional! Eu voltei a ser criança, levando assopradas de baleia na cara e dando risada enquanto o Rodrigo me filmava e dizia “tira foto!”. Como vou tirar foto numa hora dessas? Só tenho duas mãos e “agora” elas estão NA BALEIA!
Acariciando baleia Cinzenta na Baía Magdalena, região de Puerto López Mateos, na Baja California - México
Pergunto ao nosso barqueiro e guia, Don José, se o número de baleias diminuiu pelo turismo em torno disso e ele nos conta que o número é variável. “O ano passado foi um dos recordistas e só nesta temporada foram vistas em torno de 250 baleias!”. Desde 1970 são feitos passeios de avistamento de baleias na lagoa de Puerto López, aos poucos as baleias cinzentas foram se acostumando e é a única espécie que se aproximou do ser humano a este ponto.
Nosso guia e companheiros no passeio para ver as baleias cinzentas em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Voltamos na nossa voadeira, cabelos ao vento e sorriso na cara, dando um até logo a todas as baleias que estavam nadando na direção oposta. Encontramos ainda um grupo de golfinhos, provavelmente caçando umas pobres sardinhas. O sol baixando fez a paisagem das dunas de areia que rodeiam a laguna ainda mais lindo e parecido com os nossos Lençóis Maranhenses ou a praia de Galinhos no Rio Grande do Norte.
Dunas cercam o "canal das baleias", ligando o Oceano Pacífico à Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
O sol estava quase posto, mas ainda aproveitamos o restinho de luz para adiantar um trecho de estrada e fomos direto para a cidade de Loreto. Um Super Burro para o jantar (delicioso, diga-se de passagem) e uma boa noite de sono para continuar as explorações. Boa noite, sonhem com as baleias!
Também quer? Aí vão algumas dicas!
Barcos que levam turistas para ver as baleias acizentadas na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Este passeio é vendido nas agências de turismo de Loreto e La Paz. As de La Paz geralmente trazem seus turistas para a Baía Magdalena pelo porto de San Carlos, mais ao sul. A dica é buscar uma agência que venha a Puerto Lopez, que tem avistamento mais frequente. Como vocês sabem, na natureza não se pode garantir nada, mas mas nesta época eles garantem sem medo! Se você está de carro ou mochilando para o norte da Baja Califórnia, procure o píer de Puerto Lopez Mateos.
Turistas observam baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Durante a temporada este porto está sempre cheio de turistas que poderão compartilhar a embarcação, que sai 800 pesos por hora (67 dólares aproximadamente). Nós encontramos Armando e sua família que nos propuseram fazer uma saída de 1h30, tabelada em 1.200 pesos (100 dólares), ficando 50 dólares por casal. Puerto Mateos não possui muita infra-estrutura turística, uma das únicas pousadas está pertinho do embarcadeiro.
Filmando baleia cinzenta em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Vista do nosso quarto em Provo - Turks e Caicos
Hoje nos despedimos de Turks and Caicos Islands, e como não poderia deixar de ser, em alto estilo. TCI tem a terceira maior barreira de corais do mundo, ficando atrás apenas da Austrália e Belize. Com tamanha parede, aqui são especializados em Wall Dive, com diversas formações, espécies, tipos de corais e esponjas. Hoje fomos mergulhar em dois dos melhores pontos de mergulho de Provo: “O Anfiteatro” e “A Chaminé”. Nos dois pontos tínhamos grandes chances de ver tubarões, raias e tartarugas, mas a principal atração são as formações de coral e o cenário especial que elas acabam criando.
O Anfiteatro é perfeito, como os romanos e gregos, palco e tudo. Todo revestido de corais negros, um tipo raro de coral, é um mergulho super psicodélico, repleto de cores e formas de outro mundo. A Chaminé é divertida, uma abertura nos corais que desce dos 15 aos 30 metros e se abre para aquela imensidão azul. A visibilidade foi a melhor destes 15 mergulhos que já realizamos até agora e o guia ninguém menos do que Dave, fotógrafo submarino e dono da Provo Turtle Divers. Como o barco estava praticamente vazio o serviço foi vip e ainda pudemos presenciar uma prática totalmente incomum: a caça de Lion fishes! Como eu já contei aqui em posts anteriores, esta é uma espécie invasora nos mares do Caribe e está quebrando todo o equilíbrio do ecossistema da região. Por isso a caça desta espécie é liberada e incentivada, mesmo com scuba, já que este peixe não possui predadores naturais aqui, vive entre 12 e 30 metros de profundidade, na maioria das vezes escondido nos corais. Então, além de admirar a beleza dos corais e procurar diferentes espécies de peixe, torcendo para um tubarão aparecer, também ajudamos a apontar os pobres Lion fishes.
Lion Fish - Foto tirada por David Volkert
A caça é relativamente simples, com um tridente longo o Dave se aproximava do Lion fish e já o acertava. Ele é um peixe meio paradão, fácil de ser caçado. Por ser um peixe com espinhos venenosos, nenhum outro peixe se aproxima e por isso não desenvolveu o instinto de fuga. O maior exemplo disso foi quando vimos dois deles nadando juntos, Dave matou o primeiro e o segundo ficou ao lado olhando e esperando para ser morto! Impressionante! Melhor ainda foi quando uma garoupa grandona ficou ao lado do Dave só esperando ele terminar o trabalho de cortar os espinhos e a cabeça do Lion e assim que ele o soltou do arpão, NHAC! A garoupa papou ele ali mesmo, era tão grande que mal cabia na sua boca! Para terminar o segundo mergulho, de lambuja ainda vimos duas tartarugas lindas e sempre com aquele ar sábio.
Garoupa Tigre - Foto tirada por David Volkert
Tartaruga - Foto tirada por David Volkert
O restante do dia foi focado em organizar as coisas para a viagem amanhã cedo e trabalhar para colocar o site em dia. Temos muito trabalho pela frente e amanhã, um novo país para apresentar a vocês. E que venha Porto Rico!
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