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Lurdes (30/04)
Olá Ana e Rodrigo,continuo acompanhando esta viagem e sempre com surpres...
ivete (29/04)
Oi Ana e Rodrigo, adoro voces. Acompanho-os desde agosto de 2011. V...
katia kruger (29/04)
Depois destas imagens, e do teor do post, tb inclui a Meteor Crater na mi...
Marcos (26/04)
Pelo que vi, esta cidadezinha é maravilhosa por toda a sua natureza... G...
Bóia Paulista (26/04)
Oi, Rodrigo. Tudo bem? Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do V...
Praça em Oeiras, antiga capital do Piauí
Quanto mais conheço, mais reconheço o tanto que desconheço. Quando levava uma vida mais normalzinha, aquela rotina de acordar, ir trabalhar, voltar para casa e dormir, o meu mundo do dia à dia era mais limitado e, dentro desses limites, havia pouco para aprender. Parecia-me que eu sabia muito. Agora, todos os dias são diferentes. Todos os dias aprendo. Todos os dias fica claro o tanto que não sei, a minha mais profunda ignorância.
Igreja em Oeiras, antiga capital do Piauí
Falo de história, de geologia, de culinária, da botânica, da arquitetura, da literatura e de qualquer outro assunto que eu queira me aprofundar. No caso, acabo de aprender que o valoroso estado do Piauí teve como primeira capital a cidade de Oeiras. Aprendo também que Teresina foi a primeira cidade planejada do Brasil, muito antes de BH e Goiânia e mais de um século antes de Brasília. Aprendo que não foi apenas a Bahia que teve de lutar pela independência do Brasil. Não! No Piauí morreram centenas de brasileiros em guerra contra os portugueses, principalmente na Batalha do Jenipapo, quando combateram praticamente sem armas contra o exército lusitano.
Nossa pousada em Oeiras, antiga capital do Piauí
"Descobri" Oeiras ainda na Serra da Capivara, quando ela me foi apontada como um bom ponto para dormir, no nosso caminho para o Ceará. Foi aí que me disseram que era uma cidade histórica, antiga capital do estado. Para lá rumamos, eu e a Ana. Ficamos hospedados numa casa do séc. XIX, atualmente uma pousada (Pousada do Cônego), restaurada e bastante charmosa, bem na praça principal da cidade.
Com o João Oeiras, em Oeiras, antiga capital do Piauí
Em Oeiras, conhecemos o Bill e o Joca Oeiras. O primeiro ficou muito interessado na Fiona e assim nos conheceu. Gostou de nossa história e nos apresentou ao Joca Oeiras, paulista radicado em Oeiras, jornalista. Fizemos uma entrevista recíproca. A dele, logo a Ana colocará no site. A nossa, ele foi bem mais ágil que nós, já está no link:
http://www.fnt.org.br/artigos.php?id=677
Pena ter ficado tão pouco tempo. A parte histórica da cidade está muito bem conservada, casario antigo com cores vivas e harmoniosas. Como não poderia deixar de ser, faz um calor danado e o chuveiro do hotel nem tem necessidade de torneira de água quente. A fria já é morna. Cidade tranquila e religiosa. Visita bem agradável para quem está a caminho da Capivara.
Deixando Oeiras, antiga capital do Piauí
É uma vergonha que nem conste no Guia Quatro Rodas. Assim como é uma vergonha que eu não conhecesse a história da Batalha do Jenipapo. Felizmente, para a ignorância há remédio: aprende-se.
Morro do Cabeludo, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Pouca gente fora de Goiás sabe, mas os Pirineus, essa famosa cadeia de montanhas, não fica entre a França e a Espanha, mas aqui pertinho de Goiânia, na pequena, histórica e charmosa Pirenópolis, ou cidade dos Pirineus.
Pirenópolis é um destino turístico super concorrido para os goianos e brasilienses. Cidade histórica, com origem no séc XVIII ligado à mineração, ainda em tempos coloniais, tem um casario antigo que lembra muito as cidades históricas mineiras, ou mesmo Parati, no Rio de Janeiro. Além do charme, o outro grande atrativo da cidade são suas belezas naturais, como as dezenas de cachoeiras e o P.E dos Pirineus.
Vista dos Pirineus, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Nosso objetivo era sair hoje de São Jorge, na Chapada, e chegar à Pirenópolis em tempo para visitar esse parque que dá nome à cidade. Das minhas lembranças de uma visita que fiz há uns oito anos, era um programa rápido e relativamente fácil de fazer...
Muitos "chuvirinhos" no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Saímos mais tarde que o planejado mas, mesmo assim, ainda tínhamos a intenção de dar uma paradinha no Vale da Lua, ao lado de São Jorge e a mais conhecida atração da Chapada dos Veadeiros fora dos limites do parque. Mas hoje era sábado e, assim que chegamos na estrada que dá acesso á atração, lá estavam dois ônibus abarrotados rumando para o Vale da Lua. Era a deixa que precisávamos para desistir do programa, ainda mais que seria uma visita de pouco tempo, mas paga do mesmo jeito. O Vale da Lua é para ser curtido durante a semana, longe das multidões e com tempo para admirar cada um de seus recantos.
Com o Chico, no alto do "Pai", no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Passamos em Alto Paraíso, na nossa pousada Catavento, para pegar o carro do Chico e seguimos em comboio para Pirenópolis, passando pelo Distrito Federal e ao largo de Brasília. Impossível não lembrar da inesquecível Legião Urbana e de seu "Santo Cristo" ao passar ao lado de Planaltina e de Ceilândia. É fácil perceber que a crítica social contida naquela música continua mais atual do que nunca, especialmente nestas cidades da periferia de Brasília.
Com a tarde avançando, chegávamos perto de Pirenópolis e já podíamos observar os Pirineus. E não é que lembram mesmo as montanhas européias? É claro que numa escala muito menor! Foram europeus passando pela região que notaram a semelhança e contribuíram para a mudança de nome da antiga vila para o nome atual.
Uma das quedas d'água do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Não daria tempo de ir até a cidade para depois voltar ao parque. A saída era passar por lá primeiro. O problema é que nossos dois livros-guia advertiam que um guia (de carne e osso)era obrigatório. Não nas minhas memorias! Lembrava-me de trilhas curtas e bem indicadas. Dito e feito! Apesar das placas avisando sobre a necessidade de guia, essa ridícula regra não é seguida. As portarias aparentam estar abandonadas e seguimos tranquilamente até o pé do "Pai, Filho e Espírito Santo", as três montanhas principais dos Pirineus.
Um dos poços do Sorrizal, no Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Encima do Pai está uma igreja e uma trilha de 15 minutos nos leva até lá, de onde se tem belíssimas vistas das paisagens ao redor. Há uma procissão em Julho em que as pessoas vem até aqui, à pé, desde Pirenópolis, a 20 km de distância. Isso sim é um belo esforço!
De lá seguimos, ainda dentro do parque, para o Sonrizal, uma sequência de pequenas quedas d'água (principalmente para quem está acostumado com as cachoeiras da Chapada!) e diminutos poços de água cristalina. A gente se refrescou rapidamente e seguimos para Pirenópolis, onde nos instalamos na Pousada Cavalhada, bem no centro histórico.
No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Fim de semana, cidade movimentada por goianos e brasilienses. Mais do que isso, estamos em período de festas que antecedem as famosas cavalhadas da cidade, então o centro se enche de pessoas montadas em seus cavalos enfeitados. Muito jóia! Comemos num dos muitos bons restaurantes de preços inflacionados da cidade e esticamos para uma boate onde se tocava "legítima" música goiana: jazz! Muito boa, a banda, e foi foi uma surpresa agradabilíssima encontrar essa boa música por aqui, em pleno interior de Goiás. Acabou embalando nosso sono tardio, já quatro da manhã. Vai ser difícil acordar para poder seguir explorando as belezas da cidade...
No mirante do Parque dos Pirineus, em Pirenópolis - GO
Chegando aos pilares de South Pier, no sul de Bonaire
Com tantos pontos de mergulho ao redor da ilha e com apenas alguns dias de explorações pela frente, tínhamos a difícil tarefa de escolher onde mergulhar. Normalmente, quando se mergulha através de uma agência, essa escolha fica com eles que são os conhecedores da área. Mas nós estamos mergulhando de forma independente por aqui e assim, dessa vez, a escolha era nossa.
Nosso carro em Bonaire (no South Pier, no sul da ilha)
Uma boa conversa com o francês que é dono do nosso hotel foi o melhor caminho. Ele nos explicou que os mergulhos no norte são um pouco diferentes dos do sul, que não valia o trabalho de se deslocar até Klein Bonaie pelos poucos dias que tínhamos e, enfim, fez uma lista de lugares que gostava. Dessa lista, escolhemos ao mesmo tempo mergulhos variados entre si (sul, norte, naufrágio, pier, profundo, raso, etc...) e que nos dessem a oportunidade de rodar por toda a ilha.
Placa sinalizadora de ponto de mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Hoje, partimos para o sul da ilha. O primeiro mergulho foi no extremo sul de Bonaire, bem ao lado de um farol. No caminho, sempre beirando o mar, pudemos ver e localizar as dezenas de pontos de mergulho, sempre bem marcados com as famosas pedras amarelas. As praias são sempre muito estreitas. São de coral, e não de areia. A gente percebe facilmente uma faixa mais clara de água (a parte rasa) e, a menos de 100 metros de distância, a parte escura, onde estão os recifes e corais. Em quase todos os pontos já há camionetes estacionadas, sinal de que alguém já está mergulhando por ali. Uma coisa que chamou muito nossa atenção é a quantidade de idosos mergulhando. Casais e amigos com mais de 70 anos de idade aproveitando a "melhor idade" para praticar essa saudável atividade que é o mergulho. Preferem Bonaire porque aqui não há os normalmente incômodos trechos de barco.
Mergulhando em South Pier, no sul de Bonaire
Esse mergulho foi bem tranquilo e relaxante. Com a experiência do mergulho do dia anterior, já resolvemos fazer este sem roupa de mergulho, apenas uma camiseta. Com uma temperatura de água acima dos 30 graus, qualquer peso a menos torna o mergulho ainda mais gostoso. Sem roupa e, consequentemente, com menos lastro, a gente se locomove muito mais fácil lá embaixo. Uma delícia!
Extração de sal em South Pier, no sul de Bonaire
Voltamos para Kralendijk pelo outro lado da ilha, completando o loop sul de Bonaire (o mapa está no post anterior), região cheia de salinas e lagos, quase sem elevações. Almoçamos na nossa casinha, pegamos nossos tanques que já haviam sido "reenchidos" e voltamos para o sul, dessa vez para mergulhar em South Pier, um dos mergulhos mais interessantes de Bonaire.
Os pilares submersos parecem troncos de uma floresta em South Pier, no sul de Bonaire
Passando por entre os pilares submersos de South Pier, no sul de Bonaire
Aqui, mergulhamos por entre os pilares de um grande pier onde atracam navios para o carregamento de sal. Além das centenas de peixes coloridos e do verdadeiro jardim de corais, o que mais chama a atenção é a verdadira "floresta" de pilares. Parecem grandes troncos de árvores submersas e, com a transparência da água, o efeito é mesmo impressionante. Uma floresta frequentada por peixes, e não por pássaros e mamíferos. Os mergulhadores ficam diminutos perto daquelas colunas que chegam a vinte metros de profundidade e se erguem outros dez metros acima d'água, para sustentar construções e pequenas cabinas lá encima.
A visão do pier acima d'água visto de 20 metros de profundidade, no South Pier, no sul de Bonaire
A visão do pier acima d'água visto de 20 metros de profundidade, no South Pier, no sul de Bonaire
Aliás, essa foi a mais bela visão do mergulho. Conseguir observar essas pequenas casas acima da linha d'água, mesmo estando a 20 metros de profundidade. Parece que estamos em outro mundo, uma mistura de Avatar e de Waterwold. Impressionante! Um dos mais belos e interessantes mergulhos dessa viagem!
Peixe-anjo em mergulho no South Pier, no sul de Bonaire
Cardume em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Amanhã é dia de seguirmos para a parte norte da ilha, onde o recife é mais inclinado e as profundidades são maiores. É lá também que está o Parque Nacional que protege boa parte da flora e fauna da ilha. Vamos conferir!
Saino da água após mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Sob a magnífica Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Saímos mais cedo hoje, preparados para a extensa programação do dia: Ponte de Pedra e Cachoeiras do rio Veredas. Todos à bordo da Fiona, eu, a Ana, o Chico e o Zé Pedrão, o percurso de carro hoje era mais curto que o de ontem e logo já estávamos na trilha.
Começo de dia saudável: banho na cahoeira Renascer, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
A primeira parada foi na Cachoeira Renascer. Qiue maneira mais sadia de começar o dia, com um banho de cachoeira!. Bem rápido, pois tínhamos de subir uma montanha para chegar ao principal objetivo do dia, a Ponte de Pedra.
A Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
A trilha é bem agradável, inicialmente ao lado de um rio e na sombra de árvores. Depois, subimos uns 200 metros de altura, até chegarmos aos campos de cerrado de altitude. Agora, já estamos, literalmente, no planalto central!
Sob a magnífica Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Mais um bom pedaço de trilha cortando o planalto, vegetação baixa e florida e visão ampla. Estamos praticamente ao lado do Parque Nacional, que podemos ver o tempo todo, nas montanhas logo ali do lado. Mais uma vez, vem o absurdo na cabeça de não se poder entrar no Parque Nacional aqui no município de Cavalcante. Ele está ali, a nos chamar, mas a burocracia nos proíbe. Bom... fazer o quê? Seguir para a fantástica Ponte de Pedra, oras!
Explorando o estreito canyon atrás da Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
O trabalho conjunto da chuva, vento e rio, quiçá ajudados por algum movimento tectônico criou essa maravilha da natureza, uma enorme ponte de pedra natural suspensa sobre um rio de águas limpas e cristalinas. Uma beleza!
Sobre a bela Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Tão incrível como admirar esse fenômeno é nadar sob ele, seja num largo poço de um lado, ou num estreito canyon do outro. Aliás, nadando através deste canyon chegamos num pequeno poço de onde a água do rio despenca numa profunda garganta quase sem fundo, espremida ao lado de uma parede com mais de 100 metros de altura. Visão absolutamente magnífica, altamente impactante, mesmo para alguém que só tem estado em lugares lindos nesses últimos 400 dias. O lugar é de uma grandeza que chegamos a ficar sem ar. Que vontade de virar uma gota d'água e seguir o curso do rio garganta abaixo. Quantos mistérios lá embaixo?
Visual da Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Infelizmente, não pudemos levar nossa Câmera até lá, pois tivemos de nadar um trecho. Essa visão sublime terá de ficar guardada apenas na nossa memória. E na de quem mais chegar a este lugar maravilhoso. Mais tarde, subimos a montanha ao lado da Ponte de Pedra e pudemos fotografar esse pequeno poço e a cachoeira que desaba na garganta, mas tudo de um outro ângulo...
Água despenca em garganta na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
O pequeno lago em que ficamos nadando, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Outra coisa que subimos foi a ponte de pedra. Não podíamos perder esta oportunidade, já que esse tipo de formação tem vida curta, em trmos geológicos. Uns cem mil anos? É, não podemos arrsicar, hehehe.
Admirando a Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Como disse antes, depois subimos no alto da montanha e, de lá pudemos admirar a paisagem fantástica da planície lá embaixo, dos vales e canyons e da região da Chapada dos Veadeiros, uma das mais belas do país, sem dúvida.
Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Tudo tão belo, a ponte de pedra, o rio, a paisagem, o cerrado, que acabamos desistindo das cachoeiras do rio Veredas para poder passar mais tempo por lá. Até nadamos mais uma vez, no poço sob a ponte. Um visual daquele tem de ser aproveitado! Atpe o último momento, hehehe
Com o Chico, no poço embaixo da Ponte de Pedra, na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Amanhã, voltamos às cachoeiras. Vamos ao Rio Prata, Muita estrada e muita trilha nos esperam. E muitas cachoeiras, claro!
Correndo em trilha na Chapada dos Veadeiros, região de Cavalcante - GO
Neblina total no Pico Paraná - PR
Apesar do cansaço da noite mal dormida, o desconforto nos fez levantar cedo. Além disso, o caminho seria longo e era bom começar logo. O dia amanheceu bem nublado e úmido, mas sem chuva. Como sempre, a Lei de Murphy tinha dado certo: tantos dias ensolarados e justo agora esse tempo...
Nossa barraca no acampamento 2, no Pico Paraná - PR
Buenas, como dizem os hermanos, fueda-se Murphy e rumo ao pico. Sem a mochila nas costas, fica tudo mais fácil. Difícil mesmo foi colocar as roupas molhadas do dia anterior logo depois de acordar. Só a camisa, eu tinha uma seca. E desta vez, colocamos os dois a jaqueta de goretex. Ficou infinitamente mais confortavel, manter ao menos o torso seco e quentinho.
Auto foto no ponto mais alto da região sul do Brasil, no Pico Paraná - PR
No caminho ao cume, como estava nublado e só víamos umas poucas dezenas de metros à frente, não tínhamos idéia da real distância. Na verdade, conquistamos diversos Picos Paraná. Mas sempre que chegávamos no alto de um, aparecia outro mais alto, um pouco mais adiante. E assim fomos seguindo e subindo, pico após pico, através da estreita crista com os precipícios sem fundo nos dois lados, novas paredes com grampos para auxiliar a subida e muitas plantas molhadas para nos deixar encharcados.
O livro de registros, no topo do Pico Paraná - PR
Finalmente, tivemos certeza que chegávamos no pico verdadeiro. Era imponente e orgulhoso demais para não ser. Dito e feito, lá estava o livro de assinaturas, o marco geodésico e neblina para todos os lados. Apenas com a imaginação deu para ver o mar ao longe, a estrada correndo no planalto lá embaixo e os outros picos da cordilheira. Assinamos nossos nomes, demos uma volta lá em cima, curtimos a sensação de estar lá, sós e conquistadores e iniciamos o longo caminho de volta.
Vencendo um dos trechos de escada na rocha, no Pico Paraná - PR
Voltamos para a barraca quase três horas depois de termos partido, caprichamos no café da manhã com o resto do queijo que um rato que invadiu nossa barraca com os dentes enquanto íamos ao pico deixou para nós, empacotamos tudo, "vestimos" nossas mochilas para desespero dos nossos corpos e seguimos para baixo. A minha mochila, apesar de não estar mais carregando o vinho e a garrafa de água, parecia ainda mais pesada. Talvez pelo tanto de roupa molhada que estava carregando para baixo.
Maravilhosa bromélia na trilha do Pico Paraná - PR
Aí, devagarinho, viemos descendo. Com um pouco de trabalho, vencemos a pirambeira e as escadas nas paredes. Depois, a subida até ´acampamento 1. De lá para frente, muita paciência para atravessar a bela floresta e a trilha cheia de rios, pedras, raízes, orquídeas e magníficas bromélias. A floresta, com aquele tempo enevoado, parecia assombrada. Muito bonita mesmo!
Bosque "assombrado" na trilha do Pico Paraná - PR
A jararaca que nos esperava no final da trilha do Pico Paraná - PR
Já era mais de quatro da tarde quando chegamos no alto do Morro do Esquenta e avistamos a fazenda e a Fiona lá embaixo. Quarenta minutos mais tarde, demos um olé no último obstáculo para chegarmos ao fim da trilha: uma preguiçosa e curiosa jararaca não queria sair da trilha. Tiramos fotos, demos a volta nela e chegamos à Fiona, felizes e cansados. Tínhamos feito o Pico Paraná e, com certeza, todo o perrengue tinha valido à pena! Minha memória tinha me enganado: realmente a trilha é pesada. Mas vale cada gota de suor!
Na base do Pico Paraná, após fazermos a trilha - PR
Para completar o dia, numa típica "rodrigada", vim dirigindo até Santos. Queríamos já acordar aqui, para aproveitar o fim de semana. Queremos mergulhar na laje e passear na região. Dessa vez, tenho certeza que São Pedro vai colaborar!
Chegamos em Santos perto da meia noite. Aqui, tivemos a super valiosa ajuda do Wagner, também conhecido como Lomba, Gonza ou Metralha, meu grande amigo santista da época da Unicamp, para encontrar um hotel. A cidade está lotada nesse fim de semana para algum evento. Ele achou um super bem localizado, no Gonzaga. Nossa primeira idéia era curtir a night no centro histórico. Mas, depois de achada uma cama sequinha e confortável, achamos por bem desmaiar e deixar a night para depois. Zzzzzzzzzzzzzzzz...
Paisagem colorida na área rural em Rio Verde - GO
Dia de longa viagem pelo interior do Brasil, saindo da rica Rio Verde, no sul de Goiás, passando pela punjante Uberlândia, no Triângulo Mineiro e chegando à vibrante Ribeirão Preto, no norte de São Paulo. Um Brasil que está dando certo, sem dúvida!
Com o Chico, na triste hora da despedida da fazenda e de Rio Verde - GO
Apesar do churrasco que entrou noite adentro, comecei cedo a empacotar a Fiona, afinal toda a nossa bagagem estava fora, por causa da revisão. Metade do caminho andado (a metade mais pesada!), fui mexer um pouco na internet enquanto a recém-acordada Ana arrumava sua mochila. Foi sentar na cadeira e virar umas duas vezes e UGHHHH!, minhas costas travaram completamente! Com a ajuda da Ana, consegui me arrastar para a cama. Enquanto a mistura de tandrilax e dorflex fazia seu efeito, a Ana arrumou o resto da bagagem e fez uma massagem nas minhas costas. Finalmente, com mais de uma hora de atraso, estávamos prontos para partir.
Com o Chico, na triste hora da despedida da fazenda e de Rio Verde - GO
Aí, despedidas do Chico, que terminava o seu "10dias.com.go" em nossa companhia, fotografias da agradável casa e belíssima fazenda onde passamos dois dias e botamos o pé na estrada, a Ana ao volante e eu, quietinho, no banco de passageiros.
Espantalho no milharal em Rio Verde - GO
Cruzamos o sul de Goiás até Itumbiara e atravessamos a ponte para entrar em Minas Gerais. Seria uma passagem rápida, apenas para cruzar aquele "nariz" que convencionou-se chamar de Triângulo Mineiro. Mas não importa! Toda vez que entro no estado aonde nasci e cresci, o coração bate mais forte. Basta ver o nome escrito nas placas da estrada. Saí de Minas com 14 anos de idade, mas foi o bastante para se forjar uma ligação que durará toda a vida. Pelo menos, é o que sinto quando me aproximo do estado pelas estradas do seus vizinhos, hehehe.
Na casa do Guto, com a Sossa, Leo, Karen e Lulu, em Ribeirão Preto - SP
Enfim, logo Minas ficava para trás e entrávamos em São Paulo. Uma hora mais tarde éramos recebidos de braços abertos na casa do Guto, meu irmão, em Ribeirão Preto. Clima e vida familiar novamente, depois de tanto tempo, em companhia dele, da Sossa, do Lulu (que tínhamos visto em Ouro Preto), do Leo e da Karen (que tinham passado o meu aniversário comigo, em Itaúnas). Ali, todos juntos novamente, comendo uma pizza, é nessas horas que percebemos que não só o tempo, mas também o espaço, todos passam muito rápidos...
Na casa do Guto, com a Sossa, Leo, Karen e Lulu, em Ribeirão Preto - SP
Fortaleza de São José, em Macapá - AP
Pois é, chegamos em Macapá! Mais uma capital no currículo. Acho que deve dar para contar nos dedos da mão o número de carros que conhecem tantas capitais brasileiras como a Fiona, hehehe!
Falando na Fiona, cedinho hoje eu já estava num táxi a caminho do porto Igarapé da Fortaleza, um pouco ao sul da cidade, para buscá-la. Nove da manhã eu já estava no volante da nossa companheira a caminho da pousada. Aqui chegando, descarregamos ela e já a levei para a concessionária da Toyota, a Bacaba, para a revisão dos 30 mil km. Muito bem tratado, eles me trouxeram de volta para a Ekinox, já fazendo um tour pela cidade, na orla do rio Amazonas.
Finalmente, o Rio Amazonas! (em Macapá - AP)
As próximas horas foram gastas em pesquisas na internet, principalmente sobre como viajar para as diversas ilhas do Caribe que ainda nos falta conhecer e também sobre relatos de viajantes que estão agora nas Guianas.
Finalmente, no início da tarde, saímos à pé para uma volta. Primeiro, providenciamos a cópia e impressão de vários documentos, como parte dos preparativos para entrar de carro na Guianas. E depois, turismo!
A moderna catedral de Macapá - AP
A primeira parada foi na novíssima e moderna catedral da cidade, com uma arquitetura bem "arrojada". Só pudemos observar pelo lado de fora, pois ela estava fechada. No gramado, uma estátua do padroeiro de Macapá, São José.
Longo pier sobre o rio Amazonas, em Macapá - AP
Em seguida, fomos até a orla do "oceânico" rio Amazonas. Lá no horizonte, bem longe, a gente consegue ver terra firme. Mas não é a outra margem não! São apenas ilhas. A outra margem está muito além do que se pode ver. O que se pode enxergar mesmo, não tão longe assim, são inúmeros navios de grande porte que utilizam essa parte do rio como rota. A orla é muito bem cuidada, cheia de restaurantes, parques, pista de cooper e o principal marco arquitetônico de Macapá, a Fortaleza de São José. Pois é, como tantas outras cidades, foi a construção de um forte que tinha o intuito de defender a boca do Amazonas de incursões francesas da vizinha Guiana que deu origem à cidade.
Estátua e Fortaleza de São José, em Macapá - AP
Mas nesta hora nós não entramos na fortaleza não. Apenas a admiramos de longe, de cima de um longo pier sobre o Amazonas onde tínhamos ido render nossas homenagens ao maior rio do planeta. O horário de pegar a Fiona se aproximava, mas ainda deu tempo de um rápido almoço ali mesmo, na orla, de frente para esse mar de água doce que tem até ondas.
Fiona na concessionária, após a revisão dos 30 mil km. Macapá agora está no nosso mapa!
Na concessionária, além de nos entregar o carro limpinho, fizeram bastante festa para nós, depois de conhecererm a nossa aventura pelo site. O mapa da Fiona ganhou mais uma "bolinha" e fotos comemorativas foram tiradas.
Bem encima da linha do Equador (em Macapá - AP)
Aí, seguimos para uma das principais atrações turísticas daqui, o monumento que marca a linha por onde passa o Equador. Ali nos divertimos por alguns minutos, com fotos, poses e divagações. Um passo para lá, hemisfério norte, um passo para cá, hemisfério sul! Um metro par lá, inverno, um metro para cá, verão! Pois é, para quem não gosta de inverno, pode vir morar aqui. Vai ser muito fácil poder viver, eternamente, longe da estação fria. Basta ter uma casa bem encima da tal linha imaginária. Aí, é só escolher a parte certa da casa para ficar, dependendo do mês, hehehe! Falando nisso, o estádio de futebol foi construído exatamente dessa maneira! A linha do Equador passa bem no meio do campo. Assim, se no 1o tempo defende-se o hemisfério sul, no 2o tempo vai defender o hemisfério norte!
Visitando a Fortaleza de São José, em Macapá - AP
Daí seguimos para a Fortaleza de São José, esta em pleno hemisfério norte! Chegamos já com ela fechando, mas foram muito amáveis conosco e nos deixaram entrar, acompanhados de um guia. Ela está em ótimo estado de conservação, recentemente pintada. Enorme, é o maior forte que já visitamos no Brasil. Local tranquilo e que inspira paz, por incrível que pareça. Talvez por aquele belo e enorme rio, passando placidamente ali na frente. Ou então porque o forte nunca tenha enfrentado, nos seus 300 anos de história, nenhuma batalha.
Fortaleza de São José, vigiando o Rio Amazonas, em Macapá - AP
Voltamos para a pousada para trabalhar. Estamos na torcida para conseguir o meu visto de entrada na Guiana Francesa. O cônsul honorário da França aqui em Macapá está nos ajudando. Mandou até um email para lá. Mas até esta noite, nada de resposta.
Alojamentos na Fortaleza de São José, em Macapá - AP
Antes de dormir, ainda saimos para jantar. Um delicioso peixe Filhote recheado com castanha do Pará e banana foi a pedida. Pedida acertadíssima, aliás. O nome do restaurante é Cantinho do Baiano e, para quem passar por estas distantes paragens, recomendamos! E nós, depois de tanta correria, e tanto por ver, fazer e pesquisar na internet, resolvemos ficar por aqui mais um dia. A ida para Oiapoque ficou para depois de amanhã... Amanhã, mais conforto da Ekinox. Oba!
Bem encima da linha do Equador (em Macapá - AP)
Mar e céu azuis, na Ponta da Lagoinha, em Búzios - RJ
A grande e melhor surpresa do dia foi acordar e se deparar com o céu azul e sol radiante. Contra todas as previsões dos meteorologistas, não é que as nuvens se foram? Que beleza!
Mirante de João Fernandes, em Búzios - RJ
Saímos logo, para poder aproveitar o tempo. Hoje foi a vez de colocar a Fiona para fazer exercícios. Nós já tínhamos feito ontem. Para esquentar, botamos ela para subir "montanha" e fomos à dois mirantes que existem por aqui, dos quais temos uma bela visão da península de Búzios. Num dia como hoje, fica tudo mais bonito e o mar as vezes parece verde, as vezes parece azul.
Ponta da Lagoinha, em Búzios - RJ
Feito os mirantes, passamos às praias. Na verdade, ainda antes das praias fomos na Ponta da Lagoinha, uma lagoa formada pela maré alta em cima da costa rochosa. Nessa mesma costa foram retirados minerais que comprovaram que Búzios já esteve encostado na África, quando a América do Sul colidiu com aquele continente, há muitas dezenas de milhões de anos atrás. Foi uma colisão chamada "Orogenia", quando uma placa continental entra embaixo de outra, levantando-a. Mais ou menos o que a Índia faz com a Ásia hoje, formando os Himalaias. Os geólogos, mesmo sendo bons chutadores, não tiveram a coragem de chutar a que altitude Búzios chegou. Para se ter uma idéia, o Himalaia tem quase 9 mil metros e continua subindo... A "nossa" orogenia foi semelhante?
Observando o encontro do mar e das rochas, na Ponta da Lagoinha, em Búzios - RJ
Bom, depois da aula teórica e prática (passeando pelos rochedos) de geologia, fomos finalmente para as praias. A primeira foi a tranquila Ferradura. Mar muito tranquilo para nós, além de um certo excesso de portenhos. Aliás, eles são a enorme maioria, quase uma unanimidade por aqui, se não fossem alguns italianos. Todos os vendedores ambulantes mandam ver no espanhol, com sotaque de Buenos Aires. Só precisamos nos acostumar a ver os mulatos daqui falando castelhano. E a Ana com essa cara, todos eles chegam para vender para nós em espanhol. É até divertido fingir que somos e ver até onde vai a brincadeira...
Observando o oceano na praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ
Depois da Ferradura, a Ferradurinha, bem mais charmosa. Aí passamos algumas horas. Exploramos rochedos, nadamos na pequena baía de água fria e agitada, lanchamos na praia e até fizemos amizade com uma cadela simpática chamada Mel. Outra Mel.
A simpática cadela Mel, na praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ
Com a tarde avançando, resolvemos seguir até a muito maior Geribá. Praião de ondas e de pinquins. Os coitados se perdem da corrente de água fria que passa em alto mar e vem dar aqui. A maioria não aguenta o calor e acaba morrendo. Os pobres que encontramos estavam moribundos, prontos para fazer a festa das gaivotas.
Pinguim perdido, na praia de Geribá, em Búzios - RJ
A última praia do dia foi a das Tartarugas. Um belíssimo fim de tarde observando dezenas de Mergulhões se banqueteando nas muitas redes de tainhas. Um espetáculo naquela luz do final do dia.
Barcos de pesca no fim de tarde na praia da Tartaruga, em Búzios - RJ
Amanhã, devemos partir rumo a um novo estado, o Espírito Santo. Se o sol sorrir para nós novamente, ainda vamos fazer uma parada na bela Arraial do Cabo. Vamos dormir torcendo e sonhando.
Praia da Ferradurinha, em Búzios - RJ, depois de um banho de mar
Mapa de Trinidad e Tobago.
A ilha de Trinidad, a maior ilha do Caribe se não considerarmos as quatro grandes (Cuba, Hispaniola, Jamaica, Porto Rico), foi batizada por Cristóvão Colombo. A cerca de 20 km de distância do continente sul-americano (Venezuela), ela permaneceu uma colônia espanhola até o finalzinho do séc XVIII, quando foi conquistada pelos ingleses. Já sua companheira Tobago permaneceu como um paraíso de piratas até cerca de 1760, quando os ingleses resolveram levar a sério sua colonização. Foi somente 120 anos mais tarde que os ingleses resolveram unir as duas ilhas numa só administração, e assim elas continuam, como duas boas vizinhas.
A Residência do Bispo, um dos "Sete Magníficos", em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
A população original de índios foi praticamente dizimada, transformada em escravos e levada para as grandes fazendas do continente. Quando as fazendas chegaram às duas ilhas, foi necessário trazer escravos da África para as "plantations" de cana-de-açúcar e arroz. Com o fim da escravidão os negros saíram das fazendas e foram substituídos por imigrantes indianos, que vinham trabalhar sob uma forma de servidão. Essa imigração indiana deixou suas marcas. Hoje, 40% da população é descendente dos indianos, enquanto outros 40% tem antecedência africana. É possível encontrar templos hindus por todo o país.
O Queen's Royal College, um dos "Sete Magníficos", em frente ao Queen's Park Savannah, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
A capital Port of Spain tem cerca de 50 mil habitantes, mas a região metropolitana tem 250 mil, pouco mais de vinte por cento da população do país. A cidade tem fama de perigosa e, até onde conseguimos checar, realmente não se deve caminhar por ela de noite. Mas de dia, achamos muito segura. A nossa Guest House é meio afastada do centro, então nem dá para caminhar para lá. O negócio é usar o principal meio de transporte da cidade, chamado de "route taxi". São carros-táxis que circulam em roteiros definidos e podem parar em qualquer lugar deste roteiro. Ao custo de 1 real, são muito "convenientes". O único problema é que não tem uma cor especial que os diferencie dos outros carros. A diferença está é na placa, que começa com a letra H (de Hired). Os outros carros tem placas que iniciam com P (de Private) e T (de Transport - camionetes, vans e caminhões).
O prédio futurista da NAPA (National Academy of Performing Arts) em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
Hoje, após a bendita chuva passar, já perto da hora do almoço, pegamos um route taxi para o centro e descemos ao lado do Savannah, um enorme parque no meio da cidade com grandes áreas abertas e campos de cricket e futebol, os esportes nacionais. A avenida que circunda o parque só tem uma mão. Como ex-colônia inglesa, a mão é trocada e os carros giram em volta do parque em sentido horário. O pessoal daqui gosta de dizer que o Savannah, na verdade, é o maior "round-about" (rotatória) do mundo. No seu lado oeste, há uma fileira de sete prédios, os "magnificent seven", construídos no início do séc XX, que são uma das atrações da cidade. Um colégio, um prédio público, a casa do bispo, uma imitação de castelo escocês, uma casa particular, enfim, nada relacionado entre si, nenhum deles aberto à visitação, mas uma bela e interessante visão.
Encontro com brasileiros, um curitibano e um Junqueira, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
De lá seguimos, ainda em frente ao parque, a um prédio futurista, a National Galery for Performing Arts. Construção colossal! Em cartaz: West Side Story. Ao visitar o prédio, demos de cara com dois brasileiros, judeus, que vieram para uma apresentação sobre o judaísmo. Um deles é de Curitiba e o outro é primo meu, um Junqueira! Mundo pequeno, hein!
A catedral de em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
Tentando driblar a chuva, que ía e voltava, fomos ver as duas grandes catedrais da cidade, a anglicana e a católica. A primeira fica na simpática Woodford Square, local de discursos e discussões inflamadas num púlpito aberto a quem queira falar. A segunda no fim da Indepence Square, na verdade um grande boulevard e local mais movimentado da cidade, um calçadão em meio a uma avenida que corta o centro financeiro de Port of Spain. Aproveitamos estarmos bem no centro para já comprar nossas passagens de ferry para Tobago, na terça de tarde. Bem baratinho, preço subsidiado pelo governo, duas horas e meia de viagem por seis dólares. A volta será de avião, também baratinho: 20 dólares para um vôo de 25 minutos.
Night no Cocoa Lounge, em Port of Spain, em Trinidad e Tobago
Fim de tarde, passamos num lugar legal de happy hour na Av. Arapina, local onde estão os bares e restaurantes. Depois, route taxi de volta ao hotel. O simpático motorista nem nos deixou pagar!
Botecão movimentado em Port of Spain, em Trinidad e Tobago
De noite quisemos voltar à cidade, para jantar e ver o agito. Mas a essa hora já não há mais route taxis. A única solução, para quem não tem carro, é combinar tudo com um taxi normal. Assim, por 30 dólares, o cara nos levou para a Arapina e combinou de nos pegar de volta à uma da manhã. Caminhar a esta hora, fora da Arapina, nem pensar! Jantamos num dos hot-spots da cidade e esticamos por lá mesmo, pista de dança e muita badalação. Mas quando estava começando a esquentar, era a hora que tínhamos marcado com o taxista. Foi até bom, porque amanhã temos um longo dia de passeios pela ilha já marcado!
Caminhando na Praça da Independência, que na verdade é um boulevard, em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago
Manhã saudável no Rio Novo, no Jalapão - TO
Chegamos na escada que dá acesso à Prainha do Rio Novo nos últimos minutos de luz do dia. Aí, foi aquela corrida. Pegamos as coisas principais do acampamento no bagageiro do carro, como barraca, sleepings e fogareiro e descemos correndo para armar a nossa "casa". Barraca montada sob uma vasta lona que também serviria como nossa varanda, já no escuro da noite, começamos a dar falta de coisas como nossos isolantes, um pano, toalhas, etc... Tudo lá encima, na Fiona. A Ana já foi agilizando nosso jantar e eu subi, em busca desses "detalhes" que garantiriam nosso conforto pela noite.
Noite de acampamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Noite, aliás, bem escura, já que a lua ainda não tinha nascido e as nuvens cobriam os céus Descendo as escadas novamente, breu total e aquele barulho gostoso do rio e da mata a minha volta, a sensação era de estar no litoral. Afinal, lá embaixo tinha uma praia, e o barulho das corredeiras do rio Novo pareciam ondas do mar. Na mata à minha volta, macacos e aves disputam quem gritava mais alto. Mais natureza, impossível.
Noite de acampamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Enquanto jantávamos, as nuvens se foram e o céu se encheu de estrelas. Milhares delas! A temperatura estava super agradável, nem calor nem frio. O rio, logo ali na frente, era um convite mas, ao mesmo tempo, escuro como estava, era meio amedrontador. Resolvemos esperar pela lua para arriscar um banho. Como ela não nascia, aproveitamos para dormir um pouco...
Acampamento em noite de lua cheia, na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Noite clara de lua cheia, na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Acordamos com aquele forte clarão no nosso rosto. Parecia dia, mas era só a lua reinando no céu. Aí, não tínhamos mais desculpas; direto para o rio! Nossa, que delícia! Sensação total de comunhão com a natureza, nadar sob a lu do luar no Rio Novo, em pleno Jalapão, a dezenas de quilômetros de qualquer outra pessoa. Experiência inesquecível!
De manhã bem cedo, em acampamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
A vista da varanda da nossa barraca, na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
De banho tomado, voltamos para a barraca. Dormir em barraca com travesseiros é um luxo, hehehe. Mais luxo ainda é acordar com aquele cenário, aquela praia maravilhosa só para nós! E começamos o dia da forma mais saudável possível:banho de rio seguido de café da manhã à base de frutas! Em seguida, uma caminhada pela orla do rio, primeiro até uma praia vizinha, logo ali do lado e, depois, através das pedras, galhos e vegetação da orla, por uns 15 minutos, até conseguirmos vislumbrar uma outra praia, do outro lado de uma baía circular formada pelo rio.
Caminhando pela orla do Rio Novo, no Jalapão - TO
Nadando para praia no Rio Novo, no Jalapão - TO
Aí, ao invés de circunda a baía, simplesmente deixamos nossas coisas nas pedras e atravessamos a baía nadando, até essa terceira e imaculada praia, certamente muito pouco visitada, É a mais bela das très e forma um banco de areia submerso e raso que é uma delícia. Por aí ficamos por algum tempo até chegar a hora de voltar ao acampamento para desmontar a barraca. Foi a hora que as mutucas chegaram. Nada pode ser perfeito, não é? Sorte que esses bichos não primam muito pela agilidade e, com uma certa habilidade, eram duas mutucas mortas a cada tapa, hehehe.
Nadando na prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Estacionamento na Prainha do Rio Novo, no Jalapão - TO
Barraca desarmada e um último banho de rio de despedida e subimos com todo o material para a Fiona. Nas escadas, um último olhar para baixo, para aquela praia que nos deu momentos tão maravilhosos. Difícil partir, mas foi exatamente na hora certa. Afinal, foi entrar na Fiona e dirigir por trezentos metros que cruzamos com três carros de uma mesma companhia, abarrotados de turistas. Vinham da Cachoeira da Velha, para onde estávamos indo, para a Prainha. Parece que foi até combinado, hehehe!
Rio Novo, um pouco acima da Cachoeira da Velha, no Jalapão - TO
Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão - TO
Assim, chegamos na Velha sem ninguém também. Uma belíssima cachoeira! Tinha estado lá uma vez antes, há onze anos, mas agora o acesso está bem facilitado, com uma plataforma de madeira que nos leva até lá. Ali, observando aquela força da natureza, a Ana não se conteve: " Mas, se o rio é novo, como é que a cachoeira pode ser velha?" Hehehe, fico imaginando quantas vezes a respeitável cachoeira já teve de ouvir este trocadilho infâme...
Cachoeira da Velha, no Rio Novo, no Jalapão - TO
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