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São inúmeras cachoeiras em torno de São Tomé, o Vale das Borboletas, Cachoeira do Flávio, Véu da Noiva, Eubiose, entre outras. Todas deliciosas e muito disputadas no verão e feriados.
Arraial de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG
Tivemos a grande sorte de chegar aqui em uma das semanas mais frias do ano, então como o tempo não está nos ajudando, decidimos explorar um arraial próximo, conhecido como Sobradinho. Bairro distante do município de São Tomé das Letras, Sobradinho fica a uns 10 km em direção à cidade de Luminárias. No caminho para lá passamos pela Cachoeira da Lua e pela Cidade das Estrelas, comunidade alternativa que recebe visitantes em suas pousadas para vivências, meditações, etc.
Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG
Interior da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG
Nosso destino era conhecer a Gruta e Cachoeira de Sobradinho, Gruta do Labirinto e Poço Esmeralda. As grutas são caminhos abertos pela água em meio à pedra São Tomé, pequenas e relativamente estreitas, são um exemplo de como realmente estamos em cima de um belo queijo suíço, cheio de túneis e cavernas que desconhecemos, por não encontrarmos entradas ou saídas.
Entrada da gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG
Saída gruta de Sobradinho em São Thomé das Letras - MG
O Poço Esmeralda é um lago no meio de uma pedreira desativada. Parece que onde a mineradora tentou cavar encontrou esta água límpida e gelada, que forma a lagoa de coloração esmeralda, pois são vários poços formados na área de extração. No caminho entre eles passamos pelo bairro, que dizem ser parecido com São Tomé há 20 anos, pequeno, tranquilo, quase difícil de imaginar.
Poço Esmeralda em São Thomé das Letras - MG
No caminho de volta paramos na cachoeira da Lua, tomamos uma cervejinha olhando a vida e a boiada passar.
Cachoeira da Lua em São Thomé das Letras - MG
Gado no meio da estrada em São Thomé das Letras - MG
Dia dos namorados, à noite fomos comemorar no restaurante de nossa mais nova amiga, a Lei, dona do restaurante Massaroca. Conhecemos Lei em Carrancas, na sua filial, e demos carona para ela até aqui. A Lei chegou a São Tomé há 27 anos e viu toda a mudança que a cidade sofreu. Ela organizou um jantar de dia dos namorados delicioso, com direito a DJ, drink afrodisíaco, decoração especial e tudo! Uma delícia!
Depois fomos dar uma volta, congelando com o vento e o frio que devia estar perto de 0°C. Artistas independentes tocavam no Espaço Dois, abaixo de um dos céus mais estrelados que vimos na viagem. Depois de vários “toca Rauuuul” e uma ajuda básica como socorrista no bar, já era hora de irmos dormir. É, pelo menos à noite São Tomé continua “quase” a mesma.
Com “H” ou sem “H”?
Vocês devem ter percebido que o Rodrigo escreve São Tomé sempre com “H” e eu sem “H”. Até agora não conseguimos descobrir qual é a forma correta de escrever o nome da cidade. Em placas do Governo Estadual está escrita sem, São Tomé das Letras, porém em algumas placas turísticas municipais encontramos “São Thomé das Letras”. Enfim, eu que gosto do mais simples e brasileiro possível mantenho sem. O Ro acha que fica mais charmoso escrever com, então fica ao gosto do freguês.
Foto clássica de Canaima, no sul da Venezuela, com as palmeiras alagadas e as cachoeiras ao fundo
Um dos momentos mais emocionantes da viagem ao Salto Angel é logo no início, o vôo de Ciudad Bolívar para o Parque Nacional Canaima. O vôo em um Cesna de 5 lugares começa com uma vista aérea linda do Rio Orinoco em Ciudad Bolívar e depois de um trecho de campos começa a sobrevoar uma represa rasa, uma longa área alagada e tepuis maravilhosos! A chegada ao Parque Nacional é o ponto alto, quando avistamos todas as cachoeiras, a praia e o Salto El Sapo.
Sobrevoando o Parque Nacional Canaima, no sul da Venezuela
Voando de Ciudad Bolívar para Canaima, no sul da Venezuela
Somos recebidos no aeroporto pelo nosso guia local e após quase meia hora de espera pelos outros integrantes da nossa excursão, seguimos caminhando para a pousada, conhecendo a vila e vendo as crianças pemóns na hora do recreio da escola.
Chegando à Canaima, no sul da Venezuela
Venda de aertesanato no aeroporto de Canaima, no sul da Venezuela
Aproveitamos essa hora que tínhamos antes do almoço para andar pela vila e ir até a praia para ter uma das vistas mais famosas do parque nacional. A lagoa de águas vermelhas rodeadas por cachoeiras e com os três coqueiros semi-inundados. Sim, eles continuam lá! Do outro lado do lago a ilha onde está o acampamento El Sapito, onde dormimos da última vez.
Final de tarde em Canaima, no sul da Venezuela
Almoçamos na pousada e encontramos com o pessoal do Bode´s Well, o casal norte-americano Angela e Jason que viajam com seu filho Bode (fala-se Boudi) e receberam a visita super especial da avó de Bode, Susan, mãe de Angela. Há dias tentávamos marcar via internet um encontro na nossa rota pela Venezuela, mas havíamos perdido contato. Eis que os encontramos, por acaso, sentados na mesma mesa e no mesmo grupo de excursão que nós para o Salto Angel! Se tivéssemos marcado não teria dado tão certo!
Caminhando na praia fluvial de Canaima, no sul da Venezuela
Entrando na canoa que nos levará ao Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Após o almoço a chuva nos pega de surpresa e atrasa a ida ao Salto El Sapo. Afinal nos encorajamos e saímos para o passeio, que mesmo com uma chuva fina vale cada minuto! Atravessamos a lagoa de barco e caminhamos em torno de 30 minutos, cruzando a floresta molhada, seus sapos coloridos até chegar ao corredor de pedra que nos leva ao mirante do salto. Essa travessia é uma das mais emocionantes da trilha!
Caminhando por baixo do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Pequenos sapos coloridos são muito comuns na área de Canaima, no sul da Venezuela
Caminhamos entre a forte cortina de água do Salto El Sapo e um corredor de pedras, que aos poucos vai se estreitando até o momento em que quase não podemos enxergar! Água por todos os lados, um banho de vapor de água nos encharca antes mesmo de podermos pensar! A cachoeira é maravilhosa, cenário perfeito para fotos aventurescas e românticas! Susan está comemorando seu 70º aniversário, muito esportiva e corajosa fez a travessia e também se rebatizou nas águas de Canaima!
A cortina de água do Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
1000dias no Salto El Sapo, em Canaima, no sul da Venezuela
Voltamos ainda com a adrenalina da travessia, mas, em tempo, havíamos guardado do outro lado a roupa sequinha para garantir algo quentinho no retorno. Foi um ótimo começo para a nossa aventura do Salto Angel, agora estamos prontos para enfrentar as surpresas que nos esperam no caminho da maior cachoeira do mundo!
Confira a série completa de posts!
• Aauyantepui e o Salto Angel
• 2º Dia - De Canaima ao Salto Angel
• 3º Dia - Sobrevoando o Salto Angel
Cachoeiras no rio Caroni, na região de Canaima, no sul da Venezuela
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Valparaíso é a cidade boêmia, adorada por artistas e poetas talvez, justamente, pela idiossincrasia de sua arquitetura, sua beleza e sua arte. O ar decadente de zona portuária somado ao encanto dos seus 42 cerros, suas ladeiras e vistas panorâmicas faz dela uma cidade cheia de personalidade. Muros pintados de todas as cores, com todos os estilos de street art contrastando com os bondes antigos que ainda circulam levando e trazendo cidadãos e turistas entre as vielas e prédios antigos do centro.
Os antigos trólebus ainda andam nas ruas de Valparaiso, no Chile
Desde 1990 a cidade é a sede do Congresso Nacional Chileno. Sua história sempre esteve relacionada ao mar, sendo um importante porto de passagem dos navios que se aventuravam à Costa Pacífica dando a volta no sul do continente a caminho do Perú, nos tempos da Colônia Espanhola, e mais tarde como parada e abastecimento para os que seguiam à costa californiana durante a corrida do ouro. No início do século XX dois acontecimentos balançaram a economia da cidade, o primeiro literalmente, um terremoto que acabou com Valparaíso. O segundo a inauguração do Canal do Panamá. Assim Valpo seguiu aos trancos e barrancos, como importante capital política, crescendo recentemente como porto de exportação de frutas.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Nós chegamos à Valparaíso em um domingo à noite e esperando que os bares e a boemia estariam a todo vapor nos cerros subimos o Cerro Artilleria atrás das charmosas guest houses que encontramos em nosso guia. Foi uma forma curiosa de conhecer a cidade: noite escura, becos e ruas vazias, rodando e buscando nas paredes dos edifícios caindo aos pedaços e casas antigas a numeração dos hostels indicados. Na maioria deles, nem luz, nem campainha atendiam e dados os últimos acontecimentos, era essencial um lugar com estacionamento.
Um dos muitos cerros de Valparaiso, no Chile
Mesmo sendo tarde e cansados não nos demos por vencidos, o agito deve estar no Cerro Alegre, pensei, lá é o lugar boêmio da cidade. Subimos então o Cerro Alegre e nada, ninguém, uma cidade fantasma e abandonada. O único hostel que achamos aberto não tinha garagem e estacionamento próximo, além de um preço nada amigável, foi aí que decidimos nos entregar ao bom e velho Ibis, que aqui na verdade era novinho e muito bem localizado. Nada melhor do que chegar em casa, cama confortável, banho quentinho e decoração idêntica, aqui ou em Maringá e o melhor de tudo, com estacionamento seguro para a Fiona.
São vários cerros na cidade de Valparaiso, no Chile
A nossa primeira impressão da cidade poderia ter sido das piores, mas ao revés, os ares misteriosos dos cerros e a quietude da cidade nos surpreendeu de tal forma que não víamos a hora de sair para explorá-la. Saímos sem expectativas, sem planos e sem guias, nos deixando levar pelas aparências, curiosidades e cores que víamos em cada esquina. Começamos pela Plaza Sotomayor, praça central da parte baixa da cidade rodeada por antigos prédios imponentes.
Plaza Sotomayor, no centro de Valparaiso, no Chile
Demos um pulo no Muelle Prat onde barcos saíam lotados de turistas para passeios pelo porto prometendo belas vistas de Valparaíso desde o mar. Andamos, subimos o Cerro Concepción, nos enfiamos em um beco com escadarias e caímos dentro do Paseo Iugoslavo, já no Cerro Alegre, onde está o Palácio Baburizza, que com sua arquitetura art nouveau, abriga o Museu de Belas Artes. Segunda feira e, é claro, o museu estava fechado.
Subindo escadaria para um dos cerros de Valparaiso, no Chile
Muita arte nas ruas de Valparaiso, no Chile
Continuamos nos perdendo pelas ruas entre o Cerro Alegre e o Concepción, que durante o dia parecem muito mais receptivas e amigáveis, com belas vistas para o mar afunilando em suas ladeiras. Convites para conhecer La Sebastiana, uma das casas onde viveu Pablo Neruda, não faltavam espalhados por pinturas nos postes do cerro. Ela fica no cerro vizinho o Bellavista, mas não quis ter que lidar com a frustração de chegar lá e dar de cara com a porta, no dia internacional dos museus fechados.
O nome do grande poeta Neruda está por toda parte em Valparaiso, no Chile
No meio da tarde relaxamos e almoçamos em um restaurante no alto do Paseo Iugoslavo com belas vistas para os cerros, o porto e a cidade baixa. Mal sabíamos que estávamos escolhendo um dos preferidos da área, o Norma´s, também pudera, seu charmoso deck de madeira e as amplas vistas não poderiam ser mais convidativas.
Restaurante com uma bela vista de Valparaiso, no Chile
Queijo camembert derretido co geleia de framboesa, em Valparaiso, no Chile
Descemos o cerro novamente nos perdendo entre suas galerias de escadas, de arte e de fotografia. Os antigos elevadores (funiculares) que nos desculpem, mas não troco andar por estas ruas por uma carona corta-caminhos. Resolvemos sair correndo para o Cerro Artillería, estrategicamente localizado para a proteção da cidade e para um belíssimo pôr do sol no Paseo 21 de Mayo.
Um dos muitos funiculares que dão acesso aos cerros de Valparaiso, no Chile
Cruzamos a zona comercial próxima ao porto e subimos a mesma ladeira que nos levou ao topo na noite de ontem. Com pressa para não perder o pôr-do-sol um funicular até que ia bem, mas este fechava às 18h e tivemos que ir a pé mesmo. Do alto uma das vistas mais lindas de Valparaíso e sua vizinha mais jovem e moderna, Viña del Mar.
Valparaiso, no Chile, vista do alto do cerro Artilleria
Viña del Mar é o balneário preferido dos santiaguinos mais descolados. A Cidade Jardim é totalmente o oposto de Valparaíso. O charme caótico desta é substituído pela impecável organização, limpeza e jardinagem da primeira. Palmeiras e flores na orla, intercalados por fontes de água, esculturas, restaurantes, sorveterias e áreas de exercício, delineados pelo mar e por longas pistas de corridas e bicicleta. Atravessando a movimentada avenida beira mar, a Avenida Peru, estão os condomínios mais caros de Viña.
A praia de Viña del Mar, no Chile
O sempre tradicional futebol de praia, em Viña del Mar, no Chile
A orla muito bem cuidade de Viña del Mar, no Chile
O vento frio ainda soprava e as águas geladas do Pacífico não estavam muito amigáveis para um mergulho. Assim a nossa passagem por lá foi rápida e indolor! Uma manhã passeando na orla, um almoço à beira mar e logo pegávamos a estrada para Santiago, a apenas 160km dali.
Voltando para a parte baixa de Valparaiso, no Chile
Chegando à Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
Dia de conhecer o lado oeste da ilha. A urbanização de Maui começou por esta península, região conhecida como West Maui. Vista do alto e sabendo do movimento de descenção e erosão das ilhas, logo percebe-se que West Maui será a próxima ilha a se separar da ilha principal, assim como Molokai e Lanai já se separaram.
Exibir mapa ampliado
É lá que estão alguns dos hotéis mais bacanas, como o Ritz-Carlton e vários resorts tradicionais e mais antigos. É lá também que estão algumas das praias mais bonitas da ilha, dentro da propriedade destes hotéis. Nenhuma delas, porém, é privativa e para acessá-las temos que entrar na área do hotel.
O belo mar de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
Saímos de Kihei em direção a Lahaina, a cidade histórica e mais charmosa da ilha. Ao longo da Honoapiilani Hwy vamos margeando belas praias e alguns parques estaduais como o Papalaua e o Ukumehame, super convidativos para um mergulho, ainda mais com o longo engarrafamento que encontramos no caminho. Mas o objetivo era chegarmos logo à Kapalua, aproveitarmos a praia e ainda dar a volta em toda a península, portanto acabamos nem parando em Lahaina, ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Mas se você conseguir começar cedo o dia, dá tempo de parar e conhecer.
A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí
Chegando à Kapalua Bay conseguimos com algum custo um lugar para estacionar e saímos para uma caminhada. Cruzamos a primeira praia do resort e pela trilha interna passamos pela Namalu Bay e uma área de rochedos com vistas lindas para o mar. Seguimos pela mesma trilha até chegar à Oneloa Bay, a maior praia de Kapalua dentro da propriedade do Ritz-Carlton e em frente a um campo de golfe. O mar estava tranquilo e com jeitinho conseguimos passar as primeiras ondas para uma longa nadada e snorkel, antes de seguirmos estrada.
A belíssima praia de Oneloa Bay, em West Maui, no Havaí
A próxima parada foi na Honolua Bay, lugar onde, nesta época do ano normalmente só encontraríamos surfistas, mas sem vento algum, o lugar estava cheio de snorkelers e veranistas. Honokohay Bay já estava mais agitada, vimos alguns bravos surfistas tentando pegar umas ondas contra os imensos paredões de pedra.
Mar tranquilo em Honolua Bay, em West Maui, no Havaí
Surfistas em ação em baía de West Maui, no Havaí
Ah! Detalhe, nós achamos que encontraríamos algum restaurante no caminho, ledo engano, depois de Kapalua não encontramos nenhum e o que nos salvou foi o bolo de banana (Banana Bread) quentinho que encontramos na barraquinha de um louco no caminho.
Barraca de beira de estada vendendo delicioso bolo de banana, muito comum emt Maui, no Havaí
A costa rochosa do noroeste de Maui, no Havaí
Seguimos pela Kahekili Road parando nos mirantes da desenhada costa e conhecendo um pouco do lado rural da ilha. Pequenos sítios produtores de banana e taro (inhame), criação de gado e logo chegamos à pequena vila de Poelua.
Passeando com nosso jipe em West Maui, no Havaí
Lá, ainda com fome, fomos seguindo as placas que nos diziam “Julia´s - The Best Banana Bread in the planet!” A Julia estava lá e o tal bolo de banana era mesmo um dos melhores do planeta! Compramos dois e um deles já foi sendo devorado no caminho. Foram no total 110km de paisagens maravilhosas e muito bolo de banana! Rs!
Parando em tradicional banca de estrada na isolada costa noroeste de Maui, no Havaí
Chegando a Kahului ainda tivemos tempo para ir à Kihei para depois voltarmos para o aeroporto. Hoje recebemos os nossos amigos Rafael e Laura, que vieram direto do Brasil para nos acompanhar nos próximos 12 dias de viagem! Aloha Laura e Rafael!
Reencontro com a Laura, no aeroporto de Kahului, em Maui, no Havaí
Expressões e Palavras Havaianas
Olha só o nome de rua em Kahului, em Maui, no Havaí
A cada dia de viagem vamos nos sentindo mais íntimos do Hawaii. Uma coisa que é muito bacana por aqui é encontrar uma cultura tão forte e viva no dia-a-dia da ilha. Embora todo o estado americano e seus habitantes falem inglês, nós convivemos diariamente com algumas expressões da língua dos seus primeiros habitantes e eu resolvi colocar algumas delas aqui para vocês.
A primeira e principal delas é o Aloha! Esta é uma das expressões havaianas mais famosas e que mais transmite a energia do povo havaiano. Aloha é utilizada em vários momentos, como quando você chega em um lugar (Bem vindo! Oi!) ou quando você está indo embora. Mas eu estava curiosa com o significado da palavra e um dos nossos novos amigos, antigo morador da ilha, nos ensinou que ela significa “A breath of life” ou algo como “Um sopro de vida”, então quando alguém te diz “aloha” ela está não apenas te desejando, mas te transmitindo a sua energia vital. Muito Lindo!
Abaixo segue uma listinha rápida com algumas das palavras que você pode ouvir durante a viagem pelo Hawaii.
• Mahalo nui loa - Muito obrigado!
• 'Olu'olu' ou 'ho'olu'* - por favor
• Ohana - Família, a base da cultura havaiana.
• Kamaaina - pessoa que vive no Hawaii, um local.
• Kane - homem, comum nas placas dos banheiros ;-)
• Wahine - mulher, idem acima.
• Ono - muito bom. Vários restaurantes tem “Ono” no nome ou no slogan, me parece um bom sinal! Rs!
• Taro - Inhame, base do cardápio havaiano, presente em vários pratos e receitas típicas.
• Ahi - Atum, peixe muito comum na ilha e em todos os cardápios.
• Lilikoi - maracujá. Além de suco natural e sorvete, eles fazem molhos e uma manteiga ótima!
• Lei - colar, o famoso colar havaiano, que pode ser de flores, sementes ou folhas, cada lei é feito para uma ocasião específica e especial.
• Luau - festa havaiana. Achei curioso (sempre pensei que vinha de lua! Rsrsrs!) e descobri que na realidade a origem da palavra luau seria de uma comida típica havaiana que mistura inhame verde, leite de coco, polvo e/ou frango.
• Haloe - estrangeiro. Ou “Haule” como falamos, virou gíria comum no meio do surfe para o cara que surfa mal. Dá para desconfiar o porque, né?
• Hula - vermelho, também é o nome da dança tradicional havaiana. Quando eles querem dizer que é algo “muito” e intensificar a palavra eles a repetem: Hula Hula, por exemplo, uma semente havaiana "muito vermelha".
• Mauna - montanha
• Mauna Loa - grande montanha
• Mauna Kea - montanha branca
• Moana - mar
• Oluolu* - felicidade
• Aloha Au Ia 'Oe* - Eu te amo
• Ko`u Aloha* - Meu amor
* Fonte
A 5.830 metros de altitude, no topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Acordamos a 1h da manhã, a noite estava fria, a temperatura deve ter chego aos -5°C, com sensação térmica de -6 ou 7°C. Na verdade acordou quem conseguiu dormir, pois eu se dormi uma hora completa nessas 7 horas dentro da barraca, foi muito! Descansar em lugares altos já não é fácil, mas o meu caso sem dúvida foi o horário em que deitamos... sou mais ativa durante a noite, meu sono começa a aparecer perto da hora que hoje precisávamos estar em pé. Durante a noite ouvi todos os barulhos, ventos e inclusive um vizinho de barraca que não estava passando muito bem, provavelmente dos males da altitude. As meninas peruanas decidiram nem sair da barraca. Café da manhã e começamos a caminhar. Segui o conselho do José, coloquei todas as camadas que eu havia trazido, 5 ou 6, até perdi as contas. Calças foram 3, não é a toa que estou mais gordinha nas fotos! Rsrsrs!
No topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
O início do ataque ao cume foi pouco antes das 2am. Subimos em um interminável zigzag, passo a passo em fila indiana, com nossas lanternas de cabeça iluminando o pé do próximo e os olhos mirando a pegada mais batida para cansarmos menos. Antes mesmo de chegar à segunda parada, os 2 canadenses companheiros das peruanas, desistiram. Estavam ficando para trás e já não conseguiam mais. Mat e Max, os dois canadenses mais jovens, estavam impacientes, queriam subir mais rápido. Desta vez, porém, o José quis manter o grupo unido, pelo menos enquanto estava escuro. Logo passou por nós um segundo grupo com 2 alemães e os canadenses se uniram à eles com a permissão do guia, acelerando mais o passo.
Dia raiando, enfrentando o frio rumo ao topo do El Mistí, em Arequipa - Peru
As paradas foram de hora em hora, partimos dos 4.600m e seguimos aos 5.300, quando o sol começou a iluminar a paisagem. Essa é a melhor e a pior hora da caminhada. Melhor pois começamos a ter luz, enxergar a paisagem e o caminho. Pior, pois inexplicavelmente, a hora que o sol nasce é justamente a hora mais fria do dia! Nessa altitude o vento começou a aumentar e a sensação térmica deveria estar próxima dos -10°C. Respirar com esse frio já é chato, caminhando é pior, com o nariz escorrendo a cada segundo então, é um suplício.
Próximo do cume do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Foi nessa hora também que os meus dedos da mão começaram a congelar, eu nunca havia sentido algo parecido... ou melhor, eu nunca tinha “não sentido” os meus dedos da mão. Eles primeiro ficaram duros e de repente não respondiam mais direito... Sabe Deus, vai que me dá um frostbite ou coisa parecida!? Falava com o Rodrigo e o José e me diziam para movimentá-los o tempo todo, mas parecia não adiantar. Eu só não queria sair dali sem a ponta de um dedo! Respirei, me acalmei, pensei racionalmente... “Deve ser normal, deve estar tudo bem, eu logo vou acostumar.” E enquanto lidava com esses medos, com o nariz, o vento e o frio, eu ia caminhando e chegando cada vez mais perto. A esta altura Etiene, o terceiro jovem canadense, também já não estava mais conseguindo acompanhar. Júlio já havia voltado para cuidar da turma que havia ficado para trás. José o chamava “Let´s go, let´s go!!!” e Etiene só nos olhava lá de baixo, aparentemente sem forças até para responder.
Início da descida do El Mistí, em Arequipa - Peru
Estávamos cada vez mais próximos, eu já conseguia ver melhor o cume e o caminho de gelo por onde íamos passar. Sobramos eu, Rodrigo e José. O Ro disparou, com muito frio e energia de sobra, tinha mais é que se mandar para cima e se aquecer mesmo. Sabíamos que eu estava em boas mãos. José foi o meu companheiro inseparável daqui em diante.
Atravessando trecho de gelo na subida do El Mistí, em Arequipa - Peru
Subimos pacientemente, agora próximos de um novo grupo de um casal de franceses. Parávamos apenas nas paradas programadas por José e seguíamos quando ele dizia. Quando chegamos aos 5.500m finalmente consegui avistar os outros, cruzando uma língua de gelo, Rodrigo tinha conseguido alcançá-los! Vê-los lá me deu um novo ânimo, não estávamos longe. O trecho dos 5.500m aos 5.600m foi para mim o mais difícil, finalmente o ar mais rarefeito estava mostrando seus efeitos e a cada dois passos eu precisava respirar. Quase fiquei sem fôlego para assoar o nariz! Hahaha! Este trecho tinha muita cinza e não estava tão compactada, cada passo acima eram 2 para baixo. Aqui novamente tiro meu chapéu para o nosso guia, José não me pressionou, caminhou à frente me esperando pacientemente. Ele sabia que ali não havia maneira alguma de eu desistir.
Cruzamos o gelo, sem grampões, 3 trechos íngremes e em um deles a neve estava meio fofa. Enfiei o bastão e ele afundou uns 40cm no vazio, não queria imaginar onde ia chegar se tivesse sido o meu pé. Durante um minuto meu olhar acompanhou a inclinação da neve para baixo e vi Arequipa, percebi que se parasse para pensar o medo ia bater, mas o objetivo estava claro, não havia o que pensar, muito menos o que temer.
Atravessando trecho de gelo na descida do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Finalmente chego aos 5.700m, onde o Rodrigo me esperava por quase uma hora! Eu achei que ele já tinha ido ao cume e retornado para me encontrar, mas o meu marido querido preferiu me esperar para subirmos os 130m finais juntos. Essa é sem dúvida a parte mais bonita da caminhada, terminamos a subida por uma crista de onde já podemos enxergar a cruz à frente no ponto mais alto, a cratera de um lado e a vista infinita do horizonte do outro. Foi nessa hora que comecei a me sentir mais “montanhista”, já sentindo o gostinho especial de chegar ao cume de uma montanha acima de 5.000m de altura, com direito à gelo e tudo.
A 5.830 metros de altitude, no topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Cheguei ao topo com um nó na garganta, “será que choro ou vou engolir o choro?”. Pensei... “Por que me privar disso? Se é o que estou sentindo, deixa vir! Antes só quero agradecer ao José e depois posso chorar.” Rsrsrs! E assim foi, agradeci, falei para a câmera, pois o Ro estava filmando e aí sim, abracei o meu lindo e deixei a emoção transbordar.
Comemorando a chegada ao topo do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Aí sim, eu estava pronta para olhar em volta e finalmente ver a vista mais esperada do cume do El Místi, a 5.830m de altura! Visão 360° no sentido anti-horário: ao sul estava Arequipa, sudeste Pichu Pichu e à leste víamos a linda e imensa cratera do El Místi. Ao norte as lagunas de Aguada Blanca e mais à oeste estava o imponente vulcão nevado Chachani, com seus 6.075m.
O vulcão Chachani, com mais de 6 mil metros, visto do topo do El Mistí, em Arequipa - Peru
José logo nos colocou pilha, vamos à cratera?!? Claro!!! Descemos uma canaleta de cinzas, já aprendendo um pouco a técnica de “esqui nas cinzas vulcânicas”, que seria muito necessária para o restante da descida. A cratera linda estava fumegando, sinal de que El Místi ainda vive, só está em um profundo sono. Ali, às margens da cratera foram encontradas seis múmias, uma senhora com dois meninos e um senhor com duas meninas. Eles foram sacrificados pelos Incas, ofertados ao El Místi para que acalmasse sua fúria. O pior é que parece que funcionou! Rsrsrs!
Grupo se aproxima da gigantesca boca do El Mistí, em Arequipa - Peru
Na boca do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Começamos o nosso caminho de volta. Desceremos agora em 3 horas tudo o que subimos em 2 dias ou 13/14h de caminhada. Afinal, para baixo todo santo ajuda! Pegamos uma canaleta de cinzas e aos poucos fomos aprimorando a técnica de esqui, acelerando o passo e ignorando os quilos de areia (ou cinza) que entravam nas nossas botas. No retorno eu tinha duas preocupações: uma era não sobrecarregar o meu joelho defeituoso de fábrica, para que agüentasse chegar em Arequipa sã e salva. A segunda, ainda mais importante, e compartilhada com o José, era se o Etiene tinha conseguido encontrar o caminho de volta. Meio-dia em ponto estávamos de volta ao acampamento base para organizar as coisas e partir. E sim! Etiene estava no acampamento, triste por não ter subido, mas bem, que é o que importa.
Quase esquiando pelas rampas de descida do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Retornamos em mais 1h30 de esqui e caminhada. Estava feliz e faceira, com a sensação de dever cumprido. No hotel um banho demorado e um sono merecido para recuperar a noite não dormida. Ainda encontramos forças para sair comemorar! Fomos ao El Paladar, nosso restaurante preferido em Arequipa, tomar um belo vinho e comer tudo o que não comemos o dia inteiro! Tudo isso e mais um pouco você também pode conferir no vídeo editado para contar essa história.
foto do grupo na base do vulcão El Mistí, em Arequipa - Peru
Com o James, do hotel Kalilandia, em Feira de Santana - BA
Depois de uma viagem mega estressante ontem a noite chegamos em Feira de Santana. Estressante porque saímos um pouco atrasados do Poço Azul e acabamos pegando parte da estrada no escuro. Os últimos 80km (aprox.), sendo que seriam os mais perigosos, já que recebemos avisos e ouvimos histórias de assaltos constantes nas estradas próximas de Feira. Fomos pela BR 116, com um grande fluxo de caminhões o que é ruim, mas é bom, pois pelo menos dificulta a ação de qualquer bandido desalmado.
O escritório que muitos gostariam de trabalhar! (em Feira de Santana - BA)
Graças aos 100 Pai Nossos que eu rezei nós chegamos bem! Rsrsrs! Bem tensa, mas bem. Fomos direto para a Pousada Kalilândia na principal praça do bairro de mesmo nome, um dos mais bacanas da cidade. Por que viemos parar em Feira de Santana? Pois é, ossos do ofício, a Fiona está prestes a completar seus 20mil km rodados e precisava cumprir a revisão na concessionária. Enquanto ela estava lá, no seu médico e salão de beleza, nós aproveitamos para nos cuidar também!
Praça em Feira de Santana - BA
O Rodrigo foi ao barbeiro dar um trato completo: barba, cabelo e bigode! Tão bunitinho! Eu fui ao correio postar nossas justificativas de voto do segundo turno e encontrei no caminho uma Clínica de Terapias Corporais e Estéticas. O massagista é filho de um quiroprata e massoterapeuta com uma esteticista, especializada em drenagem linfática, massagem relaxante, entre outras. Leonardo tem o dom e depois de uma hora de massoterapia, mesclada com aromaterapia e técnicas de drenagem e acumpuntura eu saí novinha em folha! Também, depois de andar mais de 100km na Chapada, eu estava precisada!
Com o James, do hotel Kalilandia, em Feira de Santana - BA
Feira não estava nos planos, mas foi necessário, portanto acabamos adaptando o roteiro e decidimos seguir viagem para Petrolina! Não antes sem falar com o nosso amigo mega empresário das uvas na região. Infelizmente a safra já acabou e Enio já voltou para Curitiba, mas gentil como sempre, fez questão de nos receber através de sua mãe, Iolanda. Seguimos viagem para Petrolina!
Chegamos a Juazeiro em torno das 19h, mas para atravessar a ponte par Petrolina foi um parto, o trânsito nos deixou empatados por quase uma hora.
Agora, é outra coisa chegar e sermos recepcionados por alguém da cidade. Iolanda é de Curitiba, mas mora lá há 7 anos, desde que iniciaram a produção de uvas na região. Fomos super bem recebidos e ela logo nos convidou para conhecer uma das atrações da cidade, o Bodódromo!
Como Iolanda mesmo o descreveu, é a Santa Felicidade do bode, sendo que quando você escuta bode, é na realidade de carneiro que estão falando. A carne de bode é rara, porém ainda é consumida em algumas casas. No bodódromo a única iguaria de bode que se pode degustar é a lingüiça. Nós não estávamos muito dispostos depois de um dia inteiro de estrada, dizem que é muito forte, então não arriscamos. Fomos logo na especialidade da casa, mignon e picanha de carneiro! Deliciosa! Enquanto isso, conhecemos alguns amigos de Iolanda, ouvimos um pouco mais sobre a região e principalmente sobre a produção de uva no Vale do Rio São Francisco. Já vi que teremos muito a aprender amanhã. Ana Biselli, direto de Pernambuco: BOA NOITE! =)
"Cuidado com as lhamas!" (no caminho entre Salta e Cachi - Argentina)
Hoje começamos o nosso roteiro no sul da Província de Salta. Chegamos ao Vale Calchaquíes, em direção às cidades de Cachi e Cafayate. A estrada é belíssima, mais uma das paisagens grandiosas das quebradas formadas pelas geleiras e degelos. Montanhas coloridas em todos os tons de amarelo, vermelho, terracota, preto, dependendo do mineral encontrado na sua composição.
Bela paisagem entre Cachi e Molinos, nos vales Calchaquíes - Argentina
Cruzamos o Parque Nacional de los Cardones, um tipo de cactos predominante na região utilizado há centenas de anos para a construção de casas, igrejas nos tempos coloniais, etc. Há até um estudo liga a concentração de cardones às regiões que já foram habitadas, pois os antigos povos e alimentavam do seu fruto e disseminavam suas sementes já com um ótimo adubo orgânico pela puna e encostas destes morros.
Os famosos Cardones, no caminho entre Salta e Cachi - Argentina
A rodovia chega a aproximados 3400m de altitude na Cuesta del Obispo, com uma linda vista da região. A cidade de Cachi é a cidade mais estruturada para explorar a área, almoçamos no delicioso bistrô da praça e visitamos sua igreja com tetos e vigas de cardones.
Admirando a estrada que sobe a Cuesta del Obispo, no caminho entre Salta e Cachi - Argentina
Ali perto fica um lugarejo ainda menor, mas de grande importância histórica para a região. Ali viveram um governador da época colonial espanhola e um herói federalista, que lutou pela união da Argentina. Vale a pena conhecer o Hostal Provincial de Molinos, antiga casa do último governador de Salta nos tempos coloniais deste vilarejo.
Placa de hotel em Molinos, nos vales Calchaquíes - Argentina
Foi lá que resolvemos passar a noite. A vila é pequena, não há muito o que conhecer. A linda igrejinha e o museu, pequeno, mas muito bem montado, com informações sobre a região, os tempos coloniais e guerras entre federalistas e unitários.
Igreja iluminada de Molinos, nos vales Calchaquíes - Argentina
A paisagem e calmaria dos arredores de Molinos são um convite para uma cavalgada. Fechamos os olhos e viajamos aos tempos coloniais, onde lugares como este permanecem até hoje como eram nos velhos tempos.
Tranquila rua restaurada em Molinos, nos vales Calchaquíes - Argentina
Vista do nosso quarto em Provo - Turks e Caicos
Hoje nos despedimos de Turks and Caicos Islands, e como não poderia deixar de ser, em alto estilo. TCI tem a terceira maior barreira de corais do mundo, ficando atrás apenas da Austrália e Belize. Com tamanha parede, aqui são especializados em Wall Dive, com diversas formações, espécies, tipos de corais e esponjas. Hoje fomos mergulhar em dois dos melhores pontos de mergulho de Provo: “O Anfiteatro” e “A Chaminé”. Nos dois pontos tínhamos grandes chances de ver tubarões, raias e tartarugas, mas a principal atração são as formações de coral e o cenário especial que elas acabam criando.
O Anfiteatro é perfeito, como os romanos e gregos, palco e tudo. Todo revestido de corais negros, um tipo raro de coral, é um mergulho super psicodélico, repleto de cores e formas de outro mundo. A Chaminé é divertida, uma abertura nos corais que desce dos 15 aos 30 metros e se abre para aquela imensidão azul. A visibilidade foi a melhor destes 15 mergulhos que já realizamos até agora e o guia ninguém menos do que Dave, fotógrafo submarino e dono da Provo Turtle Divers. Como o barco estava praticamente vazio o serviço foi vip e ainda pudemos presenciar uma prática totalmente incomum: a caça de Lion fishes! Como eu já contei aqui em posts anteriores, esta é uma espécie invasora nos mares do Caribe e está quebrando todo o equilíbrio do ecossistema da região. Por isso a caça desta espécie é liberada e incentivada, mesmo com scuba, já que este peixe não possui predadores naturais aqui, vive entre 12 e 30 metros de profundidade, na maioria das vezes escondido nos corais. Então, além de admirar a beleza dos corais e procurar diferentes espécies de peixe, torcendo para um tubarão aparecer, também ajudamos a apontar os pobres Lion fishes.
Lion Fish - Foto tirada por David Volkert
A caça é relativamente simples, com um tridente longo o Dave se aproximava do Lion fish e já o acertava. Ele é um peixe meio paradão, fácil de ser caçado. Por ser um peixe com espinhos venenosos, nenhum outro peixe se aproxima e por isso não desenvolveu o instinto de fuga. O maior exemplo disso foi quando vimos dois deles nadando juntos, Dave matou o primeiro e o segundo ficou ao lado olhando e esperando para ser morto! Impressionante! Melhor ainda foi quando uma garoupa grandona ficou ao lado do Dave só esperando ele terminar o trabalho de cortar os espinhos e a cabeça do Lion e assim que ele o soltou do arpão, NHAC! A garoupa papou ele ali mesmo, era tão grande que mal cabia na sua boca! Para terminar o segundo mergulho, de lambuja ainda vimos duas tartarugas lindas e sempre com aquele ar sábio.
Garoupa Tigre - Foto tirada por David Volkert
Tartaruga - Foto tirada por David Volkert
O restante do dia foi focado em organizar as coisas para a viagem amanhã cedo e trabalhar para colocar o site em dia. Temos muito trabalho pela frente e amanhã, um novo país para apresentar a vocês. E que venha Porto Rico!
Comida brasileira em Paramaribo - Suriname
Paramaribo é uma cidade multifacetada, vai depender de você e das amizades que fizer lá para saber qual das facetas irá conhecer e explorar. Na nossa primeira passagem pela capital surinamesa exploramos todo o seu lado histórico, a cidade antiga de construções coloniais holandesas, igreja e prédios governamentais (fácil de achar os posts pelo menu geográfico).
Conhecemos também o dia a dia da agitada cidade de trânsito caótico, de mesquitas vizinhas a sinagogas, tak-tak, inglês e holandês, falados todos em uma mesma mesa. Naquela ocasião tivemos tempo de dar só uma passada muito rápida pelo bairro brasileiro, em busca de uma medicação na farmácia que não pede receitas, só podia ser brasileira mesmo. RS! Portanto hoje, com saudades da comidinha brasileira, resolvemos voltar àquelas redondezas para comer em uma churrascaria, a famosa “Petisco”. Um buffet com arroz, feijão (amooo!), farofa, saladas, legumes e outros acompanhamentos, completam a carne assada na churrasqueira e passada na chapa. Não é nenhum Fogo de Chão, mas a fome e as saudades fizeram parecer! Hahaha!
Churrascaria brasileira em Paramaribo - Suriname
Domingão, a cidade fica praticamente toda fechada, então aproveitamos para colocar nossas coisas em dia, arrumar a Fiona e reencontrar amigos. Já havíamos combinado de rever Scott, um americano que conhecemos aqui no hotel. Enquanto o esperávamos para sair, dois amigos nos fizeram uma bela surpresa! Donovan e Elen, amigos surinameses que conhecemos em Belém, vieram nos encontrar aqui no hotel!!! Eu havia comentado com eles por email que estaríamos aqui no dia 17, e não foi que eles apareceram?! Foi sensacional! Eles estão de mudança para Belém ainda este ano, Elen é de origem javanesa, nascida no Suriname (Nieuw Nickerie, que vamos conhecer amanhã) e já foi casada com um brasileiro, com quem tem duas filhas. Por isso fala português, holandês, tak-tak e ainda um pouco de inglês! Eles irão se mudar com os filhos e abrir um restaurante de comida surinamesa em Belém. Será parada obrigatória, pois além de um cardápio super exótico que tem referências javanesas, indianas, africanas e holandesas, ela irá manter o tempero original, renovando seu estoque trimestralmente com fornecedores daqui! Sensacional, estamos torcendo por eles!
Com o Scott, a Ellen e Donovan (casal que conhecemos em Belém!), em Paramaribo - Suriname
Logo Scott chegou e eles nos deram uma carona até o nosso bar, aqui perto do hotel. Scott está no Suriname há pouco mais de um mês, trabalhando em um projeto na área de TI. Um job que deveria durar 15 dias acabaram se tornando quase 2 meses e ele teve que se adaptar. O papo foi super divertido, falamos de tudo, desde a política e economia americana, às revoluções no Oriente Médio, a situação entre os palestinos e israelenses, até o sub-mundo de Parbo (Paramaribo, para os menos íntimos).
Já nos despedindo, ele chamou um táxi para levá-lo para casa, e quando menos esperávamos estávamos no maior papo com o taxista. Ele tem uma namorada brasileira, Nayra, 17 anos, nascida em Boa Vista. Sua mãe, que trabalha vendendo roupas lá e cá, a princípio foi contra o relacionamento, mas depois que conheceu o moço, surinamês de origem indiana, viu que era sério, acabou topando. Hoje eles moram juntos há 1 ano, ela está estudando holandês e inglês e já está acostumando a viver no Suriname. Eles nos convenceram a dar uma passadinha no Bigode, bar brasileiro, uma das facetas da cidade que não conhecíamos.
Pense em uma boate da periferia de Belém, repleta de garimpeiros brasileiros, guianeses e surinameses. Todos esses embalados e animados por mulheres (a maioria também brasileiras) assanhadíssimas dançando os hits do Furacão 2000! Eguinha Pocotó, Bonde do Tigrão, Calcinha Preta, Calipso e suas cópias baratas. Foi uma incursão noturna de fundo cultural com um único objetivo, a experiência antropológica em um meio tão sortido e agressivo.
Não, não vimos nenhuma briga lá não, mas sabemos que elas são comuns, principalmente entre mulheres defendendo seus homens, ou mesmo suas mulheres. As “brutas”, como são conhecidas as “mulheres que gostam de mulheres” aqui, são numerosas e a maioria trabalha nos bares destas boates. Mas eu me referia à agressividade na dança, na paquera, na sexualidade, nos gostos, nas músicas, como diria meu amigo mineiro, brutaaal. Ah, esqueci de mencionar que as “primas”, como chamam os paulistas, também são da terrinha.
Segundo nossos novos amigos, isso aqui é o brasileiro, esta é a referência do Brasil para eles, pois é a única cultura que eles têm acesso. Descobrimos que existe uma vizinhança chamada Belenzinho. Eu não fui tão a fundo na periferia de Belém durante nesta viagem, mas sei que encontraria coisas parecidas. Ainda assim a impressão que fiquei é que aqui as coisas estão ainda mais exageradas. Milhares de brasileiros (hoje em torno de 60 mil), que estão aqui batalhando uma vida melhor e que longe de casa acabam se liberando para tudo e todos.
Como explicar a eles que o Brasil não é inteiro assim? Ou ainda pior, como explicar aos garimpeiros que eu sou brasileira? Hahaha! Sim, é impressionante como tão diferente o Brasil ainda consegue ter uma unidade, língua e o mesmo orgulho de ser brasileiro, de São Bento do Sul à Marabá. Aos antropólogos de plantão pergunto se há algum estudo ou definição antropológica deste ser tão controverso e ao mesmo tempo amado em todo o lugar. Meu chute? Alegria. É essa a nossa principal característica, mesmo com toda a miséria e corrupção, pobre e ferrado, rico ou letrado, o brasileiro é feliz.
Praia do Forno, em Búzios - RJ
Dia chuvoso, uma acordar com o barulho da chuva sem pressa para levantar da cama. O único horário que temos hoje é o do café da manhã da pousada, que termina às 10h. Dez horas vamos ao café e aproveitamos o começo de dia molhado para responder emails, atualizar site, enviar materiais pela internet. Depois do meio dia a chuva dá uma trégua e decidimos nos exercitar um pouco explorando a pé as praias da península. Praia João Fernandes, João Fernandinho, Praia Brava, Praia do Forno e Praia da Foca, voltando pelo centro e Orla Bardot. Uma volta olímpica embalada por boa companhia, a couple of caipirinhas e belíssimas paisagens. O nosso objetivo principal era aperfeiçoar o nosso photoshop mental para enxergar cada uma daquelas praias como se estivéssemos em um dia de céu azul e muito sol! Animação nós tínhamos, só faltava mesmo exercitar. Exercitar as pernas, exercitar a mente.
Caminhando na rua que liga o centro à Praia da Foca, em Búzios - RJ
João Fernandes e a sua diminuta irmã já foram rendidas pelos restaurantes à beira mar, quiosques, pousadas, camelôs e turistas. Suas areias, em algumas partes vermelhas, puxaram a minha lembrança da praia do forno, com grãos vermelho-escuros. Os pescadores em suas embarcações ainda dão um ar bucólico ao cenário.
Barco na Praia João Fernandes, em Búzios - RJ
A Praia Brava não nega o nome que tem. A maré alta já havia sumido com a faixa de areia e alguns corajosos surfistas enfrentavam o seu nervosismo e o frio. Nós calmamente observamos o movimento, movimento das ondas, de los hermanos turistas que vão e vem, das nuvens que passam nos torturando enquanto decidem se ali irão se instalar ou apenas passar.
Passeando na Praia Brava, em Búzios - RJ
Finalmente a Praia do Forno. Quando estive aqui com meus pais em 1992, decidimos não parar em Búzios, mas fizemos uma parada na Praia do Forno. Fiquei tentando me lembrar, na minha cabeça de criança eu achava que era caminho de Guarapari para o Rio de Janeiro e por isso havíamos só parado para dar uma olhada. Hoje que já sei ler mapas percebi que não foi por isso, terá sido uma insistência infantil para vermos as areias vermelhas? Lembro como fiquei impressionada com as águas roxas e areias vermelhas desta praia. Acho que meu photoshop mental naquela época era muito mais sugestionável do que hoje.
Escalando na Praia do Forno, em Búzios - RJ
Uma caminhada pelo costão da estreita Praia da Foca e logo chegamos ao lago pantanoso no caminho para o centro.
Explorando a Praia da Foca, em Búzios - RJ
A prefeitura pretende urbanizar o entorno deste lago, mas para nós encontrá-lo ali, como estava, foi uma grata surpresa. Um espelho d´água em um dia cinza como este? Confesso que foi uma das cenas mais bonitas do dia e quem diria, num pântano no meio de Búzios.
Fim de tarde na lagoa, em Búzios - RJ
Já escureceu, finalizamos o nosso exercício caminhando pelo centro e Orla Bardot, imaginando como terá sido o tempo em que Brigitte e Juscelino caminhavam por aqui.
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