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Paulinha Ribas (21/05)
Guria, acredita q eu achei as páginas rasgadas desta reportagem no meio ...
marcos block (19/05)
Dani (18/05)
Ju (18/05)
Chorando estou eu tambem... Irmas, amo voces!!!!! Estou sempre do seu \"...
Dani (17/05)
Naaaaa, você até me fez chorar... Sinto muito mesmo por você e a Ju n...
A fantástica arquitetura de Punda, em Willemstad, a capital de Curaçao
Três países em um só dia! Um dia saímos do paraíso dos cassinos e resorts, passando pela ilha mais histórica e com bela arquitetura colonial, chegando a Bonaire, a mais tranquila e natural do ABC.
O primeiro pôr-do-sol na volta ao Caribe (em Palm Beach - Aruba)
Começamos o nosso dia cedo, saindo do nosso apartamento em Aruba em direção ao aeroporto nacional em Oranjestad. O sol nem tinha nascido e já começamos a socialização. Conhecemos uma americana que veio para o casamento de um amigo em Aruba. Ela ia para o aeroporto de ônibus e nos pediu uma carona. Nosso carro é minúsculo, mas é como coração de mãe, sempre cabe mais um! Colocamos no imenso Picanto as duas malas, duas caixas de equipamento de mergulho, sua bagagem e fomos nós 3 nos dois bancos da frente, trocando as experiências e histórias de viagem. Ela mora em Novo México e já conhece bem a América do Sul. Morou durante um tempo no Perú, namorando um artesão local e viajou com ele por vários países, fazendo tererê no cabelo de turistas gringos. Também já esteve praticamente todas as ilhas do Caribe, que conheceu trabalhando em barcos de cruzeiro. Como sempre dizemos, há várias formas de viajar e conhecer o mundo, basta ter paixão e vontade que o resto se arranja.
Restaurantes na beira do canal em Willemstad - Curaçao. Ao fundo, a famosa ponte Rainha Juliana
Depois de 2 dias e meio em Aruba, seguimos nossa viagem pelo ABC. Próximo destino: Bonaire, com uma escala de algumas horas em Curaçao. É claro que, em vez de ficarmos 4 horas mofando no aeroporto, aproveitamos para explorar um pouco da ilha. O táxi do Hatto Airport para Otrabanda custa 25 dólares, um assalto! Nos recusamos a pagar, deveria haver uma forma mais barata... Depois de alguns minutos assuntando e perguntando, descobrimos o transporte público da ilha. Vans com quase nenhuma sinalização que fazem lotações por 2 dólares por pessoa e passam em frente ao terminal de embarque. O táxi leva 30 minutos até o centro e a van deve ter demorado uns 40 minutos mais o tempo de espera.
Observando Otrabanda desde Punda, em Willemstad - Curaçao
Ainda assim vale à pena, pois na lotação temos experiência local diferente, vemos a vida como ela é, longe dos resorts e do circuito turístico. Chegamos direto no terminal de ônibus em Otrabanda e em apenas dois minutos caminhando, estávamos na Ponte Rainha Emma. Ponte flutuante e móvel para pedestres, a famosa ponte conecta a Otrabanda com a Punda, bairro histórico e mais turístico de Curaçao. A arquitetura colonial holandesa de casinhas coloridas à beira do canal nos lembra as maquetes de cidade em miniatura na Disney. Piscamos e são reais. Assim como os restaurantes e bares à beira do canal, com um delicioso croassaint e suco de laranja como café da manhã.
Cerveja holandesa, muito comum em todo o ABC (em Willemstad - Curaçao)
Tínhamos apenas 4 horas, então logo já estávamos no nosso caminho de volta ao aeroporto, rumo ao terceiro país em um mesmo dia. O vôo demora apenas 10 minutos e do alto avistamos Bonaire e Klein Bonaire. Bonaire é tão grande e verde, que Rodrigo chegou a pensar que poderia ser a costa da Venezuela! Um exagero obviamente, pois da altitude que estávamos seria impossível avistá-la.
O nome do avião é Aruba. Mas nós estamos em Curaçao, embarcando para Bonaire. Viva o ABC!
Chegamos à nossa terceira e mais esperada ilha, o paraíso dos mergulhadores! Aqui também alugamos um apartamento. A Blachi Coco possui uma ótima infra-estrutura, varanda, área para lavar e secar os equipamentos de mergulho, sala, cozinha e quarto com ar condicionado, item importante aqui por estas bandas. Chegamos já no final da tarde e já saímos ali perto para pesquisar preços de aluguel de carro e de tanques de ar para os mergulhos. Mais tarde jantar no Seasons, um dos mais próximos da pousada, com cardápio francês delicioso. Amanhã começam os nossos dias mais esperados, descanso e muuuuitos mergulhos!
Nadando em piscina natural feita pelo mar, no sul de Aruba
A Ana caminha pela neblina nos campos mais altos do estado do Rio Grande do Sul, na região de São José dos Ausentes
São José dos Ausentes é uma cidadezinha do Rio Grande do Sul, a mais fria do estado. Durante esta semana fria e úmida. A Rádio Nevasca de São Joaquim está anunciando neve para domingo pela manhã e geada na segunda-feira cedo. Olhando para fora da janela não é difícil de acreditar, pois está tudo completamente branco, mal conseguimos enxergar o galpão que fica há 50m da casa principal.
Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS
Não foi a toa que a cidade foi assim batizada. Nos tempos da colônia tentaram ocupar a região, um dos maiores latifúndios da região sul. Foi construída uma vila com uma pequena igreja, que depois de alguns invernos rigorosos foram abandonados pelos seus moradores. “Naquela época o frio era ainda mais intenso do que nos tempos de hoje”, nos conta o Seu Domingos, proprietário da pousada.
Lareira acolhedoura do hotel Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS
Abandonada, a terra dos “ausentes” foi levada a leilão por três vezes, até que o Seu José Antônio Manuel Velho arrematou-a e passou a desenvolver atividades pecuárias no local. Anos depois Manuel Velho foi morto em uma emboscada, tiro de fuzil e luneta há 3 mil metros de distância, atingido na copa do chapéu. Existe até um poema com 123 versos que conta a sua história, a ser resgatado pelo Seu Domingos.
Na beira do canyon Monte Negro em dia de muita neblina na região de São José dos Ausentes - RS
Afinal, além de frio, o que viemos procurar em São José dos Ausentes? Fácil, aqui começa a região dos “perais de serra”, os tão famosos cânions do Rio Grande do Sul. Há apenas 5 km da pousada ficam o Cânion e o Pico do Monte Negro, ponto mais alto do estado.
Placa indicativa do Pico do Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS
Em um dia tão fechado de cerração não se pode avistar nada, mas ainda assim o Rodrigo decidiu sacudir a poeira e dar uma “corridinha” até o cânion. Foram 10 km de corrida, ida e volta, e eu fui atrás como equipe de terra, levando luvas, casacos, gorros e tudo que pudessem salvar meu marido de uma hipotermia.
Correndo num fim de tarde fantasmagórico nos campos de altitude, na região de São José dos Ausentes - RS
No cânion não pudemos enxergar absolutamente nada. Só deixamos a nossa imaginação criar o desenho do tal cânion que nos disseram existir ali na frente. Na trilha, enquanto eu procurava o Rodrigo gritando o seu nome, o ouvia responder perto, mas não conseguia enxergá-lo. O cenário dos campos de araucárias cobertos de neblina nos transportava ao filme “A Bruxa de Blair”, sinistro!
Paisagem nublada e gelada na região de São José dos Ausentes - RS
Retornamos ao nosso Hotel Fazenda (e Spa de Engorda) Monte Negro. Uma rodada de chimarrão e pinhão assado no fogão à lenha abrem o nosso apetite todas as noites. Aí vem a deliciosa comida gaúcha, churrasquinho, comida tropeira e saladas ali da horta. Com toda essa comida boa e tempo chuvoso, realmente fica difícil mantermos a forma. Amanhã o tempo promete abrir e a previsão continua de neve para domingo, veremos!
Com a família proprietária do Hotel Fazenda Monte Negro, na região de São José dos Ausentes - RS
Visita a Annanberg Plantation
Ser um super-herói quando se fala de corrida, natação, trabalho, é super bacana. Mas ser o “The Flash” em uma viagem como a nossa além de sacal e cansativo é um desperdício. Vocês podem achar que é piada, afinal estamos fazendo uma viagem de 1000dias, porém 1000dias para conhecer tudo o que nos propusemos, ou seja, a América inteira, incluindo o Caribe, é muito pouco. Chegamos a apenas duas noites aqui em St John, US Virgin Islands e já estamos indo embora. Poderíamos ficar 15 dias só aqui, sem contar St Thomas. É uma ilha linda, com diversas praias, baías, restaurantes e bares para conhecer. Entretanto temos que escolher, ou fazemos o tour tipo “the flash” ou não vamos para BVIs e todos os outros lugares que temos pela frente.
Nosso carro em USVI
Mesmo sendo a menor das USVIs, é uma ilha com quatro mil pessoas e com uma geografia muito parecida com a do litoral norte de SP, toda recortada por praias, montanhas e baías. As outras 11 mil virgens fazem um espetáculo a parte no horizonte à beira mar. Saímos da pousada já depois do meio-dia, pois tínhamos atualizações do site para fazer. Alugamos um carro(ão) e saímos para dar uma volta(ona) na ilha: Coral Bay, Annaberg Plantation, Leinster Bay, Maho Bay, Cinammon Bay, entre diversas outras “bays” de água cristalina e montanhas verdejantes. Simplesmente maravilhoso!
Maho Beach - St John - USVI
Na Annaberg plantation finalmente encontramos parte da história dos dinamarqueses na ilha. A estrada nova vai margeando a antiga estrada construída por eles e chega até o que foi um dia o Engenho de Açúcar de Annaberg. Uma grande estrutura com moinho de vento e a cavalo, caldeira, fábrica de rum e com direito à vista para a Baía de Leinster para os escravos, um luxo!
Visita a Annanberg Plantation
Foi ela mesma que escolhemos para explorar, pois é o melhor ponto de snorkel da ilha. Vimos logo ali, na praia, arraias, tartarugas, moréias, caranguejo-aranha, camarões e diversos peixinhos. Um exercício e tanto, uns 30 minutos de caminhada e mais quase 3 horas de natação dentro desse aquário marinho. Retornando à Cruz Bay temos uma estrada com vista panorâmica para as diversas outras praias e baías, que só vimos de longe, pois tivemos que passar correndo. Vimos um pôr-do-sol inesquecível em Maho Bay já nos despedindo de USVIs.
Pôr-do-Sol em Maho Beach - St John - USVI
Uma visita relâmpago que me mata por dentro, mas quando olho o que tem por vir sempre me encorajo para seguir viagem. Essas horas é que não queremos nem um pouco esses super-poderes.
Feira de turismo no Anhembi - São Paulo
Realmente tudo acontece aqui em São Paulo. Ontem a Val, minha amiga de infância me ligou, pois tinha acabado de chegar a SP para o 5° Salão de Turismo promovido pelo Ministério de Turismo. É claro que nós decidimos ir lá conferir, afinal se queremos nos tornar turistas profissionais temos que ir lá descobrir como esse povo faz! Além disso também poderíamos encontrar informações interessantes para a nossa viagem.
O salão é um mundo à parte. Dividido por regiões do Brasil ele apresentou as atrações turísticas de cada estado, além das culturais como danças típicas, gastronomia, música, artesanato, entre outras. Logo ao lado você encontrava também estandes de empresas fornecedoras do setor, companhias aéreas, hotéis, operadoras de turismo e afins. Outra área da feira reunia em um só lugar uma degustação que apresentava o tempero de cada pedacinho do Brasil.
Feira de turismo no Anhembi - São Paulo
Fomos até a esquina do pavilhão que falava de Turismo de Aventura, com foco especial em Aventura Segura. Existe uma organização que está trabalhando para cadastrar e regulamentar as empresas que trabalham com turismo de aventura como rapel, rafting, canyoning, escalada, etc. Todos estes esportes dependem de técnicas e equipamentos modernos e staff treinado e atualizado para não colocar em risco a vida dos praticantes. Porém a maioria desenvolve a atividade por conta própria, o que não garante se estão fazendo da forma correta ou não. Não existe hoje um órgão que fiscalize ou até mesmo uma certificação que seja referência, por isso esta é uma iniciativa muito importante e que faz nós, os aventureiros de plantão, ficarmos muito mais tranquilos.
Na mesma esquina a Val nos chamou atenção para um trabalho que está sendo desenvolvido por uma empresa de turismo de aventura na cidade de Socorro, no interior de SP: o turismo para pessoas portadoras de necessidades especiais. Eles desenvolveram cadeiras de roda adaptadas para trilha, uma cadeira especial para paraplégicos andarem a cavalo e está em andamento o projeto para tetraplégicos. Na mesma linha também fizeram um suporte para a prática do rapel. Na pousada os serviços de quarto são todos adaptados para surdos-mudos.
Cadeira para Portadores de Necessidades Especiais fazerem trilhas
É de arrepiar o trabalho que eles estão fazendo, eu que estou meio manteiga esses dias quase chorei de emoção. Segundo o expositor hoje 7% dos clientes que recebe em sua pousada são portadores de algum tipo de deficiência. Muitas vezes os portadores de necessidades especiais nem se interessam em procurar este tipo de atividade por saberem que o acesso é mais complicado e não possui as adaptações necessárias. O que temos percebido nos lugares por onde estamos passando é que esta cultura está cada vez mais presente. No Petar mesmo alguns guias comentaram que o plano de manejo deve prever estrutura para acesso de PNEs em algumas trilhas. Sem dúvida é um nicho a ser explorado, afinal o patrimônio natural é de todos e, portanto todos devem conseguir ter acesso.
Placa indicativa de atividades de aventura para Portadores de Necessidades Especiais
Com o nosso tempo se esgotando, fomos atraídos por uma apresentação de dança típica que ocorria ao lado do estande da cidade de Socorro. Bacana ver que jovens até hoje se empenham em manter uma tradição que muitas vezes nem na Europa se encontra mais.
Show de música e dança regionais, na Feira de Turismo no Anhembi - SP
É, mercado nesta área é o que não falta! O que falta pelo visto é investimento no setor. O Brasil tem um potencial turístico absurdo e completamente subutilizado. Vamos ver como, nesses nossos 1000dias, poderemos explorá-lo.
O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Uma das partes mais gostosas da viagem é quando pegamos rotas diferentes, por que estrada de asfalto são todas iguais, muda um pouco a paisagem aqui e ali, mas não é tão curtida como um off-road, por exemplo. Hoje saímos de Sagi pela praia e os chapadões até a Praia da Pipa. Aquela sensação de “easy rider”, rodando pelas areias, vento, sol, mar, sempre fez parte do meu imaginário de viagem de carro pelo nordeste e aqui vamos nós!
Longas praias desertas no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN, antes de chegar à Baía Formosa
São quase 30km entre as duas cidades e na maré baixa conseguiríamos fazer praticamente todo o caminho pela areia. Passamos por Baía Formosa e ali já vimos que a maré ainda estava alta nas pedras e falésias, tivemos que entrar pela Fazenda Estrela e fazer parte da estrada entre coqueiros e alagados. Chegamos à Barra de Cunhaú, um rio largo que atravessamos numa balsa de um carro só.
Embarcando a Fiona para cruzar o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Era comum seguir de carro pela areia daqui até a próxima balsa, mas a proibição foi feita e esta eu obedeço com gosto! A praia é berçário para as tartarugas marinhas que ainda estão em época de reprodução e fazem seus ninhos nestas areias. Já pensaram as coitadinhas tendo que agüentar carros e bugues?
Na balsa sobre o rio Cunhaú, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Por isso pegamos um trechinho de estrada até a Barrinha e dali seguimos para a próxima balsa do Rio Sibaúma, essa balsa ainda menor e quase desnecessária. A Fiona ficou até meio chateada de não ter estreado seu snorkell, mas não poderíamos burlar o ganha pão dos balseiros dali.
Cruzando o rio Sibaúma numa pequena balsa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
De Sibaúma até a Pipa são mais 3km sobre um chapadão maravilhoso! A vista do alto das falésias é ainda mais bonita, o verde contrastando com a terra da chapada à beira mar, fantástico!
O magnífico Chapadão, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
Logo vemos que estamos chegando à Pipa, aumenta o movimento de carros e o golpe final, excursões da CVC por toda parte. Centenas de turistas descendo dos trenzinhos puxados por tratores, mega empreendimentos imobiliários “Pipa Beach Bungalos”, praia lotada de barracas e guarda-sóis. É o desenvolvimento chegando...
Praia próxima à Pipa, no caminho entre a praia do Sagi e a Praia da Pipa - RN
A Praia da Pipa é um daqueles destinos obrigatórios para qualquer brasileiro. Um lugar especial que virou atração turística não apenas por suas belas praias, mas pela infra-estrutura turística e pelo astral das pessoas que fazem o lugar. O Rodrigo já conhecia e sugeriu que ficássemos apenas um dia e uma noite, mas eu tinha lá minhas dúvidas, queria sentir o lugar antes para decidir ficar, quem sabe, pelo menos mais uma noite.
Caminhando na Praia da Pipa - RN
É realmente estranho sair de lugares como os que temos andado, tranquilos e distantes de tanto agito e chegar à Pipa. Ficamos meio tontos com tantas coisas, mas a energia e a própria infra do lugar vai nos envolvendo e não nos deixa ir embora. As praias são bonitas, mas lotadas. Temos que treinar os olhos para ver a beleza em meio a tanta gente e tanta farofa. Chegamos à praia do centro e logo pensei, “se for só isso podemos ir amanhã”. Caminhamos até a baia dos golfinhos, praia com falésias imensas, águas tranqüilas onde os golfinhos costumam passar o dia e caçar alguns cardumes de sardinha. É uma caminhada curta para chegar até lá, aí nos perguntamos: por que as pessoas gostam tanto de ficar aglomeradas? Uma praia dessas, tão linda e tão vazia, enquanto a outra está lotada? Enfim, mistérios do ser humano.
Baía dos Golfinhos, Praia da Pipa - RN
O fim de tarde foi chegando, os bares e restaurantes começaram a abrir e as ruas começaram a ganhar vida. Lanchamos um sanduíche delicioso que não encontrávamos há muito tempo, até aqui, só cheeseburguer e olha lá! Risoterias, bares, lojas, enfim... um mundo de coisas e pessoas alternativas vindas de todos os cantos do mundo, para formar esta atmosfera “pipana”. Decidido, vamos ficar mais um dia! Já vimos lugares tão ou até mais bonitos, mas a viagem e a vida não são feitas apenas disso. Precisamos respirar um pouco desta atmosfera e nos alimentar da energia cosmopolita que transborda neste lugar.
Falésias na baía dos Golfinhos, em Praia da Pipa - RN
Catedral de Salta - Argentina
Dia de compras em Salta. Amanhã teremos uma longa estrada pela frente e eu tinha que aproveitar a cidade grande e os os bons preços argentinos para resolver algumas pendências. As lojas abrem até as 13h e reabrem apenas as 16h, aquele famosos horário da siesta, famosa na Espanha e que a Argentina pelo jeito aderiu.
Pronto para devorar enorme sanduíche em Salta - Argentina
Esperando as lojas abrirem, tivemos um almoço gostoso no café do Hotel Victória Plaza na Praça 9 de Julho. O Ro ficou no hotel, enquanto eu saí para as ruas. Esta semana começaram as comemorações da Padroeira da cidade de Salta, as ruas estavam lotadas, não apenas de turistas, como também de estudantes que vieram em excursões à Catedral de Salta para homenagens, missas, etc.
Catedral em Salta - Argentina
Rodei o centro de Salta inteiro, consegui consertar o meu óculos de sol, comprar os cremes indicados pela dermatologista na farmácia Sudamericana, uma das mais antigas da cidade. Lá foi que descobri que os salteños tem um ritmo meio baiano para as coisas, fazem tudo com muuuita calma e ao mesmo tempo sendo super atenciosos.
Interior da Igreja de São Francisco em Salta - Argentina
Outro item da minha lista de compras eram casacos de frio próprios para montanhismo. Logo estaremos chegando no Perú onde pretendemos fazer algumas trilhas em Huaráz, na Cordilheira Branca. Encontrei uma loja de produtos argentinos muito bacana, chamada Montagne. Os produtos me pareceram compatíveis com as marcas norte-americanas mais conhecidas e os preços eram pelo menos a metade!
Entrada do Convento de San Bernardo, em Salta - Argentina
Fiquei umas 4 horas andando, fotografando e pesquisando lojas e farmácias, até uma depilação eu descolei. Todos os salteños foram completamente gentis e prestativos, fora que sem o Ro por perto para falar português, fui afiando ainda mais meu espanhol. Não sou do tipo gastadeira e freqüentadora de shoppings, mas sem dúvida essa pernada valeu a pena, gastei 50% do que gastaria comprando os mesmos cremes e casacos no Brasil. Vamos ver se vou ficar mais jovem e quentinha como os produtos prometem!
Fim de tarde na Plaza 9 de Julio, em Salta - Argentina
Chegando à pequena praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe
St Barth é provavelmente um dos mais glamorosos lugares do jet-set internacional. Uma das ilhas preferidas das celebridades holliwodianas, este pedacinho da França no Caribe reúne tudo o que há de mais luxuoso e caro nas West Indies.
Chegando à praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe
Sua geografia e sua história nos ajudam a entender por que. Uma ilha vulcânica com apenas 21km2 formada por um relevo montanhoso, vegetação seca, como cactos e outras plantas rasteiras e não possui fonte natural de água doce. Desta forma nenhuma plantação poderia ter sucesso. As tentativas de colonização iniciaram em 1648, os primeiros franceses logo foram massacrados pelos índios Caribs, alguns anos mais tarde franceses huguenotes se estabeleceram na região com uma atividade que não dependeria dos recursos naturais: tornaram-se um ponto de apoio aos piratas franceses que agiam na região pilhando os Galeões Espanhóis.
Marca da colonização sueca de St. Bath
No final do século XVIII os suecos passaram a ser donos de St Bartholomeu, após uma negociação entre o Rei Luis XVI e o Rei Gustaf III. Isso explica o nome da capital, Gustavia e algumas outras marcas deixadas pelos quase 100 anos de ocupação nórdica. Mais tarde a ilha foi vendida novamente para os franceses. Em meados do século XIX, quando a escravidão foi abolida, a maioria dos habitantes africanos se mudou para outras ilhas em busca de trabalho, tornando St. Barth uma das únicas ilhas no Caribe quase sem negros na composição populacional.
O farol de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
Foi só no início da década de 50 que começaram a chegar os primeiros turistas e alguns habitantes mais espertos trataram de fixar algumas leis que protegesse o seu paraíso de grandes cadeias de hotéis e cassinos. Ainda assim o turismo se tornou o maior e melhor negócio nesta pequena ilha, justamente por ser exclusiva (principalmente nos preços) e por oferecer pequenos paraísos muito bem preservados.
Maravilhosa praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe
Nós fomos para lá de ferry boat, que parte de St. Martin por preços mais amigos que os vôos, mas vale checar as tarifas aéreas na baixa temporada, principalmente se você sofre em dias de mar mais agitado. Vento contra e sem remédio para enjôo, minha ida foi sofrida. No ferry conhecemos Koy, um brasileiro de Floripa que mora em St Martin desde 1985, quando veio em busca de novas ondas e começou a trabalhar em uma embarcação. Ele estava guiando um grupo de 10 brasileiros para conhecer a ilha e nos deu boas dicas, algumas que seguem abaixo.
Nosso hotel em Gustava, capital de St. Bath - Caribe
Uma vez em St Barth o primeiro que se deve fazer é alugar um carro. O ferry estava com uma promoção, tarifa de 30 euros/dia, se já alugássemos junto com a passagem. Ainda conseguimos negociar o segundo dia por 25 quando chegamos lá. Na hospedagem arriscamos e conseguimos pegar o último quarto no Sunset Hotel, um dos mais baratos da ilha (103 euros s/ café da manhã + impostos). Bem localizado, fica logo em frente à estação do ferry, com uma vista linda para a marina.
A marina de Gustavia, vista do nosso hotel (St. Barth - Caribe)
Carro alugado, demos a volta no litoral sul do pequeno país. Vistas espetaculares das estradas tortuosas, cada enseada um azul. Fomos à Anse de Grande Saline, uma enseada belíssima, hoje com bastante vento e, portanto com muitas ondas. Esta é a praia preferida dos naturalistas, que ficam totalmente à vontade no canto esquerdo da praia. Não se espante se vir um peladão andando na sua frente, ou tantas mulheres de top less, ao final do dia você é que estará se sentindo um ET. Como é uma área de preservação existem algumas lanchonetes e restaurantes na estrada, mas não na praia. No calor e sol caribenhos, uma água na mochila é item obrigatório.
Nosso cafofo na praia da Grande Saline, em St. Barth - Caribe
Pouco depois mudamos para a Gouverneur Beach, outra praia tranquila. Achei que ia ser mais difícil encontrar nudistas aqui, mas eles também existem. O mais engraçado foi uma família que estava fazendo um book fotográfico, pai, mãe e três filhas posando para um fotógrafo, todos vestidos de branco, há 10 passos do peladão.
"Tomando sombra" na praia do Gouverneur, em St. Barth - Caribe
Aproveitamos o pôr-do-sol no Do Brazil, bar de preços astronômicos na Shell Beach. Eu ia pedir uma caipirinha, para matar as saudades, mas custaria algo em torno de 30 reais, então acabamos ficando com a boa e velha taça de vinho francês, a módicos 6 euros. Alguns iates estavam ancorados em frente à praia, iates de aproximadamente 50 milhões de dólares. Impossível não perder alguns minutos tentando imaginar como é a vida desses milionários que freqüentam St. Barth.
Belo fim de tarde na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
O almoço do grupo de um iate destes deve ter custado pelo menos 1500 euros no mesmo bar. Ok, isso não é nada perto do Abramovitch, bilionário russo que está ancorado aqui com seu iate de 1 bilhão e 200 milhões de dólares. Pouco excêntrico, o seu iate possui submarino, sistema antimísseis, anti-paparazzis, heliporto e tudo o que você conseguir imaginar dentro.
No bar "Do Brazil" na Shell Beach em Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
Chega de “sofrer” pensando nos milhões alheios, resolvemos pegar nosso rumo e ver um finalzinho do pôr-do-sol no Fort Gustave. Da construção em si não sobrou muita coisa, dois canhões e um farol, mas de lá temos uma vista privilegiada da cidade de Gustavia e desta imensidão azul, dourada no fim de tarde.
Vista de Gustavia, capital de St. Barth - Caribe
A noite não podíamos deixar de conhecer o tradicional Le Select Bar. Com mais de 60 anos de história, o Le Select faz parte da vida e da tradição de muitos marinheiros e velejadores do Caribe. Seu fundador, Marius já recebeu inclusive a família real sueca como embaixador honorário da Suécia aqui. Um clima de bar de marinheiros, bandeiras e adesivos de todos os cantos do mundo trazidos por seus freqüentadores, é também um dos lugares mais baratos para um lanche e uma cervejinha a noite. Imagina se eu não ia colocar um adesivo do 1000dias ali?
O adesivo dos 1000dias no famoso bar Le Select, em Gustava, St. Bath - Caribe
Pra variar o Ro estava caindo de sono e eu mega agitada, querendo ver a balada de St Barth. Tudo bem que temos que nos policiar com os preços, mas olhar não custa nada! RS! Rodamos a marina e chegamos ao outro lado do U, onde eu via luzes piscando, sinal de pista de dança! Chegando lá, era uma festa particular. (Fooom! Que mais eu podia esperar?! rsrs!). Logo ao lado outro bar com clima bacana, DJ muito bom e finalmente onde encontramos a pequena parte da população negra que ainda restou no país! =) Um deles é Laurent, natural de St Barth, que trabalhou para o embaixador da Angola em Paris. Adorou treinar seu português (de “Portgal”) com os dois brazucas aqui.
Magnífico pôr-do-sol em St. Barth - Caribe
Moral da história: existem preços proibitivos sim, inclusive são eles que fazem deste lugar ainda mais um paraíso. Mas temos que lembrar que nem todo mundo que vive aqui é bilionário, então se eles conseguem viver aqui, nós também conseguimos! Pelo menos por uns dois ou três dias!
Por que será que a Shell Beach em Gustavia, tem esse nome? (St. Barth - Caribe)
Eupção do Kilauea, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
A Big island, no Hawaii, é mundialmente conhecida por seus grandes campos de lava e contínua atividade vulcânica. Ela proporciona, ano após ano, imagens fantásticas e a melhor área para estudos de campo para os volcanólogos de todo o mundo.
Desenho explica as erupções do Kilauea, no Vulcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
A cadeia de ilhas havaianas possui uma história de mais de 70 milhões de anos de atividade vulcânica. A Placa do Pacífico está sobre um hot spot se tornando, em tempos geológicos, uma fábrica de ilhas e tem como resultado a Emperor Seamount Chain.
O processo de formação vulcânica das ilhas havaianas
A placa tectônica está se movimentando basicamente do sul para o norte e conforme a placa se move, um novo ponto de tensão é criado sobre o hot spot, que através da pressão e do calor abre um caminho na placa tectônica para expelir a lava, criando um vulcão submarino que eventualmente irá emergir e se tornar uma nova ilha. As ilhas mais antigas por sua vez, estão em processo de erosão, pelo mar e pelo tempo e aos poucos estão afundando. Outras ilhas já estiveram na superfície e novas ilhas já estão em formação.
As primeiras plantas a colonizarem o campo de lava (Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí)
Maui, por exemplo, já foi tão grande quanto a Big Island, somada às suas ilhas irmãs Molokai, Lanai e Kaho´Olawe. Olhando a ilha do alto de um avião é fácil de perceber que a área conhecida como West Maui deve ser a próxima ilha a se separar do corpo principal.
Maui e as ilhas adjacentes, no Havaí
Bem voltando à Big Island, são duas as principais montanhas vulcânicas que formam a área da ilha, o Mauna Kea e o Mauna Loa. O Mauna Kea é a maior montanha do mundo, da sua base no fundo do Oceano Pacífico, até os 4.206m de altura sobre o nível do mar. O Mauna Loa é a segunda maior montanha do mundo e ao lado do Kilauea está na lista de vulcões mais ativos do mundo. Diferente de outros vulcões nos Estados Unidos continental, O Kilauea e o Mauna Loa são mais fluidos e menos gasosos e suas erupções são fontes de magma formando belíssimos rios de lava.
Chegando ao parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
O Hawaii Volcanoes National Park é o maior parque nacional no estado do Hawaii, constituído para proteger não apenas as áreas destes dois super vulcões, como todo o complexo habitat formado por eles ao longo de centenas de milhares de anos. Florestas verdejantes, áreas secas e praticamente desérticas e imensos campos de rocha magmática recém-esfriada, formam um mosaico que abriga diversas espécies nativas e endêmicas, que lutam para sobreviver em uma terra cada vez mais invadida por novas espécies trazidas pelo homem.
Antigos havaianos observam uma erupção vulcânica, em belo quadro no museu do parque dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Em resumo, se existe um lugar que você tem que conhecer na Big Island, este lugar é o Hawaii Volcanoes National Park. Campos e tubos de lava, crateras vulcânicas de todos os tamanhos, formatos, a maioria com aparência inativa, mas na realidade todas estão potencialmente ativas e algumas delas em erupção.
A gigantesca cratera do Kilauea, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Um dia inteiro é pouco para ver o parque, o ideal é planejar no mínimo um dia e meio, se hospedando em Volcano, vilazinha próxima ao parque, ou ainda no lodge do próprio parque nacional. A visita começa logo de manhã cedo com uma parada no Visitor Center. Eles têm informações atualizadas sobre a lava e ótimos filmes com as imagens que esperamos ver ao vivo e que, a não ser que você seja muito sortudo, provavelmente não verá. Os dados atualizadíssimos vem do trabalho de campo de vários vulcanólogos, câmeras, sismógrafos e todo o equipamento que você imaginar. Lembre-se, você estará entrando dentro de um dos vulcões ativos mais estudados do mundo: o Kilauea.
Painel no museu do Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
O Kilauea é um shield volcano e seu nome significa “vomitando” ou “muito espalhado” em havaiano. Sua atividade vulcânica foi registrada pela primeira vez em 1823 e há 30 anos ele está em atividade contínua, sendo registrada a última grande erupção em 2003. Sua caldeira está a apenas alguns quilômetros do Jaguar Museum e o fogo da sua lava pode ser visto, principalmente durante a noite do mirante em frente ao museu. Para conhecer a paisagem criada e modificada pelo Kilauea e Pelee, deusa havaiana dos vulcões, você terá que percorrer a Chain of Craters Road.
Uma coluna de fumaça sai de um grande lago de lava, no Vulcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
A estrada de pouco mais de 27km (54km ida e volta) possui diversos mirantes maravilhosos. O parque possui várias trilhas, mas com pouco tempo, nós escolhemos a trilha do Pu´u Loa Petroglyphs, ótima para caminhar sobre a lava e conhecer um pouco da cultura local. A trilha é fácil e leva pouco menos de 2 horas andando tranquilamente e tirando fotos.
Trilha de acesso ao campo de lavas onde estão as antigas pictografias havaianas, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
A história por trás deste sítio arqueológico é tão linda e impressionante como a beleza ao seu redor. A maioria dos petroglifos aqui encontrados foram feitos de 900 anos para cá e continuam sendo desenhados pelas famílias havaianas tradicionais. Eles são buracos cavados na pedra, mais ou menos adornados, para receber o cordão umbilical do bebê recém-nascido.
Antigas pictografias havaianas em pleno campo de lavas endurecidas, ao longo da Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí
A crença havaiana é que a partir deste momento/ritual o novo membro da família estará conectado com a terra e protegido pelos deuses, que lhe garantirão sucesso, força e saúde por toda a vida.
Antigas pictografias havaianas em pleno campo de lavas endurecidas, ao longo da Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Depois da trilha, continuamos pela Chain of Craters Road e vemos o encontro de duas incríveis forças da natureza, a água e o fogo, que aqui travam uma luta há milhões de anos. A cada nova erupção a Deusa Pelee jorra o seu magma e conquista um novo espaço, construindo pouco a pouco novas terras para a ilha.
A contínua batalha entre as deusas dos vulcões e do mar, em pintura no museu do Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Nesta batalha novas paredes de pedra vulcânica são construídas à beira mar. É ali que está o Holei Sea Arch, um arco de lava petrificada que encontra o mar.
O mar molda a costa formada por uma antiga erupção vulcânica, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
A imagem da lava encontrando o mar deve ser fantástica e não é nada incomum por aqui. Existe um tour de barco que leva os turistas até o local onde os rios de lava escorrem e viram uma cachoeira de fogo líquido caindo diretamente no mar. Porém a atividade desta cachoeira varia e quando estivemos lá os rangers nos disseram que ela estava praticamente nula, não valendo a pena pagar 150 dólares pelo passeio.
Costa formada por uma erupção vulcânica recente, perto de Volcano, na Big Island, no Havaí
O ponto alto do passeio foi a trilha de aproximadamente 4 km (ida e volta) sendo 2 caminhando sobre a lava derramada na erupção de 2003, no final da Chain of Craters Road. A lava cobriu mais de 14km de estrada, um trecho da rodovia que cruzava o parque e passava por uma zona rural onde existia uma pequena vila que foi engolida pelo fluxo vermelho e soterrada com até 35m de lava.
Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Durante a caminhada sentimos a força destrutiva e criativa da natureza, que ignorou a estrada e tudo o que havia na sua frente para criar esta paisagem de outro mundo, onde hoje já crescem pequenas plantas que recomeçam o ciclo da vida. Passamos pela placa “Road Closed” presa no meio do magma enrijecido, prova de que um dia a estrada realmente passou por ali.
Pretty obvious! (Chain of Craters Road, em Volcano, na Big Island, no Havaí)
Erupção vulcânica bloqueou uma estrada ao sul de Volcano, na Big Island, no Havaí
Hoje existe um campo de lava ativo na ilha e ele está praticamente no limite do parque nacional, já bem próximo ao município de Kalapana. Esta trilha sobre o campo de lava dentro parque nacional possui em torno de 22km (ida e volta) e se torna ainda mais extenuante, subindo e descendo pequenos cânions formados pela lava já endurecida e completamente negra.
Explorando um gigantesco campo de lava endurecida, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Em um dia de sol o calor absorvido por esta rocha pode ser muito perigoso e durante a noite a mesma rocha absorve toda e qualquer luz, tornando muito mais difícil se localizar na trilha que não é bem marcada. Então, se você quer chegar até lá, via parque nacional, o ideal é começar a caminhada com o primeiro raio de sol, carregando muita água, lanternas e pilhas extras para uma emergência, mas planejando para terminá-la ainda com a luz do dia. Outra forma é dirigir pela estrada de Pahoa até Kalapana (1h40 de Volcano) e pagar os guias locais (150 dólares por pessoa) para levá-los por dentro das terras particulares até a lava, uma trilha mais curta, em torno de 8km ida e volta.
O fim da estrada, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
No retorno pela Chain of Craters Road ainda fizemos uma parada rápida na Pauahi Crater e no lava tube, canal subterrâneo por onde um dia correu um grande fluxo de lava.
Entrando no túnel de lava, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
A programação noturna é obrigatória, pois é quando vemos o fogo da cratera do Kilauea. Normalmente você poderia voltar no final da tarde até o Jaguar Museum e, enquanto o sol se põe, assistir ao “acender” das chamas. No dia em que estávamos lá, porém, a neblina resolveu atrapalhar um pouco e nós não pudemos ver nada. A sorte é que estávamos hospedados em Volcano, esperamos a noite cair e a neblina se dissipar e voltamos ao parque as 23h, quando o tempo começou a melhorar. Estávamos sozinhos no mirante com uma vista inacreditável do vermelho da lava refletida na fumaça que saía de dentro do vulcão. Lindo!!!
A luz do Kilauea ilumina a noite no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Um pouco antes da meia noite, observando a erupção do Kilauea, no Volcanoes National Park, em Volcano, na Big Island, no Havaí
As experiências que teremos com a atividade vulcânica e o quanto iremos ver efetivamente de lava dentro do parque nacional são sempre uma incógnita. Esta visita sem dúvida só me deixou com mais vontade de retornar à Big Island para conferir, ainda mais de perto, a verdadeira fúria da Deusa Pelee.
Uma bela representação da deusa havaiana dos vulcões, em Volcano, na Big Island, no Havaí
Fort George, no alto de uma colina em St. George's, capital de Granada
Granada, the spice island, mostra seus sabores não apenas nos temperos e condimentos que exporta para todo o mundo ou na sua culinária. O seu povo alegre, divertido, curioso e muito receptivo é um dos principais encantos dessa ilha ao sul do Caribe.
A bela praia de Grande Anse, em Granada
Mesmo com toda a sua vontade de colocar o pé na areia e relaxar nos paraísos de águas azuis, um passeio pelo mercado central da capital St George´s é obrigatório! Dezenas de tendas de temperos e condimentos como canela, noz moscada, gengibre, açafrão e todos os tipos de “pimentas” que a ilha produz.
Muitos temperos da "Spice Isle" no mercado de St. George's, capital de Granada
Um terço da produção mundial de noz moscada vem desta pequena ilha, que a utiliza em grande parte dos pratos da sua culinária local. Da fruta fazem a geleia, ao redor da semente encontram a moca, que parece uma casca avermelhada utilizada para temperar bolos e sopas e a noz moscada dá o sabor especial aos pratos e até ao rum punch granadino.
Noz-moscada e outros temperos no mercado de St. George's, capital de Granada
Adiante está o Mercado de Peixes, que hoje estava fechado para a Festa de Aniversário comemorativa do Dia do Pescador. A paróquia vizinha prometia reunir mais de 1000 pessoas, numa festa de arromba para comemorar o dia destes trabalhadores tão importantes para a economia local.
St. George's, a capital de Granada, no Caribe
No caminho para lá está a Carenage Bay, com seu calçadão colorido e bem movimentado e uma vista linda para o principal porto da cidade. Barcos de pesca batucando os gritos de carnaval, ancorados ao lado das escunas turísticas e dos “Rum Runners” que levam turistas embalados no rum para passeios ao redor da ilha.
Observando a Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Barcos aportados na Carenage, baía em St. George's, capital de Granada
No canto direito da baía está o antigo Fort George, que foi construído pelos franceses em 1705 e foi palco para grandes batalhas e até para o recente episódio de execução do então Primeiro Ministro Maurice Bishop, líder do partido comunista, em 19 de Outubro de 1983. A má notícia é que ele foi morto pela ala ainda mais radical do partido que tomou o poder em um golpe sobre o próprio governo, julgando-o incompetente no avanço do verdadeiro comunismo. Apenas 6 dias depois, 12 mil soldados americanos desembarcaram na costa de Granada e travaram uma batalha para estabelecer o novo governo democrático. O Fort George hoje, caindo aos pedaços, continua sede do Quartel da Polícia Nacional e pode ser visitado para pelas vistas do Porto de St. George´s.
Observando do alto do forte a cidade de St. George's, capital de Granada
Vista do alto do forte em St. George's, capital de Granada
St. George's, capital de Granada e, ao fundo, a praia de Grande Anse
Feito um tour rápido e resumido pela história e cultura de Granada, agora podemos ir para a parte que interessa: as praias! Grande Anse é uma das praias mais famosas, com hotéis, restaurantes e a apenas 15 minutos de reggae bus do centro. Foram 15 minutos em que me transportei para um cult movie latino-americano, só que em vez de latinos, tínhamos africanos e em vez do reggaeton, tínhamos reggae jamaicano da melhor qualidade!
Caminhando ao longo da Carenage, a baía em St. George's, capital de Granada
Chegamos à Grande Anse, praia de areias brancas e águas azuis caribenhas. Difícil acreditar que essa praia tranquila na temporada dos furacões, pode ficar lotada com milhares de turistas durante a alta temporada. Granada é repleta de praias paradisíacas, uma das dicas que não pudemos conferir é o Churrasco do Roger, todos os domingos na Hog Island! Alguém por favor, vá lá e nos conte depois!
A bela praia de Grande Anse, em Granada
A noite, consegui arrastar o Rodrigo meio a contra gosto para coferirmos a festa de pré-carnaval nos arredores da marina. A festa rola todas as quintas-feiras de julho até o carnaval, que será na segunda semana de agosto. O calypso, a soca e a power soca são os ritmos que agitam o público que lota os shows com artistas locais e atrações internacionais vindas de ilhas como Dominica, St. Vincent, Trinidad e Tobago e Republica Dominicana! Não ficamos muito tempo, mas vale a experiência! Reunião do melhor da música caribenha, não que seja a minha preferida, mas é o que faz o povo daqui requebrar os quadris e dançar adoidado.
Cartaz de danças caribenhas (em Clifton, cidade em Union Island, ilha no sul de São Vicente e Granadinas, no Caribe)
Quem diria que na nossa última ilhazinha do Caribe teríamos tantas novidades e descobertas. Muitos nos perguntam: vocês não cansam do Caribe? Impossível, cada ilha tem uma paisagem, uma cultura e um tempero especial. Aí eu pergunto, tem como cansar?
Fim de tarde na praia de Grande Anse, a mais famosa de Granada
passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
Vamos hoje conhecer a principal atração da região do Xingó, o Cânion do Rio São Francisco. O passeio já é um esquemão, Catamarãs lotados partem de um píer com mais de 120 pessoas de 3 em 3 horas. Odiamos este tipo de excursão, sem tempo e desavisados caímos como dois patinhos na lagoa, literalmente.
Nosso catamarã lotado no passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
Durante a navegação passamos por áreas em que a guia do barco dizia ser o leito natural do rio e de tempos em tempos entrávamos em lagos, regiões alagadas mais amplas. Eu confesso, não entendo nada de represas ou engenharia, mas a quem ela quer enganar dizendo ser o leito natural? O rio subiu pelo menos uns 60m de altura, fazendo que alguns pontos tenham até 150m de profundidade, como ela pode afirmar isso? Vi um quadro, óleo sobre tela, retratando a cachoeira que ficava no local onde foi construída a barragem. Lindíssima, grandiosa e mesmo com o belo quadro digo ser ainda inimaginável, visto que hoje no lugar dela vemos milhões de toneladas de concreto. O impacto ambiental deve ter sido imenso, algo que não deve nem ter sido contabilizado quando se deu a sua construção. Fato é que a hidrelétrica está lá, trouxe “progresso” e hoje cumpre seu papel no fornecimento de energia à região.
Usina de Xingó, no rio São Francisco, entre Sergipe e Alagoas
Outro cenário difícil de imaginar é o Grandioso Cânion do São Francisco antes da represa. Se hoje já encontramos trechos com paredes de mais de 30m de altura, imaginem antes? Deveria ser o cânion mais profundo do Brasil! Desculpem, eu poderia apenas descrever o passeio, mas é difícil ver tão de perto a grandiosidade da natureza e não ficar abismada com as interferências humanas nesta paisagem.
passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
O catamarã nos leva pela represa, rio e lagos até o conhecido Cânion do Talhado, local onde o rio estreita entre paredes imensas de rochas que parecem talhadas a mão.
Nadando nas águas verdes do rio durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
Paisagem maravilhosa, sobre as verdes águas do São Chico. Eu achava que elas seriam mais transparentes, mas é claro, depois fui entender que ali na represa elas ficam mais turvas, tanto pelo processo de decomposição das árvores que foram inundadas, até pelo próprio represamento da água. Na parte baixa do rio, onde as águas são correntes, elas são mais transparentes e também mais frias.
Árvores alagadas na represa de Xingó durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
No Talhado há uma parada de uma hora em um píer construído em uma reentrância do cânion. Todos descem ali, pegam suas bóias, bisnagas e salva-vidas e vão para a área de banho, um verdadeiro piscinão de ramos! O pior é que descobri depois que ali, justamente por ser uma espécie de baiazinha, a água não circula muito... pelo menos a água não ficou amarela.
Área para banho durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
Pessoal, não desanimem! Mesmo com o piscinão de ramos e muitos metros a menos no cânion, a paisagem é belíssima e o passeio vale a pena. Dica: não economizem na cerveja para agüentar o barco-lotação e entrem no clima, vocês podem conhecer pessoas ótimas e super animadas durante o passeio.
Amizade com família campineira durante passeio de catamarã no rio São Francisco em Canindé do São Francisco, divisa de Sergipe e Alagoas
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