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Paulinha Ribas (21/06)
guria, minha dermatologista disse que o choque térmico da água gelada Ã...
mario sergio silveira (20/06)
Oi filha, que beleza de lugares. Lembra da Cida Oliveira que morou em Air...
Paulinha Ribas (19/06)
Mas q fofo esse cachorro meu deus! Nunca poderei esperar isso do Zeus (me...
carolina Coelho (18/06)
Oi Ana! Gostaria de saber onde vc ficou hospedada em Cruz Bay. Quais prai...
mario sergio silveira (18/06)
Oi filha, lembra da nossa viajem para Minas? Que saudade... Bjs...
A costa sul de Bermuda
Dia de conhecer o norte da ilha. Alugamos uma scooter para termos mais agilidade e mobilidade, além de aproveitarmos finalmente a nossa carteira de moto que tanto treinamos para conseguir, antes de começar essa viagem! Mesmo sem muita experiência o Rodrigo conseguiu convencer o locador de scooters que daria conta de andar com a sua esposa na garupa e, cambaleando, enfrentou firme e forte mais esse desafio! Rsrs!
De scooter pelas estradas de Bermuda
Com apenas 53,2km2 de área, nosso trajeto de Hamilton à praia de Tobacco Bay, na ponta norte da ilha, duraria quase 30 minutos no lombo da nossa lambretinha. Nós levamos ainda mais tempo admirando as belas formações rochosas nos arredores do Harrington Sound, suas águas azuis turquesas e a delicada paisagem formada pelos campos de golfe de Bermudas.
De scooter pelos campos de golfe de Bermuda
Baía de águas cristalinas no interior de Bermuda
Dentre os 10 melhores destinos para apreciadores do Golf no mundo, Bermuda tem a maior concentração de campos por metro quadrado no mundo! Porém não é apenas a quantidade que atrai os golfistas para a ilha, mas também a grande qualidade dos seus 9 diferentes campos de golfe projetados pelos mais famosos arquitetos especialistas no assunto.
Campos de golfe: paisagens comuns em Bermuda
Campos de golfe: paisagens comuns em Bermuda
O Arquipélago de Bermudas é composto por 181 ilhas. A principal delas, Main Island, é onde esta localizada a capital Hamilton. O nosso destino era a St David´s Island, a segunda maior ilha do arquipélago que está conectada por uma grande causeway construída na área de Castle Harbour.
Scooter é um meio muito popular de se locomover em Bermuda
Chegando à pequena cidade de St George fizemos uma parada rápida para conhecer a igreja inacabada. Com seus grandes arcos típicos da arquitetura gótica, a Unfinished Church começou a ser construída nos idos de 1870 para substituir a St Peter´s Church. Depois de uma série de problemas financeiros, disputas internas da paróquia e um grande temporal, a sua construção foi abandonada e hoje ela faz parte do St George´s World Heritage Site.
A "igreja incompleta", uma das principais atrações em San George, a mais antiga cidade inglesa das Américas
A menos de um quilômetro dali está a praia preferida dos locais, Tobacco Bay. Uma praia pequena de águas mornas e protegidas por grandes arrecifes, perfeita para snorkel e algumas macaquices nas colunas de pedras dos arredores. O restaurante tem sanduíches e cervejas a preços mais palatáveis e até o aluguel de guarda-sol e cadeiras. Nós que sempre nos viramos com as nossas cangas, tivemos que nos render ao guarda-sol, pois o sol estava matador!
Tobacco Bay, em San George, norte de Bermuda
As águas cristalinas de Tobacco Bay, em San George, norte de Bermuda
Tobacco Bay foi assim batizada pelos primeiros homens a pisarem em Bermudas, náufragos sobreviventes do Sea Venture, que encontraram tabaco crescendo nessa baía. A frota de 9 navios da Virginia Company of London partiram da Inglaterra em 1609 a caminho de Jamestown, Virginia. Uma tempestade terrível abateu a expedição e os sobreviventes foram os primeiros a pisar na ilha. A companhia reclamou o território, batizando sua primeira cidade de New London, em 1612. Mais tarde essa cidade se tornaria St George e ela permaneceu a capital das Bermudas até 1815.
A simpática e tranquila San George, em Bermuda
St George com suas ruas de paralelepípedo, casas coloniais e prédios históricos, é a mais antiga cidade colonial inglesa continuamente habitada no mundo. Sua arquitetura e as antigas fortificações inglesas, mesclada às cores alegres do calor bermudense fazem de St George um lugar único e não à toa ela se tornou Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
Orla de San George, em Bermuda
Almoçamos em um restaurante à beira da marina e em british style assistimos à abertura das Olimpíadas de Londres! Logo tivemos que pegar a estrada novamente, já que os lambreteiros de primeira viagem não queriam dirigir de noite. Voltamos e encontramos no nosso caminho o por do sol mais lindo da semana!
Pôr-do-sol visto da nossa scooter, no caminho entre San George e Hamilton, em Bermuda
O sol se pôs, nós já nos sentíamos mais confiantes, eu na garupa, Rodrigo no guidão, então decidimos seguir com o nosso plano original, que seria de ver o pôr do sol no Spanish Point Park. Seguimos até o fim da estrada e ali, sem lanterna, estávamos em dúvida se deveríamos continuar a pé. Olhamos a paisagem molhada iluminada por um restinho de luz lilás, só observando alguns pescadores locais terminando sua caça aos carangueijos e polvos na maré baixa. Eles gritavam uns para os outros com suas lanternas, enquanto seus amigos os esperavam na estrada onde fazíamos o retorno. Perguntamos a eles: “Hey, is this the Spanish Point?” e eles com seu maior sotaque brow bermudense responderam: “Yeah Man! Vocês estão no melhor canto de Bermuda, esta é a verdadeira Bermuda!”
Novos amigos, em Spanish Point, à oeste de Hamilton, nas Bermudas
Nossos amigos negões rastafáris passaram a próxima hora nos falando sobre a diferença entre a Bermuda que os turistas conhecem e a verdadeira Bermuda. Eles vivem bem e felizes, como quase todos que vivem na praia, não falta peixe no prato e se divertem com suas mulheres e famílias nos finais de semana. Aí ficou uma bela foto com Skip e Dge Dge, pena que os conhecemos só agora no último dia, caso contrário combinaríamos um bom churrasco para conhecer toda a sua família.
Novos amigos, em Spanish Point, à oeste de Hamilton, nas Bermudas
À noite ainda tivemos pique para um sanduba e uma baladinha na Front Street e como uma bela despedida não poderíamos deixar de visitar na manhã seguinte a praia de Horseshoe Bay, agora sem cruzeiros e multidões de turistas. Ela estava vazia, apenas para nós. Uma ótima imagem para o fim de mais esta viagem!
Cenário de sonho em Horseshoe Bay, litoral sul de Bermuda
A magnífica Horseshoe Bay, em Bermuda, num dia tranquilo
Nova campanha cívica da Fiona, em Curitiba - PR
Curitiba está mobilizada em torno de uma causa pouco notada pela maioria da população: o respeito à sinalização para pessoas com deficiência. “Esta vaga não é sua nem por um minuto” surgiu a partir de uma situação vivida por Mirella Prosdócimo, curitibana portadora de deficiência. Mirella ao invés de se fechar, transformou sua indignação em causa e lançou uma campanha de conscientização, chamando a atenção de toda a cidade para os direitos das pessoas com deficiência. Eu respeito a lei e o próximo e convido a todos os motoristas a aderirem à causa, ajudando na divulgação desta campanha.
Curta a página do "Esta vaga não é sua" no facebook.
Primeira Praia, em Morro de São Paulo - BA
Um dia de viagem de um lugar tão bacana, precisa de uma despedida à altura. Mesmo morrendo de sono, acordamos cedo e fomos nadar da praia até a Ilha do Caité, também conhecida entre nós como a Ilha do Paulinho. Há muitos anos atrás o Rodrigo viajou para cá e fez esta mesma travessia, que da praia parece muito próxima do que realmente é. Maré vazia e vazante, nadamos aproximadamente 400m e logo chegamos neste banco de areias e coral em frente à terceira praia. Exploramos a ilha, suas mini-piscinas naturais e seus corais, escrevemos nossos nomes e apreciamos Morro de São Paulo de um novo ângulo, sabe que dali ela fica ainda mais simpática, parece uma pequena vila.
Tomando banho na Primeira Praia, em Morro de São Paulo - BA
Começamos a nadar novamente para a praia e ao lado dos meus pés, ainda nos corais rasos, eu avistei uma cobra do mar, amarela pintada de marrom. Eu nunca tive medo de cobra no mar, sei que são do bem, ainda mais quando eu estou toda equipada para mergulho autônomo. Porém desta vez foi diferente, a vi ali ao meu lado passando por onde eu andava. Tentei manter a calma, mas ela rapidamente se virou para a minha direção! Eu, que estava vagarosa e cuidadosa com os corais, não levei um minuto para estar no fundo, nadando para bem longe dela!
Com o Tasso, da Pousada Porto dos Milagres, em Morro de São Paulo - BA
Voltamos para a vila já para nos preparar para a ida à Salvador. Conversamos longamente com o Tarso, dono da pousada onde estávamos hospedados, enquanto tomávamos uma caipirinha de tangerina deliciosa preparada por Renato. Tarso nos contou como eram os seus tempos de infância e adolescência na vila de pescadores de Morro de São Paulo. Tempos estes em que os veranistas, arretados, tiveram que fazer uma vaquinha para comprar um trator para cuidar do lixo e um gerador de eletricidade. Hoje a pousada dele fica onde era a casa que seu pai comprou de um pescador e ele diz que prefere Morro como é hoje, tem mais agito, pessoas para conversas e meninas para observar.
Igreja matriz de Valença - BA
Pegamos a barca de Morro para Valença e só no caminho descobrimos que ela parava mesmo era no atracadouro e dali deveríamos pegar um ônibus para Valença. Fomos nós, busão acima e estrada abaixo até o estacionamento da Fiona. Fui dirigindo até o ferry-boat para Salvador, achei que seria mais perto, mas foi uma longa viagem, que começou em Morro as 16h e só terminou na casa de Mônica as 22h. Long way, mas não vejo a hora de matar as saudades dessa terra, ainda mais tão bem acolhidos por minha mainha baiana, mesmo depois de 11 anos longe!
O rio que corta Valença - BA
Vista para o rio no Forte do Presépio, em Belém - PA
4 da manhã já estávamos em pé, esta linha Marajó – Belém não é muito tourist friendly. O barco sai as 6am, mas o transporte do Edgar que nos pega na pousada, que atravessa a balsa e leva de Soure até o porto, iria nos buscar entre 4h e 4h30. Chegaram as 4h50 e a barca saia às 5h. Ufa... deu tempo. Madrugamos e mesmo assim chegamos ao barco e ele estava lotado. Nossa sorte foi que decidimos bancar uma passagem mais cara (23,00) para a sala vip, com ar condicionado e cadeiras mais confortáveis para podermos descansar. Mesmo esta sala lotou e dois pestinhas que estavam na fileira de trás da minha me acordaram a viagem inteira, me cutucando, pegando coisas, gritando, etc. Enfim, coisas da vida em sociedade que temos que saber conviver.
Canhões do Forte do Presépio, em Belém - PA
Chegamos à Belém, confirmamos na transportadora que a Fiona havia chego a Macapá em segurança e fomos deixar nossas coisas no hotel. Temos um dia inteiro para dedicar à Belém e suas atrações históricas e à noite voaremos para Macapá. Almoçamos no grill (humm) e seguimos caminhando pelo centro até o Forte do Presépio. Construído em 1616, o forte está localizado na Baía de Guajará, próximo ao mercado Ver o Peso, para defender a entrada dos franceses e holandeses pelo rio às terras brasileiras.
Passeando no Forte do Presépio, em Belém - PA
O forte foi o marco zero da cidade de Belém, que se desenvolveu no seu entorno fazendo parte da vida da vila. Mais tarde, com o crescimento da cidade, foi construído um muro de segurança para separá-lo. Este, porém, foi colocado abaixo, mantendo apenas o portal como símbolo histórico e reintegrando o espaço do forte à comunidade. Hoje ele abriga um pequeno museu sobre as comunidades indígenas do estado.
Museu de Artes em Belém - PA
Tivemos uma infeliz coincidência na nossa data de visita à Belém: segunda-feira, o “dia internacional do não-turismo”, quando todos os museus e centros culturais estão fechados. Então pudemos passear e conhecer a maioria dos museus e atrações, apenas por fora, genial!
Igreja da Sé, em Belém - PA
Adiante do Forte fica uma antiga mansão de um Barão do Açúcar, transformada em galeria e restaurante, a Casa das Onze Janelas. Dizem que o restaurante é um dos mais caros e finos da cidade. Linda por fora, fechada “por dentro”. A frente encontra-se a Catedral da Sé, ainda bem que igreja (quase) nunca fecha. Belíssima igreja neoclássica-barroca da época colonial construída em meados do século XVIII.
Interior da Igreja da Sé, em Belém - PA
Já sem esperanças caminhamos para o Museu de Arte de Belém, onde os guardas muito simpáticos nos avisaram que ali e o Museu Zoobotânico também estariam fechados. Com o tempo anunciando chuva, nos restou caminhar até um dos monumentos modernos mais visitados da cidade, o Shopping Pátio Belém, antigo Iguatemi, reinaugurado no ano passado. Lá assistimos o filme “Caça as Bruxas”, com o Nicolas Cage. Nome bem sugestivo para o dia de hoje, mas ou era ele ou o “Bruna Surfistinha”. É, aí ficou difícil. Fechamos nossa tarde no tradicional Bar da Praça da República, prédio com 133 anos de idade que funcionava como bilheteria do Teatro da Paz e virou bar há uns 80 anos!
Bar tradicional na Praça da República, em Belém - PA
Voltamos à nossa base no centro, o Hotel Unidos, onde a equipe nos recebeu super bem, sempre animada e muito disposta a nos ajudar. Íamos trabalhar no site e internet ali na recepção mesmo, enquanto aguardávamos o horário para irmos ao aeroporto. Foi quando a maré de sorte começou a mudar, conhecemos um casal surinamês, Helen e Donavan. Ela super comunicativa e descolada foi logo nos dando dicas e contatos no Suriname, Guiana Francesa e Inglesa quando soube que estávamos indo para lá. As informações que temos são de pesquisas em guias de viagem e na internet, mas algumas coisas não conseguimos saber, como por exemplo, como é a segurança nestes países. Queríamos deixar o carro em Georgetown para a viagem ao Caribe e ela não hesitou em nos advertir que se fizéssemos isso a Fiona não estaria mais lá quando voltássemos. A Guiana Inglesa é realmente muito perigosa, segundo o casal, terra sem lei de pessoas muito corruptas, inclusive os policiais. Sempre achamos que é exagero, mas neste caso não encontramos ninguém que dissesse o contrário. Sendo assim já começamos a repensar parte do planejamento da viagem ao Caribe. Enfim, já temos contatos e visitas a fazer em Paramaribo, Cayenne e Saint Laurent Du Maroni nas próximas semanas!
Sorvete de Açaí no aeroporto de Belém - PA. Rumo à Macapá!
23h15 e já estávamos embarcados no nosso vôo para Macapá, com uma estranha sensação: será que estamos “roubando” ao pegarmos este vôo? Quero dizer, a viagem é de carro, será que deveríamos, obrigatoriamente, ter ido de barco para Macapá? Priorizamos mais um dia em Marajó e Belém, pois perderíamos 24h no barco em horários conflitantes para os dois últimos dias. Por que um barco seria menos “roubo” do que um avião? Bem, pelo menos a Fiona foi nos representando na balsa. Afinal, estaríamos “roubando” de quem? Essa é a vantagem de sermos donos do próprio nariz, sem compromissos com mais ninguém além o de sermos verdadeiros com a nossa viagem e os nossos leitores.
Passaporte italiano da Ana
Hoje, pela última vez nesta viagem, cruzamos a fronteira de entrada nos Estados Unidos. Saímos do Canadá por Osoyoos, uma fronteira menos movimentada entre a British Columbia e o Estado de Washington, mas não com menos infraestrutura. Eu estava tranquila, todas as vezes que cruzamos as fronteiras americanas fomos muito bem tratados e tudo deu certo, não seria agora que algo aconteceria. Já o Rodrigo estava ansioso e um pouco apreensivo e o motivo era eu. Sim, eu. Estou viajando com o meu passaporte italiano e como todos os europeus não necessito de visto para viajar aos EUA, porém só tenho permissão de permanência de no máximo 3 meses.
Passaporte brasileiro do Rodrigo
As últimas idas e vindas entre o Canadá e EUA, incluindo o Alasca, eu fiz com o meu último carimbo de entrada do dia 28/07, quando voltamos das Bermudas. Já sabíamos, portanto que teríamos que parar na inspeção secundária, preencher formulários, responder a várias perguntas, procedimento padrão. O que eu não imaginava é que seríamos parados por tanto tempo, questionados 3, 4 vezes as mesmas perguntas e que teríamos, além do carro, até o nosso site vasculhado. “Desliguem o carro, mãos aonde eu possa ver!”, assim começou e continuou a conversa, tiramos tudo que tínhamos nos bolsos, cintos e até no pingente meu colar queriam saber se tinha algo dentro. Eles foram extremamente rigorosos, mas sem perder o respeito em momento algum. Parece que ficaram mesmo instigados com o fato de uma italiana e um brasileiro estarem sem trabalho, viajando por mais de dois anos em um carro brasileiro aqui, em terras tão distantes e ainda por cima, querendo renovar a permanência nos Estados Unidos por mais 3 meses! (Realmente, faça-me o favor! Rsrs). O Rodrigo, como bom brasileiro, ainda tinha permissão válida por mais 4 meses. Se não renovassem a minha não havia um plano B, voltaríamos ao Canadá, talvez. Voar para fora do país e voltar via Seattle? Quem sabe... Enfim, eu teria apenas uma semana restante nos EUA, eles teriam que renovar, então esta simplesmente não foi uma preocupação que nos atormentou durante a viagem.
Visto de permanência do Rodrigo nos EUA (6 meses de permanência)
Após um belo chá de cadeira, formulários, perguntas e tudo o que reza o almanaque do policial de fronteira padrão, estávamos liberados com o a minha permanência renovada! Fronteiras são um bicho chato mesmo, ficar na dependência da boa vontade e julgamento de policiais, que independente do seu histórico e passado idôneo, podem simplesmente não ir com a sua cara e acabar com aquela viagem tão planejada, economizada e sonhada, é o fim da picada! Assim, além de ter todos os documentos e vistos em dia, o melhor que posso dizer é: mantenha a calma, respire, conte até 100 para não mandar o cara “passear” e relaxe, pois no fim vai dar tudo certo.
Visto de permanência da Ana nos EUA (3 meses de validade)
O capitólio estadual, maior que o federal, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Texas, um dos estados mais conservadores e republicanos dos Estados Unidos, conhecido por suas grandes pradarias, megafazendas, boa carne, cowboys, botas, chapéus e fivelas. A verdadeira terra de Malboro onde os mexicanos abriram as portas e levaram uma puxada de tapete histórica, perdendo espaço para os gringos que, aliados aos indígenas, fizeram uma guerra para tornar o território mexicano, “o mais americano” de todos eles.
Quadro representando a famosa batalha do Alamo, no prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Não é curioso que justamente os defensores do porte de arma, nacionalistas aguerridos e caçadores de troféus tenham, no coração do seu estado, uma das capitais mais independentes, modernas, tecnológicas e progressistas do país? Pois é, estes americanos não cansam de nos surpreender.
Do alto do capitólio, a visão da cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Quem faz Austin uma ilha independente, eclética e liberal são as pessoas que escolheram viver ali. Estudantes, músicos, geeks que ao invés do Silicone Valley, vem direto para as Silicone Hills, junto com as empresas de tecnologia como Google, Facebook, Apple, Cisco, Ebay/Paypal, Intel, AMD, Samsung, Oracle, HP e tantas outras que empregam milhares de graduados das turmas de engenharia e ciência da computação da University of Texas em Austin.
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A cena musical a rendeu o apelido “The Live Music Capital of the World”, devido ao grande número de bares com música ao vivo e músicos que vivem por aqui. Não vale a pena comparar e discutir se ela realmente é a capital, pois não sei se já notaram, mas aqui nos Estados Unidos tudo é “o maior, o melhor, e a capital do mundo”. Fato é que a cidade abriga grandes festivais como o Austin City Limits Music Festival, 3 dias que reúnem 150 apresentações e mais de 225 mil pessoas no Zilker Park, além do Austin Reggae Festival ou Marleyfest (Abril) e até um Carnaval Brasileiro! Aqui são lançadas novas bandas, gravadoras descobrem novos talentos e, com o potencial de consumo do país, é aonde tudo acontece. É, eles tem motivos para se sentirem “a capital mundial da música”.
A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Recentemente os austinites adotaram um slogan extraoficial “Keep Austin Weird”, quase como um movimento cultural local que tem orgulho do seu ecletismo, liberalidade e independência não apenas em relação ao Texas, mas ao mundo. Somos assim, podemos ser “weird”, mas e daí?
Camiseta vendida em Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Os restaurantes locais são os melhores, os pequenos bares, os negócios alternativos e lojas que ainda não foram dominadas pelas grandes corporações americanas. Uma cidade onde podemos encontrar uma alma americana, orgulhosa das suas raízes locais. Los Angeles, San Francisco, Nova Iorque possuem esta alma, mas grande parte do que as ajudou a construí-la foram os milhares de imigrantes que fazem parte do consciente coletivo da cidade. Aqui encontramos sim alguns mexicanos, mas a maior parte de quem forma esta identidade e suas esquisitices são os próprios americanos. Genial!
O famoso Whole Foods Market nasceu em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Nós chegamos à Austin depois de uma rápida passagem por Fredericksburg, uma pequena cidade de colonização alemã, onde almoçamos em uma padaria deliciosa e o Rodrigo finalmente fez a barba e cortou a imensa cabeleira. Já estava na hora!
A influência alemã continua forte em Fredericksburg, cidade de origem germânica no Texas, nos Estados Unidos
Pronto para fazer barba e cabelo em barbearia tradicional de Fredericksburg, no Texas, nos Estados Unidos
Enquanto ele cortava o cabelo, eu na sala de espera, fiquei estupefata com as manifestações de apoio à posse de armas espalhadas pela parede. Parede de caçadores, com certeza, mas com a história do tiroteio na escola em Connecticut ainda quente, foi o que precisou para sentir que realmente estava no Texas.
Luta contra o controle de armas em Fredericksburg, cidade de origem germânica no Texas, nos Estados Unidos
Algumas horas depois nós chegamos em Austin e eu já sabia sobre essa fama alternativa da cidade. Estava ansiosa para chegar lá e finalmente encontrar a nossa amiga virtual, Lu Misura, uma blogueira brasileira que vive em Austin.Inclusive, boa parte do nosso roteiro foi feito com base nas suas dicas do seu blog Colagem.
Com a Lu Misura, visitando a Hamilton Pool, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
A Lu nos guiou no nosso primeiro dia na cidade e arredores. As boas vindas não poderiam ter sido melhores, um almoço no Salt Lick Texan BBQ, um autêntico churrasco texano! Perfeito para nos alinharmos, colocarmos o papo em dia e conhecermos um pouco mais da cultura do lugar contada por quem a vivencia todos os dias.
O famoso molho para barbecue feito na própria salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Um legítimo e suculento Bar-b-que americano, na Salt Lick, em Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Durante a tarde fomos conhecer a Hamilton Pool, um dos famosos swim holes da região, uma cachoeira belíssima a uns 30 minutos de Austin. Nesta época o clima ainda está meio frio para nadar, mas durante o verão eles se tornam os refúgios para os texanos que vivem na região.
A bela Hamilton Pool, uma piscina natural entre um grande rochedo, perto de Austin, capital do Texas, nos Estados Unidos
Nosso segundo dia na cidade foi fazendo o roteiro básico.Começamos pelo Zilker Park, principal parque da cidade, que além de campos, parquinhos e áreas de piquenique, tem uma nascente de água onde o pessoal costuma se refrescar nos dias quentes. É neste parque que rola o festival de música da cidade e outros eventos culturais.
Passeando no Zilker Park, o parque mais conhecido de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A segunda parada foi na Flagship Store do Whole Foods, a loja número 1 da rede americana de varejo com foco em alimentos naturais, sustentabilidade e viabilidade social e ambiental.
Uma das diretrizes do Whole Foods, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Os produtos são maravilhosos, a loja é toda intercalada por restaurantes com diferentes temáticas, cafés, almoços rápidos, buffet de saladas, queijos e vinhos, enfim, um balcão para cada gosto ao lado das gôndolas do supermercado. A loja cria um conceito e um ambiente perfeito para a interação do consumidor com os produtos e a experiência de compra se torna muito mais prazerosa. Um sonho para o consumidor consciente e preocupado com sustentabilidade.
Alimentos orgânicos no Whole Foods de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Fazendo compras no Whole Foods original, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
A terceira parada foi no Capitólio do Texas, um imenso edifício onde está centrado o poder do segundo maior estado americano. Um lugar bacana para entender como se passou a história da um estado que já foi nação e sua posterior anexação ao território americano. O Rodrigo, meu marido historiador, conta parte desta história neste post aqui.
Interior do prédio do capitólio, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Salão histórico do capitólio do Texas, em Austin, nos Estados Unidos
Ainda demos uma passada rápida na REI, loja de equipamentos esportivos e de aventura, único lugar onde eu me torno consumista. A noite resolvemos matar as saudades de casa e fomos em um dos restaurantes indicados pela Lu Misura, a Churrascaria Estância.
A equipe da churrascaria Estancia, que nos recebeu tão bem na cidade de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Uma autêntica churrascaria brasileira, com direito ao buffet completo de saladas e queijos, espeto corrido com picanha, linguiça toscana, filet mignon e todos os melhores cortes brazucas, além da banana frita, farofa, pão de queijo e caipirinha! Ai que saudades da comida de casa... O dono é catarinense e viveu vários anos no Rio Grande do Sul, parte do staff era formado por brasileiros, assim que não poderíamos estar nos sentindo mais em casa! Ao final, tão emocionados com a nossa viagem quanto nós com a qualidade da comida, da carne e do atendimento, que acabamos sendo convidados pela equipe! Muito obrigada pessoal! Vocês foram incríveis!
Maravilhoso jantar na churrascaria brasileira Estancia, servidos também por equipe brasileira, em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Austin by Night
Não poderíamos partir sem conhecer a noite de Austin, afinal queríamos ver aonde se escondia toda a esquisitice e criatividade da cidade. Fomos à famosa 6th Street. Onde se concentram os bares mais movimentados do centro, mas aquele clima de bares americanos, rock, grandes televisões com futebol americano, basquete ou baseball e um bando de cabeludos mal ajeitados para fora. Não era bem o que eu tinha em mente.
Um dos famosos carrinhos de lanche de Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Caminhamos um pouco mais e chegamos à 4th Street, uma banda dos anos 80 tocava um Boggie Woogie em um Irish Pub, que não importa onde você esteja no mundo, é sempre o mais animado. Foi quando encontramos um cara descolado parado em uma esquina. Ele tinha um bike-táxi, transporte que leva os baladeiros de bar em bar. Ele viu que estávamos em busca de algo diferente, sentiu o nosso clima e nos indicou o novo point das baladas aqui em Austin.
Não é muito longe do centro, mas como já era na direção do nosso hotel, pegamos a Fiona e fomos de carro para lá, quase na beira do rio, entre a Rainey St. e a River St. Deixamos o carro estacionado no hotel, o Holliday Inn Town Lake e caminhamos duas quadras até o local do burburinho.
Encontro com um gaúcho e sua esposa americana em Austin, no Texas. nos Estados Unidos
Há alguns anos este canto do centro de Austin estava praticamente abandonado, casas de madeira super charmosas, mas antigas, precisando de reformas. Um bar veio, logo surgiu outro e mais outro e hoje são mais de 15 bares espalhados por 2 ou 3 quadras, um ao lado do outro, todos com um clima de festa universitária, uma área aberta com mesas coletivas, bares completos, drinks, cervejas e cada um com um estilo de música, jogos e decoração. Há o que faça a linha mais TexMex, outro "cultzinho" como um café e livros, outros com banda ao vivo e pista de dança. Nós ficamos algumas horas bar hopping, pulando de bar em bar, e passamos pelo Icelandic, Ilegal Bar, com drinks de mezcal, Bar 69 e outros. Muitas músicas boas, público jovem e bonito, alto astral, basta escolher o seu estilo e entrar. Se isso é manter Austin Weird, eu estou dentro!
Visual totalmente caribenho na ilha de San Andrés, na Colômbia
San Andres e Providência são as duas principais ilhas do arquipélago colombiano no litoral do Caribe nicaraguense. Um paraíso longe de tudo e todos, onde a cultura caribenha do africano mesclado ao inglês britânico resulta nos creoles mais relaxados e vida boa que já conhecemos.
San Andrés, ilha colombiana no Caribe
Resquícios dos seus primeiros colonizadores ainda podem ser vistos na arquitetura inglesa das casas do centro de San Andres. Nas vizinhanças mais antigas somos recebidos com um sorriso gostoso e acolhedor dos locais, que preferem o inglês ao espanhol. O creole inglês, quebrado e misturado ao espanhol começa a se diluir em meio à quantidade de imigrantes colombianos que vem do continente em busca de tranquilidade e qualidade de vida.
Vendedora de goiabada em San Andrés, ilha colombiana no Caribe
De volta ao caribe, na ilha colombiana de San Andrés
O clima tropical é quase um convite à arte do dulce fare niente! Queremos apenas andar pelo malecón, pegar uma prainha na estreita faixa de areias brancas e águas azuis turquesas e provar os temperos locais do arroz com coco e mero à moda creole acompanhado de tostones e um belo copo de águila gelada.
Deliciosa refeição de rua em San Andrés, ilha colombiana no Caribe: Peixe, arroz de coco e patacones
Nos dias de muito vento fugimos da praia e enfrentamos bravamente o mar do sul para conhecer alguns dos mais de 60 pontos de mergulho nos arredores de San Andres. Nós tiramos um dia para explorar o mundo sub da ilha com a equipe da San Andrés Divers.
O grande grupo prepara-se para mergulhar em San Andrés, ilha no caribe colombiano
Fomos com um grupo de mergulhadores liderados por Kike, colombiano que vive na ilha e trabalha para o Ministério do Turismo. Ele é o organizador e cicerone da FAM Trip (viagem de familiarização) que convidou operadoras de turismo brasileiras, francesas, americanas e espanholas especializadas em mergulho, para conhecer alguns dos melhores pontos dos mares da Colômbia.
A caminho do mergulho com arraias, em San Andrés, no caribe colombiano
Cardume de peixes azuis durante mergulho em San Andrés, ilha no caribe colombiano
Encontro com peixe anjo durante mergulho em San Andrés, ilha no caribe colombiano
Os mergulhos tiveram boa visibilidade e uma rica fauna caribenha, muitos peixinhos coloridos, moreias e corais de todas as cores e formas. No primeiro deles caímos sobre um pequeno veleiro naufragado que já começa a criar e abrigar uma nova vida marinha.
Um veleiro naufragado em San Andrés, ilha no caribe colombiano
O Blue Hole e outros pontos da costa norte, onde estão os melhores mergulhos, infelizmente estavam inacessíveis pelo vento norte que estava soprando.
Lion Fish, cada vez mais comum no Caribe, em San Andrés, ilha colombiana na região
A programação da FAM Trip continuou e nós fomos convidados a acompanhá-los com uma parada para almoço no restaurante do Hotel Caribe Sea Flower, com um buffet muito gostoso, quase em frente ao cais mais movimentado da ilha, o Cais da Casa da Cultura. De lá partem tours em lanchas para os diversos cayos, onde estão as praias mais bonitas de San Andres. O ponto alto da programação foi o Tour Manta Raia, uma visita ao Cayo do Aquário Natural onde se concentram dezenas de sting rays (raia águia) de todos os tamanhos e temperamentos. Elas já sabem que a esta hora terão um lanchinho, peixe fresco, na mão dos turistas que são encorajados a tocar, abraçar e se divertir com as grandes e dóceis arraias fêmeas.
Muitas arraias em ponto conhecido de San Andrés, ilha no caribe colombiano
Muitas arraias em ponto conhecido de San Andrés, ilha no caribe colombiano
Fechamos o dia com uma festa promovida pelo Capitán Rum, o aniversariante do dia que além de trabalhar com o pessoal da FAM Trip, decidiu comemorar o aniversário com uma cervejinha e música na caixa entre o Aquário e a praia de San Luis.
O capitão do barco, celebrando seu aniversário a caminho do mergulho com arraias em San Andrés, no caribe colombiano
Praia em San Andrés, a principal ilha colombiana no Caribe
Lá nos despedidos de Kike, Angela, Ingrid, David, George, Sandro, Rodrigo, Renata, Germán e Nicolas e Sebastian que nos acolheram tão bem em San Andrés e Providência. Muito obrigada pessoal, nos encontramos em outros mares do mundo!
A caminho do mergulho com arraias em San Andrés, no caribe colombiano
A caminho do mergulho com arraias, em San Andrés, no caribe colombiano
Nenhuma visita ao arquipélago estará completa sem alguns dias na tranquila e ainda mais distante ilha de Providencia, e é para lá que nós vamos no próximo post!
De volta ao Caribe na ilha de San Andrés, na Colômbia
Onde Ficar?
Nós geralmente não damos dicas de estadia, afinal nosso intuito não é montar um guia completo de viagens, mas quando gostamos de algum lugar não custa deixar aqui a dica, né? A pousadinha da Cli é muito gracinha, bem localizada há apenas uma quadra e meia da praia e uma das mais baratas que encontramos no centro. O valor para o casal foi de 60 dólares e o quarto tem ar condicionado, frigobar e wifi gratuita. Ela pode ajudar a comprar as passagens para Providência e dar dicas para percorrer a ilha.
Posada Nativa Cli´s Place – Tel. 314 512-6957. Endereço: Avenida 20 de Julio No.3-47 Int 4.
Fiona com o pneu no chão, no PETAR
Tem momentos na nossa vida que são marcantes e especiais. O primeiro sutiã, o dia em que você menstrua, o primeiro beijo e o primeiro namorado. Eu ainda não sou mãe, mas dizem que o primeiro dentinho e a primeira vez que seu filho fala “mamãe” é inesquecível. Foi mais ou menos assim que me senti hoje, com a nossa pequena grande ogra, a Fiona.
Fiona na volta da caverna Lambari, no PETAR
Mesmo novinha a Fiona já é super levada à breca, gosta de uma estrada de terra, buracos e muita lama. Ela hoje foi passear por 30km de estrada de terra entre Iporanga e Apiaí e mais uns 9km de buracos e lama dentro do Núcleo Caboclo. Chegando na boca da trilha, o papai estacionou ela com super cuidado, sabe como é, filhota pequena, mesmo que ogra tem que ser cuidada. Já ali o Edson, com seu ouvido aguçado, nos mostrou que tínhamos uma novidade, o primeiro pneu furado da Fiona! Pneu novinho, forte pra burro, 50% lama, 50% asfalto e adivinhem? Tinha o seu primeiro furinho! Ai, tão cuti-cuti!
Pneu furado da Fiona, no PETAR
Não queríamos perder a trilha, conversamos com a Fiona, mostramos que tínhamos um compressor de ar funcionando, para ela ficar tranqüila, e resolvemos deixá-la ali descansando até voltarmos. Voltamos mais cedo do que o planejado inicialmente, mas tranquilos que conseguiríamos encher o pneu. Doce ilusão, foi aí que começou a novela.
Medindo a pressão do pneu furado da Fiona, no PETAR
Colocamos o compressor, esperamos quase 15 minutos e NADA, o pneu nem parecia se mover. Tínhamos um kit especial para tampar o buraco do pneu, mas o Ro estava com medo de fazer um estrago ainda maior no pneuzinho da Fiona. Já eram umas 17h quando vimos que uma decisão rápida e mais acertiva era necessária, tínhamos que trocar o pneu. Cara, trocar o pneu de um carro pequeno já é um parto, imaginem o da Fiona!?! Pois é, deitar na lama para desrosqueá-lo de baixo do carro, tirando a trava de segurança e o cadeado, subir no macaco algumas toneladas, trocar o pneu e ainda guardar o furado no teto, já que o bagageiro estava cheio. O Edson, pra variar com ótimas idéias, fez uma cama de folha de bananeiras para não nos sujarmos tanto na lama e outra cama igual para acomodarmos o pneu em cima da Fiona.
Pneu furado no teto da Fiona, no PETAR. O Edson deu a maior mão para gente!
Bem, foi um belo aprendizado. Já sabemos que não podemos deixar o pneu esvaziar por completo, caso contrário o compressor não irá funcionar. Sabemos também que não podemos ter medo de tentar conter o furo, com o nosso kit, ele poderia ter nos poupado muito trabalho. Por último, confirmamos na pele o que todos os jipeiros, landeiros e afins nos ensinaram: “quando você vai para uma trilha esteja 100% equipado! Esta pode ser a diferença entre desatolar um carro ou passar a noite no meio do mato.” Foi um trabalho de equipe sensacional para salvar a nossa filhota e a nossa pele! Afinal passar a noite ali, com a onça, não seria nada agradável.
Observando o compressor tentando encher o pneu da Fiona
COMING SOON
“O primeiro furinho da Fiona.” – The Movie!
Você encontra no 1000dias.com ou youtube nos computadores dentro da sua casa.
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
Começamos a nossa jornada de volta ao litoral. Confesso que desta vez, deixo o sertão com uma vontade de não ir... uma saudade de ficar... Mas temos que continuar a viagem, continuar explorando e conhecendo as Américas.
Visitando a famosa pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Ainda antes de chegarmos novamente na costa, passamos pela região Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba, centro de tecnologia da computação e eletrônica. Os melhores cursos e indústrias eletro-eletrônicas do nordeste estão sediadas aqui. Há apenas alguns quilômetros encontramos o pequeno município de Ingá, onde foram descobertas as mais importantes inscrições pré-históricas em baixo relevo do mundo.
Ossos de Preguiça Gigante em museu em Ingá - PB
Às margens do rio, onde uma pedreira extraía paralelepípedos para as ruas de João Pessoa, foi encontrada a Pedra do Ingá. É impressionante a perfeição dos desenhos e símbolos inscritos nesta pedra. Desenhos de lagarto, homens, espirais e até uma espiga de milho aberta estão ali. Este último foi adotado como o símbolo da cidade, incluídos no seu brasão e bandeira. A pedra foi descoberta na década de 40, possui aproximadamente 5 x 2m e está isolada de qualquer outra ocorrência semelhante. As pinturas rupestres da Pedra do Ingá são únicas no mundo! Por isso toda a pictografia em baixo relevo encontrada no Brasil recebeu uma mesma denominação, sendo conhecidas como a tradição Itacoatiara.
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
O Seu Renato foi o primeiro a cuidar deste local, trazido pelo Governador e Prefeito há 23 anos, ele conhece a história da região como ninguém. Vários historiadores e arqueólogos que passaram por ali registraram a dedicação de Seu Renato a este Patrimônio Histórico da Humanidade. Hoje um parque municipal o balneário à margem do rio de Ingá passou a ser mantido pela prefeitura, com uma funcionária responsável há apenas 8 meses, empenhada em aprender sobre a (pré) história do local. O único sustento de Seu Renato agora é o bar e a banquinha com alguns livros e camisetas do Ingá.
Riacho ao lado da pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Partimos finalmente do sertão, ainda mais apaixonados e saudosos. Chegamos à Ilha de Itamaracá a tempo de um almoço à beira do mar, em frente à Coroa do Avião, no restaurante da cigana Euzira. Fim de tarde, o sol se pôs e nós voltamos à trabalhar. O tempo mudou... parece que vem chuva... Será que chove amanhã?
Barco leva e trás pessoas para a Coroa do Avião, em Itamaracá - PE
Dedicatória de Joca Oeiras no livro que organizou
Nós & Elis, mais que um bar foi um espaço cultural que fez parte da história de uma geração de jovens estudantes, artistas, políticos e formadores de opinião piauienses. O espaço foi inaugurado em 1984, ano da votação da emenda Dante de Oliveira, que estabelecia eleições diretas para presidente. Embalado pelo Diretas Já, por um sonho de democracia e liberdade de expressão, o Nós & Elis foi palco para muitas discussões políticas e culturais. O seu criador, Elias Ximenes Prado Júnior era um idealista fervoroso. economista formado na UNB, deixava claro mesmo para sua esposa que a política vinha em primeiro lugar na sua vida, “pois tinha uma missão de ajudar o seu povo a ter uma vida melhor”. Além disso, era um apaixonado pela arte e cultura e enxergava o potencial dos jovens artistas piauienses, que não possuíam um espaço onde fossem reconhecidos.
Elias Ximenes Prado Junior, proprietário do "Nós e Elis" (foto presente no livro)
Aí nasceu o Nós & Elis um bar onde muitos se conheceram, apaixonaram, casaram, indignaram, choraram, beberam e comemoraram a vida. Onde os artistas tinham liberdade de desenvolver a sua arte, onde as composições próprias eram bem vindas, desde que passassem pelo crivo de Elias. Era a sua casa, sempre de portas abertas a todos que quisessem entrar, mas se alguém desrespeitasse algum artista ou seus ideais políticos, sem nenhuma cerimônia era expulso pelo dono do bar e convidado a nunca mais retornar. Ali Elias construiu um espaço para expor as suas ideias, discuti-las com jovens engajados e que muitas vezes compartilhavam do mesmo sonho, pavimentando o seu caminho para um futuro político, unindo o útil ao agradável.
Vários artistas e personagens ficaram marcados na história do Nós & Elis, dentre eles Geraldo Brito, Roraima, Paulo Aquino, Netinho da Flauta, músicos, Kenard Kruel, jornalista e boêmio, Vera Mascarenhas, esposa de Elias e tantas outras pessoas que hoje nos contam a história deste lugar, que nunca conheci e nunca poderei conhecer, mas sinto como se fosse freqüentadora assídua e parte desta história. Todos eles estão presentes no livro organizado por Joca Oeiras, um jornalista paulista radicado em Oeiras, interior do Piauí. O coletivo de autores reúne dezenas de histórias que gravitam em torno da memória e das saudades deixadas pelo Nós & Elis.
Capa do livro "Nós e Elis", de Joca Oeiras
O testemunho de Natércia Rangel sobre Netinho foi para mim um dos pontos altos do livro, que de repente abre um parênteses do Nós & Elis e nos conta notícias deste amigo tão querido, vindas de um mundo que não vemos, porém no qual acredito muito, o mundo espiritual. Natércia descreve a “Viagem de Netinho” desde o início, sua vida, sua passagem e como está “do lado de lá”. Uma homenagem sensacional a um personagem tão presente na vida deste grupo de amigos.
Quando chegamos a Teresina eu logo me senti em casa, vi a placa da UFPI e pensei, o Nós & Elis é para lá! Logo passamos pela Av. Frei Serafim e visualizei o fusca de Kenard Kruel voando pelas ruas, calçadas e canteiros com Paulo Moura ao volante (que não sabia dirigir) e William Melo Soares, poeta, pedindo para descer e salvar a sua vida. Os logradouros já me eram familiares, a Primeiro de Maio e a Av. Miguel Rosa, o Teatro 4 de Setembro, etc. A cidade já possuía outra atmosfera, eu sabia que ali existia um grupo de artistas, intelectuais e pessoas que faziam, e ainda fazem de Teresina um lugar especial. A minha agonia era de não saber onde encontrá-los, imaginar que poderiam estar reunidos em uma mesa de bar ou na casa de um deles ali ao lado. Ou ainda, nesta nova fase, cuidando de suas vidas, cada um na sua casa, com sua família, filhos, esposas, seus livros e violões.
Joca Oeiras em suas pesquisas para a edição do livro "Nós e Elis" (foto retirada do livro)
Existem alguns lugares no mundo que tenho saudades sem ter conhecido e que sei que nunca mais poderei conhecê-los. As 7 Quedas, as Estátuas de Buda explodidas pelos Talibãs no deserto de Bamyian, o Rio de Janeiro boêmio de Tom e Vinícius e o Nós & Elis, de Elias Prado, GB e tantos outros. Fica aqui o registro e o meu agradecimento a Joca Oeiras e a todos que compartilharam comigo suas memórias, ou melhor, as nossas memórias de um tempo em que a gente era feliz - e sabia.
Eu e meu livro, presenteado por Joca e Bill, em Oeiras - PI
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