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Blog da Ana - 1000 dias

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SHUFFLE Há 1 ano: México Há 2 anos: México

Paz no Cerrado

Brasil, Maranhão, Riachão (P.N Chapada das Mesas)

O incrível Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA

O incrível Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA


Uma geral na Fiona, tirei parte do atraso dos posts (culpa da crise alérgica) e seguimos viagem para Riachão. Ainda demos uma assuntada com Wilmar e Isabel e descobrimos que eles estão fechando com o ICM-Bio um planejamento turístico para uma trilha de três dias cruzando todo o Parque Nacional da Chapada das Mesas! Desse jeito vamos ter que voltar. No fim, a facilidade de acesso para as cachoeiras e outras atrações da região, foi uma mão na roda para mim nessa fase meio bichada.

Montanha em formato de mesa, próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

Montanha em formato de mesa, próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA


Pegamos estrada para Riachão, outra cidade da Chapada das Mesas com atrativos imperdíveis. Há apenas 80km de Carolina, a cidadezinha me pareceu bem organizada e tranquila. Paramos rapidamente para comprar algumas coisas, mas aqui a dica é seguir direto para o Poço Azul, 30km adiante. Eles possuem uma boa estrutura de pousada, restaurante, além de serem a porta de entrada para as principais cachoeiras da região, como a Santa Bárbara e o próprio Poço Azul. Reservamos o quarto, pegamos dicas do caminho para o Encanto Azul e tocamos direto para lá. São mais 6km de estrada de pura areia. A Fiona passou, mas carros menores teriam dificuldade e precisariam enfrentar este trecho a pé. Uma descida íngreme de uns 20 minutos, nos leva até o fundo de um vale, entre paredões de pedra e a vegetação de cerrado.

O riacho que nasce no Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

O riacho que nasce no Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA


Eu estava com saudades disso, Amazônia é legal, mas como é bom um clima seco, vegetação mais baixa, horizontes e vistas a perder de vista. Ah! Trilha sem guia também é uma delícia.

Admirando a região de cerrado próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

Admirando a região de cerrado próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA


Chegamos ao rio e continuamos subindo em direção à sua nascente, o próprio Encanto Azul.

Chegando ao Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

Chegando ao Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA


Um lago de águas cristalinas, vindas direto do lençol freático e que por incrível que pareça não é fria! O poço possui uns 7m de profundidade, mas na sua lateral já encontramos a boca de uma caverna submersa.

As águas incrivelmente transparentes do Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA

As águas incrivelmente transparentes do Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA


Aquele escuro me desperta sentimentos conflitantes, ao mesmo tempo que morro de vontade de me equipar e entrar lá como mergulhadora de cavernas, sem equipamento algum, me mete medo. Não consigo nem colocar a minha cabeça para dentro, como se fosse sair dali algum animal, o monstro do Lago Ness! Hahaha! Vai entender, é uma incógnita!

Explorando o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA

Explorando o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA


Curtindo o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA

Curtindo o Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA


O Encanto Azul se parece com as nascentes do mesmo tipo que encontramos na Chapada Diamantina, Gruta Azul ou o Poço Azul, mas com a vantagem de não ter ainda nenhuma ação tolhedora do ICM-Bio para restringir ou até proibir o banho no local. Também não tem uma portaria de entrada, escadas, iluminação artificial e nem nada, ele está lá como veio ao mundo, puro e fabuloso. É simplesmente espetacular! Só nós dois e as centenas de morcegos na fenda seca da caverna.

Nadando no Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA

Nadando no Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA


Voltamos à luz do dia encantados com o lugar, trocamos o azul pelo dourado do pôr-do-sol no cerrado. Sem mais para o momento, nos recolhemos aos nossos aposentos depois de uma comidinha caseira e uma lua crescente, quase cheia, só não mais cheia que a paz que estamos sentindo.

Pôr-do-sol no cerrado, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

Pôr-do-sol no cerrado, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA

Brasil, Maranhão, Riachão (P.N Chapada das Mesas), Cerrado, Chapada das Mesas, Encanto Azul, parque nacional, Rio

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Chica da Silva e Milho Verde

Brasil, Minas Gerais, Diamantina

O que Chica da Silva e um milho verde têm em comum? A princípio nada, a não ser o fato de termos hoje visitado ambos: a antiga Casa da Chica da Silva, em Diamantina e Milho Verde, cidadezinha que fica a 42 quilômetros, repleta de rios e cachoeiras.

Fachada da casa de Chica da Silva em Diamantina - MG

Fachada da casa de Chica da Silva em Diamantina - MG


Mas vamos olhar este assunto com mais atenção. Chica da Silva era uma escrava que recebeu de presente sua carta de alforria do seu primeiro Sinhô. Delegado, rico, poderoso e branco, obviamente. Com ele Chica da Silva teve dois filhos e já provou de luxos que faziam qualquer outro negro penar de inveja. Independente e muito inteligente Chica, já alforriada, queria uma casa própria e estava aprendendo a ler e escrever com o Padre de Diamantina. Foi quando conheceu seu segundo Sinhô, Fiscal da Receita da Coroa Portuguesa que chegou à Diamantina para cuidar dos impostos sobre a mineração de diamantes. Este homem ficou louco pela bela mulata! A presenteou com uma belíssima casa que levou 5 anos para ser construída. Amantes em polvorosos, apaixonados e dedicados tiveram uma vida de casados e mais três filhas, afrontando toda a sociedade da época.

Casa de Chica da Silva, em Diamantina - MG

Casa de Chica da Silva, em Diamantina - MG


Chica da Silva tinha seu cabelo raspado para usar a cor de cabelo que a conviesse. Seu armário já havia perdido as contas de quantos vestidos e sapatos ele guardava. Tratada como rainha por seus escravos e mucamas, era o diabo com quem lhe afrontasse ou tentasse de qualquer forma desviar a atenção de seu amado. Mandou arrancar os dentes de uma bela e sorridente escrava que sorriu na hora errada e mandou enterrar viva a escrava que, ouviram dizer, teria se assanhado com o seu Sinhô. Usava diamantes, tomava espumantes e tinha ao seu dispor mesa farta onde, mesmo sem companhia, afogava suas mágoas quando em viagem seu marido estava. Dizem que foi macumba que o fez apaixonar, fato é que nos últimos nove anos viveram separados, e ainda assim perdidamente apaixonados.

Chica da Silva, em Diamantina - MG

Chica da Silva, em Diamantina - MG


A Casa da Chica da Silva ainda está lá em Diamantina e hoje abriga um museu em sua memória. Uma exposição de um poeta e pintor mineiro, Marcial Queiroz, conta em forma de poesia várias das faces desta personagem. Então vocês me perguntam, onde fica Milho Verde nesta história toda? Conversando com o responsável pela casa, quisemos saber se a Chica era má como a exposição contava. Infelizmente a resposta foi sim, má, principalmente com os escravos e mucamas que mandava açoitar no tronco, quando não era coisa pior. E onde teria nascido Chica da Silva? Há controvérsias, alguns dizem que foi no porão do atual Museu de Diamantes, que antes era uma senzala. Outros dizem que sua cidade natal é Milho Verde, pois sua mãe estaria atravessando de Santo Antônio do Itambé para a cidade de Diamantina e o parto teria acontecido no meio do caminho na cidade de Milho Verde.

Placa indicativa em Diamantina - MG

Placa indicativa em Diamantina - MG

Brasil, Minas Gerais, Diamantina,

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Caatinga Medicinal

Brasil, Pernambuco, Buique (P.N da Serra do Catimbau)

Mandacaru no Parque Nacional da Serra do Catimbau, em Buique - PE

Mandacaru no Parque Nacional da Serra do Catimbau, em Buique - PE


A visão que a maioria de nós “sulistas” temos do sertão nordestino é no mínimo ignorante. Uma cultura riquíssima até então conhecida por mim apenas através das músicas de Luiz Gonzaga e dos filmes brasileiros. A maioria destes filmes é muito caricato, como quase todos os seus semelhantes brasileiros ou “roliudianos”. Eles até mostram parte da cultura e história da região, mas contextualizadas em diferentes épocas e histórias. Por isso mesmo, antes de formarmos uma opinião normalmente vamos nos informar. Recorremos aos jornais impressos ou televisivos e é aí que caímos na grande furada de acreditar que o sertão é um lugar seco, sem vida e miserável, de uma população sem estudo e que vive apenas da bolsa família.

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

A chuva faz a alegria das crianças na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


As reportagens geralmente abordam as questões mais críticas do sertão e que não são a maioria, pelo menos não agora. “Tiram uma foto do pedacinho mais seco da caatinga, arrumam um gado morto e pronto, parece que é tudo uma desgraça”, comentou o nosso guia, nascido e criado no Cariri Paraibano.

Lagarto no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Lagarto no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Quanto mais eu ando pelo sertão, mais me apaixono e ao mesmo tempo mais me envergonho de não saber disso tudo antes. Homens e mulheres fortes, guerreiros e orgulhosos de sua terra e sua cultura. Uma terra seca, sim, mas que se adaptou a isso e possui uma riqueza imensa tanto na sua fauna, quanto na flora. Criação de bode e boi, palma para alimentar o gado, e várias outras culturas, como o milho, feijão, etc. Água em abundância no subsolo, para o inverno, açudes cheios no período de trovoadas, como chamam o período chuvoso entre dezembro e fevereiro. Se a chuva cai antes é a chuva “desgraçada”, pois veio na época errada e pode atrapalhar o ciclo já formado pela natureza. As plantas e sementes secas que alimentam o gado na época de seca irão apodrecer e adoecer os animais. Nós, com a nossa visão míope de que bom é como nós vivemos no sul, não entendemos que no fim, tudo está encaixadinho, como deve ser!

Papagaio no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Papagaio no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


A fauna do sertão abriga espécies como o Tatuí, pequeno tatu, Teiú ou Tejú, grande lagarto (também conhecido como um pequeno jacaré), Lacraias, Camaleão, Lagartixas e cobras diversas, assim como várias espécies de pássaros, dentre elas os jacús, siriemas e emas.

Siriema na caatinga, região de Cabaceiras - PB

Siriema na caatinga, região de Cabaceiras - PB


A caatinga é uma vegetação extremamente adaptada à falta de água, por isso a maioria de suas plantas possui folhas modificadas, os espinhos, que ajudam a reter o máximo de água no caule. Algumas árvores parecem murchas, secas, mas a folha encolhida é uma defesa natural da planta para diminuir a perda de umidade. A barriguda também guarda no seu tronco e raízes toda a água de que irá precisar. Tudo isso nós aprendemos na escola, o que me impressionou mesmo foi a imensa quantidade de plantas medicinais encontradas nesta mata “tão seca e sem vida.”

Caatinga seca na região de Cabaceiras - PB

Caatinga seca na região de Cabaceiras - PB


Na Serra do Catimbau tivemos a sorte de encontrar o Márcio, nosso guia para as trilhas e profundo conhecedor das plantas da caatinga. Cada pedaço de pau, cactos ou flor tem uma serventia e Márcio sabia nos explicar qual é. Primeiro, qualquer cacto que víamos, achávamos que era o famoso “mandacaru”, mas aqui no Catimbau encontramos pelo menos 6 tipos diferentes de cactos: o próprio mandacaru, o faxeiro, quipá, palmatória, coroa de frade e caixacubri.

Pequeno cactus na área de exploração de bentonita na região de Cabaceiras - PB

Pequeno cactus na área de exploração de bentonita na região de Cabaceiras - PB


Mandacaru – cacto com caules mais verdes, em gomos, se cortado tem formato de estrela e espinhos mais separados. Rico em água é uma opção para alimentar os animais.

Facheiro no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Facheiro no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Faxeiro – quem não conhece achará parecido com o mandacaru, mas seu caule não tem os gomos, é arredondado, tom marrom-esverdeado e com maior quantidade de espinhos. O líquido do caule do faxeiro é ótimo cicatrizante e desinfecção de cortes e feridas.

Seiva de Facheiro (cicatrizante) no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA

Seiva de Facheiro (cicatrizante) no Raso da Catarina, região de Paulo Afonso - BA


Palma ou Palmatória – cactos mais baixo, arbustivo, possui seu caule mais arredondado e chato. Preferido para a alimentação do gado e de fácil adaptação para o plantio.

Flor da Palmatoria no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Flor da Palmatoria no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Palmatória no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Palmatória no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Coroa de Frade – nosso conhecido da Serra da Capivara e outros sertões, o coroa de frade possui um fruto pequenininho apreciado pelos passarinhos, é rosado e seu gosto é parecido com kiwi. O miolo do coroa de frade era utilizado pelos antigos para fazer um doce para as crianças que funciona como vermífugo.

Coroa de Frade, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI

Coroa de Frade, na Serra da Capivara, próximo à São Raimundo Nonato - PI


Xique-Xique – Cacto mediano, mais alto que a palmatória, menor que um faxeiro ou mandacaru, possui espinhos grandes e bem pontiagudos. É apreciado como alimento pelos bodes e utilizado pelos beija-flores como base para seu ninho.

Pé de Caixacobri, espécie endêmica da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Pé de Caixacobri, espécie endêmica da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Caixacubri – Cacto endêmico da Serra do Catimbau, é parecido com o xique-xique, se diferenciando pelo miolo preto de onde nascem os espinhos. Bodes e beija-flores também o freqüentam para habitá-lo ou devorá-lo.

Malva no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Malva no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Além dos cactos, encontramos outras plantas como a Baraúna, utilizada como anti-febril, a quixabeira, para dissolver sangue pisado e a Malva, flor utilizada para os males de garganta e mucosa bucal (já devem ter ouvido falar no malvatricin, anti-séptico bucal preferido os dentistas).

Pinhão-Brabo, na Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Pinhão-Brabo, na Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Fiquei impressionada com o Pinhão Brabo, arbusto parecido com um pé de café e florzinhas vermelhas, seu caule é poderoso no combate a picadas de cobra. Os antigos aprenderam isso observando o teiú, lagarto que chega a 1,5m de comprimento e voraz caçador de cobras. Nos embates com jararacas e cascavéis se ele toma uma picada, vai até o pé do pinhão-brabo, abocanha seu caule e volta para a briga.

Seiva cicatrizante do Pinhão Bravo, em passeio na caatinga na região de Cabaceiras - PB

Seiva cicatrizante do Pinhão Bravo, em passeio na caatinga na região de Cabaceiras - PB


Foi aí que perceberam que a planta o salvava do veneno da cobra. Certa vez um homem da região foi picado por uma cascavel, sabendo que não chegaria a tempo ao hospital ou unidade de saúde, desandou a comer pinhão-brabo, desesperadamente. Conseguiu ainda caminhar até o asfalto onde foi encontrado desmaiado. O levaram para o hospital e aplicaram o soro anti-ofídico. O médico explicou que a planta não serve como soro, mas retarda o efeito do veneno e se ingerida em grande quantidade também é tóxica.

Seiva cicatrizante do Pinhão Bravo, em passeio na caatinga na região de Cabaceiras - PB

Seiva cicatrizante do Pinhão Bravo, em passeio na caatinga na região de Cabaceiras - PB


Entre as plantas utilizada na culinária estão a Baunilha, planta de onde é retirado o extrato de baunilha, ela parece uma trepadeira. Incó, fruto comestível, o Uricuri, palmeira de onde se aproveitam o palmito e o coquinho para cocada e óleo.

Fruto no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Fruto no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Até o Amargoso, frutinha parecida com a lixia, só que alaranjada por dentro e meio amarga, porém deve ser ingerida com parcimônia, pois suas folhas e, dependendo da quantidade, até as frutas são abortivas. No desespero, sem comida no meio do sertão, pode-se recorrer à macambira, bromélia bem espinhenta que possui um miolo altamente protéico e comestível.

Macambira no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE

Macambira no P.N da Serra do Catimbau, próximo à Buique - PE


Fechamos com o caruá, como exemplo de planta fibrosa utilizada para a confecção de cestos e até roupas pelos índios da região.

Caule e folhas espinhosas de Urtiga no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB

Caule e folhas espinhosas de Urtiga no Lajedo Manoel de Souza, na região de Cabaceiras - PB


Depois dessa aula que o Márcio nos deu, citando apenas algumas das centenas de espécies da caatinga, impossível não olhar para este bioma com outros olhos. Olhos curiosos e apaixonados pela adaptabilidade e perfeição da natureza.

Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB

Pôr-do-sol na caatinga, região de Cabaceiras - PB

Brasil, Pernambuco, Buique (P.N da Serra do Catimbau), caatinga, cactos, Cariri, plantas medicinais, sertão

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Halloween à baiana

Brasil, Bahia, Itacaré

Com a Denise e a Bianca na Festa à Fantasia de Itacaré - BA

Com a Denise e a Bianca na Festa à Fantasia de Itacaré - BA


A festa à fantasia no dia primeiro de novembro já está virando tradição em Itacaré. É a festa de halloween à moda baiana, já que chega um pouquinho atrasada do real dia das bruxas americano. Como é um aniversário e este ano comemorou os 50 anos de uma personagem conhecida da cidade, a entrada era com convite e fantasia obrigatória. Quem não tivesse convite, mas estivesse fantasiado pagava 10 reais e sem fantasia 20 reais para entrar. Nós ganhamos os convites da Rebeca e usamos uma das principais qualidades do brasileiro, a criatividade!

Com a Denise e a Bianca na Festa à Fantasia de Itacaré - BA

Com a Denise e a Bianca na Festa à Fantasia de Itacaré - BA


Eu fui de índia, meio apache meio pataxó, juntei os meus colares pataxós com uma folha de comigo-ninguém-pode e um pouco de rímel e fiquei a própria! Já o Rodrigo, com seu corpo mais esbelto, vestiu a roupa de mergulho e carregou sua máscara e snorkell e foi de mergulhador. Chegamos um pouco tarde, mas a festa estava ótima! A Rebeca não pôde ir, mas encontramos a Bianca e a Denise, além do pessoal do rafting que estava arrasando de “mocréias”. Fantasias para todos os gostos, desde as mais tradicionais, diabinha, anjinha, coelhinha da playboy até o trio pia, privada e chuveiro, Osama Bin Laden e um casal de mendigos pedintes. O melhor é o cenário, o Cabana Corais, à beira da Praia das Conchas com a lua nascendo e o reggae tocando. Muuuuuito bom! A temporada de festas de Itacaré foi encerrada com a melhor delas e à moda baiana!

Brasil, Bahia, Itacaré, festa à fantasia, hallowen

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Centre Spatial Guyanais

Guiana Francesa, Cayenne, Kourou

Réplica do foguete Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

Réplica do foguete Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


Apenas em meados do século XX que a Guiana foi designada um departamento francês, quando se tornou o Centro Espacial Europeu. Assim vários engenheiros, técnicos e cientistas de todas as partes começaram a popular Korou, que hoje abriga em torno de 20 mil pessoas e é a cidade que mais cresce na Guiana. Korou em si não possui muitos atrativos, sua arquitetura colonial francesa e ausência de edifícios maiores que 3 andares faz com que pareça uma maquete, embora bem organizada é também uma das mais pobres do país. Localizada há 60 km da capital Cayenne, fica às margens do Rio Kourou, de onde partem os barcos para a Îles du Salut.

A Ana e o Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

A Ana e o Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


Nós fomos direto para o Centro Espacial para uma visita às 15h. Esta deve ser agendada com antecedência, é muito concorrida. Antes do tour guiado visitamos o museu espacial, que faz uma boa explanação da origem do universo e do histórico da corrida espacial mundial.

Visitando o museu do Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

Visitando o museu do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


O centro de lançamento é considerado um dos mais bem localizados no mundo, dentre os 16 existentes. Responsável por colocar em órbita mais de 50% dos satélites comerciais nos últimos 20 anos, o Projeto Ariane está comemorando o 200° lançamento, no pátio do museu há uma exposição de fotos profissionais e amadoras com este tema.

Lançamento do Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

Lançamento do Ariane V, no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


Ariane é um foguete lançador descartável construído pela empreiteira EADS Space Transportation sob a supervisão da Agência Espacial Européia. Hoje está em uso o foguete Ariane 5 que teve seu primeiro lançamento em 1997 e está preparado para transportar até 3 satélites dependendo do tamanho e orbita do objeto. Seu último lançamento foi em 16 de fevereiro e o próximo será em 29 de março, uma pena não estarmos aqui nesta data, deve ser emocionante ver de perto esta cena.

A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


O Rodrigo é aficionado pelo tema, acessa quase todos os dias os sites da NASA e o space.com para saber as novidades do universo, descobertas e evolução nos programas espaciais de todo o mundo. A palestra sobre o centro espacial é dada no auditório da sala de controle, idêntica às dos filmes hollywoodianos, só a contagem que é um pouquinho diferente: “dix, neuf, huit, sept, six, cinq, quatre, trois, deux, un! VRRRUUUUUM!” Depois de 50 minutos os foguetes e satélites estão em órbita e todos saem comemorar o sucesso do lançamento, brindando com uma champagne francesa, é claro!

Bandeira francesa tremula no Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

Bandeira francesa tremula no Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa


Vale a pena a visita ao Centro Espacial em Korou, um ótimo programa para mais um dia chuvoso da na nossa viagem.

A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana  Francesa

A sala de comando do Centro Espacial em Kourou - Guiana Francesa

Guiana Francesa, Cayenne, Kourou, Centre Spatial Guyanais, Korou

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Fortaleza Soho

Brasil, Ceará, Fortaleza

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE


Hoje tivemos uma noite muito especial proporcionada à distância por um grande amigo. Nosso padrinho de casamento, marido da Lelé (a nossa madrinha), pai de João Pedro e Carol e amigo dos tempos de Unicamp do Rodrigo, Kina nos convidou para um jantar no restaurante japonês do seu cunhado. A noite e o jantar foram tão especiais que mereceram um post à parte!

O Soho foi eleito o melhor restaurante japonês da cidade de Fortaleza e junto dele, Elcio Nagano, o melhor chef de cozinha da cidade. Elcio é casado com Miriam, uma dos seis irmãos do Kina. Logo quando chegamos ao restaurante percebemos que teríamos uma experiência gastronômica especial, mas ela ficou ainda melhor do que poderíamos imaginar, pois tivemos a companhia e consultoria do Elcio, o chef em pessoa!

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE


O menu é completíssimo e super requintado. As combinações unem referências da culinária contemporânea e da mais tradicional cozinha japonesa, buscando trabalhar elementos sofisticados como o foie gras, pimentas tailandesas e azeites trufados misturados aos tradicionais teryakis e agridoces.

As dicas do chef nos caíram como uma luva, pois por mais ousados que fôssemos, íamos acabar fugindo de algumas opções como enguia, polvo e ovas. Eu já havia provado todas estas iguarias, e confesso, apenas as ovas não são muito aprazíveis ao meu paladar. O Rodrigo, bom mineiro, já não estava com coragem para provar a enguia e sempre achou esquisita a textura dos moluscos. Por outro lado não havia lugar mais indicado para provarmos tudo, tanto pela qualidade, quanto pelo preparo tão apurado dos pratos. Então vamos ao menu da noite:

Entradas
Lychees Sunomono – lixias com pepino agridoce.
Guioza de camarão – pastéis no vapor com recheio de camarão.

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza


Sashimi
New Ussuzukuri – lâminas de peixe branco com pimenta tailandesa e flor de sal.

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza


Sushi
Niguiri Shakê Brulê – niguiri flambado de salmão com azeite trufado.
Niguiri Maguro Foie Gras – niguiri de atum com foie gras ao molho teryaki.
Niguiri Hokai Nishin – niguiri de arenque japonês com suas ovas.
Niguiri Unagui – niguiri de enguia
Niguiri Takô – niguiri de polvo
Niguiri Ikura – niguiri de salmão com suas ovas

Tempurá
Tempura Misto - misto de camarão e legumes empanados.

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza


Sobremesas
Sun Rise – salada de frutas com gelatina de sakê, sorvete de creme e huramakis de maçã.
Búlgaro – bolo caramelado de chocolate com creme de leite.

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza

Prato do Restaurante Soho - Fortaleza


Outra dica ótima do Elcio foi usarmos o shoyu moderadamente para não perdermos o sabor do próprio alimento. Em alguns a sugestão é de retirá-lo por completo.

Eu amo comida japonesa, mas foram poucas as vezes que tive a oportunidade de provar pratos tão aprimorados como estes. A apresentação dos pratos faz parte desta culinária, assim como a mescla de sabores distintos, o doce e o azedo, o sabor leve do sashimi com a pimenta tai, proporcionando uma profusão de sabores indescritível. Ah! E tudo isso regado por um excelente sakê.

Durante o jantar Elcio foi nos contando sobre as suas peripécias culinárias. Engenheiro formado em SP, largou anos de trabalho em uma fábrica de auto-peças para realizar um sonho, morar em Fortaleza e trabalhar como chef. Foram anos duros até conseguir o seu espaço e reconhecimento. Hoje, além de sócio e chef do Soho Fortaleza, participa de confrarias e está vivendo, segundo ele, um momento de ócio criativo. Um dos seus projetos, junto a outros chefs da cidade é o desenvolvimento de insumos locais para a inclusão na alta gastronomia. Um projeto fantástico que já ganhou apoio para pesquisa e vai virar um livro! Depois desta até perguntei ao Elcio se ele achava que alguém que gosta de cozinhar, mas não nasceu com este dom (como eu), conseguiria virar um “grand chef” de cozinha. Para a minha felicidade e surpresa ele disse que sim! Estudando e se empenhando isso é possível. Quem sabe quando voltar da viagem...

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE

Com o Elcio, no restaurante Soho, em Fortaleza - CE


Um dia com experiências tão distintas como hoje já entrou para a história dos 1000dias. Obrigada Kina! Obrigada Elcio! Esperamos agora, conseguir encontrar nas nossas andanças pela América, outras experiências gastronômicas tão fantásticas como esta.

Brasil, Ceará, Fortaleza, Elcio Nagano, japonês, restaurante, soho

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Paraísos Verdes e Azuis

Brasil, Tocantins, Natividade, Aurora do Tocantins

Não interessa a cor, paraísos existem e os desta região podem ser verdes ou azuis, depende do gosto do freguês.

Poço da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO

Poço da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO


Na região de Natividade em torno de 5 km da cidade, fica a Cachoeira do Paraíso. Já estamos acostumados com estes nomes, pequenos truques de marketing ecológico, que superestimam a atração para lotá-la de turistas. Tentamos fugir das atrações mais populares, mas se fazem sucesso é por que alguma coisa tem. Ai é que os 1000dias ficam ainda mais interessantes, pois podemos chegar nesses lugares em dias de semana onde o local está lá, como veio ao mundo, como que reservado apenas para nós.

A belíssima Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO

A belíssima Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO


Um lajeado imenso que guarda cachoeiras, quedas d´água e poços de cor verde esmeralda. Agora com um rio estreito neste início de verão, no período de chuvas chega a dobrar de volume de água e na seca desaparecer por completo. Apenas um dos poços sombreado mantém um pouquinho de água. O poço principal seca a ponto de acenderem fogueiras dentro dele.

Sentada ao sol na Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO

Sentada ao sol na Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO


Seu João herdou este terreno, quando pedimos para que cuide bem desse paraíso ele disse: “ah, daqui não mudo não, recebi várias propostas para compra deste terreno, mas não vendo e não saio daqui de jeito nenhum.” Dá para entender.

Mergulhando no poço de águas esverdeadas da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO

Mergulhando no poço de águas esverdeadas da Cachoeira do Paraíso, em Natividade - TO


Rumamos ao sul, em busca de outro pedacinho do paraíso, Azuis.

Descendo o Moro da Anrena, em Natividade - TO

Descendo o Moro da Anrena, em Natividade - TO


Pedacinho mesmo, o menor rio do Brasil nasce e morre em menos de 143m! Suas águas cristalinas formam um lindo poço azul, lotados de lambaris mordisquentos, pés de bananeira e pedras.

A incrível nascente do menor rio do mundo, em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO

A incrível nascente do menor rio do mundo, em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO


A nascente brota de baixo de uma super montanha e logo ali, após a curva, o Rio Azuis deságua em um afluente do Tocantins. Algum prefeito maluco colocou asfalto até a margem da nascente e tornou o local o balneário preferido da região de Taguatinga (25km) e do município de Aurora do Tocantins (11km), ao qual pertence.

O menor rio do mundo, em Azuis, região de Aurora do Tocantins - TO

O menor rio do mundo, em Azuis, região de Aurora do Tocantins - TO


Descendo o rio, mais ou menos na metade dele (rsrs), encontramos um lugar muito especial, o Bar e Restaurante Agenda 21. Logo se vê pelo ambiente, cardápio de músicas deliciosas e menu caseiro com tempero especial. Osmane e Leide nos receberam calorosamente, deram várias dicas da região, prepararam um belo almoço as 17h da tarde, ofereceram seus produtos artesanais: pó de café (super cheiroso), pimenta em pó e pimenta desidratada e os nossos preferidos, doces de banana. Hummm, ali até esquecemos do som jaguara do porta-malas de um carro que estava fazendo um churrasco ali na nascente.

Mergulhando no rio azulado e cristalino em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO

Mergulhando no rio azulado e cristalino em Azuis, distrito de Aurora do Tocantins - TO


Finalmente chegamos à Aurora do Tocantins, cidadezinha de 7 quadras, hotelzinho simples, mas “ficável”. Tudo em prol de umas novidades, lugares que não estavam nos nossos planos e vamos verificar amanhã se valem a pena ou não. Fiquem ligados às cenas dos próximos capítulos!

Mirante do Morro da Antena, em Natividade - TO

Mirante do Morro da Antena, em Natividade - TO

Brasil, Tocantins, Natividade, Aurora do Tocantins, Azuis, cachoeira, Paraíso

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Alto Paraíso e os Couros

Brasil, Goiás, Alto Paraíso

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Alto Paraíso, uma das mais famosas mecas hippies brasileiras, reúne todas as espécies de atrativos que possam interessar, a quem está procurando uma atmosfera de relaxamento, contato com a natureza e conexão com o plano superior.

As cataratas do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

As cataratas do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Independente de religião, procure você respostas para o seu “eu interior”, Deus, o universo cosmos e/ou o seu divino, aqui poderá encontrar vários caminhos para a sua resposta. Aos mais espiritualizados e adeptos de práticas holísticas de meditação, rituais e afins, a cidade possui toda a sorte de gurus, templos e ferramentas para te proporcionar uma experiência espiritual profunda. Está sendo construído um templo que será um espaço para todos os tipos de rituais xamânicos, inclusive com a utilização de plantas de poder e orientação espiritual.

Paisagem na chegada à Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros - GO

Paisagem na chegada à Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros - GO


Aos que gostam desta aura, mas preferem relaxar utilizando técnicas mais práticas para chegar ao seu ápice zen de forma mais rápida, Alto Paraíso possui todas as especialidades possíveis e imagináveis. Massagens energéticas, shiatsu, acupuntura, cromoterapia, ofurôs, spas completos, além das terapias holísticas e de astrólogos que poderão fazer o seu mapa astral e ver inclusive qual é o seu “human design” (é, essa é nova!).

Nadando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Nadando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Ainda há os tipos que acham que nada disso faz sentido e que a sua conexão com o plano superior pode ser feita de uma forma muito mais simples, apenas vivenciando e ampliando o seu contato com a natureza. Aí Alto Paraíso também oferece lugares mágicos, cascatas, cachoeiras em meio ao cerrado, sobre montanhas de cristais de quartzo, os mesmos que a turma aí de cima acredita serem muito energéticos.

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

As muitas cachoeiras do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Chegamos a Alto e logo fomos encontrar a nossa nova amiga de Terra Ronca que mora na cidade. Uma vila de 7 mil habitantes em que pouco mais de 20% é composta por pessoas de fora da cidade que vieram em busca desta aura distinta e peculiar. Muitos destes são os profissionais que oferecem as terapias alternativas, ou proprietários dos espaços diferenciados e pousadas. Outra grande parte veio para trabalhar com o eco-turismo, desenvolver a região do Parque Nacional e seus arredores como agentes de transformação, turismo ou até mesmo como guias.

Com o Chico e o Ivan, nosso guia no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com o Chico e o Ivan, nosso guia no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Nosso grupo é um tanto quanto eclético nestas questões. Eu gosto e acredito em um pouco de tudo que citei acima, podendo conviver tranquilamente nas três situações descritas. Já o Rodrigo é o cético, racional, amante do poder da nossa mente. Ele já se identifica mais com a linha, “Meu Deus e minha energia é essa aqui oh, a natureza!”. Além de nós haviam ainda o Chico, mais prático e menos polêmico. A Flávia, que acho que combina um pouco comigo, tem uma visão prática, mas também tem uma esperança no desenvolvimento social sustentável, energia, cosmos, etc. E por último o Ivan, nosso guia, que vai nos levar a Cascata dos Couros.

Nadando em poço à beira do abismo, no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Nadando em poço à beira do abismo, no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Ivan mudou há pouco para Alto Paraíso, mas definitivamente encontrou o seu lugar. Muito espiritualizado é também adepto do vegetarianismo, não apenas pela sua saúde, mas por discordar do modo de produção atual, que não sustentará o planeta por muito tempo. Produz praticamente todo o alimento que consome e aqui consegue colocar em prática o discurso que muitos têm na cidade como caminho para a sustentabilidade.

Com a Flávia, Chico e Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com a Flávia, Chico e Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Como tínhamos apenas um dia, pedimos a Ivan e Flávia que nos levassem em uma das melhores atrações da região. Eles escolheram a Catarata dos Couros, que fica a 50km de Alto Paraíso, dentro de uma área de assentamento. O Rio dos Couros possui este nome, pois era onde os caçadores lavavam os couros de suas caças, a maioria veados, para depois vendê-los. Inclusive, outra curiosidade, Veadeiros é o nome de um cachorro que era muito utilizado na região para a caça dos veados.

Fim de tarde na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Fim de tarde na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


A trilha é fácil, descemos as margens do Rio dos Couros e vemos uma série de cascatas e cachoeiras encadeadas. rio largo e com vistas maravilhosas para o cânion que depois forma a Cachoeira do Buracão, esta vimos apenas do alto. A trilha para o Buracão é mais longa e segue pelo alto da chapada, descendo adiante para encontrá-la por baixo.

Com o Chico e o Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Com o Chico e o Ivan no Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


O Rodrigo, sempre querendo fortes emoções, saltou de uma das cachoeiras de 12m de altura. O poço era fundo, tudo muito seguro, segundo o nosso guia, só faltava mesmo era alguém com coragem para saltar e ali estava o Rodrigo. Gosto sempre de lembrar aos leitores que um salto como este não é tão simples quanto parece. Qualquer desvio ou alteração na posição do corpo pode levar a fraturas, rompimento de órgãos internos e até a morte. Portanto amigos, não façam igual se não tiverem certeza da profundidade do poço e da técnica que deve ser aplicada.

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO

Saltando em poço do Rio do Couro, na Chapada dos Veadeiros, região de Alto Paraíso - GO


Lindíssimo cenário, ótimas companhias, visual sensacional, uma experiência maravilhosa de energização e contato com o nosso divino através da natureza! Rs! Nos hospedamos no Hostel Catavento, onde Tica e Liege nos atenderam super bem, chalés confortáveis e um preço acolhedor. Pena que não pudemos nem aproveitar a piscina e a ducha energética. Chegamos a noite, a tempo de tomar um banho, trabalhar um pouco e sairmos para encontrar a Flávia no Alquimia Bar. Boa música, escondidinhos de batatas apetitosos e muuuuito assunto fecharam a nossa rápida passagem por Alto Paraíso. Quem sabe voltamos com mais tempo para eu poder explorar um pouco mais o lado exotérico da cidade... Mais um item para a longa lista do 1000dias de “Tudo o que queríamos fazer e não fizemos.”

Brasil, Goiás, Alto Paraíso, cachoeira, Catarata dos Couros, Chapada dos Veadeiros, parque nacional

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Circuito Praias e Trilhas – A missão!

Brasil, Bahia, Itacaré

Praia do Havaizinho, em Itacaré - BA

Praia do Havaizinho, em Itacaré - BA


Locutor empolgado: Bom dia amigos! E começa agora o segundo dia do Circuito Praias e Trilhas de Itacaré! Hoje os competidores devem conhecer as belas praias do sul e as Cachoeiras do Tejuípe! O desafio será enfrentar uma cachoeira mega populada, descer a pé para a praia do Itacarezinho, continuar por trilha até a Praia da Engenhoca, passando pela Gamboa e pelo também famoso Hawaizinho. O retorno pela trilha da Engenhoca ainda terá como gran finale uma corrida pelo asfalto para buscar a Fiona 1km morro acima! A competição se encerrará hoje, mas teremos novas edições do Circuito Praias e Trilhas em diversas praias da América!

Equilibrando-se em coqueiro no caminho para Havaizinho, em Itacaré - BA

Equilibrando-se em coqueiro no caminho para Havaizinho, em Itacaré - BA


O circuito começou bem, carros lotavam a entrada de todas as praias e inclusive da cachoeira. Mesmo em dia de votação as praias não têm descanso! Feriadão é assim mesmo, traz todo o povo para a sessão farofa da semana. Tentando fugir da muvuca nossa estratégia foi invertermos o roteiro, que logicamente começaria pelas praias e terminaria na cachoeira. Fomos direto para a água doce e pegamos a Cachoeira do Tejuípe ainda menos “crawdeada”, como dizem por aí.

Cachoeira do Tijuípe, movimentada num feriado, em Itacaré - BA

Cachoeira do Tijuípe, movimentada num feriado, em Itacaré - BA


Tinham só umas 30 pessoas se refrescando por ali. Nós resolvemos continuar a trilha e explorar rio acima um outro recanto na mesma fazenda. Foram apenas uns 500m e logo chegamos à Cachoeira do Gravatá, um lugar lindíssimo, um lago imenso de águas deliciosas e o principal, não havia ninguém! Missão cumprida! Conseguimos aproveitar o banho de cachoeira como rezam os mandamentos dos 1000dias!

Refrescando-se na Cachoeira do Gravatá, em Itacaré - BA

Refrescando-se na Cachoeira do Gravatá, em Itacaré - BA


Seguimos para Itacarezinho e a estrada que leva até a praia estava fechada, por isso descemos em torno de 1km em uma pirambeira com a fantástica vista para a maior praia de Itacaré!

A praia de Itacarezinho, em Itacaré - BA

A praia de Itacarezinho, em Itacaré - BA


Praia linda, infra-estrutura maravilhosa, restaurante e bar com espreguiçadeiras e cabanas de palha para os visitantes, só faltou um pouquinho de tino comercial do dono, que fechou tudo isso bem no feriado. O Rodrigo aproveita o mar por mim e por ele já que eu ainda estou resguardando as orelhas.

Muitos coqueiros no caminho entre Itacarezinho e Havaizinho, em Itacaré - BA

Muitos coqueiros no caminho entre Itacarezinho e Havaizinho, em Itacaré - BA


A terceira etapa do circuito continuava por uma trilha de uns 30 minutos entre morros e coqueiros até a praia do Hawaizinho, passando pela Gamboa. Mesmo para os mais preguiçosos este programa vale muito a pena, o cenário da trilha é dos mais bonitos de Itacaré!

Trilha entre Itacarezinho e Havaizinho, em Itacaré - BA

Trilha entre Itacarezinho e Havaizinho, em Itacaré - BA


Chegamos no Hawaizinho e encontramos o tio do coco, refri e cocadas. Estávamos preocupados se conseguiríamos justificar nosso voto e assuntamos com ele sobre a eleição. Foi muito bacana, quando perguntei a ele quem era o seu candidato ele logo defendeu que seria para o partido que ajudou os moradores da região a lutar pela liberação de todas estas praias que estamos conhecendo hoje. Segundo ele todos estes terrenos foram vendidos a um imenso grupo de hotelaria português que estava construindo ali um mega empreendimento hoteleiro. A primeira pergunta que nos fazemos é: Ué, pode-se construir em uma APA (Área de Preservação Ambiental) que se tornou Patrimônio da Biosfera?

Vendedor de cocadas em Itacaré - BA

Vendedor de cocadas em Itacaré - BA


E o sábio tio da cocada responde, “Quem tem dinheiro pode tudo, minha fia! Pagaram 1 milhão para o prefeito liberar o alvará.” O resort proibiu a entrada de qualquer turista ou até moradores antigos da região que usavam essas trilhas há mais de 80 anos. Foi o PT que ajudou a embargar a obra e proibir, pelo menos por enquanto, que as praias fossem fechadas e o hotel concluído. Ainda bem que sempre tem um conflito de interesses, quem mandou os portugas não comprarem a oposição também, não é mesmo?

Praia do Havaizinho, em Itacaré - BA

Praia do Havaizinho, em Itacaré - BA


Depois de adquirirmos um pouco mais de conhecimento sobre a região e uma cocada, continuamos mais 20 minutos até a praia da Engenhoca, onde está o esqueleto do elefante branco. Nada a ver um prédio imenso de concreto como aquele ali no meio do paraíso. Um final de tarde delicioso, mais um tchibum do Ro em nossa homenagem e caminhamos para encerrar o circuito Praias e Trilhas de Itacaré.

Praia da Engenhoca, em Itacaré - BA

Praia da Engenhoca, em Itacaré - BA


Hoje no nosso roteiro gastronômico fomos conhecer o restaurante “À Brasileira”, onde um misto de culinária contemporânea com toques bem brasileiros dão um sabor especial aos pratos. Risoto 3 queijos com raspas de limão e capim santo. Hummm, delícia! Pronta para mais uma baladinha no Cabana Corais, mas hoje sem o Rodrigo que me acompanhou até o esquenta no Jungle. Dali ele me despachou para a baladinha junto com a Rebeca.

Com a Bianca e a Rebeca, em Itacaré - BA

Com a Bianca e a Rebeca, em Itacaré - BA


Como os amigos estão longe é ainda mais gostoso quando encontramos alguém com a mesma energia para nos acompanhar. A Rebeca além de uma ótima amiga é uma companheira de balada divertidíssima! É, com essa dupla jornada em Itacaré nem eu estava contando!

Escalando um coqueiro na praia da Engenhoca, em Itacaré - BA

Escalando um coqueiro na praia da Engenhoca, em Itacaré - BA

Brasil, Bahia, Itacaré, mar, Praia, Rio, trilha

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Feliz 2011!

Brasil, Paraíba, Cabaceiras (Laje do Pai Mateus)

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, bem abaixo da Pedra do Capacete, em Cabaceiras - PB

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, bem abaixo da Pedra do Capacete, em Cabaceiras - PB


Últimas horas do dia 31/12, último dia do ano! Chegamos ao Hotel Fazenda Pai Mateus, no sertão da Paraíba. Aí vocês se perguntam, por que vocês foram parar aí no réveillon, ao invés de ir para uma dessas praias maravilhosas do nordeste? Eu sempre passei a virada em praias, foram raríssimas as vezes que fiquei em Curitiba ou Araraquara, cidade de meus avós maternos.

Ceia de reveillon no Hotel Fazenda Pai Mateus, em Cabaceiras - PB

Ceia de reveillon no Hotel Fazenda Pai Mateus, em Cabaceiras - PB


Mal chegamos ao lugar e eu já posso dizer que não foi a toa que viemos parar aqui. A Laje de Pai Mateus, principal atração turística da região é tido pelos seus moradores e freqüentadores como um lugar místico e de energia muito especial. O hotel, super aconchegante e acolhedor, já nos avisou no check in que as 21h eles iriam servir uma ceia e que as 23h15 um grupo sairia para a virada do ano lá em cima da laje. Sem saber exatamente do que estavam falando, marcamos que iríamos até lá com o pessoal. Só sabíamos que de cima teríamos uma boa vista dos fogos da região.

Ceia de reveillon no Hotel Fazenda Pai Mateus, em Cabaceiras - PB

Ceia de reveillon no Hotel Fazenda Pai Mateus, em Cabaceiras - PB


A ceia foi ótima, cheirinho do peru fez eu me sentir em casa. Ao mesmo tempo eu estava conectada no skype falando com meu pai, tia Dri, Dani e a Luiza, sobrinha mais linda deste mundo!

A nossa sobrinha Luiza (em Curitiba), via Skype, no reveillon em Cabaceiras - PB

A nossa sobrinha Luiza (em Curitiba), via Skype, no reveillon em Cabaceiras - PB


Minha mãe atendeu o telefone quando liguei do hotel para ela ficar online no skype, mas faltou falarmos um pouco mais, já que ela não apareceu por lá depois. A tecnologia é sensacional mesmo, nós aqui no sertão da Paraíba falando e vendo a família lá no friozinho de Curitiba. Melhor ainda foi que consegui desejar um Feliz 2011 à meia noite de Curitiba e só depois comemorar a nossa virada lá no alto do Pai Mateus.

Falando no Skype com a Dani, Lulu e Tia Dri (em Curitiba) no reveillon em Cabaceiras - PB

Falando no Skype com a Dani, Lulu e Tia Dri (em Curitiba) no reveillon em Cabaceiras - PB


Logo depois da ceia seguimos para a laje. Com nossas taças e champagne na mão, subimos os 500m de pedra até a pedra do Capacete, formação diferente de tudo que já vi. O capacete impressiona, parece ter sido esculpido pelo homem. À meia-noite assistimos aos fogos de artifícios das cidades e vilarejos vizinhos, vimos uma chuva de estrelas cadentes com todos os pedidos dobrados! Afinal, estrela cadente em ano novo vale 2!

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras - PB

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras - PB


Reveillón especial, com muita energia de Pai Mateus e este sertão maravilhoso. Aproveito então este momento para retransmitir a vocês toda esta energia que recebemos e tenho certeza que 2011 será ainda melhor que 2010, com muita saúde, amor e sucesso para todos nós!

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras - PB

Celebrando o reveillon no Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras - PB

Brasil, Paraíba, Cabaceiras (Laje do Pai Mateus), ano novo, Laje do Pai Mateus, réveillon, sertão, virada do ano

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