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Dança e folia no carnaval de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Nem só de água é feita Isla Mujeres. Afinal, como o próprio nome diz, ela é uma ilha, formada da boa e velha terra firme. Com pouco mais de sete quilômetros de comprimento e uma largura que jamais passa dos 600 metros.
Autofoto em porta envidraçada em Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
A ilha já era muito frequentada pelos mayas, que íam atrás do sal que pode ser extraído de suas lagoas internas. Sal, naquele tempo, como em várias outras civilizações, era dinheiro. Além disso, a ilha também tinha tempos dedicados à Ix Chel, a deusa da fertilidade, a mesma encontrada em Cozumel. Pelo visto, essa deusa gostava de ilhas e do mar caribenho!
Curtindo o fim de tarde em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Tantas imagens havia da deusa espalhadas pela ilha que os espanhóis, quando lá chegaram, a batizaram de Isla Mujeres. O resto da história, infelizmente, é quase a mesma de Cozumel: indígenas extintos por doenças e pela espada e imagens e templos destruídos.
Despedida do Alejandro e da Casa Naranja, nossa pousada na Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Nós nos surpreendemos um pouco com tanta gente visitando ou morando por lá. Tivemos algum trabalho para achar um lugar para ficar (nunca reservamos), mas acabamos encontrando o Alejandro, um simpático argentino radicado por aqui há algum tempo, dono da pousada Casa Naranja. Foi a nossa casa por todos esses dias, ótimo preço, excelente localização e quarto bem gostosos, com direito à cozinha e internet. Não precisávamos de mais nada mas, mesmo assim, ainda ganhamos a amizade do Alejandro, muitas histórias de suas viagens pelo continente e conselhos sobre o que fazer na ilha e em outras ilhas também. Joia!
Bloco de carnaval nas ruas de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Dança e folia no carnaval de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
A principal atração na ilha, além do mar, foi o carnaval que está acontecendo nesses dias. Pequenos blocos com gente muito animada, meninas, meninos e meninos vestidos de meninas passam o dia inteiro andando para lá e para cá, em seus carros e motos. De tempos em tempos, param em alguma esquina, som ligado, fazem sua bagunça e performance, distribuindo alegria para todos. Muito legal assistir.
Fantasias de carnaval em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Fantasias de carnaval em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Foi nosso jeito de nos sentir mais próximos do Brasil, guardadas as devidas proporções, claro! As fantasias são muito legais, embora a música seja meio chatinha e repetitiva. Pelo menos, não tem tocado por aqui aquelas baixarias que costumam fazer sucesso no Brasil, especialmente nessa época.
Pronta para uma corrida na costa da Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Corridinha básica na Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Além do carnaval, outra diversão era percorrer a rua do calçadão, cheia de restaurantes e bares. Com tantos dias e noites por aqui, pudemos experimentar várias “cozinhas”, de argentinos à japoneses, passando por mexicanos, claro!
Escultura marca a ponta sul de Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
De carro mesmo, fizemos só uma saída, indo até o sul da ilha, observando mares um pouco mais bravios e fazendo nossas reverências a uma estátua que homenageia a antiga deusa que era idolatrada por aqui. Fora esse passeio para o sul, tudo mais pode ser feito a pé mesmo. Em um raio de poucos quarteirões, lá estão todos os restaurantes, a praça central, as ruas por onde passam os blocos de carnaval e, claro, as praias!
Escalando pequeno rochedo em praia da Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Isla Mujeres, na costa caribenha no sul do México
Por fim, aproveitamos também para fazer um exercício, correr pela orla e até praticar um pouco de escalada em “boulders”. Nada muito arriscado, mas sempre uma boa chance para fotos. Lá do alto, uma vista privilegiada do maravilhoso mar que nos cerca.
Nosso último e inesquecível pôr-do-sol em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Outra lembrança inesquecível de Isla Mujeres serão os seus entardeceres. Todos os dias, um pôr-do-sol fantástico, cinematográfico e de tirar o fôlego. O céu pintado de amarelo e depois de vermelho, se pondo lá no continente distante, quase no mar. A cada dia, novas fotos, novos ângulos. Mas a beleza e a calma que ela inspira eram as mesmas. O céu pegando fogo sobre um mar azul turquesa não é uma cena que se veja todo dia. A não ser que se esteja em Isla Mujeres...
A Fiona é o último carro a conseguir entrar no ferry da Isla Mujeres para Cancún, no litoral sul do México, do lado do Caribe
E assim foram nossos dias por aqui, tranquilos, pouco a relatar, muito a fotografar. Partimos no dia 11, dessa vez num sufoco danado para colocar a Fiona na última vaga do barco, uma sorte danada. Saímos desse lugar lindo rumo a outro, bem mais tranquilo, uma ilha também. Estou falando de Holbox, terra (ou mar!) de tubarões-baleia. Infelizmente, estamos fora da temporada, mas muitas outras atrações nos esperam. E também a tão procurada tranquilidade. Nosso período sabático continua por lá...
Nosso último e inesquecível pôr-do-sol em Isla Mujeres, no litoral sul do México, do lado do Caribe
Com o Rafa, Ana, Karen e Leo em quiosque da praia em Itaúnas - ES
Mais um dia rotineiro em Itaúnas, vidinha bem difícil. A tradicional caminhada atravessando a ponte, caminhando até as dunas e cruzando o grande campo de areia até a praia. Depois, muita conversa, algumas cervejas, corrida pela praia e um mergulho no mar. A diversão é entrar na água e tentar ficar na mesma linha em que entrou. Tarefa impossível, já que a correnteza teima em levar a gente até a Bahia. Do jeito que está forte, acho que em meia hora ela nos levaria.
Três curitibanas em Itaúnas - ES
Depois, saímos para explorar as dunas e tirar fotos. Isso deu uma fome danada e depois nos banqueteamos todos com uma comida simples, saborosa e com uma pimentinha ardida. Afinal, já estamos ao lado da Bahia.
Leo e Karen em quiosque na praia em Itaúnas - ES
De noite, muito forró. Depois da meia noite, eu já era o aniversariante do dia. Celebramos até quase quatro da manhã. O plano é acordar cedo para a caminhada até a Bahia. Vou celebrar em dois estados! Chique no "úrtimo"!
Caminhando pelas dunas em Itaúnas - ES
Os primeiros presentes vieram do esporte. Vou passar o aniversário como campeão do mundo no voley e, melhor ainda, em primeiro lugar no campeonato brasileiro. Dá-lhe Cruzeirão!
No alto das dunas em Itaúnas - ES
Saindo do parque estadual em Itaúnas - ES
Deixamos hoje São Thomé. Inicialmente, nossa idéia era ir para Airuoca e Vale do Matutu. Já faz uns 15 anos que quero ir para lá. Mas acabamos nos enrolando em São Thomé, para variar, e decidimos mudar o trajeto: primeiro Caxambu e depois Airuoca.
A enrolação em São Thomé foi porque acordamos tarde. Na noite anterior, na nossa perambulação pela night thomesina, a Ana pode colocar em prática seu curso de primeiros socorros. Uma garota desmaiou e ela liderou os esforços para socorrê-la. Como eu sempre soube: estou em boas mãos!
Saímos de São Thomé em direção à Cruzília, no sul. São 24 km de dura estrada de terra. Não melhorou nada desde que passei por essa mesma estrada há 21 anos, de Monza, já de noite e após longa viagem desde o Espírito Santo com o Haroldo. Lembro que não chegava nunca, um inferno. Hoje fizemos o mesmo trecho de dia, no conforto da Fiona.
A beleza da paisagem campestre embalou minha viagem pelo passado. Primeiro este mais recente, de duas décadas atrás. Depois um pouco mais distante, na primeira metade do séc.XIX. Naquela época quase todas estas terras estavam nas mãos da família Junqueira, então na sua segunda e terceira gerações no país. Toda a área entre Cruzília, São Thomé e Carrancas. Já pensou? Todas essas cachoeiras da minha família?
O primeiro Junqueira no país, João Francisco, fez fortuna na mineração e aplicou seu dinheiro em terras da região. A segunda geração multiplicou essa fortuna e posse de terras. Naquela época, a distribuição de sesmarias entre os mais abonados e empreendedores era prática comum. O maior expoente da segunda geração foi o Barão de Alfenas, inimigo político de D. Pedro I e amigo pessoal de D. Pedro II. São Thomé ficava em suas terras. Foi ele que terminou a construção da igreja matriz da cidade, iniciada por seu pai.
Mas o fato histórico que mais ocupou a minha mente foi o fatídico episódio conhecido como Levante da Bella Cruz. Os Junqueiras, como grandes proprietários de terras também eram proprietários de grande quantidade de escravos. E na fazenda Bella Cruz, exatamente 50 anos antes da abolição da escravidão, em 13 de Maio de 1833, os escravos se revoltaram e trucidaram vários Junqueiras, entre homens, mulheres, velhos e crianças. A idéia era matar todos e qualquer branco em que eles pusessem as mãos. Matavam a porretadas, golpes de foice e facão. Vários foram mortos em seus quartos, último refúgio antes de serem capturados. Foi a maior revolta de escravos em tempos imperiais no sul do Brasil.
A repressão ao movimento foi rápida. Todos os líderes que foram capturados ainda vivos foram enforcados. De qualquer maneira, foi um episódio que marcou a história da família e mesmo do país daqueles tempos. Hoje, 177 anos após este fato, passando pelas terras aonde isto aconteceu, não pude deixar de ficar pensando, tentando imaginar aquelas tensas horas da revolta, desde o momento em que o primeiro Junqueira foi arrancado de seu cavalo, enquanto supervisionava os trabalhos na lavoura até o momento em que os escravos arrebentaram a machadadas a porta do quarto em que o último homem da casa havia se refugiado com as mulheres e crianças da casa.
Politicamente, deixo aqui minhas homenagens aos escravos, que lutavam da maneira que podiam para voltar a ser livres e também aos membros da família, que ajudavam a desbravar as terras ainda virgens dessa região do país.
Acariciando baleia Cinzenta na Baía Magdalena, região de Puerto López Mateos, na Baja California - México
O dia hoje nasceu radiante, céu azul e sol forte. A vista que tínhamos do terraço do nosso hotel, onde tomamos o café da manhã, estava linda. Ficamos imaginando como seria um passeio na Espíritu Santo hoje, com o tempo aberto. Puxa vida... erramos por um dia!
Dia de céu azul em La Paz, na Baja California, no México
Saindo de La Paz Baja California, no México. Tijuana ainda está longe!
Mas hoje era o dia de seguirmos em frente. Empacotamos a Fiona e em pouco tempo já tínhamos deixado La Paz para trás e entrado no deserto, cactos para todo lado, quase sem carros na estrada. Depois de meia hora atravessando uma longa planície, a estrada subiu para um platô de onde pudemos admirar uma paisagem fantástica para trás, de onde tínhamos vindo: a enorme planície desértica e o Mar de Cortez ao fundo, bem azul. A diferença de cores era gritante, assim como a “definição das fronteiras” entre terra, água e céu. Muito lindo! Para completar, lá estava ela, a ilha Espíritu Santo, onde estivemos ontem. Será que hoje as baleias estariam por lá?
Paisagem desértica com o Mar de Cortez ao fundo, na saída de La Paz, no sul da Baja California, no México
Bom, na verdade, hoje torcíamos que elas estivessem do lado de cá da península, no Oceano Pacífico! Afinal, era para lá que estávamos indo, a uma baía famosa pela presença desses grandes cetáceos, chamada Baía Magdalena. Nós escolhemos seguir diretamente para uma cidade que fica no seu lado norte, Puerto López Mateos. Muitos locais nos disseram que esse era o lugar com a maior chance de ver baleias, principalmente as “ballenas gris”, ou baleias cinzentas.
Barco leva turistas para ver baleias em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Isso porque, bem em frente a cidade está um canal que liga a baía ao oceano aberto. Este esse canal, quando a maré está enchendo ou vazando, vira uma verdadeira estrada de baleias, as mães levando suas crias para um passeio pelas águas rasas e seguras da baía, longe dos predadores. Se fosse no início da temporada, há alguns meses, aí veríamos baleias grávidas, ou então, baleias “namorando”.
Turistas observam baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Chegamos à López Mateos no meio da tarde e fomos diretamente para o porto. Aí, descobrimos duas coisas. Primeiro, os passeios são rápidos, entre uma e duas horas. Paga-se uma lancha, preço que é dividido entre os clientes e navega-se uns 15 minutos até o ponto de observação. Segundo, a chance de ver baleias hoje era de 110%. Garantido! Vivaaaaa!
Enorme baleia cinzenta passa perto do nosso barco em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Logo apareceu uma simpática família para dividir o barco e o custo com a gente. Assim, eu e a Ana pagamos 600 pesos para um passeio de duas horas até a boca do canal, onde as baleias se concentram, para lá poder ficar mais tempo, observando esses magníficos animais.
Enorme baleia cinzenta passa perto do nosso barco em Puerto López Mateos, na Baja California - México
No caminho, nosso guia foi explicando que apenas as baleias cinzentas entram no canal. Os outros tipos ficam em mar aberto, perto da costa. Na alta temporada, é possível ver baleias azuis, cachalotes, jubartes e orcas por aqui. Mas ele nos garantiu que as mais interessantes são mesmo as cinzentas, pois elas são mais interativas que as outras. Nossa... fiquei imaginando a emoção de ver uma baleia azul, com seus 40 metros de comprimento, o maior animal que já viveu na face da terra (e do mar!), desde sempre! Pois é, maior que qualquer dinossauro também! Algum dia, algum dia...
Mamãe baleia leva filhote para passear na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Mas não hoje. Hoje era o dia das cinzentas mesmo. Não demorou muito para o pessimismo em encontrá-las ser substituído pela realidade! Lá estavam, para onde quer que se olhasse. Alguns adultos nadando sós e muitas mães acompanhados dos filhotes. Que coisa mais linda! De longe se podia ver, ou pela respiração barulhenta e o esguicho que fazem nas costas ou pelas pequenas exibições que fazem na superfície.
Filmando baleia cinzenta em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Mas o melhor ainda estava para acontecer! Para minha surpresa, os barcos se aproximam das baleias, e elas dos barcos. São muito curiosas e adoram interagir. O guia nos orientou a fazer barulho na água com as mãos para atraí-las. Pois é, os filhotes adoram e logo se aproximam, vindo respirar ao nosso lado. Só o filhote já é do tamanho do barco, imagina a mãe! Que animal extraordinário!
Tocando baleia cinzenta durante passeio em canal da Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
O guia nos disse que elas adoram ser acariciadas e assim o fizemos. A pele é macia e quentinha! Que experiência é tocar numa baleia! Ainda mais quando ela nos olha nos olhos. A gente vê inteligência e curiosidade por trás deles. É emocionante!
Enorme baleia ao lado do nosso barco na Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
A gente ficou dividido entre tentar filmar, fotografar e tocar esses animais. A vontade era pular na água e observá-los lá de baixo. Mas não se pode fazer isso. O máximo de interação foi mesmo a respirada que a Ana levou nos rosto, de um filhote. Quase chorou de emoção, hehehe!
Feliz após encontrar mais uma baleia em Puerto López Mateos, na Baja California - México
E pensar que, no meio do século passado, os baleeiros entravam dentro do canal e faziam a festa com baleias grávidas, mães acompanhadas de filhotes e o que vissem pela frente... Quase levaram a espécie a extinção. Como pode? ? ? Felizmente, a caça foi proibida por aqui e a espécie se recuperou. E os tais baleeiros estão pagando uns bons anos no purgatório, espero! Ou então, reencarnaram como kril e hoje são comida de baleias!
Nosso guia e companheiros no passeio para ver as baleias cinzentas em Puerto López Mateos, na Baja California - México
No finalzinho da tarde estávamos voltando para o porto, ainda extasiados com o encontro com as baleias e admirando a paisagem ao nosso redor, o canal cercado por grandes dunas de areia. Parecia até que estávamos no delta do Parnaíba, lá no Piauí.
Dunas cercam o "canal das baleias", ligando o Oceano Pacífico à Baía Magdalena, em Puerto López Mateos, na Baja California - México
Despedimo-nos dos novos amigos, companheiros de barco. Moram aqui perto e o pai disse que todo ano vem fazer o passeio, ao menos uma vez por temporada. Tenho certeza que faríamos o mesmo! Uma tarde com as baleias faz muito bem para a alma!
Fotografia do reflexo do reflexo do belo entardecer, na estrada entre Puerto López Mateos e Loreto, na Baja California - México
Não conseguíamos tirar o sorriso do rosto durante a próxima hora, já na estrada a caminho de Loreto, curtindo o sol se pondo atrás de nós. Atravessamos a península mais uma vez para chegar em Loreto, outra vez na costa do Mar de Cortez. Já era oito da noite quando achamos nosso hotel. Fomos matar a fome e comemorar esse dia fantástico comendo um super burro. Um “burro” é um burrito grande. Dá para imaginar, então, como é um “super burro”, não dá? Estava uma delícia, num restaurante bem roots. Enfim, era hora de dormir. Os sonhos se dividiriam entre baleias e burros. Merecidamente!
Nadando no Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Tivemos uma manhã mais tranquila hoje, descansando e trabalhando no computador. Estava na hora! A alergia da Ana melhora aos poucos e as minhas costas tiveram uma recaída, depois dos saltos nas cachoeiras, ontem. Tandrilax nelas!
Montanha em formato de mesa, próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
De roupas lavadas (sempre motivo de comemoração!), deixamos a Pousada do Lajes para trás e tomamos nossa velha conhecida Transamazônica, na sua porção nordestina e asfaltada, na direção leste, até o município de Riachão. Oitenta quilômetros de bom asfalto, mais dez de asfalto esburacado nos levaram até essa cidade, que também fica na Chapada das Mesas. Lá chegando, pegamos uma pequena estrada de terra para o norte, trinta quilômetros até uma propriedade onde está o Poço Azul e a Cachoeira Santa Bárbara. Aqui também há alguns chalés e é onde vamos passar a noite, ótima sugestão do Zezinho, nosso simpático guia de dois dias atrás.
O riacho que nasce no Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Mas nossa parada por aqui foi rápida. Seguimos mais sete quilômetros de areia até o início de uma trilha que nos leva até uma nascente de águas cristalinas que tem o singelo nome de Encanto Azul. O nome é modesto, o lugar é fabuloso!
A maravilhosa nascente de águas cristalinas chamada Encanto Azul, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Para começar, já estávamos felizes só por estar caminhando sozinhos numa trilha no meio do cerrado. Fazia tempo que isto não acontecia e a sensação de liberdade e de exploração aumenta bastante. Depois, a trilha segue até um vale com um riacho de águas transparentes. A gente sobe um pouco o riacho e a primeira visão do tal Encanto Azul parece uma miragem. No meio de um canyon com paredes altas e íngrimes, uma piscina de águas azuis e transparentes, cercada do verde da vegetação e do vermelho das paredes. Que coisa mais linda!
Encanto Azul, debaixo d'água, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
O incrível Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Parece os poços de águas azuis que há na Chapadas Diamantina e em Bonito. Com a maravilhosa diferença de que aqui não há placas ou fiscais proibindo que a gente entre na água. Até quando? Até o turismo de massa chegar mais perto. Portanto, venham logo pois a Chapada das Mesas é a bola da vez dessas gigantes do turismo! Não é à tôa que está saindo em todas as revistas especializadas...
As águas incrivelmente transparentes do Encanto Azul, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
Encanto Azul, nascente de águas cristalinas, na Chapada das Mesas, região de Riachão - MA
A gente se esbaldou por lá por um bom tempo, sem pressa de sair. Mesmo na sombra (a luz do sol só bate diretamente na água perto do meio dia), a temperatura da água é uma delícia. Sem máscara, mas com oclinhos, deu para explorar a parte iluminada do lago, visibilidade de água mineral. Só não deu para entrar na caverna subaquática, escura como breu, pois não estávamos com nossas lanternas submarinas.
Admirando a região de cerrado próxima à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Bem no final da tarde, tivemos de abandonar aquele local mágico. Sempre a parte mais difícil. Perto disso, subir a trilha de volta foi fichinha. Lá no alto, com a luz avermelhado do final do dia, o cerrado e o vale ficaram ainda mais bonitos.
Cruzando o cerrado próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Voltamos para nosso chalé. Somos os únicos hóspedes do local. A lua está quase cheia, o barulho do rio e do cerrado soam como música e temos a sensação de estar no lugar certo na hora certa. Se fosse no sábado da semana que vem, não seria assim, já que todos os chalés foram reservados pelo pessoal de uma igreja de Balsas, cidade próxima daqui. Ufa....
Fotografando o pôr-do-sol no cerrado, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Amanhã cedo, antes que o pessoal da cidade chegue aqui para aproveitar o domingão, teremos o Poço Azul e a Cachoeira de Santa Bárbara só para a gente. O negócio é acordar cedo e aproveitar! Depois, rumo à Balsas, Alto Parnaíba, Chapada das Mangabeiras e Jalapão...
Pôr-do-sol no cerrado, próximo à Riachão, na Chapada das Mesas - MA
Mapa de Porto Rico
Estamos de carro novamente! Dessa vez, dirigindo do lado certo da estrada, he he he. Deixamos San Juan um pouco depois das 11 da manhã. Pelo avançado da hora, desistimos de fazer El Yunque hoje e deixamos ele para depois, sexta ou sábado. É um parque nacional numa das áreas montanhosas de Porto Rico, cheio de cachoeiras, piscinas naturais e flora e fauna abundante. Tem fama de ser lindo e, até por isso, participa da eleição das Sete Maravilhas Naturais do mundo. Estou bem ansioso para conhecê-lo e por isso vamos nos programar de chegar lá bem cedinho.
Assim, resolvemos inverter o nosso trajeto e seguir em direção ao oeste, primeiro. Ali está outra das atraçoes da ilha que queria muito ver: o maior e mais famoso radiotelescópio do mundo, Arecibo. Já apareceu em vários filmes de Hollywood, inclusive do 007. Basicamente, é um telefone para conversar com ETs. Só ainda não conseguimos que alguém atendesse a linha do lado de lá...
Arecibo só abre à tarde para visitação. De manhã, o programa era visitar umas cavernas ali perto. O problema é que, no meio do caminho, checamos que os dois parques são fechados às terças. Que beleza!
Partimos então para o plano C, ir direto ao litoral sudoeste do país, onde há o melhor ponto de mergulho. Sim, eu sei, vocês já estão pensando: "Mergulho, de novo? Esses caras só sabem fazer isso?" Pois é... mas é que estamos no Caribe, fazer o quê? Os Andes e as Montanhas Rochosas vão chegar...
Bom, além do melhor ponto de mergulho, vamos também numa das praias mais bonitas do país e em Ponce, a cidade com o centro histórico mais belo de Porto Rico. Depois, tentamos Arecibo novamente, El Yunque e uma ilha, Culebra, lá no outro lado do país, litoral leste.
E assim fizemos. Cruzamos o país no nosso Hyunday, enfrentendo muitas montanhas e estradas apertadas e curvilíneas, dessas que só passam um carro por vez. Cruzar com caminhão ou ônibus escolar é um stress. Com jeitinho, vai. A parte central da ilha é toda cheia de montanhas, a mais alta delas chegando a cerca de 1.400 metros de altura. Passamos ali do lado. A vista, quando as nuvens permitiam, era deslumbrante: montanhas com uma vegetação luxuriante, rios de águas bem transparentes, um convite para o banho. Mas acabamos não parando já que queríamos chegar aqui a tempo de marcar o mergulho para amanhã.
Placa de aviso de Tsunami em La Parguera - Litoral Sudoeste de Porto Rico
E "aqui" é La Parguera, uma vilazinha bem simpática, cheia de pousadas, hotéis e botecos que devem ferver nos feriados ou no verão. Mas hoje está tudo bem tranquilo, meio que com cara de abandonado. A cidade não tem praias, mas está numa baía, cercada por mangues. Amanhã vou ver melhor, tirar fotos e poder descrever mais precisamente. O que já deu para ver é que é uma região passível de sofrer terremotos e tsunamis! Deu para ver na foto, né?
Amanhã, teremos um dia corrido. Mergulho de manhã, praia (meia hora daqui) de tarde e Ponce (meia hora também, mas na direção oposta!) de noite. No outro dia, Arecibo e as cavernas. Depois, para o leste e avante! Tudo isso é possível porque temos rodas! Dá uma liberdade... E não saiu caro: menos de 50 dólares por dia, incluindo todo o seguro e o GPS também.
O famoso Boiling Lake, a mais "estranha" paisagem no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Tudo começou direitinho na nossa extensa programação de hoje. E assim teria de ser, para que pudéssemos fazer todos os programas desejados. Primeiro, uma trilha até o alto das montanhas, passando pelo Vale da Desolação e chegando ao Boiling Lake, um lago de águas ferventes. Depois, um mergulho no canyon semi-submerso de Titou Gorge, com suas cachoeiras secretas. Por fim, um mergulho nas lendárias paredes de corais da costa caribenha de Dominica.
Com o nosso guia Kello, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Então, acordamos às 5, com o dia começando a clarear e encontramos o vigia do hotel, que nos deu a água e os sanduíches preparados na noite anterior, guardados na geladeira do restaurante. Seria nosso almoço! Aí, seguimos de carro pelas estradas sem sinalização do interior da ilha, até o ponto de encontro marcado com o nosso guia.
Cogumelos na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Acertamos o caminho, chegamos justamente na hora certa (às 6 da manhã) e o guia estava lá, conforme combinado! A trilha pode ser feita sem guia, mas como não podíamos perder tempo procurando caminhos, optamos pela segurança. Foi a melhor coisa que fizemos, não pela dificuldade da trilha, mas pela simpatia do Kello, e por todas as informações e histórias que ele foi nos contando ao longo da manhã.
Brincando com cipó na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Sem tempo a perder, iniciamos logo a caminhada, por dentro da mata, montanha acima. Dissemos para o Kello a hora que precisávamos estar de volta, que o horário limite era às 13 horas de volta à Roseau, para pegar nosso barco de mergulho. Ele disse que não haveria problema, que teríamos tempo de sobra para explorar todas as maravilhas e esquisitices lá de cima e ainda mais uma boa meia hora para nos divertirmos no Titou Gorge, em tempo de pegar a estrada e voltar ao hotel no horário previsto. Foi quando fiquei mais tranquilo, pois as estimativas de tempo para fazer a trilha, dadas pelo pessoal lá de baixo, variavam de 6 a 8 horas. Como sempre, exageradas...
Tatuagem natural na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Ainda no trecho sob a mata, O Kello foi nos ensinando sobre as plantas e frutas locais, histórias dos Caribs e dos negros trazidos da África, além das condições em que vivem hoje. Entre uma história e outra, um lugar para nos pendurarmos em um cipó, imitando o Tarzan, uma planta que faz uma tatuagem natural, outra que é como um sabonete natural e um rio para nos refrescarmos e usarmos o tal sabonete (que faz até espuma!).
Parada para água na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Um valente caranguejo da montanha na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Aliás, no tal rio, há caranguejos da montanha. É tão engraçado e inusitado ver um caranguejo tão longe do mar! E olha que esses são grandes. E valentes! Mas, mesmo com a valentia, são parte da dieta dos ilhéus, assim como aqueles mesmos sapos gigantes que estão em extinção em Montserrat. Só que o fungo que os está matando por lá também chegou aqui e agora, ninguém mais os come. Há fungos que vem para bem!
Chegando ao alto da trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
O vapor que sai do lago fervente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Depois do rio, uma longa subida, sempre com degraus (a trilha é muito bem cuidada!), até o ponto mais alto da trilha. Dali, uma magnífica vista do parque, o Oceano de um lado, com Roseau aparecendo bem pequenina, e uma estranha nuvem de vapor do outro lado, saindo detrás de uma mata mais densa. Lá está, atrás das árvores, o Boiling Lake, o Kello me garantindo que a água era realmente fervente.
Chegando ao "Desolation Valley", na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Outra coisa que já se podia ver lá de cima era o “Desolation Valley”, no nosso caminho para chegar até o Boiling Lake. Estávamos entrando numa antiga cratera de vulcão, e a natureza ainda é bem ativa por aqui. No tal vale da Desolação, há diversas fontes sulforosas, trazendo toda sorte de minerais das profundezas da terra e pintando a superfície de verde, amarelo, branco, negro, laranja e todos os tons entre essas cores.
Minerais coloridos afloram na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Saltando pequeno riacho de águas ferventes no Vale da Desolação, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Sempre com a ajuda das escadas cavadas na terra, descemos até o Desolation Valley e o cruzamos cuidadosamente. As várias fontes de água fervente formam diversos riachos de água quente, muitos dos quais temos de saltar ou passar sobre pedras. O estranho é que alguns dos riachos são de água fria, vinda das chuvas. Para diferenciá-los dos quentes, a melhor maneira é pela cor da água. Os quentes são meio leitosos ou negros, dependendo do mineral que carregam, enquanto os frios são mais transparentes. Os riachos vão se misturando, fazendo a temperatura da água ficar mais “agradável”. Quando se juntam todos, um pouco mais abaixo, forma cachoeiras e piscinas naturais de água morna, um convite para um bom banho! Deixamos para a volta, depois do Boiling Lake.
Tratamento de pele com lama vulcânica, no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Tratamento de pele com lama vulcânica, no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Na verdade, nessa hora, o banho que tomamos foi de lama vulcânica, excelente para a pele. Foi uma diversão, cobrir nossos rostos e braços com a lama quentinha e, quando ela secou, sentirmos sai ação rejuvenescedora na pele. Tiramos fotos e nos lavamos, sentindo a pele muito mais macia do que antes. A Ana até se animou a pegar mais, fazer um estoque e levar na nossa viagem, para futuras aplicações.
Propaganda internacional do 1000dias, escrito sobre o cálcio dentro do riacho na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe. Em dois dias, a própria natureza vai limpar a "pichação"...
Outra diversão foi ficar escrevendo nas rochas sobre a água do riacho. O cálcio se deposita nessas pedras e basta passar o dedo para “riscar” o cálcio e escrever, Em dois dias, a própria natureza se encarregará de depositar mais cálcio por ali e apagar nossas “pichações”. Mas as fotos das pichações, essas não se apagarão nunca!
O famoso Boiling Lake, a mais "estranha" paisagem no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Finalmente, a caminhada final até o Boiling Lake. Uma subidinha a mais e lá estava ele! Confesso que me surpreendi com o tamanho do lago, um verdadeiro açude. No meio, via-se claramente a água fervendo com violência. Prova indubitável que o vulcão está mais vivo do que nunca! É realmente difícil de descrever a paisagem. As fotos não fazem justiça. Sem dúvida, um dos lugares mais estranhos e surpreendentes dessa viagem de 1000dias.
Uma enorme quantidade de água ferve no Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
O Kello nos contou várias histórias sobre o lago. Como quando um guia caiu por poucos segundos em uma de suas margens e teve de ser resgatado, quase morto. Ou quando, logo após um terremoto, toda a água do lago sumiu, sugada nas entranhas da terra. Depois de algum tempo, o lago encheu novamente, mas com água fria. Alguns turistas austríacos chegaram a nadar no lago!. Depois, de um dia para o outro, começou a ferver novamente.
Tomando banho e relaxando em uma cachoeira de água quente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Ficamos um tempo ali, admirando aquele lugar esdrúxulo. Mas tínhamos de voltar para as outras aventuras do dia. Mas não perdemos a chance de um banho quente no riacho encachoeirado que saía do Desolation Valley. Que coisa mais incrível é ver, no meio da mata, um rio cachoeiras com água na mesma temperatura de uma banheira. Mais maravilhoso ainda é entrar nessas “banheiras” e ainda fazer uma massagem nas cachoeiras, tudo a 38 graus de temperatura.
Tomando banho e relaxando em uma cachoeira de água quente, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Bom, daí para frente foi nos despedirmos daquele incrível e extraterrestre lugar chamado Desolation valley, subir de volta ao ponto mais alto da trilha, descer até o rio lá embaixo e, finalmente, seguir na trilha sob a mata até o início do caminho. Lá chegamos exatamente ao meio-dia. Tínhamos, como previu o Kello ainda de madrugada, meia hora para explorarmos o Titou Gorge. Valeu, Kello, pelo passeio e pela classe!
Nosso excelente guia Kello, depois do banho de lama no Desolation Valley, na trilha do Boiling Lake, no Trois Pitons National Park, em Dominica, no Caribe
Visita à Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Uma coisa que sempre gosto de visitar em outros países são as universidades. Fujo um das hordas de turistas e me aproximo um pouco mais da vida local, das pessoas que realmente vivem por ali. O mesmo raciocínio vale para os mercados. Só que nesses a gente vê mais o povão, enquanto nas primeiras, a tendência é ver aqueles que formaram a elite do país, artística, econômica ou política.
Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, estão algumas das mais famosas universidades do mundo. A gente já tinha ido à Princeton e à Harvard, na costa leste, e aqui escolhemos dar uma passada em Berkeley. A universidade tem a fama de ser um dos centros mais liberais do país. Se a Califórnia já é tradicionalmente democrata, Berkeley seria a ala “xiita” do partido. Foi aqui que o movimento hippie teve mais força, onde protestos anti-guerra mais acontecem, onde a preocupação com um mundo verde é maior.
Uma das muitas bibliotecas da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Só que, com a dificuldade de sair de San Francisco pela manhã e ainda querendo chegar ao Napa Valley no final da tarde, não sobrou muito tempo para vivenciarmos esse ícone da contra-cultura. Além disso, hoje é véspera do feriado de Thanksgiving e o campus não estava muito movimentado. Dos estudantes que ali encontramos, boa parte era chinesa. Será que são os únicos que se dispõe a continuar estudando no feriado?
A lua flutua sobre a torre do relógio, na Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Antes de entrar no campus, caminhamos pelas ruas ao redor, procurando um lugar para almoçar. Conforme imaginávamos, o que não faltava era lugar de comida natureba. Dezenas deles. Hoje, bem vazios, mas imagino que os mais de 30 mil estudantes da universidade formem uma freguesia constante! Depois, um passeio pelo campus cheio de áreas verdes e prédios tradicionais, como o da biblioteca e a torre centenária. Sempre gosto de me imaginar estudando nas universidades que visito, chegando de bicicleta, cumprimentando pessoas, preocupado com alguma prova, ansioso por alguma festa. Não foi diferente por aqui. Enfim, uma tarde rápida e gostosa, pensamentos ao léu. Mas o dever chama e, no nosso caso, o dever se chama “estrada”, Rumo ao próximo destino, ainda mais inspirador: o Napa Valley, a mais famosa região vinícola desse hemisfério.
Caminhando pelo campus da Universidade de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Falando em inspiração, foi o que sentimos quando chegamos de volta à Fiona, estacionada em frente à Universidade. Pela terceira vez nessa viagem, demos de cara com um bilhete escrito e deixado ali, no vidro do carro. São pessoas que, ao se deparar com o carro, ficam interessadas, acessam o site e, inspiradas, nos deixam alguma mensagem. E aí, quem fica ainda mais inspirado somos nós! Muito obrigado a esse mais novo inspirador, diretamente da queridíssima Costa Rica, país para o qual retornaremos em breve!
Bilhete deixado no vidro da Fiona, enquanto passeávamos pelo campus de Berkeley, na Califórnia, nos Estados Unidos
Placa de trânsito em Foz do Iguaçu - PR
Cruzar fornteiras é sempre uma "experiência". Não estou falando daquelas de aeroporto não. Falo daquelas que cruzamos por terra, de carro, à pé ou de balsa. Principalmente para brasileiros, acostumados que são com seu enorme país, onde podemos dirigir por dias e dias e continuar no Brasil. Quando muito, estamos acostumados a viajar para Miami, Nova York ou para algum país da Europa, sempre voando, e passar aquele friozinho na barriga enquanto o cara olha nosso passaporte no aeroporto e, finalmente, nos dá aquele carimbo libertador.
Aproximando-se da fronteira Brasil-Paraguai, em Foz do Iguaçu - PR
Mas, como já disse, falo das fronteiras terrestres. Viajando na Europa, cruzamos por elas o tempo todo. Basta dirigir algumas horas e já estamos em outro país. Lá, então, com as fronteiras abertas, fica ainda mais casual, passar de um país para o outro. É como se fosse uma mera linha imaginária, passar para lá e para cá. Por isso europeus são tão acostumados em viajar por terra entre países.
Cruzando a Ponte da Amizade, com os prédios de Ciudad de Leste (Paraguai) ao fundo
Mas não é o caso aqui. Exceto em raros casos, o máximo que brasileiros fazem é dar uma "olhadinha" do lado de lá, na cidade fronteiriça. Ciudad del Leste é só o exemplo mais conhecido, mas o mesmo se repete por toda a fronteira do Brasil. de Uruguaiana até Bonfim, em Roraima. Ir um pouco mais além, ver o país que se esconde atrás daquela cidade fronteiriça é uma experiência que poucos brasileiros, percentualmete falando, tem. Claro, muitos viajam para a Argentina. mas quase sempre de avião. Para os outros países da América do Sul, então, nem pensar. Só avião mesmo, para La Paz, Lima, Quito, etc...
Chegando na aduana paraguaia em Ciudad de Leste - Paraguai
Enfim, para nós que decidimos seguir de carro por todo o continente, essa será uma experiência que teremos continuamente. Só não digo que vai virar rotina porque cada fronteira, nesse nosso continente tão diverso, tem suas peculiaridades. Por exemplo, nossa entrada na Guiana Francesa foi completamente diferente da entrada hoje no Paraguai. Processos e burocracias completamente diferentes. E assim será nos próximos países, tenho certeza. Conforme formos passando, vou relatando as experiências, boas e ruins. Ruins? Pois é, cidades fronteiriças não costumam ser das mais agradáveis, sempre com gente querendo te vender produtos, serviços e "facilidades". Vamos ter de passar por eles, de um jeito ou de outro. Mas, diz minha experiência, os maus momentos nas fronteiras são logo substituídos pelas ótimas experiências que se esondem nos páises atrás dessas cidades, onde está o povo simples, hospitaleiro e curioso que sempre nos aguarda.
Bela paisagem em estrada paraguaia, entre Santa Rita e Trinidad
By te way, cruzar a fronteira hoje foi bem simples. Do lado brasileiro, não quiseram carimbar nossos passaportes e nem dar documento algum para a saída do veículo. Quando saímos pela Guiana Francesa tínhamos uma "declaração de saída". Dessa vez, nada. Do lado paraguaio, pelo menos tivemos os passaportes carimbados. Mas do veículo, nada. Quando insisti, disseram que aqui no Mercosul o trânsito é livre. Só precisamos da Carta Verde, o seguro que vale para todos os países do bloco. Além disso, basta que o carro esteja em meu nome. E, claro, preciso seguir as regras de trânsito do país. Para o Paraguai, isso significa ter dois triângulos no carro. No caso da Argentina, também é preciso um cambão e uma mortalha (??? - um lençol serve...). Cumprido isso, é seguir em frente. É o que estamos fazendo...
Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país
O mais difícil nessa passagem hoje foi driblar os ambulantes e, principalmente, o pessoal dos estacionamentos que queria que parássemos à todo custo. Foi até divertido. Mas, uns 20 quarteirões à frente, deixávamos para trás essa zona mais "comercial" e começávamos a ver e conhecer o Paraguai de verdade, aquele onde as pessoas tem suas vidas normais, se casam, vão à escola, aos supermercados, etc... E um pouco mais adiante, já na estrada, estava o belo Paraguai rural. Um colírio para os olhos, depois da balbúrdia da região fronteiriça.
Plantações floridas embelezam a estrad paraguaia entre Santa Rita e Trinidad, no sul do país
Chegando ao Peru!
Dia de longa viagem rumo a mais um país, saímos bem cedo. Mas a primeira parada ainda foi em Iquique, encima da encosta que margeia a cidade. De lá, além da magnífica vista da cidade, do litoral e da gigantesca duna, ainda podemos observar as pessoas se atirarem no vazio com um paraquedas nas costas. Paraquedas não, parapente! A cidade é uma meca dos amantes desse esporte, dos profissionais aos que ainda querem apenas aprender. Saímos daqui com uma tristeza danada de, nós também, não termos experimentado essa sensação de voar pelos ares. Infelizmente, a nossa lista do que não fizemos e gostaríamos de ter feito cresce a cada dia e já está ficando maior do que a lista do que fizemos. Como já disse outras vezes, os 1000dias são muito poucos para um continente do tamanho do nosso...
Parapente nos céus de Iquique, no norte do Chile
Enfim, coisas ficam para trás, mas muito nos espera pela frente. A começar pelo longo deserto nessa região entre Chile e Peru. A cor verde é uma raridade e só aparece em pequenos oásis, geralmente no fundo das Cuestas que cruzamos. São assim que chamam os vales que, de tempos em tempos aparecem cortando a monotonia do deserto plano sem fim. Assim é a estrada: dezenas de quilômetros de retas em terrenos planos e aí desce algumas centenas de metros por encostas íngrimes até o fundo dessas "cuestas" para subir de novo do lado de lá e seguir por mais dezenas de quilômetros pelo deserto. No fundo dos vales, terrenos irrigados, plantações e muito verde, um colírio para os olhos.
Paisagem desértica e oásis no norte do Chile, póximo à Arica
Assim seguimos até Arica, na fronteira com o Peru. Outra cidade suscetível a megaterremotos, mas também não foi dessa vez. Alguns quilômetros à frente e enfrentamos a burocracia de saída do Chile e depois a de entrada no Peru. País que eu visitei há longos 21 anos, tempos de estudante, mochila nas costas e quase nenhum dinheiro o bolso. A minha curiosidade para ver como o país tinha mudado era grande!
A cidade de Tacna, no sul do Peru
E a primeira impressão foi ótima! Muito bem tratados pelos oficiais da alfândega, inclusive por uma que já nos deu as primeiras lições sobre a atual situação política do país, primeiros meses de governo do ex-chavista Ollanta Humala. Por enquanto, tudo segue bem num governo que tem de governar junto com a oposição conservadora que também recebeu metade dos votos do país.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
A segunda impressão foi melhor ainda! Tivemos a sorte de observar as flores do deserto, fenômeno bem raro por aqui. Assim, ao invés da monotonia do marrom amarelado, tínhamos vastas planícies floridas, um verdadeiro show da natureza e sinal de boasvindas desse país maravilhoso que é o Peru. Deixamos Tacna, a cidade fronteiriça para trás e seguimos para a gloriosa Arequipa, bem à frente. Aí chegamos já de noite e, após um certo trabalho em achar acomodação, nos instalamos no excelente Torres de Ugarte, do lado do Convento de Santa Catalina e a duas quadras da mais bonita Plaza de Armas do país. Só não conseguimos ver o vulcão El Mistí, o gigantesco guardião da cidade. Mas logo será amanhã, e a luz do dia vai nos mostrar as belezas dessa região.
A linda imagem do deserto florido, entre Tacna e Arequipa, no Peru
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