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Ana Biselli (24/04)
Como assim JUUUUU!?!? Onde vc colou sua doida!?! hahaha! Qdo passarmos l...
Juliana Neitzke (23/04)
Surreal as imagens e lugares. DEMAIS!!! Estou super empolgada com toda TR...
mario sergio silveira (21/04)
mario sergio silveira (21/04)
Querida filha, que sonho esta imensidão azul, deve ser como se estivesse...
Leo, namorado da Karen (rs) (20/04)
Falando em filmes, na foto do naufrágio, ninguém achou "The Heart of th...
Paisagem rural entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
A nossa despedida de Montreal foi um tour de carro pelo Olympic Park, que recebeu as Olimpíadas de verão de 1976. O estádio olímpico tem a maior torre inclinada do mundo e um elevador que te leva ao mirante com vista panorâmica da cidade. Ao lado fica o Biodôme, velódromo das olimpíadas que foi transformado em um jardim botânico com 3 tipos diferentes de habitat.
A maior estrutura inclinada do mundo, no Estádio Olímpico em Montreal, no Canadá
Estádio OlÍmpico, transformado em gigantesca estufa, em Montreal, no Canadá
Não poderíamos sair de Montreal sem ter a bela vista de Vieux Montreal desde a Île Ste Hélène. Nesta ilha do Rio St Lawrence fica o moderno Museu da Biosfera, famoso globo metálico que encontramos em várias imagens da cidade. Em um dos seus parques estava começando um grande festival de música com as principais bandas canadenses. Eu dava meu mindinho para ficar por lá e passar o dia no festival, mas nem que quisesse e o Rodrigo “deixasse” poderíamos ficar, os ingressos de mais de 100 dólares já estavam esgotados.
Skyline de Montreal, no Canadá
A enorme esfera da Exposição de 67, em Montreal, no Canadá
Saímos de Montreal em direção à Quebec City, mas na rota mais bonita, que não necessariamente é a mais curta. Seguindo pela Route 10 fomos em direção às Eastern Townships ou Cantons-des-l´Est, como chamam os francófonos. Próximas à divisa com os Estados Unidos, as pequenas cidades desta região são quase uma extensão da Nova Inglaterra, com seus lagos, mapple trees, pequenas fazendas e paisagens bucólicas.
Paisagem rural entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Muitos lagos entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Passamos primeiro pelo Lac Brome, região onde os abonados de Montreal passam os finais de semana ao redor de seus campos de golfe ou em suas lanchas no lago. A nossa parada foi na pequena e simpática cidade de North Hatley, eleita a mais charmosa das vilas do leste. Os cafés e restaurantes às margens do lago Massawippi dão um clima irresistivelmente descompassado e preguiçoso. Quase ficamos por lá, mas o dever nos chamou e voltamos à estrada para mais duas horas de viagem, rumo à Ville de Quebéc.
A bela e tranquila North Hatley, na orla de um dos lagos ao sul do São Lourenço, entre Montreal e Quebeq, no Canadá
Plantações floridas entre Montreal e Quebeq, ao sul do Rio São Lourenço, no Canadá
Sexta-feira e, como de praxe, estamos chegando a um dos principais destinos turísticos do Canadá sem pousada reservada. Selecionei algumas no nosso querido Lonely Planet, no centro antigo, para podermos fazer tudo a pé. Não havia vaga nem na primeira, nem na segunda e nem nas outras três seguintes, estavam todas lotadas. Mas a comunidade chinesa é muito unida e eis que em uma das nossas novas amigas chinas nos indicou à sua outra amiga (china, é claro!), ligou e já deixou reservada. Manoir du Rempart Inn, próxima ao Quartier Latin, ali mesmo no centro antigo. Simples mas honesta, bem localizada e até com um esquema de estacionamento para a Fionitcha.
Entrando na cidade murada de Quebeq, no Canadá
Instalados, aproveitamos a noite para conhecer um pouco da cidade alta. Caminhando pela Rua St. Louis um dos únicos bares abertos tocava um som familiar... era bossa nova ao vivo, de brazucas para brazucas! Segui cantarolando as notas de Vinícius de Morais, caminhando para o lado de fora dos muros da cidade antiga, até chegarmos ao agito dos bares e nightclubs da Grande Allée Est. A la Avenida Batel ou um Itaim, este é o point aonde os jovens quebecoises vão para verem e serem vistos.
Agitação noturna na cidade de Quebeq, no Canadá
Àquela hora todas as cozinhas já estavam fechadas, só encontramos um fast food árabe 24h/7dias por semana. Os bares não faziam muito nosso estilo, mas encontramos um boteco underground (literalmente), com música quebecoise ao vivo da melhor qualidade! Galera animada cantando os clássicos do rock nacional canadense, perfeito! Jovens felizes, gente como a gente, só que com biquinho francês. As boas vindas à cidade de Quebéc não poderiam ter sido melhores.
Balada em Quebec, no Canadá
A visão do pier acima d'água visto de 20 metros de profundidade, no South Pier, no sul de Bonaire
Bonaire, o paraíso do mergulho, possui 86 pontos de mergulho, 53 destes partindo da costa. O principal diferencial é a facilidade e a liberdade que nós mergulhadores temos. Como a maioria dos mergulhos é feito a partir da costa (shore dive), o que precisamos é apenas alugar um carro, equipamentos e água! Nenhum mergulho precisa ser guiado e como mergulhadores credenciados, basta pegar o mapa da ilha, fazer o seu roteiro e cair na água!
Placa sinalizadora de ponto de mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
Cada ponto de mergulho tem seu nome marcado com uma pedra amarela na estrada. Todas as locadoras de automóvel já possuem carros especiais para mergulho, como SUVs e pick ups e as operadoras de mergulho já possuem um esquema fácil de recarga de tanques, com variados planos com preços diários para refil de um ou mais tanques. Nós alugamos os tanques na Caribe Inn, que já era vizinho do apartamento que alugamos na Blachi Koko. Como já estávamos com todo o equipamento, só precisamos do tanque e cinto de lastro, pagando 19 dólares o primeiro tanque do dia e 6 dólares cada refil. Há ainda aqueles que fazem por pouco mais de 30 dólares o tanque com recargas free. É preciso também pagar uma taxa ambiental obrigatória de 25 dólares, já que toda a costa da ilha é um parque nacional marinho. Assim que você paga a taxa, em qualquer operadora, receberá um tag que deve estar contigo em todos os mergulhos, de preferência preso ao seu BCD.
Praparando-se para mergulhar em Invisible, no sul de Bonaire
Selecionar os pontos de mergulho não é uma tarefa fácil, pois são muitos, todos maravilhosos e com muitas semelhanças. A maioria tem uma profundidade máxima de 30m, visibilidade de 20 ou 30 m dependendo das correntes e do clima.
Mergulhando no Hilma Hooker, que naufragou em 1985 no sul de Bonaire
Para ajudar nessa pesquisa, também coloco aqui o link de um bom site brasileiro com histórico da ilha, mapa dos pontos e boas dicas de mergulho em Bonaire. Nós conversamos com o pessoal da Caribe Inn e com os donos da nossa pousada, também mergulhadores e acabamos fazendo a seguinte seleção:
1° DIA – EIGHTEENTH PALM – 25/10
O primeiro mergulho em Bonaire, quase no centro de Kralendijk
Foi o nosso primeiro mergulho, então resolvemos fazer exatamente em frente ao Carib Inn, meia quadra do nosso hotel, uns 50 passos do nosso quarto. O mar do caribe é um aquário maravilhoso! 20 ou 30 metros de visibilidade, milhares de christmas trees, mas também vimos muitas partes de um barco que naufragou há pouco tempo por ali, uma lixarada... mapas, pneus, etc.
Uma carta náutica de um naufrágio em Kralendijk, em Bonaire
Tínhamos esperança de encontrar golfinhos por ali, pois nos disseram que um dia antes o pessoal teve a sorte de fazer snorkel e nadar com eles exatamente neste ponto, mas parece que hoje resolveram se mudar.
Um enorme pneu em mergulho em Kralendijk, em Bonaire
2° DIA – WILLEMSTOREN LIGHTHOUSE E SALT PIER – 26/10
Muitas Christmas´trees em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
A água em Bonaire é tão quente (30, 31°C) que decidimos não usar neoprene a partir de hoje. O nosso primeiro mergulho deste dia foi no Willemstoren Lighthouse, no sul da ilha. Lá a barreira de corais muda bastante, muitos corais moles parecendo uma floresta, milhares de cardumes e tivemos a sorte até de ver uma moréia pintada! Soubemos que há uns dois anos as moréias quase se extinguiram aqui em Bonaire devido a uma enfermidade que atacou principalmente as moréias verdes.
Drum-fish em mergulho em South Pier, no sul de Bonaire
O segundo mergulho à tarde foi no Salt Pier, um cenário totalmente diferente formado por uma construção que mais parece uma nave extraterrestre de filmes hollywoodianos. Entretanto a natureza é tão perfeita que se adéqua a toda essa parafernália metálica e forma um espetáculo ainda mais bonito.
Tarpoon em mergulho no South Pier, no sul de Bonaire
Esponjas e corais incrustados nos pilares, milhares de cardumes de diferentes espécies e tarpons imensos formavam o cenário. Até um spotted drum fish nós encontramos, lindo! O final da tarde é um horário ainda mais bonito para este mergulho, pois a incidência da luz entre as colunas faz um show ainda mais bonito.
Passando por entre os pilares submersos de South Pier, no sul de Bonaire
3° DIA – KARPATA E INVISIBLES – 27/10
No terceiro dia decidimos ir ao norte da ilha, escolhemos o ponto chamado Karpata. Estava cheio quando chegamos, o que só nos deu ainda mais curiosidade e vontade de mergulhar lá. Este foi o dia em que eu mais sofri para compensar a pressão nos meus canais sinusais. Com a mudança de clima a minha rinite atacou e eu fiquei toda entupida. Então o Rodrigo resolveu dar um pulinho lá nos 50m enquanto eu o acompanhava dos 10m.
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
Foi um bom teste para a visibilidade vertical do ponto, que não correspondeu às expectativas e por alguns minutos perdi o Rodrigo de vista. Ele voltou todo feliz com o computador marcando 50m de profundidade, nem tão feliz assim quando levou uns cascudos na cabeça! Adora quebrar regras... Do meio para o final do mergulho eu já estava conseguindo compensar melhor e consegui chegar aos 30m de profundidade e ter uma noção melhor da geografia do lugar, com canaletas de areia entre as paredes de corais bem verticais, muito bonito!
Mergulhando em Karpata, no norte de Bonaire
A tarde fomos para o Invisibles, ponto mais ao sul da ilha. Lá foi o local aonde mais vimos os lindos e malditos lions fishes, foram uns 8 ao total! Eles viraram uma praga aqui no Caribe, pois são um peixe intruso vindo do pacífico, venenoso e não possui predador. O nome do ponto é curioso, por que será que se chama Invisíveis? Até onde eu pude perceber pode ter duas explicações: ou é devido a uma segunda barreira de corais que está lá nos 35m de profundidade (onde mora a família inteira dos lions fishes) e se você não sabe dificilmente irá encontrá-la. Ou é pelo imenso jardim de enguias que tem na rampa de areia entre os dois conjuntos de corais. As enguias estão sempre se escondendo, quase invisíveis, mas impossível não notá-las, já que são centenas e centenas, nos olhando de longe curiosas e medrosas quando passamos. É um mergulho lindo!
Muitos Lion Fish em mergulho em Invisible, no sul de Bonaire
4° DIA – HILMA HOOKER – 28/10
Explorando o naufrágio Hilma Hooker, no sul de Bonaire
No quarto dia resolvemos fazer apenas um mergulho, pois pela manhã fomos conhecer o Parque Nacional no norte da ilha. Fechamos nossa passagem por Bonaire com chave-de-ouro, visitando o imponente naufrágio Hilma Hooker. Este navio naufragou em 1984 e levava uma carga de 7 toneladas de maconha. Sua tripulação obviamente fugiu ao ter a carga descoberta. O navio está inteiro e deitado aos 30m de profundidade logo ao lado da parede de corais.
Examinando a âncora do Hilma Hooker, no sul de Bonaire
Estes 27 anos não foram suficientes para esponjas e corais tomarem conta do seu casco, daria até para acreditar se alguém falasse que naufragou há menos tempo. No tour pelo naufrágio podemos ver o seu compartimento de cargas imenso que está aberto, mastro, escadas e até a privada do banheiro pela janela traseira. Ao lado dele me deparei com uma barracuda gigante, devia ter 1,60m pelo menos.
Uma grande barracuda nos acompanha durante mergulho no Hilma Hooker, no sul de Bonaire
É fácil se perder no tempo neste mergulho, um naufrágio tão lindo, visibilidade e temperatura perfeitas, quando vemos já estamos quase entrando em deco. Fomos embora arrastados pela responsabilidade, pois se pudéssemos criávamos guelras e ficávamos por ali, como fizeram uns velhinhos americanos que vimos entrar, ir mais fundo e não vimos voltar. Criaram guelras, é a única explicação! Rsrs! Fechamos nossa parada de segurança nos corais mais rasos nos divertindo com o caranguejo aranha e seu amigo camarão transparente e azul.
Sessão de ioga subaquática em Invisible, no sul de Bonaire
Ao total foram apenas 6 mergulhos em 4 dias. Se dependesse apenas de mim teriam sido 16! Quatro mergulhos por dia incluindo noturnos, que são tranquilos já que o local quase não tem correnteza, é só cair na água. Rodrigo, porém estava em outro ritmo, queria ficar mais tranquilo, aproveitar a nossa estrutura para brincar de casinha. Todos os dias preparávamos um café da manhã gostoso e saudável com iogurte, granola e frutas. Um almoço e jantar de salada verde e peito de frango, comida saudável difícil de achar durante a viagem. Aproveitamos para descansar, trabalhar e assim também poupei as minhas vias aéreas que sofriam com a pressão, por causa da rinite. Nem preciso dizer que já quero voltar, ainda temos mais de 70 pontos para explorar neste pedaço de paraíso na terra.
Pôr-do-sol visto debaixo d'água! (em Invisible, no sul de Bonaire)
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Tivemos sorte de chegar em um dia importante no calendário deste povo, que comemorava o final de um ciclo e início de um novo ano. Na praça central de Humahuaca encontramos vários grupos fazendo oferendas à Pachamama. O Rodrigo curioso foi ver e me falou, aquele pessoal ali está fazendo alguma coisa parecida com macumba. Eu que adoooro tudo isso foi logo ver o que estava acontecendo.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Pachamama, na crença andina, é a mãe terra. A divindade responsável por tudo que existe na vida. Ela é muito protetora e fiel mas também cobra de vingativa quando se sente desrespeitada. Acredita-se que Pachamama tem uma presença sobrenatural nesta região e todos os anos no início do mês de agosto é feita uma cerimônia onde as pessoas oferecem seu respeito, amor, dignidade e agradecimento à mãe terra, pedindo por proteção, saúde e tempos melhores para o seu povo e sua família.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
A cerimônia é preparada com antecedência e faz oferendas diretamente à mãe terra. Na praça principal de Humahuaca foi cavado um buraco na terra, onde a divindade recebe diretamente as oferendas. Todos podem participar, fazendo uma fila e sempre em duplas. Dentre as oferendas estão cigarros de tabaco, um chá com diversas ervas, folhas de coca, planta sagrada dos povos ancestrais andinos, álcool, elemento da saúde. O papel picado, a cerveja, vinho são oferecidos como símbolo da alegria.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Sempre me senti atraída por estes conhecimentos e crenças da cultura andina. Os xamãs possuem uma visão mais ampla do mundo e da natureza. Uma visão de integração entre nós, seres humanos, e a mãe terra. Lembro quando tinha 14 anos, participei de um congresso holístico e vi uma palestra de um xamã onde ele explicava em linhas gerais, fazendo um paralelo entre o nosso corpo e a terra. O solo é como os nossos músculos, nos dá a base e a força, os rios são como as nossas veias, limpam e purificam, as árvores os nossos pulmões... Assim, quando poluímos os rios, a terra fica doente, nosso sangue está doente... Está tudo interligado.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
Não tive dúvida, entrei na fila para participar da cerimônia. Minha dupla foi um argentino, artista muito espiritualizado que também estuda o xamanismo. Nós nos ajoelhamos em frente ao poço das oferendas, pedimos permissão à Pachamama, jogando folhas de coca, para lhe entregarmos nossas oferendas. Enquanto vamos derramando os diferentes tipos de bebida, vinho, cerveja, álcool, etc, pedimos perdão, fazemos nossas preces e pedidos e agradecemos à proteção da mãe terra. Durante toda a cerimônia é feita uma defumação com uma planta, que alguns dizem ser alucinógena. Ao final brindamos e bebemos algumas bebidas licorosas que eles nos dão em copinhos e recebemos os confetes da alegria na nossa cabeça.
Cerimônia e homenagem à Pachamama, em Humahuaca - Argentina
É uma cerimônia forte e muito simbólica. Saí dali com uma ótima sensação de bem estar, não só pelo incenso e pelas bebidas, mas sem dúvida por toda a energia positiva da natureza canalizada naquele ato. Começamos um novo ano reenergizados para os próximos 550 dias de estrada, de paz com a vida e em sintonia com a mãe terra, Pachamama.
Mais informações sobre a cerimônia podem ser encontradas neste link: http://www.tilcarajujuy.com.ar/general/calendario/pachamama/pachamama1.htm
Algumas rotinas são necessárias nesta viagem, sejam elas para conseguirmos realizar todas as atividades do dia, ou para mudarmos um pouco a toada desta vida “sem rotina” que escolhemos. Em alguns lugares algumas rotinas já viraram tradição. Aqui em Ubatuba, na Praia Vermelha ou Praia dos Arquitetos, como também é conhecida, todos os anos temos atividades rotineiras estabelecidas com a família.
Vista da Praia do Lázaro em Ubatuba - SP
Acordar, tomar um belo café da manhã, depois de ler o jornal do dia na tranqüila varanda com vista para o mar e o verde da mata. Depois saímos andar na Praia Dura, andamos até o rio, que desta vez estava límpido e transparente! Batemos as mãos na ponte, como sinal que chegamos até o fim da praia e retornamos até as pedras, do outro lado da praia. Lá batemos o pé nas pedras, sinalizando também o fechamento desta etapa. Bater o pé na pedra ao final da praia é uma tradição que passa de vô para pai, neto e bisneto na família do Ro. O Vovô Haroldo tinha esta mania e todos a seguem, em homenagem a ele.
Caminhada na Praia Dura em Ubatuba - SP
Depois da caminhada na Praia Dura os grupos se dividem, eu e o Ro quase sempre colocamos nossos maiôs, toucas e óculos de natação e nadamos da Praia Dura até a Praia Vermelha. Outro grupo volta de carro com as crianças e o Seu Gustavo e a Dona Nilza eventualmente vão até a quitanda e o supermercado comprar algo necessário para o almoço. Desta vez eu e o Ro não tínhamos como voltar nadando, pois além de eu ter esquecido os óculos de natação, tivemos que assumir o papel dos meus sogros e passamos na quitanda comprar os itens faltantes para a Edna preparar a nossa refeição.
Adaptamos a rotina e, depois de passar em casa, damos um pulinho na Praia Vermelha para um banho de mar e algumas braçadas até a raia. Sentimos falta da plataforma, que só é colocada lá nas temporadas, mas a falta não é da plataforma, mas sim dos sobrinhos todos brincando em cima dela. Derrubando todos que ameacem subir e competindo para ver quem consegue chegar mais longe dela nadando embaixo d´água sem respirar!
Continuando, chegamos em casa tomamos a tradicional caipirinha da Edna para abrir o apetite. Tomamos a caipirinha, assuntando na varanda com a mesma bela vista e almoçamos a apetitosa comidinha caseira que ela preparou para nós.
Com a Edna na casa do Sérgio em Ubatuba - SP
À tarde jogo da Copa do Mundo, Portugal x Espanha, um clássico ibérico, como diziam os repórteres. Só poderia ser este o clássico, já que a península é formada apenas pelos dois países. Adeus Cristiano Ronaldo! Se tem uma coisa da qual eu não tenho pena é dos portugueses! Os espanhóis não escapam dessa também, ali estava difícil escolher por quem torcer.
Trabalho, Jornal Nacional, novelinha e logo eu me rendo à Morpheu. Dizem que quem anda muito cansada, preguiçosa tem vermes. Nestas andanças só tomando água de córregos e montanhas eu não duvido não! Devo estar com vermes! Ou será que esta “preguiça” é psicológica? É, deve ser a convivência com o Ro que está me deixando assim, com esta preguiça saudosa e nostálgica.
Caminhada na Praia Dura em Ubatuba - SP
NOTA: Hoje é o aniversário da minha irmã do meio mais amada! Não consegui encontrá-la no skype Ju, cadê você? Parabéns!!! Que todos os seus sonhos se tornem realidade sempre! Felicidades sempre, com muita saúde e muito amor!
O pier da Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
Entre a agitada cidade de Rio Dulce e a efervescente cidade garifuna de Livingston existe um mundo paralelo, um mundo de transição, dos que passaram e decidiram ficar às margens do Lago Izabal, do seu irmão caçula, o Golfete, e do rio que vai de encontro com o mar.
Cabana em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
Um mundo rodeado por água e floresta tropical, repleto de caminhos, rios e afluentes que te levam a outros rios ainda menores e eventualmente uma cachoeira, um santuário de peixes-boi, cavernas ou águas termais. A cada milha ou duas começa uma nova vila, um conjunto de sítios ribeirinhos e ao longe algumas mansões com grandes garagens para suas lanchas potentes e grandes veleiros. Algumas das famílias guatemaltecas mais influentes possuem seu recanto de férias às margens do Izabal e do Rio Dulce, não à toa aqui nenhuma organização criminosa tem espaço.
Uma casa em um pequeno tributário do rio Dulce, no nosso camiho para Livingstone, na Guatemala
O meio de transporte mais comum são os caiucos, pequenos barcos de madeira movidos por um único remo também de madeira. Os caiucos têm vários tamanhos e podem carregar 5, 10, 15 ou apenas uma pessoa. As crianças mal aprenderam a andar e já aprendem a remar o seu próprio caiuquinho. Ir e vir nas águas do rio é essencial para sobrevivência, troca de bens, suprimentos, trabalho, pescarias e inclusive para a sua liberdade, pois nada mais os conecta a nada, apenas as águas.
Olha o trânsito na frente da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, no litoral da Guatemala
Vivenciar este lugar é uma experiência totalmente diferente de Livingston ou de Rio Dulce. Entre o Golfete e o canion é onde se concentram a maior parte dos hotéis interessantes para viajantes que querem relaxar às margens do rio e conhecer como vive esta gente. Gaston havia nos indicado a pousada de seus amigos Dani, holandesa, e Chris e nós já havíamos nos programado para passar uma noite lá no caminho de volta, mas uma noite não foi suficiente.
Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala
Chris foi nos buscar em Livingston e esta carona de barco já pareceu diferente da de vinda, talvez pela rica experiência que acabávamos de ter com os amigos garifunas, talvez pela nova energia que estava por vir. Quando desembarcamos na Round House eu já sabia que nao iria querer ficar ali apenas uma noite. A paz deste ambiente tão silencioso, anfitriões tão interessantes somaram-se a boas conversas regadas a cervejas geladas intercaladas com banhos de rios e pores do sol dourados, vendo os caiucos passarem tranquilos em frente a palapa à margem do rio.
Maravilhoso entardecer sobre o rio Dulce, em frente à Round House, na região de Livingston, no litoral da Guatemala
Com o Chris e seu sócio, donos da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Com a Dani, uma das donas da Round House, perto de Livingston, no litoral da Guatemala
Um dia resolvemos vencer a preguiça, pegamos o caiaque da pousada e saímos remando. Serena, nossa nova amiga viajante italiana nos acompanhou. Fomos até o próximo afluente, antes das águas calientes e dobramos à esquerda.
Andando de caiaque em afluente do rio Dulce, perto do nosso hotel Round House, na reguão de Livingston, na Guatemala
Subimos o rio, remando sob o sol. Buscando cada sombra, acenando a cada caiuco, perguntando da pescaria a cada tiozinho e soltando holas! A todas as crianças curiosas. Logo chegamos ao Hotelito Perdido, outra opção bem indicada por outros viajantes para uns dias no rio. Encontramos Antonie, outro viajante francês que havíamos conhecido na pizzaria da nossa pousada. Tipo interessante, viajado e bem tranquilo.
Reencontrando o Antoine, no pier fo Hotelito Perdido, em um tributário do Rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
A Serena, nossa companheira de caiaque em afluente do rio Dulce, perto de Livingston, na Guatemala
Continuamos cantando musicas brasileiras e italianas com Serena, passamos por pastos e finalmente o rio pareceu esfriar, sinal de que estávamos mais próximos do fim. Dali Serena voltou, nós estacionamos o nosso caiaque duplo e seguimos a pé, em busca da cascata perdida. Uma pequena cachoeira com um delicioso poço de águas doces e refrescantes em meio à jungla guatemalteca!
A paradisíaca cachoeira perto da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Refrescando-se em uma bela cachoeira, depois de muito caiaque e uma trilha para lá chegar (perto de Livingston, na Guatemala)
As noites eram divertidas, difícil dormir com tanto assunto e boas cervejas vindas direto na nano-cervejaria do Chris, britânico que produz boas pale ales e stouts em uma salinha da sua casa redonda.
Noite regada à tequila, com o Chris, um dos donos da nossa pousada no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Olha só o tamanhozinho da garrafa de tequila, no bar da Round House, nosso hotel no rio Dulce, região de Livingston, na Guatemala
Foram dois dias desconectados do mundo, isolados por mata e água em um dos lugares mais especiais que visitamos na América Central.
Magnífica lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
Enfim, chegamos à São Pedro do Atacama! Fizemos a nossa aduana onde encontramos um brasileiro radicado no Chile à 30 anos, trabalhando na vigilância sanitária aduaneira e mais um casal de paulistas que pegaram o carro e bateram para cá. 20 dias de férias, até aqui já foram sete. Sempre bacana encontrar pessoas com esse pique e espírito viajante!
Paisagem desértica do Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
Tão logo chegamos descobrimos que a cidade está se preparando para um feriado prolongado. Segunda-feira é dia da Virgem de Assunção, feriado no Chile, Perú e Bolívia... talvez até no Paraguai. As pousadas estavam todas com suas reservas “full” (leia com sotaque espanhol), uma das palavras inglesas que eles adotaram com gosto por aqui, “estamos full!”. Conseguimos nos hospedar hoje na La Ruca, pousadinha bacana com uma boa área social e internet, e a Léo (gerente) nos ajudou a encontrar um hostal mais simples para ficarmos sábado e domingo, dias mais lotados. Solucionado o problema, saímos para explorar.
Enorme duna no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
O Vale da Lua é a mais conhecida atração, há apenas 15 minutos de carro da cidade. Um pequeno museu conta a história geológica da região e aponta as principais atrações do parque. Formações rochosas como as Três Marias, paredões areníticos e suas imensas dunas, cavernas e cânions. Ao final do dia todos fazem uma espécie de peregrinação ao topo da duna para assistir ao pôr-do-sol. É curioso como este fenômeno acontece, independente de onde esteja, o ser humano repete rituais de contemplação à mãe natureza.
Assistindo o pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile. A lua cheia, atrás, é testemunha!
Enquanto o sol se punha de um lado, a lua cheia nascia do outro, um espetáculo duplo e inesperado. Aproveitamos o holofote natural para continuarmos a explorar o Vale da Lua, agora com menos turistas e mais privacidade. Entramos em uma gruta, que aos poucos ia se estreitando até virar uma pequena caverna. Sem lanterna, sem lua, sem nada, fomos tateando para encontrar o nosso o caminho. Cruzamos com dois chilenos que nos deram a direção e seguimos apenas com a luz do celular. Quando saímos apenas a lua e as estrelas reinavam no céu, estava tudo tão claro que decidimos continuar.
Pôr-do-sol no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
Entramos no cânion, estreito e convidativo. Caminhamos na areia entre paredes de 20m de altura, ouvindo o estalar das pedras que começavam a se contrair pela diferença de temperatura que a noite trazia. Entramos cada vez mais, imaginando quantas gerações não passaram por ali, repetindo esse ritual, até chegar ao final em uma imensa duna! Nós dois acompanhados apenas pela lua cheia, estrelas e o contorno das montanhas.
A lua cheia ilumina o canyon no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
O Rodrigo que já estava totalmente de bode por ter que compartilhar o Atacama com milhares de turistas, finalmente relaxou. Encontramos o nosso canto e um momento em que o Atacama nos recebeu de forma especial.
Noite de lua cheia no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
A noite, no restaurante, encontramos uma pessoa que, sem nem imaginar, ajudou a formar em nós esse espírito curioso e viajante. Uma conhecida repórter brasileira que participou de nossas vidas por muitos anos e hoje estava ali, na mesa ao lado. Engraçado, ao vivo e a cores a admiração fica ainda mais clara! Quem sabe o Atacama nos reserva mais uma grande surpresa?
Início da noite no Valle de la Luna, em San Pedro de Atacama - Chile
Visitando o Projeto Peixe-Boi, na ilha de Itamaracá - PE
O Projeto Peixe-boi no ICM Bio luta para preservá-lo e retirá-lo da lista de animais em extinção. São 3 espécies de Peixe-Boi encontradas no mundo, o marinho, o amazônico e o africano. Eles variam de 2 a 5m de comprimento e podem pesar até 700kg! Mesmo tão grandes e gordos, são animais herbívoros, se alimentam de frutos e plantas ás margens dos manguezais, comendo até o equivalente a 10% do seu peso por dia. Gostam de águas quentes e por isso são encontrados na costa brasileira entre os estados de Sergipe e Amapá, já tendo desaparecido do litoral do Espírito Santo e Bahia.
Peixe_Boi submerso em seu tanque, na ilha de Itamaracá - PE
O peixe-boi não possui predadores e por isso é um ser completamente pacífico, se aproxima das embarcações e costas sem medo algum. Assim o animal mais perverso deste planeta, o ser humano, utiliza como método de caça a asfixia do animal. São colocados tampões nas imensas narinas do peixe-boi e ele acaba morrendo com falta de ar. Desta forma são melhor aproveitados o couro para bolsas e outros utensílios e sua carne, que faz parte do cardápio de caiçaras e famílias ribeirinhas da Amazônia.
Ossada de baleia no Projeto Peixe-Boi, na ilha de Itamaracá - PE
O projeto vem obtendo sucesso, já reintroduziu ao meio ambiente diversos filhotes capturados acidentalmente em redes de pesca. Há também um trabalho de conscientização ambiental realizado com pescadores e populações que ainda possuem a cultura do abate e consumo do Peixe-Boi.
As muralhas da enorme Fortaleza de Orange, na ilha de Itamaracá - PE
Conhecer o projeto já é bacana, ainda mais com o tempo nublado e meio chuvoso que amanheceu hoje. Fomos caminhando até o Projeto Peixe-Boi e de lá seguimos para o Forte Orange, grande fortaleza do exército que está fechada há 3 meses para escavações e restaurações. Infelizmente a impressão que fiquei da Ilha de Itamaracá não foi das melhores, muito lixo e sujeira nas ruas, falta de organização. Para não irmos embora com essa má impressão resolvemos explorar um pouco mais a ilha e dar um pulinho nas praias do norte. Fomos até o pontal, mar verdinho e céu bem azul, parece ser melhor opção que o sul da ilha.
Passeando nas praias de Itamaracá - PE durante a maré baixa
Seguimos viagem para o litoral sul paraibano. O exército trabalha na duplicação da BR101 e quando entramos para a estrada de Conde sentimos que estamos mais perto de casa. Um cenário muito parecido com o interior de SP e do PR, dentre plantações de cana de açúcar, eucalipto e até bambu! Essa foi nova, nunca tinha visto, acabei descobrindo que o bambu é utilizado para a fabricação de papelão.
Praia na ilha de Itamaracá - PE
Conde é uma cidade sem praias, mas incluem-se nos limites do seu município as praias de Jacumã, Tabatinga, Coqueiro e Tambaba, famosa por ser uma praia naturista defendida por lei. Fomos direto ao mirante da Praia de Tambaba, uma vista belíssima das praias e falésias.
Mirante da praia de Tambaba, em Jacumã, distrito de Conde - PB
Almoçamos no Restaurante Arca do Bilú, personagem da região, mas infelizmente não o encontramos, provavelmente estava surfando. Logo nos instalamos na Pousada dos Mundos em Tabatinga, à margem de um rio é próxima ao mar. Já com o sol se pondo tomamos um belo banho triplo, mar, rio e piscina! Vida boa sim, mas muito trabalho também! Aproveitamos a noite para colocar fotos, blogs e posts da Gazeta do Povo em dia. Amanhã teremos um dia cheio, Tambaba (?!), Coqueiro e caiaque no fim de tarde.
Céu azul em Caraíva - BA
Um dia em Caraíva é uma das histórias que podemos equiparar com um dia em um paraíso. Primeiro você deve escolher: rio ou mar? Ambos estão ali, ao seu alcance e deliciosos te esperando.
Frente da pousada em Caraíva - BA
Acordamos e logo temos um belo café da manhã servido na varanda à beira mar da pousada. Iogurte, granola, mel, pão integral, suco de cacau, bolo de cenoura e banana terra grelhadinha, sem gordura, que saúde!
Café da manhã na Pousada da Praia, em Caraíva - BA
Estávamos meio indecisos, rio ou mar, então escolhemos os dois! Caminhamos pela praia para a barra do rio Caraíva, com a maré ainda baixa. A paisagem é completamente diferente da que vimos ontem. Na lua cheia a maré vai para os seus extremos, extremamente alta ou extremamente baixa. Agora pela manhã, ainda na baixa, as águas do mar deram espaço às águas ferruginosas do rio, que por sua vez formaram uma paisagem maravilhosa entre bancos de areia e ilhas de corais. O verde do mar se mostra apenas ao longe, onde o rio já não as alcança.
O rio em Caraíva - BA
Caminhamos e exploramos cada ilha, inclusive tentando fazer a menor delas resistir à subida da maré, lembrando dos tempos de criança. Infelizmente o nosso castelo e suas muralhas não resistiram à fúria das ondas e acabaram se rendendo.
O momento do ataque final! (em Caraíva - BA)
Nas barraquinhas às margens da barra encontramos as nossas amigas cariocas e ali passamos o dia vendo a paisagem se transformar. Aos poucos as águas verdes do mar tomam conta e vão vencendo a correnteza do rio. O rio antes vermelho já parece verde, antes calmo, já é corredeira. Nossa atividade, além de tomar uma cervejinha gelada em longas conversas com as meninas, é fazer uma hidroginástica brigando com as águas do mar que vão rio adentro.
As novas amigas cariocas, Ana, Gracie e Lu, em Caraíva - BA
Observar a terra em movimento é uma atividade corriqueira neste pedacinho do paraíso. As ilhas já foram completamente inundadas e o cenário já é outro, o sol começa a se despedir e o então começa o ritual de ver o sol se pôr, às margens do rio lá atrás do manguezal. A mula atravessa o rio verde a nado enquanto nós vamos comer um pastel de queijo ou camarão no Bar do Pará.
Meio de transporte em Caraíva - BA
Depois de um reconfortante banho, encontramos novamente nossas amigas para assistir de camarote o nascer da lua no mar. A lua amarela torna prata os verdes mares e cheia de si vence quaisquer nuvens para iluminar toda a vila de Caraíva. Rodamos a ilha e vamos para a beira da lagoa, provar mais um pouco da culinária local.
Fim de tarde em Caraíva - BA
Um dia em Caraíva. Um dia para respirar, sentir e viver cada segundo intenso na relação com a natureza. Um lugar especial, que a comunidade luta para conservá-la com as mesmas características. Espero poder encontrá-la assim ainda por muito tempo.
Autofoto em Caraíva - BA
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
Começamos a nossa jornada de volta ao litoral. Confesso que desta vez, deixo o sertão com uma vontade de não ir... uma saudade de ficar... Mas temos que continuar a viagem, continuar explorando e conhecendo as Américas.
Visitando a famosa pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Ainda antes de chegarmos novamente na costa, passamos pela região Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba, centro de tecnologia da computação e eletrônica. Os melhores cursos e indústrias eletro-eletrônicas do nordeste estão sediadas aqui. Há apenas alguns quilômetros encontramos o pequeno município de Ingá, onde foram descobertas as mais importantes inscrições pré-históricas em baixo relevo do mundo.
Ossos de Preguiça Gigante em museu em Ingá - PB
Às margens do rio, onde uma pedreira extraía paralelepípedos para as ruas de João Pessoa, foi encontrada a Pedra do Ingá. É impressionante a perfeição dos desenhos e símbolos inscritos nesta pedra. Desenhos de lagarto, homens, espirais e até uma espiga de milho aberta estão ali. Este último foi adotado como o símbolo da cidade, incluídos no seu brasão e bandeira. A pedra foi descoberta na década de 40, possui aproximadamente 5 x 2m e está isolada de qualquer outra ocorrência semelhante. As pinturas rupestres da Pedra do Ingá são únicas no mundo! Por isso toda a pictografia em baixo relevo encontrada no Brasil recebeu uma mesma denominação, sendo conhecidas como a tradição Itacoatiara.
Arte rupestre em baixo relevo, tradição Itacoatiara, em Ingá - PB
O Seu Renato foi o primeiro a cuidar deste local, trazido pelo Governador e Prefeito há 23 anos, ele conhece a história da região como ninguém. Vários historiadores e arqueólogos que passaram por ali registraram a dedicação de Seu Renato a este Patrimônio Histórico da Humanidade. Hoje um parque municipal o balneário à margem do rio de Ingá passou a ser mantido pela prefeitura, com uma funcionária responsável há apenas 8 meses, empenhada em aprender sobre a (pré) história do local. O único sustento de Seu Renato agora é o bar e a banquinha com alguns livros e camisetas do Ingá.
Riacho ao lado da pedra com arte rupestre em Ingá - PB
Partimos finalmente do sertão, ainda mais apaixonados e saudosos. Chegamos à Ilha de Itamaracá a tempo de um almoço à beira do mar, em frente à Coroa do Avião, no restaurante da cigana Euzira. Fim de tarde, o sol se pôs e nós voltamos à trabalhar. O tempo mudou... parece que vem chuva... Será que chove amanhã?
Barco leva e trás pessoas para a Coroa do Avião, em Itamaracá - PE
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
San Antonio é uma cidade de origem espanhola que foi fundada em 1691 por um grupo de exploradores. Eles vinham reforçar a presença da Coroa Espanhola no Texas perante a vizinha francesa Louisiana. Viviam ali os indígenas Payaya, que logo entraram no esquema da época, sendo catequizados pelos padres franciscanos, que às margens do rio fundaram uma missão e a nomearam San Antonio em homenagem ao santo do dia. San Antonio cresceu e se tornou o maior povoado da capital espanhola e mais tarde do território mexicano, a Província de Tejas.
Praça central de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Álamo, antiga Missão San Antonio - no início do século XIX a missão foi transformada em um forte militar e passou a chamar-se Álamo, tornando-se uma prisão durante a Guerra de Independência Mexicana e mais tarde abrigou o primeiro hospital da cidade.
Chegando ao Alamo, em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Mais tarde, já em meados do século XIX, que os ânimos se aqueceram e o Texas se proclamou independente do México. O General Santa Ana liderando um exército mexicano invadiu o Texas e sob fogo pesado, derrotou os texanos que se reuniam no forte do Álamo. Esta batalha é relembrada até os dias de hoje, pois os bravos soldados texanos lutaram até a morte, sem desistir de seu ideal, mais tarde logrado, independência do território mexicano.
O Alamo, local da mais famosa batalha para a independênica do Texas, em San Antonio, no sul do estado, nos Estados Unidos
Hoje o Álamo foi restaurado e se tornou um museu que conta em detalhes da sua história e batalhas que ocorreram ali, relembrando a vida e a história daqueles que viveram por se protegerem dentro de seus muros, e daqueles que morreram defendendo o ideal americano.
O pátio interno do Alamo, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A poucas quadras dali encontramos o San Antonio Riverwalk, um passeio de pedestres construído ao longo de 4 quilômetros do Rio San Antonio no centro histórico da cidade. O rio era um problema para a cidade, que já havia passado por diversas enchentes relâmpagos e inclusive perdido 50 vidas em uma catástrofe em setembro de 1921. Depois disso vários planos para controle de enchentes e canalização do rio aconteceram, mas não sem o protesto dos conservacionistas da época que salvaram o rio de ser canalizado, sepultado e apartado da vida da comunidade.
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Foi apenas em 1938 que um projeto audacioso surgiu, o projeto de embelezamento do Rio San Antonio, que além de sistemas para o controle de enchentes propunha o Passeio del Rio um nível abaixo do nível da rua. Foram anos para que os planos passassem a ações e só em 1946 o projeto arquitetônico e comercial começaria a ganhar força e o apoio da população. Neste ano foi aberto o primeiro dos restaurantes do passeio, o Casa Rio, seguido mais tarde pelo hotel Hilton e em 1981 pelo Hyatt.
Turistas passeiam de barco pelo River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A bela River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O charmoso passeio interliga o Álamo ao Rivercenter Mall e continua em forma de “U”, seguindo uma grande curva do rio, passando pela La Villita, centro de artesanatos e arte e outras atrações da cidade e uma infinidade de restaurantes. Tudo é comemorado nos bares e nas calçadas do Riverwalk: aniversários, nascimentos, casamentos (encontramos os noivos apavorando no pub irlandês!) e até os 4 NBA´s que ganharam o San Antonio Spurs, time de basquete da cidade que desfilou em um barco no rio depois das suas vitórias.
Distrito histórico de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
O magnífico River Wak, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Se você quer ver movimento e o passeio ainda mais vivo e decorado, dois grandes momentos festivos para visitá-lo são durante a Fiesta de San Antonio, na primavera, com barcos floridos flutuantes e durante o mês de dezembro, quando a decoração de luzes de natal o torna ainda mais especial.
Teatro ao ar livre na River Walk, arquibancada de um lado e o palco do outro lado do rio (em San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos)
A cidade ainda conta com uma mão cheia de atrativos, mas o maior deles é justamente se deixar embalar pela graça e pela alegria e vivacidade das ruas de San Antonio e fluir o dia ao lado das águas do Rio San Antonio. Passamos um dia inteiro e duas noites na cidade e seguimos rumo ao sul, seguindo pela rota das missões de San Antonio. Decidimos parar em ao menos uma delas, a Missão San José.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Dentro de um parque histórico nacional, a Missão San José é conhecida como “A Rainha das Missões”, por ser a maior delas já quase totalmente restaurada. A missão foi construída em 1720 por padres franciscanos que vieram a catequizar os indígenas Coahuiltecanos. A missão funcionava como uma vila, que reunia a comunidade indígena ao redor dos ensinamentos dos hábitos, línguas, costumes e crenças dos seus novos colonizadores.
Visitando a missão franciscana de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Segundo historiadores os indígenas buscavam a missão como um lugar de refúgio, paz e abundância, pois aqui aprendiam novos ofícios como ferreiros, sapateiros e artesãos, cultivavam os alimentos e aprendiam a relacionar os seus deuses aos novos ensinamentos católicos. Muito deste sincretismo pode ser visto na fachada da igreja, esculpida e trabalhada por artistas indígenas que incluíram elementos do seu dia a dia ao lado dos santos católicos. Estima-se que aqui viveram ao menos 350 indígenas, que passaram a ser donos das terras em 1794. A atividade missionária se acabou oficialmente no ano de 1824 e, abandonada, o espaço se tornou casa para soldados, mendigos e bandidos. Apenas em 1930 e missão foi restaurada e se tornou parte do San Antonio Missions National Historical Park.
A Missão Franciscana de san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
A visita guiada pela park ranger é bem interessante e dura em torno de 45 minutos, dando detalhes de como seria a vida na missão, sua construção e história. Uma curiosidade, dizem que foi nos moinhos desta missão que teriam nascido as primeiras tortilhas de farinhas da história, unindo o recém-chegado trigo à antiga receita da massa de milho utilizada pelos indígenas.
A "janela do Rosario", na Mission san Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Guia leva grupo para conhecer a Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
As missões foram mesmo uma arma poderosa utilizada pelos espanhóis na colonização e no aculturamento dos povos indígenas latino-americanos, desde a argentina, passando pelo Brasil, Paraguai e chegando até aqui, nos Estados Unidos! O lugar é lindo e transmite uma grande paz e serenidade, um dos passeios obrigatórios aqui em San Antonio!
As belas janelas da Mission de San Jose, perto de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Outra dica, se você está vindo de Austin para San Antonio, reserve um tempinho para uma parada nos Outlets de San Marcos que estão no caminho. São dois outlets um em frente ao outro, um mais baratex com marcas básicas e outro Premium Outlet só com marcas bacanas. Nos dois você encontra bons preços e uma paradinha por lá não vai fazer mal a ninguém. Rs!
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Nós passamos pela Levis para refazer o estoque de calça jeans antes de sairmos do país, afinal depois de 3 anos elas já estavam bem batidas e carcomidas.
Cartaz explicativo na loja da Levi's, em Outlet da região de Austin, no Texas, nos Estados Unidos
Nossa próxima parada foi a cidade de Laredo, já na fronteira com o México. Chegamos ao fim da nossa rota pelos Estados Unidos, com um aprendizado incrível sobre a sua história, suas belezas naturais e principalmente toda a sua geografia! Foram 9 meses percorrendo a América do Norte, quase 7 deles só nos Estados Unidos, totalmente fora do que havia sido planejado. Eu sempre fui crítica e inclusive tinha certo preconceito em relação aos turistas que se dedicam única e exclusivamente a conhecer os Estados Unidos, principalmente aos que não saem do eixo Miami-Orlando-Nova Iorque de compras e parques da Disney.
River Walk, no centro de San Antonio, no sul do Texas, nos Estados Unidos
Hoje tenho uma visão melhor do país e vejo que o potencial turístico dos Estados Unidos é totalmente desperdiçado pela maioria dos brasileiros, que seguem repetindo suas viagens pelas grandes cidades e deixam de conhecer o que o país tem de mais rico e interessante, seus parques nacionais, paisagens únicas e melhor, tudo com muita infraestrutura e informação, fácil para todos os tipos de viajantes, até aos menos aventureiros. Hoje, depois de passar por 41 dos 50 estados americanos, digo com a boca cheia que conheço os Estados Unidos e de peito aberto, que me tornei fã desta terra, seus desertos e montanhas, florestas e cidades. Espero que a nossa viagem e os nossos posts os encoraje a viajar mais e conhecer melhor este imenso e diverso país.Valeu Tio Sam, I´ll be back!
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