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Everglades National Park

Estados Unidos, Flórida, Miami, Everglades

Jacaré nada em rio do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Jacaré nada em rio do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


O Everglades Nacional Park está localizado no sul da península da Flórida, a menos de 2 horas de Miami. O pantanal norte americano é formado por 5 diferentes biomas, o que compõe uma rica e diversificada fauna, abrigando animais como onças, veados do rabo branco, jacarés, crocodilos, tartarugas e dezenas de tipos de aves.

Rio repleto de jacarés no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Rio repleto de jacarés no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Muitos pássaros no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Muitos pássaros no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Vindo de Orlando, nós dirigimos pela estrada que margeia a fronteira norte do parque e parte da Big Cypress National Preserve, que faz divisa com o Everglades, protegendo um ecossistema importante para a manutenção do ciclo de cheias e secas da região.

Paisagem típica do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Paisagem típica do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Na fronteira leste está o acesso mais próximo à cidade de Miami, onde está o Centro de Visitantes Principal, via Homeastead, com museus e quadros explicativos sobre o parque, e que também dá acesso às principais trilhas.

Onça empalhada no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Onça empalhada no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Há várias formas de visitar o Everglades, cruzando de carros, conhecendo algumas trilhas ou a bordo de um air-boat, um barco movido por um ventilador gigante que oferece passeios pela área alagada. Alguns dos passeios de air-boat são guiados pelos Índios Seminoles, que vivem na reserva às margens do parque e possuem um conhecimento prático daquele ecossistema. Uma visita ao centro cultural da aldeia também deve ser interessante para comprar artesanatos e conhecer um pouco da cultura deste povo nativo-americano.

Pássaro se seca no sol forte do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Pássaro se seca no sol forte do Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Nós tínhamos um compromisso em Miami ainda hoje, então apressados fizemos o passeio mais comum entre os visitantes do Everglades, mas não menos interessante. Esta rota de carro cruza a reserva de leste a sul, passando por todos os ecossistemas existentes no parque: Hardwood Hammock, Pineland e Cypress passando pela região alagada de Freshwater Slough, Freshwater Marl Prairie até a região de mangue, quando a água doce se encontra com o mar nos manguezais, terras baixas litorâneas e estuários marinhos.

Região pantanosa no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Região pantanosa no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


[Epoca de flores no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

[Epoca de flores no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Durante o passeio vamos parando pelas diversas trilhas e passarelas construídas sobre a região pantanosa para observação da vida silvestre. Na época seca é mais fácil de avistar os animais que acabam se reunindo nas pequenas lagoas restantes. Nós pegamos o parque na estação intermediária, ainda com bastante água, mas sem chuvas.

Tartaruga nada em brejo no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Tartaruga nada em brejo no Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


Mesmo assim pudemos ver muita vida na Anhinga Trail, jacarés, tartarugas, pássaros e aqueles cenários lindos de pantanal alagado, espelhando o céu azul e ensolarado da Flórida. Como todos os parques nos Estados Unidos a visita é super organizada, tanto no site do Everglades National Park, quando no centro de visitantes você consegue um mapa completo com um resumo da história do parque e uma explicação dos principais atrativos, fauna e flora. Com mais tempo viajaríamos até Flamingo, a principal cidade ao sul do parque e no norte faríamos um passeio no eco-friendly air-boat, fica a dica.

Visitando o Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos

Visitando o Parque Nacional Everglades, no sul da Flórida, nos Estados Unidos


No final de tarde chegamos à Miami, depois de exatos dois anos em que estivemos aqui, logo no início da viagem quando aproveitamos as milhagens que iam vencer para fazer a primeira fase caribenha da viagem. Naquela ocasião comemoramos o nosso primeiro aniversário de casamento com os padrinhos Marcelo e Su. Prometemos que voltaríamos dirigindo o nosso carro brasileiro e aqui nós hoje, cumprindo a promessa! Um marco para a viagem comemorado em um jantar delicioso em um restaurante indiano em Key Biscayne. Noite de muitas comemorações, há 2 dias foi o aniversário da nossa amiga e cicerone Su, hoje completamos 3 anos de casamento e fechamos um ciclo há muito tempo esperado no nosso roteiro dos 1000dias. Cheers!

Comemoração dos três anos de casamento, junto com o Marcelo, Su e seus pais, num restaurante em Key Biscayne, na Flórida - EUA

Comemoração dos três anos de casamento, junto com o Marcelo, Su e seus pais, num restaurante em Key Biscayne, na Flórida - EUA

Estados Unidos, Flórida, Miami, Everglades, Animal, Everglades National Park, Natureza, parque nacional

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Churrasquinho a mineira

Brasil, Minas Gerais, Carrancas

Depois das cachoeiras, voltamos ao hotel, trabalhamos um pouco, enquanto aguardávamos pelos nossos “anfitriões” em Carrancas, Quilia e Rodrigo. Rodrigo é amigo do Aroldo e da Nê lá de Perdões e que administra uma fazenda aqui em Carrancas. Ambos estavam trabalhando durante o dia todo, mas havíamos combinado de nos encontrar à noite, antes de seguirmos viagem para São Tomé.

Rodrigo apareceu aqui na nossa pousada perto das 20h e já engatamos numa prosa boa. Bem que Quilia havia falado que ele era “gente boa dimais, engraçado dimais!”. Não demorou muito sugeri que fôssemos jantar em algum lugar por aqui mesmo. Mineiro é um povo muito hospitaleiro, então logo Rodrigo falou “Se tivessem avisado antes a gente fazia uma carne procês lá em casa, uai, assava uma carne e tomava uns lá”. Foi a nossa oportunidade! Estávamos super curiosos para conhecer a fazenda, muito falada pela Ne e pelo Aroldo.

“Ara”, não deu dois minutos e já estava tudo armado! Rodrigo convidou o Quilia e rumamos para a casa dele, na fazenda Serra das Bicas. Cervejinha de cá, pinguinha de lá e enquanto isso descongelava a carne.
O Quilia, cozinheiro experiente, acertou em cheio o tempero. Novamente nos esquentamos ao lado do fogão à lenha em meio a vários causos contados pelo Rodrigo. Eu parecia uma criança de 5 anos perguntando tudo sobre a fazenda. Porque? Como? Quando? Onde? E assim meus conhecimentos sobre esse mundo rural, ou melhor, agropecuário estão aumentando significativamente!

Pra variar, engatei na prosa e o Ro teve que me puxar para ir embora... Mas, como dizem os mineiros... “fazê u quê?”

Brasil, Minas Gerais, Carrancas,

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Geisers El Tatio

Chile, San Pedro de Atacama

Amanhecer nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Amanhecer nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


4:30am, pegamos a estrada em direção à vila de Machuca. Não conhecemos o caminho, mas não deve ser difícil encontrá-lo, uma vez que é uma rota comum dos tours. São 99km até o Completo Termal de Tatio, onde encontramos os Geysers mais altos do mundo, a 4.320msnm. A noite não conseguíamos ter muita ideia do terreno e pelo mapa tínhamos dois caminhos. A procissão de carros e vans que seguia na mesma direção se dividiu, qual será o melhor caminho? Escolhemos o da direita, que parecia mais curto e sem tantas curvas.


Exibir mapa ampliado

Aqui já começamos a subida, saímos dos 2.500m de São Pedro e subimos aos 4.000m. Pouco a pouco a estrada vai sumindo e várias rotas alternativas começam a surgir. Sim, nessa altitude a neve torna-se um elemento presente e dificulta do trajeto. Vamos no faro, tentando adivinhar o melhor caminho e a rota escolhida pelo distante carro à nossa frente. Um rally na madrugada com a mínima de -11°C não era bem o que estávamos imaginando, mas tivemos que vencer o sono e manter a disposição para novas emoções!

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Fiona nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


6am, o sol já começa a clarear o dia por detrás da cordilheira e aos poucos vamos visualizando melhor o cenário. Mais gelo, mais neve e aquele frio gelado que faz minutos antes do sol nascer... um dos momentos mais frios do dia. Ao longe começamos a enxergar torres de fumaça, não é a toa que este horário é o ideal para visitar os geysers, pois é quando a diferença térmica os faz ficar ainda mais visíveis.

Paisagem apocalíptica nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Paisagem apocalíptica nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


6:30am, chegamos ao Geysers del Tatio! Uma paisagem exótica, diferente de tudo que já havia visto na vida. Torres de fumaça de 5, 10m de altura espalhadas em uma baixada entre montanhas nevadas e vulcões extintos.

Turistas póximos à coluna de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Turistas póximos à coluna de vapor dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Fumaças, fumacinhas e fumaçonas, é assim que nós, meros mortais, conseguíamos diferenciar os geysers. São vários tipos e formas de afloramento que a águas frias emergentes formam no contato com as rochas vulcânicas hiper aquecidas. Algumas são apenas o escape da fumaça, perfeitas para aquecer a mão da turista “sem noção” que esqueceu sua luva.

Aquecendo-se na manhã gelada nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Aquecendo-se na manhã gelada nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Outras em formato de mini-vulcões ou panelas cheias de água borbulhante vão formando os mais belos espetáculos. A temperatura do vapor pode chegar a 85°C no complexo que é composto por 40 geysers, 60 termas e 70 escapes de fumaça nos apenas 3km2. Alucinante!!!

Em meio aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Em meio aos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Estavam muitos graus abaixo de zero e uma das formas de tentarmos nos aquecer era encontrando um geyser mais brando onde pudéssemos nos perder em meio à fumaça. Aos poucos o sol foi saindo e o céu clareando tornando o espetáculo ainda mais impressionante! Diferentes cores, verdes, alaranjados, brancos e azuis, desenham no chão um mostruário dos diferentes minerais e elementos presentes nas águas subterrâneas e rochas aquecidas. Cursos de água congelada convivendo com vapores e águas ferventes, novamente a terra dos contrastes nos surpreende!

A água 'mineralizada' dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

A água "mineralizada" dos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Ao fundo vemos um maquinário abandonado, foi uma tentativa feita em 1960 para a geração de energia térmica a partir deste complexo. Infelizmente os resultados não foram satisfatórios e o projeto se comprovou inviável financeiramente. Hoje a estrutura montada para o projeto recebe os turistas, pesquisadores e cientistas que visitam o parque. Próximo dali, ainda no mesmo parque, estão os banhos termais. Uma barragem artificial construída no fluxo de águas termais para os corajosos se banharem. A temperatura varia de 28 a uns 31°C. Os turistas de apinham no raso, próximos de onde a água aflora quentinha, mais distante dali, mesmo os 28°C parecem congelantes somados ao frio da temperatura externa.

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Banho aquecido na manhã gelada a mais de 4,3 mil metros de altitude nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


É difícil ir embora, em cada canto uma imagem mais linda, a cada minuto uma luz mais especial. Aos poucos os geysers parecem diminuir e se abrandar. Sabemos que eles ainda estão ali, apenas menos visíveis. Hora de ir embora... extasiados pela experiência, mas cansados. Havíamos dormido apenas quatro horas. Tínhamos planos de seguir para as termas de Puritama e, dependendo do pique, conhecer outros atrativos para este lado. Voltamos pelo outro caminho, desviando pelo povoado de Machuca. O caminho era muito mais fácil e tranquilo que o da vinda, o dia lindo agora nos mostrava as belas vistas do nosso retorno.

Início do dia nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile

Início do dia nos Geisers del Tatio, na região do Atacama, no norte do Chile


Esgotados, acabamos decidindo retornar direto à São Pedro. Segunda-feira, final de feriado, poderíamos retornar ao nosso primeiro hostal e tentar colocar as nossas coisas em dia. A tarde que pensei que seria de descanso acabou sendo uma tarde de Maria. Fiz uma faxina geral na Fiona, por dentro e por fora. A coitada, estava imprestável. É, a vida na estrada é boa mas cansativa, em alguns momentos temos que parar e respirar para recuperar as forças e poder seguir caminho.

Chile, San Pedro de Atacama,

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Macapá à Oiapoque

Brasil, Amapá, Macapá, Oiapoque

Além do asfalto, são 160 km de terra e barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Além do asfalto, são 160 km de terra e barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


A distância de Macapá à Oiapoque é em torno de 560km, sendo 160 destes em estrada de terra esburacada e enlameada, neste período chuvoso. Todos nos assustaram bastante que alguns trechos seriam praticamente intrafegáveis e que mesmo com a tração 4x4 teríamos que pagar um trator para nos rebocar, serviço já oferecido na estrada. Pegamos chuva praticamente a viagem inteira, a estrada não possui postos de combustíveis, apenas um restaurante em uma bifurcação da estrada há 120km de Oiapoque.

Muito barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Muito barro na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Passaram por nós umas 20 Toyotas Hilux, a maioria há uns 70km/h, nem aí para os buracos. Nós queremos que a Fiona agüente firme os mais de 100mil km por toda a América, então nossa média foi de 40 ou 50km/h, quase 8 horas de viagem. A única coisa que realmente precisamos foi de muita paciência. A estrada está em construção, já foi feita uma terraplanagem, vimos o pessoal fazendo a topografia mesmo embaixo de chuva, mas ainda assim tem muitos buracos. O tempo para fazer os 160km no final vai depender da sua pressa e cuidado que quer ter com o carro.

Fazendo topografia para asfaltamento da estrada entre Macapá e Oiapoque - AP

Fazendo topografia para asfaltamento da estrada entre Macapá e Oiapoque - AP


O interior do Amapá possui diversas reservas indígenas e alguns parques nacionais para preservação da Floresta Equatorial. Passamos por um longo trecho de Reservas Indígenas Açuá e diversas aldeias à beira da estrada. Os índios estavam jogando futebol, pescando, criando gado, cortando lenha, crianças brincando na chuva, enfim, seguindo suas vidas já muito adaptadas a cultura do homem branco, como a maioria dos índios que vemos no sudeste e nordeste do Brasil. Este é o trecho de mata mais preservada, embora em alguns lotes ainda vejamos vestígios de queimadas e de desmatamento. Vai saber se são permitidos ou não.

Paisagem na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Paisagem na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


No entanto, no primeiro trecho da estrada, ainda no asfalto, passamos por muitas fazendas. Trechos desmatados para pasto ainda sem nenhuma cabeça de gado e alguns com plantação dos malditos eucaliptos. Eu fiquei me perguntando, será que é desmatamento recente e ainda estão formando o pasto? Ou será que todos os bois foram vendidos? Tanta mata, tanta riqueza natural reduzida à capim! Impossível não ficar indignada, mas se estão seguindo a lei, será que devo ficar indignada? Duvido que esse desflorestamento à margem de uma BR seja criminoso, então será que devo também achar normal?

Mata queimada na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Mata queimada na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Entre tantas dúvidas e desconforto foi que me surgiu uma ideia, pode parecer esdrúxula, mas em longo prazo ela poderia funcionar. É um tema a ser discutido por antropólogos, teólogos e líderes religiosos: meio ambiente e religião. Os mandamentos e regras de cada religião surgiram por demandas naturais do ambiente de cada povo, são regras de convívio em sociedade, alimentação, higiene, etc. Não cabe a mim entrar em detalhes técnicos, até por que não sou especialista no tema, mas a fé move montanhas! Os 10 mandamentos e as principais regras de cada religião deveriam ser revisados para a inclusão de preceitos básicos para a preservação do meio ambiente e por conseqüência do ser humano. Duvido que Deus, ou os seus representantes mais próximos (Jesus, Maomé, Moisés, entre outros), não estejam preocupados com a situação atual do nosso mundo, vendo que seus filhos estão se encaminhando para um holocausto natural, e não pensem em fazer nada. Na prática o que ganharíamos com isso? Milhares de padres, pastores, rabinos, monges, pessoas do mais alto gabarito, com credibilidade na sua comunidade, ensinando e pregando para que as pessoas não cometessem mais este tipo de pecado ou delito contra a natureza. Ao longo dos tempos a religião funcionou muito bem para educar a sociedade, tirá-la das trevas e fazê-la muito mais digna, por que não aproveitar de sua experiência para este novo impasse? Enfim, pode ser uma grande viagem, mas eu ainda acho que poderia funcionar.

Plantação de Eucaliptos na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP

Plantação de Eucaliptos na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP


Final da tarde chegamos à Oiapoque, ainda com chuva, nos instalamos em um hotel às margens do Rio Oiapoque. A Guiana Francesa ali à nossa frente, do outro lado do rio. Amanhã será o grande dia, quando finalmente saberemos se o nosso plano A, de cruzar as Guianas, será possível ou não.

Chegando perto da fronteira! (na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP)

Chegando perto da fronteira! (na viagem entre Macapá e Oiapoque - AP)

Brasil, Amapá, Macapá, Oiapoque,

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Seu Francisco, o nosso Francisco…

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra), São João Batista (P.N. Serra da Canastra)

Nossa logo na placa no Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Nossa logo na placa no Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Oswaldo Montenegro tem um álbum maravilhoso onde ele canta as melhores canções do Seu Francisco, Chico Buarque, o nosso Francisco... na introdução da música “A Banda” ele fala desse jeitinho, gostoso, intimista de um dos maiores músicos brasileiros. Eu peço licença para usar o mesmo carinho e intimidade para falar de outro Chico que faz parte da vida de milhares de brasileiros. Tão fluido como a música, límpido, transparente, e às vezes gélido, como o compositor, o Rio São Francisco.

Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Caminho do Céu, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Cruzamos a Serra da Canastra por um caminho diferente, nas estradas de 4x4 volta e meia desbravadas por valentes carros sem tração mas com muita determinação. Saímos de Delfinópolis cedo em direção ao vilarejo de São João Batista. O roteiro passava pelo Caminho do Céu, estrada que sobe a serra atravessando a crista de uma montanha e que chega a mais de 1500m de altitude. Lá de cima temos uma vista maravilhosa da região e conseguimos enxergar o próximo destino, as montanhas do Parque Nacional da Serra da Canastra. No caminho, além de muitas fazendas de gado e produção do famoso queijo canastra, vemos a Serra Branca. Vencida esta grande subida, finalmente avistamos o nosso primeiro objetivo do dia, a Casca D´Anta.

Estrada 'Caminho do Céu', próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

Estrada "Caminho do Céu", próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


De longe já podemos perceber o poder do nosso Francisco. Sabemos que ali próximo está a sua nascente, no entanto já o vemos despencar, majestoso, do alto de 186m, formando esta belíssima cachoeira. A Casca D´Anta já fica dentro da parte baixa do Parque Nacional, bem estruturado com banheiros, mirante e uma trilha bem sinalizada. Para chegar à parte alta do parque pode-se seguir em torno de 60km de carro ou ainda caminhar uma hora por uma trilha, acompanhado de monitores do parque. A queda é imensa, ainda estava na sombra e com bastante vento, mas tomamos coragem e entramos no lago que chega a até 30 metros de profundidade!

A primeira grande queda do São Francisco, a Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG

A primeira grande queda do São Francisco, a Casca d'Anta, próximo à Delfinópolis na região da Serra da Canastra - MG


Meu primeiro banho nas águas do Rio São Francisco foi rápido, mas muito emocionante! A água estava tão gelada que não agüentei muito tempo lá dentro. Tivemos sorte de chegar em um período mais seco, pois em épocas mais chuvosas é quase impossível se banhar na parte baixa, tamanho o vapor d´água e vento que a cachoeira forma.

Primeira ponte sobre o Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG

Primeira ponte sobre o Rio São Francisco, no Parque da Serra da Canastra - MG


Seguimos para a parte alta do parque, passando pela cidadezinha de São Roque, chegamos à portaria do parque de mesmo nome. São quilômetros e quilômetros de cerrado, com os olhos atentos procurando os tamanduás-bandeira, cervos e outros animais. No caminho passamos pela nascente do Rio São Francisco, onde o velho Chico é ainda apenas uma criança. Mais alguns quilômetros e chegamos à parte alta da Casca D´Anta, onde o rio, já mais largo, forma um pequeno cânion e outras belas cachoeiras.

Primeira cachoeira do Rio São Francisco, na Serra da Canastra - MG

Primeira cachoeira do Rio São Francisco, na Serra da Canastra - MG


Indo embora, quase sem esperanças de avistar um tamanduá, cruzamos o bichão lindo no meio da estrada! Essa hora é difícil decidir se damos as costas para pegar a máquina fotográfica ou se ficamos olhando antes dele fugir e se esconder novamente. Tentei fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas ele foi mais rápido e não conseguimos bater boas fotos, infelizmente. De quebra vai a foto de uma cerva, linda!

Cervos no Parque da Serra da Canastra - MG

Cervos no Parque da Serra da Canastra - MG


Chegamos á São João Batista, um arraialzinho vizinho do parque, outra bela base para a Serra da Canastra. Muito mais roots e muito mais próximo do parque e possui diversas de cachoeiras para explorar também. Ficamos na Pousada da Serra, onde conhecemos o Ricardo, outro aventureiro e expedicionário de plantão. Trocamos ótimas experiências e dicas para as nossas viagens. Quem sabe nos cruzamos nas estradas desse mundão véio sem porteira! Jantamos no Bar do Seu Vicente, na cozinha da sua casa, puxando um bom dedin de prosa sobre os causos da região. Dormimos tarde, ao som do lobo guará que uivava para a lua cheia que, por sua vez, iluminava a todos: a Canastra, o Seu Francisco e a Fiona em mais uma destas 1000 noites.

Fazendo ioga ao lado do São Francisco, na Serra da Canastra - MG

Fazendo ioga ao lado do São Francisco, na Serra da Canastra - MG

Brasil, Minas Gerais, Delfinópolis (P.N. Serra da Canastra), São João Batista (P.N. Serra da Canastra), Cachoeiras

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A Mágica Port Townsend

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend

Pequena praia no Puget Sound, a caminho de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Pequena praia no Puget Sound, a caminho de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Nós começamos a nossa viagem à Olympic Península continuando o Cascade Looping pela North Cascades Highway (SR-20). Ela não apenas cruza o North Cascades National Park, como também atravessa a Fidalgo Island e o Deception Pass State Park, com belas vistas da península e da costa norte do Estado de Washington.

Litoral próximo à Deception Pass, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Litoral próximo à Deception Pass, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Ponte que atravessa o Deception Pass, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Ponte que atravessa o Deception Pass, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Atravessamos de ferry do porto de Coupeville até a cidade de Port Townsend, no norte da península. Um dia de céu azul como há muito não víamos, paisagens maravilhosas, cores, luzes, ilhas, paisagens bucólicas de um litoral frio e pacífico.

Navegando no Puget Sound, próximo à Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Navegando no Puget Sound, próximo à Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Farol em Port Townsend, no Puget Sound, litoral do estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Farol em Port Townsend, no Puget Sound, litoral do estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Port Townsend é um refúgio de artistas, militares aposentados e americanos que vivem de bem com a vida. A pequena cidade possui uma vida artística própria, cafés deliciosos e um restaurante que está sempre trazendo boa música para a cidade.

Chegando à Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Chegando à Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Músicos em café em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Músicos em café em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Ainda em dúvida se seguiríamos para o parque nacional ou ficaríamos aqui, fomos almoçar em um café alternativo à beira da baía. Cardápio orgânico delicioso, aquela luz entrando pela janela num clima de domingo à tarde. Eis que de repente músicos começam a chegar, um a um, trazendo o seu instrumento. Abrimos espaço aos violinos e rabecas, bandolin e violão, um contra-baixo e até uma concertina!

Concertina, violão e bandolim em ação em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Concertina, violão e bandolim em ação em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Músicos em café em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Músicos em café em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Acontecia ali, despretensiosamente, uma jam section de cordas da melhor idade. Uma senhora de 98 anos veio acompanhada de sua filha apenas para assisti-los. Aos poucos, famílias, crianças e jovens se envolviam com a música e dançavam nos pequenos corredores do café.

Apreciando a música e a janela em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Apreciando a música e a janela em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos


A música era ótima, mas melhor ainda era ver a alegria desses senhores respeitosos de cuca-fresca em fazer música.

Fazendo música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Fazendo música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


De repente chega ao grupo um jovem mambembe, músico “riponga” americano do tipo que encontramos aos montes viajando por aí, se esforçando para serem alternativos em uma sociedade tão cheia de regras. Ele se aproxima convidado por um dos músicos, com uma coroa de folhas na cabeça e se esbalda em um dos pães oferecido por outro amigo. Logo se une ao grupo com sua rabeca, a relembrar as músicas mais tradicionais do seu repertório.

Fazendo música em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Fazendo música em Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos


Que momento! Depois dessa é claro que decidimos ficar! O Rodrigo saiu, reservou o hotel, voltou e ansioso, quase me abandonou no café, depois de várias últimas músicas que eu me deliciava e insistia em escutar. A música, o sorriso da senhora de cabelos lisos e prateados, o compasso batido pelos pés do sanfoneiro e sua concertina, ao lado da maleta que dizia “Kyoto. We can´t get there by car.”

Senhoras dão show de música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Senhoras dão show de música em um Cafe de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Alternativos e ativistas! (em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos)

Alternativos e ativistas! (em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos)


Sem querer fui levada dali para outro mundo, não menos mágico e encantador. Porém ao invés de rabecas quem cantava era o vento. No horizonte as montanhas nevadas que não vimos ontem da North Cascade Range. Praias que já foram habitadas há milhares de anos e hoje abrigam o farol e o Fort Worden State Park. Um final de tarde lindo, frio e ventoso.

montanhas nevadas de North Cascades vistas de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

montanhas nevadas de North Cascades vistas de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O farol de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

O farol de Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Voltamos ao Palace Hotel, um dos mais antigos edifícios da cidade, antigo bordel de móveis antigos, quartos bem decorados, banheiras brancas no melhor estilo vintage original. Pé direito alto, quadros de madames e madonas dos anos 20 e um simpático anfitrião curiosíssimo com a nossa viagem.

Fachada do nosso hotel em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Fachada do nosso hotel em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O prédio foi construído em 1889 pelo Capitão Tiballs, um aventureiro, dos primeiros mergulhadores a testar o sino de mergulho americano. Ele retirou 68 mil dólares em prata de uma fragata espanhola em suas explorações pelos mares do Caribe! Após ser sede de restaurantes, diferentes empresas e escritórios o prédio se transformou em um bordel entre 1925 e 1933. Depois de restaurado o bordel virou hotel e guarda muitas relíquias e charme desta época. A experiência é uma viagem no tempo e na história dos corredores do Palace Hotel.

Nosso charmoso quarto no Palace Hotel, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Nosso charmoso quarto no Palace Hotel, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Mobiliário vintage numa das salas do hotel Palace, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Mobiliário vintage numa das salas do hotel Palace, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


Longas conversas, muitas perguntas e até um convite para retornarmos ao Palace Hotel para mais uma noite, cortesia da casa! Retornamos à artística Port Townsend para mais uma noite nos anos 20, com um bom jazz no The UpStage em noite especial para Paul Hemming e seu disco Uketet, músico novaiorquino em tour pela costa oeste.

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos

Anúncio das atrações musicais do restaurante Upstage, em Port Townsend, no estado de Washington, oeste dos Estados Unidos


O melhor de uma viagem são as surpresas que encontramos no caminho e esta cidade sem dúvida foi uma delas. Cidades que se intitulam artísticas existem várias por essas bandas do norte, mas poucas honram o nome de forma tão natural quanto Port Townsend.

Apreciando a música e a janela em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Apreciando a música e a janela em café de Port Townsend, no estado de Washington, nos Estados Unidos

Estados Unidos, Washington State, Port Townsend, arte, Música, Olympic Peninsula, Palace Hotel

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Tatajuba, o retorno

Brasil, Ceará, Jericoacoara, Tatajuba

Maré bem baixa na partida de Tatajuba - CE

Maré bem baixa na partida de Tatajuba - CE


Dormimos maravilhosas 12 horas totalmente merecidas depois da longa empreitada de ontem, 40 e poucos quilômetros caminhando de Jericoacoara até Tatajuba. Mas se viemos teremos que voltar, não é? Antes mesmo de sair de Jeri, minha ideia era de retornar de bugue, afinal sabe Deus o estado que minhas pernas iriam estar. Depois de muitos alongamentos e uma noite bem dormida, acordei bem, com um pouco de dor muscular, mas recuperada da dor nas costas de ontem. Um delicioso café da manhã com frutas e pão integral, uma oferta tentadora de carona dos holandeses donos da pousada, mas resolvi voltar andando. Como eles iriam mais tarde, qualquer problema eu subia no bugue no meio do caminho.

Maré bem baixa na partida de Tatajuba - CE

Maré bem baixa na partida de Tatajuba - CE


Começamos a caminhada mais tarde, quase 11h da manhã, a maré ainda estava baixa, mas o sol já estava alto. Conseguimos atravessar sem problemas o rio Tatajuba e pé na tábua, acelerar o passo para não pegar a maré muito alta lá no final. Logo no início ganhamos uma companhia curiosa, Felipe, um mineiro que está descendo o litoral de São Luis no Maranhão, até Recife, para o carnaval. Ele está pedalando desde a metade de janeiro e ainda tem pouco mais de um mês para chegar lá. Economista, aventureiro e mais um maluco de plantão, quando soube que o Rodrigo era economista também, tratou de advertir: “Cuidado hein Rodrigo, sempre que um maluco morre nessas aventuras, o cara é economista.” E o pior é que é verdade, vejam as últimas notícias, essa inconseqüência faz parte do perfil! Rsrsrs! Felipe passou sede e fome nos Lençóis Maranhenses e foi “resgatado” por pescadores, que o ensinaram os truques da região, e assim, batendo a cabeça nós vamos aprendendo. Isso é o mais gostoso da viagem, a vivência e o aprendizado, custe o que custar!

Caminhando de Tatajuba para Jeri, antes de chegar à barra do Guriú - CE

Caminhando de Tatajuba para Jeri, antes de chegar à barra do Guriú - CE


Nos separamos, cada um seguindo o seu ritmo, ele de bike e nós a pé. Como sempre a sensação é que a volta é mais rápida. Depois de uma chuvinha refrescante, o sol voltou rachando coco e logo estávamos na barra do rio Guriú. Hoje não tinha jeitinho nem mega voltas que resolvessem a maré alta, tínhamos que pegar a balsa. Um longo caminho aparentemente aterrado, ou melhor, “areiado” dentre árvores de um manguezal, nos levaram direto para as balsas. Nessa estrada tive uma chance de pegar a lotação que faz a linha Jeri – Camocin – Jeri, uma Toyota mais antiga, eles até pararam, mas eu dispensei. Depois fomos descobrir que o amigo do Felipe, outro biker com o pé machucado, estava na mesma lotação!

Camionete atravessa a barra do Guriú - CE

Camionete atravessa a barra do Guriú - CE


Logo depois da balsa, andamos mais um quilômetro e paramos para um banho de mar, alongamento e uma bolachinha para aplacar a fome. Foi ali novamente que dispensei a carona dos nossos amigos holandeses, que passaram a caminho de Jeri. Realmente fiquei decidida a terminar o caminho a pé. Alguns quilômetros depois, com dor nas costas e a maré cada vez mais alta eu quase me arrependi, mas aí é o que o psicológico tem que ser mais forte, e o marido também para ajudar a carregar a mochila! Rsrs!

Tentando ajudar o balseiro na travessia da barra do Guriú - CE

Tentando ajudar o balseiro na travessia da barra do Guriú - CE


A paisagem na maré alta fica completamente mudada. Surgem pequenas lagoas doces que eu não havia visto no alto da praia, as pedras e piscinas formadas pela maré desaparecem. A praia fica muito mais difícil de andar, inclinada e com areia fofa, mas temos que andar, parar é pior. Já com fome e cansados começamos a sonhar com aquela barraquinha do seu Manelinho, lá no Mangue Seco. Chegamos lá e vimos um movimento de barcoa, bugues e o Felipe saindo com algo alaranjado na mão, tinha certeza que era uma cerveja gelada, estávamos chegando àquele oásis prometido! Mais dois passos e a cerveja se tornou uma manga e descobrimos que era tudo uma miragem. A manga estava uma delícia, aceitei duas mordidas na manga cultivada com tanto carinho pelo companheiro, mas a cerveja que é bom, nada. O sol queimando até, a maré no ponto mais alto, ele parou, pois se a pé está ruim de bicicleta fica quase impossível.

Aproveitando uma rara e bendita sombra na longa caminhada de Tatajuba para Jericoacoara - CE

Aproveitando uma rara e bendita sombra na longa caminhada de Tatajuba para Jericoacoara - CE


Novamente, cada um nos seu ritmo, nós continuamos nossa caminhada, agora restam uns 6 ou 7km apenas para chegarmos ao restaurante mais próximo! Agora o primeiro riachinho que passamos ontem com águas nas canelas, hoje foi com mochila na cabeça. Em compensação, a paisagem aqui deste lado ficou ainda mais bonita, com lagoas cheias e aquelas cenas idílicas de pescadores.

Atravessando, na maré cheia, o último obstáculo antes de chegar em Jericoacoara - CE

Atravessando, na maré cheia, o último obstáculo antes de chegar em Jericoacoara - CE


Pesca com rede numa das lagoas formadas na maré cheia, próximo a Jericoacoara - CE

Pesca com rede numa das lagoas formadas na maré cheia, próximo a Jericoacoara - CE


Chegamos direto no nosso predileto, o crepe à beira da praia. Hummm, delícia! Creme e duas águas de coco para repor toda a energia, alongamento para garantir que chegarei até a pousada. Levamos pouco menos de 5 horas para chegar de Tatajuba à Jeri, vencido o desafio! A comemoração foi um jantar no Mosquito Blue, restaurante à beira mar, céu estrelado, um risoto quatro queijos regado a um saboroso carmenere, depois de 70 km em dois dias, temos direito! Nossa última noite em Jeri foi tranquila, os bares e caipirinhas estão num ritmo mais tranquilo, as ruas mais vazias, será mais fácil cairmos novamente nos braços de Morpheu, para o nosso merecido descanso.

Fim de caminhada, final de tarde, próximo à Jericoacora - CE

Fim de caminhada, final de tarde, próximo à Jericoacora - CE

Brasil, Ceará, Jericoacoara, Tatajuba, Barra do Guriú, Praia, trilha

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Hola Ecuador!

Equador, Guayaquil

Chegando ao Equador

Chegando ao Equador


Nos despedimos de Mancora em um dia ensolarado, é sempre assim! O sol aparece quando vamos embora... Tudo bem, estávamos prestes a cruzar mais uma fronteira e carimbar os passaportes com mais um país, chegamos ao Equador!


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Pegamos a Panamericana Norte e seguimos direto, passando por Tumbes, em direção à fronteira. O Complexo Fronteiriço Binacional é novinho, está pronto mas não está ainda em funcionamento. Chegamos o imenso edifício e desviamos para a lateral da estrada onde estão umas casinhas de madeira bem tímidas para fazer a saída do Perú. Policiais simpáticos, tudo super tranquilo.

Despedida com sol da bela praia de Mancora, no litoral norte do Peru

Despedida com sol da bela praia de Mancora, no litoral norte do Peru


No lado equatoriano fizemos a imigração já no novo prédio, que parecia mais um elefante branco, pois não havia mais ninguém além de nós! A aduana fica 20km adiante e aqui já demorou um pouco mais para sermos atendidos. Aqui foi o primeiro lugar que o seguro obrigatório foi solicitado para a liberação da documentação do carro, senão poderíamos comprar na cidade com validade de 30 dias por apenas 7 dólares. Só é a função de ir até lá e comprar... Mas deu tudo certo! Prontos e documentados seguimos em direção à Guayaquil. As paisagens até lá são muito parecidas com as brasileiras, muitos povoados à beira da estrada, morros cobertos de florestas tropicais que os nossos olhos estavam desacostumados. Nessa região sul, próxima ao litoral, a banana é uma das principais culturas, passamos por bananais gigantescos!

Cenas típicas do sul do Equador, região de Mashala: bananeiras com os cachos devidamente ensacados

Cenas típicas do sul do Equador, região de Mashala: bananeiras com os cachos devidamente ensacados


Chegamos em Guayaquil no início da noite, ainda a tempo de fazer um passeio pela Plaza Bolívar, também conhecida como a Praça das Iguanas. Elas estavam todas dormindo penduradas em uma árvore, um verdadeiro “pé de iguana”!

Iguanas dormem em árvore da Plaza Bolívar, em Guayaquil, no Equador

Iguanas dormem em árvore da Plaza Bolívar, em Guayaquil, no Equador


Fizemos uma longa caminhada pelo Malecón até o alto do Bairro de La Peña, uma região portuária que estava abandonada e dominada pela criminalidade e que foi revitalizada às margens do Rio Guayas.

Catedral de Guayaquil, no Equador

Catedral de Guayaquil, no Equador


O trabalho de revitalização contou com o trabalho e o investimento de milhares de pessoas e empresas que foram homenageadas neste monumento inspirado pelo Matrix! Aí estão os nomes de cada um deles iluminados em lâminas de vidro. Muito bacana!

Placas de vidro com milhares de nomes 'flutuantes', em Guayaquil, no Equador

Placas de vidro com milhares de nomes "flutuantes", em Guayaquil, no Equador


Depois de subir os 400 degraus de La Peña com esperança de encontrar algum restaurante ou bar abertos, voltamos feito dois zumbis azuis de fome e acabamos no Mac Donalds. Infelizmente a igreja e a vista mais alta no farol de Las Peñas também já estavam fechados. Ok, voltaremos amanhã!

Vista noturna da cidade do alto do morro da Penha, em Guayaquil, no Equador

Vista noturna da cidade do alto do morro da Penha, em Guayaquil, no Equador

Equador, Guayaquil, La Peña, Malecón, Rio Guaya

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Citadelle e San Souci

Haiti, Cap-Haitien, Citadelle

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Um grande palácio que rivalizou, em grandeza e requintes, o Palácio de Versailles e a maior fortaleza do Caribe! Alguma vez você imaginou que poderia encontrar tudo isso aqui, no Haiti?

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti


Sim, eles existem e nós fomos lá conferir. O Palácio de San-Souci e a Citadelle Laferrière são monumentos à loucura e mania de grandeza de um dos libertadores do país, Henri Christophe. Isso em nenhum momento lhes tira a grandeza e a genialidade arquitetônica de ambos, pelo contrário, a loucura somada à beleza cênica dos seus arredores as fazem ainda mais obrigatórias em qualquer roteiro pelo país.

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti


Após ter lutado pela libertação do Haiti dos domínios franceses e de romper com seus colegas e líderes revolucionários, Christophe decidiu se tornar Rei do “Reino do Haiti”, no norte do país. A excentricidade do maluco não parou por aí, ele queria também se equiparar aos seus algozes franceses em título, poder e símbolos de riqueza e afundou todos os recursos que já não possuía na construção do seu castelo San-Souci e na maior fortaleza do Caribe.

Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Ruínas do palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


O Castelo de San-Souci foi construído entre os anos de 1810 e 1813 e era a residência oficial do Rei Christophe, sua esposa Marie-Louise e suas duas filhas. Era o maior e mais impressionante dos 9 castelos e diversas residências reais, muitos dizem que nos seus tempos áureos ele seria o equivalente caribenho do Palácio de Versalles. Em outubro de 1820 Christophe se suicidou no castelo e 10 dias depois seu filho foi assassinado por revolucionários. Vinte e dois anos mais tarde, um grande terremoto se abateu na região e deixou o castelo em ruínas e este nunca mais foi reformado.

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Visitando as impressionantes ruínas do Palácio de Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


A pouco mais de 8 km montanha acima está a Citadelle Laferrière, construída entre 1805 e 1820 para defender o Haiti de invasões francesas que nunca ocorreram. Ela possui a maior coleção de armas de artilharia do século XVIII, dentre eles 365 canhões dos mais diversos calibres e suas respectivas bolas de ferro.

Galeria cheia de canhões na Citadelle, no norte do Haiti

Galeria cheia de canhões na Citadelle, no norte do Haiti


Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti

Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti


Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti

Há uma enorme quantidade de balas de canhão, de diversos tamanhos, espalhadas por toda a Citadelle, a gigantesca fortaleza no norte do Haiti


A maior fortaleza do Caribe, e uma das maiores da América, tem 10 mil metros quadrados, 40 metros de altura e empregou mais de 20 mil trabalhadores na sua construção. A Citadelle é mamutesca e realmente impressiona pela massividade de sua estrutura, são andares e mais andares construídos no topo do Bonnet a L´Eveque, uma montanha a 970m sobre o nível do mar, com vistas maravilhosas da região.

Placa informativa com o mapa da Citadelle, no norte do Haiti

Placa informativa com o mapa da Citadelle, no norte do Haiti


A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti

A grandiosa paisagem que se vê do alto da Citadelle, no norte do Haiti


Do castelo à Citadelle pegamos um moto-táxi (episódio detalhado abaixo), e o último quilometro deve ser feito a pé ou à cavalo. A caminhada é linda, com vistas sensacionais das montanhas, da baía de Cap-Haitien e o litoral norte do Haiti. Dizem que em dias claros se pode ver até Cuba, mas tenho minhas dúvidas.

Observando a vista do alto da Citadelle, no norte do Haiti

Observando a vista do alto da Citadelle, no norte do Haiti


Observando a vista através das janelas da Citadelle, no norte do Haiti

Observando a vista através das janelas da Citadelle, no norte do Haiti


Decidimos retornar à Milot a pé, passando pelas vilazinhas de montanha, vendo mais de perto como esse povo vive, conversando com locais e aproveitando as belíssimas vistas. A decida é dura e exige bons joelhos, no final os meus já estavam pedindo água! Mas foi um belo exercício e uma ótima forma de nos envolvermos mais com a cultura e a paisagem da região.

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti

Família observa os visitantes que caminham de Sans-Souci à Citadelle, no norte do Haiti


O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti

O caminho morro acima até a Citadelle, no norte do Haiti


Desde 1982 as ruínas de San-Souci foram declaradas Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. São os lugares com maior potencial turístico no Haiti. O governo sabe disso e já começou a preparar a estrutura turística, colocando placas informativas, construindo instalações com centro de informações, lojas de artesanatos e banheiros na base de acesso à fortaleza.

Futuro centro de apoio aos turistas, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Futuro centro de apoio aos turistas, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Tudo isso é parte de um plano maior para disseminar o turismo que já existe no litoral norte, trazendo os turistas de cruzeiro de Labadie, praia privada da Royal Caribbean, em day tours para cá. Ajudará a comunidade e será uma grande aventura para estes turistas que, quando aportam nesta praia, muitas vezes nem sabem que estão no Haiti.

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti

Encontro com criança no caminho até a Citadelle, no norte do Haiti



Como chegar lá? Ou, Uma aventura nos taptaps entre Cap-Haitien a Milot.


Muita gente usa cavalos para chegar até a Citadelle, no norte do Haiti

Muita gente usa cavalos para chegar até a Citadelle, no norte do Haiti


O Castelo de San-Souci está localizado à margem da pequena e simpática cidade de Milot, a pouco mais de meia hora da capital du nord, Cap-Haitien. Milot pode ser acessada de taptap, moto-táxi ou táxi desde Cap-Haitien. Aluguel de carro no Haiti é caríssimo, algo em torno de 150 dólares. Um taxi que te levaria e ficaria a disposição cobraria algo parecido, pouco mais de 100 dólares, assim as opções que nos restavam seriam duas moto-táxis ou o popular taptap.

Um taptap nas ruas de Cabaret, cidade ao norte de Port-au-Prince, no Haiti

Um taptap nas ruas de Cabaret, cidade ao norte de Port-au-Prince, no Haiti


O taptap é um transporte “público” basicamente descrito como lotação. Entram todos nas caçambas das caminhonetes mais coloridas que já vimos, onde uma boa caixa de som não pode faltar! No taptap ouvimos kompa, reggae e até Michel Teló! Difícil é avisar o motorista para baixar o som ensurdecedor, já que não falamos creole. Com sorte alguns dos 20 outros passageiros entulhados ao nosso lado também estavam ficando surdos e resolveram esse problema por nós.

Deixando Cap-Haitien, já no Taptap cheio, seguindo em direção â Citadelle, no norte do Haiti

Deixando Cap-Haitien, já no Taptap cheio, seguindo em direção â Citadelle, no norte do Haiti


O taptap sai da Pont Neuf em Cap-Haitien, que está há uns 5 minutos de moto-táxi (200 gourds) do Boulevard onde está o seu hotel. Só entrar no taptap já é uma aventura, pois os motoristas te disputam a tapa, tentando organizar a fila dos carros de saída dentro do posto de gasolina ao lado da ponte. Uma vez lá dentro, vamos baldeando e aproveitando a experiência sociológica ao máximo, com os olhares curiosos de todos os haitianos para os estrangeiros branquelos dentro do taptap, cena rara.

Em Cap-Haitien, aguardando o Taptap encher para seguir em direção à Citadelle, no norte do Haiti

Em Cap-Haitien, aguardando o Taptap encher para seguir em direção à Citadelle, no norte do Haiti


27 quilômetros e várias paradas depois, chegamos à cidade de Milot. O ponto final está a apenas 3 quadras do Castelo de San-Souci. Ali mesmo, ao lado da placa, embaixo da árvore do lado do alambrado, você paga o ingresso válido para o palácio e para a Citadelle. Hoje nós dispensamos acompanhamento de guias (quem nos acompanha sabe que essa é uma briga antiga, o Rodrigo odeia, eu gosto, e tentamos revezar para não dar briga), mas foi difícil fazer os meninos guias da região largarem do nosso pé, afinal eles precisam e muito de qualquer dinheiro. Enfim, quando o Rodrigo decide que não quer, não tem pena, não tem choro e nem vela... nem para mim, nem para o guia.

Ainda tentando me livrar de um insistente guia, na Citadelle, no norte do Haiti

Ainda tentando me livrar de um insistente guia, na Citadelle, no norte do Haiti


Chegando ao palácio Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti

Chegando ao palácio Sans-Souci, no caminho para a Citadelle, no norte do Haiti


Para ir à Citadelle precisávamos pegar uma moto-táxi para cada um (200 gourds – 4,5 dólares), mas não sem ter que lidar com uma batalha dos motociclistas. Todos queriam e precisavam trabalhar e enquanto nós estávamos tentando visitar o palácio, eles discutiam entre eles e nos exigiam uma definição. Uns 15 carinhas nos encurralaram numa placa, com os ânimos exaltados e disseram “vocês terão que escolher quem vai levá-los!”. Momento tenso. Chamaram o diretor de turismo e armaram uma reunião, nos dizendo, “conversem com o diretor!”

Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti

Ruínas do Palácio de Sans-Souci, no norte do Haiti


Era uma cena surreal, sinceramente, só não mandei todos “passear” por que vi que ali valeria a lei do mais forte. Enfim, fomos conversar com o diretor, que por sinal havíamos acabado de conhecer no taptap vindo a Milot. Ele trabalha para o Ministério de Turismo e tem, dentre as suas diversas atividades, a função de organizar a comunidade local para receber os turistas. Era o único que tinha alguma moral com a galera, discutindo em creole, francês e intermediando conosco em inglês, quem, afinal, iria nos levar montanha acima.

Motorista da moto que levou a Ana até os pés da Citadelle, no norte do Haiti

Motorista da moto que levou a Ana até os pés da Citadelle, no norte do Haiti


Já sabemos, mas com uma cena assim é que fica claro como 4 dólares fazem toda a diferença na vida desse povo. Foi um momento estressante para quem quer apenas aproveitar aquele cenário incrível nas montanhas haitianas, mas logo passou e estávamos nas garupas dos motociclistas que primeiro haviam nos abordado, educadamente, antes de entrarmos no castelo. O diretor nos seguiu em seu carrinho de golf, para acompanhar os primeiros turistas independentes que ele via chegar ali, bem curioso e atencioso.

Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti

Encontro com o encarregado do Ministério do Turismo, nas ruínas de Sans-Souci, no norte do Haiti


Retornamos à Cap-Haitien em um taptap que pegamos no centro da cidade, logo após termos feito um lanche rápido no restaurante do único hotel-pousada que vimos em Milot. No taptap conhecemos uma menina que, curiosa, nos perguntou de onde éramos e o que fazíamos ali. O Rodrigo se comunicou com ela em francês, eu entendendo quase tudo, mas precisando do marido para traduzir as minhas perguntas e respostas.

Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti

Fazendo amigas no Taptap que nos trazia de volta da Citadelle para Cap-Haitien, no norte do Haiti


Eis que ela nos pergunta: “Por que vocês não falam creole?” Bem... como explicar... nós falamos português, espanhol, inglês e até o francês (no caso do Rodrigo), mas creole não foi assim, uma prioridade, pois só podemos fala-lo aqui. E ela genuinamente intrigada e sem entender direito, começou a tentar me explicar algumas frases como:
Non mwen se Ana”, “Mwen swiv brezilyen” e a expressão “Bon Bagay”, que quer dizer “gente boa”, bastante utilizada pelos militares brasileiros, por sinal. Para a leiga aqui tudo me pareceu muito com o francês, mas meio tupiniquim “Mim nome é Ana”, mais simples e curto que o francês, quem sabe até mais fácil. Gostei! Se vier morar aqui sem dúvida terei que aprender! Rs!

A popular expressão em creolle que quer dizer 'boa gente', em Cap-Haitien, no norte do Haiti

A popular expressão em creolle que quer dizer "boa gente", em Cap-Haitien, no norte do Haiti


O final do dia foi no bar encima do mercado no Boulevard, com vista para o mar e uma boa prestigie gelada, com uma sensação boa de missão cumprida. Um dia lindo, cheio de explorações e interações no interior do Haiti, descobrindo cada vez mais o quanto esse país tem a nos oferecer e que mesmo com tantas dificuldades, descobrir o quão sorridente e gentil seu povo é. Hey, aqui entre nós, tenho um segredo para contar a vocês, acho que estou apaixonada pelo Haiti!

No interior de uma das torres da Citadelle, no norte do Haiti

No interior de uma das torres da Citadelle, no norte do Haiti

Haiti, Cap-Haitien, Citadelle, Citadelle, Creole, Milot, Palácio, Transporte

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Pelo Centro de Guadalajara

México, Guadalajara

Plaza de los Mariachis, em Guadalajara, no México

Plaza de los Mariachis, em Guadalajara, no México


Acordamos tranquilos e fomos ao café da manhã antes de começar a programação no centro histórico. Os jornais noticiavam um grande ataque dos narcotraficantes ontem, por toda a cidade de Guadalajara. O cartel de drogas Jalisco Nueva Generación estava “protestando” contra a prisão de um dos seus principais líderes e ateou fogo em mais de 10 ônibus nas principais estradas e avenidas da cidade. Curioso é que tudo aconteceu justamente no horário que nós estávamos entrando em Guadalajara, pela única estrada que eles não atacaram! Só vimos hoje no jornal! Escapamos da confusão por pouco. Isso é o que eu chamo de santo forte e anjo estropiado!

A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México

A famosa Plaza de los Mariachis, no centro de Guadalajara, no México


Pegamos um táxi e fomos para o centro, que seguiu sua vida normal independente dos ataques de ontem. Todo o comércio estava funcionando, restaurantes, museus, ruas lotadas, como se nada tivesse acontecido. A vida continua! Começamos o tour pela Plaza Guadalajara, em frente à imponente Catedral, construída entre 1558 e 1618. Quase tão antiga quanto a fundação da cidade!

A bela Catedral de Guadalajara, no México

A bela Catedral de Guadalajara, no México


Demos a volta à catedral, passando pela Plaza de Armas onde está o Palácio Nacional, um coreto e vários locais passando tempo. Logo atrás do Teatro Degollado, um prédio de arquitetura pomposa, há um monumento à fundação da cidade. Uma escultura super curiosa que conta com a participação dos indígenas, missionários e seus fundadores espanhóis.

Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México

Palacio del Gobierno, em Guadalajara, no México


Seguimos pela Plaza de La Liberación onde vários artistas de rua e ambulantes dão de tudo para tirar o seu ganha pão. Estátuas vivas, índios peruanos tocando flautas e até uma performance de um velho bigodudo no banheiro havia. Quando alguém lhe dava uma moeda, sentado no trono, ele fazia força e usava o papel higiênico. Surreal a criatividade do cara! O que esse povo não faz para sobreviver?

Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México

Ônibus turístico no centro de Guadalajara, no México


Chegarmos à imensa Plaza Tapatía onde está mais um anjo parecido com o que vimos na Cidade do México, provocando as pessoas a tirar uma foto e participar de um concurso. Divertidíssimo!

Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México

Um anjo pousa na Plaza Tapatía, em Guadalajara, no México


Ao fundo uma turma de formandos se reúne para a tradicional foto em frente ao Centro Cultural Las Cabañas, enquanto uma cantora solitária no palco de um restaurante se esforçava para chamar a atenção dos poucos caminhantes.

Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))

Formatura com pompa e cisrcunstância em Guadalajara, no México (Instituto Cabañas))


O mercado municipal tem uma área imensa só de couro, chapéus de cowboy, os grandes chapéus mexicanos, sapatos, botas coloridas super adornadas e acessórios para montaria. A parte de roupas tem dos vestidos tradicionais às boas e velhas camisetas com frases e personagens famosos no país.

Venda de sombreros no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México

Venda de sombreros no Mercado San Juan de Diós, em Guadalajara, no México


Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)

Os dois mais famosos revolucionários mexicanos (em Guadalajara, no México)


A Plaza de los Mariachis foi onde, dizem, nasceram estes artistas, hoje personagens consagrados da cultura mexicana. Nesta praça os encontramos em seu estado “quase” natural, descansando, tomando um café e lendo seu jornalzinho, entre uma música e outra. Se você quer vê-los em ação é só encomendar uma música ou encontrar os seus concorrentes mais animados no El Parián de Tlaquepaque.

Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México

Mariachi descansa pela ausência de clientes, em Guadalajara, no México


O final de tarde foi no La Fuente, um bar em funcionamento desde 1921, com boa música, cerveja gelada e um público costumeiro de senhores e alguns jovens mais descolados e ligados à tradição. Fui convidada a ir ao palco para aprender a sapatear na música, um dos principais instrumentos que intercala a voz nestas canções mexicanas tradicionais. Divertido!

A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México

A Ana pratica sapateado no tradicional clube La Fuente, no centro de Guadalajara, no México


Terminamos o dia de andanças na Plaza de las Nueve Esquinas, uma charmosa e traquila praça rodeada de restaurantes. Provamos um dos pratos clássicos de Jalisco, a Barbacoa de Carneiro. Estava deliciosa! O prato mais tradicional é o birrio, carne de bode preparada como uma sopa, uma carne de panela. Ainda temos que criar coragem para prová-la, mas ainda não foi hoje!

Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México

Famosa Birrieria no centro de Guadalajara, no México


Frase universal! (Guadalajara, no México)

Frase universal! (Guadalajara, no México)

México, Guadalajara, América do Norte, cidade histórica, Road Trip, viagem

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