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Caminhando Sobre o Gelo Polar - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Caminhando Sobre o Gelo Polar

Antártida, King George Island

Caminhando na neve ao redor de um lago congelado em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Caminhando na neve ao redor de um lago congelado em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Como disse no post anterior, hoje tivemos a chance de desembarcar em King George Island, provavelmente a ilha mais movimentada da Antártida. Apesar da área de quase 1.200 km2, mais de 90% deste terreno está coberto por gelo e neve. Pode parecer muito, mas para níveis antárticos, até que não é. O continente como um todo tem mais de 98% de sua área coberta pelo gelo! Voltando à ilha do Rei George, os pouco mais de 100 km2 restantes de terras livres do gelo são “disputadas” por mais de uma dezena de bases científicas, entre elas a do Brasil. E mesmo com toda essa concorrência, o Sea Spirit conseguiu nos desembarcar em um ponto longe de qualquer sinal de civilização: a simpática praia de Turret Point.

No zodiac a caminho do desembarque em Turret Point, em King George Island, na Antártida

No zodiac a caminho do desembarque em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Desviando de pequenos icebergs a caminho do desembarque em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Jeff Orlowski)

Desviando de pequenos icebergs a caminho do desembarque em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Jeff Orlowski)


A praia e os rochedos de Turret Point, em King George Island, na Antártida

A praia e os rochedos de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Como sempre, muito felizes e agitados por pisar em terra firme, fomos recebidos na praia por uma espécie de pinguins que ainda não havíamos encontrado. Mais uma para nossa coleção de espécies da ave símbolo da Antártida! Pois é, os pinguins Adelie nos receberam de braços abertos!

Um simpático pinguim Adelie nos recebe de braços abertos em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um simpático pinguim Adelie nos recebe de braços abertos em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Um simpático pinguim Adelie nos recebe de braços abertos em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um simpático pinguim Adelie nos recebe de braços abertos em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Essa espécie de pinguins é conhecida pela sua curiosidade quase suicida. Não têm nenhum medo de nada que encontrem em terra firme. Os humanos aprenderam isso já há mais de 100 anos, durante a expedição de Scott em busca do polo sul. Enquanto arrumavam as coisas, as matilhas de cães husky eram presas em cordas. Os pinguins adelie, ainda mais curiosos pelos cachorros do que pelos humanos, se aproximavam dos cães excitadíssimos com aquela estranha e engraçada criatura. Seus latidos tinham o efeito de atrair ainda mais os pinguins que rumavam sem medo rumo à morte certa na boca dos cachorros. Os pinguins só reagiam quando algum humano insolente tentava afastá-los dos cães. Aí sim bicavam e esperneavam. Queriam mesmo era chegar perto dos cães, por mais que outros de sua espécie já houvessem sido trucidados bem em frente aos seus olhos. Por isso Scott e seus companheiros não pouparam críticas a sua falta de “inteligência”...

Pinguim Adelie caminha na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Pinguim Adelie caminha na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Pinguim Adelie se locomove deitado em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Pinguim Adelie se locomove deitado em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Essa falta de noção de perigo em terra firme é compensada com todos os cuidados dentro da água, onde moram seus predadores naturais, a foca leopardo e a orca. Quando uma multidão de pinguins adelie se aproxima de um barranco de gelo, nenhum deles quer ser o primeiro a entrar. Até que, deliberadamente, alguma cobaia é empurrada lá de cima enquanto os outros observam atentamente. Assim que o pinguim empurrado levanta a cabeça fora da água para dizer que está tudo bem, outros tratam de se atirar na água também para poder chegar o mais rápido possível em alto mar, onde estão mais seguros.

Nossos calçados para caminhar na neve nos aguardam em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Nossos calçados para caminhar na neve nos aguardam em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Prepraração para uma caminhada no gelo e na neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Prepraração para uma caminhada no gelo e na neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Passageiros do Sea Spirit calçam seus sapatos para neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Passageiros do Sea Spirit calçam seus sapatos para neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida


O nome da espécie é uma homenagem ao nome da esposa do explorador francês Jules D’Urville. Não sei se a homenageada gostou do presente, mas o fato é que esse pinguim foi um dos últimos a serem descobertos, pois é uma das espécies que vivem mais ao sul do planeta, perdendo apenas para o pinguim imperador. São pinguins menores do que aqueles que já havíamos visto, tem o rosto todo negro e se espalham ao redor da Antártida em um número próximo dos 4 milhões de casais, distribuídos em quase 300 locais de reprodução. Chocam dois ovos de cada vez, pai e mãe se dividindo nas tarefas de chocar e alimentar os filhos até que eles já saibam cuidar de si próprios. O processo de namoro, consumação, chocagem e cuidado com os filhos vai de Novembro a Março. No resto do ano, ficam no mar onde chegam a nadar a mais de 60 km/h!

Fotografando a caminhada pela vastidão branca de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Fotografando a caminhada pela vastidão branca de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Trekking com sapatos para neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Trekking com sapatos para neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Calçados para caminhar na neve emTurret Point, em King George Island, na Antártida

Calçados para caminhar na neve emTurret Point, em King George Island, na Antártida


Ver os pinguins adelie de perto foi muito legal, mas a nossa principal atividade hoje foi uma caminhada na neve antártica. Para brasileiros acostumados com praias e florestas, mas totais leigos em neve, certamente esse foi o grande acontecimento do dia. Quando desembarcamos em terra firme, lá já estavam dispostos os nossos calçados especiais para a caminhada, quase que uma raquete de tênis em cada pé, para evitar que afundemos na neve fofa. Todos os passageiros calçaram seus calçados e lá fomos nós, em grupo, contornar um lago congelado entre a praia e a nossa trilha.

Caminhando em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Caminhando em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Filhotes de elefantes marinhos descansam sobre lago congelado em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Filhotes de elefantes marinhos descansam sobre lago congelado em Turret Point, em King George Island, na Antártida


observando um filhote de elefante marinho em Turret Point, em King George Island, na Antártida

observando um filhote de elefante marinho em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Nossos guias e as bandeiras colocadas por eles nos diziam para não ir até o lago. O gelo poderia ceder sobre o nosso peso. Mas os filhotes de elefantes marinhos não pareciam assim, muito preocupados com essa possibilidade. Enquanto a gente dava a volta por fora e os fotografava de longe, eles brincavam entre si e nos olhavam curiosos. A esta altura do ano, pelo menos por aqui, os adultos já voltaram para o mar enquanto seus filhos, razoavelmente crescidos, ainda apreciam a vida em terra firme.

Um filhote de elefante marinho parece acenar para nós em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um filhote de elefante marinho parece acenar para nós em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Um filhote de elefante marinho nos observa em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um filhote de elefante marinho nos observa em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Um filhote de elefante marinho nos observa em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um filhote de elefante marinho nos observa em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Além dos pinguins adelie, outras aves nos acompanhavam curiosas. Elas nos sobrevoam, posam para fotos lá de cima, verificam que nós não somos comida e se afastam. São os imperial shags com seus inconfundíveis olhos azuis e os giant petrels que, depois dos albatrozes, são os maiores pássaros da região.

Imperial Shags nos observam do ar em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Imperial Shags nos observam do ar em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Um giant petrel nos sobrevoa curioso em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um giant petrel nos sobrevoa curioso em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Um Imperial Shag em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Um Imperial Shag em Turret Point, em King George Island, na Antártida


A caminhada foi até o final da praia, onde estão os rochedos de Turret Point. Muitos deles com uma cobertura avermelhada, fungos que se adaptaram ao frio da vida polar. Na falta do verde das plantas, temos de nos contentar com o vermelho dos fungos, a única cor que se vê por aqui além do branco, da neve, o azul do mar, o marrom das rochas e, claro, a amarelo dos nossos casacos.

Rochedos cobertos pela neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Rochedos cobertos pela neve em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Fungos, a principal 'vegetação' em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Senteney)

Fungos, a principal "vegetação" em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Senteney)


Ao invés do verde, o laranja! Pedra coberta por fungos em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Steve Denver)

Ao invés do verde, o laranja! Pedra coberta por fungos em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de Steve Denver)


O caminho de volta foi pela praia mesmo, já sem os calçados de neve. Dali podíamos admirar melhor os enormes blocos de gelo (ou pequeno icebergs?) que se aglomeravam na baía. Alguns de cor bem azul, sinal da idade e da enorme pressão a que foi submetido esse gelo na geleira em que se formou, quem sabe há alguns milhares de anos. O mar trouxe alguns desses blocos de gelo até a praia, onde ficaram atolados. Ótima oportunidade para podermos chegar mais perto, admirar, tocar e até subir encima deles. Não se pode perder a oportunidade de uma boa foto!

Observando a praia repleta de blocos de gelo em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de France Dione)

Observando a praia repleta de blocos de gelo em Turret Point, em King George Island, na Antártida (foto de France Dione)


Fotografando blocos de gelo na praia de pedras de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Fotografando blocos de gelo na praia de pedras de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Junto a um grande bloco de gelo encalhado na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Junto a um grande bloco de gelo encalhado na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Examinando os pequenos icebergs na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Examinando os pequenos icebergs na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Pose para foto sobre os icebergs da praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Pose para foto sobre os icebergs da praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Outra coisa que encontramos na praia, essa não tão alegre, são ossos de baleias. Testemunhos mudos de uma época em que esses grandes animais eram caçados por aqui e, depois de mortos, seus ossos descartados. Em um lugar tão frio e seco, esses ossos podem durar centenas de anos em terreno aberto. São vértebras, mandíbulas e até as chamadas “barbas-de-baleia”. São estruturas que substituem os dentes em muitas das espécies de baleias. Sevem para filtrar a água salgada dentro da boca da baleia, separando dela o alimento como o krill e pequenos peixes. A água, então é toda descartada. Baleias não bebem água do mar. Toda a água que seu organismo necessita vem do próprio alimento que consomem.

Ossos de baleia em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Ossos de baleia em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Osso de baleia na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Osso de baleia na praia de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Barbas de baleia, usadas para filtrar o alimento da água salgada do mar, dentro da boca do cetáceo (em Turret Point, em King George Island, na Antártida)

Barbas de baleia, usadas para filtrar o alimento da água salgada do mar, dentro da boca do cetáceo (em Turret Point, em King George Island, na Antártida)


Além de brincar e nos encantar com o gelo, tivemos também mais tempo pata brincar e fotografar os elefantes marinhos adolescentes. Depois, hora de voltar ao Sea Spirit, felizes com a experiência e esfomeados pelo almoço. Que delícia que é conhecer a Antártida com a estrutura de um Sea Spirit!

Filhotes de elefantes marinhos brincam de brigar em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Filhotes de elefantes marinhos brincam de brigar em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Filhotes de elefantes marinhos brincam de brigar em Turret Point, em King George Island, na Antártida

Filhotes de elefantes marinhos brincam de brigar em Turret Point, em King George Island, na Antártida


Blocos de gelo e o Sea Spirit dividem as águas da baía de Turret Point, em King George Island, na Antártida

Blocos de gelo e o Sea Spirit dividem as águas da baía de Turret Point, em King George Island, na Antártida


Por falar nosso, de tarde, enquanto navegávamos ao largo da King George Island, recebemos a notícia que não haveria mais desembarque hoje, devido às condições do tempo. Não tem problema, a piscina de água quente no convés é sempre uma boa pedida. Principalmente acompanhada de cerveja ou champagne e com o maravilhoso e gelado visual antártico ao nosso redor.

Banho relaxante de piscina ao largo de King George Island, na Antártida

Banho relaxante de piscina ao largo de King George Island, na Antártida


Um br?inde ao delicioso dia em King George Island, na Antártida

Um br?inde ao delicioso dia em King George Island, na Antártida

Antártida, King George Island, trilha, Bichos, Pinguim, elefante marinho

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