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Palenque e as Cidades Mayas - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Palenque e as Cidades Mayas

México, Ocosingo, Palenque

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Conforme vamos passando pela região onde os mayas desenvolveram sua civilização, vamos aprendendo mais sobre essa fascinante cultura. Do norte de Honduras ao sul do México, passando por Guatemala, El Salvador e Belize, ruínas de suas antigas cidades e descendentes desse povo milenar são testemunhos tangíveis dessa que é considerada a mais brilhante civilização pré-colombiana.

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


Nosso primeiro contato com essa cultura foi em El Salvador, onde visitamos as ruínas de três antigas cidades. Honduras e Belize estão em nosso roteiro, mas só quando estivermos voltando da América do Norte. Na Guatemala, coração do mundo maya, onde estão as ruínas de Tikal, tivemos muito contato com sua cultura, através da língua, vestimentas e costumes de seus descendentes. Na região do lago Atitlán, por exemplo, muitas pessoas falavam espanhol com sotaque, já que sua primeira língua era algum dos muitos dialetos mayas. Mas os sítios arqueológicos mais importantes, a maioria na região de Petén, também deixamos para a volta, quando entrarmos no país vindos de Belize.

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

A caveira que dá nome ao Templo de La Calavera, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Foi só aqui no sul do México, em Chiapas, que voltamos a visitar essas incríveis ruínas que ficaram escondidas por séculos atrás de densas florestas e que somente nas últimas décadas foram “redescobertas” pela civilização. É na península do Yucatán, também no nosso roteiro da volta, que está a maioria dos sítios mayas, mas uma das joias da coroa, a magnífica cidade de Palenque estava bem ao nosso alcance e para lá seguimos hoje.

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O Templo das Inscrições visto do alto do Palácio, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Ao contrário dos incas e astecas, a civilização maya nunca formou um império centralizado. Ao contrário, era mais parecido com os gregos, cidades-estados que ora formavam alianças entre si, ora guerreavam entre elas, se dividindo em áreas de influências de cidades maiores e mais poderosas. O que os unia no que conhecemos como civilização maya era uma cultura comum, mesmas crenças, estilo arquitetônico próprio, línguas e dialetos com mesmas raízes.

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Ruínas mayas do Grupo das Cruzes, em Palenque, Chiapas, no sul do México


As cidades, que chegaram a ter quinze mil habitantes no seu auge, no séc. IX, se organizavam ao redor de templos em formas de pirâmides e uma espécie de palácio, residência dos soberanos e centro do poder administrativo e militar. Os templos homenageavam divindades e também antigos soberanos que muitas vezes construíam seus mausoléus ainda em vida. Sólidas construções em pedra, algumas com mais de 80 metros de altura, construídas sem o auxílio de ferramentas de metais, animais de carga ou da roda. Tudo no muque, mesmo. Impressionante!

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Visão geral das ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Sociedade altamente estratificada e com pouquíssima mobilidade social. Clero, nobreza, guerreiros e o povão. Como sempre, era este ultimo grupo que sustentava os demais, na base da tributação. Os tributos eram pagos com alimentos e trabalho, mão de obra para as grandes construções. Em troca, tinham no clero a garantia de que os deuses os protegeriam e na nobreza o porto seguro da cidade, que os protegia de outras cidades ávidas por conquistas e servos.

Hieroglifos mayas em Palenque, Chiapas, no sul do México

Hieroglifos mayas em Palenque, Chiapas, no sul do México


As construções eram ricamente ornamentadas com painéis e “desenhos” que apenas recentemente os linguistas conseguiram decifrar como linguagem. Isso possibilitou um salto enorme no entendimento dessa civilização, sua história, costumes e religião. Os mayas eram precisos com relação à datas de acontecimentos astronômicos e da história de seus líderes, suas batalhas, conquistas, nascimento e morte. Para nós, leigos, é incrível a quantidade de informações que os estudiosos conseguiram extrair daqueles grifos. Perto deles, antigos hieróglifos egípcios e chineses parecem brincadeira de criança...

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México

Explorando ruínas mayas tomadas pela vegetação em Palenque, Chiapas, no sul do México


Mesmo traduzido para o nosso alfabeto, os nomes dos deuses ainda parecem impronunciáveis. Deuses que requeriam a sua parcela de sacrifícios humanos, mas sem a voracidade dos deuses astecas, esses sim amantes do sangue humano. Não era uma religião fácil. Além dos nomes impronunciáveis, eram nada menos que nove céus e doze infernos, cada um com suas características. Não é à toa que o clero era tão poderoso, os únicos a entender e saber lidar com tudo isso.

Descendo do Templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México

Descendo do Templo do Conde em Palenque, Chiapas, no sul do México


Palenque foi uma das mais poderosas cidades mayas em seu tempo. Seu auge se deu no início do séc. VIII, mas rivalidades com a vizinha e militarizada Toniná (que visitaremos amanhã) acabaram por minar seu poder. As ruínas da cidade são absolutamente magníficas, enormes construções de pedra sempre tendo como pano de fundo uma densa floresta. A mesma floresta que a cobriu por quase dez séculos, de certa forma protegendo-a das intempéries do tempo.

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México

Os belíssimos e cristalinos Banhos da Rainha, em Palenque, Chiapas, no sul do México


Hoje, são centenas de turistas diários, quase sempre trazidos em grupos e excursões. Mas a área é tão grande que não é difícil se estar sozinho. Sozinho com os fantasmas milenares que ainda habitam por ali. As construções principais, como o palácio ou o Templo das Inscrições, esses sim sempre tem gente. Mas basta entrar um pouco na selva para termos um templo só para nós. É justamente aí que se vê como a natureza reclama o que é seu, quando lhe dão chance. Gigantescas árvores que cresceram sobre o piso de pedra de templos, galhos e troncos envoltos em antigas pilastras, terras e folhas que taparam uma parede. O efeito conjunto é incrível!

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México

As magníficas ruínas do Palácio em Palenque, em Chiapas, no sul do México


O fascínio que essas ruínas exercem já vem de longe. Aqui em Palenque, viajantes já se maravilhavam no séc XIX. Houve até um conde europeu que esteve aqui por dois anos, vivendo no topo de um dos templos ainda nos tempos de D. Pedro I. Julgava-se um príncipe maya. Imagino o trabalho que tinha para subir e descer aquelas íngremes escadas que nos levam até o alto, exercício de equilibrismo. A vantagem que teve (não sei se aproveitou...) foi que naquela época o banho no chamado “Banhos da Rainha”, um belíssimo trecho de rio encachoeirado que forma piscinas cristalinas bem no meio da cidade, era permitido. Hoje, se fosse liberado, certamente as lindas formações já teriam sido destruídas, com as centenas de milhares de visitas anuais. Caminhando com a Ana ao longo desse trecho do rio, por entre árvores centenares, argumentei que os banhos ainda deveriam ser liberados, pelo menos para uma classe especial de turistas: aqueles que chegaram ali depois de mais de 50 mil km dirigindo. Justo, não?

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

O famoso Templo das Inscrições, nas ruínas mayas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


A gente passa por esse trecho no final da visita, já caminhando em direção ao museu. Ali, um novo espetáculo. Além das riquíssimas informações históricas, é lá que estão os principais achados arqueológicos, justamente o que enfeitava e adornava as construções que tínhamos acabado de ver. São estátuas, máscaras, painéis, objetos pessoais, colares, joias, vasos e tudo mais o que dá vida a um lugar. Imaginar como seria Palenque com tudo aquilo, é aí que começamos a captar a real riqueza (em todos os sentidos!) daquela cidade e daquela civilização.

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Mapa mostrando a região da civilização maya, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


O mais incrível é que foi exatamente no seu auge que, subitamente, a civilização “implodiu”. No transcurso de apenas uma geração, todas as grandes cidades foram abandonadas para, com o passar dos séculos, serem retomadas pela natureza. Aparentemente, uma superpopulação, aliada a um período particularmente longo das condições naturais adversas colocando em cheque recursos naturais fez com que grandes cidades não mais se sustentassem. A população voltou para o campo, as elites deixaram de ser sustentadas, e a civilização retrocedeu séculos de história. Novas cidades foram criadas posteriormente, mas jamais atingiram a glória de suas anteriores. Quando os espanhóis chegaram, seis séculos mais tarde, a civilização maya era apenas uma sombra do que tinha sido anteriormente.

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Placa maya com desenhos e hieroglifos, no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México


Voltamos já no escuro para Ocosingo. Nada de banho de cachoeira, como eu pretendia. Claro, Palenque vale muito mais que mais uma cachoeira nos 1000dias, sem dúvida. Foram duas horas de curvas e topes e muitas reflexões sobre os mayas. Quase chegando, o exército nos deixou passar dessa vez. Ufa, teria sido chato outra inspeção àquela altura da noite. Amanhã temos mais mayas pela frente, os grandes rivais de Palenque, aqui do lado de Ocosingo. Depois, finalmente, viajaremos para a famosa San Cristobal de Las Casas. E hoje, dormiremos muito mais conhecedores dos mayas do que ontem. Mas, ao mesmo tempo, muito mais conhecedores do tanto que NÃO sabemos sobre eles...

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

México, Ocosingo, Palenque, arqueologia, Ruínas, Chiapas, mayas

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Toniná

Blog da Ana Máscara maya no museu das ruínas de Palenque, em Chiapas, no sul do México

A Majestosa Palenque

Comentários (4)

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  • 25/02/2014 | 00:06 por Augusto

    Muito legal o relato pessoal, temos muita vontade de conhecer as cidades Mayas, está nos planos para os próximos anos! Vendo essa fotos só dá mais vontade de apressar a viagem. hehehehehe

    Resposta:
    Olá Augusto

    Viajar pelas cidades mayas espalhadas pela América Central é uma experiência espetacular. Espero que vc consiga viajar por elas, pois vale muito a pena, nos dá uma outra perspectiva da nossa história aqui nesse planeta em que vivemos.

    Um abraço

  • 21/03/2012 | 10:58 por JOÃO GONÇALVES DA SILVA FILHO

    Gostaria de saber, mater-me informado sobre a Civilização dos Mayas, pois participo dde uma doutrina espiritualista onde existe uma Falange Missionária denominada Príncipes Maya. Por favor, se possível, preciso de mais informações.

    Grato,
    João Gonçalves

    Resposta:
    Olá João

    Teremos prazer em tentar lhe informar no que queira sobre esta íncrivel civilização. Qualquer dúvida que tenha, pode perguntar!

    Abs

  • 21/01/2012 | 21:31 por Lalau

    Pq vc disse q foram construidos sem uso da roda e de animais?
    Bjs, saudades

    Resposta:
    Oieeee!

    Já de volta à São Carlos?

    Então, na América pré-colombiana não existiam animais de carga, como bois e cavalos. Talvez até por isso também não usavam a roda (de que adianta uma carroça se não há um burro para puxá-la?)

    Quando muito, punham uns troncos abaixo das grandes pedras para empurrá-las, mais ou menos como os pescadores fazem com os barcos no Nordeste, para puxá-los para fora da água.

    O primeiro cavalo que viram foi quando os espanhóis chegaram. Achavam que era apenas um ser, cavalo e cavaleiro. Uma das principais razões para terem perdido a guerra tão rapidamente...

  • 21/01/2012 | 21:06 por Gera

    Legal, muito lgal, essa parte da viagem!!
    Bjs

    Resposta:
    É joia mesmo, Gera!

    Sempre lembro de vc quando estamos visitando esses lugares. Ainda tenho esperança que vc venha nos visitar na passagem de volta pelo México e Guatemala. Ainda tem muita ruína para vermos!

    Um grande abraço

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