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Os Pontões Capixabas - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Os Pontões Capixabas

Brasil, Espírito Santo, Pancas

A magnífica região dos Pontôes Capixabas, em Pancas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)

A magnífica região dos Pontôes Capixabas, em Pancas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)


Dia de seguir viagem rumo à Itaúnas, no litoral norte capixaba. Muito relutamos, mas acabamos por desistir de voltar à região de Pancas e dos Pontões Capixabas, no noroeste do estado. Tínhamos passado por ali ainda antes dos 1000dias, no reveillon de 2008. A região nos impressionou tanto que juramos um dia voltar. A promessa continua de pé!

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Tempo nublado na grandiosa paisagem da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Tempo nublado na grandiosa paisagem da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Mas, infelizmente, não será dessa vez. Com todas as “visitas” ao nosso redor e o relógio do 1000dias fazendo um contínuo tic-tac, esse longo desvio na rota para o norte tornou-se muito difícil. Porém, as memórias e as fotos da viagem anterior ainda estão frescas. Frescas o bastante para escrever um post sobre uma das regiões mais belas desse nosso imenso país. E olha que quem disse isso não fui eu, mas “um tal” de Burle Marx, o paisagista mais afamado do Brasil.

Caminhando na pacata cidade de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando na pacata cidade de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Quem viajou pelo leste de Minas Gerais e pelo interior do Espírito Santo certamente já se impressionou com a principal característica geológica dessa área: gigantescos rochedos que parecem brotar do solo e querer atingir os céus. Alguns com centenas de metros de altura, formam imensos paredões de pedra exposta, paraíso de alpinistas, fotógrafos e amantes da natureza.

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Tecnicamente, esse tipo de montanha é conhecido como “Inselberg”, uma palavra de origem alemã que significa, literalmente, “monte-ilha”. Têm origem pré-cambriana, ou seja, têm mais de 600 milhões de anos! São monolitos (uma “única peça”) de gnaisse e granito, materiais extremamente duros e que, por sua resistência, continuam de pé enquanto todo o material que os cercavam foi erodido pelas intempéries do tempo através das eras geológicas. O resultado, então, lembra mesmo um ilha, esse enorme bloco de pedra circundado por uma vasta planíce muito abaixo de si.

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


No Brasil, o mais conhecido inselberg é o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Por isso, pelo menos entre nós, esse tipo de formação geológica é conhecida como da “classe Pão de Açúcar”. Eles se espalham pelo leste do país, do Rio ao semi-árido nordestino, mas é justamente nessa região noroeste do Espírito Santo onde são mais abundantes. Tanto que aí até receberam uma designação regional. São os “pontões”! No estado, o pontão mais conhecido, e nós passamos por lá poucos posts atrás, é a Pedra Azul. Essa enorme e proeminente rocha faz a alegria visual de quem viaja pela rodovia que liga Belo Horizonte à Vitória, mas não pertence à área dos chamados pontões capixabas. Pouco mais de 100 quilômetros ao norte, eles se concentram ao redor da pequena cidade de Pancas, praticamente desconhecida da grande maioria dos brasileiros, mesmo aqueles mais viajados.

A proeminente e belíssima Pedra da Agulha, em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)

A proeminente e belíssima Pedra da Agulha, em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)


Tempo nublado na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Tempo nublado na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Mas não de nós! Quase dois anos atrás, planejamos passar nosso reveillon na cidade de Itaúnas, última localidade capixaba antes de se atingir o litoral baiano. Era uma longa viagem para fazermos em poucos dias de férias, saindo lá de Curitiba. Então, esquadrinhando o mapa para descobrir a roa mais interessante, eis que me deparei com o Parque Nacional dos Pontões Capixabas, uma pequena mancha verde no meu atlas e que se colocava justamente no nosso caminho. Lendo mais a respeito, logo mudamos os nossos planos e resolvemos passar alguns dias por lá antes de chegarmos ao litoral, motivo primeiro da nossa viagem. Interior do estado e em meio às montanhas, seria o contraponto perfeito para quem passaria outros tantos dias na praia. Aliás, é uma rota e combinação perfeita que recomendo a todos os que viajam por essas paragens: Pancas e Itaúnas!

Atravessando rio durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Atravessando rio durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando e explorando a belíssima região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Pois bem, foram dois dias de explorações dos vales entre os pontões, mas São pedro não quis cooperar conosco. O tempo esteve quase sempre nublado e não tivemos as melhores vistas dessa paisagem quase jurássica. Mesmo assim, foi possível perceber a incrível beleza da região e assinar embaixo da declaração de Burle Marx. O mais incrível é pensar em como, até hoje, esse pedaço de paraíso ainda seja tão pouco explorado para o turismo. Brasileiros viajam longe para conhecer paisagens distantes na Argentina e no Colorado e desconhecem que, aqui no seu quintal, paisagens igualmente grandiosas aguardam para serem exploradas e admiradas.

Corredeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Corredeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Nós contratamos um guia que nos levou por diversas trilhas por entre as monumentais montanhas de pedra. Exploramos rios e vales e nos deliciamos em algumas de suas diversas cachoeiras. Chegamos à mirantes de onde se pode melhor observar os inselbergs mais famosos da região, como a Pedra do Camelo e a pedra da Agulha. esses são apenas dois exemplos mais conhecidos das quase duas dezenas de “montes-ilhas” que se espremem em uma área tão pequena. O visual enche os olhos de qualquer turista que aí chegue, mas quem se esbalda mesmo são os alpinistas e amantes do voo livre, asa delta ou paraglider. Pelo menos nesse meio a fama da região já chegou, talvez a melhor do país para essas duas atividades radicais. São dezenas e dezenas de vias de escalada já conhecidas e outras centenas para serem estabelecidas. Para quem voa, essa profusão de rochas aquecidas pelo sol e que se colocam no meio do caminho do vento criam as condições ideais para as famosas térmicas que levam pássaros e os humanos mais intrépidos para as alturas. E lá de cima, que ninguém duvide, é de onde se tem a melhor visão dessa paisagem de beleza crua e quase inacreditável.

Mais um delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Mais um delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Banheira de hidromassagem natural na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Banheira de hidromassagem natural na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Delicioso banho de cachoeira na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Nós acabamos ficando mais embaixo, com as trilhas e as cachoeiras, e apenas com um gostinho das visões mais amplas, quando São Pedro nos dava uma folga. Mas também tivemos a chance de aprender um pouco sobre a interessante história da região e da complicada problemática que atingia os moradores locais justamente naquele época.

Região rural de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Região rural de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Pequena propriedade rural em meio à grandiosidade da paisagem na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Pequena propriedade rural em meio à grandiosidade da paisagem na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


No meio da caminhada, pausa para uma legítima cachaça da terra na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

No meio da caminhada, pausa para uma legítima cachaça da terra na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Quem colonizou a região de Pancas, ainda em meados do século XIX, foram os pomeranos. Era uma época em que ainda não existia a Alemanha como país, antes de sua unificação planejada e brilhantemente executada por Otto von Bismark. A nação se dividia em dezenas e dezenas de pequenos estados. Todos falantes da língua germânica, cada um com seu diferente sotaque. Um deles era a Pomerânia e foi ainda como pomeranos que muitos migraram para o Brasil. Por isso o orgulho da antiga e extinta nacionalidade ainda sobrevive por aqui. Pois bem, os pomeranos se espalharam por esses vales e por quase um século mantiveram firme sua cultura. Mas a chegada da 2a Guerra Mundial fez com que essa cultura germânica fosse perseguida em diversos países e regiões do mundo, inclusive na distante e pequena Pancas. Falar em “pomerano” em público passou a ser “desestimulado” e as novas gerações perderam boa parte do vínculo que as unia ao passado. Hoje, meio século após esses tempos difíceis para a comunidade, tenta-se recobrar os elos quase perdidos com essa cultura deixada para trás, no tempo e no espaço.

Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Criação de gado na área do parque na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Os enormes rochedos que caracterizam a região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Enfim, é uma luta valorosa, mas não é a principal preocupação atual dos habitantes de Pancas. Algo muito mais terreno os aflige. Por incrível que pareça, tem a ver com a criação do Parque Nacional que pretende, justamente proteger o meio ambiente e a linda região que seus antepassados desbravaram. Para nós, viajantes e amantes da natureza, sempre vemos Parques Nacionais como soluções e jamais como problemas. mas um pouco de contato com o lado prático da vida nos fez ver como a teoria é sempre muito mais simples e bonita do que a prática das coisas. Aquela rápida passagem por Pancas foi como um tapa, com luvas de película, em nossas faces ingênuas.

Mesmo com tempo nublado, a incrível beleza da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Mesmo com tempo nublado, a incrível beleza da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Vamos nos alimentando com frutas silvestres durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Vamos nos alimentando com frutas silvestres durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Muitas flores na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Muitas flores na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


A criação do parque se deu por uma canetada já nos estertores do governo FHC, em 2002. Provavelmente por gente muito bem intencionada, mas que, muitos deles, nunca estiveram por aqui. Sem uma ampla discussão local, a notícia simplesmente chegou de que aquela terra em que suas famílias trabalhavam e da qual tiravam seus sustento há gerações deveria, num futuro próximo, ser abandonada. Isso porque o conceito de “Parque Nacional” não combina com o de exploração da terra, nem que seja de maneira tradicional ou de subsistência. Parque Nacionais são criados para proteger fauna, flora e paisagens originais e não hortas, pequenas plantações de mandioca ou criação de porcos e galinhas. Indenizações são pagas na desocupação de terras, mas os valores pagos são sempre muito discutíveis e, muitas vezes, irrisórios. Isso quando o pagamento não atrasa e acaba ficando para os netos.

Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Pausa para foto durante caminhada na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Uma das muitas cachoeiras da região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Enfim, a notícia caiu como uma bomba para os habitantes locais. O clima de confusão foi muito bem manipulado por políticos locais e a opinião pública dali, justamente a que mais interessa, se colocou totalmente contra a criação do parque. Como diz tão bem o ditado, “de boas intenções o inferno está cheio”. O que veio como uma boa ideia tornou-se uma fonte de problemas. No meio da confusão, os maiores resquícios de Mata Atlântica do estado, além de uma rica fauna, ficaram numa espécie de vácuo jurídico.

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

A famosa Pedra do Camelo, a mais conhecida na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Caminhando sobre uma das grandes rochas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Os enormes paredões de pedra que fazem a alegria de alpinistas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)

Os enormes paredões de pedra que fazem a alegria de alpinistas na região de Pancas, nos Pontões Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto de Dez/2008)


Esse ainda é um problema atual. Uma região tão linda e com um potencial turístico tão grande perdida em discussões teóricas e juridiquês da pior qualidade.. Enquanto isso, iniciativas privadas de turismo parecem começar a funcionar, embora ainda haja um longo caminho a ser percorrido, uma solução que englobe a proteção ás belezas naturais da região, assim como os legítimos interesses da gente simples que aí vive há tanto tempo, um verdadeiro patrimônio cultural e desconhecido do nosso país. De lá para cá, a denominação de Parque Nacional mudou para a de “Monumento Nacional”, não tão rígido como o anterior. É claro que não é apenas a classificação que deve mudar, mas tudo aquilo que afeta a vida prática que quem vive e de quem visita a região. Experiências no mundo inteiro mostram que preservação, herança cultural e exploração responsável podem coexistir e gerar frutos para todos. É o que se espera para uma região tão magnífica como essa, um dos tesouros desconhecidos desse nosso Brasil que estamos explorando nessa longa viagem pelas Américas.

Prática de paragliding em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)

Prática de paragliding em Pancas, na região dos Pontôes Capixabas, noroeste do Espírito Santo (foto da internet)

Brasil, Espírito Santo, Pancas, trilha, cachoeira, Parque, Pontões Capixabas

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