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Lagos, Lagoas e Lagunas - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Lagos, Lagoas e Lagunas

Brasil, Rio Grande Do Sul, Rio Grande

A vasta e bela Lagoa Mirim, no sul do Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai (foto da internet)

A vasta e bela Lagoa Mirim, no sul do Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai (foto da internet)


Chegamos ontem a Rio Grande, uma das principais cidades portuárias do Brasil, localizada no sul do Rio Grande do Sul. O estranho é perceber que, apesar do porto movimentado, Rio Grande não está de frente ao mar. Não, o seu porto está voltado para uma lagoa (ou lago? Ou laguna?). Na verdade, para o maior lago do Brasil, a Lagoa dos Patos. Para ser ainda mais preciso, para o canal que liga a Lagoa dos Patos ao mar. Aliás, é a própria existência desse canal que, usando a definição usada no Brasil, transforma a Lagoa dos Patos em uma laguna.

A Lagoa dos Patos, a maior do Brasil, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul

A Lagoa dos Patos, a maior do Brasil, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul


Saindo de Rio Grande de balsa, a caminho de São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul

Saindo de Rio Grande de balsa, a caminho de São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul


Pois é, na nossa língua portuguesa, e também em muitas outras, as definições de “lago”, “lagoa” e “laguna” se misturam, dando margem à muita confusão. Basicamente, uma “lagoa” é um lago com uma área menor e uma “laguna” é um lago mais raso, com uns poucos metros de profundidade. Mas na definição brasileira (e isso é mesmo uma particularidade nossa!), a laguna também deve estar ligada ao mar por um canal e, por isso mesmo, sua água é salobra, água doce e salgada misturadas. Portanto, a Lagoa dos Patos não deveria ser chamada de “lagoa”, primeiro porque é grande demais para isso e segundo por estar ligada ao mar por um canal e ter sua água salobra. É claramente uma “laguna”. Mas manda aqui a tradição e ela sempre foi e provavelmente sempre será a “Lagoa dos Patos”.

Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, fica entre as maiores lagoas do Brasil: a Lagoa Mirim (dividida com o Uruguai) e Mangueira, ao sul, e Lagoa dos Patos, ao norte

Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, fica entre as maiores lagoas do Brasil: a Lagoa Mirim (dividida com o Uruguai) e Mangueira, ao sul, e Lagoa dos Patos, ao norte


A definição de “lago” é mais abrangente. Trata-se de uma grande depressão natural preenchida por água. Pode ter origem tectônica, vulcânica ou ter sido escavado no passado por um grande glaciar (como os grandes lagos argentinos). Normalmente, têm vida curta, geologicamente falando. Somente algumas dezenas de milhares de anos. Isso porque os sedimentos trazidos pelos rios que os abastecem tendem a assorear aquela depressão onde nasceu o lago. As exceções são aqueles lagos onde os processos geológicos que causaram a depressão continuam a agir, como é o caso do lago Baikal, que já tem dezenas de milhões de anos de vida e é o mais profundo do mundo. Outros lagos com vida mais longa são aqueles abastecidos apenas por água da chuva, neve ou lençóis freáticos, pois aí há muito menos detritos para assorear a depressão.

Foto de satélite da Lagoa Mirim e Lagoa Mangueira, no sul do Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai

Foto de satélite da Lagoa Mirim e Lagoa Mangueira, no sul do Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai


Os lagos podem ser preenchidos por água doce, que é o mais comum, ou salgada, como é o caso do Mar Cáspio, disparadamente o maior lago do mundo. De tão grande, é até chamado de “mar”. O lago também pode ser natural ou artificial. Nesse caso, há a construção de barragens para que a água se acumule, aproveitando a existência de alguma depressão natural. Quando não há depressão natural pré-existente e ela tem de ser escavada, estamos falando de um “açude”. O Brasil, apesar de suas dimensões continentais, não tem grandes lagos naturais. Se houve no passado, já foram assoreados e transformaram-se em planícies alagadas. O que temos hoje em dia são grandes lagos artificiais, construídos ao longo das bacias do rio Paraná, São Francisco e rios amazônicos, reservatórios de grandes usinas hidroelétricas espalhadas pelo país. Nove desses lagos artificiais tem mais de 1.000 km2, destacando-se Furnas (1.340 km2), em Minas, Porto Primavera (2.140 km2), em São Paulo, Balbina (2.360 km2), no Amazonas, Tucuruí (2.430 km2), no Pará e o maior de todos, Sobradinho (4.214 km2), na Bahia. Também nessa lista está o reservatório de Itaipu (1.350 km2), no Paraná, o mais profundo de todos eles, com 170 metros. Ao ver essa lista, fiquei feliz e orgulhoso por constatar que passamos por todos eles durante os 1000dias!

Foto aérea de trecho mais raso da Lagoa Mirim, no lado uruguaio do lago (foto da internet)

Foto aérea de trecho mais raso da Lagoa Mirim, no lado uruguaio do lago (foto da internet)


Mas o que me interessa agora são os lagos naturais. E os maiores que temos no país estão aqui na região de Rio Grande. Como já disse, no topo da lista está a Lagoa dos Patos, que é considerada uma “laguna”. Tem 9.850 km2 e, na América do Sul, só perde para o Titicaca (um lago de verdade!) e o Maracaibo (que também é uma laguna). Coincidentemente (ou não!), também estivemos nesses dois lagos durante nossa viagem, hehehe. Vou falar mais da Lagoa dos Patos nos próximos posts. Ela está ao norte de Rio Grande. Para o sul, os outros dois gigantes da lista, a Lagoa Mirim e a Lagoa Mangueira. De novo, assim como a Lagoa dos Patos, as duas não poderiam ser consideradas “lagoas” pelo enorme tamanho que têm, mas a tradição manda, de novo! Só que, diferentemente da Lagoa dos Patos, elas não estão unidas ao oceano por algum canal e têm a água doce. Apesar de serem bem rasas (a Mangueira não chega aos 3 metros e a Mirim, na média, cerca de 4 metros), elas não podem ser consideradas “lagunas” na nossa definição tupiniquim, mas certamente seriam categorizadas assim nas definições dos outros países. Enfim, pelo menos no bom e velho “brasileiro”, são autênticos “lagos”.

A bela Lagoa Mangueira, a terceira maior do Rio Grande do Sul, abastecida apenas por água da chuva e lençóis freáticos (foto da internet)

A bela Lagoa Mangueira, a terceira maior do Rio Grande do Sul, abastecida apenas por água da chuva e lençóis freáticos (foto da internet)


Capivaras nadam na Lagoa Mangueira, no sul do Rio Grande do Sul (foto da internet)

Capivaras nadam na Lagoa Mangueira, no sul do Rio Grande do Sul (foto da internet)


A Lagoa Mangueira tem 120 quilômetros de comprimento, mas apenas uns poucos de largura. Tem uma área de 800 km2, menor que os 10 maiores reservatórios de usinas no país. Localiza-se na estreita faixa de terra entre a Lagoa Mirim e o Oceano Atlântico. Nenhum rio a abastece, apenas água da chuva e de lençóis freáticos. Por isso, a água é limpa, pura e cristalina e aí vive uma rica fauna lacustre e terrestre. A parte norte é protegida pela Estação Ecológica do Taim e a parte sul sempre atrai muitos pescadores que buscam os grandes cardumes de traíras e peixes-rei. Estão entre os poucos brasileiros que desfrutam desse verdadeiro paraíso praticamente desconhecido no resto do país.

Praia no lado uruguaio da Lagoa Mirim (foto da internet)

Praia no lado uruguaio da Lagoa Mirim (foto da internet)


Fim de tarde em um porto da Lagoa Mirim, na margem brasileira da lagoa (foto da internet)

Fim de tarde em um porto da Lagoa Mirim, na margem brasileira da lagoa (foto da internet)


A Lagoa Mirim também não está diretamente ligada ao mar e é grande demais para ser uma lagoa. Ou seja, nem lagoa, nem laguna, seria um lago. Mas, como a mangueira e a Lagoa dos Patos, convencionou-se chamá-la de “lagoa”. Tem 3.750 km2 de área, ou seja, só é menor que a Lagoa dos Patos e o reservatório de Sobradinho. Só que nem toda esta área está em território brasileiro, já que ela forma parte da fronteira de nosso país com o Uruguai. As “águas brasileiras” correspondem a cerca de 75% da área total do lago. Na parte norte, toda brasileira, a profundidade fica entre 1 e 2 metros. Mais ao sul, ela fica um pouco mais profunda, variando ente 4 e 6 metros, embora o ponto mais profundo chegue aos 30 metros.

Mapa mostrando o Canal São Gonçalo, ligação natural entre as duas maiores lagoas do Brasil (Patos e Mirim) e a travessia de balsa através da boca da Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e São José do Norte (sul do Rio Grande do Sul)

Mapa mostrando o Canal São Gonçalo, ligação natural entre as duas maiores lagoas do Brasil (Patos e Mirim) e a travessia de balsa através da boca da Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e São José do Norte (sul do Rio Grande do Sul)


Navio de grande porte navega no Canal de São Gonçalo, ligação natural entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, no sul do Rio Grande do Sul (foto da internet)

Navio de grande porte navega no Canal de São Gonçalo, ligação natural entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, no sul do Rio Grande do Sul (foto da internet)


Os dois maiores lagos do Brasil, a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, são unidos por um canal natural de pouco mais de 60 quilômetros de extensão, chamado São Gonçalo. Ele é considerado um canal e não um rio porque a água pode correr para os dois lados, dependendo de qual lago estiver mais cheio. Com isso, muitas vezes a água salobra invadia a Lagoa Mirim, transformando-a, definitivamente, em uma “laguna”. Para evitar isso, foi construída a barragem do Centurião, em 1977. A intenção era evitar que a água do mar chegasse à Lagoa Mirim, prejudicando as extensas plantações de arroz em sua orla. Além disso, a água da lagoa é usada para abastecer as cidades de Pelotas e Rio Grande e o tratamento de água salobra para transformá-la em água potável é muito mais cara. Hoje em dia, apenas nos momentos de grande estiagem a corrente se inverte no Canal São Gonçalo.

O canal de São Gonçalo, que faz a ligação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, as duas maiores do país, no Rio Grande do Sul (foto de Antonio Soler)

O canal de São Gonçalo, que faz a ligação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, as duas maiores do país, no Rio Grande do Sul (foto de Antonio Soler)


Pontes sobre um poluído canal de São Gonçalo, que faz a ligação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, as duas maiores do país, no Rio Grande do Sul (foto de Laureano Bittencourt)

Pontes sobre um poluído canal de São Gonçalo, que faz a ligação entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim, as duas maiores do país, no Rio Grande do Sul (foto de Laureano Bittencourt)


Enfim, no nosso país com uma costa tão grande, com os rios mais caudalosos do planeta, com a maior planície alagada da Terra, e com os dois maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo, por incrível que pareça, lagos não são o nosso ponto forte. Mas eles existem, e os maiores estão aqui, no sul do país. Lagos, lagunas ou lagoas, não importa, formam um verdadeiro mar interior, fazem parte da economia e história local. No meio disso tudo, na margem sul da colossal Lagoa dos Patos, está a cidade de Rio Grande. Além de porto importantíssimo para a economia nacional, é carregada de história e simbolismo, peça fundamental nas disputas travadas entre espanhóis e portugueses ou entre monarquistas e republicanos pelo controle dessa região e seus recursos. Foi a cidade por onde passeamos no dia de hoje. Assunto para o próximo post...

Já na balsa a caminho de São José do Norte, a cidade de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, fica para trás

Já na balsa a caminho de São José do Norte, a cidade de Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul, fica para trás

Brasil, Rio Grande Do Sul, Rio Grande, Lago, geografia, Lagoa dos Patos, Lagoa Mirim, São Gonçalo

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