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Golfinhos Pintados e o Gelo Que Some - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Golfinhos Pintados e o Gelo Que Some

Geórgia Do Sul, Atlântico Sul Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Outra vez estamos em alto mar. Dessa vez, navegando pelos quase 1.300 km de mar aberto entre o arquipélago de Falkland e a ilha da Geórgia do Sul. Pouco mais de dos dias para digerirmos tudo o que vimos nas ilhas que ficaram para trás e nos prepararmos para as maravilhas que nos esperam na chamada “Galápagos do Atlântico Sul”, alusão à quantidade impressionante de vida animal que se encontra nessa pequena ilha isolada nos mares gelados do sul.

A clara silhueta de golfinhos abaixo d'-agua em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

A clara silhueta de golfinhos abaixo d'-agua em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


De volta, então, à rotina de alto mar, com as palestras pela manhã, algum filme durante a tarde e muito tempo livre para socializar no navio, seja na piscina, seja no bar, seja nos eventos organizados pelos nossos guias. Isso sem esquecer de manter os olhos bem abertos para a vida marinha e aérea que sempre está a nos acompanhar. Não apenas os olhos, mas os ouvidos também, já que qualquer avistamento mais interessante será logo comunicado pelo sistema de som do navio, para que todos possam ter a chance de ver também, mesmo aqueles que se escondem em seus quartos ou na biblioteca do Sea Spirit.

Parece um torpedo, mas é um golfinho dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Parece um torpedo, mas é um golfinho dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


E assim foi no nosso primeiro dia em alto mar a caminho da Geórgia do Sul. Os microfones avisaram que tínhamos companheiros nadando ao lado do Sea Spirit. Eram vistosos, agitados e belíssimos “dusky dolphins”, ou “golfinhos do crepúsculo”, em português. Nós já o tínhamos visto muito rapidamente uma vez, na primeira manhã depois de sairmos de Buenos Aires, mas foi hoje que pudemos observá-los com mais atenção e por mais tempo, com muitas chances de fotografá-los.

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Três lindos golfinhos da espécie Dusky acompanham o SEa Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


É uma espécie realmente linda, manchada de branco e preto. A primeira vez que os vi, até achei que fossem orcas. Mas o tamanho não deixa dúvidas, eram mesmo dusky dolphins. Para nós, acostumados com os golfinhos roteadores de Fernando de Noronha, com o famoso Flipper da série de TV e com outros bem parecidos que andamos vendo pelo nosso continente, todos eles cinzas, é mesmo bem estranho ver golfinhos malhados. Um verdadeiro prazer para os olhos, vê-los saltando entre as ondas e nadando tão rápido como o Sea Spirit.

Encontro com golfinhos dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)

Encontro com golfinhos dusky em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul (foto de Vladimir Seliverstov)


Animados golfinhos dusky nadam ao lado do Sea Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Animados golfinhos dusky nadam ao lado do Sea Spirit em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Eles vivem em grandes grupos em alto mar ou grupos menores em águas mais rasas. São encontrados em todas as águas do sul do planeta, mas principalmente na Nova Zelândia e América do Sul. Caçam em grupo, cercando os peixes e os encurralando na superfície. Quando fazem isso, quem se aproveita são os tubarões, as orcas e os pássaros, que também se refestelam no banquete. Falando em tubarões, pelo menos nos maiores, são os predadores dos dusky dolphins, além de suas primas maiores, as orcas.

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Ao lado do Sea Spirit, um dusky dolphin salta sobre as ondas em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Como a maioria dos golfinhos, são bem promíscuos sexualmente, machos e fêmeas com múltiplos parceiros. Assim, os filhotes têm “vários pais” e todo mundo se defende, fortalecendo a união do grupo. As fêmeas não preferem os machos mais fortes e agressivos, como em outras espécies de mamíferos, mas os mais rápidos. No ritual de acasalamento, uma fêmea é perseguida em alta velocidade por vários machos. Ela os está testando, numa espécie de jogo. Ganha aquele que finalmente a alcançar, deixando os outros para trás. Talvez tenha sido isso que observamos hoje. Ou, imagino, nós os distraímos durante algum tempo, fazendo-os esquecer do jogo sexual para nos acompanhar, curiosos, durante algum tempo. Para quem achava que apenas os golfinhos roteadores faziam malabarismos, foi uma grande surpresa!

Água quente no ar gelado do alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Água quente no ar gelado do alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Aproveitando o tempo em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul, para um bom banho de piscina

Aproveitando o tempo em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul, para um bom banho de piscina


Depois de todas essas perseguições, o remédio foi relaxar e descansar nas águas quentes da nossa jacuzzi enquanto outros passageiros enfrentavam o frio do lado de fora com suas parkas, as jaquetas amarelas que já viraram nossa marca característica. Eles procuravam algum albatroz ou petrel gigante perdido pelos ares e nós nos divertíamos com uma champagne dentro d’água.

Quente dentro da piscina, frio fora dela, em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Quente dentro da piscina, frio fora dela, em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


Um giant petrel nos acompanha em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul

Um giant petrel nos acompanha em alto mar, entre Falkland e Geórgia do Sul


As palestras estão falando da geologia e da fauna que vamos encontrar na Geórgia do Sul. Pinguins, lobos e elefantes marinhos, quiçá algumas baleias e muitas montanhas nos aguardam nos próximos dias. Além disso, temos falado bastante de frio e de gelo. Entre hoje e amanhã devemos cruzar a linha de “convergência antártica”, uma espécie de fronteira entre as águas frias do Atlântico Sul e as águas polares que circundam a Antártida. Num espaço de poucos quilômetros, a água do oceano cai quase 3 graus em temperatura, com profundas consequências no ecossistema e na vida animal e vegetal.

Palestra sobre a Antásrtida no trecho entre Falkland e Geórgia do Sul

Palestra sobre a Antásrtida no trecho entre Falkland e Geórgia do Sul


Palestra sobre aquecimento global entre Falkland e Geórgia do Sul

Palestra sobre aquecimento global entre Falkland e Geórgia do Sul


Para entrar ainda mais no clima, assistimos recentemente o filme “Chasing Ice”, durante o festival de Cinema que está ocorrendo no Sea Spirit. O filme é absolutamente espetacular e recomendo a todos assistir. É um documentário que mostra a história de um fotógrafo famoso que decidiu fotografar e documentar o recuo das geleiras mundo afora. Para isso, instalou câmeras automáticas que, ao longo de 2-3 anos, fotografou mais de 20 geleiras do hemisfério norte a cada hora, todos os dias. O resultado é impressionante e alarmante. Podemos ver, com nossos próprios olhos, esses gigantes de gelo retrocedendo, prova incontestável de que algo diferente está ocorrendo com o clima de nosso planeta.



No ápice do filme, é mostrando uma cena captada em vídeo, quando em duas horas, um pedaço de geleira na Groelândia muito maior do que Manhattan simplesmente se desmancha. O evento, o maior já captado por câmeras, tem uma escala inimaginável. O melhor de tudo, para nós, é que o Jeff Orlowski, um dos fotógrafos que auxiliou na produção desse documentário, está aqui conosco. Não só isso, era justamente ele, junto com mais um cinegrafista, que estava lá na Groelândia filmando a cena grandiosa da geleira desmontando. A mesma geleira, a maior do hemisfério norte e de onde partiu o iceberg que afundou o Titanic, que eu e a Ana visitamos quando estivemos naquele país. Ver esse documentário enquanto navegamos para a Antártida foi realmente especial. Aliás, o sucesso do documentário e do projeto foi tão grande que ele foi ampliado e agora, numa segunda etapa, as câmeras vão passar a registrar as geleiras do hemisfério sul do planeta também. Abaixo, a cena final do filme, o da enorme geleira se despedaçando. Parte da narração é do nosso amigo Jeff

Geórgia Do Sul, Atlântico Sul Geórgia do Sul, Bichos, Sea Spirit, dusky dolphins, golfinho

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