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Drake Passage ou Drake Lake? - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Drake Passage ou Drake Lake?

Antártida, Atlântico Sul Antártida

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


Engana-se que achou que nossa última grande emoção programada para essa viagem à Antártida tenha sido o “polar plunge”, o salto nas águas geladas descrito no último post. Não, esse não foi o último desafio. Ainda restava um, bem à nossa frente. Estou falando da famosa Drake Passage, nome dado ao trecho de oceano que separa a península antártica da América do Sul. Para chegar a Ushuaia, na Terra do Fogo, local do nosso desembarque final, temos de cruzar essa temida região de mares bravios.

Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul

Navegando nas tranquilas águas da Drake Passage, entre a Antártida e a América do Sul


O roteiro mais comum dos barcos que levam turistas à Antártida parte de Ushuaia e segue diretamente para a península antártica. Neste caso, os passageiros enfrentam a Drake Passage duas vezes, uma na ida e outra na volta. Muitas vezes, a experiência da ida e tão ruim que alguns passageiros resolvem pagar um pouco mais e retornam da Antártida de avião. Nosso caso foi diferente. Ao invés de embarcarmos em Ushuaia, começamos nossa viagem de Buenos Aires e seguimos diretamente para as Malvinas, Geórgia e Antártida. Em outras palavras, demos a volta na Drake Passage. Mas agora na volta, não tinha remédio: tínhamos mesmo de cruzar bem pelo meio da famosa passagem.

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


Não há navegador no mundo que não conheça esse lugar ou, ao menos, sua má fama. É muito provavelmente o trecho mais perigoso de todos os oceanos da Terra. Uma procura rápida no YouTube vai mostrar diversos vídeos de navios grandes e pequenos sendo castigados por ondas enormes. Tudo dentro dos barcos deve ser amarrado e os passageiros passam um dia inteiro trancados em seus quartos, boa parte deles passando muito mal. Pode parecer ruim, mas para mim era uma das atrações dessa viagem e eu torcia para ter uma verdadeira experiência por aqui, na Drake Passage. A não ser que esteja de ressaca, não costumo passar mal em alto-mar e ansiava para passar por esse “teste”. A coisa mais parecida que já tinha vivenciado tinha sido a travessia de barco entre as duas ilhas que formam a Nova Zelândia, num distante ano de 1998. Bem no dia da nossa travessia (viajava com um primo pelo país, de carro), o mar tinha virado e nenhum barco se atrevia a fazer a travessia. Apenas um, o maior deles, com capacidade para centenas de passageiros e carros, se aventurou. Dois terços dos passageiros passaram mal e por onde andávamos dentro do navio havia gente vomitando. Jamais esquecerei da cena de uma família toda, pais e dois filhos, vomitando juntos. “Família que vomita junto permanece junta”, já diz o velho ditado. Enfim, estava imaginando algo parecido para essa nossa travessia pelo Drake...

Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit

Novamente em alto-mar, descansando no salão do Sea Spirit


Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul

Tudo tranquilo na ponte de comando do Sea Spirit, já ao final da Drake Passage, chegando à América do Sul


São pouco mais de 800 km entre a Antártida e a Terra do Fogo. É onde se dá o encontro dos dois maiores oceanos da Terra, o Atlântico e o Pacífico. Por aí circula a corrente marinha circumpolar antártica. Esse verdadeiro “rio marinho” tem a força de 600 rios Amazonas. É isso mesmo, SEISCENTAS vezes mais água se movimentando que no rio mais caudaloso do mundo. Não foi sempre assim, claro. Antártida e América do Sul se acomodavam juntas no grande continente austral de Gondwana. Quando ele começou a se partir, há pouco mais de 100 milhões de anos, esses dois continentes se separaram, mas a península antártica sempre esteve muito próxima do sul da América do Sul, separados apenas por um mar raso. Flora e fauna se comunicavam entre os dois vizinhos próximos. Até que, 40 milhões de anos atrás, a geologia do local mudou. A passagem se aprofundou bastante possibilitando que enormes correntes marinhas fluíssem por aí desimpedidas. Era o nascimento da tal corrente gelada circumpolar que praticamente aprisionou o frio polar sobre a Antártida. Até então, esse frio seguia para o norte e de lá retornava com o calor dos trópicos. A Antártida ainda vivia sob um clima subtropical. Mas a criação da Passagem de Drake e da corrente circumpolar selou seu futuro gelado. Situação que segue inalterada até hoje.

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul


Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul

Um verdadeiro mar de comandante na nossa travessia da Drake passage, entre a Antártida e a América do Sul


Talvez por isso que foram precisos outros 300 anos desde que Magalhães descobriu o Oceano Pacífico através do estreito que leva seu nome (entre a Terra do Fogo e o continente americano) para que os navegadores se aventurassem ainda mais ao sul, explorando as águas turbulentas que marcam o encontro do Atlântico com o Pacífico. O primeiro a ir parar lá, levado pelos ventos, foi um dos maiores navegantes de todos os tempos, o pirata-corsário inglês Francis Drake, ainda no séc. XVI. Por isso o nome Drake Passage. Mas ele tratou de sair de lá rapidinho. Exploradores mesmo, só muito mais tarde...

Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul

Nossa posição atravessando a Drake Passage, já a meio caminho entre a Antártida e a América do Sul


A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos

A cada seis horas, um novo boletim sobre as condições do tempo, mar e ventos


Pois bem, e agora era a nossa vez! Todo mundo com um olho no mar e outro na previsão de tempo. O Sea Spirit recebe previsões atualizadas e detalhadas a cada 6 horas e disponibiliza esses dados, na forma de mapas e gráficos, para os passageiros. Foi quando, para alívio geral e tristeza minha, configurou-se a notícia. Justo o nosso dia de travessia caiu naqueles menos de 5% de dias em que o mar se acalma por lá. Mais do que isso, ele se acalmou de verdade, de um modo que tripulantes que já passaram por ali dezenas de vezes nunca haviam visto.

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage

Nosso maravilhoso pôr-do-sol atravessando a temida Drake Passage


A temível e terrível Drake Passage mais parecia um lago. A Drake Passage virou o Drake Lake. Isso nos deu tempo para curtir a viagem, fazer festas, passear pelo navio, ler livros e jornais, beber e se divertir e até admirar um esplendoroso pôr-do-sol. Mas não posso negar que fiquei meio decepcionado. Ao reclamar com um dos guias dizendo que eu preferiria um mar bravio, ele me lançou um olhar que misturava surpresa, indignação e desprezo e respondeu: “Você não tem ideia do que está falando!”. É... fiquei mesmo sem a ideia da verdadeira Drake Passage. Motivo para voltar?

Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia

Aproveitando o conforto e tranquilidade do quarto para ler um livro, no Sea Spirit, a caminho de Ushuaia

Antártida, Atlântico Sul Antártida, mar, Sea Spirit, Drake Passage

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Animadas, Tristes Despedidas

Comentários (2)

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  • 04/12/2014 | 19:56 por Flora

    Oi Rodrigo,
    Obrigada pela resposta, fico no aguardo do seu contato da Quaker no Brasil. Tentei localizar pelo google mais ainda não consegui.
    Li sim sobre último dia de voces por lá. Bastante nostálgico, né? Um sonho que ainda quero realizar...
    Abs

    Resposta:
    Oi Flora

    Espero que vc realize mesmo esse sonho, até a última gotinha! Vale muito a pena

    Eu mandei os dados que vc pediu no e-mail. Vc recebeu?

    Abs

  • 03/12/2014 | 19:17 por Flora

    Oi Rodrigo e Ana,
    Que pena que está acabando o relato da viagem a Antartida... Que sonho! Estou encantada com os detalhes desta aventura. Me sentia lá com voces.
    Tenho acompanhado a pagina da Quaker Expeditions e por influência sua estou querendo ir com eles.
    Voces fizeram reserva direto no site deles? Sabe se eles tem representante no Brasil ( se pagar em R$ não tem iof né...). Se voces puderem me passar estas informações de reserva, como pagaram (cartão, 1 ou mais vezes) pois fico um pouco insegura de pagar tudo de uma vez com + de 1 ano de antecedencia).
    Muito obrigada

    Resposta:
    Oi Flora

    Pois é, foi mesmo uma pena terminar a viagem. Valeu cada centavo investido. Coloquei hoje o ultimo post do relato no ar. Espero que goste também.

    Então, nós acabamos fazendo a compra quando já estávamos no exterior, diretamente com a Quark. mas depois disso conhecemos o representante deles aqui no Brasil e ficamos bem amigos. Ótima pessoa. Vou te passar o contato por email. Tenho certeza que ela vai te ajudar bastante, principalmente nas condições de preço e pagamento.

    Abs

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