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A Geórgia do Sul - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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A Geórgia do Sul

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain

Pinguins rei e lobos-marinhos dividem a praia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Pinguins rei e lobos-marinhos dividem a praia em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Chegamos hoje à Geórgia do Sul, um dos pontos altos dessa nossa viagem até a Antártida. Apelidada de “a Galápagos do Atlântico Sul” pela quantidade impressionante de vida selvagem que vive na ilha, a Geórgia do Sul também é conhecida pela sua paisagem montanhosa e repleta de geleiras e pela sua participação na história da exploração polar, além de ter sido o principal ponto de apoio para a indústria baleeira na região ao longo de quase um século.

Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia

Nosso roteiro pelos mares do sul entre Falkland, Geórgia do Sul, Península Antártica e Ushuaia


Ainda entre nuvens, nossa primeira visão da  Geórgia do Sul, em Salisbury Plain

Ainda entre nuvens, nossa primeira visão da Geórgia do Sul, em Salisbury Plain


Localizada a cerca de 1.300 quilômetros a leste do arquipélago de Falkland, quase na fronteira do Atlântico Sul com as águas polares que envolvem a Antártida, a ilha tem uma extensão de 170 quilômetros com largura variando entre 15 e 30 quilômetros. Ao contrário de Falkland, a ilha é bem montanhosa, com muitos picos superando os 2 mil metros de altitude. O ponto máximo é o Mount Paget, com 2.934 metros. A existência dessas montanhas e das inúmeras geleiras que descem por suas encostas acaba isolando diversas partes da ilha entre si, pelo menos por via terrestre.

Mapa da Geórgia do Sul, com suas montanhas mais altas, principais bases, animais mais conhecidos e até a rota de Shackleton

Mapa da Geórgia do Sul, com suas montanhas mais altas, principais bases, animais mais conhecidos e até a rota de Shackleton


A paisagem montanhosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A paisagem montanhosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


A formação das ilhas tem a ver com o encontro das placas tectônicas da América do Sul, ao norte, e de Scotia, ao sul. Essa última é uma pequena placa espremida entre as placas gigantes da América do Sul e da Antártida. Aliás, o seu processo de nascimento e formação está ligado a uma mudança geológica que afetou profundamente o clima do mundo e da própria Antártida, transformando-a no continente gelado que conhecemos hoje.

A paisagem montanhosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A paisagem montanhosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Placas tectônicas do continente americano. No sul está a pequena placa de Scotia, que separa a placa antártica da placa sul-americana

Placas tectônicas do continente americano. No sul está a pequena placa de Scotia, que separa a placa antártica da placa sul-americana


Quando o supercontinente de Gondwana começou a se esfacelar 100 milhões de anos atrás, a América do Sul e a Antártida ainda eram unidas pela Península Antártida. Conforme o tempo passava e África e América iam se separando para criar o Oceano Atlântico, também a Antártida começou a se separar do sul do Chile. Inicialmente era uma passagem estreita, a primeira ligação entre o Atlântico ao Pacífico. Mas as placas tectônicas da América e da Antártida forçavam ainda mais essa separação, criando um espaço entre elas que foi preenchido pela Placa de Scotia. Pois é, placas tectônicas também nascem e morrem, sendo engolidas ou se fundindo com outras. Enfim, esse espaço alargado entre os dois continentes que se separavam ficou cada vez mais profundo e hoje é conhecido como “Drake Passage”, ou “Passagem de Drake”. Por aí circulam milhões de toneladas de água ligando os maiores oceanos da Terra e moldando fortes correntes marinhas que encapsularam o frio polar sobre a Antártida, criando a maior massa de gelo do planeta. Enquanto isso, na porção norte da placa de Scotia, a sua fricção com a placa americana é fonte criadora de terremotos, vulcões e da própria ilha da Geórgia do Sul, com suas altíssimas e escarpadas montanhas.

Muito gelo e neve em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Muito gelo e neve em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


A paisagem grandiosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A paisagem grandiosa de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


A ausência de fósseis antigos na Geórgia do Sul é forte indicativo que a ilha é razoavelmente recente e que nunca esteve ligada às grandes massas de terra onde viveram os dinossauros. Também os humanos nunca haviam chegado aí até que a ilha começasse a ser visitada pelos europeus já no séc. XVIII. Aí eles encontraram centenas de milhares de pássaros, como pinguins e albatrozes, e mamíferos marinhos, como elefantes e leões-marinhos. AO redor da ilha, dezenas de milhares de cetáceos, como baleias e golfinhos. Animais que nunca haviam visto os seres humanos e não aprenderam a ter medo dele.

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a maior colônia de pinguins rei do mundo!


As montanhs nevadas de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

As montanhs nevadas de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Foi justamente essa abundância de animais a responsável pelo primeiro ímpeto de ocupação da Geórgia do Sul, mesmo com seu clima e condições inóspitas. Baleeiros noruegueses acharam aqui sua mina de ouro e, desde o início do séc. XX e por muitas décadas que se seguiram, fizeram da ilha o seu lar e base para a caça e exploração das baleias. Somente na estação de Grytviken chegaram a viver mais de 500 pessoas durante o verão e estação de caça, enquanto bem menos do que isso ficava lá durante o inverno. Era quase uma pequena cidade, com direito a igreja e escola. Muitas outras estações de baleeiros se espalharam pelas diversas baías da costa norte da ilha e o resultado trágico dessa caça indiscriminada foi a quase extinção de muitas das espécies desse magnífico animal. Falarei mais disso quando chegarmos nessas antigas estações.

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a mais populosa colônia de pinguins rei do mundo

Salisbury Plain, na Geórgia do Sul, a 2a mais populosa colônia de pinguins rei do mundo


A temível skua, uma ave de rapina, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

A temível skua, uma ave de rapina, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Além dos baleeiros, eram os pesquisadores e exploradores polares os outros a frequentar essa ilha naqueles tempos. Entre eles, o famoso Ernest Shackleton, autor de uma das maiores proezas da história das explorações quando, junto com uns poucos companheiros, conseguiu voltar a remo da Antártida até a Geórgia do Sul. Como chegou a costa sul da ilha, ainda teve de cruzar a pé suas montanhas para, finalmente, encontrar ajuda em Grytviken e organizar outra expedição para salvar sua tripulação deixada na Antártida. Era o ano de 1915 e essa é outra história que vou ter de contar direito mais tarde, quando também nós formos fazer parte do trekking que Shackleton fez pra cruzar as montanhas geladas da Geórgia.

Um grupo colorido de piinguins Rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Um grupo colorido de piinguins Rei, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Carinho de filho para mãe, elefantes-marinhos em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Carinho de filho para mãe, elefantes-marinhos em praia de Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Felizmente, a caça a baleia acabou por aqui. Primeiro, porque já quase não haviam baleias. Segundo, porque a prática acabou proibida. Então, os baleeiros se foram. Assim como os exploradores antárticos, já que o continente já havia sido explorado. O próximo interesse foi estratégico-militar. A posse das ilhas sempre foi britânica, mas a soberania era reclamada pelos argentinos. Em 1982, no contexto da Guerra das Malvinas, eles chegaram a ocupar brevemente partes da ilha. Chegaram em 3 de Abril daquele ano e, numa breve batalha em que perderam um helicóptero e 3 homens, acabaram por conquistar Grytviken, que contava com uma guarnição de 22 marines britânicos. Entre os ingleses que não se entregaram e ficaram em outras partes da ilha, o nosso guia de história da expedição, Damien Sanders. Imagina quanta história não tem para nos contar! Três semanas mais tarde os britânicos reconquistaram o lugar, após danificar e capturar o submarino argentino Santa Fé. As tropas de terra argentinas, lideradas pelo Capitão Alfredo Astiz, se entregaram sem luta. Astiz, um cruel torturador das equipes de repressão do governo militar, aparentemente só era “corajoso” quando tinha o controle da situação. Na Argentina, enquanto a Guerra das Malvinas continuava (só terminou no início de Junho), a imprensa ufanista dizia que os soldados continuavam a lutar na Geórgia utilizando-se de táticas de guerrilha.

Guindaste ergue um dos zodiacs no convés do Sea Spirit, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul

Guindaste ergue um dos zodiacs no convés do Sea Spirit, em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul


Bem vindos a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul!

Bem vindos a Salisbury Plain, na Geórgia do Sul!


Bom, felizmente, nada mais de baleeiros e de soldados nesse paraíso da vida selvagem. Apenas pesquisadores e turistas, todos em busca das fantásticas paisagens, dos magníficos pinguins rei, a segunda maior espécie desse pássaro, do albatroz real, a ave com a maior envergadura de asas dentre todas as espécies que voam e dos gigantescos elefantes-marinhos, que chegam a ter 8 metros de comprimento. Nós já vamos ver um pouquinho de tudo isso logo no nosso primeiro dia em Geórgia, quando vamos desembarcar em Salisbury Plain, frequentada por leões0marinhos e elefantes-marinhos e local da 2ª maior colônia do mundo de pinguins rei e Prion Island, quando vamos estrear nossos caiaques (finalmente!) e acompanhar os primeiros voos dos filhotes de albatrozes. Dá para imaginar a ansiedade?

Todos ao conés para fotos! (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul -foto de Peter)

Todos ao conés para fotos! (em Salisbury Plain, na Geórgia do Sul -foto de Peter)

Geórgia Do Sul, Salisbury Plain, Bichos, história, geografia

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Desembarcando em Salisbury Plain

Comentários (1)

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  • 20/07/2014 | 23:57 por Helder Ribeiro

    Show, Rodrigo!
    Eu já abri vários de seus posts da Georgia do Sul mas fiz questão de começar a leitura completa hoje por aqui, vou ler um a um e na ordem. É um lugar que muito me interessa e já me emocionei só de ver as fotos que ilustram os outros posts, imagino agora lendo por completo suas sempre tão bem contadas histórias.

    Grande abraço,
    Helder

    Resposta:
    Grande Helder

    Esse lugar é mesmo especial. Pena que seja tão difícil chegar até lá, mas acho que é exatamente essa dificuldade que faz da Geórgia do Sul o lugar que ainda é hoje!

    Espero que vc goste dos relatos!

    Um grande abraço

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