0 A Conquista da Antártida - 2a Parte - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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A Conquista da Antártida - 2a Parte

Antártida, Brown Bluff

Expedição norueguesa no seu depósito na latitude 85 graus, a caminho do polo sul, na Antártida (foto da internet)

Expedição norueguesa no seu depósito na latitude 85 graus, a caminho do polo sul, na Antártida (foto da internet)


Cinco anos após sua primeira expedição à Antártida, o explorador inglês Robert Scott estava com tudo pronto para tentar novamente. Durante a Discovery Expedition (1901-1904), Scott tinha aprendido muito sobre o continente gelado, seus rigores, rotas, equipamentos e infraestrutura necessária para enfrentar o mais inóspito ambiente da Terra. Nos anos seguintes, já na Europa, o valente militar britânico tratou de organizar uma expedição ainda maior e mais estruturada. Não só isso: continuou a estudar as melhores técnicas para se enfrentar o frio polar, inclusive fazendo uso da mais moderna tecnologia da época em instrumentos, roupas e equipamentos. Até mesmo os novíssimos trenós motorizados ele levaria à Antártida. As últimas e valiosas informações para sua nova empreitada ele obteve com seu antigo companheiro na Discovery Expedition, Ernest Shackleton. Ele acabava de retornar de mais uma expedição ao continente gelado (a Nimrod), onde havia chegado ao ainda desconhecido platô no meio do continente e quase atingido o polo sul em 1908/09. Com o caminho mapeado da Plataforma de Ross até o planalto antártico através da geleira de Beardmore (rota aberta por Shackleton), nada mais impediria Scott de chegar ao polo sul.

Robert Scott, explorador inglês(foto da internet)

Robert Scott, explorador inglês(foto da internet)


Apenas uma coisa o atemorizava: e se alguém chegasse lá antes dele? Mas mesmo essa questão parecia estar se encaminhando bem. Dois dos possíveis concorrentes já estavam fora do jogo. O conterrâneo Shackleton acabara de retornar do sul e certamente demoraria alguns anos até que ele organizasse outra expedição. E Nansen, o mitológico explorador norueguês, aparentemente havia se aposentado da vida de aventuras. Outros “grandes”, como os americanos Peary e Cook estavam mais focados no polo norte. Esse também parecia ser o caso de outro norueguês, Amundsen, que também estava organizando uma expedição ao Ártico. Scott vinha se comunicando com ele e até lhe enviou instrumentos científicos para que tomassem medidas ao mesmo tempo, Scott na Antártida e Amundsen no polo norte, já que as expedições ocorreriam ao mesmo tempo. Scott só achou estranho que na sua última viagem à Noruega, terminando os preparativos finais para sua expedição ao polo sul, o norueguês não tenha retornado as suas ligações telefônicas. “Provavelmente por estar muito ocupado com sua própria expedição” – pensou.

Roald Amundsen, explorador norueguês e primeiro homem a chegar ao polo sul(foto da internet)

Roald Amundsen, explorador norueguês e primeiro homem a chegar ao polo sul(foto da internet)


Roald Amundsen havia passado sua adolescência ouvindo as histórias e se inspirando no grande explorador Frederick Nansen. No final do séc. XIX Nansen era uma lenda viva, o primeiro homem a cruzar caminhando o interior da Groelândia, um platô congelado e de grande altitude, muito semelhante ao interior da Antártida. Mas isso não foi nada se comparado à proeza seguinte: uma incrível tentativa de se atingir o polo norte que inspirou outros aventureiros ao longo de gerações! Nansen navegou pela costa norte da Ásia até a Sibéria e aí deixou seu barco ser preso pelo gelo. Imaginou que a corrente marítima os levasse diretamente sobre o polo norte, até liberá-lo novamente na costa canadense, numa lenta travessia que demoraria dois anos. A ideia não estava errada, mas o cálculo sim. Depois de muitos meses preso no gelo, Nansen percebeu que passaria a centenas de quilômetros do polo. Então, junto com um companheiro, deixou o barco e a tripulação para trás e decidiu caminhar até o polo. Foi uma travessia épica, mas os valentes exploradores tiveram de voltar antes do seu objetivo, pelo frio e falta de alimentos. Mas o recorde estabelecido duraria muito tempo. Tão incrível como a tentativa de chegar ao polo foi o caminho de volta, caminhando e esquiando sobre a plataforma de gelo até encontrar terra firme, um arquipélago perdido e desconhecido de pequenas ilhas no meio do Oceano Ártico. Aí sobreviveram por vários meses alimentando-se de focas, até que um outro explorador os encontrasse, muitos meses mais tarde. Enfim, uma incrível aventura cheia de detalhes emocionantes (incluindo lutas com morsas e ursos polares!) que já rendeu livros e inspirou muita gente.

Frederick Nansen, explorador norueguês (foto da internet)

Frederick Nansen, explorador norueguês (foto da internet)


Um deles, o jovem conterrâneo Road Amundsen que desde cedo se integrou às explorações polares, como a expedição belga à Antártida de 1897. Mas o grande sonho do jovem norueguês era mesmo o polo norte. Porém, quando sua expedição já estava quase pronta para seguir para esse objetivo veio a notícia: dois exploradores americanos, Cook e Peary, estavam alegando que haviam chegado ao ponto mais ao norte do planeta. Não só a possível conquista do polo, mas a confusão estabelecida entre os dois exploradores que brigavam nos tribunais para provar suas histórias, afetaram profundamente Amundsen. Com sua expedição a poucas semanas de zarpar, Amundsen tomou a decisão: iria ao polo sul e não ao polo norte. E não só isso: decidiu que iria manter a ideia em segredo, até mesmo para seus patrocinadores e para sua própria tripulação. Um verdadeiro enredo de cinema, mas acontecendo na vida real. Por isso, evitou encontrar-se ou mesmo falar com Scott quando este esteve na Noruega. Eles, que até então estavam cooperando, passariam a ser concorrentes.

Pôneis são levados à Antártida no barco da expedição Terra Nova, de robert Scott (foto da internet)

Pôneis são levados à Antártida no barco da expedição Terra Nova, de robert Scott (foto da internet)


No dia 9 de Agosto de 1910 Amundsen e sua tripulação zarparam no Fram, o legendário barco com o qual Nansen havia tentado chegar ao polo norte. Apenas poucos dias antes Amundsen havia avisado seus dois oficiais sêniores da mudança de planos. O resto da tripulação desconfiava de algo, principalmente pela quantidade de suprimentos e cães embarcados. Mas foi só em pleno mar que o líder os avisou: “Vamos sim ao polo norte. Mas antes, faremos um ‘desvio’ ao polo sul. Alguém quer desistir?”. Mesmo surpresos, todos quiseram seguir em frente. E assim, em uma época sem comunicação por satélite, o segredo continuou no barco até que eles chegassem à primeira parada: a Ilha da Madeira, já no meio do Atlântico. Aí Amundsen achou por bem telegrafar para casa, avisar a Nansen, aos seus patrocinadores, à imprensa e a Scott. Este também já havia zarpado liderando sua nova expedição, batizada de Terra Nova. Haviam partido em 15 de Junho, mas foi só quando chegaram a Melbourne, na Austrália, já em Outubro, que souberam da notícia. Foi para essa cidade que Amundsen enviou seu famoso e lacônico telegrama: “BEG TO INFORM YOU FRAM PROCEEDING ANTARCTIC—AMUNDSEN”. Foi só aí que Scott soube que estava em uma “corrida”.

Membro da expedição norueguesa esquia e guia um trenó puxado por cães na Antártida (foto da internet)

Membro da expedição norueguesa esquia e guia um trenó puxado por cães na Antártida (foto da internet)


As expedições que os dois exploradores organizaram para a Antártida eram bem distintas e, de comum, apenas o objetivo maior: alcançar o polo sul. Com mais dinheiro e tempo para se preparar, a expedição Terra Nova, do inglês Robert Scott, era maior e muito mais ambiciosa. Estavam previstas diversas pesquisas científicas no ramo da biologia, geologia e meteorologia, entre outros, além de muitas saídas exploratórias, não só rumo ao polo geográfico, mas também ao polo magnético, à vulcões e ao longo da costa gelada do continente. A expedição do norueguês Roald Amundsen era muito mais focada: a conquista do polo sul. Observações meteorológicas e geológicas também seriam tomadas, claro, desde que não interferissem no objetivo principal.

O refúgio e o campo base da expedição norueguesa ao polo sul, em Bay of Whales, na Antártida (foto da internet)

O refúgio e o campo base da expedição norueguesa ao polo sul, em Bay of Whales, na Antártida (foto da internet)


A expedição de Scott contava com 65 homens enquanto que na de Amundsen eram apenas 19. Para seus deslocamentos no gelo, Scott imaginava uma combinação de diversos meios de transporte: levava com ele pôneis, cães e até trenós motorizados. Mas boa parte do transporte seria feito mesmo com tração humana, principalmente no platô antártico. A péssima experiência com os cães na expedição Discovery, quase uma década antes, o desestimulara e confiar nessas criaturas. Quanto a Amundsen, apostava todas as suas fichas nos cães. Habituados e treinados e esse meio de transporte em seu país, ele não entendia a aversão dos ingleses pelos cachorros. Além disso, eram todos bons esquiadores e a ideia era se locomover nos esquis ao lado dos trenós puxados pelos cães.

Scott escreve seu diário no refúgio onde passou o inverno antártico em Cape Evans, na Antártida (foto da internet)

Scott escreve seu diário no refúgio onde passou o inverno antártico em Cape Evans, na Antártida (foto da internet)


As duas expedições chegaram à Antártida no início de Janeiro de 1911, em pleno verão austral. A ideia era estabelecer toda a infraestrutura em suas respectivas bases e montar os pontos de apoio principais ao longo da rota até o polo sul ainda antes da longa noite polar. Depois, passariam o inverno por ali e, assim que a Primavera chegasse e o clima permitisse, iniciariam a corrida até o ponto mais ao sul do planeta. Scott e sua expedição Terra Nova construíram sua base em Cape Evans, local já conhecido dos ingleses. Amundsen estabeleceu-se na Bay of Whales. Apesar da desvantagem de ser um local ainda pouco explorado, ele estava um grau mais ao sul, ou pouco mais de 100 km mais perto do alvo final. Dali ao polo sul eram “apenas” 1.285 km. Nessa primeira fase das duas expedições houve apenas um breve contato entre elas, longe que estavam. Um grupo de barco enviado por Scott para melhor mapear a costa da Plataforma de Ross acabou encontrando a base de Amundsen. Foi oferecido um almoço aos visitantes, mas o clima estava visivelmente tenso entre os participantes. O encontro só serviu para que ambas as equipes acelerassem seus preparativos para a primavera seguinte. Depósitos com suprimentos foram estabelecidos nas duas rotas conforme o planejado, exceto por um “pequeno detalhe” que teria consequências dramáticas. Enfrentando condições climáticas severas e não querendo penalizar por demais seus pôneis, Scott decidiu que seu depósito principal de comida, chamado de “One Ton Depot”, ficaria a 79,5 graus Sul, e não nos 80 graus inicialmente planejados. Uma diferença de 50 km que ele imaginou não fazer muita diferença e que salvaria a vida dos pôneis que estava usando naquele momento.

A rota feita pelas expedições de Scott e de Amundsen até o polo sul, na Antártida (foto da internet)

A rota feita pelas expedições de Scott e de Amundsen até o polo sul, na Antártida (foto da internet)


Quando finalmente o dia raiou novamente na Antártida, as duas expedições estavam prontas para partir. Amundsen era o mais ansioso, pois ainda teria de descobrir uma rota para subir a cordilheira antártica e chegar ao planalto no interior do continente. Por isso, fez uma tentativa quase suicida de iniciar sua rota ainda antes da Primavera, no dia 9 de Setembro de 1911. Apesar do bom começo, logo as condições extremas o fizeram mudar de ideia, retornando à base uma semana mais tarde e com vários cães mortos. Uma nova tentativa, dessa vez para valer, teve de esperar mais de um mês. No dia 19 de Outubro, Amundsen e quatro companheiros já estavam em seus trenós e esquis novamente, prontos para mais de 2.500 km de dura travessia no gelo. Partiram onze dias antes que os ingleses, que só largaram no primeiro dia de Novembro. A equipe de Scott desistiu de usar seus trenós motorizados que não se adaptaram ao gelo irregular da Barreira de Ross e decidiram contar com uma complexa combinação de pôneis, cães e tração humana. Apesar do início tardio e do caminho mais longo, tinham a vantagem de já conhecer a rota através da geleira de Beardmore.

A geleira Beardmore, o caminho descoberto por Shackleton para se ascender ao Platô Antártico (foto da internet)

A geleira Beardmore, o caminho descoberto por Shackleton para se ascender ao Platô Antártico (foto da internet)


Nascidos e crescidos em meio ao frio, a equipe norueguesa mostrou desde o início estar muito melhor adaptada às rígidas condições polares. Habilidosos com seus esquis e trabalhando em verdadeira sincronia com seus cães, a equipe de Amundsen era muito mais rápida que a de Scott. Alheio a qualquer sentimentalismo, Amundsen foi matando os seus cães ao longo de todo o trajeto. Além de servir como tração enquanto estavam vivos, mortos eles se transformavam em alimento para os outros cães a também para as pessoas. Já os pôneis utilizados pelos ingleses, esses requeriam que sua comida fosse levada junto, mais um peso para ser carregado ao longo das infinitas planícies polares. Assim, no dia 17 de Novembro Amundsen e seus homens chegaram finalmente à Cordilheira Transantártica, já na marca dos 85 graus sul. Scott só chegaria nessa mesma latitude 34 dias mais tarde. Nesse ponto a equipe norueguesa se deteve por mais tempo, tendo de achar uma rota que vencesse as montanhas e os levasse até o planalto antártico. Após várias tentativas e cinco dias de muito esforço, finalmente Amundsen conseguiu, superando junto com seus homens e cães os 3 mil metros de altitude. Agora, apenas uma enorme imensidão branca o separava de seu objetivo. Dos 45 cães que seguiam até ali (sete já haviam sido mortos), apenas 18 continuariam o caminho. O resto virou preciosa carne para os que seguiam vivos.

Amundsen e seus homens no polo sul do planeta (foto da internet)

Amundsen e seus homens no polo sul do planeta (foto da internet)


O polo sul foi atingido no dia 14 de Dezembro e, para alegria dos noruegueses, não havia nenhum sinal dos ingleses. Aí eles passaram 3 dias tentando descobrir com seus instrumentos o ponto exato do polo e também descansando para o longo caminho de volta. Ao partir, deixaram para trás uma tenda com equipamentos e mensagens para Scott, inclusive uma carta endereçada ao rei do país para que Scott entregasse, caso algo acontecesse com eles no caminho de volta. O caminho para o campo base foi mais rápido que a vinda, agora com menos peso e a rota já conhecida. Chegaram de volta no dia 25 de Janeiro, exatos 99 dias de expedição, 10 a menos que o imaginado inicialmente. Dos 52 cães que haviam partido, 11 felizardos haviam voltado inteiros, companheiros caninos de uma das maiores odisseias da exploração humana.

Scott e seus homens ao lado da tenda deixada por Amundsen no polo sul (foto da internet)

Scott e seus homens ao lado da tenda deixada por Amundsen no polo sul (foto da internet)


Já a expedição inglesa, após vencer as montanhas e atingir o recorde de Shackleton a 100 km do polo, teve a péssima notícia que nenhum deles queria ter: a cerca de 25 km do polo sul, acharam os primeiros sinais de que a expedição norueguesa já havia passado por ali. No dia seguinte, 17 de Janeiro de 1912, chegaram ao polo e encontraram a tenda deixada por Amundsen. Foi quando descobriram que eles haviam estado ali já há mais de um mês e que, portanto, já deveriam estar bem próximos do campo base, já no litoral do continente. Isso retirava também qualquer esperança de serem eles, ao menos, os primeiros a anunciar ao mundo que o polo sul havia sido conquistado. Sem muito o que fazer naquele lugar tão inóspito e com as rações de comida diminuindo, os ingleses também tomaram o caminho de volta.

A equipe de Scott chega ao polo sul, na Antártida (foto da internet)

A equipe de Scott chega ao polo sul, na Antártida (foto da internet)


Nada estava tão ruim que não pudesse piorar. As condições de saúde dos cinco homens se deterioravam rapidamente e, logo após vencerem a Beardmore Glacier e voltarem à Plataforma de Ross, um dos homens morreu. Para tornar as coisas ainda mais difíceis, as condições climáticas, mesmo estando ainda em pleno verão, ficaram ainda mais extremas. O pé de um segundo homem gangrenou e os avanços diários se tornavam cada vez menores. Com o atraso inesperado, também a situação da comida se deteriorava. Foi quando Oates, aquele cujo pé havia gangrenado, resolveu se sacrificar e saiu da barraca em meio a uma tempestade despedindo-se dos companheiros. Não queria continuar a atrasar o grupo e simplesmente disse: “Vou sair para uma caminhada e talvez demore um pouco...”. Seu sacrifício serviu para que os companheiros pudessem acelerar um pouco, além de aumentar também a comida para eles. No dia 20 de Março atingiram um ponto a 18 quilômetros do depósito principal, aquele que Scott resolveu montar mais ao norte do que o planejado. Aí armaram sua barraca para um último descanso. Foi quando uma terrível tempestade de neve os atingiu. Durante uma semana ela não deu trégua e, apesar dos três integrantes remanescentes tentarem várias vezes partir rumo ao depósito, tinham de retornar logo à barraca, o frio, o vento e a ausência de visibilidade impossíveis de serem superados. A comida terminou e os três faleceram dentro da tenda, esperando pela ajuda ou pelo bom tempo que nunca chegou. Scott atualizou seu diário até esse último dia e, quando finalmente foram encontrados, já na primavera seguinte, todos os seus passos, esperanças e agruras puderam ser acompanhados com o minucioso relato. A corrida pelo polo sul não poderia ter terminado de forma mais dramática...

Pilha de gelo erigida no local onde morreram Scott e seus companheiros, na Barreira de Ross, na Antártida (foto da internet)

Pilha de gelo erigida no local onde morreram Scott e seus companheiros, na Barreira de Ross, na Antártida (foto da internet)


Quando o mundo soube desses trágicos acontecimentos, até mesmo a aventura épica de Amundsen foi eclipsada. Mas o explorador norueguês continuou suas explorações, chegando também ao tão almejado Polo Norte 14 anos depois, a bordo de um dirigível. O primeiro homem a ter estado nos dois pontos extremos do planeta. Dois anos mais tarde, também num dirigível, Amundsen e vários outros exploradores sumiram para sempre no ártico. Eles estavam exatamente em uma missão de resgate de outro explorador que havia estado com Amundsen no polo norte. Mais um trágico incidente da incrível história da conquista dos polos geográficos da Terra. Ainda bem que hoje as coisas são um pouco mais fáceis e podemos chegar aqui com mais segurança e conforto. A nossa própria conquista da Antártida (e não do polo sul) fica para o próximo post, mas a inspiração que esses grandes exploradores do passado nos causam, essa fica para a vida inteira...

Amundsen já mais velho, durante suas explorações aéreas do ártico (foto da internet)

Amundsen já mais velho, durante suas explorações aéreas do ártico (foto da internet)

Antártida, Brown Bluff, aventura, história

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Comentários (2)

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  • 04/12/2014 | 10:56 por Kina

    Poul, que relato fantástico! Só falta o livro! abs
    Kina

    Resposta:
    Oi Kina

    Quando a história é interessante, o relato fica mais fácil de fazer, heheeh!!!


    O livro virá. Um dia virá...

    Abs

  • 02/12/2014 | 21:54 por Santiago

    Show de bola Rodrigo essa segunda parte.
    Nao esqueçam quando vierem a Fortaleza me avisem sera um prazer em recebe-los em minha terra natal.
    Um grande abraços a voces, felicidades e muito chao pra rodar.
    Santiago

    Resposta:
    Oi Santiago

    legal que gostou! Acho essa história da conquista do polo sul realmente impressionante! E quando entramos nos detalhes, as coisas ficam ainda mais incríveis...

    Então, quando passarmos por Fortaleza de novo, vamos entrar em contato sim!

    Um grande abraço

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