0 Orongo e o Tangata Manu - Blog da Ana - 1000 dias

Orongo e o Tangata Manu - Blog da Ana - 1000 dias

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Orongo e o Tangata Manu

Chile, Ilha de Pascoa, Ilha De Pascoa, Hanga Roa

A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A cratera do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Nosso dia começou com algo bem inusitado, uma missa Rapa Nui. A missa estava lotada de famílias, jovens, senhores e crianças, além de uma horda de turistas que assistiam curiosos à uma das missas mais bonitas e alegres de suas vidas. O padre vestido com sua bata e um belo colar de flores polinésio, reza a missa em espanhol e no idioma Rapa Nui, entoando lindos cantos acompanhado por todos os presentes.

A movimentada missa dominical rezada em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, território chileno no meio do Oceano Pacífico

A movimentada missa dominical rezada em Rapa Nui, na Ilha de Páscoa, território chileno no meio do Oceano Pacífico


Missa movimentada em Hanga Roa, capital da Ilha da Páscoa

Missa movimentada em Hanga Roa, capital da Ilha da Páscoa


A igreja localizada na rua principal de Hanga Roa é simples e tem a sua fachada decorada com ícones da antiga religião Rapa Nui. O Homem Pássaro é o mais conhecido deles, do culto Tangata Manu (Cerimônia do Homem Pássaro), religião que era praticada pelos habitantes da ilha entre a fase dos Moais e 1860, quando os Rapa Nuis se converteram ao cristianismo, adotando como religião oficial o catolicismo.

A simpática igreja de Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A simpática igreja de Hanga Roa, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Durante nosso primeiro dia na ilha aprendemos com o guia local Patrício um pouco sobre os povos que aqui viveram e as religiões que praticavam. Estudos antropológicos dizem que dois grupos étnicos distintos chegaram à ilha originalmente, os orejas largas e os orejas cortas (orelhas grandes e orelhas pequenas). Os orejas largas eram grandes, altos, fortes e de feições polinésias similares aos havaianos, nariz proeminente, traços bem marcados, retos e cabelos compridos amarrados no topo da cabeça. Já os orejas cortas eram baixos, nariz mais achatado e corpo forte atarrachado. Os orejas largas eram os líderes que aparentemente haviam trazido os orejas cortas como escravos em sua expedição em busca de novas terras. Esta é uma matéria bem controversa, inclusive a origem destes dois grupos, se haveriam chegado juntos ou em diferentes movimentos migratórios. Tudo o que nos foi passado e contamos aqui são um misto da cultura oral, muito forte entre as famílias rapa nui, e estudos de diferentes antropólogos e arqueólogos.

Antigos Moais em Rano Raraku, a fábrica de Moais, parcialmente cobertos pelo tempo. Ainda estavam a venda quando a civilização se perdeu (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico)

Antigos Moais em Rano Raraku, a fábrica de Moais, parcialmente cobertos pelo tempo. Ainda estavam a venda quando a civilização se perdeu (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico)


A religião praticada pelos orejas largas estava relacionada ao culto aos seus ancestrais e daí nascem as gigantescas estátuas de pedra construídas por este povo. Os moais eram estátuas funerárias esculpidas em homenagem aos líderes das famílias que governavam as diferentes cidades de Hanga Roa. Mas quem esculpia estes moais? Os escravos orejas cortas, que trabalhavam lá na Fábrica de Moais (mais detalhes sobre a fábrica neste post).

Visitando Rano Raraku, onde eram produzidos os Moais que se espalham por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Visitando Rano Raraku, onde eram produzidos os Moais que se espalham por Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Porém houve um momento em que estes escravos se rebelaram com os seus líderes e, em uma grande batalha, conseguiram derrubar os orejas largas e assumir a liderança da ilha. Neste momento houve uma transição religiosa, do culto aos Moais, agora para o Culto Tangata Manu. Uma curiosidade é um Moai totalmente diferente de todos os outros encontrados na ilha, localizada no final da trilha do Rano Haraku (Fábrica de Moais), que tem todas as características de um oreja corta e que estaria ajoelhado olhando para o céu.

Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico

Um estilo diferente de Moai, em Rano Raraku, um dos vulcões de Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), território chileno no meio do Oceano Pacífico


Este é apenas um dos indícios de que os orejas cortas nunca haviam abandonado a sua religião, ligada à um tipo de ave migratória que aparecia na ilha apenas uma vez ao ano para se reproduzir nos ilhotes, o Manutara. Todos os anos era organizada uma grande competição, conhecida como Tangata Manu ou Cerimônia do Homem Pássaro, onde os homens mais fortes, ágeis e inteligentes da ilha representariam seus clãs. A competição acontecia no Orongo, cidade cerimonial construída no topo do Rano Kau, um dos três vulcões da ilha.

Topo do vucão Rano Kau, onde se iniciava o festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Topo do vucão Rano Kau, onde se iniciava o festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Manutara, cujo ovo era o prêmio máximo no festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Manutara, cujo ovo era o prêmio máximo no festival do homem-pássaro, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Ela consistia em uma grande prova, onde os competidores tinham que descer a encosta do vulcão em direção ao mar, atravessar a nado para os Motus e aguardar, sem água e sem comida, a chegada do Manutara. O bando de manutaras chegava para acasalamento e reprodução e o primeiro ovo a ser colocado deveria ser sequestrado pelo competidor que o traria a nado e na escalada da encosta do vulcão, intacto de volta ao Orongo. Os orejas cortas acreditavam que o homem, independente de ser oreja larga o oreja corta, que fosse capaz de passar por esta prova de delicadeza, destreza, força e agilidade, seria o melhor governante. A cerimônia duraria meses, os competidores ficavam isolados em hare vacas (casas) especiais no Orongo aguardando o momento para começar a travessia.

Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Ilhas onde chocavam os manutaras e para onde nadavam os participantes do festival do homem-pássaro, em frente ao vulcão Rano Kau (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)

Ilhas onde chocavam os manutaras e para onde nadavam os participantes do festival do homem-pássaro, em frente ao vulcão Rano Kau (em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico)


A ida ao Orongo é um ponto alto da visita à Ilha de Páscoa. Além do museu ter informações sobre a cerimônia e parte da história dos ancestrais, o lugar tem algumas das vistas mais lindas da ilha. O mirante do Vulcão Rano Kau tem uma linda vista da cratera e também da possível rota que os competidores escolhiam para descida ao mar e a escalada novamente ao Orongo. Dentro do local cerimonial estão as casas de teto baixo onde eles se concentravam e se preparavam para a corrida. Não podemos entrar dentro delas, mas no museu vemos que elas eram adornadas por pinturas nas paredes e tetos internos, muitas destas placas de pedra pintadas teriam sido saqueadas por diferentes grupos caça-tesouros e vendidas para diferentes museus ao redor do mundo.

Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

Ruínas da cidade cerimonial de Orongo, no topo do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico


Esta religião mais tarde foi substituída pelo cristianismo, mas parte deste espírito competitivo é relembrado todos os anos no Tapati Festival, quando duas equipes locais se enfrentam em competições de canoa, escaladas, corridas com grandes cachos de banana, canto, dança e até esculturas. O clã que vencer elegerá a nova miss Rapa Nui, a Rainha do Tapati Festival. Dança, música, gastronomia e arte rapa nui reunida em um mesmo evento, que ocorre sempre entre os meses de janeiro e fevereiro. Se quiser participar trate de reservar passagens e pousadas com meses de antecedência, já que é o pico da temporada turística, período mais procurado na Ilha de Páscoa.

A cidade de Ranga Roa vista do alto do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

A cidade de Ranga Roa vista do alto do vulcão Rano Kau, em Rapa Nui (ou Ilha de Páscoa), ilha chilena no meio do Oceano Pacífico

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Incas, Pukaos, Moais, Cavernas e a Praia

Comentários (1)

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  • 26/03/2015 | 17:21 por Waldecy Alves Feitosa

    Que bom que algumas pessoas podem fazer belas viagens para mostrar para aqueles que não podem fazer o mesmo. Lindas imagens.

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