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Pétion-Ville - Blog da Ana - 1000 dias

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Pétion-Ville

Haiti, Port-au-Prince

As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

As favelas de Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion-Ville era um nome praticamente desconhecido por nós até entrarmos no ônibus de Santo Domingo a Port-au-Prince. Nosso plano inicial seria hospedar-nos no centro da capital, porém no caminho vários haitianos nos perguntavam onde ficaríamos em Pétion-Ville, bairro a pouco mais de 40 minutos do centro da cidade, ponto final do ônibus. Assuntamos dali, perguntamos de lá e descobrimos que este era o lugar ideal para usarmos como base. Já era tarde e descer ao centro durante a noite não seria uma tarefa fácil. Guiados por um italiano, único estrangeiro no ônibus além de nós, viemos parar no charmoso B&B Le Perroquet.

O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

O hotel Le Perroquet, nossa casa em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


As calçadas quebradas davam um ar de destruição na cidade. Terremoto, pensamos, mas logo descobrimos que são apenas obras de renovação nas ruas. As calçadas foram quebradas hoje e deixaram Lana surpresa ao acordar e descobrir repentinamente que não tinha mais calçada em frente ao seu hotel. Lana, uma russa que viveu 15 anos em Bali, está há um ano no Haiti com o seu marido Erick. Erick é cidadão americano e haitiano e depois de muitos anos longe do Haiti recebeu um chamado especial: o Haiti precisa de vocês. Seu tio, antigo dono do Hotel Cubano, voou a Bali para convidá-los a participar deste período de mudança no país. Um momento em que o país precisa de pessoas como eles, estudadas e esclarecidas que possam trazer novas ideias e uma energia renovadora para a reconstrução do Haiti.

Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Com a Lana e o Eric, donos do hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


E assim foi, Lana e Erick se mudaram há um ano, assumiram o hotel que passou por reformas e aos poucos está se firmando como o ponto de encontro dos artistas e formadores de opinião da região. Às sextas-feiras o restaurante abre com pratos especiais da culinária thailandesa preparados por Lana e promove uma Jam Section com artistas vindos de todos os cantos da capital. Nós chegamos no sábado, perdemos o jazz, mas fomos recebidos com um delicioso rum punch e a simpatia de Lana e Erick que não medem esforços para nos fazer sentir em casa. Conversamos por horas, nos inteirando de suas histórias e peripécias ao redor do mundo e principalmente da percepção que eles têm das mudanças que estão ocorrendo no país.

Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Com a Lana, no hotel Le Perroquet, em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Um rápido passeio por Pétion-Ville e aos poucos conseguimos encontrar algumas pistas de por que é considerado o bairro mais “chique” de Porto-au-Prince. Em meio a desordem comum das ruas do Haiti nos deparamos com haitianos de classe média-alta indo às compras, homens e mulheres indo e vindo dos seus trabalhos e casas em bons carros, bem vestidos e ornamentados, claramente pertencentes a outro mundo se comparados com a maioria esmagadora da população. Lá vivem diplomatas, estrangeiros que possuem negócios no país e os haitianos de classe mais alta. Na capital haitiana os ricos vivem na parte alta da cidade, próximo às montanhas de Massif de la Selle, enquanto lá embaixo, no centro, estão as áreas mais afetadas pela pobreza. Ainda assim eles não escapam de vivenciar a pobreza do país, que por não ter para onde ir, simplesmente se espalhou por tudo.

Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Área de mansões em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Depois do terremoto as ruas e arredores de Pétion-Ville foram tomadas por habitantes de toda a Port-au-Prince, assim como a República Dominicana, as ilhas caribenhas vizinhas, a América Central, Colômbia e até o Acre! Não se esqueçam que foram mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas em 5 minutos de um terremoto que chegou a 7.0 pontos na escala Richter. Mesmo distante do centro da capital, Pétion-Ville também sentiu o abalo sísmico de 12 de janeiro de 2010 que dentre outros edifícios, abalou as estruturas do hospital distrital. A sede do Clube de Pétion-Ville foi transformada em um hospital provisório e o campo de golfe foi transformado em uma grande cidade com barracas de campanha, abrigando de 50 a 80 mil haitianos desabrigados pelo terremoto.

Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Igreja na praça principal de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion-Ville, o subúrbio chique de Port-au-Prince, hoje se parece com bairros de classe-média de qualquer zona urbana brasileira. Uma igreja no centro, a praça com a estátua de Pétion, uma escola, floricultura, livraria, supermercados e bancos.

Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Uma das muitas escolas em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Pétion para lá, Pétion para cá... Afinal, quem foi esse tal Pétion? Alexandre Sabés Pétion (1770-1818) foi um dos quatro grandes libertadores do país, um dos homens que sonhou com um Haiti melhor, livre dos carrascos franceses e com oportunidades verdadeiras para a população mulata e os escravos. Após a libertação do domínio francês sobre o território e da criação do novo estado Haiti, "terra de montanhas", as disputas internas pelo poder cresceram e o país acabou dividido entre os negros do norte e os mulatos do sul. Henri Christophe se autonomeou Rei do Reino do Haiti, criando uma autocracia sem limites no norte do país. No sul, Pétion seguiu com seus ideais democráticos e tornou-se presidente da República do Haiti.

Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Principal praça de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Anos se passaram e os sonhos de Pétion parecem ter se realizado, a democracia se instalou e junto dela a dura realidade do nosso mundo moderno, trazendo consigo as suas discrepâncias econômicas e sociais. Nas esquinas dezenas de motociclistas esperam algum cliente para oferecer uma corrida. Mulheres sobem e descem ladeiras equilibrando na cabeça cestos cheios de frutas, bebidas, roupas ou o que você imaginar. Elas conversam, vendem seus produtos, desviam das motos e ainda mantém os balaios em pé com uma elegância sem igual.

Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Muito equilíbrio nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Ao redor da praça uma infinidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. O Haiti é reconhecido por sua arte, notadamente a pintura, escultura e a música. Eu me apaixonei pelos traços e cores, temas e a expressão da arte haitiana sem precisar entrar em nenhum museu ou galeria. Elementos africanos, europeus e tainos, indígenas nativos de Hispaniola, se mesclam em forma de contos, fábulas e signos facilmente compreendidos por uma população religiosa e iletrada.

Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti

Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti


A arte de rua tem uma qualidade exponencial e fosse em qualquer país desenvolvido estariam vários destes óleos sobre tinta dentro de grandes museus de obras contemporâneas ou folclóricas-tradicionais. Eu raramente me rendo à tentação de comprar alguma lembrança dos lugares por onde estamos passando, mas este quadro foi paixão à primeira vista. Foram dois dias pensando até decidir carregá-lo por mais 300 dias para o Brasil, mas será uma bela lembrança da nossa passagem pelo Haiti.

Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti

Feliz após a compra de um quadro em Pétion-Ville, no subúrbio da capital Port-au-Prince, no Haiti


Na floricultura da praça os jovens não medem esforços para se comunicar, do creole para o francês e algumas palavras de inglês e logo estamos nos entendendo. O meu francês é praticamente zero, algumas palavras, frases e um sorriso no rosto me ajudam a começar a conversa. Flores de bananeira? Eles não conseguiam entender se era eu que não sabia o que estava falando ou se era isso mesmo que eu queria. Sim, flores de bananeira! A Lana me contou uma receita balinesa com essa flor ignorada por (quase) todas as culinárias e segundo ela muito saborosa. Encomendei as flores, prometi ensinar-lhes a receita e dois dias depois lá estávamos nós trocando flores e receitas, espero que fique boa!

Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti

Socializando em floricultura em Pétion-Ville, bairro mais chique da capital Port-au-Prince, no Haiti


Chegamos ao Haiti e mesmo que distantes de suas maiores favelas e pontos críticos, já podemos sentir o país, entender algumas de suas dinâmicas e perceber que existe um clima de mudança no ar.

Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti

Port-au_Prince vista do telhado do nosso hotel em Pétion-Ville, no subúrbio da capital, no Haiti

Haiti, Port-au-Prince, arte, Cidades e Metrópoles, Le Perroquet, Pétion

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Blog do Rodrigo Arte nas ruas de Pétion-Ville, bairro mais chique de Port-au-Prince, no Haiti

Pétion-Ville e o Le Perroquet

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