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Fechando o Arco-Norte - Blog da Ana - 1000 dias

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Fechando o Arco-Norte

Guiana, Georgetown

Montanhas ao longe, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Montanhas ao longe, na reserva de Iwokrama, na Guiana


Hoje é o dia de finalizarmos a travessia do Arco-Norte, como é conhecida esta rota entre Amapá e Roraima, passando pela Guiana Francesa, Suriname, Guiana. Este último trecho entre Georgetown e Lethem é sem dúvida o mais puxado e um dos mais emocionantes. São 570 km, sendo 110 de asfalto e outros 460 km em estrada de terra. A longa estrada esburacada exige muita paciência e auto-controle, enquanto vamos brigando com a ansiedade e vontade de voltar para o Brasil.

Entrando na cidade de Linden, na Guiana

Entrando na cidade de Linden, na Guiana


Saímos às 5 horas da manhã de Georgetown, decididos a fazer o caminho até Lethem, embora algumas pessoas nos dissessem ser impossível, “poderíamos levar até 20 horas na estrada”. Tínhamos esperança de estarem superestimando a estrada ou subestimando a Fiona, rsrs! Os primeiros 110km são em asfalto e passando o tempo todo por pequenas cidades e vilarejos, são 24 ao todo até chegarmos à cidade de Linden. A segunda maior cidade da Guiana, Linden fica próxima ao principal aeroporto do país e é também a última cidade no caminho. Fizemos uma parada para abastecermos e comprarmos suprimentos para os próximos 300km. Pouco antes de paramos a Fiona começou a reclamar do diesel aguado do Suriname, tivemos que vazar o filtro de combustível pela primeira vez durante a viagem, muuuita água.

O único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

O único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


A estrada de terra é larga e começa muito ruim, média de 40 km/h. Alguns mais corajosos e conhecedores da estrada passavam por nós batidos, 60, 70km/h. Hoje a estrada promete estar movimentada já que é início de feriadão de Páscoa. Mais de 5 mil pessoas devem se reunir em um dos principal eventos do ano no país, o Rodeio de Lethem. Competição de dança, trajes típicos, comidas e bebidas guianesas e brasileiras e é claro, as competições de montaria dos bois e cavalos.

A deserta estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana

A deserta estrada de terra de 450 km entre Linden e Lethem, na Guiana


Em alguns trechos o solo é bem arenoso, portanto a mata fica baixa, entre 2 e 3m de altura. Mas quanto mais entramos no interior, mais úmida, verde e vivaz a vegetação vai ficando. 80km a frente paramos no único posto em toda a estrada e tivemos uma bela surpresa! Encontramos o casal Cynthia e Eduardo da Expedição Bordas do Brasil! São dois professores de Belo Horizonte que estão há 4 meses na estrada, contornando o país inteiro coletando dados demográficos e sobre o empreendedorismo feminino - www.bordasdobrasil.com.br, muito bacana o projeto!

Encontro com o casal brasileiro do projeito 'Bordas do Brasil' no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

Encontro com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


Os dois são super animados e acelerados, já estão adiantados no cronograma, saíram de BH na Landhover (uma Defender 90), já desceram até o extremo sul, fecharam toda a borda oeste e agora estão seguindo para o arco-norte, porém no sentido inverso. Boa sorte aos aventureiros e espero nos encontrarmos em breve! Ah, e olha que mundo pequeno, eles já sabiam da nossa existência, pois como também são mergulhadores conheceram o Reinaldo em BH, nosso instrutor de mergulho da Acquanauta, que comentou sobre o projeto. Êita mundin pequeno!

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito 'Bordas do Brasil' no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana

Encontro fortuito com o casal brasileiro do projeito "Bordas do Brasil" no único posto nos 450 Km entre Linden e Lethem, na Guiana


Do posto dirigimos por mais 2h30 até chegar em Karupukari, local onde precisamos atravessar o Rio Essequibo, um dos principais rios do país. A balsa funciona de hora em hora das 6h as 18h e o passe só é vendido em Georgetown! Custa 7 mil dólares guianeses, equivalente a US$ 35,00. Na balsa cabem bem umas 9 caminhonetes, conseguimos chegar sem muita fila mas logo ela lotou.

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana

Embarcando a Fiona para a travessia do rio Essequibo, na Guiana


Alguns quilômetros depois chegamos à portaria do Parque Nacional Iwokrama, hoje área de preservação, antigamente área de caça do Príncipe Charles. Disseram-nos que é muito bacana fazer este trecho durante a noite, pois é fácil avistar animais selvagens cruzando a estrada. Quem sabe numa segunda vez, depois de já conhecermos o caminho, não quisemos arriscar.

Socializando na travessia do rio Essequibo, à caminho de Lethem, na Guiana

Socializando na travessia do rio Essequibo, à caminho de Lethem, na Guiana


Conferência dos documentos do veículo e seguimos em frente, agora com Felix, um caroneiro que foi deixado para trás pelo ônibus na parada da balsa. Felix é um guianês de origem indígena da etnia Arawak. Eu não acreditei! Temos lido e aprendido muito sobre os Arawaks durante as nossas incursões pelo Caribe. Eles são uma das tribos que habita o litoral da Guiana e diversas ilhas caribenhas. Nestas ilhas hoje é praticamente impossível encontrá-los, pois primeiro já viviam em disputa territorial com os Caribs, índios mais guerreiros, enquanto os Arawaks são mais pacíficos. Depois os anos de colonização francesa, inglesa, espanhola terminaram por praticamente desaparecer com os Arawaks do mapa das índias ocidentais. A sua família vive na região de Lethem e ele vem de Berbice, onde trabalha, para passar a Páscoa com eles.
O que Felix não esperava é que os dois doidos que estavam dando carona gostam de conhecer cada canto e aproveitar cada minuto da viagem. No caminho vimos uma placa indicando um lugar chamado “Canopy Walkway”, ficamos intrigados e paramos na estrada. Os outros jipes que vinham nos acompanhando na estrada e na balsa pararam para ver se estava tudo bem, aproveitamos para pedir informações e nos falaram muito bem do tal lugar. Quando vimos que o tempo até Lethem já não nos deixaria cruzar a fronteira, que fecha entre 19h e 7h, resolvemos desviar o caminho para explorar!

Lodge na reserva de Iwokrama, na Guiana

Lodge na reserva de Iwokrama, na Guiana


No conceito de “jungle lodge”, o Iwokrama Canopy Walkway foi construído pelo Governo e Ministério de Turismo da Guiana, hoje administrado por uma organização de viagens internacional. Uma área muito bem preservada, o lodge oferece acomodações, todas as refeições, internet e o melhor tudo isso em meio à floresta guianesa, com diversas trilhas para a observação de pássaros e vida selvagem. Segundo Bernie, nosso guia, em uma das trilhas noturnas a possibilidade de se avistar uma onça pintada é altíssima!

Caminhando sobre as árvores, a quase 30 metros de altura, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Caminhando sobre as árvores, a quase 30 metros de altura, na reserva de Iwokrama, na Guiana


A Canopy Walkway é uma imensa trilha de arvorismo, com plataformas colocadas no alto de árvores com mais de 30m de altura! Estas plataformas estão interligadas por pontes pêncil, atravessando na altura das copas das árvores, por isso o nome “canopy way = caminho das copas de árvore”. Chegamos junto com as nuvens de chuva, os pássaros tem um barômetro incrível, é só o tempo ficar com cara de chuva que todos eles se recolhem. Infelizmente não foi a melhor hora para vermos pássaros, mas ainda assim a vista lá do alto é maravilhosa!

Observando do alto a reserva de Iwokrama, na Guiana

Observando do alto a reserva de Iwokrama, na Guiana


Felix não só nos esperou com aproveitou bastante para conhecer um pedacinho do seu país que ele nunca havia estado. Sempre me espanto como os europeus e americanos estão espalhados por tudo. Aqui no meio da floresta no interior da Guiana encontramos turistas amantes de pássaros e aventureiros do primeiro mundo explorando cada canto e nós brasileiros nem sonhamos com a riqueza que o nosso vizinho possui!

Pássaro (Black Currasow) na reserva de Iwokrama, na Guiana

Pássaro (Black Currasow) na reserva de Iwokrama, na Guiana


Anthony, gerente da pousada e Bernie, nosso guia, foram ótimos! Bernie é formado em ciências biológicas, terminou sua graduação com um trabalho sobre as etnias indígenas da Guiana, fiquei super curiosa! São 9 etnias espalhadas por todo o território, ele é da tribo dos Mucuxis, maior etnia indígena da Guiana, presente também no Brasil e na região de Annai, aqui próxima a esta reserva. Ele gravou um depoimento ótimo para o Soy loco por ti América, nossa coluna onde gravamos uma pessoa de cada país por onde passamos, nos contando por que ele é louco pelo lugar onde ele nasceu. Estes minutos somados vão nos mostrando quais são as belezas, os sotaques e a feição de cada americano, seja ele do sul, caribe, centro ou norte.

Sementes no alto das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Sementes no alto das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana


No final do nosso passeio o Anthony ainda nos liberou o banheiro dos alojamentos para tomar uma ducha, banheiro dos sonhos, sem telhado, com vista para a floresta, tomamos banho ao ar livre! Até então não tínhamos a mínima esperança de encontrar um lugar para dormir em Lethem, já que o rodeio estava movimentando a cidade. Nosso plano era dormir no carro mesmo, pelo menos já estávamos de banho tomado.

Caminho e plataformas sobre a copa das árvores. na reserva de Iwokrama, na Guiana

Caminho e plataformas sobre a copa das árvores. na reserva de Iwokrama, na Guiana


A estrada dali para Lethem foi mais longa do que esperávamos. Foram 4 horas que pareceram 10! Saímos da região da floresta e entramos nas savanas, anoiteceu e infelizmente perdemos a paisagem. Por outro lado nossa imaginação corria solta, em um cenário totalmente propício para contatos imediatos de terceiro grau, como dizia o Rodrigo. Só faltava mesmo um disco voador pousar ali, acho que era o único perigo que corríamos. Aproveitando o ensejo, depois destes três dias de Guiana e depois de cruzar o país do Suriname à fronteira com o Brasil, temos que ser justos: NADA aconteceu conosco, não nos sentimos inseguros e não fomos extorquidos pelos policiais em momento algum, outra reclamação recorrente de viajantes que passam por estas bandas. A Guiana só nos surpreendeu positivamente. Pessoas super amáveis e receptivas, paisagens fantásticas e uma pluralidade cultural imensa. Chegamos à Lethem as 22h30 da noite, com sorte encontramos um lugar para dormir. Vamos embora com vontade de ficar, sem dúvida ainda teríamos muito a explorar no país, comunidades indígenas, hindus e africanas, praias de desovas de tartarugas, cachoeiras e savanas. Infelizmente temos apenas 1000dias, quem sabe voltaremos.

Em uma plataforma sobre a copa das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Em uma plataforma sobre a copa das árvores, na reserva de Iwokrama, na Guiana

Guiana, Georgetown, Lethem, Guyana, Lindem, Karapakuri, Iwokrama Rain Forest, Canopy Walkway

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Comentários (4)

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  • 13/02/2018 | 10:10 por Izac

    Olá, gostaria de saber se há bastante opções de hotéis em lethem? Não encontro quase nada na internet.

  • 14/01/2014 | 23:33 por Roots

    parabéns pelo blog , lindas fotos e relatos , quanta vontade de conhecer a guiana e sua cultura , é necessário um visto pra entrar na guiana ?

    Resposta:
    Para visitar a Guiana Inglesa não é necessário visto, nós brasileiros só precisamos de visto para a Guiana Francesa. Boa viagem! Abs!

  • 18/03/2012 | 13:52 por João Marcelo

    Olá, gostaria de obter maiores informações acerca dessa viagem, moro em Boa Vista-RR e pretendo fazê-la partindo aqui de Roraima com destino a Macapá-AP via guiana/suriname. Gostaria de saber a rota mais aconselhável e os locais de parada e mais ou menos a duração da viagem.

    Grato.

    Resposta:
    Olá João Marcelo! Dá uma olhada no site buscando pelos três países (Guiana, Suriname e Guiana Francesa). Fizemos um roteiro de uns 15 dias parando para conhecer os principais lugares dos três países, qualquer dúvida manda no nosso email contato@1000dias. É uma viagem muito bacana, vale a pena! Bjs

  • 27/04/2011 | 00:07 por clenilça alves da silva(cleo)

    Boa noite ana e rodrigo ,realmente e inacreditavel ,mas que bom que deu tudo certo ,sucesso e vamos em frente .

    Resposta:
    td certíssimo sempre! com a sua torcida pode apostar que fica ainda mais fácil =)
    obrigada!
    bjs

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