0 Ribeirão da Ilha e a Trilha à Naufragados - Blog do Rodrigo - 1000 dias

Ribeirão da Ilha e a Trilha à Naufragados - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Ribeirão da Ilha e a Trilha à Naufragados

Brasil, Santa Catarina, Florianópolis

Na trilha entre Caiera e a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Na trilha entre Caiera e a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


No dia 18 foi a vez de seguirmos pela primeira vez para o sul da ilha, pelo menos nessa passagem dos 1000dias por Florianópolis e Ilha de Santa Catarina. Como já disse nos posts anteriores, eu e a Ana já viemos muitas outras vezes para cá, aproveitando o fato de Curitiba estar a apenas 300 quilômetros (por boas estradas) da capital catarinense. Na maioria das vezes, concentramos nossas estadias na parte sul da ilha, onde estão nossos bairros e praias preferidos de Florianópolis. Mas mesmo o sul da ilha tem suas diferenças e a parte que melhor conhecemos é aquela voltada para o oceano, como o Campeche, o Matadeiro e a Lagoinha. Na costa voltada para o continente, estivemos algumas poucas vezes, especialmente para visitar o Ribeirão da Ilha. Ainda mais ao sul está a praia de Naufragados, onde só se chega de trilha ou de barco. Para mim, pelo menos até agora, era uma ilustre desconhecida, praticamente no topo da minha lista de lugares por conhecer na Ilha da Magia. A Ana sim, havia estado lá uma única vez, ainda na sua fase pré-Rodrigo.

Nossa rota no dia 18. São 22 km em direção ao sul, até o Ribeirão da Ilha e outros 13 kms, parte deles em estrada de terra, até Caiera, no final do caminho, de onde parte a trilha para a praia de Naufragados

Nossa rota no dia 18. São 22 km em direção ao sul, até o Ribeirão da Ilha e outros 13 kms, parte deles em estrada de terra, até Caiera, no final do caminho, de onde parte a trilha para a praia de Naufragados


Então, esse foi o nosso destino do dia: a charmosa freguesia do Ribeirão da Ilha e a trilha para a praia dos Naufragados, a mais austral de Florianópolis. São cerca de 22 quilômetros de estrada, passando pelo túnel e pelo aeroporto (onde termina a pista dupla), até o centrinho de Ribeirão da ilha e mais 13 quilômetros, um bom pedaço em estrada de chão, até Caiera, no final da rodovia. É daí que começa a trilha de uma hora até Naufragados e há vários estacionamentos para se deixar o carro. Nós fomos cedo, aproveitando o dia lindo que fazia, passamos rapidamente pelo Ribeirão da ilha e fomos curtir o dia na praia quase deserta. Depois, já no final de tarde e no nosso caminho de volta, paramos com mais tempo no charmoso distrito em busca de um de seus famosos restaurantes.

A trilha de Caieras até a praia de Naufragados, no extremos sul da ilha de Santa Catarina, município de Florianópolis. São cerca de 60 minutos de caminhada, quase sempre na sombra

A trilha de Caieras até a praia de Naufragados, no extremos sul da ilha de Santa Catarina, município de Florianópolis. São cerca de 60 minutos de caminhada, quase sempre na sombra


O Ribeirão da Ilha é uma das mais antigas freguesias da área de Florianópolis, tendo sido fundada durante a primeira onda de povoamento da ilha, com a chegada dos imigrantes açorianos no final do séc. XVIII. A principal atividade econômica era a produção de alimentos para sustentar o forte militar construído poucas décadas antes com o intuito de proteger a entrada do estreito de mar que separa a Ilha de Santa Catarina do continente. É dessa época o início da construção do principal marco arquitetônico do bairro, a Igreja Nossa Senhora da Lapa. Ainda hoje, apesar de a parte interna ter passado por diversas reformas que descaracterizaram suas origens, seu exterior ainda permanece como fora na origem, puro charme açoriano.

A típica e charmosa arquitetura de inspiração açoriana no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

A típica e charmosa arquitetura de inspiração açoriana no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


A típica e charmosa arquitetura de inspiração açoriana no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

A típica e charmosa arquitetura de inspiração açoriana no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


Aliás, é a arquitetura presente no centro do Ribeirão da Ilha um dos principais atrativos para se vir até aqui. Casas coloridas e alegres e um ar colonial encantam os turistas e visitantes. Depois da confusão do centro de Florianópolis, a sensação é a de termos mudado de cidade e de tempo, um colírio para os olhos e um elixir para a alma.

A bela igreja de Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

A bela igreja de Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


Um dos restaurantes famosos do Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

Um dos restaurantes famosos do Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


Além da arquitetura, o outro motivo que atrai pessoas para cá é a famosa culinária do Ribeirão da Ilha. No bairro estão instalados alguns dos mais famosos restaurantes de Florianópolis e, certamente, aqueles com mais criatividade no nome. “Ostradamus”, “Umas e Ostras”, “Maria Vai com as Ostras” ou “Ostras e Ostras Coisas” já nos dão uma boa ideia da especialidade aqui do sul da ilha. Frutos do mar e principalmente as ostras, preparados das mais diferentes formas, são o prato principal de todos esses restaurantes. A produção dos mariscos é local, inúmeros “cercados” no mar, a poucos metros da praia, ao longo de quilômetros da costa. Enfim, quem vem para cá come ostras fresquinhas!

Deliciosas ostras recobertas com queijo derretido, iguaria típica do Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

Deliciosas ostras recobertas com queijo derretido, iguaria típica do Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


Criadouros de ostras e um belíssimo fim de tarde, visão comum no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)

Criadouros de ostras e um belíssimo fim de tarde, visão comum no Ribeirão da Ilha, no sul de Florianópolis (foto da internet)


Eu, por exemplo, nunca fui fã de frutos do mar. Gosto de peixes, camarão, casquinha de siri e só. Nada de mariscos, caranguejos, lagostas, ostras, polvos e lulas. Reconheço a frescura e sei “abrir mão” dela nos lugares certos. Foi assim naquele delicioso restaurante japonês de Fortaleza, onde foi impossível recusar o prato com polvo, que estava uma delícia, sem nenhum gosto emborrachado de polvo. Foi assim também em Chiloé, no Chile. É inadmissível passar por lá sem experimentar o “curanto”, um prato que mistura muitas coisas, mas cujo forte são os mariscos. Bom, aqui no Ribeirão da Ilha, também seria um pecado não nos esbaldarmos em ostras, gostando ou não. Confesso que, com um queijinho gratinado em cima, ficou uma delícia. Eu só precisava esquecer meus preconceitos e me deliciar na iguaria. Foi o que fiz e recomendo para qualquer um que chegue até aqui. Junte-se a isso uma cerveja gelada e um entardecer sobre as água do estreito, eis aí a alma do Ribeirão da Ilha. No concurso de charme da ilha, acho que a única concorrência vem de Santo Antonio de Lisboa, também voltada para o continente, mas na costa norte de Florianópolis.

Na trilha entre Caiera e a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Na trilha entre Caiera e a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


A agradável trilha que leva à  praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

A agradável trilha que leva à praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Bom, esse nosso final de tarde inesquecível no Ribeirão da Ilha foi no nosso caminho de volta. Na ida, passamos por aqui rapidamente, sem parar, em direção ao início da trilha para Naufragados. Com isso, perdemos a melhor luz para fotografarmos. Uma pena, pois a vila é super fotogênica! Na volta, escolhemos comer antes e, após o restaurante, já não conseguíamos fotografar nada. Que falha! Enfim, não foi difícil achar fotos na internet para ilustrar um pouco do Ribeirão da Ilha. Mas fica um amargo na boca de não termos nossas próprias fotos desse lugar tão especial...

Córrego de água limpa na trilha para a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Córrego de água limpa na trilha para a praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Riacho de água pura na trilha para Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Riacho de água pura na trilha para Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


De qualquer maneira, boa parte do nosso tempo de hoje foi dedicada a outro programa: caminhar até a praia mais ao sul da Ilha de Florianópolis e curtir esse lugar tão isolado da civilização. O nome dessa praia misteriosa, Naufragados, já é eloquente o bastante para não deixar dúvidas sobre a sua origem, mas a discussão é sobre a qual naufrágio ele se refere. Isso porque foram vários nessa região, bem na entrada do estreito que separa a ilha do continente. O mais provável é que o nome faça referência a um terrível naufrágio, em 1753, de um barco que levava açorianos para o Rio Grande do Sul. Foram mais de cem mortos, boa parte deles enterrados nas areias dessa praia. Outros tantos sobreviveram ao desastre e viveram aqui até serem resgatados.

A isolada praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

A isolada praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


A isolada praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

A isolada praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Os naufrágios na área só diminuíram com a construção de um grande farol, em 1883, na extremidade sul da ilha, em uma das pontas que delimitam a praia de Naufragados. Sem mais náufragos para movimentar a praia, desde então ela vive um período de grande tranquilidade, perturbado apenas pela chegada de intrépidos visitantes que chegam aqui caminhando ou de barco.

Farol na praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Farol na praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, praia de Naufragados

Extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, praia de Naufragados


A trilha leva cerca de uma hora e está bem sinalizada e mantida. Parte de trás de um dos estacionamentos no final da estrada, começa com uma subida mais íngreme, mas logo fica plana, sombreada e muito agradável de ser percorrida. No caminho, passamos por córregos onde podemos nos refrescar e nos abastecer de água para beber. Ela é pura e cristalina e vem diretamente da maior montanha da ilha, o Morro do Ribeirão, com 532 metros de altitude. Fora da temporada e de finais de semana ensolarados, a trilha é sempre vazia, apenas uns poucos encontros fortuitos ao longo da caminhada.

Caminhando na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Caminhando na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Caminhando na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Caminhando na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


A praia tem pouco mais de um quilômetro de cumprimento e é bem larga. Dali se vê o continente bem próximo, a menos de dois quilômetros de distância. A tentação para uma travessia a nado é grande, mas a corrente é bem forte, principalmente nas saídas e entradas de maré. Para quem tiver o bom senso de ficar mais perto da praia, o mar é bem tranquilo, uma delícia de mergulho.

Observando o mar  na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Observando o mar na praia deserta de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Visual do extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, praia de Naufragados

Visual do extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, praia de Naufragados


Quase não há construções. Umas poucas casas e o farol sobre o morro. Duas ou três casas foram transformadas em restaurantes que servem peixe, petiscos e, claro, cerveja gelada. A gente se instalou em um deles e ficamos bem amigos do Seu Adriano, o morador mais antigo da praia. Veio para cá na década de 50. É ele que mantém a trilha que tínhamos acabado de fazer em tão bom estado. Ótimo pastel e conversa deliciosa, muitos casos e causos.

Uma garça desfruta da solidão e tranquilidade da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Uma garça desfruta da solidão e tranquilidade da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Uma garça desfruta da solidão e tranquilidade da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Uma garça desfruta da solidão e tranquilidade da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Havia mais uns poucos visitantes, quase todos acampados para uma temporada mais longa. Nós caminhamos de um lado a outro da praia, areia firme e gostosa de andar. Nossa acompanhante foi uma garça curiosa que ficava posando para fotos.

Com o seu Adriano, morador pioneiro da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Com o seu Adriano, morador pioneiro da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


Com o seu Adriano, morador pioneiro da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Com o seu Adriano, morador pioneiro da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina


É possível continuar a caminhada a partir daqui e seguir até o Pântano do Sul, praia já voltada para o oceano na costa leste da ilha, passando no caminho pelas praias do Saquinho e da Solidão. Dizem ser um caminho lindo, rota da famosa prova “Volta à Ilha”. A Ana já fez, mas eu ainda não. E, infelizmente, ainda não foi dessa vez. Afinal, daqui tínhamos de voltar para a nossa querida Fiona e para as ostras gratinadas que nos esperavam no Ribeirão da Ilha. Então, depois de muita conversa fiada com Seu Adriano, tratamos de pegar o caminho de volta. Com a certeza de que, um dia, voltaremos!

Deixando pegadas efêmeras nas areias da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

Deixando pegadas efêmeras nas areias da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina

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