0 Nossa Casa, o Sea Spirit - Blog do Rodrigo - 1000 dias

Nossa Casa, o Sea Spirit - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Nossa Casa, o Sea Spirit

Falkland, Atlântico Sul Falkland

Caminhando pelo convés na nossa primeira manhã no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Caminhando pelo convés na nossa primeira manhã no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Nossos primeiros dias no Sea Spirit foram de pura navegação. Afinal, são pouco mais de 2 mil quilômetros entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas, a primeira terra firme no nosso caminho. Saímos da capital argentina no início da tarde do dia 3 com previsão de chegada na manhã do dia 7. Pouco mais de 3 dias, tempo mais do que suficiente para nos adaptarmos à nossa nova casa e às rotinas do dia a dia. Em uma primeira impressão, pode até parecer que seríamos tomados pela monotonia, tanto tempo sem ver nada ou ter o que fazer, cercado de água por todos os lados. Impressão errada! A programação foi intensa, a quantidade de coisas para ser ver, fazer e aprender também e o Sea Spirit, nossa casa pelas próximas 3 semanas, se mostrou muito além de nossas expectativas, tanto de conforto como de desempenho.

A planta do Sea Spirit, num quadro na ponte de comando do navio

A planta do Sea Spirit, num quadro na ponte de comando do navio


A planta do Sea Spirit e seus cinco andares. Nosso quarto era o 334, no Oceanus Deck, o mesmo do auditório e da recepção, por onde se entra no navio

A planta do Sea Spirit e seus cinco andares. Nosso quarto era o 334, no Oceanus Deck, o mesmo do auditório e da recepção, por onde se entra no navio


Nos próximos posts vou falar do intenso programa de palestras, da incrível fauna que já vimos neste caminho e também dos “eventos sociais” e dos nossos amigos e colegas da expedição. Agora, quero falar é do Sea Spirit e da nossa rotina no barco que conhecemos e exploramos nesses primeiros dias de viagem.

Um dos corredores de acesso aos quartos no Sea Spirit

Um dos corredores de acesso aos quartos no Sea Spirit


Uma janela do tipo escotilha no Sea Spirit

Uma janela do tipo escotilha no Sea Spirit


O barco foi construído em 1991 e tem praticamente 90 metros de comprimento. São 7 andares, dois deles com acesso restrito. Nós, passageiros, circulamos entre o segundo e o sexto, onde estão as cabines, restaurante, auditório, ginásio, jacuzzi e outras amenidades. O Sea Spirit acondiciona até 114 “hóspedes” e 80 membros do staff e tripulação. Todas as cabines de passageiros têm vista para o exterior, banheiro próprio, telefone via satélite e tela flat screen com DVD. As mais chiques tem até varanda própria, mas duvido que sejam muito usadas nos gelados ambientes polares.

Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida

Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida


Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida

Nossa espaçosa cabine, com quarto e até uma pequena sala, no Sea Spirit, navio que nos leva até a Antártida


O navio tem uma pequena academia de ginástica, mas não é muito fácil usá-la com o barco em movimento. Tem também uma biblioteca joia, uma grande jacuzzi ao ar livre com água bem quente, wi-fi (cara e lenta! Na prática, serve só para e-mails de texto), uma pequena loja de lembranças e, o melhor de tudo, um aconchegante bar com bebidas já incluídas, exceto as mais caras pelas quais pagamos um pequeno valor. Por exemplo, uísques 8 anos já estão incluídos, mas por pouco mais de um dólar fazemos o up-grade para os doze anos. Para compensar essa fartura e facilidade de bebidas, podemos caminhar e até fazer cooper ao ar livre no deck que dá toda a volta no quarto andar, chamado de “Club Deck”, num circuito de quase 200 metros. Um dia, pela manhã, cheguei a dar dez voltas correndo por aí!

Lendo um livro na nossa cabine do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Lendo um livro na nossa cabine do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Banheiro da nossa cabine no Sea Spirit

Banheiro da nossa cabine no Sea Spirit


Uma das grandes vantagens que tivemos nessa viagem foi que o barco seguiu relativamente vazio. Ao invés da capacidade máxima de hóspedes, o que costuma acontecer nas viagens entre Dezembro e Janeiro, nós éramos apenas cerca de 70 pessoas. Isso facilitava bastante na hora das refeições e nas operações de embarque e desembarque. Geralmente, esses pontos de visita tem um limite máximo de pessoas e nas viagens feitas por grandes navios, os passageiros têm de fazer turnos de visita. No caso do Sea Spirit, mesmo com a lotação máxima, não se chega a este limite, mas de qualquer maneira, perde-se muito menos tempo na operação de levar e trazer de terra firme nos botes infláveis 70 passageiros que os 114 da lotação máxima.

A sala de estar do Sea Spirit com o Jeff ao piano, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

A sala de estar do Sea Spirit com o Jeff ao piano, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Guloseimas servidas durante o horário do chá, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)

Guloseimas servidas durante o horário do chá, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)


O Sea Spirit tem cabines duplas e triplas. Obviamente, a segunda opção é mais barata, mas essas cabines triplas são separadas entre homens e mulheres e eu e a Ana não quisemos ficar separados tanto tempo. Assim, pagamos um pouco mais e optamos pela dupla. Nós já tínhamos visto fotos da cabine nos folders e internet, mas nunca dá para acreditar muito nessas fotos. Assim, nossa expectativa estava mais baseada no que lemos de relatos de outros viajantes para a Antártida. Eles tinham viajado em outros navios, mas imaginávamos que era tudo do mesmo padrão. As descrições eram de cabines mais rústicas, eficientes, mas pouco confortáveis. Assim, para nós foi uma gratíssima surpresa o padrão da nossa cabine, muito mais confortável do que a maioria dos hotéis que temos ficado por aí. Uma vasta cama, muitos armários, uma pequena sala com sofá, uma bela janela e um banheiro pequeno, mas muito bem acomodado. Uma delícia! Quando vimos, dávamos pulos na cama, muito felizes com a escolha que fizemos e com as 3 semanas que nos esperavam. O quarto, assim como todo o interior do navio, está aclimatizado a agradáveis vinte e poucos graus e podemos estar sem casacos. É um local muito agradável e muitas vezes eu me refugiava por lá para ler algum livro enquanto a Ana socializava pelo navio. De noite, tinha sempre a opção de algum filme na TV, mas usamos isso muito pouco, com tantas coisas mais interessantes para se fazer.

Visita à ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Visita à ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Visitando a ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Visitando a ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Nosso quarto estava no 3º andar, o chamado “Oceanus Deck”. O mesmo andar do auditório do navio, onde ocorriam todas as palestras. É também o andar da recepção, pois é por aí que abordamos o navio quando ele atraca em algum porto (Buenos Aires, Port Stanley, nas Malvinas, e Ushuaia, no final da viagem). Um andar abaixo de nós, no “Main Deck”, está o restaurante para as três refeições. É também desse andar que abordamos os “Zodiacs”, que é o nome dos botes infláveis nos levam e trazem para terra firme ou passeios no mar. Mas o caminho para chegar até eles não é o mesmo do restaurante! A escada de acesso para lá fica na parte externa do Oceanus Deck.

Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Mapa de navegação na ponte de comando do Sea Spirit, no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Um andar acima do nosso é o chamado Club Deck, aquele que podemos dar a volta inteira pela parte externa do navio. Aí está o bar, a sala de estar e a biblioteca, tudo num mesmo ambiente, amplo e aconchegante. Tem até um piano de calda. É aí que ocorrem as animadas festas do navio e outros eventos sociais. Todas as tardes era servido café, chá e várias guloseimas para acompanhar. Certamente um dos locais prediletos do navio, seja para conversar, seja para ler. A biblioteca tem livros de todos os tipos, mas o forte realmente é a literatura sobre os polos, seja de aventura, exploração, científica, fotográfica ou puramente informativa.

Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


A Ana se esquenta na jacuzzi no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

A Ana se esquenta na jacuzzi no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas


Por fim, um andar acima está o “Sports Deck”, onde está a pequena academia de ginástica e a jacuzzi ao ar livre. É também o andar que tem o deck ao ar livre mais amplo, local preferido para se esquentar ao sol ou observar a vida selvagem, como pássaros, baleias e golfinhos. Aí quase sempre estava o Jim, o nosso guia ornitólogo, sempre com seu binóculo e máquina fotográfica a nos apontar as muitas espécies de pássaros que vivem nesse mundo isolado. Também aí era servido, se as condições do tempo permitissem, um almoço mais light e com menos variedade. Mas muita gente se servia lá embaixo e vinha comer aqui em cima, simplesmente pelo prazer de estar ao ar livre, principalmente nos dias de sol e sem vento.

Rumo ao frio e ao sul, para lá segue o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Rumo ao frio e ao sul, para lá segue o Sea Spirit um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Nosso capitão observa os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Nosso capitão observa os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Nessa andar também, mas no outro lado do navio, na proa, está a ponte de comando. Para chegar lá, passamos pelo corredor de acesso às cabines mais caras, aquelas com varanda que ninguém usa, e entramos pela porta que nunca está trancada (passageiros são benvindos!) para chegar a grande sala de comando, com uma linda e ampla vista do que segue adiante. A sala é cheia de aparelhos analógicos e digitais, muitas telas de informações, centenas de botões, mapas e cartas náuticas e sempre dois ou mais marinheiros, algumas vezes o próprio capitão, se revezando no comando da embarcação. São sempre simpáticos em nos responder as dúvidas e nos ensinar um pouco sobre a arte de navegar em mar aberto ou nos mostrar em algum mapa onde estamos, de onde viemos e para onde vamos, a qualquer hora do dia ou da noite.

Os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Os instrumentos da sala de controles do Sea Spirit, um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


As telas do Sea Spirit anunciam a programação do dia 4/11, com palestras pela manhã, filmes e um coquetel de tarde e de noite

As telas do Sea Spirit anunciam a programação do dia 4/11, com palestras pela manhã, filmes e um coquetel de tarde e de noite


Enfim, é nesse ambiente que estamos vivendo. Acordamos cedo e, tanto na recepção como na biblioteca, já estão pequenos jornais com o resumo do que aconteceu no mundo no dia anterior. Tem versões focadas na Austrália, Inglaterra e Estados Unidos (muitos passageiros desses três países) e uma versão mundial. Também de manhã, as telas espalhadas pelo navio mostram a programação do dia. Tipicamente, café das 08:00 as 09:30 e almoço das 12:30 as 13:30, fartos e em sistema de buffet, sempre acompanhados de vinho branco e tinto e bebidas não alcóolicas. Saladas incrivelmente frescas (não sei a mágica...). Jantar as 19:30, em sistema a La Carte, com três opções de entrada, de principal e de sobremesa, de novo acompanhado pelos vinhos.

Buffet do nosso almoço no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)

Buffet do nosso almoço no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas (foto da Rukimini)


Mesa de jantar um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas

Mesa de jantar um dia antes de chegarmos às Ilhas Malvinas


Durante a manhã, palestras sobre biologia, geologia ou história relacionados ao que estamos vendo naqueles dias. De tarde, a chance de observar a vida na natureza, sempre acompanhado de um guia para nos dar as explicações pertinentes. No auditório, algum filme de um festival de cinemas que está ocorrendo a bordo, uma (ótima!) experiência que estão fazendo pela primeira vez nessa nossa viagem. Enfim, como eu disse no início do post, uma programação intensa. Que temos a opção de acompanhar inteiramente, parcialmente ou ignorar, ficando lendo sossegado algum livro interessante na biblioteca ou no aconchego do quarto. Mas a nossa experiência foi que as palestras são muito interessantes e não devem ser perdidas. Nem a chance de se observar a vida selvagem lá do deck. A não ser que a jacuzzi esteja muito apetitosa...

Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Aproveitando as águas quentes da jacuzzi do Sea Spirit, enquanto a temperatura fica cada vez mais fria no trecho entre Buenos Aires e as Ilhas Malvinas

Falkland, Atlântico Sul Falkland, Arquitetura, barco

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Embarcando Para a Antártida

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As Palestras e a Vida Selvagem

Comentários (1)

Participe da nossa viagem, comente!
  • 02/07/2014 | 16:56 por INGRID

    Rodrigo,

    Estou "viajando" com vcs. Gosto de frio e de fotografar, mas meu marido não, então te pergunto, vc acha que seria muito chato fazer essa viagem sozinha? Em que mês vocês foram? É muito cara? Ingrid

    Resposta:
    Oi Ingrid

    Que bom que está viajando conosco! A nossa viagem foi em Novembro, início da temporada que vai até Fevereiro

    A viagem é maravilhosa, seja só ou acompanhada. As pessoas que vão conosco no barco são sempre interessantes e é fácil fazer amizade. Mas diga ao seu marida que não se passa frio por lá, o barco é climatizado e sempre temos bons casacos. Passo mais frio em Curitiba do que passei por lá. tenho certeza que ele gostaria da viagem também!

    A viagem, infelizmente, é cara sim. O preço varia de 5 a 20 mil dólares por pessoa, dependendo do roteiro e do navio. As viagens mais baratas são aquelas compradas no último momento, saindo de Ushuaia, quando sobre lugar no barco. Mas aí, são em cabines triplas. Para garantir seu lugar em cabines duplas, a compra deve ser feita com antecipação e o preço mínimo já se aproxima dos 10 mil dólares. SEmpre depende do roteiro. esse que fizemos, que passa pelas Malvinas e Geórgia do Sul, por ser mais longo, é mais caro. mas para nós, valeu cada centavo. Vc vai poder ver porquê durante os próximos dias, quando eu postar toda a história e fotos...

    Um abraço e espero ter podido ajudar...

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