0 Honduras e a Semana Santa - Blog do Rodrigo - 1000 dias

Honduras e a Semana Santa - Blog do Rodrigo - 1000 dias

A viagem
  • Traduzir em português
  • Translate into English (automatic)
  • Traducir al español (automático)
  • Tradurre in italiano (automatico)
  • Traduire en français (automatique)
  • Übersetzen ins Deutsche (automatisch)
  • Hon'yaku ni nihongo (jidö)

lugares

tags

Arquitetura Bichos cachoeira Caverna cidade Estrada história Lago Mergulho Montanha Parque Patagônia Praia trilha vulcão

paises

Alaska Anguila Antártida Antígua E Barbuda Argentina Aruba Bahamas Barbados Belize Bermuda Bolívia Bonaire Brasil Canadá Chile Colômbia Costa Rica Cuba Curaçao Dominica El Salvador Equador Estados Unidos Falkland Galápagos Geórgia Do Sul Granada Groelândia Guadalupe Guatemala Guiana Guiana Francesa Haiti Hawaii Honduras Ilha De Pascoa Ilhas Caiman Ilhas Virgens Americanas Ilhas Virgens Britânicas Islândia Jamaica Martinica México Montserrat Nicarágua Panamá Paraguai Peru Porto Rico República Dominicana Saba Saint Barth Saint Kitts E Neves Saint Martin San Eustatius Santa Lúcia São Vicente E Granadinas Sint Maarten Suriname Trinidad e Tobago Turks e Caicos Uruguai Venezuela

arquivo

SHUFFLE Há 1 ano: Rio De Janeiro Há 2 anos: Rio De Janeiro

Honduras e a Semana Santa

Honduras, Fronteiras, Utila

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Meio de transporte em Utila, ilha no litoral norte de Honduras


Durante essa viagem, pudemos comprovar na pele um dos mitos preferidos dos viajantes brasileiros: a história de que somos queridos e bem quistos em todos os lugares. Podemos afirmar, em primeira mão, que isso é verdade! Do Alaska à Argentina, passando pelas ilhas do Caribe ou países da América Central, brasileiros fazem o maior sucesso. Não sei se devemos agradecer ao Pelé, ao Romário ou ao Ronaldo, mas o fato é que todos gostam de nós, dos policiais aos frentistas, dos garçons aos hoteleiros. Estando com Ana ali do lado, então, o sucesso ainda fica maior!

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés

Passando pela fronteira entre Guatemala e Honduras, perto de Puerto Cortés


Faltava passar pelo último teste: Honduras! Esse é o país com a pior fama na América Central com relação à violência e chateação de autoridades. Tanto que, na vinda, quando ainda subíamos para o Alaska, resolvemos fazer uma passagem relâmpago, de apenas 3 horas cruzando o país. Não tivemos absolutamente nenhum problema, mas saímos aliviados quando cruzamos a fronteira para El Salvador. Agora, mais de um ano depois, chegou a hora de cruzar o país novamente. Só que, dessa vez, nossa ideia não é passar rapidamente, não. Ao contrário! Chegou a hora de conhecer o país de verdade!

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras

Chegando à Puerto Cortés, no norte de Honduras


Tanto tempo de estrada nos fez aprender que as histórias e famas que chegam até nós, seja pela imprensa, seja por relatos de conhecidos de conhecidos, quase sempre são exageradas. Apenas as notícias ruins viajam, enquanto as boas, ou as “normais”, simplesmente não são notícias e não ficamos sabendo. Enfim, depois da nossa ótima estadia no “perigoso” México, e mesmo em países como Guatemala e El salvador (que também não tem boa fama de segurança), estávamos loucos para verificar que com Honduras seria igual! Basta não ter o azar de estar no lugar errado, na hora errada. Para isso, coisas simples como não dirigir de noite e nem ficar de bobeira perto da fronteira ajudam bastante.

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Mas, voltando ao primeiro tópico do post, aquele de que somos sempre bem recebidos por sermos brasileiros, minha curiosidade com Honduras vem do fato de que o Brasil, na gestão do nosso querido ex-presidente, cometeu aqui uma de suas maiores patuscadas de sua política externa (que não foram poucas...), possivelmente queimando o nosso filme. Em 2009, seguindo exatamente o que manda a constituição do país, Manuel Zelaya, o então presidente, foi deposto. Ele insistia em organizar um plebiscito para aprovar a possibilidade de reeleição de presidente, algo que era terminantemente proibido pela constituição. Mais: a carta magna do país dizia que quem quer que defendesse essa ideia perderia seu cargo, seja o gari, seja o próprio presidente. Enfim, com o apoio dos poderes legislativo e judiciário, do Ministério Público e de ampla maioria da população, o presidente foi deposto. Mas aí, liderados pelo finado Chavez e pelo Brasil, os países da América Latina acusaram o “golpe” e quiseram, a todo o custo, impor ao país que aceitasse o tal Zelaya de volta. Honduras resistiu, agarrada a sua constituição e, de novo seguindo sua lei, organizou novas eleições. Mas o Brasil insistiu, contrabandeando o Zelaya para dentro de sua embaixada em Tegucigalpa, de onde ele fez de tudo para atrapalhar o processo que aqui ocorria. A situação chegou ao auge do ridículo quando ele cobriu as janelas da embaixada brasileira com papel alumínio para, segundo ele, se defender dos “raios mentais” (???) que um aparelho trazido por uma equipe do serviço secreto israelense estava disparando sobre ele.

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

varanda do nosso restaurante, com bela vista para praia na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


Enfim, novas eleições foram organizadas, o candidato do partido de Zelaya foi derrotado fragorosamente, a guerra civil antecipada por Chavez e pelo Brasil não ocorreu (já que ele mal tinha partidários, além de barulhentas minorias organizadas) e o presidente eleito assumiu, sendo reconhecido por boa parte do mundo civilizado. Quem não reconheceu foi a Venezuela e... o Brasil! Sem reconhecer o novo governo, nosso país impôs a exigência de visto de viagem para os hondurenhos. Por reciprocidade, brasileiros passaram a necessitar, também, de visto para entrar em Honduras. E nós, já com o pé na estrada, passamos a ter uma nova preocupação na cabeça. Felizmente, o tempo passou e, na surdina, o novo governo brasileiro voltou atrás e as relações se normalizaram, caindo a exigência de visto. Mas, teria ficado alguma cicatriz?

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras

Estudando o mapa do país em restaurante na região de Puerto Cortés, no norte de Honduras


O sorriso sincero do guarda que nos recebeu nos mostrou que não! E meia hora dirigindo no país nos mostrou que, também aqui, brasileiros são bem recebidos! Quanto à segurança, difícil imaginar estradas mais seguras como nessa época do ano. Em plena Semana Santa, o feriado mais movimentado do país, centenas de bloqueios policiais e militares são colocados em todas as estradas. A Fiona, como sempre, fazendo o maior sucesso entre eles. A maioria das vezes, só precisávamos abaixar os vidros para continuar. Ou, quando havia alguma conversa, a simpatia era total! A imagem daquela tal “má fama” acabou completamente.

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras

Cruzando pequena cidade no norte de Honduras


Falando em Semana Santa, foi ela que acabou definindo nosso roteiro pelo país. Noventa e nove por cento dos turistas estrangeiros que vêm à Honduras querem visitar as Bay Islands e/ou as ruínas de Copán. A grande maioria fica só nisso. Nós também queremos ir a esses dois lugares, mas também acrescentamos no nosso roteiro o lago Yojoa, a capital Tegucigalpa e a cidade histórica de Gracias. Assim, acreditamos, vamos conseguir formar uma ideia bem mais completa do país. Vai faltar uma visita à parte leste de Honduras, uma região de difícil acesso e que iria requerer mais tempo, coisa que anda em falta ultimamente. Então, essa parte vai ficar para a próxima...


Nossos destinos em Honduras: A ilha de Utila (A), as ruínas de Copán (B), a cidade histórica de Gracias (C), o lago Yojoa (D) e a capital Tegucigalpa (E)

Resolvido aonde íamos, faltava decidir a ordem a ser seguida. Geograficamente, faria até mais sentido começarmos pelas ruínas mayas de Copán, mas a questão da Semana santa nos fez decidir pelas Bay Islands, primeiro. Isso porque, no litoral, elas estariam lotadas. Mas se lá chegássemos ainda no início da semana (agora!), ainda teríamos alguma chance de achar hotel. Se ficasse para depois, já nem haveria essa chance. As outras cidades do nosso roteiro, todas no interior, não são tão disputadas assim, na Semana Santa.

Então, rumo à La Ceiba, cidade de onde partem os barcos para Roatán, Utila e Cayo Cocinos, as tais “Bay Islands”. Saímos de Rio Dulce, onde havíamos reencontrado a Fiona ontem de tarde, atravessamos a fronteira sem problemas e seguimos para Puerto Cortés e depois, para a “famosa” San Pedro Sula, considerada a cidade mais violenta do continente! Como nas cidades mexicanas, aqui também quase todas as mortes estão ligadas à guerra de gangues e tráfico de drogas. Raramente a violência atinge os turistas. Mas a fama, tenho de reconhecer, é péssima. De dentro da Fiona, passamos curiosos pela periferia da cidade, um marco na nossa travessia pelo continente. Com a luz do dia, tudo pareceu uma aventura inocente e, com a mesma segurança que entramos, saímos. Inteiros!


Nosso caminho de Rio Dulce, na Guatemala (A) até La Ceiba, em Honduras (D), passando ao lado de Puerto Cortés (C) e dentro de San Pedro Sula (D). De La Ceiba saem os barcos para as “Bay islands”, como a famosa Roatán e Utila, nosso próximo destino

Depois, mais umas poucas horas de estradas, muitos bloqueios policiais e chegamos à La Ceiba. Instalamo-nos em um hotel na praça principal da cidade e fomos buscar informações sobre as Bay Islands. Já faz tempo que tínhamos decidido não seguir para Roatán, a mais turística e cara das ilhas, mas nossa primeira opção as pequenas Cayos Cocinos, aparentemente, estavam lotadas. Só há um hotel por lá, completamente cheio e as casas particulares estavam sendo disputadas a ferro e fogo. Teríamos mais chances mesmo em Utila, com muito mais opções de hospedagem. O negócio era chegar lá e tentar, de porta em porta. Na pior das hipóteses, temos nossa barraca. E na pior da pior das hipóteses, voltamos no barco da tarde. Então, é isso aí, amanhã cedinho, barco para Utila! A Fiona fica nos esperando no porto, do lado de cá. Dando tudo certo, vai ganhar novo descanso...

Honduras, Fronteiras, Utila, história

Veja todas as fotos do dia!

Comentar não custa nada, clica aí vai!

Post anterior Chegando de volta ao nosso hotel, depois de muito caiaque, trilha e cachoeira (região de Livingston, na Guatemala

Na Casa Redonda

Post seguinte Passeando em Utila, ilha no litoral norte de Honduras

Chegando à Utila

Comentários (2)

Participe da nossa viagem, comente!
  • 10/04/2013 | 15:02 por Dona Helen

    Concordo plenamente com o Lucio
    Textos interessantissimos!Agora, a pergunta que ele faz, tam-
    bém não cala na minha garganta!
    Bjs. Mama

    Resposta:
    Oi Mama

    Elogio de mãe vale em dobro!!!

    Quanto a pergunta, a essa altura, vc tb já sabe a resposta!!!

    Beijos e saudades

  • 09/04/2013 | 22:57 por Lucio

    Rodrigo,

    Parabéns pelos textos! Todos sao muito bem escritos!

    Quase toda semana entro aqui no site para ver os novos textos, e esta parte da viagem na América Central desperta bastante curiosidade.

    No planejamento de vocês, vcs estimam mais Ou menos qto tempo de viagem ainda?

    Resposta:
    Oi Lucio

    Legal que vc goste do blog! Espero que tenha nos acompanhado muito tempo ainda!

    Demoramos tanto para te responder que agora já temos a resposta exata para a sua pergunta: a nossa viagem terminou em Abril de 2014, exatamente um ano depois de vc perguntar.

    Um grande abraço

Blog da Ana Blog da Rodrigo Vídeos Esportes Soy Loco A Viagem Parceiros Contato

2012. Todos os direitos reservados. Layout por Binworks. Desenvolvimento e manutenção do site por Race Internet