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Escravos Brancos e a Erupção - Blog do Rodrigo - 1000 dias

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Escravos Brancos e a Erupção

Islândia, Vestmannaeyjum

Subindo o rochedo Heimaklettur, ao lado de Vestmannaeyjum,  na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Subindo o rochedo Heimaklettur, ao lado de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Nosso dia aqui na ilha de Heimaey, no sul da Islândia, começou com um belo exercício: uma “escalaminhada” até o topo do mais alto rochedo da região, chamado Heimaklettur, com quase 300 metros de altura. Nas partes mais íngremes, principalmente no início, foram instaladas escadas de bombeiro para facilitar a subida. Depois, uma trilha estreita entre penhascos nos leva até o topo. No caminho, vistas magníficas do mar e da cidade de Vestmannaeyjar, que ficou lá embaixo.

Início da subida da montanha Heimaklettur, com ajuda de escadas nos trechos mais íngrimes (ilha de Heimaey, no sul da Islândia)

Início da subida da montanha Heimaklettur, com ajuda de escadas nos trechos mais íngrimes (ilha de Heimaey, no sul da Islândia)


Subindo o rochedo Heimaklettur, ao lado de Vestmannaeyjum,  na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Subindo o rochedo Heimaklettur, ao lado de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Outra coisa que encontramos no caminho são ovelhas pastando tranquilamente a grama verde que cresce por lá. Pois é, se essas ovelhas estão lá, deve ter algum caminho mais fácil para chegar lá no alto. Afinal, não consigo imaginar elas subindo as escadas de bombeiros! Enfim, estão por lá e combinam muito bem com o ambiente, dando um tom mais bucólico à paisagem.

Ovelha pasta tranquilamente no rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Ovelha pasta tranquilamente no rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Quem também esteve lá, mas já há mais de 1.200 anos, foi um dos últimos sobreviventes do grupo de escravos irlandeses que havia matado seu mestre na Islândia e se refugiado em Heimaey. Mas isso não os protegeu da fúria vingativa do irmão do viking assassinado. Ele os perseguiu até a ilha, matando cada um deles. Um dos últimos esconderijos foi exatamente no topo do rochedo Heimaklettur, mas o incansável viking o escalou para completar sua vingança. Entre o viking furioso e o penhasco, o desesperado escravo não teve dúvidas e se jogou lá de cima. É uma queda e tanto, posso agora dizer. Mas não seria pior que a espada do viking...

Bela vista durante a subida do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Bela vista durante a subida do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


No cume do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

No cume do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Resolvemos deixar as ovelhas e o espírito do irlandês em paz e descemos de volta para a cidade. Agora era hora de visitar o museu de Vestmannaeyjar, com exposições históricas, geológicas e da vida selvagem da ilha. Com legendas em inglês, o que ajuda bastante! Tinha até uma exposição sobre como eram capturados, para depois seguirem para a panela, os pobres puffins.

Trilha para subir o Heimaklettur, montanha ao lado da cidade de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Trilha para subir o Heimaklettur, montanha ao lado da cidade de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Mas foram outras duas exposições que nos atraíram mais. A primeira foi sobre a grande erupção de 1973, aquela que criou mais 2 km2 de terras para a ilha, sobre a qual nos caminhamos e dirigimos ontem. As fotos são espetaculares, a igreja que conhecemos hoje com uma montanha flamejante ao fundo. Mas, mais incrível que as fotos é a história. Após criar os novos terrenos para a ilha, o vulcão apontou seus torpedos contra a cidade. Um terço dela foi destruída. Mas o problema maior foi que um rio de lava corria em direção ao porto, o que o inviabilizaria para sempre. E é justamente do porto que vive a cidade e seus 4.500 habitantes. Se o porto fosse destruído, a ilha não seria mais viável economicamente. Então, durante semanas, os habitantes da ilha e o governo islandês lutaram contra a força de um vulcão. Bombeavam, sem parar, a água gelada do mar para mangueiras que eram apontadas contra o rio de lava, tentando esfriá-lo e solidificá-lo. Com muita força, determinação, planejamento e água gelada, eles conseguiram!!! Esfriaram parte do rio e conseguiram desviá-lo de seu caminho original, salvando o porto! Só por isso estamos hoje, aqui, visitando essa ilha!

No topo do rochedo Heimaklettur, bem ao lado de Vestmannaeyjum,  na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

No topo do rochedo Heimaklettur, bem ao lado de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


No topo do rochedo Heimaklettur, bem ao lado de Vestmannaeyjum,  na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

No topo do rochedo Heimaklettur, bem ao lado de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


A outra exposição foi sobre os ataques turcos de 1627 em busca de escravos. Pouca gente sabe, mas nos séculos XVI e XVII, havia mais escravos brancos europeus capturados e levados para trabalhar na África do que escravos negros africanos capturados e levados para trabalhar na América. Essa escravidão de europeus (e mais tarde, até de americanos!) continuou no norte da África, região conhecida na época como “Barbaric Coast” até o século XIX! Diferentemente do tráfico de escravos para a América, onde boa parte dos escravos eram homens, numa razão de 2:1 ou até 3:1, o tráfico de escravos para as províncias otomanas da Argélia, Tunísia e Marrocos era mais equilibrado, inclusive com uma maioria de mulheres. Os homens eram enviados para serviços de construção pesada e as mulheres, para trabalharem nas casas ou como concubinas.

Painel no museu de Vestmannaeyjum mostra como se fazia a captura do puffin na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Painel no museu de Vestmannaeyjum mostra como se fazia a captura do puffin na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Os navios otomanos, muitas vezes pilotados por europeus, capturavam navios em alto mar e transformavam toda a sua tripulação em escravos. Mas não era só isso. Atacavam cidades costeiras na Europa, principalmente na Espanha e na Itália, mas também na França e Inglaterra, para fazer suas capturas. Depois, pediam dinheiro de resgate para os respectivos países, enquanto os indivíduos eram escravizados, rezando para que alguém enviasse o dinheiro dos resgates. Os Estados Unidos, por exemplo, por volta de 1800, comprometeram quase 20% do seu orçamento anual para pagamento de resgates de navios e tripulantes seus capturados no norte da África. Não é a toa que foi aí que fizeram sua primeira guerra no exterior (o primeiro sinal de “imperialismo”), contra esses “estados bárbaros”.

A bela vista que se tem do alto do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

A bela vista que se tem do alto do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


No museu de Vestmannaeyjum, painel mostra a última erupção na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

No museu de Vestmannaeyjum, painel mostra a última erupção na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Pois bem, muito antes disso, no ano de 1627, sob o comando de um pirata holandês e guiados por um escravo dinamarquês, navios da Barbaric Coast chegaram à indefesa Islândia e atacaram várias vilas na costa sul do país, inclusive a ilha de Heimaey. Na própria Islândia, seus habitantes ainda tinham para onde fugir, mas na pequena Heimaey, para onde iriam? Alguns poucos ainda conseguiram se esconder em cavernas ou no alto de penhascos, mas quase toda a população foi cercada e agrupada. Os que resistiam eram mortos, e assim foi com pouco mais de 30 deles, inclusive um dos dois reverendos de Vestmannaeyjar. O outro, junto com a esposa e dois filhos pequenos e mais 200 habitantes da ilha, foram embarcados para serem vendidos nos mercados de Algiers.

No museu de Vestmannaeyjum, a incrível história dos islandeses capturados para serem escravos no norte da África (ilha de Heimaey, no sul da Islândia)

No museu de Vestmannaeyjum, a incrível história dos islandeses capturados para serem escravos no norte da África (ilha de Heimaey, no sul da Islândia)


Esse pastor luterano se chamava Ólafur Egilsson e foi através de um livro escrito por ele que sabemos detalhes do ocorrido. Ele foi liberado da escravidão no ano seguinte, com missão de voltar para casa para conseguir pagar o resgate de sua família. Sua esposa, conseguiu ela de volta 10 anos depois. Mas seus filhos, nunca mais teve notícias. De todos aqueles levados, apenas 32 conseguiram regressar à Islândia. Entre eles, a mais famosa é a bela Gudrídur Símonardóttir, que passou 10 anos como concubina na Argélia, até que teve seu resgate pago pelo rei da Dinamarca (que naquela época também reinava sobre a Islândia). Ela também perdeu seu pequeno filho e o marido islandeses. De volta à pátria, casou-se com um dos mais famosos poetas islandeses, Hallgrímur Pétursson. Sua história já foi contada em livros e filmes em seu país.

Com nossa amiga Helga, do museu de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

Com nossa amiga Helga, do museu de Vestmannaeyjum, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia


Bom, para nós, a história e a natureza dessa pequena ilha já haviam sido demais. Depois de uma longa conversa com nossa mais nova amiga islandesa, a Helga, que trabalhava no museu, era hora de pegar o ferry de volta à Islândia. Nós partimos, mas um pedaço de nós ficou por ali. Terá sido o espírito? O coração? Não, foi algo bem mais “terreno” do que isso. Nossa querida Flip, uma pequena videocâmara que havia nos acompanhado desde o Brasil, resolveu que aquele seria o seu lar. E junto com a Helga, com a Gudrídur, o Olafur, os puffins, o Eldfell e toda aquela natureza exuberante, ela resolveu ficar. Tem bom gosto, a nossa Flip...

A bela vista que se tem do alto do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

A bela vista que se tem do alto do rochedo Heimaklettur, na ilha de Heimaey, no sul da Islândia

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Dirigindo Pelo Sul da Islândia

Comentários (1)

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  • 09/06/2014 | 14:11 por mabel

    Que história!!!! Não sabia e nem imaginava nada disso. Continuo aprendendo muito com os relatos de vocês.
    Abraços

    Resposta:
    Oi Mabel


    Pois é, eu também não imaginava que aprenderia tantas coisas interessantes na Islândia. Além da natureza, uma história incrível!

    Um abraço

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