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Os 7 Povos das Missões

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os 7 Povos das Missões são algumas das ruínas mais antigas existentes no Brasil. Construídas por jesuítas enviados pela Coroa Espanhola para amansar os nativos, facilitando a entrada dos exploradores e colonizadores, além de arrebanhar novas ovelhas para a Igreja Católica.

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Estátuas da antiga Missão no Museu em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Os jesuítas foram fortes e suportaram longos períodos em uma selva distante, sem suprimentos e com pouco (quase nenhum) suporte de seu rei, porém gozavam de autonomia religiosa, respondendo diretamente ao Papa. Muito cultos, letrados e astutos utilizaram a música como instrumento de aproximação e evangelização dos Guaranis, povo com uma musicalidade impressionante, segundo relatos dos evangelizadores.

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A cruz dupla nos jardins da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O cenário também foi muito propício à redução dos indígenas em missões jesuíticas, pois tanto espanhóis, quanto portugueses avançavam selva adentro buscando matéria prima e escravos de pele vermelha. Os bandeirantes paulistas unidos aos eternos inimigos dos guaranis, os tupis, tinham ainda mais vantagem e eram os mais temidos. Assim, para alguns caciques, as reduções se tornaram lugares atraentes tanto pela segurança que proporcionavam às tribos, quanto por prepararem estes indígenas para o convívio com o homem branco.

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Interior da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


O processo de formação destas missões foi lento, os jesuítas conseguiram, pouco a pouco, convencer os caciques guaranis dos benefícios de estarem reunidos, trabalhando em grupo para a produção de alimentos, educação e ao mesmo tempo garantindo a segurança de toda a tribo que, convertida ao cristianismo, tinha privilégios que os outros nativos não tinham.

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Caminhando pelas ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Fundada em 1632 pelo padre Cristóvão de Mendonça, a Missão de São Miguel Arcanjo logo foi abandonada, em decorrência dos ataques de bandeirantes. O padre e mais de 4 mil indígenas retornaram do Paraguai e retomaram a missão em 1687.

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

A imponente porta da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


São Miguel Arcanjo chegou a abrigar mais de 4 mil indígenas e apenas dois padres jesuítas eram os responsáveis pela missão. A língua falada dentro das reduções era o guarani, aprendido pelos padres, repassado pelas famílias às crianças que pouco à pouco iam aprendendo também o espanhol. Os costumes guaranis foram sendo modificados paulatinamente, inclusive a poligamia, que era privilégio do cacique. Dentro das missões os caciques mantinham a sua posição de comando, sendo o responsável por sua tribo e fazendo parte de um conselho de caciques que decidia e organizava a missão junto dos dois jesuítas.

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Turistas visitam a Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


As economia nas missões girava à base de trocas, algumas produzindo mais algodão, milho, mate e outros insumos agrícolas, enquanto outras tinham a criação de gado como principal atividade. Além das trocas entre as missões, algumas provisões eram compradas de mercadores que vinham de fora ou mesmo nas cidades mais próximas que já se formavam às margens dos principais rios da região. Ferro, vidros e outros bens que não eram encontrados por ali eram trocados pelos bens produzidos dentro das reduções. Além disso as missões eram isentas de pagar tributos à Coroa Espanhola por 10 anos.

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Todo o trabalho na construção destas verdadeiras cidades foram perdidos quando foi assinado o Tratado de Madrid, onde Portugal e Espanha trocavam as terras a leste do Rio Uruguai pela região de Colônia de Sacramento. Ao menos 5 gerações de indígenas já viviam ali, mais de um século de história, vivência, aprendizados e evangelização, sendo vassalos exemplares da coroa espanhola e era assim que o Rei lhes correspondia?

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Visita às ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Foi quando os guaranis decidiram defender o seu lar, território reduzido dos indígenas (daí o nome reduções) e que ainda assim teimavam em roubar-lhes. Uma guerra terrível e sangrenta entre os indígenas e os europeus, espanhóis aliados aos portugueses, exterminou e dispersou a população indígena. Nesta mesma época a perseguição aos jesuítas já havia expulsado os primeiros missionários das missões, desmantelando toda a estrutura que existia e facilitando a derrubada das mesmas.

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Abandonada depois da Guerra Guaranítica, hoje São Miguel é Patrimônio Mundial pela UNESCO, assim como suas vizinhas argentinas Santa Ana, San Ignácio Miní e Nossa Senhora de Loreto, que pretendemos visitar. Nossa visita à São Miguel foi em um final de tarde nublado, com um sol tímido tentando iluminar as paredes vermelhas da antiga igreja, oficinas e das poucas estruturas que restaram em pé.

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Uma figueira cresce sobre as ruínas da antiga Missão em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


À noite ainda assisti ao Show de Luzes e Som, atividade desenvolvida para atender às obrigatoriedades e padrões dos Patrimônios da Humanidade pela Unesco. Luzes piscam e iluminam a catedral, as oficinas e as árvores, enquanto elas ganham voz e personalidade, contando a história da missão com uma entonação bem dramática e teatral. Já conhecendo outros espetáculos como este eu achei a concepção artística do show um pouco simplista, mas ainda assim bem instrutiva para os que conseguem acompanhar os diálogos entre uma ruína e outra.

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

Show noturno de luzes e sons em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul


Dos nossos 7 Povos das Missões, São Miguel é o mais preservado e conta com o Museu das Missões, onde pudemos observar peças trabalhadas pelos escultores indígenas com a orientação dos jesuítas. A Rota das Missões conta ainda com mais 3 sítios arqueológicos, as ruínas de São João, São Lourenço e São Nicolau, além de 3 Santuários católicos modernos e o Salto Pirapó.

O mapa das Missões no território brasileiro

O mapa das Missões no território brasileiro


Nossa viagem continua, mas agora do outro lado do Rio Uruguai, onde iremos conhecer as famosas Missões Argentinas!

Brasil, Rio Grande Do Sul, São Miguel das Missões, arqueologia, história, Missões, Jesuítas

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Blog do Rodrigo Visitando as lindas ruínas jesuítas de San Ignacio Mini, na Argentina

A Civilização Esquecida - Versão Argentina

Comentários (1)

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  • 14/10/2013 | 11:45 por Boia Paulista

    Oi, Ana. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia

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